Category: Notícias

  • ”, menina tem sangue filtrado e recebe rim

    ”, menina tem sangue filtrado e recebe rim

    Adolescente carregava anticorpos que atacavam órgão transplantado; procedimento fez garota 'voltar à vida', segundo família.
     
    Em uma operação inédita na Grã-Bretanha, uma jovem de 14 anos teve seu sangue removido, filtrado e reinserido no corpo para possibilitar um transplante de rim.
     
    Nascida com insuficiência renal, Megan Carter recebeu um primeiro transplante em 2011, mas o novo órgão teve de ser removido no dia seguinte porque seu organismo o rejeitou. A menina carregava anticorpos que atacavam o órgão transplantado.
     
    Desde o transplante mal sucedido, ela vinha sendo submetida a diálises. Os chamados antígenos leucocitários humanos são comuns em adultos, sendo produzidos em resposta a transplantes, gravidezes ou doações de sangue.
     
    Quanto mais anticorpos deste tipo uma pessoa tiver, menores as chances de um transplante ser bem sucedido.
     
    Ao longo de uma semana, o sangue de Megan foi removido, filtrado e reintroduzido no corpo por meio de um novo tratamento conhecido como plasmaferese. Depois do procedimento, ela pôde receber um novo rim, doado por seu pai, Edward Carter.
     
    'Voltou à vida'
     
    Segundo a mãe de Megan, a menina “voltou à vida” desde que recebeu o transplante, há três meses, no hospital infantil Great Ormond Street, em Londres.
     
    “Seus cabelos estão sedosos, seus olhos voltaram a brilhar e ela não está mais pálida. É a menina que sempre deveria ter sido”, disse Carol Carter.
     
    A partir de agora, a jovem precisará de medicamentos fortes para garantir que seu sistema imunológico não ataque o novo rim.
     
    “Na maioria dos transplantes usamos três medicamentos para reduzir a ação dos mecanismos de defesa do corpo. Neste caso, usamos quatro e eles são bem mais fortes”, disse à BBC o pediatra Stephen Marks.
     
    O cirurgião Nizam Mamode disse esperar que o transplante melhore a qualidade de vida da adolescente.
     
    “Apesar de este ser apenas o primeiro caso, esperamos oferecer a outras crianças na mesma situação uma nova oportunidade de vida.”
     
    Fonte: Bem Estar
     
  • Injeção de gene no coração tem efeito de marca-passo natural, diz estudo

    Injeção de gene no coração tem efeito de marca-passo natural, diz estudo

    Técnica obteve sucesso em porcos com problema cardíaco.
    Testes em humanos ainda devem demorar de dois a três anos.
     
    Um estudo feito com animais demonstrou que a introdução de um determinado gene no músculo cardíaco pode ajudar um coração debilitado a bater de forma regular, anunciaram cientistas nesta quarta-feira (16). A descoberta foi feita por meio de um estudo com porcos.
     
    Se for demonstrado que a técnica é segura e eficaz em humanos, o procedimento poderia substituir, no futuro, os marca-passos eletrônicos.
     
    “Estes avanços antecipam uma nova era de tratamentos genéticos, nos quais os genes não são usados unicamente para corrigir uma enfermidade, mas para transformar um tipo de célula em outro para tratar a doença”, explicou Eduardo Marban, diretor do Cedars-Sinai Heart Institute, que liderou a pesquisa. Segundo o pesquisador, esta é a primeira vez que uma célula cardíaca é reprogramada em um animal vivo para curar uma doença.
     
    O estudo, publicado na revista “Science Translation Medicine”, descreve um tratamento que consiste na introdução de um gene conhecido como TBX18 em uma região do coração de porcos que sofriam de uma condição chamada bloqueio cardíaco completo, um problema grave que provoca batidas irregulares.
     
    O gene transformou algumas das células normais do coração em células de outro tipo, chamadas células sinoatriais, que têm a função de bombear o coração.
     
    “Basicamente, criamos um novo nó sinoatrial na parte do coração que originalmente propaga o impulso, mas não o origina”, explicou Marban a jornalistas em uma teleconferência para discutir a pesquisa. “O nó recém-criado assume, então, a função de um marca-passo”, acrescentou.
     
    O gene foi introduzido através de um cateter, não sendo necessária cirurgia de peito aberto. No dia seguinte, os porcos nos quais o gene foi introduzido apresentaram batidas cardíacas significativamente mais rápidas do que aqueles que não foram submetidos ao tratamento.
     
