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  • Aumento da sensibilidade ao glúten faz laboratórios correrem atrás de tratamentos

    Aumento da sensibilidade ao glúten faz laboratórios correrem atrás de tratamentos

    Como muitas pessoas com sensibilidade ao glúten, Kristen Sweet evita a proteína no trigo que pode deixá-la doente. Mas, quando ela come na casa de uma amiga ou em um restaurante, ela não tem como saber ao certo que alimento é absolutamente livre de glúten.
     
    “Há esse risco toda vez que eu saio e preciso confiar minha saúde às mãos de outra pessoa”, disse Sweet, 29, que tem um mal relacionado ao glúten conhecido como doença celíaca. “Quando adoeço, fico encolhida como uma bola por dias e não há nada que eu possa fazer. Não há nada que eu possa tomar.”
     
    Agora, os laboratórios farmacêuticos estão correndo para desenvolver os primeiros medicamentos para doença celíaca, que os pesquisadores dizem ser muito mais comum do que antes se imaginava.
     
    Nenhuma droga deverá chegar ao mercado até 2018, no mínimo, mas duas delas deram indícios de serem promissoras em pequenos testes clínicos e podem em breve avançar para o estágio final de testes. Tendo isso em mente, a Food and Drug Administration (FDA, o órgão regulador americano de fármacos e alimentos) realizou recentemente uma oficina pública para discutir algo que nunca precisou se perguntar: como medir a eficácia das drogas para doença celíaca em testes clínicos?
     
    A maioria das drogas em desenvolvimento não eliminaria a necessidade de uma dieta livre de glúten, mas ajudaria a aliviar os sintomas quando há algum glúten na comida.
     
    Elas estão sendo desenvolvidas principalmente por empresas pequenas, apesar de algumas companhias farmacêuticas maiores agora também estarem demonstrando interesse. A AbbVie pagou US$ 70 milhões pela opção de adquirir os direitos globais de uma droga sendo desenvolvida pela Alvine Pharmaceuticals. A GlaxoSmithKline e a Avalon Ventures, uma empresa de capital de risco, criaram uma nova empresa, a Sitari Pharmaceuticals, que está à procura de tratamentos para doença celíaca.
     
    Segundo especialistas, o desenvolvimento de uma droga está atrasado em parte porque a doença era antes considerada uma condição rara entre crianças. Mas nos últimos 15 anos, aproximadamente, estudos apontaram que cerca de 1% da população, tanto adultos quanto crianças, tem a doença, o que significa que ela afeta cerca de 3 milhões de americanos. Mas muitos deles não têm um diagnóstico, em parte devido aos sintomas –que incluem dor abdominal, inchaço, diarreia, dores de cabeça, fadiga e problemas cognitivos – poderem ter muitas outras causas. E nem toda sensibilidade ao glúten está relacionada à doença celíaca.
     
    Acredita-se que a doença celíaca seja autoimune, o que significa que o sistema imunológico do corpo ataca seu próprio tecido, particularmente o revestimento interno do intestino delgado, por meio do qual os nutrientes são absorvidos. O ataque é provocado em pessoas geneticamente suscetíveis pelo glúten, uma proteína no trigo, na cevada e no centeio que confere propriedades favoráveis para cozinhar, mas que não é prontamente digerida.
     
    “Ela é a primeira doença autoimune para a qual o antígeno foi identificado”, disse o dr. Francisco Leon, cofundador da Celimmune, uma nova empresa para desenvolvimento de medicação para a doença celíaca. Ele disse que a doença celíaca pode servir como teste para as companhias farmacêuticas desenvolverem produtos para doenças autoimunes, porque é fácil obter uma leitura rápida sobre se uma droga funciona ao alimentar as pessoas com glúten.
     
    Também sugere que drogas para outras doenças autoimunes poderiam funcionar para a doença celíaca. A Celimmune licenciou os direitos de uma droga que a Amgen testou para artrite reumatoide e a testará em casos de difícil tratamento de doença celíaca.
     
    Os desenvolvedores de medicamentos estão adotando várias abordagens.
     
    A droga da Alvine, a ALV003, consiste de duas enzimas que visam decompor o glúten antes dele chegar ao intestino delgado e causar uma reação. A droga é um pó dissolvido na água que é tomado antes das refeições.
     
