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  • Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Maior estudo genético da doença sugere que mal pode ter causas biológicas e abre portas para novos tratamentos.
     
    O maior estudo sobre esquizofrenia já realizado no mundo descobriu 80 novos genes que podem colocar os seus portadores em risco de desenvolver esquizofrenia. A pesquisa, publicada na revista especializada “Nature”, sugere que a esquizofrenia pode ter causas biológicas e abre a possibilidade de novos tratamentos que possam surgir a partir das conclusões.
     
    Há anos cientistas debatem o papel dos genes no desenvolvimento da esquizofrenia, um problema que afeta mais de 24 milhões de pessoas no mundo inteiro.
     
    A iniciativa reuniu pesquisadores de 35 países e foi coordenada por cientistas da Universidade de Cardiff, na Grã-Bretanha. Os cientistas examinaram a formação genética de 37 mil pessoas que têm o problema, comparando-as com outras 110 mil pessoas que não sofrem de esquizofrenia.
     
    'Nova biologia'
     
    Os pesquisadores encontraram mais de cem genes que tornam as pessoas mais suscetíveis à esquizofrenia, sendo que 83 deles nunca tinham sido identificados antes. Muitos destes genes estão envolvidos na transmissão de mensagens no cérebros. Outros são conhecidos por desempenhar uma função no sistema imunológico.
     
    “Por muitos anos foi difícil desenvolver novas linhas de tratamento para a esquizofrenia. Fomos prejudicados pela pouca compreensão da biologia da doença”, disse o professor da Universidade de Cardiff Michael O'Donovan.
     
    “Descobrir um grupo totalmente novo de associações genéticas abre uma janela para experimentos mais bem informados com o objetivo de decifrar a biologia desta doença”, afirmou. “Esperamos (criar) novos tratamentos.”
     
    O professor David Curtis, do University College de Londres, e um dos autores da pesquisa, conta que no passado a comunidade acadêmica “lutou com a opinião de que os problemas psiquiátricos não eram doenças 'reais'”.
     
    Por isso, diz, “os estudos genéticos pioneiros não tiveram muito sucesso”.
     
    “Agora mostramos, com confiança, que há processos biológicos envolvidos”, afirmou. “Este estudo coloca a psiquiatria na mesma categoria de outras partes da medicina.”
     
    Para Gerome Breen, do King's College de Londres, que não participou da pesquisa, o estabelecimento de novas relações entre genética e esquizofrenia é “revolucionária”.
     
    “O tratamento com remédios para esquizofrenia não mudou muito desde a década de 1970. Agora temos uma grande quantidade de nova biologia para estudar, e uma série totalmente nova de ideias que podem abrir muitos caminhos para tratamentos.”
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Tratamento de HIV/Aids no Brasil salva mais que média global

    Tratamento de HIV/Aids no Brasil salva mais que média global

    Mortes em decorrrência do HIV no Brasil caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, mais do que a queda de 1,5% registrada globalmente.
     
    Desde a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2000, as mortes por HIV/Aids e tuberculose no Brasil caíram a taxas maiores do que a média global, indica um estudo divulgado nesta terça-feira (22).
     
    Além disso, o número de anos de vida salvos graças ao acesso a tratamento e prevenção ficou acima do registrado em países em desenvolvimento, segundo a pesquisa.
     
    De acordo com o relatório, publicado na revista científica “The Lancet” e divulgado na Conferência Internacional sobre Aids, que ocorre em Melbourne, na Austrália, as mortes em decorrrência do HIV no Brasil caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, maior do que os 1,5% registrados globalmente.
     
    Nos casos de mortes por tuberculose, a taxa anual de queda foi de 4,5% desde 2000, acima da média global de 3,7%.
     
    No cálculo dos anos de vida salvos graças ao acesso a terapia antirretroviral, programas para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho e a promoção do uso de camisinhas, o Brasil atinge um índice de 0,37, em uma escala que vai de 0,07, para países em pior situação, até 0,49, em países muito ricos.
     
    “O desempenho do Brasil está acima do registrado em outros países em desenvolvimento, que foi de 0,28 a 0,35”, disse à BBC Brasil um dos coautores do estudo, Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Universitário da USP.
     
