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  • Menina com hidrocefalia sorri pela primeira vez depois de cirurgia

    Menina com hidrocefalia sorri pela primeira vez depois de cirurgia

    A menina indiana Roona Begum, 3, que sofre com a hidrocefalia, está sorrindo pela primeira vez depois de ter passado por várias operações para drenar o líquido que inchava sua cabeça. Com os procedimentos ela conseguiu reduzir a circunferência do crânio de 37 cm para 23.
     
    Roona precisou voltar para o hospital próximo de Nova Déli, na Índia, no ano passado, para passar por uma nova cirurgia destinada a tirar alguns ossos do crânio. Depois que ela recebeu alta, os cirurgiões avisaram aos pais que ela teria poucas chances de sobrevivência, mas agora ela chocados os médicos por estar viva, sorrindo e dando risadas.
     
    Em entrevista ao Daily Mail, a mãe da garota, Fátima Roona Khatun, 23, contou os avanços da filha depois da cirurgia. “Ela está muito melhor agora. Consegue manter a cabeça reta e pode se movimentar de um lado para o outro sozinha. Ela responde a outras crianças e sorri quando alguém chama seu nome”, afirma.
     
    “Eu ficaria muito feliz se Roona pudesse ficar de pé e falar, ser como uma criança normal. Esperamos que um dia ela possa ir para a escola”, diz Khatun.
     
    A garota ainda não consegue andar devido ao peso da cabeça. No entanto, Roona é capaz de engatinhar, comer, dormir e interagir com seus pais em sua casa, em Tripura, na Índia.
     
    O neurocirurgião Sandeep Vaishya, que acompanha a garota, ficou surpreso pela recuperação, mas afirma que ainda há um longo caminho pela frente. “Ela começou a rir, faz um monte de sons e ocasionalmente fala algumas palavras. Roona também ganhou peso e suas atividades têm melhorado, mas se ela será capaz de viver uma vida normal, ninguém pode dizer”, avalia.
     
    O neurocirurgião, no entanto, afirma que o mais provável é que fique alguma sequela. “Um caso grave de hidrocefalia normalmente causa algum dano ao cérebro”, diz.
     
    Graças ao progresso de Roona, Vaishya quer que ela passe por mais uma operação para reduzir ainda mais o tamanho de sua cabeça.
     
    No entanto, o pai dela, Abdul Rahman, 21, está preocupado com os riscos. “Minha esposa passou por muita coisa com a condição de Roona e no passado as pessoas até sugeriam que a gente entregasse nossa filha para um orfanato, mas a gente sempre quis que ela ficasse com a gente”, conta o pedreiro, analfabeto, que ganha apenas duas libras por dia (aproximadamente R$ 7,60).
     
    “Se os médicos puderem garantir que a cirurgia vai dar certo e que vão fazer o melhor, fazer com que Roona possa ficar sentada e conversar, como uma criança normal, então nós queremos. Mas se eles não podem nos dar essa garantia, então preferimos que ela fique como está”, conta Rahman.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo questiona técnica para retirar útero

    Estudo questiona técnica para retirar útero

    Um novo estudo traz mais evidências mostrando que os médicos devem ser extremamente cuidados ao realizar um procedimento comum para a remoção do útero por causa do risco de disseminar um câncer.
     
    A operação usa um equipamento para cortar o tecido uterino em pedaços antes de removê-lo por meio de pequenas incisões durante uma cirurgia minimamente invasiva. A técnica, chamada de morcelação elétrica, também é usada para remover tumores fibrosos.
     
    Relatórios recentes indicaram que equipamento cortou tumores que nem elas ou seus médicos sabiam que existiam, o que causou o espalhamento de células cancerosas no abdome.
     
    Agora, uma nova pesquisa publicada na revista médica “Jama” aponta que tumores não identificados em mulheres que passaram pela cirurgia de remoção de útero, chamada histerectomia, são mais comuns do que se pensava. A conclusão pode levar à limitação da morcelação.
     
    A FDA (agência que regula medicamentos e equipamentos médicos nos EUA) disse em abril que a morcelação deveria ser desencorajada e, neste mês, fez reuniões para avaliar o procedimento.
     
