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  • Aprovado nos EUA medicamento genérico para esclerose múltipla

    Aprovado nos EUA medicamento genérico para esclerose múltipla

    A gigante farmacêutica suíça Novartis anunciou nesta quinta-feira que a Sandoz, subsidiária dedicada a medicamentos genéricos, obteve o sinal verde das autoridades de saúde dos Estados Unidos para uma versão genérica de um tratamento para a esclerose múltipla.
     
    A agência norte-americana que regula os medicamentos (Food and Drug Administration, a FDA) aprovou um medicamento da Sandoz chamado Glatopa, uma versão genérica do Copaxone 20 mg, um tratamento desenvolvido pelo grupo israelense Teva, afirmou a Novartis em comunicado.
     
    O Glatopa, desenvolvido com a empresa de biotecnologia norte-americana Momenta, é a primeira versão genérica deste tratamento aprovada para formas reincidentes de esclerose múltipla.
     
    “A Sandoz, com Momenta, se orgulha de ser a primeira empresa a receber aprovação da FDA para uma versão genérica substituível deste tratamento importante”, disse Peter Goldschmidt, presidente da Sandoz EUA, em comunicado.
     
    A esclerose múltipla é uma doença debilitante que afeta cerca de meio milhão de pessoas nos Estados Unidos, segundo a Novartis.
     
    O Copaxone é o carro-chefe grupo israelense Teva, responsável sozinho por cerca de um quinto de sua receita.
     
    O grupo israelense, conhecido como líder mundial em medicamentos genéricos, não poupou esforços para proteger a droga, centro de uma disputa legal com a Sandoz sobre a qual o Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos se pronunciou em janeiro.
     
    Na Bolsa de Nova York, onde o grupo israelense é cotado, o título caiu 3,76%, a 63,49 dólares.
     
    “A Teva reconheceu há algum tempo que uma versão genérica do nosso Copaxone 20 mg/mL poderia entrar no mercado e nós já trabalhávamos com isso”, informou um porta-voz, procurado pela AFP.
     
    O grupo lançou uma versão em 40mg, dizendo-se satisfeito com a aplicação e adoção pelos médicos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Tratamento antileucemia pode ser chave para câncer de pâncreas

    Tratamento antileucemia pode ser chave para câncer de pâncreas

    Um tratamento utilizado para tratar leucemia e linfomas pode tornar mais eficaz a quimioterapia para combater o câncer de pâncreas, um dos mais letais – segundo um estudo científico cujos resultados foram apresentados nesta quarta-feira (15) em Barcelona, na Espanha.
     
    O estudo vem de um experimento realizado em ratos por um grupo de pesquisadores do Instituto de Oncologia do hospital Vall d'Hebron, em Barcelona, e os testes serão realizados este ano em pacientes com este câncer, cuja taxa de mortalidade é de 95% no prazo de cinco anos após o diagnóstico.
     
    “As células cancerosas ficam em uma espécie de escudo à base de fibras. Este escudo as protege contra a quimioterapia e, por isso, não é muito eficaz em atingir seu alvo”, explicou à AFP Laura Soucek, diretora da equipe de cientistas.
     
    Durante os testes em ratos com tumores malignos (adenocarcinomas), os investigadores administraram a esses animais um tratamento normalmente utilizados para a leucemia e os linfomas, o Ibrutinib.
     
    “A surpresa foi excepcional (…), o Ibrutinib atacou o escudo, tornando-o muito mais fino. De repente, as células cancerosas ficaram muito mais acessíveis à quimioterapia”, disse a pesquisadora.
     
    Os resultados destas experiências foram publicados este mês na revista Cancer Research. Eles concluem que esta substância ajuda a retardar o crescimento do tumor e aumentam as chances de sobrevivência de ratos, informou o hospital em comunicado.
     