    Em um pequeno estudo, voluntários comeram deliberadamente migalhas de pão todo dia por seis semanas. Os intestinos daqueles que tomaram o medicamento não foram prejudicados, diferente dos intestinos daqueles que tomaram um placebo. Mas não houve uma diferença estatisticamente significativa nos sintomas.
     
    A Alvine, uma empresa de capital privado com sede em San Carlos, Califórnia, espera resultados no fim do ano de um teste maior de etapa intermediária envolvendo 500 pacientes, o maior teste já realizado para doença celíaca, disse o dr. Daniel C. Adelman, o diretor chefe médico.
     
    A BioLineRx, uma empresa israelense, está na etapa inicial de teste de um polímero que se liga a uma parte chave do glúten, o impedindo de ser absorvido no intestino delgado. E a Alba Therapeutics, uma empresa de capital fechado em Baltimore, realizou testes de etapa intermediária de uma droga, acetato de larazotido, que supostamente impede o glúten de se inserir entre as células do revestimento do intestino delgado e provocar uma reação inflamatória.
     
    Em um teste da fase 2, a dose mais baixa testada reduziu os sintomas em comparação a um placebo. Mas a Teva Pharmaceutical Industries, que obteve uma opção sobre o acetato de larazotido quando adquiriu outra empresa, decidiu não licenciar os direitos à droga, disse uma porta-voz da Teva. A Alba, que se recusou a ser entrevistada, aparentemente está à procura de dinheiro para passar a droga aos testes de estágio final.
     
    Pelo menos uma empresa, a ImmusanT, espera eliminar a necessidade de uma dieta isenta de glúten, permitindo às pessoas comerem o que quiserem. Ela acha que injetar glúten nas pessoas por várias semanas, provocando uma reação imunológica, induzirá a tolerância ao glúten, de modo semelhante ao jeito como a imunoterapia funciona.
     
    Alguns especialistas consideram essa uma chance pequena.
     
    Como a discussão na recente oficina da FDA deixou claro, avaliar a eficácia de medicamentos para doença celíaca pode ser difícil, porque a doença afeta as pessoas de modo diferente. Não há uma correlação clara entre os sintomas e o dano ao intestino. De modo ideal, disseram alguns participantes, uma droga melhoraria tanto os sintomas quanto curaria os danos e, ao mesmo tempo, também preveniria complicações de longo prazo, como perda óssea.
     
    Quem receberia a medicação também é outra questão. Se uma droga chegar ao mercado, especialmente uma cara, as seguradoras poderiam limitar a droga às pessoas com um diagnóstico definitivo, obtido por meio da inserção de um endoscópio pela garganta até o intestino para examiná-lo e realizar uma biópsia.
     
    “Eu espero que precisaremos de um diagnóstico de fato de doença celíaca, não apenas sensibilidade ao glúten”, disse a dra. Sheila E. Crowe, uma gastroenterologista da Universidade da Califórnia, em San Diego.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Tratar a apneia do sono pode evitar a deterioração da memória

    Tratar a apneia do sono pode evitar a deterioração da memória

    Um novo estudo sugere que os distúrbios respiratórios do sono podem estar associados ao declínio mental precoce e ao mal de Alzheimer. Tratar a apneia do sono com CPAP (aparelho para pressão positiva contínua das vias aéreas) pode adiar bastante o aparecimento de distúrbios cognitivos.
     
    Os pesquisadores coletaram informações sobre a incidência de apneia do sono (distúrbio de respiração caracterizado por interrupção da respiração e ronco) de um grupo de 2.470 pessoas, com idade média de 73 anos.
     
    Após o ajuste de diversas variáveis, eles descobriram que as pessoas com distúrbios respiratórios do sono desenvolveram deficiência cognitiva em média dez anos mais cedo que as pessoas que não tinham esses problemas.
     
    Todavia, para as pessoas que usaram CPAP, o aparecimento de deficiências cognitivas foi retardado em dez anos em média, em comparação com as pessoas que não receberam tratamento – período de tempo quase igual ao de pessoas que não tinham distúrbios de sono.
     
    O Dr. Ricardo S. Osorio, principal autor do estudo e professor pesquisador de Psiquiatria do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York, afirmou que a análise – publicada on-line no periódico Neurology – foi um estudo observacional que não estabeleceu uma relação de causa e efeito.
     