    A técnica funcionou em animais nas duas semanas em que o estudo durou. A equipe de cientistas prossegue seus trabalhos para ver quanto poderia durar o efeito do tratamento.
     
    Quem a técnica pode beneficiar?
     
    Os indivíduos que poderiam se beneficiar inicialmente do novo tratamento incluem os 2% de pacientes com marca-passos que desenvolvem infecções ou fetos portadores de bloqueio cardíaco congênito, que afeta um em cada 22 mil e causa uma batida cardíaca irregular no útero.
     
    Já que é impossível implantar marcapassos em fetos, há muito pouco que se possa fazer para tratar o bloqueio cardíaco congênito, que costuma fazer com que o bebê morra ainda no útero.
     
    A abordagem desenvolvida por Marban e seus colegas ainda está a dois ou três anos da realização de testes em humanos, segundo o pesquisador.
     
    “Ela ao menos aponta para o potencial de um tratamento curativo de dose única sem a necessidade de se seguir com intervenções, procedimentos repetidos ou dependência de um dispositivo artificial implantado no corpo”, afirmou Marban.
     
    Fonte: G1 saúde
  • Novartis vai licenciar lente de contato do Google para pessoas com diabetes

    Novartis vai licenciar lente de contato do Google para pessoas com diabetes

    Lentes inteligentes medem nível glicose e enviam para aparelho móvel.
    Produto pode chegar ao mercado em 5 anos, afirma empresa farmacêutica.
     
    A companhia farmacêutica Novartis fechou um acordo com o Google de licenciamento das lentes de contato inteligentes que ajudam diabéticos a medir o nível de glicose no sangue ou restauram a habilidade dos olhos de focar em um objeto.
     
    O presidente-executivo da Novartis, Joe Jimenez, afirmou que espera que esse produto chegue às lojas dentro de cinco anos. “Isso realmente traz alta tecnologia e combina com biologia ─e essa é uma combinação muito empolgante para nós”, afirmou o executivo em entrevista à agência de notícias Reuters.
     
    O dispositivo para diabéticos é capaz de medir a glicose no líquido lacrimal e enviar os dados a um aparelho móvel, diz a Novartis. A tecnologia tem o potencial de mudar a vida dos diabéticos, que chegam a espetar seus dedos dez vezes por dia para chegar a produção de açúcar no sangue.
     
    O sucesso na empreitada pode permitir à Novartis competir no mercado de rastreamento de sangue que deve lucrar mais de US$ 12 bilhões em 2017, segundo a empresa de pesquisas GlobalData. Estimativas mostram que a diabetes atinge 382 milhões de pessoas no mundo.
     
    O segundo elemento do acordo com o Google é centrado na presbiopia, na qual o envelhecimento dos olhos causam problema de focar objetos. A Novartis espera que a tecnologia de lentes irá ajudar a reabilitar essa capacidade dos olhos.
     
    Como parte do acordo, o serviço de cuidado com os olhos Alcon, da Novartis, irá desenvolver e comercializar as tecnologias de lentes desenhadas pelo Google X, a área de projetos especiais do Google.
     
    “Eu acho que vocês estão prestem a ver mais e mais áreas de cuidados médicos em que companhias como a Novartis terão uma conduta não tradicional para suprir essas necessidades”, afirmou Jimenez.
     
    Google X
     
    O executivo do Google por trás das lentes de contato inteligente e dos óculos conectado Glass se despediu da companhia para assumir um cargo na Amazon. Babak Parviz anunciou a saída em seu perfil na rede social Google +. Ele foi um dos idealizadores das duas tecnologias, que fazem parte da área Google X.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • Comissão do Senado aprova suspensão do veto da Anvisa a emagrecedores

    Comissão do Senado aprova suspensão do veto da Anvisa a emagrecedores

    A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (16), um projeto que pretende derrubar o veto feito pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011 a três tipos de emagrecedores.
     
    O texto aprovado, por 15 votos favoráveis contra seis contrários, é um projeto de decreto legislativo apresentado em 2013, na Câmara dos Deputados. A proposta pretende sustar a resolução da Anvisa que, em 2011, proibiu a comercialização das substâncias anfepramona, femproporex e mazindol (do grupo das anfetaminas e seus derivados), além de ter estabelecido regras mais rígidas para a venda da sibutramina.
     