    Como se trata de um tratamento já existente, “os testes clínicos em pacientes com câncer podem começar já este ano, talvez dentro de seis meses”, afirmou a cientista.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Uso indevido de medicamentos causa morte de 20 mil por ano no Brasil

    Uso indevido de medicamentos causa morte de 20 mil por ano no Brasil

    Alerte os consumidores sobre os riscos da automedicação
     
    Vista por muitos como uma solução imediata, a automedicação pode trazer consequências mais graves do que se imagina, como intoxicação, reações alérgicas, dependência e, em alguns casos o óbito. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano, cerca de 20 mil pessoas morrem, no País, vítimas da automedicação. O uso indevido de medicamentos é considerado atualmente um problema de saúde pública no Brasil e no mundo.
     
    A automedicação é definida como uso de medicamentos sem prescrição médica, onde o próprio paciente decide qual fármaco utilizar – muitas vezes influenciado por familiares, amigos ou o próprio balconista da farmácia. “Ao avaliar a gravidade do seu caso e escolher a terapêutica mais adequada sem a indicação médica, o indivíduo pode levar ao agravamento de uma patologia, internação ou até mesmo ao óbito”, afirma o diretor técnico da Central de Medicamentos de Alto Custo Juarez Barbosa, Roney Pereira Pinto.
     
    Ele informa que, de acordo com relatórios da Organização Mundial de Saúde (OMS), a prática pode aumentar o erro nos diagnósticos das doenças e da utilização de dosagem correta, além de favorecer o aparecimento de efeitos indesejáveis, como a intoxicação. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox), os medicamentos são responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação.
     
    Roney ainda ressalta que a automedicação pode mascarar diagnósticos. “O que pode estar sendo paliativo pode também mascarar uma patologia grave, portanto é necessário buscar o serviço de um profissional especializado de saúde para ter maior segurança”, pontua.
     
    Fonte: Diário da Manhã
     
     
  • Remédio preventivo para grupo com mais risco de pegar Aids chega ao SUS

    Remédio preventivo para grupo com mais risco de pegar Aids chega ao SUS

    O Sistema Único de Saúde (SUS) está se adaptando à grande mudança que o campo do HIV sofreu nos últimos quatro anos. O grande desafio é reorganizar o atendimento e incluir os soronegativos sob risco. A prevenção, que antes se limitava a métodos comportamentais como o preservativo, agora contará cada vez mais com remédios. A nova estratégia é chamada de prevenção combinada.
     
    Dos três métodos preventivos medicamentosos que emergem, um é antigo, mas nunca emplacou no Brasil, sendo pouco usado por aqui. É a profilaxia pós-exposição (PEP, do inglês post-exposure prophylaxis), o coquetel que deve ser tomado de emergência logo após uma situação de risco.
     
    O segundo método é, digamos, uma releitura: o Tratamento como Prevenção (TcP). Em 2011, provou-se que tratar o soropositivo impede que ele transmita o vírus.
     
    Se antes o objetivo do tratamento era melhorar a saúde do portador, agora é também proteger seus parceiros. A consequência prática do TcP foi que em muitos países o coquetel passou a ser recomendado assim que a pessoa descobre ter o vírus, mesmo que esteja saudável. No Brasil, o Ministério da Saúde aderiu à medida em 2013.
     
    O terceiro método é inovador. A profilaxia pré-exposição (PrEP, do inglês pre-exposure prophylaxis) consiste no uso contínuo de um coquetel com menos remédios por pessoas soronegativas que estejam sob alto risco de se infectar.
     
    A PrEP já está em uso nos Estados Unidos desde 2012 e foi endossada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2014.
     
    No Brasil, está em avaliação por meio de uma pesquisa conduzida em conjunto pela Fundação Oswaldo Cruz, USP (Universidade de São Paulo) e o Centro de Referência e Treinamento em aids do Estado de São Paulo (CRT).
     
    Nova frente de atendimento
     
    Um dos desafios, portanto, é ampliar o uso da PEP – um método que qualquer brasileiro sexualmente ativo pode um dia precisar. A PEP demorou a ser liberada no país e ainda hoje seu uso no SUS é restrito e elitizado.
     
