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  • Pesquisadores da USP desenvolvem coração artificial nacional

    Pesquisadores da USP desenvolvem coração artificial nacional

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia desenvolveram o primeiro protótipo brasileiro de coração artificial totalmente implantável. O dispositivo é indicado para pacientes com insuficiência cardíaca, problema que afeta cerca de 6,5 milhões de pessoas no país e mata em torno de 25 mil todos os anos – segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

     

    O objetivo do equipamento, que ainda não foi testado em humanos, não é substituir o coração e sim auxiliá-lo no bombeamento de sangue enquanto o paciente aguarda um órgão para transplante. Os primeiros experimentos realizados com bezerros apresentaram bons resultados.

     

    “Em países desenvolvidos já existem modelos de coração artificial totalmente implantáveis, mas o custo de importação é elevado – mais de R$ 200 mil – e poucos têm acesso. Nossa ideia é desenvolver uma versão nacional que custe em torno de R$10 mil”, contou José Roberto Cardoso, diretor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da pesquisa financiada pela FAPESP.

    Segundo Cardoso, há outros modelos de coração artificial desenvolvidos no Brasil, no Instituto do Coração (Incor) da USP e até mesmo no próprio Dante Pazzanese. Mas são todos equipamentos extracorpóreos. Nesses casos, tubos saem do corpo do paciente e ficam ligados a uma maleta, onde está a bomba e a bateria.

     

    “O paciente precisa carregar essa maleta para todo lado e o equipamento fica em contato com o ambiente. Além do incômodo, o grande problema é o risco de infecção”, disse Cardoso.

     

    O novo protótipo implantável começou a ser desenvolvido em 2006. A bomba foi feita no Departamento de Engenharia Mecatrônica da Poli e os motores elétricos e circuitos que controlam seu funcionamento foram criados no Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado, coordenado por Cardoso. A parte médica e os ensaios com animais ficaram sob a responsabilidade da equipe do Dante Pazzanese, instituto vinculado à Secretaria de Estado da Saúde.

     

    “A maioria dos modelos existentes no exterior usa bombas do tipo axial, em que o sangue entra por um lado de um tubo e sai pelo outro. Nós optamos por uma bomba do tipo radial, em que o sangue entra pelo centro do cilindro e sai pela lateral”, contou Cardoso.

    A vantagem, segundo o pesquisador, é que a bomba radial funciona com uma rotação menor. Além de diminuir o ruído – algo importante a se considerar em um dispositivo que fica dentro do corpo –, a agressão ao sangue durante o bombeamento também é menor.

    Dois tipos de problemas são mais preocupantes quando o sangue é pressionado de forma exagerada: a liberação excessiva de hemoglobina pelos glóbulos vermelhos – o que poderia intoxicar os rins e o fígado – e a ativação das plaquetas, elevando o risco de trombose.

    Por esse motivo, um dos grandes desafios dos pesquisadores é prever o comportamento do sangue em função da pressão da bomba, explicou Cardoso.

    “O sangue é um fluido muito difícil de modelar, pois é composto de partes líquidas e sólidas e, quando você pressiona, ele diminui de volume. É diferente da água, que sempre mantém o volume constante. Fazemos simulações por meio de ferramentas computacionais e experiências em bancada para verificar se a distribuição está ocorrendo na velocidade prevista e se não há pontos de estrangulamento”, explicou Cardoso.

     

    Como funciona

     

    A bomba foi idealizada para ser implantada em um cavidade próxima ao coração. Tem formato de cone e o tamanho aproximado de uma laranja. Os pesquisadores pretendem aperfeiçoar o dispositivo e torná-lo ainda menor.

    A equipe contou com a consultoria do cardiologista Adib Jatene, diretor do Hospital do Coração, na definição da forma ideal da bomba e o local mais adequado para implantá-la.

     

    Também fazem parte do dispositivo uma caixa, que abriga o circuito eletrônico e fica perto da bomba, e uma bobina, que fica próxima à pele e serve para recarregar o aparelho.