    “Todavia, precisamos aumentar a consciência de que os distúrbios do sono podem aumentar o risco de deficiência cognitiva e talvez de mal de Alzheimer”, acrescentou.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Tylenol não inibe apenas a dor, mas também as emoções, aponta estudo

    Tylenol não inibe apenas a dor, mas também as emoções, aponta estudo

    Um estudo recente demonstrou que o paracetamol (Tylenol), popular remédio contra a dor, também pode tornar as pessoas insensíveis a emoções positivas e negativas. Em um experimento randomizado e controlado, 85 pessoas tomaram 1.100 miligramas de Tylenol ou um placebo. Uma hora depois, os pesquisadores apresentaram a eles 40 imagens em ordem aleatória. As imagens eram muito agradáveis (por exemplo, crianças rindo com gatinhos em um parque) neutras (um rolo de macarrão em cima de uma mesa) ou muito desagradáveis (um vaso sanitário cheio de excrementos). O estudo foi publicado online no periódico Psychological Science.
     
    Os participantes que tomaram Tylenol estavam 20 por cento menos propensos a classificar as imagens como sendo muito desagradáveis e dez por cento menos propensos a classificá-las como bastante agradáveis, em comparação com os que tomaram placebo.
     
    Embora os mecanismos permaneçam incertos, pesquisas anteriores sugeriram que o Tylenol reduz a dor agindo na ínsula, parte do cérebro que influencia nas emoções sociais, entre outras funções.
     
    “Não queremos dar conselhos sobre o uso do paracetamol. Essas diferenças são modestas e foram obtidas em um ambiente muito controlado. Recomendamos seguir o conselho de seu médico para o controle da dor com o Tylenol”, afirmou Geoffrey R.O. Durso, doutorando de Psicologia da Universidade Estadual de Ohio.
     
    Fonte: The New York Times
     
  • Vigiando a genética

    Vigiando a genética

    O teste de fatores de risco para câncer de mama genético poderá mudar drasticamente quando uma startup do Vale do Silício lançar testes baratos vendidos pelo correio. O anúncio foi feito ao mesmo tempo que dois grandes laboratórios divulgaram a criação de um banco de dados para ajudar pesquisadores a refinar seu conhecimento sobre o nível de risco apresentado por certos genes.
     
    Os dois desenvolvimentos concentram-se nos genes BRCA1 e BRCA2. Ambos comunmente produzem proteínas que suprimem tumores, mas podem indicar um maior risco de câncer de mama e de ovários se sofrerem mutação.
     
    Essas mutações representam entre 5% e 10% de todos os cânceres de mama e 15% de todos os cânceres de ovário, segundo o Instituto Nacional do Câncer (NCI, em inglês). Os cânceres que afetam as portadoras das duas mutações também tendem a ocorrerem mulheres mais jovens do que os cânceres não hereditários.
     
    O teste dessas mutações genéticas atualmente pode custar entre 400 e 4 mil dólares nos Estados Unidos, dependendo do seguro-saúde da paciente. Desde a adoção da Lei de Acesso à Saúde – conhecida como Obamacare – todas as companhias de seguro-saúde são obrigadas a cobrir esses testes para mulheres com históricos de “alto risco” de câncer na família.
     
    A Color Genomics, empresa do Vale do Silício apoiada por executivos do Twitter e da Eventbrite, entre outros, está procurando tornar os testes mais acessíveis, com uma simples análise de saliva vendida por correio a 249 dólares.
     
    O teste de 19 genes da Color Genomics e a publicidade que o acompanha concentram-se fortemente nas mutações dos genes BRCA1 e BRCA2. Os dois fatores de risco receberam grande atenção pública desde que a atriz Angelina Jolie citou essas mutações como importantes parasua decisão de se submeter a dupla mastectomia.
     
    “Enquanto o caráter aparentemente aleatório do câncer traz uma profunda sensação de impotência, acreditamos que é possível reforçaros indivíduos e as famílias com conhecimento que possa lhes permitir compreender e administrar seu risco genético de câncer”, disse um primeiro postnoblogdo site.
     
    Enquanto isso, os laboratórios Quest Diagnostics e LabCorp anunciaram que vão reunir informações sobre testes genéticos em um banco de dados para ajudarnapesquisa,chamado BRCAShare. As empresas esperam que o banco de dados promova pesquisas e reduza o número de testes que têm resultados inconclusivos. O banco de dados será gratuito para cientistas que fazem pesquisa.
     