    Com o advento da prevenção combinada, porém, o método ganha destaque. E não só no Brasil – a OMS, que restringia a PEP a estupros, mudou de posição em dezembro último.
     
    Depois de anos de oferta restrita e má divulgação, gestores do SUS passam a valorizar a PEP. Os protocolos de atendimento estão passando por revisão em Brasília e a tendência é que se aumente sua disponibilidade nas emergências. O Ministério da Saúde também já está investindo em pesquisas sobre o método.
     
    Mas o que vai exigir mais criatividade e ousadia dos gestores é mesmo a PrEP.
     
    A chegada da PrEP no SUS significa a abertura de uma nova frente de atendimento – o acompanhamento regular de soronegativos com maior risco de se infectar. Homens bissexuais, gays, mulheres trans e profissionais do sexo são considerados grupos preferenciais para o método por conta do maior risco de aquisição no caso de uma exposição.
     
    Denize Lotufo, médica infectologista do CRT, disse: “Por enquanto, só temos PrEP para gays, pela pesquisa. Mas queremos também oferecer para héteros que têm exposições repetidas”.
     
    Pesquisa no CRT mostrou que 11% usaram a PEP mais de uma vez. “No uso repetido, seria mais lógico fazer PrEP”.
     
    Para Alexandre Grangeiro, pesquisador da USP, “os serviços de saúde estão muito pouco preparados para programas de suporte contínuo a essas populações mais expostas”.
     
    De fato, a relação da pessoa vulnerável com o SUS sempre foi pontual – um exame aqui, um aconselhamento ali, às vezes uma PEP. Até que se infecta e ganha uma matrícula num posto de HIV. Mas poderia ser diferente – o serviço poderia acompanhar essas pessoas, discutindo a minimização de seu risco e intervindo sobre fatores sociais e psicológicos envolvidos.
     
    Agora, com a PrEP, que exige consultas médicas trimestrais e exames, terá que se criar um serviço para soronegativos sob risco, o que pode ser a oportunidade para um trabalho mais amplo. Críticos do entusiasmo com a PrEP temem que a intervenção se reduza ao remédio.
     
    Segundo Denize, ainda não há consenso sobre como será este novo serviço: “não vamos colocar o soronegativo para ser atendido no ambulatório de HIV, que é o lugar dos soropositivos. Estamos avaliando qual seria o local. Tradicionalmente, o lugar do soronegativo é o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que teria de se reinventar”.
     
    Denize prevê dificuldades. “O nosso serviço atende 6.000 pessoas com HIV. É uma doença crônica, as pessoas estão vivendo e entram novas. Tem serviço na cidade de São Paulo em que há falta de profissional. Está difícil atender os positivos, imagina os negativos”.
     
    Casais de positivo com negativo
     
    O Tratamento como Prevenção (TcP) também traz o soronegativo para o SUS – aquele que tem um parceiro soropositivo. Grangeiro discute as implicações do TcP para o atendimento a esses casais, chamados sorodiscordantes.
     
    “Antes, o parceiro negativo aparecia na hora que precisava de PEP. Isso deve diminuir. Temos que começar a acompanhar esse negativo, fazer exames periódicos, discutir as formas de exposição, a adesão do parceiro positivo ao medicamento. Se o positivo optou por se tratar e tem a carga viral indetectável, se o casal tem um melhor gerenciamento das práticas sexuais, não tem sentido o negativo ficar usando PEP ou PrEP.”
     
    Para Denize, um dos aspectos positivos do TcP será o estímulo a uma adesão correta à medicação. “Tomar o remédio com disciplina será também uma forma de proteger o parceiro”.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga usada contra leucemia pode tratar outros tipos de câncer

    Droga usada contra leucemia pode tratar outros tipos de câncer

    Estudo da Universidade de Harvard identificou uma substância, já usada em outras terapias, que se mostrou mais eficaz no combate ao câncer por atacar células-tronco da doença. As terapias-alvo vêm se popularizando no mundo no combate ao câncer. Elas atacam diretamente as células cancerosas e causam menos danos às células saudáveis. Mas uma das dificuldades do tratamento é combater as células-tronco desses tumores, que os levam a crescer novamente. Publicada ontem na revista científica “Nature Medicine”, uma pesquisa identificou um inibidor que seria a solução para este problema.
     