    “Outro grande desafio para fazer um dispositivo implantável é encontrar uma boa maneira de carregá-lo. Nós desenvolvemos um método que funciona por indução, ou seja, uma bobina é colocada em cima da pele e fazemos passar um corrente por ela. Isso produz um campo magnético que induz a corrente para a bobina interna e carrega a bateria”, explicou Cardoso.

     

    Os cientistas estimam que a bateria teria de ser carregada diariamente, mas o processo levaria apenas 40 minutos aproximadamente. O paciente levaria consigo um carregador pequeno, ligaria em uma tomada e colocaria a bobina embaixo da camisa.

    O método mostrou bons resultados nos testes feitos em laboratório, em que os cientistas usaram uma camada de água para simular as características da pele. Mas Cardoso alerta que novos experimentos precisam ser realizados in vivo para ter certeza de que a corrente elétrica usada não vai lesionar os tecidos.

     

    Já o funcionamento da bomba foi avaliado em testes com bezerros, contou o pesquisador. “Mas, até o momento, deixamos o equipamento do lado de fora do corpo dos animais para poder avaliar se o volume de sangue bombeado estava adequado e se a pressão estava correta. Agora vamos fazer novos experimentos com o equipamento implantado e precisaremos deixar alguns fios de fora para fazer as medições”, disse.

     

    Nesta segunda etapa da pesquisa que se inicia, contou Cardoso, a meta é transformar o protótipo em um produto capaz de competir com os modelos existentes no exterior.

    “Além do funcionamento, precisamos avaliar outros parâmetros, como aquecimento, ruído e ajustar o circuito impresso para reduzir ainda mais o tamanho. Existe uma série de problemas de natureza mecânica e elétrica que ainda precisam ser estudados para se chegar ao tamanho mínimo”, disse Cardoso.

    Os experimentos feitos até o momento já deram origem a cerca de 50 artigos publicados em revistas científicas e apresentados em congressos.

    Autora: Karina Toledo.

     

    Fonte:Agência FAPESP.

  • Vacina contra HPV é alvo de processo após jovem relatar efeitos colaterais

    Vacina contra HPV é alvo de processo após jovem relatar efeitos colaterais

    Uma jovem francesa está processando a fabricante da vacina Gardasil, contra o HPV, por supostos efeitos colaterais no sistema nervoso central. Seis meses após ter recebido a segunda injeção da vacina, em 2010, Marie-Oceane, então com 15 anos, foi hospitalizada com diversos sintomas, como perda temporária da visão, paralisia facial e dificuldades para andar.

    Segundo Jean-Christophe Coubris, advogado da vítima, relatórios médicos apontaram a relação entre a vacina e as patologias desenvolvidas por sua cliente. A queixa foi apresentada na última sexta-feira em Bobigny, na periferia de Paris. A vítima acusa o laboratório Sanofi Pasteur, que produz a vacina, de “atentado involuntário à integridade”. A agência nacional francesa de medicamentos (ANSM) também é alvo do processo.

    Outras três mulheres também afirmam terem sido vítimas dos efeitos colaterais do Gardasil. As jovens, com idades entre 20 e 25 anos, foram vacinadas entre 2008 e 2010. Duas delas desenvolveram dermatose crônica e a terceira foi diagnosticada com inflamação da musculatura (polimiosite). Elas pretendem apresentar queixa nos próximos dias. Para a advogada Camille Kouchner, que acompanha as três, “os casos de vítimas do Gardasil estão se multiplicando e isso pode se tornar um novo escândalo sanitário”.

    Sanofi Pasteur contesta as acusações. O diretor-adjunto do laboratório André Dahlab afirma tratar-se de uma coincidência e que nenhum estudo estabeleceu até agora uma “incidência superior” das doenças desenvolvidas entre as usuárias do Gardasil.

    A vacina contra o papilomavírus (HPV) será oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 10 e 11 anos no início do ano letivo de 2014.  A vacina, que será produzida pelo Instituto Butantã e pela Merck, será administrada em três doses, e protegerá contra quatro subtipos de HPV: 6, 11, 16 e 18 – os dois últimos são os que causam o maior risco de câncer.