    O estudo analisou um banco de dados que incluía 15% de todas as internações do país entre 2006 e 2012. Os pesquisadores encontraram 232 mil casos de mulheres que retiraram o útero –36 mil delas passaram pela morcelação. A conclusão é que uma em cada 368 mulheres que fez a cirurgia tinha um câncer que só foi detectado mais tarde. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • Hepatite pode ser eliminada com mobilização dos recursos necessários, diz OMS

    Hepatite pode ser eliminada com mobilização dos recursos necessários, diz OMS

    A eliminação da hepatite viral, que a cada ano causa 1,4 milhão de mortes, pode ser conseguida com a mobilização dos recursos técnicos, financeiros e de capacitação, disse nesta quinta-feira (24) a OMS (Organização Mundial da Saúde).
     
    “É possível eliminar a hepatite viral. Estamos pedindo aos líderes do mundo para perceberem que esse é o momento de aplicar as medidas necessárias para acabar com a hepatite, porque agora podemos realmente eliminá-la”, afirmou em coletiva de imprensa o médico Samuel So, diretor do Centro Asiático do Fígado e especialista da OMS.
     
    “Estamos em um momento de muita empolgação porque finalmente temos os tratamentos necessários. Remédios que provaram que 90% dos doentes que tomaram ficaram curados. Devemos atuar agora para mudar a dinâmica”, afirmou por sua vez Stefan Wiktor, diretor do Programa Mundial de Hepatite da OMS.
     
    A necessidade e a urgência de lutar contra a doença estão em que não só 1,4 milhão de pessoas morrem a cada ano por causa da hepatite, mas que 500 milhões de pessoas que convivem com algum dos vírus que a provocam e desconhecem que possuem, podem continuar transmitindo. Em 22 de maio, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução que pede o desenvolvimento e implantação de políticas públicas multissetoriais destinadas a reduzir a incidência e o índice de mortalidade da hepatite.
     
    A resolução pede aos países que desenvolvam programas de prevenção da hepatite e reforcem os programas de imunização para reduzir a incidência dos tipos que existem vacinas.
     
    “Isso foi um grande passo porque se tomou total consciência do alcance da doença e das possibilidades de eliminá-la”, afirmou Wiktor.
     
    O especialista explicou que apesar de terem passado apenas dois meses desde a aprovação da resolução, dados já foram passados para países como Brasil, Egito, Indonésia e Ucrânia, que estão estendendo ou criando programas transversais para lutar contra a doença.
     
    A hepatite é a inflamação do fígado, causada na maioria dos casos por uma infecção virótica gerada por cinco vírus principais: A, B, C, D, E. Os mais perigosos são os tipos B e C porque são os que podem desencadear cirrose e câncer de fígado.
     
    Calcula-se que, aproximadamente, 240 milhões de pessoas no mundo convivam com o vírus B e corram risco de desenvolver cirrose ou câncer de fígado, já que dois terços desconhecem que convivem com a doença porque nunca foram diagnosticados.
     
    No entanto, agora que existem fármacos muito eficazes, ficou provado que a medicação evita em 80% dos casos de câncer de fígado, o segundo câncer que mais mata depois do de pulmão, assinalou So.
     
    “O problema é que não basta ter remédios, mas também precisam ter os serviços clínicos necessários, as equipes capacitadas, os laboratórios com o equipamento. A luta é global”, advertiu Wiktor.
     
    A hepatite A e E é contraída após a ingestão de água ou comida contaminadas, enquanto os vírus B, C e D aparecem por contato com fluidos corporais após ter partilhado uma seringa, feito transfusão de sangue ou nas relações sexuais. No caso da hepatite B a mãe também pode transmitir o vírus para o filho, por isso é recomendada a vacinação do recém-nascido.
     
    Para os vírus A e B já há vacinas, e desde sua implantação a recomendação é de imunizar todas as crianças contra o vírus B. Atualmente, 74% das crianças no mundo já a obtiveram.
     
    Dos 1,4 milhão de mortes, 55% se devem ao vírus B, 35% ao vírus C, e 10% restante entre os tipos A e E, especificou So.
     
    O problema principal assinalado pelos especialistas para eliminar a hepatite é “a falta de grandes doadores que queiram lutar especificamente contra a doença”, lamentou Wiktor, que explicou que os países é que terão que tomar as rédeas, o que desacelerará o processo.
     