    A pesquisa analisou mais de 8.200 substâncias, algumas já aprovadas nos EUA, na busca de um inibidor da enzima Pin 1, que regula as proteínas responsáveis pela proliferação celular de vários tipos de tumor. Os cientistas ficaram surpresos ao ver que o ácido all-trans-retinoico (Atra) — um composto já aprovado para o tratamento de leucemia promielocítica aguda (LPA) — é capaz de eliminar essas células-tronco, além de bloquear os caminhos de fuga das células tumorais pelo corpo (o que também faz com que o câncer volte a se manifestar).
     
    O Atra foi descoberto na década de 1980 e é uma importante droga para tratar a LPA. Antes dele, a mortalidade era maior devido a intensos sangramentos ocasionados pela doença. Agora, os pesquisadores mostraram que seu mecanismo de ação é diferente do que se pensava.
     
    — O uso do Atra para inibir e destruir a enzima Pin 1 representa uma nova abordagem para as terapias-alvo — explica um dos autores do estudo, Kun Ping Lu, do Centro Médico Beth Israel Deaconess (BIDMC) e da Escola Médica da Universidade de Harvard, e um dos descobridores da enzima Pin 1, em 1996. — Isto é extremamente necessário para tratar cânceres agressivos ou resistentes aos medicamentos.
     
    Os cientistas também testaram o Atra no câncer de mama triplo negativo, um dos mais agressivos dos tipos de mama. Os resultados positivos mostram que a substância poderia ser usada em diferentes tumores.
     
    — Os pesquisadores americanos descobriram um novo e interessante mecanismo para o Atra — comenta o oncologista Daniel Tabak, membro titular da Academia Nacional de Medicina. — Este é o avanço da medicina molecular, que implica em identificar alvos em comum para diferentes tipos tumorais, por isso seria eficiente tanto para o câncer de mama quanto a leucemia.
     
    No entanto, a maneira como o Atra é usado atualmente teria que ser revista para atender às novas necessidades.
     
    — Estamos desenvolvendo novas formulações da droga — diz Xiao Zhen Zhou, também pesquisador de BIDMC e de Harvard e autora do estudo. — O Atra aprovado hoje pelo FDA (agência reguladora de remédios dos EUA) tem uma meia-vida de 45 minutos em humanos, o que é pouco para tratar tumores sólidos. E as novas gerações mais potentes do Atra tiveram baixa eficácia em testes em humanos e não inibem o Pin 1. Esta fórmula mais potente atingirá vários “alvos de sonhos”, que hoje não respondem a drogas.
     
    TUMOR DE CÓLON NA MIRA
     
    Ontem também foi publicado na revista “Lancet Oncology” um estudo com mais de mil pacientes de 24 países com câncer de cólon, mostrando que o uso da substância ramucirumab combinado à quimioterapia aumenta em 16% a sobrevida de pacientes. Eles sobreviveram 13,3 meses, enquanto que os tratados com placebo, 11,7 meses. O fármaco atua no processo de angiogênese, que é a criação de vasos sanguíneos através dos quais os tumores se alimentam e crescem. Os resultados foram comemorados pelos autores, mas questionados por Tabak: — O ganho de sobrevida é muito limitado. Essa abordagem da angiogênese deixou muito a desejar em relação ao que se propunha inicialmente — afirma o especialista.
     
    Fonte: O Globo
  • Estudo associa consumo de suplementos e câncer de testículo

    Estudo associa consumo de suplementos e câncer de testículo

    Um estudo associou o consumo de suplementos para fortalecimento muscular ao risco de câncer de testículo. E a propensão foi maior para homens que tinham iniciado o uso antes dos 25 anos.
     