    Fonte: Uol Saúde

  • Ministério da Saúde amplia cirurgia para mudança de sexo

    Ministério da Saúde amplia cirurgia para mudança de sexo

    O Ministério da Saúde anunciou ontem a ampliação do atendimento a pessoas com transtorno de identidade de gênero e a realização da cirurgia de mudança de sexo na rede pública.

    A nova regra contempla os transexuais masculinos. Agora, a retirada de mamas, útero e ovários passa a ser paga pelo SUS, assim como o tratamento hormonal.

    Esses procedimentos eram autorizados pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) desde 2010, mas ainda não tinham a cobertura da rede pública de saúde.

    A portaria do ministério afirma ainda que o SUS pagará pela redução do pomo de adão, cirurgia de retirada da vagina e construção de um pênis com implante de próteses peniana e testiculares e alongamento do clitóris.

    Todos esses procedimentos, porém, continuarão a ser feitos em caráter experimental, seguindo uma resolução do conselho de medicina. Antes, as cirurgias eram pagas por verbas de pesquisa.

    A ampliação segue decisão judicial de 2009, que o governo vinha descumprindo desde então. Em setembro, a Justiça Federal no Rio Grande do Sul deu 30 dias para que os procedimentos passassem a ser ofertados, sob pena de multa de R$ 100 mil diários.

    RECUO

    A portaria, porém, manteve as idades mínimas para o início da transexualização, alvo de polêmica recente.

    No final de julho, o Ministério da Saúde publicou e suspendeu menos de 24 horas depois uma portaria que antecipava o início da terapia hormonal para mudança de sexo dos 18 para os 16 anos, e a realização das cirurgias dos 21 para os 18 anos.

    O ministério não informou em que pé está o grupo que, como prometido, iria avaliar os critérios para a redução.

    “A nova portaria é melhor do que nada, mas não vejo grandes avanços”, afirma o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do HC da USP. “O passo que podia ter sido dado, que era antecipar o tratamento, ficou de fora.”

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Cientistas questionam prescrição preventiva de remédios anticolesterol

    Cientistas questionam prescrição preventiva de remédios anticolesterol

    Um novo guia clínico publicado nos Estados Unidos, que recomenda ampliar a prescrição de medicamentos anticolesterol a milhões de adultos para reduzir os ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais, superestima o risco que corre grande parte da população.

    A guia clínica atualizada do Colégio Americano de Cardiologia (ACC, na sigla em inglês) e da Associação Americana do Coração (AHA, em inglês), publicada em 13 de novembro, causa controvérsia.

    Segundo as novas recomendações, um em cada três americanos com mais de 40 anos (o que equivale a 33 milhões de pessoas) corre um risco suficientemente alto de desenvolver doença cardíaca para receber tratamento com estatinas, os remédios anticolesterol mais eficazes, explicou o ACC.

    Por enquanto, estes medicamentos só são prescritos para reduzir taxas elevadas de colesterol ruim, a principal causa de aterosclerose.

    Entre os fatores de risco, a ACC citou o envelhecimento, diabetes tipo 2, hipertensão, um nível de colesterol ruim (LDL) elevado, o tabagismo e a origem étnica, sendo os negros particularmente vulneráveis.

    No entanto, ao aplicar a fórmula de cálculo do ACC e da AHA a cinco grupos diferentes de pessoas, dois cientistas da Escola de Medicina de Harvard concluíram que “esta fórmula exagera o risco de 75% a 150% para 40% a 50% dos 33 milhões de americanos de 40 a 75 anos eventualmente afetados”.

    Em um editorial publicado online na revista médica britânica The Lancet, os doutores Paul Ridker e Nancy Cook dão dois exemplos.

    O primeiro é o de um fumante de 55 anos, com hipertensão leve sem tratamento e com excelente taxa de colesterol ruim de 75 miligramas por decilitro de sangue, que normalmente deveria ser inferior a 100 mg/dL.

    Segundo a fórmula matemática do ACC, este homem tem um risco cardiovascular de 9,6% nos próximos dez anos e deveria receber tratamento preventivo com estatinas, que estabelece o nível em 7,5%.