    Especialistas da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA recomendam que só mulheres com históricos genéticos de predisposição ao câncer façam testes dos genes BRCA1 e 2, e que as crianças não se submetam a esses testes porque não há como atenuar o risco em crianças.
     
    Fonte: Carta Capital
     
  • Ansiedade pode passar de pai para filho, e não só por causa dos genes

    Ansiedade pode passar de pai para filho, e não só por causa dos genes

    Um estudo feito com gêmeos mostra que a ansiedade pode ser transmitida de pais para filhos por gerações, e isso não ocorre apenas por questões genéticas. De acordo com o trabalho, as atitudes dos pais ansiosos e superprotetores afetam de forma significativa o comportamento dos filhos.
     
    A pesquisa, realizada por cientistas do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociências do King College London, na Inglaterra, e publicada no American Journal of Psychiatry, contou com cerca de 1.000 famílias com gêmeos idênticos e não idênticos na faixa dos 45 anos e com filhos.
     
    Ao comparar sintomas de ansiedade entre crianças e seus pais e comparar os dados aos dos gêmeos, os pesquisadores puderam examinar o papel de fatores ambientais e genéticos envolvidos na questão, de acordo com reportagem divulgada no site do jornal britânico Daily Mail.
     
    A equipe, liderada por Thalia Eley, concluiu que a convivência é um fator-chave para desenvolver ansiedade, e tem um papel até mais importante que a influência genética. Ou seja: ainda que você seja extremamente ansioso, não quer dizer que seus filhos também deverão ser.
     
    O estudo indica que pais muito ansiosos devem ser orientados para minimizar o impacto de sua ansiedade sobre o desenvolvimento da criança.
     
    Em termos práticos, a autora do estudo sugere que, embora a reação comum dos pais seja a de proteger a criança que está ansiosa, pode ser mais útil apoiá-la a tomar certos riscos. E, se as coisas derem errado, explicar que, se ela tentar de novo, pode ser que dê certo, em vez de incentivá-la a fugir da situação.
     
    Isso, segundo a pesquisadora, pode ajudar a criança a compreender que o mundo é um lugar seguro e que é possível gerenciar situações que inicialmente parecem estressantes.
     
    Se para muita gente administrar a própria ansiedade já é um tormento, imagine ainda ter de administrar a do filho? Por isso, em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Associação voluntária distribui remédios sem uso para doenças graves

    Associação voluntária distribui remédios sem uso para doenças graves

    Milhões de pessoas sofrem com doenças graves, passam por tratamentos severos e, muitas vezes, precisam depender de medicamentos caros para ter qualidade de vida. Pensando naqueles que não têm como comprometer uma significativa parcela de sua renda na compra de remédios nem os encontram para distribuição gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde), surgiu uma associação que procura auxiliar pacientes em todo o país. 
     
    Criado em Porto Alegre, o Banco de Remédios é uma associação independente que disponibiliza todo tipo de medicamento de forma gratuita a pacientes que não têm condições de comprá-los. Atualmente são cerca de 2.000 associados no Brasil que pagam uma contribuição mensal de R$ 30 e recebem remédios que podem custar mais de R$ 1.000 cada caixa.
     
    A associação, que já tem nove anos e conta com trabalho de voluntários, nasceu da experiência do administrador Dámaso MacMillan, 62, que viu de perto essa situação. Depois de ser diagnosticado com uma doença incurável, passou por transplante de rins e, agora, é um caso raro que não necessita mais de remédios. “Fiquei oito anos em tratamento antes do transplante. Sou transplantado há 30 anos e sempre tive grande dificuldade para conseguir medicamentos, até porque são extremamente caros”, afirma.
     
    Já curado, ele viu sua dispensa cheia de medicamentos sem mais necessidade, ao mesmo tempo em que presenciava de perto amigos do grupo de transplantados — o SOS Rim – do qual fazia parte passarem por dificuldades.
     
    “Resolvemos, através da SOS Rim, criar um banco específico para pacientes renais. Mas médicos de diferentes especialidades foram nos indicando pacientes, até que resolvemos abrir o banco a qualquer tipo de doença. Hoje atendemos todas as patologias existentes e buscamos os medicamentos nos mais diversos locais para que possamos ajudar nossos associados”, explica. 
     