    “A hepatite mata anualmente quase o mesmo número de pessoas que a Aids e, no entanto, não se tem os fundos necessários para tentar sua erradicação. É muito frustrante”, confessou So, que sugeriu que sejam usadas as mesmas estruturas já estabelecidas para lutar contra a Aids, como o Fundo Global de Luta Contra AIDS, Tuberculose e Malária, para combater a hepatite.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Justiça obriga governo a dar remédio derivado da maconha a criança em SP

    Justiça obriga governo a dar remédio derivado da maconha a criança em SP

    Medicamento com o Canabidiol só pode ser usado com autorização especial.
    Estado e Prefeitura de São Carlos têm 30 dias para cumprir decisão liminar.
     
    O Tribunal de Justiça determinou que o Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Carlos forneçam o medicamento Canabidiol (CBD), que tem substâncias derivadas da maconha, a uma criança de 7 anos. Proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, o remédio foi o único capaz de controlar as crises convulsivas crônicas do garoto, que ocorriam até 30 vezes ao dia. A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que vai pedir um tempo maior para o cumprimento da decisão, que estipulou prazo de 30 dias. A Prefeitura não se manifestou.
     
    A Defensoria Pública do Estado em São Carlos, que representa a família, entrou com a ação judicial para que governo e Prefeitura acionem a Anvisa com um pedido especial de
     
    importação dos Estados Unidos, onde o medicamento é legalizado, e arquem com o custo do remédio.
     
    Segundo a defensora pública Maria Alice Macedo, a medicação tem sido usada no tratamento deste paciente e houve um pedido médico para que o órgão pudesse dar entrada com a ação na Justiça. “O medicamento melhorou drasticamente a qualidade de vida dessa criança, que de 30 convulsões diárias passou a ter quatro”, relatou. O menino sofre de Síndrome de Dravet.
     
    Sentença
     
    Na decisão, o juiz de direito Claudio do Prado Amaral considera que a criança já fez uso de diversos medicamentos que não apresentaram resultados e ainda que ela já vem usando o Canabidiol sativa como medicamento, o que melhorou as crises convulsivas.
     
    O juiz ressaltou também que em caso semelhante, uma criança aguardava por esta medicação e acabou morrendo pela demora na prestação ordenada. A liminar, expedida no dia 27 de junho, estipula prazo de 30 dias para a entrega do remédio. Em caso de descumprimento, a multa é de R$ 500 por dia.
     
    CDB
     
    O canabidiol é uma substância química encontrada na maconha que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas. Medicamentos comercializados no exterior já utilizam a substância derivada da Cannabis sativa. A reclassificação do CBD é discutida pela Anvisa e defendida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).
     
    Em maio, uma reunião da Diretoria Colegiada do órgão, em Brasília (DF), discutiu se o Canabidiol seria retirado da lista de substâncias de uso proscrito para entrar para a lista de substâncias de controle especial (comercializado com receita médica de duas vias). Entretanto, um dos diretores pediu vista do processo, o que adiou a decisão. Na ocasião, a assessoria de imprensa da Anvisa informou que uma nova sessão está prevista para agosto.
     
    Veja íntegra da nota da Saúde
     
    A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo esclarece que recebeu notificação sobre a decisão judicial no dia 10 de julho. O canabidiol (CBD) não faz parte da lista definida pelo Ministério da Saúde para distribuição na rede pública de saúde brasileira e não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização em território nacional.
     
    Por se tratar de medicamento importado e sem registro, o processo de aquisição requer o cumprimento de uma série de etapas para viabilizar a compra, incluindo autorizações de importação pela própria Anvisa e desembaraço alfandegário por parte da Receita Federal, entre outras. Por isso, é inviável o cumprimento da liminar no prazo estabelecido pelo juiz.
     
    A Secretaria entrará com um pedido de extensão de prazo para cumprimento de decisão judicial, via Procuradoria Geral do Estado, mas informa que já adotou todas as providências necessárias tão logo recebeu a notificação.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Garoto indiano tem 232 dentes extraídos em cirurgia de 7 horas

    Garoto indiano tem 232 dentes extraídos em cirurgia de 7 horas

    Ashik Gavai, de 17 anos, tem um tumor benigno chamado odontoma. 
    Especialistas que o atenderam em Mumbai dizem que o caso é raro.
     