    Em contraste, uma mulher de 60 anos, que não fuma, tem pressão normal e altos níveis de colesterol de 180 mg/dL, tem um risco de 3,8%. Portanto, não deveria receber tratamento preventivo com estatinas, usando-se a mesma fórmula.

    Risco superestimando

    Os dois cientistas ressaltam que este novo guia clínico é um “passo importante para simplificar e melhorar o tratamento de pacientes com alto risco, como a diabetes”.

    Mas, segundo eles, “depender apenas desta nova previsão do risco baseado na fórmula matemática poderia levar a tratar muitos pacientes sem indicações clínicas adequadas para a eficácia preventiva das estatinas (… ) e privar outros nos quais se sabe que este fármaco é eficaz”.

    “Uma má calibragem desta magnitude deve ser corrigida antes de que o novo modelo de prescrição de risco cardiovascular se implemente em larga escala, do contrário levará os médicos a sobrescrever estatinas”, destacaram na nota Ridker e Cook.

    O copresidente do grupo de trabalho que desenvolveu o novo guia clínico, David Goff, admitiu no jornal The New York Times “o potencial de superestimativa do risco, especialmente para as pessoas que estão no limite”.

    Para o doutor Kevin Marzo, diretor de cardiologia do Hospital Universitário Winthrop, no Estado de Nova York, “a melhor forma de resolver este problema é que os autores do guia se reúnam com seus críticos e procedam a uma eventual revisão”.

    “Deve-se assegurar que as pessoas não pensem que estas novas recomendações estão motivadas por outras razões, de ordem comercial, por exemplo, quando o propósito da Comissão do ACC é reduzir a principal causa de mortalidade dos americanos”, declarou à AFP.

    “A população pensa geralmente que as estatinas são muito receitadas e têm efeitos colaterais potencialmente perigosos”, disse o cardiologista.

    Fonte: Uol Saúde

  • Reposição de testosterona em forma de desodorante chega ao país

    Reposição de testosterona em forma de desodorante chega ao país

    Uma nova droga para repor testosterona em homens com baixos níveis do hormônio deve chegar ao Brasil no próximo mês. A novidade é o formato: o medicamento é aplicado nas axilas, como se fosse um desodorante.

    Hoje, existem três remédios de reposição hormonal masculina no país, todos injetáveis. Dois deles são aplicados a cada três semanas e o outro, a cada três meses.

    Já o novo medicamento, de uso tópico, deve ser usado diariamente pela manhã, depois do desodorante comum.

    Dessa forma, a droga tenta imitar a produção natural da testosterona –que tem níveis mais altos no começo do dia. Com os remédios injetáveis de longa duração, podem ocorrer picos do hormônio logo após as aplicações e níveis baixos no fim do período.

    O remédio é colocado em um aplicador usado diretamente nas axilas, o que evita que o produto entre em contato com as mãos e diminui os riscos de contaminar outras pessoas com o hormônio. A dose pode variar de acordo com a recomendação médica. Cada “bombeada” do produto tem 30 mg, e a dose máxima diária, segundo a bula, é de 120 mg. Uma unidade com 110 ml custará R$ 283,93, o que é suficiente para um mês, em média, a depender da dose indicada.

    INDICAÇÃO

    Segundo Miguel Srougi, professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, a diminuição do hormônio masculino é um processo natural que ocorre a partir dos 40 anos.

    Mas não são todos os homens que precisam do medicamento. O urologista afirma que a reposição hormonal só é indicada para homens com níveis baixos de testosterona –os valores normais vão de 300 a mil nanogramas por decilitro– e queixa de sintomas.

    De acordo com estudos, de 3% a 30% dos homens podem ter níveis baixos de testosterona. Desses, só um terço tem sintomas relacionados a essa queda e, portanto, seria candidato ao uso da reposição hormonal.

    “Há só três problemas que a reposição pode melhorar: perda de libido, perda de massa muscular e osteoporose. Há médicos que acreditam que há um ganho na memória, que a pessoa vai ficar mais bem disposta, mas não há evidências disso. É tudo ficção”, afirma Srougi.