    O Banco de Remédios não compra nada. Ele recebe medicamentos já esquecidos nas prateleiras, seja de ex-pacientes já curados ou que mudaram de tratamento ou ainda de médicos que possuem estoques de amostras grátis. As caixas de remédios são doadas à associação, que faz uma triagem para verificar as que têm condições de serem repassadas e ofertadas aos associados.
     
    “Atuamos especialmente com medicamentos de alto custo, como aqueles para pacientes de câncer e transplantados. Também recebemos remédios mais simples, que são distribuídos pelo SUS. Porém, às vezes, as pessoas não conseguem encontrar certos remédios nas farmácias do Estado e vêm até nós”, explica MacMillan.
     
    Há, por exemplo, casos como o de um remédio antivirótico geralmente receitado para transplantados, cuja caixa com 42 comprimidos chega a custar cerca de R$ 1.000 — e o paciente precisa tomar até dez caixas do medicamento por mês.
     
    O Banco de Remédios é uma alternativa para pessoas como Márcia Ferraz, 49. Desempregada há mais de dois anos, ela gastava R$ 300 por mês em medicamentos controlados. “Descobri o banco pela minha tia, de 87 anos, que toma uma série de remédios caros. É um auxílio muito grande. Antes eu dependia do apoio da família ou de algum amigo. Agora venho aqui buscar remédios para ela e para mim.”
     
    Nenhum medicamento sai do Banco de Remédios sem que seja apresentada uma receita médica dentro da validade. Além disso, o paciente necessita comprovar que realmente usa o remédio e que não possui condições de comprá-lo. Já as substâncias invalidadas para a redistribuição, como as mal acondicionadas ou os que já passaram do prazo de validade, são entregues a uma empresa parceira especializada que faz o seu descarte de forma segura.
     
    Um das características que difere o Banco de Remédios de uma farmácia popular, segundo Dámaso MacMillan, é a disponibilidade em solicitar por via judicial o fornecimento de um remédio a um associado. “Na falta coletiva de algum medicamento, entramos com uma ação. Um dos exemplos é o de um associado que estava sem remédio porque os dois fabricantes brigavam para ver quem poderia fornecer ao Estado. Entramos na Justiça e ganhamos os remédios para aquele paciente.”
     
    Desperdício
     
    Há um grande descontrole no gerenciamento da distribuição dos remédios no país. No ano passado no Rio Grande do Sul, 8,4 toneladas de medicamentos com os prazos de validade vencidos foram enterradas na região metropolitana de Porto Alegre — um valor estimado em R$ 3,2 milhões. 
     
    “Hoje a falta de medicamento ocorre no mundo inteiro. Não desperdiçar é um ato tão significativo que pode ajudar a vida de alguém”, afirma MacMillan. “O banco é uma instituição que a cada dia fica mais forte e está se transformando em uma rede social, com a qual podemos ajudar praticamente todo mundo. Essa é a nossa missão”, diz MacMillan.
     
    Para o idealizador do Banco de Remédios, a iniciativa pode se multiplicar e interferir na ingerência dos medicamentos em nível internacional. “No Brasil não faltam medicamentos. A gente está botando remédio no lixo  Por que não pegar esses medicamentos que sobram e repassar a um outro país, em especial os que são extremamente pobres, como o Haiti? Isso não compete ao governo, mas sim à sociedade”, afirma. 
     
    O Banco de Remédios está localizado no Centro de Porto Alegre, na rua Uruguai, 91, conjunto  430. A associação também pode ser contatada pelo telefone (51) 3226-2363 ou pelo e-mail [email protected].
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Vacina contra doença que mata uma criança por minuto chega a fase final de testes

    Vacina contra doença que mata uma criança por minuto chega a fase final de testes

    Novos testes de uma vacina contra a malária produziu resultados animadores chegando à fase final de testes – a primeira a atingir este estágio -, mas também produziu demonstrações de desapontamento com o grau de efetividade aquém do ideal.
     
    Nos experimentos, a droga RTS,S/AS01 ofereceu proteção parcial a um grupo de 16 mil crianças de sete países africanos. Mas não foi efetiva em bebês de até três meses de idade, afirmaram os autores do estudo na revista científica britânica “The Lancet”.
     