    Após a chancela da CCJ, o projeto agora será encaminhado para análise do plenário do Senado para, então, ser promulgado pelo Congresso –assim, o texto não depende de sanção presidencial.
     
    A eventual aprovação final da matéria será uma grande derrota para a Anvisa, já que a argumentação dos parlamentares é que a agência extrapolou suas competências legais ao vetar os emagrecedores.
     
    “Infelizmente, um órgão da importância da Anvisa ainda não possui dados técnicos e científicos conclusivos a respeito desses medicamentos que neste momento estão em discussão”, explica um trecho da justificativa do projeto, apresentado pelo deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).
     
    A diretoria da Anvisa tem evitado entrar no mérito político da decisão, argumentando, por outro lado, que os dados científicos não indicam benefícios reais dessas drogas e apontam para efeitos negativos decorrentes de seu uso.
     
    Nesta quarta, coube ao senador Humberto Costa (PT-PE), médico e ex-ministro da Saúde, a tentativa de evitar a votação do projeto.
     
    “A lei dá poderes ao Executivo para suspender, a qualquer momento, a fabricação e venda de qualquer produto de efeito nocivo à saúde humana. Por que o Congresso não impediu outras proibições que a Anvisa definiu? Por exemplo, quando tivemos o exemplo das próteses mamárias e a Anvisa tomou a posição de proibir a comercialização das próteses?”, argumentou o senador.
     
    Costa chamou de “esdrúxula” a proposta em discussão. “Não é nosso papel definir que medicamento deve ser comercializado no nosso país.”
     
    Relatora da matéria na CCJ, a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) disse que a prescrição de medicamentos é um ato médico e que a aprovação do projeto pode fazer com que a Anvisa rediscuta o assunto.
     
    Vários parlamentares que votaram a favor da proposta citaram a pressão de médicos da área do emagrecimento e de pacientes para a reversão do veto da Anvisa.
     
    Legalmente, a agência tem a possibilidade de reeditar a resolução que baniu os emagrecedores, mesmo após uma votação final que suspenda a norma de 2011. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Cientistas do Canadá descobrem gene que retarda o Alzheimer

    Cientistas do Canadá descobrem gene que retarda o Alzheimer

    Variante do gene 'HMG CoA reductase' reduz riscos de sofrer da doença.
    Mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência entre idosos.
     
    Cientistas canadenses descobriram um gene que pode retardar em pelo menos quatro anos o desenvolvimento do mal de Alzheimer, segundo estudo publicado nesta terça-feira (15). Uma variante natural de um gene chamado “HMG CoA reductase”, presente em 25% dos americanos e canadenses, reduz consideravelmente os riscos de sofrer desta doença, escreveram os cientistas na revista “Molecular Psychiatric Journal”.
     
    “Constatamos que entre os indivíduos portadores desta variante genética, os riscos de desenvolver a doença diminuem 50% nas mulheres e 30% nos homens”, disse Judes Poirier, encarregado da pesquisa realizada pelo Instituto Universitário de Saúde Mental Douglas e pela Universidade McGill de Montreal.
     
    Este gene já é muito conhecido entre os cientistas que trabalham na área cardiovascular, devido ao seu papel na produção do colesterol. Segundo Poirier, as estatinas, inibidores químicos do funcionamento deste gene, causariam o mesmo efeito no mal de Alzheimer que a variedade natural do gene descoberto pelos cientistas do Instituto Douglas.
     
    “Se tivéssemos um medicamento que nos permitisse atrasar em cinco minutos o aparecimento da doença, poderíamos reduzir à metade o número de casos de Alzheimer em uma geração”, avaliou Poirier.
     
    O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência entre pessoas idosas. Com 40 milhões de afetados no mundo, a doença representa um desafio em escala planetária para os sistemas de saúde e para a pesquisa, que ainda não desenvolveu um remédio para a doença.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Infecções por HIV caem no mundo, mas crescem no Brasil, diz ONU

    Infecções por HIV caem no mundo, mas crescem no Brasil, diz ONU

    Novos casos de contaminação no país subiram 11% entre 2005 e 2013
    Informações foram divulgadas nesta quarta-feira pela Unaids.
     
    Dados divulgados nesta quarta-feira (16) pela Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, aponta que o índice de novos infectados pelo vírus no Brasil subiu 11% entre 2005 e 2013, tendência contrária aos números globais, que apresentaram queda.
     