    Segundo ele, a queda do hormônio masculino pode ter um efeito desfavorável para a saúde, mas não é responsável por problemas cognitivos decorrentes da idade. A reposição também não é um “elixir” para males como irritabilidade e insônia.

    “Há um grupo de críticos que afirma ainda que há um mercado de reposição hormonal que lucra com essa ideia. Surgiu todo um comércio em torno disso. É preciso ter cuidado na indicação”, diz.

    A reposição hormonal masculina tem seus riscos. Em doses exageradas, pode causar o crescimento das mamas, toxicidade para o fígado, aumento de colesterol “ruim”, maior risco de hipertensão e apneia do sono.

    O risco de o tratamento causar câncer de próstata foi levantado e já descartado, segundo Srougi, mas, se o paciente já tiver um tumor, a droga fará com que ele cresça mais rapidamente. Por isso, é preciso descartar a hipótese da doença antes de começar o tratamento.

    O médico diz ainda que a forma de aplicação do novo medicamento, não injetável, pode aumentar o número de pessoas que farão uso indevido da testosterona, incluindo os adeptos da medicina “antiaging” (que usa hormônios para tentar atrasar o envelhecimento, sem evidências científicas).

    Bernardo Soares, diretor médico da Eli Lilly, diz que o risco existe, mas que a droga será vendida com receita. Efeitos adversos e uso fora da indicação da bula serão monitorados pela farmacêutica.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Crianças sob risco de HIV devem fazer exame ao nascer, diz ONU

    Crianças sob risco de HIV devem fazer exame ao nascer, diz ONU

    Para diretor da Unaids, poucas crianças são diagnosticadas precocemente.

    No ano passado, 260 mil bebês entraram para as estatísticas do HIV.

     

    Mais de 250 mil crianças por ano nascem com o vírus da Aids, mas poucas estão sendo examinadas no prazo necessário para receberem tratamento e prolongarem suas vidas, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (20).

    Michel Sidibe, diretor-executivo da Unaids (agência da ONU para a Aids) afirmou que é preciso melhorar os kits de diagnóstico para a detecção do vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês) em recém-nascidos, além de reduzir seu preço, que hoje é de US$ 25 a US$ 50 por unidade.

    As crianças, segundo ele, são as vítimas “esquecidas” da epidemia da Aids, apesar de 260 mil bebês terem entrado para as estatísticas no ano passado, principalmente na África Subsaariana.

    “A despeito do tamanho do mercado, precisamos assegurar que os diagnósticos sejam disponibilizados às crianças”, disse ele em entrevista coletiva em Genebra por ocasião do Dia Mundial da Aids, em 1º de dezembro.

    “Tivemos muitos avanços nos últimos dois ou três anos em termos de tratamento, em termos de remédios, em termos de assegurar que as moléculas estão mais direcionadas para as crianças. Mas onde estamos fracassando também é em fazer diagnósticos precoces”.

    Os Laboratórios Abbott, dos EUA, e a fábrica suíça de medicamentos Roche estão entre os principais produtores de testes de HIV, segundo funcionários da Unaids.

    Cerca de 3,3 milhões de crianças com até 15 anos são soropositivas, mas apenas 1,9 milhão precisam de tratamento atualmente, segundo a agência, com sede em Genebra. Menos de 650 mil, ou 34% das 1,9 milhão receberam drogas antirretrovirais contra a Aids em 2012, o que mesmo assim representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior,segundo a Unaids.

    Cerca de 14 milhões de adultos com HIV precisam de tratamento, e 9 milhões deles, ou 64%, o recebem, uma cobertura bem superior à das crianças.

    A Unaids identificou 22 países prioritários para o controle das contaminações em crianças, sendo 21 deles na África Subsaariana, onde estão 90% das mulheres soropositivas. O outro país é a Índia.

    Fonte: Bem Estar

     
  • Duas vezes Nobel de Química, Frederick Sanger morre aos 95 anos

    Duas vezes Nobel de Química, Frederick Sanger morre aos 95 anos

    Somente quatro pessoas receberam duas vezes o prêmio Nobel.