    De acordo com o estudo, entre 1990 e 2003, mais de 230 mil anos de vida foram salvos no Brasil graças ao acesso à prevenção e tratamento. De 2004 a 2008, foram mais de 450 mil anos. E de 2009 a 2013, quase 682 mil anos.
     
    Em todo o mundo, foram 20 milhões de anos de vida salvos desde 1990, mas o autor principal do estudo, Christopher Murray, alerta que a qualidade dos programas de tratamento e prevenção do HIV/Aids ainda tem grandes variações de acordo com a região do planeta e diz que ainda há muito a ser feito para avançar no combate à doença.
     
    Objetivos do Milênio
     
    O estudo foi conduzido por um grupo internacional de cientistas e coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, nos EUA. Com a análise do Global Burden of Disease 2013 (Carga Global de Doenças) é possível verificar a incidência e mortalidade por HIV, tuberculose e malária em 188 países de 1990 a 2013.
     
    Segundo os pesquisadores, o ritmo do declínio global no número de mortes e infecções das três doenças passou a ser mais forte a partir de 2000, com a adoção dos Objetivos do Milênio por governos ao redor do mundo. O objetivo número 6 é combater a propagação dessas doenças e garantir acesso universal ao tratamento. O prazo para o cumprimento dos objetivos vai até 2015.
     
    “A única coisa que acho que o Brasil não irá cumprir é em relação a mortalidade materna”, diz Lotufo. “(Dos outros Objetivos do Milênio) O Brasil está alcançando tudo. O que significa que está cumprindo com a obrigação. Nada mais que isso.”
     
    No Brasil, as mortes em decorrência do HIV caíram de um pico de mais de 17 mil em 1996 para pouco mais de 10 mil em 2013, sendo 7.912 mortes de homens e 2.305 de mulheres.
     
    Globalmente, no pico da epidemia, em 2005, o HIV causou 1,7 milhão de mortes. A incidência global de HIV atingiu seu ponto mais alto em 1997, com 2,8 milhões de novas infecções. Desde então, vem declinando. Em 2013, foram 1,3 milhão de mortes e 1,8 milhão de novas infecções em todo o mundo.
     
    “O que chamou mais a atenção no Brasil, que já começou com os dados da Unaids divulgados na semana passada, foi que a incidência da doença está estável”, afirma Lotufo.
     
    “A mortalidade caiu bem, mas estamos temos uma situação de estabilidade em relação a novos casos.”
     
    Tuberculose e malária
     
    Os cientistas concluíram que o sucesso no combate ao HIV também teve impacto positivo sobre a luta contra a tuberculose. Depois de aumentar globalmente a uma taxa anual de 0,4% entre 1990 e 2000, a incidência global da doença começou a cair a uma taxa de 1,3% até 2013.
     
    A maior rapidez e eficácia no tratamento tem reduzido a duração de infecções por tuberculose globalmente. No entanto, os pesquisadores alertam que o envelhecimento da população levará a um número maior de casos e mortes.
     
    No Brasil, 4.184 homens e 1.604 mulheres morreram vítimas da doença no ano passado.
     
    No caso da malária, de 2000 a 2013 o Brasil reduziu a taxa de mortalidade em uma média de 9,2% ao ano, com 71 mortes em 2013.
     
    Em termos globais, a epidemia de malária teve seu pico no início dos anos 2000, com 232 milhões de casos em 2003 e 1,2 milhão de mortes em 2004. Em 2013, foram 164,9 milhões de casos e 854.566 mortes por malária no mundo.
     
    Segundo outro co-autor do relatório, Alan Lopez, da Universidade de Melbourne, além de documentar o impressionante progresso no combate às três doenças, o estudo representa um alerta de que ainda há muito o que fazer. “HIV, tuberculose e malária ainda causam cada uma cerca de 1 milhão de mortes por ano no mundo”, salienta.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Estudo aponta avanço em tratamento conjunto da hepatite C e do HIV

    Estudo aponta avanço em tratamento conjunto da hepatite C e do HIV

    Cientistas usaram duas drogas em testes realizados com 220 pessoas.
    Apesar dos bons resultados, custo dos medicamentos é muito alto.
     