    A malária mata mais de 500 mil crianças no mundo, o equivalente a uma a cada minuto. No Brasil, segundo a OMS, o número de casos de malária tem diminuído, tendo sido registrados, em 2014, 178 mil casos, que levaram a 41 mortes.
     
    Apesar do desempenho limitado, os cientistas salientaram que a droga é a vacina em estágio clínico mais avançado disponível.
     
    “O desenvolvimento desta vacina continua sendo importante”, disse o coordenador do grupo de trabalho sobre malária da organização Médicos Sem Fronteiras, Martin de Smet. “Posso ver o uso dessa vacina especialmente nos países onde a malária é um mal permanente, onde as crianças têm em média cinco, seis, sete episódios de malária por ano.
     
    Assim, mesmo que vacina ofereça, digamos, 30% de proteção, se você traduzir isto em número de crianças salvas e em número de episódios de malária evitados, claro que (a vacina) é uma contribuição significativa para o controle da malária”, afirmou o especialista.
     
    Mas ele afirmou que os resultados são “desapontadores”. “Tínhamos muita expectativa em relação a essa vacina e o nível de proteção que ela proveria. Está sem dúvida abaixo do que esperávamos.”
     
    Proteção parcial
     
    Quase 9.000 crianças entre 5 e 17 meses de idade e 6.500 bebês entre 6 e 12 semanas receberam a vacina em sete países africanos (Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malauí, Moçambique e Tanzânia) entre março de 2009 e janeiro de 2011. Elas foram acompanhadas até o início de 2014.
     
    Segundo os dados publicados na “Lancet”, a droga protegeu um terço das crianças vacinadas no experimento.
     
    Após receber três doses da droga, os níveis de efetividade em crianças mais velhas chegaram a 46%. Mas os efeitos em bebês foram menos significativos, afirmaram os cientistas.
     
    Pesquisadores buscam uma vacina contra a malária, transmitida pela picada do mosquito, há 20 anos. Atualmente não existe nenhuma vacina aprovada contra a doença.
     
    O autor do estudo, Brian Greenwood, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, reconheceu que dificilmente os níveis de efetividade da vacina contra a malária se compararão aos da droga para prevenir o sarampo, que chegam a 97%.
     
    O parasita da malária tem um ciclo de vida complexo e ao longo dos séculos aprendeu a resistir ao sistema imunológico humano.
     
    A agência europeia de medicina vai revisar os dados e, se for aprovada, a vacina poderia receber autorização para produção comercial. A Organização Mundial da Saúde pode recomentar seu uso em outubro.
     
    Ceticismo
     
    Alguns cientistas receberam o resultado dos testes com reserva. Para o professor Adrian Hill, da Universidade de Oxford, a droga é um “marco”, mas deixa muitas questões em aberto.
     
    “Pelo fato de a vacina ter um efeito tão curto, o reforço é importante, mas não tem a mesma efetividade das primeiras doses”, afirmou. “Mais preocupante é o indício de um repique na propensão a malária: após 20 meses, as crianças vacinadas que não receberam o reforço tiveram um aumento no risco de contrair malária grave nos 27 meses seguintes, comparadas com as crianças não vacinadas.”
     
    Outros especialistas pediram que o custeio da vacina não implique reduções de investimento em medidas preventivas, como a distribuição de redes antimosquito.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • Anvisa aprova regras para importação de medicamentos com canabidiol

    Anvisa aprova regras para importação de medicamentos com canabidiol

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta quarta-feira (22) regras que facilitam a importação de medicamentos que tenham como princípio ativo o canabidiol, um dos derivados da maconha. A principal alteração é a que deixa de exigir um pedido de autorização novo para cada importação, mas o cadastro na Anvisa deverá ser renovado a cada ano.
     
    As mudanças que constam da nova resolução vieram depois de um ano da aprovação de importação de produtos com canabidiol no país. Nesse período, a Anvisa analisou o processo e teve reuniões periódicas com famílias de pacientes que usam os medicamentos. Em janeiro, foi liberado oficialmente o uso desse tipo de produto para uso medicinal.
     
    O cadastro permitirá que as famílias façam a importação do produto sem precisar apresentar o pedido à Anvisa todas as vezes. Ele só precisará ser renovado anualmente, com a apresentação de um laudo médico mostrando a manutenção do quadro médico que exige o uso do medicamento e uma nova receita. Outra mudança é que a compra no exterior não precisará ser feita de uma vez só. Se por questões financeiras a família, mesmo tendo uma receita de vários lotes, preferir fazer várias compras, poderá fazê-lo.
     