    No mesmo período, a quantidade de casos no mundo caiu 27,5%, de 2,9 milhões, em 2005, para 2,1 milhões, em 2013. Desde 2001, a queda foi de 38%. As informações estão em um novo relatório que analisa o impacto da Aids no planeta.
     
    As mortes relacionadas com o vírus registraram queda de mais de um terço na última década. Em 2013, 1,5 milhão de pessoas morreram vítimas da doença, uma queda de 11,8% em comparação com 1,7 milhão de mortes em 2012, segundo os números da ONU. Além disso, o número representa uma queda de 35% na comparação com as 2,4 milhões de mortes registradas em 2004 e 2005.
     
    “Terminar com a epidemia da Aids é possível', afirmou Michel Sidibe, diretor Unaids. “Restam cinco anos para estabelecer os objetivos, que foram cumpridos até agora. Os próximos cinco anos serão decisivos para os próximos 15”, completou.
     
    O relatório destaca que 35 milhões de pessoas viviam com o HIV em 2013, um número um pouco superior aos 34,6 milhões de 2012. “Dos 35 milhões de pessoas que vivem com o HIV no mundo, 19 milhões não sabem que são soropositivos”, disse o diretor da Unaids.
     
    Dados do Brasil
     
    Segundo o relatório da ONU, o Brasil tinha 730 mil pessoas com Aids vivendo no país em 2013, número que representa 2% do total mundial. Estima-se que 44 mil pessoas tenham contraído o HIV apenas no ano passado, montante que também representa 2% do total global.
     
    O documento não apresenta a quantidade de casos existentes em 2005, apenas o percentual comparativo.
     
    Os dados das Nações Unidas afirmam que 16 mil pessoas com HIV morreram no ano passado e que 327.562 pessoas utilizavam antirretrovirais.
     
    Em relação à América Latina, 47% dos novos casos registrados no ano passado surgiram no Brasil, sendo o México o segundo país com mais contaminações novas.
     
    De acordo com a ONU, os grupos particularmente vulneráveis a novas infecções são transsexuais, homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e seus clientes, além de usuários de drogas injetáveis.
     
    No fim do ano passado, o Ministério da Saúde havia divulgado que o país tinha cerca de 700 mil pessoas infectadas pelo vírus, sendo que 39 mil descobriram estar contaminadas em 2013. Além disso, o governo informou que 300 mil pessoas estavam em tratamento em 2013.
     
    África, o continente mais afetado
     
    A África continua sendo o continente mais afetado pela doença, com 1,1 milhão de mortos em 2013, 1,5 milhão de novas infecções e 24,7 milhões de africanos que vivem com o HIV.
     
    África do Sul e Nigéria encabeçam a lista de países mais afetados e a Unaids recorda que na África subsaariana ainda é muito difícil o acesso às camisinhas: cada indivíduo sexualmente ativo tem acesso a apenas oito preservativos por ano em média.
     
    A América Latina tinha 1,6 milhão de soropositivos em 2013 (60% deles homens) e o número de novos infectados permaneceu estagnado, com um recuo de apenas 3% entre 2005 e 2013. Na Ásia, os países que mais preocupam são Índia e Indonésia, onde as infecções aumentaram 48% desde 2005.
     
    O relatório da Unaids destaca os avanços no acesso aos tratamentos antirretrovirais, com 12,9 milhões de pessoas atendidas em 2013, contra apenas 5,2 milhões em 2009. Mas o importante avanço é inferior à meta da ONU, que espera 15 milhões atendidas em 2015.
     
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu recentemente mais esforços para tratar em particular os homens que têm relações sexuais com homens, as pessoas transgênero, detentos, profissionais do sexo e usuários de drogas.
     
    “Para garantir que ninguém ficará para trás nós temos que diminuir a brecha entre as pessoas que podem ser atendidas e as que não, entre as que estão protegidas e as que são castigadas”, disse o diretor da Unaids.
     
    O dinheiro destinado ao combate contra a Aids subiu de US$ 3,8 bilhões em 2002 para US$ 19,1 bilhões em 2013, mas está longe do objetivo da ONU de arrecadar entre 22 e 24 bilhões de dólares em 2015.
     
    fonte: G1 Saúde
     
  • Apesar de curável, hanseníase continua a ser estigmatizada

    Apesar de curável, hanseníase continua a ser estigmatizada

    Ao longo de sua adolescência, José Ramirez Jr., hoje assistente social em Houston, sofreu uma série de sintomas intrigantes. Às vezes ele tinha febre. Em outros momentos, náuseas. Suas mãos e pés inchavam, e surgiam feridas em sua pele que demoravam a cicatrizar. Ele sentia hipersensibilidade ao toque e era incapaz de aceitar a presença até mesmo de um lençol. Seus antebraços ficavam dormentes.
     