    Um novo medicamento para a hepatite C mostrou os primeiros resultados positivos em pacientes infectados, tanto por esta doença quanto pelo HIV, que habitualmente são difíceis de tratar, segundo um estudo publicado no último fim de semana no “Journal of the American Medical Association”.
     
    Os pacientes tomaram um coquetel com sofosbuvir, droga aprovada para o mercado americano em 2013 e que causou controvérsia devido ao alto preço (cerca de US$ 1.000 a unidade), e ribavirina. Os testes foram feitos com 220 pessoas durante 12 a 24 semanas.
     
    A maioria dos pacientes (entre 67% e 94%, dependendo do tipo de hepatite C que tiveram e se foram assistidos antes) viu a doença desaparecer e não retornar nas 12 semanas seguintes ao fim do tratamento. Além deste período, as reações são desconhecidas.
     
    Tratar em conjunto a hepatite C e o HIV é difícil porque os pacientes precisam tomar o medicamento interferon no caso da primeira e este tem uma interação péssima com os antirretrovirais. Sete dos 223 pacientes deste estudo o abandonaram por sintomas adversos, como fadiga, insônia, dor de cabeça e náuseas.
     
    Em artigo vinculado ao estudo, Michael Saag, da Escola de Medicina da Universidade do Alabama (sudeste), disse que a combinação de medicamentos é um “grande salto à frente”, mas que seu custo é alto demais para um uso em larga escala: “Um tratamento médio de 12 semanas custa US$ 94.500 e um de 24, US$ 189 mil”.
     
    “Com sorte, a concorrência entre os novos produtos que chegarem ao mercado nos próximos 18 meses resultará em um preço mais baixo para os medicamentos”, acrescentou.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Hospital no Rio testa implante para infarto

    Hospital no Rio testa implante para infarto

    O Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio, realizou, pela primeira vez no país, um tratamento experimental indicado para pacientes que tiveram infarto e sofrem com insuficiência cardíaca grave.
     
    A novidade é a colocação de um implante chamado Parachute, que tem mesmo o formato de um paraquedas, no coração. O dispositivo ainda não foi aprovado no país e só pode ser usado em protocolos de pesquisa.
    Colocado no ventrículo esquerdo (principal câmara do coração, que bombeia sangue para todo o corpo), o dispositivo “isola” a parte do órgão que sofreu o infarto.
     
    “O implante substitui a área 'inútil' e ajuda a bombear o sangue. Funciona como se fosse um joão-bobo; o sangue bate e volta”, explica Alexandre Abizaid, diretor do Centro de Cardiologia Invasiva do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que não esteve envolvido na cirurgia.
     
    O procedimento foi feito no mês passado, em parceria com a Case Western Reserve University, dos EUA.
     
    Segundo Jacqueline Miranda, coordenadora do setor de Insuficiência Cardíaca e Transplantes do Instituto Nacional de Cardiologia, o implante também pode impedir que o coração cresça, mude de formato e perca sua função, algo que pode ocorrer em casos de infarto.
     
    Um estudo com os cem primeiros pacientes que tiveram o Parachute implantado foi apresentado este ano no encontro do American College of Cardiology. Após seis meses, a taxa de sucesso foi de 95%; 80% dos pacientes melhoraram ou mantiveram a função cardíaca e 20% passaram por reinternações.
     
    Para Abizaid, o implante é promissor. “Não é curativo nem é a solução que vai diminuir a mortalidade dramaticamente. Mas dá qualidade de vida. Os sintomas da insuficiência cardíaca são muito limitantes. Pacientes em estado grave acabam entrando na fila de transplante.”
     
    Leopoldo Piegas, cardiologista do HCor (Hospital do Coração), afirma que ainda é cedo para apontar a segurança e a eficácia do dispositivo. “Apesar de o dispositivo ser interessante, são necessários mais casos e um tempo maior de acompanhamento.”
     