    O garoto Ashik Gavai, de 17 anos, procurou o Departamento de Odontologia do Hospital J.J., em Mumbai, na Índia, por causa de um inchaço do lado direito da mandíbula. A equipe identificou como a causa do problema 232 dentes “extras”, que foram extraídos em uma cirurgia de 7 horas.
     
    A chefe do departamento, Sunanda Dhiware, contou à “BBC” que a doença que afetou Ashik é um tipo de tumor benigno chamado odontoma, em que uma única gengiva forma muitos dentes.
     
    “Quando abrimos a gengiva, dentes pequenos parecidos com pérolas começaram a sair, um por um. Inicialmente, estávamos coletando, eles eram realmente como pequenas pérolas brancas. Mas então começamos a ficar cansados. Contamos 232 dentes”, disse Sunanda à “BBC”.
     
    Segundo a especialista, casos como o de Ashik são muito raros. Ela observa que a literatura médica sobre a condição apresentada pelo garoto registra um máximo de 37 dentes extraídos por causa do tumor na parte superior da gengiva. No caso do garoto, o tumor foi encontrado em uma região profunda, parte inferior da mandíbula.
     
    O pai do garoto, Suresh Gavai, disse ao jornal “Mumbai Mirror” que o filho reclamou de fortes dores há cerca de um mês. A família viajou de seu vilarejo natal, no distrito de Buldhana, até Mumbai para buscar tratamento.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • Fabricante de remédio omitiu dados de agências reguladoras

    Fabricante de remédio omitiu dados de agências reguladoras

    Uma investigação conduzida pela revista científica “BMJ” revelou que os fabricantes do Pradaxa, um dos remédios anticoagulantes mais vendidos do mundo, esconderam das autoridades reguladoras informações sobre a importância do monitoramento dos níveis de sangue.
     
    Esse controle poderia reduzir o risco de grandes sangramentos em pacientes que utilizam o medicamento.
     
    Documentos da Boehringer Ingelheim, fabricante do Pradaxa, mostram que grandes sangramentos poderiam ser reduzidos entre 30% e 40% em comparação com a droga Varfarina (o anticoagulante mais tradicional) com o controle da concentração do nível do remédio no sangue.
     
    O Pradaxa foi aprovado em 2008 no Brasil e 2010 nos EUA e integra uma nova geração de anticoagulantes orais que previnem derrames em pacientes com ritmo irregular do coração. Essa condição aumenta o risco de derrames.
     
    A droga previne a coagulação do sangue e é considerada uma alternativa melhor à Varfarina justamente porque os pacientes não precisariam fazer testes regulares para saber se estão com a quantidade certa do remédio no sangue. Para essas pessoas, o sangue precisa estar fino o suficiente para impedir um derrame, mas não tão fino a ponto de causar um sangramento.
     
    A Boehringer, entretanto, afirma que a atividade anticoagulante ou as concentrações do remédio no plasma sanguíneo não precisam ser monitoradas. Em reposta ao “BMJ”, um porta-voz da empresa disse que “nossos cientistas determinaram, e a FDA [agência que regula drogas e alimentos nos EUA] concordou, que pesquisas não apoiam uma tomada de decisões sobre dosagem baseada na concentração de plasma”.
     
    A companhia acrescenta que as informações não foram compartilhadas porque os estudos feitos não forneceram uma previsão confiável de resultados para os pacientes.
     
    Uma análise que acompanha o artigo pede que as agências reguladoras indiquem testes de sangue para todos os novos pacientes e que retirem a recomendação de que o Pradaxa “não requer monitorização de rotina da anticoagulação”. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
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    Pacientes receberam medicamento que fez vírus aumentar e ser localizado.
    Próximo passo é descobrir como matar célula que abriga vírus.
     
    Um grupo de cientistas conseguiu desalojar o vírus da Aids das células onde se refugia quando os pacientes são tratados com antirretrovirais, em um novo avanço no combate à doença, apresentado nesta terça-feira (22) na Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Melbourne, na Austrália.
     
    A experiência, feita com seis voluntários, tem como objetivo desalojar e eliminar (uma abordagem conhecida como “kick-and-kill”) o vírus, uma das estratégias testadas pelos cientistas para encontrar um medicamento.
     
    Tomar medicação antirretroviral reduz a quantidade de vírus no sangue a níveis indetectáveis e permite aos pacientes levar uma vida quase normal. No entanto, estes medicamentos devem ser tomados todos os dias, são caros e têm efeitos colaterais.
     