    Ele é considerado na comunidade científica como o 'pai da genômica'.

     

    O bioquímico britânico Frederick Sanger, duas vezes ganhador do prêmio Nobel de Química – em 1958 e em 1980 – morreu nesta terça-feira (19) aos 95 anos, informou nesta quarta-feira a emissora pública de televisão BBC.

    Nascido em Gloucestershire, na Inglaterra, em 13 de agosto de 1918, Sanger foi uma das quatro pessoas que receberam duas vezes o prêmio Nobel, ao lado de Marie Curie, Linus Pauling e John Bardeen.

    Considerado na comunidade científica o “pai da genômica”, Sanger trabalhou até os 65 anos, quando se aposentou. Sua primeira pesquisa a receber o Nobel foi sobre a estrutura da insulina e a segunda foi a respeito do DNA.

    Fonte: G1 Saúde

     

  • Droga promete a cura da hepatite C

    Droga promete a cura da hepatite C

    Determinado a se livrar da infecção por hepatite C que ia lentamente destruindo seu fígado, Arthur Rubens tentou sucessivos tratamentos experimentais. Nenhum funcionou, e a maioria causava efeitos colaterais como febre, insônia, depressão, anemia e uma urticária que “dava a impressão que a pele estava pegando fogo”.

    Mas, neste ano, Rubens, professor da Universidade da Costa do Golfo da Flórida, em Fort Myers, entrou no teste clínico de um novo comprimido contra a hepatite C. Após três meses de tratamento, o vírus havia sido eliminado do seu corpo.

    “Fiz aniversário em setembro”, disse Rubens, 63. “Disse à minha mulher que não queria nada. Iria destoar da magnitude desse presente.” A medicina pode estar perto de virar o jogo contra a hepatite C, que mata anualmente mais americanos do que a Aids e é a principal causa de transplantes hepáticos. Se o esforço der certo, será uma rara conquista contra uma epidemia viral sem o uso de vacinas.

    “Não há dúvida de que estamos prestes a eliminar a hepatite C”, disse Mitchell Shiffman, diretor do Instituto do Fígado Bon Secours, da Virgínia.

    Nos próximos três anos, devem chegar ao mercado novas drogas capazes de curar pacientes com o vírus, em alguns casos com apenas um comprimido diário em oito semanas, e com efeitos colaterais mínimos.

    As atuais terapias curam cerca de 70% dos pacientes recém-tratados, mas exigem de 6 a 12 meses de injeções e acarretam efeitos colaterais terríveis.

    Os tratamentos com as novas drogas devem custar no mínimo US$ 60 mil, podendo chegar a mais de US$ 100 mil. O acesso poderia ser um problema nos países em desenvolvimento. Não há organismos internacionais nem entidades beneficentes que adquiram medicamentos contra a hepatite C, como acontece no caso de remédios contra o HIV e a malária.

    Estima-se que 150 milhões de pessoas no mundo estejam contaminadas com a hepatite C -três a cinco vezes o número de portadores do HIV. A maioria das pessoas infectadas não sabe disso. O vírus pode levar décadas para danificar o fígado a ponto de causar sintomas. Muita gente infectada com a hepatite C jamais sofre problemas sérios.

    A hepatite C é transmitida principalmente pelo compartilhamento de seringas, mas também pode ser contraída durante o sexo ou por transfusões de sangue. Nos EUA, o exame de sangue doado começou em 1992. Rubens, o paciente curado recentemente, acredita que foi contaminado há muito tempo, quando trabalhava como paramédico.

    O principal tratamento tem sido o interferon alfa, administrado em injeções semanais durante 24 ou 48 semanas, junto com cápsulas diárias de ribavirina. A combinação cura cerca de metade dos pacientes, mas os efeitos colaterais -anemia, depressão e sintomas semelhantes aos da gripe- podem ser debilitantes.

    As novas drogas foram concebidas para inibir as enzimas usadas pelo vírus da hepatite C na sua replicação, a mesma abordagem adotada no controle do HIV. Como no caso do HIV, duas ou mais drogas contra a hepatite C serão usadas juntas para impedir que o vírus desenvolva resistência.