    Os dermatologistas não conseguiam compreender. Espíritas falavam em possessão demoníaca. Por fim, dois médicos de um hospital local enviaram uma amostra de sua pele para biópsia a pesquisadores federais em Atlanta. “Em 24 horas, o diretor do Departamento de Saúde do Texas veio me ver”, conta Ramirez. “E me contou que eu tinha hanseníase”.
     
    Isso aconteceu em 1968, quando Ramirez tinha 20 anos. Ele passou os sete anos seguintes no Leprosário Nacional norte-americano em Carville, Louisiana.
     
    Hoje, Ramirez, 66, está curado e não apresenta sinais visíveis da doença em termos de cicatrizes faciais, desfiguração, perda de dedos ou marcas profundas nas mãos e pés.
     
    Porém, as cicatrizes emocionais são outra coisa. O “estigma, culpa e vergonha” que acompanham a doença são mais fortes do que qualquer um poderia imaginar, diz Ramirez, e a ignorância quanto a ela continua profunda. É por isso que ele faz palestras no mundo inteiro, com a mensagem de que tudo que você pensa saber sobre a hanseníase provavelmente está errado.
     
    A mensagem ecoa também entre os pesquisadores, que dizem que a doença continua a confundi-los e a surpreendê-los. A hanseníase hoje pode ser curada por meio de um tratamento intensivo com antibióticos, mas a natureza da Mycobacterium leprae não está completamente definida.
     
    Um grupo de pesquisa sustenta que a hanseníase pode ser a mais antiga doença infecciosa a se propagar especificamente em seres humanos, com origens que remontam a milhões de anos.
     
    Mas os cientistas também constataram que o bacilo da hanseníase tem propriedades de migração baixas entre hospedeiros humanos. Morre rapidamente no interior do corpo, e cerca de 95% das pessoas parecem imunes a ele. “Eu o defino como um patógeno fracote”, diz Richard Truman, do Programa Nacional da Hanseníase norte-americano, na Louisiana.
     
    Estudos constataram que cerca de metade do DNA da M. leprae consiste em pseudogenes, sequências genéticas inertes. A proporção de código genético inativo pode explicar o motivo de o patógeno da hanseníase ter um dos tempos de geração mais lentos em sua categoria, dividindo-se apenas uma vez a cada 12 a 14 dias, ante os 20 minutos da onipresente E. coli.
     
    Ainda que a bactéria cresça lentamente, se não for tratada, ela se multiplicará em volume de trilhões, formando nódulos espessos e escamosos no rosto e nas extremidades do corpo -“leprae” é o termo grego para “escamoso”-, e destruirá as células de Schwann que protegem o sistema nervoso periférico.
    Hoje, a hanseníase é rara, mas ainda atinge 200 mil pessoas ao ano, a maioria delas no Brasil, na Índia e em países em desenvolvimento.
     
    Erwin Schurr, da Universidade McGill, em Montreal, e outros pesquisadores identificaram alguns genes de suscetibilidade à hanseníase, variações de genes humanos que por motivos ainda misteriosos parecem elevar a probabilidade de que a exposição ao patógeno resulte em doença.
     
    Os historiadores da medicina também estão questionando a suposição de que os portadores de hanseníase foram sempre rejeitados e excluídos. Os estudiosos apontam a frenética construção de leprosários, do século 11 ao 14 na Europa, como prova de que os leprosos eram considerados tão perigosos que era preciso isolá-los.
     
    Mas estudos recentes trazem o argumento de que essa mania relacionada à hanseníase era uma maneira que as aldeias encontravam de obter doações.
     
    Os leprosários surgidos no século 19 e no começo do século 20 funcionavam de fato como colônias de isolamento. O medo de contágio cresceu mesmo quando Gerhard Armauer Hansen, o médico norueguês que descobriu o M. leprae em 1874, não conseguiu oferecer provas de sua patogenia. Nenhum dos espécimes nos quais Hansen injetou amostras da bactéria, o que incluiu seu próprio corpo, foi contaminado.
     