    O trabalho, publicado no British Journal of Cancer, avaliou suplementos em pílulas e em pó com creatina ou adrostenediona, um hormônio esteroide.
     
    Segundo o autor sênior do estudo, Tongzhang Zheng, a relação entre câncer e o uso de suplementos foi forte, especialmente para quem utilizava os produtos por muito tempo.
     
    A incidência de câncer testicular aumentou de 3,7 casos por 100.000 homens, em 1975, para 5,9 casos por 100.000 homens, em 2011. Os cientistas não sabem explicar esse crescimento.
     
    Este é o primeiro estudo epidemiológico a analisar a possível ligação entre suplementos e câncer testicular, segundo os autores. O trabalho foi inspirado pela suspeita de que certos componentes desses suplementos pudessem interferir nas células testiculares.
     
    Para comprovar a hipótese, os pesquisadores entrevistaram 900 homens de dois Estados americanos – 356 diagnosticados com câncer de testículo e 513 sem a doença. Além do uso dos suplementos, foi avaliado outros possíveis fatores de risco, como tabagismo, consumo de bebida, sedentarismo e histórico familiar.
     
    Isolados esses fatores, os usuários de suplementos apresentaram um risco 65% maior de câncer testicular em comparação com homens que não usam. A taxa aumentou para 2,77 entre homens que usaram mais de um tipo de suplemento, e para 2,56 entre quem usou os produtos por três anos ou mais.
     
    Os autores ressaltam que estudos mais amplos e análises laboratoriais são necessários para estabelecer uma relação entre os suplementos e o câncer. Mas os resultados servem de alerta para quem usa esses produtos, especialmente para quem consome sem acompanhamento médico ou nutricional.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Ilegalidade dificulta pesquisas sobre maconha medicinal, diz pesquisador

    Ilegalidade dificulta pesquisas sobre maconha medicinal, diz pesquisador

    Vinte e três Estados americanos e o distrito de Columbia legalizaram a maconha medicinal, mas a pesquisa científica sobre seus usos mais apropriados ainda está defasada. O doutor Mark Ware gostaria de mudar isso. Ware, de 50 anos, é diretor do Consórcio Canadense de Investigação dos Canabinóides e diretor de pesquisas clínicas da Unidade de Gestão da Dor Alan Edwards, do Centro de Saúde da Universidade McGill. A maconha medicinal é legal no Canadá há 16 anos, e Ware, médico praticante, estuda como seus pacientes usam a droga e em que condições ela funciona.
     
    Conversamos por duas horas no recente encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência e depois por telefone. Nossas entrevistas foram condensadas e editadas por causa do espaço.
     
    Como surgiu seu interesse pelas possibilidades médicas da cannabis?
     
    No final dos anos 1990, estava trabalhando em Kingston, na Jamaica, em uma clínica tratando pessoas com anemia falciforme. Meu pai inglês e minha mãe da Guiana me criaram na Jamaica e fui para a faculdade de medicina lá.
     
    Um dia, um rastafári idoso veio para seu check-up anual. Eu perguntei: “Que remédios você usa?”. Ele se apoiou na mesa e disse: “Você precisa estudar a erva”.
     
    Naquela noite, voltei ao meu escritório e procurei “cannabis e dor”. O que encontrei foram inúmeras anedotas de pacientes que usaram maconha, legalmente ou não, e afirmavam ter conseguido bons resultados em uma grande variedade de condições relacionadas à dor.
     
    Havia também estudos reveladores mostrando que o sistema nervoso tem receptores específicos para os canabinóides e que esses receptores estavam em áreas relacionadas à dor. Tudo terminava com “são necessários mais estudos”.
     
    Então pensei: “É isso que eu deveria estar fazendo. Vamos lá!”.
     
    O começo foi fácil?
     
    Na verdade, não.
     
    Naquele verão, fui para a Inglaterra e pensei em trabalhar com uma empresa farmacêutica britânica que estava pesquisando canabinóides. Então, no mesmo momento, uma Corte canadense julgou o caso de um epilético que havia sido preso quando usava cannabis para suas convulsões. Essencialmente, o que aconteceu foi que a Corte legalizou a maconha medicinal em todo o Canadá.
     