    CASO BRASILEIRO
     
    Foram, ao todo, três infartos: um há quatro meses, outro 12 anos atrás e o primeiro há 35 anos. Não à toa o aposentado Octacílio Gonçalves Correia, 66, de São João de Meriti (RJ), vive incomodado com a falta de ar e o cansaço constantes, sintomas da insuficiência cardíaca.
     
    No mês passado, ele recebeu o novo implante, no Instituto Nacional de Cardiologia. O aposentado, que é diabético, também já tinha feito uma cirurgia para colocar um marca-passo.
     
    “A melhora tem vindo aos poucos. Antes, minha rotina era de cervejada, costelinha de porco. Agora tudo isso acabou. Vou me cuidar e ficar mais quietinho em casa, aguardando a recuperação.” 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Hipertensão mascarada afeta mais de 30% dos hipertensos controlados

    Hipertensão mascarada afeta mais de 30% dos hipertensos controlados

    A hipertensão mascarada é aquela em que as medidas da pressão arterial (PA) estão normais no consultório e elevadas fora dele. Hipertensos em tratamento com esse tipo de comportamento da PA apresentam um risco mais elevado de doenças cardiovasculares, quando comparados com hipertensos controlados dentro e fora do consultório médico.
     
    Um estudo realizado por pesquisadores espanhóis constatou que mais de 30% dos hipertensos considerados controlados após a avaliação da PA do consultório, eram na verdade hipertensos mascarados quando avaliados pela monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA.
     
    A MAPA é o método que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, ou mais, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais durante o dia, e também, durante o período do sono.
     
    O estudo avaliou 14.840 pacientes com hipertensão arterial (HA) controlada clinicamente (PA no consultório menor que 140×90 mmHg), dos quais 4.608 (31,1%) tinham hipertensão mascarada mal controlada (HMMC) segundo os critérios da monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA (média da PA em 24 horas maior que 130×80 mmHg).
     
    A prevalência de HMMC foi maior em homens, em pacientes com controle clinico limítrofe da PA do consultório (PA sistólica entre 130 e 139mmHg, e/ou PA diastólica entre 80 e 89 mmHg), e naqueles com fatores de risco cardiovasculares maiores (fumantes, diabéticos e obesos).
     
    A prevalência de hipertensão mascarada mal controlada é elevada (31,1%) e a medida casual da PA, ou seja, aquela realizada apenas no consultório, não é capaz de identificar esses pacientes. A utilização da MAPA para avaliar o controle da pressão arterial deve ser considerada em maior escala, principalmente nos pacientes de alto risco cardiovascular e naqueles com controle limítrofe da PA no consultório.
     
    Fonte: European Heart Journal.
     
  • Remédio contra a autoestima

    Remédio contra a autoestima

    A atriz Lupita Nyong`o é a atual estrela de Hollywood. Queniana, de 31 anos, ela conquistou o Oscar de Atriz Coadjuvante, foi eleita a mulher mais bonita do mundo e se tornou a primeira garota-propaganda negra da marca de cosméticos Lancôme. Lupita usou seu sucesso para trazer à tona uma questão vivida por milhares de mulheres no mundo: elas sofrem com sua pele escura. Numa palestra, Lupita contou ter recebido a seguinte mensagem de uma jovem: “Querida Lupita, você é muito sortuda por ser tão negra e, ainda assim, bem-sucedida em Hollywood. Eu estava prestes a comprar um creme para clarear minha pele quando você apareceu e salvou minha vida”. Lupita disse que ela mesma já quis ter a pele mais clara. Quando criança, rezava por isso todas as noites e se decepcionava por não ser atendida.
     
    A mensagem da fã de Lupita trouxe à tona uma prática polêmica, comum entre mulheres jovens de África, índia, Tailândia e Paquistão. Elas usam cremes desenvolvidos para tirar manchas do rosto que acabaram se transformando num falso elixir de embranquecimento, aplicado no corpo inteiro. Em fóruns da internet, blogs e vídeos, jovens discutem a marca dos produtos e como aplicá-los. No início de julho, a modelo queniana Vera Sidika se gabou numa entrevista de TV de ter clareado três tons de sua pele com um tratamento médico de R$ 380 mil. “Clarear a pele não é só um ato de vaidade, é um projeto perverso de inclusão”, afirma a antropóloga brasileira Débora Diniz, do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.
     