    A resolução também permitirá que a importação passe a ser feita por associações de parentes de usuários, em vez de exigir, como hoje, que cada família faça o seu pedido. A associação não poderá vender o produto, o que é proibido no Brasil, mas poderá reunir famílias que precisam do mesmo medicamento e fazer apenas um mesmo pedido, diminuindo custos e a burocracia envolvida na importação. A autorização, no entanto, continua a ser individual por paciente.
     
    A Anvisa também deixou claro que entidades hospitalares, governamentais ligadas à saúde e planos de saúde poderão fazer também a importação, para atender seus pacientes. Essa possibilidade não estava clara na resolução anterior.
     
    A agência preparou uma lista de produtos que se enquadram nas regras para uso médico no Brasil – entre elas, ter teor de THC, que tem efeito psicoativo, menor do que o de canabidiol e ter registro em seu país de origem – e que poderão ser importados dentro dessas novas regras. De acordo com a assessoria da Anvisa, eles representam 95% dos medicamentos desse tipo importados hoje.
     
    Apesar das mudanças, um dos principais entraves para as famílias que necessitam dos produtos, as taxas de importação, não devem mudar – podem diminuir no caso das compras feitas via associações. Também não está em estudo a autorização de venda por meio de serviços postais. Uma das reclamações das famílias é a exigência de retirada do produto pessoalmente nos aeroportos. A avaliação da Anvisa é que as entregas por serviços postais fariam com que o governo perdesse o controle do que está entrando no país.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • EUA emitem alerta para turista sobre risco de contrair dengue no Brasil

    EUA emitem alerta para turista sobre risco de contrair dengue no Brasil

    O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos emitiu alerta aos americanos para o risco de contrair dengue e malária em viagens ao Brasil. Em escala de 1 a 3, o País foi classificado como risco nível 1, de atenção.
     
    Isso quer dizer que o viajante deve adotar precauções. Libéria e Serra Leoa, por exemplo, são nível 3, por causa do Ebola – e devem ser evitados. O Ministério da Saúde considerou a medida “adequada”.
     
    “O Brasil de fato está enfrentando epidemia de dengue em algumas regiões e cabe o aviso aos viajantes”, afirmou o diretor de Vigilância de Doenças Transmissíveis, Cláudio Maierovitch.
     
    O alerta sobre dengue foi publicado no site do CDC na segunda-feira. O texto informa que, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), houve o registro de 224.101 casos e 52 mortes só neste ano. São Paulo, Goiás e Acre são os Estados mais afetados.
     
    O CDC ressalta que não há vacina nem remédio eficaz para prevenir a dengue e os viajantes devem usar repelentes. O centro sugere ainda que os turistas se vistam com calças e camisas de mangas compridas. Se usarem filtro solar, o repelente deve ser aplicado em seguida.
     
    “A pessoa só se torna imune à dengue se foi infectada pelos quatro sorotipos da doença. E, se já teve infecção anterior, a chance de ter a forma grave da dengue é maior. Nesse sentido, é indiferente que o turista nunca tenha tido contato com a doença”, explicou Maierovitch.
     
    Malária 
     
    O CDC também emitiu alertas a respeito de malária. Em 27 de março,o País foi classificado como risco nível 1, por causa do registro de 23 casos de transmissão da doença no Rio e 5 em Goiás. A transmissão local significa que mosquitos foram infectados pela malária e estão espalhando a doença para a população, alerta o órgão. O centro recomenda que pessoas que estejam viajando para Goiás ou para a Região Serrana e áreas de Mata Atlântica do Rio também se protejam.
     
    De acordo com Denise Valle, pesquisadora do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), esse tipo de alerta é “mais ou menos recorrente” e se justifica no caso da dengue. “Estamos no meio de um surto e precauções devem ser tomadas”, afirma.
     
    Exagero. As medidas mais eficazes para o combate à dengue são as preventivas, como controle de criadouros e saneamento básico, ressalta Denise. Já no caso da malária, a especialista considera que houve“certo exagero” do órgão internacional.
     