    Quando ouvi aquilo, percebi que devia ir para o Canadá. Reuni minha família e nos mudamos para Montréal. Propus para a McGill uma clínica onde pudéssemos avaliar as alegações dos pacientes sobre a maconha medicinal.
     
    A maioria do que sabíamos sobre a droga não tinha fundamento. Muita coisa era folclórica. Minha ideia foi ouvir as histórias dos pacientes e depois fazer com que passassem por uma avaliação clínica.
     
    Quando você se mudou para o Canadá, em 1999, o que já se sabia sobre a maconha medicinal?
     
    Já sabíamos que os canabinóides funcionavam como analgésicos em modelos animais. Havia descrições de casos de pessoas com esclerose múltipla que haviam se beneficiado.
     
    Na Califórnia, pessoas com HIV estavam usando a maconha para estimular o apetite, diminuir o enjoo e a dor. Pacientes com câncer usavam às vezes para diminuir a náusea causada pela quimioterapia.
     
    Desde então, houve pelo menos 15 testes de boa qualidade por todo o mundo. Já foi descrito que os canabinóides ajudam com neuropatias associadas ao HIV, neuropatias traumáticas, esclerose múltipla e dores por causa de diabetes. Também foram conduzidos alguns estudos menores sobre fibromialgia e transtorno de estresse pós-traumático.
     
    Quando falamos de medicina translacional, um remédio geralmente vai do “teste para a clínica”. Mas a cannabis seguiu uma trajetória única: os pacientes já estavam usando por conta própria, e então fizeram essas pesquisas, geralmente baseadas em alguns estudos de caso. E, em alguns casos, testes posteriores levaram a remédios – como o Marinol, que veio da constatação de que os pacientes de HIV estavam usando cannabis.
     
    Conte-nos sobre a sua pesquisa.
     
    Uma investigação que publicamos no “Canadian Medical Association Journal” em 2010 avaliou 23 pacientes que usaram três níveis diferentes de preparações de cannabis e um placebo por dois meses. Eles podiam dar uma tragada três vezes ao dia. Descobrimos que 9,4% de nível de THC já ultrapassava o placebo em seus efeitos contra a dor.
     
    Descobrimos também que ajudou com a ansiedade e o sono. O interessante é que nossos pacientes pareciam, na verdade, usar quantidades muito pequenas da droga para controlar seus sintomas, muito menores do que as dos usuários recreacionais.
     
    Esperamos avançar com essa pesquisa lançando o que acreditamos ser o primeiro estudo longitudinal de pacientes de maconha medicinal. Vamos acompanhar os efeitos de longo prazo em nossos pacientes regulares que a usam para condições crônicas. Vamos pesquisar a segurança ao longo dos anos.
     
    Por que o uso da cannabis é geralmente tão pouco estudado?
     
    A resposta fundamental é que o fato de a droga ser ilegal estigmatizou a maioria das pesquisas. No Canadá, as pessoas muitas vezes têm medo por causa da percepção de que estão trabalhando com substâncias ilegais, mesmo quando isso não é mais o caso.
     
    Nos Estados Unidos é diferente porque, no nível federal, a cannabis está listada como uma droga Tipo I, como a heroína. Isso significa que a comunidade médica tem muitas restrições para conseguir material de pesquisa.
     
    Ao mesmo tempo, existem mais de 20 Estados em que a maconha medicinal, em diferentes níveis, é legal. No entanto, as plantas que crescem no Colorado podem ser bem diferentes daquelas que crescem em outros lugares. Além disso, as condições médicas para o uso variam de Estado para Estado.
     
    Essa falta de padronização é outro fator que torna a pesquisa difícil, porque quando estamos falando sobre cannabis em um Estado e em outro, podemos não estar falando da mesma coisa.
     