    Não é por acaso que o creme mencionado pela jovem que escreveu a Lupita tenha como garota-propaganda uma cantora nigeriana de sucesso. Na Nigéria, 77% das mulheres fazem uso desse tipo de produto, o índice mais alto no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dencia, a cantora nigeriana, é negra, mas aparece quase branca nas fotos de divulgação do produto, chamado Whitenicious (um trocadilho que mescla as palavras branco e delicioso em inglês). È improvável que o embranquecimento mostrado na propaganda seja mérito do produto, lançado no começo deste ano e vendido pela internet. A brancura exibida por Dencia nas imagens é resultado de um jogo poderoso de luzes e de uma boa dose de retoques feitos no computador. Na vida real, o efeito dos cremes é limitado e temporário – dura enquanto o produto for usado. E está longe de causar tamanha transformação.
     
    A essência do produto é um componente chamado hidroquinona. Ele age dentro das células que dão cor à pele e impede a produção dos pigmentos. É usado há décadas por médicos der-matologistas e pela indústria de cosméticos para tirar manchas escuras do rosto, causadas por acne, queimaduras e pelo envelhecimento. Há uma margem de concentração de hidroquinona considerada segura. No Brasil, os produtos autorizados têm no máximo 2% desse componente. Se forem manipulados em farmácias, com receita médica, podem chegar a 4%. Em alguns países, onde o desejo embranquecedor é mais forte, as concentrações permitidas são altas. Em Zimbábue, Zâmbia, Angola e Zaire, pode chegar a 20%. Nesse teor, há riscos para a saúde. “Estudos feitos com ratos associam o uso de grandes concentrações de hidroquinona a câncer do sangue e de pele”, diz a dermatologista Elisete Crocco, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Por esses riscos, França, Austrália e Nova Zelândia já baniram o uso do componente.
     
    O desejo de clarear a pele não é uma exclusividade de países africanos e asiáticos. A pele alva, sem imperfeições, é um objetivo também para brasileiras. “A pele com coloração uniforme é considerada um sinal de juventude e beleza”, diz a dermatologista Sabrina Talarico, da Universidade Federal de São Paulo. Mas, aqui, o bronzeado é valorizado. Isso talvez explique por que a moda de clarear a pele não pegou. “Vivemos recentemente uma valorização da identidade negra”, diz Mônica Oliveira, diretora de Programas da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial?
     
    Fonte: Época
  • Obesos têm risco menor de morrer do coração, sugere estudo

    Obesos têm risco menor de morrer do coração, sugere estudo

    O excesso de peso, caracterizado por um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, é associado a várias doenças cardiovasculares. No entanto, um estudo norte-americano revela a existência de um “paradoxo da obesidade'':  o risco de morrer por essas mesmas doenças é maior para pacientes magros do que para os que estão acima do peso.
     
    O trabalho, publicado na Mayo Clinic Proceedings, avaliou 36 estudos, que envolviam dezenas de milhares de pacientes com doença arterial coronariana submetidos a procedimentos de revascularização, como a colocação de stents ou cirurgia de bypass coronariano. A análise mostrou que o risco de morrer por infarto ou outros problemas cardiovasculares foi 1,8 a 2,7 vezes maior em pacientes com baixo peso (IMC inferior a 20 kg/m2), ao longo de quase dois anos.
     
    Por outro lado, pacientes com excesso de peso e obesos tiveram resultados mais favoráveis. O risco de mortalidade cardiovascular foi menor entre os pacientes com sobrepeso (IMC de 25 a 30 kg/m2) em comparação com o de pessoas com IMC normal (20 a 25 kg/m2). E, em pacientes obesos e obesos mórbidos (IMC de 30 a 35 e acima de 35 kg/m2, respectivamente), a mortalidade total por 27% e 22% menor que a de pessoas com peso normal.
     