    “É um pequeno surto,muito localizado, no interior do Rio. De vez em quando acontecem esses casos, mas 99% dos registros de malária são na Região Amazônica. Isso ocorre porque os mosquitos encontrados na Região Sudeste, por exemplo, são maus transmissores.” O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Saúde do Estado do Rio, Alexandre Chieppe, diz que a própria secretaria emitiu um alerta para malária em março, para chamar a atenção de pessoas que visitaram áreas de Mata Atlântica em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Miguel Pereira.
     
    “Esse tipo de alerta, se for direcionado e emitido de forma a não causar pânico, deve ser feito de forma rotineira. No ano passado, fizemos o mesmo com quem estava indo para a Europa, por causa dos casos de sarampo”, afirmou Chieppe.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • Novo estudo reforça a inexistência de vínculos entre vacinas e autismo

    Novo estudo reforça a inexistência de vínculos entre vacinas e autismo

    Um novo estudo científico descartou a existência de vínculos entre o autismo e a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR), mesmo entre crianças de alto risco,  de acordo com uma pesquisa norte-americana publicada nesta terça-feira (21).
     
    Os resultados publicados no Journal of the American Medical Association (JAMA) baseiam-se em um estudo feito com cerca de 95 mil jovens.
     
    Todos aqueles no estudo tinham irmãos mais velhos. Algumas das crianças mais velhas tinham autismo e outras, não.
     
    Já que o autismo pode ocorrer em famílias, os pesquisadores decidiram examinar se as vacinas poderiam tornar autismo ainda mais provável em crianças que tinham irmãos com autismo.
     
    Eles descobriram que as vacinas não tinham influência no risco de se desenvolver autismo, com ou sem um irmão na família diagnosticado com o problema.
     
    “De acordo com estudos em outras populações, não observamos relação entre a vacina MMR e o aumento do risco entre as crianças”, explicou o estudo, feito por Anjali Jain, médico em Falls Church, Virgínia.
     
    “Nós também não encontramos nenhuma evidência de que o recebimento de uma ou duas doses da vacina MMR está associado a um risco aumentado de autismo entre as crianças que tinham irmãos mais velhos com o distúrbio”, prosseguiu.
     
    O autismo está em ascensão, e afeta uma em cada 68 crianças nos Estados Unidos, mas suas causas ainda são pouco compreendidas.
     
    Rumores sobre a relação entre vacinas e autismo começaram a se espalhar após a publicação, em 1998, de um artigo de Andrew Wakefield que pretendia encontrar uma ligação entre a vacina MMR e o autismo em 12 crianças.
     
    Mais tarde, o artigo foi considerado fraudulento e foi recolhido pela revista que o publicou. A Grã-Bretanha também retirou a licença médica de Andrew Wakefield.
     
    Mas as preocupações sobre a segurança da vacina, principalmente na era da Internet, têm se mostrado difícil de dominar.
     
    “Apesar de um volume substancial de pesquisas ao longo dos últimos 15 anos não ter encontrado nenhuma relação entre a vacina MMR e o autismo, pais e outras pessoas continuam a fazer essa associação”, argumentou o estudo.
     
    “Pesquisas de pais que têm filhos com autismo sugerem que muitos acreditam que a vacina MMR foi um fator contribuinte”, concluiu.
     
    As crianças que têm um irmão mais velho com autismo são menos propensas a se vacinar, segundo o estudo.
     
    A taxa de vacinação contra sarampo para as crianças com irmãos não afetados foi de 92 por cento até os cinco anos de idade.
     
    Em contraste, as taxas de vacinação MMR para crianças com irmãos mais velhos com autismo foi de 86 por cento aos cinco anos de idade.
     
    Um editorial acompanhando o artigo escrito por Bryan King, médico da Universidade de Washington e do Hospital Infantil de Seattle, afirma que os dados são claros.
     
    “A única conclusão que se pode tirar do estudo é que não há nenhum sinal que sugira uma relação entre a vacina MMR e o desenvolvimento de autismo em crianças com ou sem um irmão que tem autismo”, escreveu King.
     
    “No seu conjunto, algumas dezenas de estudos demonstraram que a idade de manifestação do autismo não difere entre as crianças vacinadas e não vacinadas, assim como a gravidade ou o desenvolvimento do autismo não diferem entre as crianças vacinadas e as não vacinadas e, agora, o risco de recorrência de autismo nas famílias não difere entre as crianças vacinadas e as não vacinadas”, prosseguiu.
     
    Fonte: Uol Saúde