     Você disse que é muito procurado por médicos que querem conselhos práticos sobre a droga. O que eles perguntam?
     
    A pergunta mais comum é: “Como posso distinguir pacientes que querem por razões médicas daqueles que querem fazer uso recreacional?”. Também sou procurado por clínicos que esperam que eu atenda seus pacientes e explique o que puder a eles.
     
    Na verdade, gostaria que esses médicos se informassem melhor; existe uma grande quantidade de informação, apesar de precisarmos de mais. Acredito que, ao não se informar, os médicos não estão realmente servindo seus pacientes.
     
    No Canadá, por exemplo, percebemos que os oncologistas geralmente não falam a seus pacientes sobre a maconha medicinal. São as enfermeiras que dizem: “Meu caro, por que você não vai lá fora e dá uma tragada?”.
     
    A própria Associação Médica do Canadá lembra aos membros que eles não são obrigados a prescrever maconha porque há “evidência insuficiente sobre os riscos clínicos e os benefícios”. O que você acha disso?
     
    Bom, concordo com eles, pelo menos sobre isto: “Precisamos de mais pesquisas”.
     
    Acho que chegou a hora de nós, como uma comunidade global, combinarmos o que queremos saber e irmos atrás. Nossos pacientes precisam deixar de experimentar por conta própria substâncias e derivados que não conhecemos e partir para uma situação em que sabemos o que eles estão usando e como podemos ajudá-los. Isso não é algo que vai sumir.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Preço dos remédios sobe de 5% a 7,7% a partir de hoje

    Preço dos remédios sobe de 5% a 7,7% a partir de hoje

    Brasília – O governo federal autorizou reajustes de 7,70%, 6,35% e 5% nos preços de medicamentos, dependendo da categoria do produto, a partir desta terça-feira, 31 Os valores, calculados pela indústria e antecipados pelo jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, constam de resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) publicada no Diário Oficial da União (DOU). 
     
    Segundo a autorização, o ajuste tem como referência o mais recente Preço Fabricante (PF) publicado na lista de preços na página da CMED na internet. O ajuste é baseado em um modelo de teto de preços calculado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em um fator de produtividade, em uma parcela de fator de ajuste de preços relativos intrassetor e em uma parcela de fator de ajuste de preços relativos entre setores, em três níveis.
     
    As regras valem para cerca de 20 mil itens do mercado farmacêutico, como antibióticos. Produtos com alta concorrência no mercado, fitoterápicos e homeopáticos não estão sujeitos aos valores estabelecidos pela CMED. Para esse grupo, o preço pode variar de acordo com a determinação do fabricante.
     
    A CMED determina três faixas de ajuste, de acordo com a concorrência enfrentada pelo produto no mercado. Quanto maior a concorrência, maior o porcentual permitido para reajuste (7,70%). Para o nível intermediário, de remédios de classes terapêuticas consideradas de concorrência mediana, o aumento será de 6,35%. Para aqueles mais concentrados – formados por remédios que estão ainda protegidos por patentes, como os usados em tratamento de câncer – o porcentual máximo de aumento será de 5%. 
     
    O aumento deste ano está bem acima do autorizado ano passado. Em 2014, o reajuste máximo foi de 5,68%. Na classe intermediária, o reajuste concedido foi de 3,35% e o menor, de 1,02%.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Transplante cruzado de rins ocorre pela 1ª vez na América Latina

    Transplante cruzado de rins ocorre pela 1ª vez na América Latina

    Quatro pacientes se recuperavam bem neste domingo (29) de transplantes cruzados de rim, resultado de duas operações simultâneas feitas na noite de sábado, 28, em Buenos Aires. O caso é inédito na América Latina.
     
    Na Argentina, ainda chamou a atenção porque um dos dois receptores de um órgão saudável é o jornalista Jorge Lanata, autor de algumas das principais investigações contra a presidente Cristina Kirchner. A mulher de Lanata se dispôs a doar o rim a um jovem chamado Ignacio (cuja identidade foi preservada), que a exemplo do jornalista tinha insuficiência renal.
     