    O principal autor do estudo, Abhishek Shama, da Universidade Estadual de Nova York, diz que por enquanto só é possível especular sobre possíveis explicações para o paradoxo. Uma hipótese é que pacientes com excesso de peso tendem a receber com mais frequência dos médicos a prescrição para remédios que protegem o coração, como drogas para pressão alta e para baixar o colesterol, e em doses mais altas.
     
    Além disso, o pesquisador sugere que a reserva metabólica mais alta dos pacientes com excesso de peso poderia servir como fator de proteção em doenças coronarianas crônicas. Outra possibilidade é que os obesos tinham um dano maior nos vasos, e isso teria contribuído para resultados mais favoráveis após os procedimentos.
     
    Mais estudos são necessários para explicar, ao certo, a vantagem dos pacientes com excesso de peso. Os pesquisadores esclarecem, no entanto, que os resultados não devem tirar a legitimidade das campanhas antiobesidade, já que o excesso de peso é, sim, um fator de risco importante para diversas doenças, inclusive do coração.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Vitamina B3, usada para reduzir colesterol, traz risco de morte

    Vitamina B3, usada para reduzir colesterol, traz risco de morte

    A niacina, conhecida como vitamina B3, usada para reduzir o risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) em pessoas com colesterol alto, também traz risco de morte, revelou um amplo estudo internacional divulgado nesta quarta-feira.
     
    Por este motivo, a maioria das pessoas deveria parar de usar este suplemento popular, destacou em editorial a revista New England Journal of Medicine, que publicou simultaneamente os resultados da prova.
     
    A niacina ganhou popularidade nos últimos 50 anos e é usada principalmente para elevar o nível de colesterol HDL (lipoproteína de alta densidade), também conhecido como colesterol bom.
     
    No entanto, um estudo feito durante quatro anos com pessoas entre os 50 e os 80 anos, com colesterol elevado, revelou não haver benefícios que se traduzissem em uma redução da taxa de infartos ou AVCs.
     
    Foram estudadas 25.673 pessoas, todas já tinham tomado estatinas para reduzir o colesterol. Além disso, algumas tomavam niacina e laropiprant (um medicamento que reduz a vermelhidão do rosto causado pelas altas doses de niacina). Outras tomaram um placebo.
     
    As pesquisas foram feitas em Grã-Bretanha, China e Escandinávia.
     
    A niacina “se associou a uma tendência crescente de morte”, informou o estudo, segundo o qual o composto também se associa a “um aumento significativo de efeitos colaterais graves: problemas hepáticos, excesso de infecções, sangramento excessivo, gota, perda de controle (das taxas) de açúcar no sangue, no caso dos diabéticos, e desenvolvimento de diabetes naqueles que não padeciam dela quando começou o estudo”.
     
    Donald Lloyd-Jones, diretor de medicina preventiva da escola de medicina da Universidade Northwestern Feinberg e do hospital Northwestern Memorial, disse que os usuários de niacina correm um risco 9% maior de morrer, um percentual que os cientistas consideraram estatisticamente significativo, ou seja, os benefícios ficam em segundo plano.
     
    “Poderia ocorrer uma morte a cada 200 pessoas que tomam niacina”, disse Lloyd-Jones, que escreveu o editorial da revista. “Com um sinal como este, é claro que (a niacina) é uma terapia inaceitável para a ampla maioria dos pacientes”.
     
    Outro estudo sobre a niacina, feito com mais de 3.400 pacientes, revelou que ela aumentava o risco de infecção e daria certa proteção a problemas cardiovasculares, reportou o New England Journal of Medicine.
     
    “Deve-se considerar que a niacina tem uma toxicidade inaceitável para a maioria dos pacientes e que não deve ser usada rotineiramente”, escreveu Lloyd-Jones.
     
    Ao contrário, os tratamentos com estatinas deveriam continuar sendo – como são atualmente – o principal recurso para ajudar a reduzir o colesterol ruim, enquanto a niacina só deveria ser prescrita para pacientes com alto risco que não conseguem tolerar as estatinas, acrescentou.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Professores da USP Ribeirão Preto pedem liberação do canabidiol à Anvisa

    Professores da USP Ribeirão Preto pedem liberação do canabidiol à Anvisa

    Um grupo de professores da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) afirmou que enviou, nesta quarta-feira (16), uma carta aberta à diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedindo a liberação para prescrição médica do canabidiol –composto não psicoativo presente na maconha.
     