    Se o paciente parar de tomar os remédios, o vírus ressurge em questão de semanas e volta a infectar as células imunológicas, deixando o indivíduo vulnerável a muitos microorganismos, alguns deles fatais.
     
    Por isso, os cientistas tentam há três anos desalojar o vírus de seu refúgio e matar as células onde se esconde quando o paciente está tomando antirretrovirais.
     
    Na Conferência Mundial sobre Aids, realizada em Melbourne, um grupo de cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, apresentou suas conclusões. Seis pacientes tratados com antirretrovirais, também tomaram romidepsina, um anticancerígeno que faz a quantidade do vírus aumentar entre 2,1 e 3,9 vezes no sangue.
     
    Em cinco dos seis pacientes, o vírus se tornou localizável. Os cientistas terão agora que determinar se todos os vírus escondidos foram “revelados” e encontrar uma forma de matar as células de refúgio, onde o vírus se multiplica assim que se interrompe o tratamento com antirretrovirais.
     
    “Demonstramos que, com a romidepsina, podemos ativar um vírus que hiberna”, declarou Ole Schmeltz Sogaard, chefe da equipe de cientistas. “É um passo na direção certa, mas o caminho ainda é longo e os obstáculos são muitos antes de que possamos falar de uma cura da Aids”, acrescentou.
     
    Destruir as células refúgio
     
    Quando vai para o sangue, o vírus “reativado” deixa uma marca na parte externa das células imunológicas infectadas CD4, que pode ser vista em microscópio.
     
    Os cientistas esperam que esta marca, similar às impressões digitais, possa ser rastreada pelas células T, que combatem as infecções. A equipe de cientistas quer combinar a romidepsina, que “desperta” o vírus da imunodeficiência humana (HIV), com uma vacina chamada vacc-4x, para incitar as células T a identificar e em seguida destruir as células onde o vírus se refugia.
     
    Os seis voluntários do experimento não sofreram efeitos colaterais importantes ao tomar romidepsina e este medicamento anticancerígeno não interferiu no efeito do tratamento com antirretrovirais.
     
    Decepção
     
    A Conferência Internacional sobre Aids, que reúne a cada dois anos especialistas do mundo todo, foi marcada dias antes de sua abertura pela decepção do caso da “menina do Mississippi”.
     
    Trata-se de uma menina americana, nascida com HIV de mãe soropositiva e que não tinha sido tratada. A menina recebeu ao nascer fortes doses de medicamentos durante 18 meses, antes de os médicos perderem o rastro do vírus.
     
    Cinco meses depois, os médicos não conseguiram encontrar traços do vírus, uma descoberta assombrosa, já que o HIV invariavelmente aumenta menos de um mês depois de suspenso o tratamento.
     
    No entanto, há alguns dias descobriu-se que, após viver 27 meses sem HIV nem remédios, o vírus tinha voltado a aparecer.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Polêmico autoteste de HIV tem boa aceitação, anuncia OMS

    Polêmico autoteste de HIV tem boa aceitação, anuncia OMS

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou, na 20ª Conferência Internacional de Aids, que acontece na Austrália, uma sessão só para mostrar os resultados de mais de 20 pesquisas que estão sendo realizadas em diversos países com o autoteste para o HIV — aquele que a pessoa faz em casa. Os resultados preliminares apresentados na sessão Percebendo o Potencial de auto-HIV Testing (HIVST), nesta terça (22) revelam que ele tem alta aceitabilidade, confiabilidade, é de fácil administração, indolor e com alta privacidade entre a população geral.
     
    Atualmente, há dois modelos de testes caseiros disponíveis: o que usa o fluido oral, em que uma quantidade de saliva é retirada, e o que usa sangue, por meio de um pequeno furo na ponta do dedo. Segundo Rachel Baggaley, do Departamento de HIV da OMS, a necessidade de aumentar globalmente o acesso à testagem é a principal razão para se adotar o uso dessa técnica.
     
    A adoção do autoteste tem gerado polêmica entre pesquisadores e organizações de base comunitárias do mundo todo. Os que são contra alegam que um diagnóstico positivo pode gerar consequências imprevisíveis como, até mesmo, o suicídio e essa chance aumenta se quem o recebe não tem, na hora, uma atenção especial.
     