    Os pesquisadores continuam intrigados pela recusa da bactéria a crescer em uma cultura de células ou praticamente qualquer animal não humano. A única e intrigante exceção é o tatu-verdadeiro. Pesquisadores afirmam acreditar que tatus selvagens, nativos do hemisfério ocidental, tenham contraído a infecção de colonos europeus dois séculos atrás.
     
    Nas terras alagadiças costeiras, nas quais a densidade populacional dos tatus pode ser alta, 20% ou mais deles, estima-se, estão infectados e podem transmitir a bactéria a seres humanos.
     
    Ramirez suspeita ter contraído hanseníase quando criança, trabalhando no campo com seu pai. Os tatus eram presença frequente nas áreas rurais.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos

    Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos

    Projeto utiliza engenharia genética para produção de insulina.
    Células pancreáticas ficarão em 'bolso' do lado de fora do abdômen.
     
    Um disco ultrafino de polímero, pouco maior do que um CD, implantado no abdômen poderia mudar a vida de milhões de diabéticos que dependem de insulina. O pâncreas bioartificial, desenvolvido por pesquisadores franceses, será testado pela primeira vez em humanos em 2016.
     
    Com o dispositivo, os pacientes não terão mais de receber injeções diárias de insulina: o hormônio será fabricado naturalmente pelas células do pâncreas (obtidas por engenharia genética a partir de células-tronco), dispostas dentro do bolso artificial.
     
    Este projeto, cuja aplicação em grande escala não deve ocorrer antes de 2020, “levanta muitas esperanças e expectativas” para 25 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1 em todo o mundo, diz Séverine Sigrist, pesquisadora da start-up francesa Defymed, responsável pelo protótipo.
     
    A ideia de um pâncreas bioartificial foi inspirada na técnica de transplante de células pancreáticas, destinadas a suprir a deficiência do pâncreas e fazer com que o organismo passe a fabricar a insulina por conta própria, regulando assim a quantidade de açúcar no sangue. O problema dessa técnica é que, com a escassez de células para transplante, ela só pode beneficiar uma pequena minoria de doentes. Ela também exige o tratamento com medicamentos imunossupressores, que trazem vários efeitos colaterais.
     
    “Daí a ideia de projetar um tipo de uma pequena caixa dentro da qual seriam colocadas as células pancreáticas, para que elas fiquem abrigadas contra o ataque do sistema imunológico”, diz Séverine.
     
    O desafio foi projetar uma membrana semipermeável, que garanta tal proteção ao mesmo tempo em que permita a passagem da insulina e também dos açúcares, para que as células pancreáticas “saibam” o quanto de insulina devem produzir.
     
    O disco de polímero será implantado no abdômen durante uma pequena cirurgia, e deve ser substituído a cada 4 ou 6 anos. No interior, as células pancreáticas serão renovadas, por meio de uma injeção subcutânea, a cada 6 ou 12 meses. Os pesquisadores observam que essa quantidade de injeções não tem nem comparação com o tanto de picadas que um paciente que depende de insulina tem que levar ao longo da vida.
     
    20 anos de pesquisa
     
    O desenvolvimento dessa membrana levou mais de 20 anos de pesquisa e 6 milhões de euros. O valor corresponde ao imenso potencial econômico da inovação, estimado em 4 bilhões de dólares.
     
    Depois de testes em animais, um estudo com 16 voluntários deverá começar no fim de 2015 ou início de 2016, em Montpellier, no sul da França e em Oxford, no Reino Unido. Os primeiros resultados devem estar disponíveis no final de 2017.
     
    Se for bem-sucedido, o tratamento poderá libertar os diabéticos do “fardo” que representa o tratamento diário com insulina, diz o médico Michel Pinget, diretor do Centro Europeu para o Estudos da Diabetes (CEED), que lidera o projeto em Estrasburgo.
     
    “Quando você é diabético, gosta de toda novidade que possa melhorar o cotidiano”, diz Éric Dehling, presidente da associação Insulib, que reúne mais de uma centenda de pacientes do leste da França. Para ele, as novas tecnologias, como as canetas e as bombas de insulina, já melhoraram a vida dos diabéticos. Mas o pâncreas bioartificial permite que eles sonhem com uma “qualidade de vida ainda melhor”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Um em três casos de Alzheimer pode ser evitado, diz estudo

    Um em três casos de Alzheimer pode ser evitado, diz estudo

    Pesquisa britânica aponta a diminuição de fatores de risco ligados ao estilo de vida como forma de prevenção.
     