    “A [Anvisa] apresenta vários equívocos sobre a substância, que não condizem com o que identificamos em nossas pesquisas”, afirmou o professor José Alexandre de Souza Crippa, que assinou a carta junto de outros três docentes.
     
    De acordo com Crippa, o principal equívoco é afirmar que é impossível extrair o canabidiol sem o THC, que tem efeito psicoativo.
     
    “Por meio da cristalização, por exemplo, indústrias farmacêuticas conseguem extrair [o canabidiol] sem o THC”, afirmou.
     
    Em agosto, a Anvisa deverá votar a reclassificação do composto. Caso seja aprovada, poderá facilitar o tratamento de pacientes que têm epilepsia grave e mal de Parkinson, por exemplo.
     
    “Se o canabidiol fosse encontrado na pitanga ou na jabuticaba, seria motivo de orgulho nacional. Mas é encontrado na maconha, por este motivo existe uma resistência [em aprovar]”, disse o professor.
     
    Na carta, os professores afirmaram à Anvisa sobre as fortes evidências de que o canabidiol tem potencial terapêutico para o tratamento de diversas doenças e que, por este motivo, não justifica que permaneça proibido.
     
    “Destacamos aqui, que isto não se confunde com o registro desta substância para uso rotineiro, o que implica num processo diverso, que não está em discussão no momento”, afirmaram os professores, na carta.
     
    Em nota, a Anvisa informou que a discussão sobre a reclassificação do canabidiol está sendo discutida desde maio e ainda será concluída.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • ”, menina tem sangue filtrado e recebe rim

    ”, menina tem sangue filtrado e recebe rim

    Adolescente carregava anticorpos que atacavam órgão transplantado; procedimento fez garota 'voltar à vida', segundo família.
     
    Em uma operação inédita na Grã-Bretanha, uma jovem de 14 anos teve seu sangue removido, filtrado e reinserido no corpo para possibilitar um transplante de rim.
     
    Nascida com insuficiência renal, Megan Carter recebeu um primeiro transplante em 2011, mas o novo órgão teve de ser removido no dia seguinte porque seu organismo o rejeitou. A menina carregava anticorpos que atacavam o órgão transplantado.
     
    Desde o transplante mal sucedido, ela vinha sendo submetida a diálises. Os chamados antígenos leucocitários humanos são comuns em adultos, sendo produzidos em resposta a transplantes, gravidezes ou doações de sangue.
     
    Quanto mais anticorpos deste tipo uma pessoa tiver, menores as chances de um transplante ser bem sucedido.
     
    Ao longo de uma semana, o sangue de Megan foi removido, filtrado e reintroduzido no corpo por meio de um novo tratamento conhecido como plasmaferese. Depois do procedimento, ela pôde receber um novo rim, doado por seu pai, Edward Carter.
     
    'Voltou à vida'
     
    Segundo a mãe de Megan, a menina “voltou à vida” desde que recebeu o transplante, há três meses, no hospital infantil Great Ormond Street, em Londres.
     
    “Seus cabelos estão sedosos, seus olhos voltaram a brilhar e ela não está mais pálida. É a menina que sempre deveria ter sido”, disse Carol Carter.
     
    A partir de agora, a jovem precisará de medicamentos fortes para garantir que seu sistema imunológico não ataque o novo rim.
     
    “Na maioria dos transplantes usamos três medicamentos para reduzir a ação dos mecanismos de defesa do corpo. Neste caso, usamos quatro e eles são bem mais fortes”, disse à BBC o pediatra Stephen Marks.
     
    O cirurgião Nizam Mamode disse esperar que o transplante melhore a qualidade de vida da adolescente.
     
    “Apesar de este ser apenas o primeiro caso, esperamos oferecer a outras crianças na mesma situação uma nova oportunidade de vida.”
     
    Fonte: Bem Estar