    Também há o temor de que essa ferramenta aumente o estigma de quem vive com o vírus ou, ainda, encoraje o comportamento de práticas sexuais desprotegidas, uma vez que o resultado negativo pode ser interpretado como carta de alforria para continuar a transar sem camisinha. Há ainda aqueles que acham que comunidades mais carentes não vão conseguir realizar o procedimento nem interpretar corretamente os resultados.
     
    Os estudos-piloto e outros apresentados na sessão especial começaram a mudar o pensamento e o debate em torno da autoteste anti-HIV, segundo a OMS. No entanto, a estratégia permanece uma preocupação para muitos gestores, ativistas e cientístas, devido às questões éticas, legais e sociais associadas.
     
    Segundo Rachel Baggaley, as pesquisas demonstram que, se implementados com cuidado e com a participação significativa das comunidades, o teste feito em casa pode vir a ser uma oportunidade para aumentar o conhecimento da situação sorológica, mantendo os cinco paradigmas para testagem estabelecidos pela OMS: consentimento, confidencialidade, aconselhamento, resultados corretos e vinculação com o serviços de saúde.
     
    Autoteste no Brasil
     
    No Brasil o teste vem sendo realizado por organizações não governamentais junto às consideradas populações-chave. Até o fim do ano, o Departameto de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde espera ter capacitado mais de 20 ONGs para realizarem o procedimento. A expectativa é de que até o início de 2015 uma portaria com as regras para padronizar o teste seja publicada autorizando a venda do mesmo em farmácias.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Excesso de soja pode inibir absorção de nutrientes e antecipar puberdade

    Excesso de soja pode inibir absorção de nutrientes e antecipar puberdade

    A soja virou umas das “queridinhas” de praticamente todas as dietas da moda. Por seu alto valor proteico, as pessoas que praticam atividades físicas e buscam uma alimentação mais saudável tentam colocá-la em praticamente todas as refeições, consumindo-a na forma de salada, queijo, suco e leite. Mas o consumo em excesso do vegetal pode trazer riscos à saúde, já que ele possui compostos que inibem a absorção de nutrientes no organismo, além de fitoestrógeno, similar ao hormônio feminino que pode antecipar a puberdade em meninas.
     
    Segundo a nutricionista da Associação Brasileira de Nutrição Alessandra Paula Nunes, “a forma de preparo, cozida ou fermentada, é que traz benefícios à saúde. Quando consumida crua, apresenta fitato, que inibe a absorção de alguns minerais como cálcio, magnésio, ferro, cromo e zinco”.
     
    Mas a soja pode ser sim uma grande aliada da vida saudável, já que “pode reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, além de controlar a glicemia, reduzir os níveis de colesterol total no sangue, da fração ruim do colesterol (LDL) e de triglicérides”, ressalta Nunes.
     
    Hormônio
     
    A soja possui fitoestrógeno, ou seja, ela tem uma composição molecular que lembra muito o hormônio feminino, o estrógeno. Por conta disso, muitos médicos receitam para mulheres que estão na menopausa uma dieta com o consumo do vegetal, pois ele poderia ajudar a controlar e reduzir os sintomas, como por exemplo os fortes calores seguidos de mal-estar.
     
    Entretanto, o alimento não é suficiente para tratar casos de queda expressiva do hormônio no organismo e não previne qualquer mal-estar da menopausa se consumido anteriormente ao problema. Além disso, a soja atua na absorção do cálcio e, em longo prazo, pode ajudar a provocar osteoporose, anemia e desnutrição.
     
    Segundo o endocrinologista do hospital São Luiz Morumbi Luis Eduardo Calliari, o uso em excesso do vegetal é preocupante, pois ele pode atuar como um desregular endócrino.
     
    “A soja é um alimento a mais dentro da oferta que temos disponível, mas o que temos de estudos não permite que a gente a utilize em grandes quantidades, por conta de riscos que ainda são pouco conhecidos e dos benefícios questionáveis”, pondera Calliari.
     
    De acordo com a médica doutorada em endocrinologia pela Universidade de São Paulo Claudia Chang, também deve-se ficar atento com o uso em excesso de derivados de soja por crianças e adolescentes em período de pré-puberdade.
     
    “As crianças que têm alergia a lactose e fazem o uso muito grande de derivados de soja podem ter algum comprometimento hormonal. (…) As meninas podem entrar em processo de puberdade mais cedo, como o desenvolvimento da mama antes da idade. (…) Nos meninos é mais raro, e [a soja] teria de ser consumida em uma quantidade muito grande”, alerta a médica.
     