    Em troca, a mãe do jovem doou um rim saudável a Lanata. Marido e mulher eram incompatíveis, assim como mãe e filho. “De seis itens que medem a compatibilidade, eu tinha com Ignacio uma associação perfeita em cinco, o que é raro”, afirmou a mulher do jornalista, a artista plástica Sara Stewart Brown.
     
    Antes da operação, o jornalista gravou um vídeo em que diz que não houve privilégio por ser figura pública. “Estava em uma lista de receptores, que incluía a busca entre doadores mortos. Apareceu essa família com compatibilidade, que aceitou o transplante cruzado. Todos ganham”, salientou o jornalista, que tem outros fatores de risco. É fumante, tem excesso de peso e problemas nas coronárias, razão pela qual recebeu cinco stents. Paciente diabético considerado de alto risco, Lanata passava três vezes por semana por hemodiálise. Para concretizar as operações, além de um contrato, houve aval de Ministério Público, Justiça e Instituto de Transplantes.
     
    Brasil
     
    O procedimento ocorreu pela primeira vez em 1986 nos Estados Unidos e há registros na Espanha, no Canadá, na Grã-Bretanha, na Austrália e na Turquia. Segundo Elias David Neto, do Conselho da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), nunca foi realizado no País. “Pelo que tenho informação é mesmo o primeiro caso da América Latina.” (Colaborou Paula Felix)
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Infectologista fala sobre mitos e verdades a respeito dos antibióticos

    Infectologista fala sobre mitos e verdades a respeito dos antibióticos

    Um medicamento eficaz e precioso, o antibiótico é indicado para muitas doenças, mas não deve ser usado sem indicação médica; em geral as pessoas o tomam por conta própria e de maneira errada.
     
    “Se curou aquilo, deve curar isto também”: essa é a lógica que faz com que muita gente se automedique com antibióticos. Fazer isso é quase certamente inútil, aumenta o risco para o paciente e ainda contribui para que esses medicamentos tenham, cada vez mais, sua eficácia comprometida.
     
    Por isso, nunca se deve tomar antibióticos sem prescrição médica, mesmo porque são medicamentos de uso controlado, que só se pode comprar com receita. Entrevistamos a médica infectologista Marta Fragoso, Gerente de Segurança Assistencial nos Hospitais VITA Curitiba e VITA Batel, para explicar os mitos e verdades sobre os antibióticos.
     
    Antibiótico cura gripe? Não, porque a gripe é causada por um vírus. Entretanto, podem surgir outros quadros bacterianos (p. ex. pneumonia, otite e sinusite) juntamente com a gripe que, esses sim, podem ser tratados com antibióticos.
     
    Posso parar de tomar o antibiótico quando os sintomas desaparecem? De forma alguma, porque existe um tempo certo de tratamento. Se for interrompido, a doença pode retornar e ainda mais forte. Siga a indicação do médico e continue tomando o medicamento durante o tempo prescrito. Existem tratamentos com antibiótico que demoram meses.
     
    Os antibióticos estragam os dentes? As tetraciclinas, um tipo de antibiótico, podem causar manchas nos dentes de crianças e adolescente, mas não os estragam. Se usadas por gestantes, podem manchar os dentes da criança. Só o médico pode avaliar a necessidade desse tipo de medicamento.
     
    Quem está tomando antibióticos pode consumir bebida alcoólica? Não deve. O álcool é um diurético, ou seja, ele estimula a pessoa a urinar mais, o que faz com que o medicamento seja eliminado. Além disso, misturado com álcool, o antibiótico pode se tornar mais tóxico para o fígado.
     
    Posso guardar o antibiótico para o caso de ficar doente de novo? Antibióticos têm tempo de validade, então não devem ser guardados. Além disso, dificilmente você terá uma enfermidade igual à que já teve. O ideal é, caso sobrem comprimidos depois do tratamento completo, devolver na farmácia – algumas recebem medicamentos vencidos ou sem uso.
     
    Fonte: Revista Vital.