    Um em três casos de Alzheimer do mundo todo pode ser evitado segundo um novo estudo da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.
     
    Em um artigo publicado na revista especializada The Lancet Neurology, a equipe de cientistas britânicos relatou que analisou dados baseados em levantamentos de população para descobrir os sete principais fatores de risco para desenvolver a doença.
     
    E estes fatores são: diabetes, hipertensão na meia-idade, obesidade na meia-idade, sedentarismo, depressão, fumo e baixo nível de instrução.
     
    Segundo os cientistas, um terço dos casos de Alzheimer podem estar conectados o a fatores ligados ao estilo de vida dos pacientes, que podem ser modificados, como a falta de exercício e o tabagismo.
     
    Os pesquisadores então analisaram como a redução destes fatores poderia afetar o número dos casos da doença no futuro.
     
    Com esta análise eles descobriram que, ao reduzir cada fator de risco em 10%, quase nove milhões de casos da doença poderiam ser evitados até 2050.
     
    As atuais estimativas sugerem que mais de 106 milhões de pessoas no mundo todo viverão com Alzheimer em 2050, mais de três vezes o número de pessoas afetadas em 2010.
     
    Idosos mais saudáveis
     
    Uma pesquisa anterior, de 2011, colocou a estimativa de prevenção em um a cada dois casos da doença que poderiam ser evitados, mas o novo estudo britânico levou em conta a justaposição de fatores de risco.
     
    “Apesar de não haver uma única forma de tratar a demência, nós poderemos tomar medidas para reduzir o risco de desenvolvermos demência durante a velhice”, disse a professora Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.
     
    “Sabemos o que muitos destes fatores são e frequentemente eles estão ligados. Simplesmente enfrentar a inatividade física, por exemplo, vai reduzir os níveis de obesidade, hipertensão e diabetes e evitar que algumas pessoas desenvolvam demência”, acrescentou.
     
    Simon Ridley, chefe de pesquisas na organização de caridade britânica voltada para a pesquisa do Alzheimer, a Alzheimer Research UK, afirmou que ainda é preciso descobrir muito sobre a doença.
     
    “Enquanto que a idade é o maior fator de risco para a maioria dos casos de Alzheimer, há vários fatores de estilo de vida e saúde em geral que podem aumentar ou diminuir as chances de uma pessoa desenvolver a doença”, disse.
     
    “No entanto, nós ainda não entendemos completamente os mecanismos que relacionam estes fatores com o início do Alzheimer”, acrescentou.
     
    “E, como ainda não há uma maneira de evitar o Alzheimer, a pesquisa precisa continuar para conseguir as provas mais decisivas sobre os fatores de saúde e ambientais e ajudar as pessoas a reduzirem o risco.”
     
    Entre os sete fatores de risco, a maior proporção de casos de Alzheimer nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e no resto da Europa pode ser atribuída à inatividade física.
     
    Segundo o estudo, um terço da população adulta destes países não pratica atividades físicas.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Roche diz ter obtido prioridade em revisão de remédio para câncer de colo do útero

    Roche diz ter obtido prioridade em revisão de remédio para câncer de colo do útero

    A farmacêutica Roche disse que os reguladores de saúde dos Estados Unidos garantiram prioridade na revisão do remédio Avastin quando combinado com quimioterapia para tratamento de mulheres com câncer de colo de útero.
     
    Uma aprovação pela reguladora dos EUA, a FDA, para o tratamento desse tipo de câncer abriria um grande mercado para o uso do remédio por pacientes para os quais a quimioterapia não teve efeito.
     
    Cerca de 4 mil mulheres nos EUA e outras 250 mil no mundo todo morrem todos os anos por essa doença.
     
    “Essa aplicação regulatória para o Avastin é importante porque a quimioterapia é o único tratamento aprovado para mulheres com metástase, câncer de colo de útero persistente ou recorrente”, disse Sandra Horning, vice-presidente médica e chefe de Desenvolvimento Global de Produto da Roche, em um comunicado.
     
    A aprovação segue um estudo favorável que mostrou que o remédio ajudou a prolongar a vida de mulheres com esse tipo de câncer em estágio avançado, quando combinado com quimioterapia em um estudo clínico avançado.
     
    Fonte: Reuters Brasil