    Soja fermentada é melhor
     
    A cultura oriental consome soja diariamente em forma de molhos como shoyu, a 'sopa' missô e o queijo tofu. Mas o vegetal passa por um processo de fermentação, que destrói as toxinas naturais presentes.
     
    Sem ter o costume, o brasileiro inseriu a soja de uma hora para outra em sua rotina alimentar e de maneira exacerbada. Isso ajudou a ocorrer outro problema: a prevalência de alergia alimentar.
     
    De acordo com a nutricionista clínica e funcional do hospital Albert Einstein Fabiana Carvalho de Sousa, o consumo em excesso de um determinado alimento, mesmo que de maneiras diferentes, em grãos ou leite, por exemplo, pode levar a uma rejeição do organismo.
     
    “A alergia alimentar não existe só quando a pessoa come um alimento pela primeira vez e dá a reação alérgica. E sim, pelo consumo aumentado do alimento”, diz.
     
    Além disso, a soja possui uma proteína muito íntegra, isto é, de difícil digestão, que pode levar a pessoa a ter desconfortos físicos, como inchaço, e até algo mais sério no sistema digestivo, completa Sousa.
     
    A quantidade recomendada de soja são de 25 a 30 gramas por dia, o que equivale a 1/2 colher de sopa cheia  de grãos ou 1 fatia pequena de tofu. A literatura recomenda o consumo de soja apenas para crianças acima de 2 anos (abaixo dessa idade, só por orientação médica).
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Maior estudo genético da doença sugere que mal pode ter causas biológicas e abre portas para novos tratamentos.
     
    O maior estudo sobre esquizofrenia já realizado no mundo descobriu 80 novos genes que podem colocar os seus portadores em risco de desenvolver esquizofrenia. A pesquisa, publicada na revista especializada “Nature”, sugere que a esquizofrenia pode ter causas biológicas e abre a possibilidade de novos tratamentos que possam surgir a partir das conclusões.
     
    Há anos cientistas debatem o papel dos genes no desenvolvimento da esquizofrenia, um problema que afeta mais de 24 milhões de pessoas no mundo inteiro.
     
    A iniciativa reuniu pesquisadores de 35 países e foi coordenada por cientistas da Universidade de Cardiff, na Grã-Bretanha. Os cientistas examinaram a formação genética de 37 mil pessoas que têm o problema, comparando-as com outras 110 mil pessoas que não sofrem de esquizofrenia.
     
    'Nova biologia'
     
    Os pesquisadores encontraram mais de cem genes que tornam as pessoas mais suscetíveis à esquizofrenia, sendo que 83 deles nunca tinham sido identificados antes. Muitos destes genes estão envolvidos na transmissão de mensagens no cérebros. Outros são conhecidos por desempenhar uma função no sistema imunológico.
     
    “Por muitos anos foi difícil desenvolver novas linhas de tratamento para a esquizofrenia. Fomos prejudicados pela pouca compreensão da biologia da doença”, disse o professor da Universidade de Cardiff Michael O'Donovan.
     
    “Descobrir um grupo totalmente novo de associações genéticas abre uma janela para experimentos mais bem informados com o objetivo de decifrar a biologia desta doença”, afirmou. “Esperamos (criar) novos tratamentos.”
     
    O professor David Curtis, do University College de Londres, e um dos autores da pesquisa, conta que no passado a comunidade acadêmica “lutou com a opinião de que os problemas psiquiátricos não eram doenças 'reais'”.
     
    Por isso, diz, “os estudos genéticos pioneiros não tiveram muito sucesso”.
     
    “Agora mostramos, com confiança, que há processos biológicos envolvidos”, afirmou. “Este estudo coloca a psiquiatria na mesma categoria de outras partes da medicina.”
     
    Para Gerome Breen, do King's College de Londres, que não participou da pesquisa, o estabelecimento de novas relações entre genética e esquizofrenia é “revolucionária”.
     
    “O tratamento com remédios para esquizofrenia não mudou muito desde a década de 1970. Agora temos uma grande quantidade de nova biologia para estudar, e uma série totalmente nova de ideias que podem abrir muitos caminhos para tratamentos.”
     
    Fonte: G1 Saúde