    Se nenhum vírus for detectado no sangue 12 semanas após o fim do tratamento, praticamente não há chance de que o vírus regresse, e o paciente é considerado curado. O fígado danificado pode então se recuperar parcialmente, segundo os médicos.

    No entanto, pessoas que estiveram infectadas podem ter um risco maior de câncer hepático, especialmente se houver se estabelecido uma cirrose.

    As novas drogas que estão chegando ao mercado podem ser usadas em tratamentos de 12 a 24 semanas, possivelmente menos. Tom Espinosa, de Oakland, Califórnia, tem toda a pressa do mundo para que os novos tratamentos sejam oferecidos. Espinosa, 59, tem cirrose avançada e alguns pontos no fígado que podem indicar um câncer. Ele já tentou todos os tratamentos disponíveis, e nada funcionou, o que lhe deixa com inveja dos pacientes que foram curados.

    Mas muitas das combinações de novas drogas ainda não foram amplamente testadas. E as drogas provavelmente não irão funcionar bem em pacientes com cirrose severa ou que também estejam infectados com o HIV.

    Essas novas drogas, de empresas como Gilead Sciences, AbbVie e Bristol-Myers Squibb, provavelmente irão alterar o protocolo a respeito de quem recebe o tratamento e de quando. Muitos médicos estão incentivando seus pacientes a pararem seus tratamentos até que as novas drogas sejam aprovadas.

    “De maneira alguma irei colocá-los em um regime de interferon se estamos a um ano de termos regimes sem interferon”, disse Scott Friedman, chefe do departamento de doenças hepáticas da Escola de Medicina Icahn, do hospital Mount Sinai, em Nova York. Com os tratamentos mais toleráveis, faz sentido, segundo alguns especialistas, tratar a doença no estágio preliminar para evitar a cirrose e o risco de câncer hepático.

    O regime totalmente oral pode também tornar mais viável o tratamento de pessoas com maior propensão a espalhar o vírus -usuários de drogas injetáveis, moradores de rua e presos, muitos dos quais também portadores de problemas de saúde mental. “Não posso tratar um paciente instável de forma segura com interferon”, disse a médica Diana Sylvestre, de Oakland, na Califórnia. “Mas posso com total certeza lhe dar alguns comprimidos.”

    Fonte: New York Times

  • Fabricantes tentam seduzir público com cigarro eletrônico

    Fabricantes tentam seduzir público com cigarro eletrônico

    No início do século passado, fumar era uma alternativa aceita a mascar tabaco para os homens; para as mulheres, era ousado. Então, em meados do século, tornou-se a norma. Conforme os perigos do tabaco –e o comportamento escandaloso das companhias de cigarro em esconder esses perigos– tornaram-se impossíveis de ignorar, fumar assumiu uma nova identidade, como um mal social.

    Hoje os fabricantes de cigarros eletrônicos tentam conquistar a aceitação pública do “vaping” [algo como “vaporização”], como é conhecido o uso de seu produto. Mas alguns profissionais de saúde temem que aprovar o cigarro eletrônico possa desfazer décadas de trabalho de demonização do próprio hábito de fumar.

    Está em jogo um mercado que cresceu em poucos anos para cerca de US$ 4 bilhões em todo o mundo. Isso é pouco comparado com os US$ 90 bilhões do mercado de cigarros só nos Estados Unidos. Mas um analista de Wall Street projeta que os cigarros eletrônicos vão superar os comuns na próxima década.

    A NJOY foi uma das primeiras empresas a vender cigarros eletrônicos. Hoje existem 200 tipos nos EUA. No ano passado, as grandes companhias de cigarros entraram no jogo quando a Lorillard adquiriu a Blu, uma marca de cigarros eletrônicos, e demonstrou seu poder econômico. Em poucos meses a Blu deslocou a NJOY como líder de mercado.

    Craig Weiss, executivo-chefe da NJOY, ainda considera que sua empresa tem uma vantagem –ao fabricar cigarros eletrônicos com visual, sensação e funcionamento semelhantes aos da coisa real. É uma estratégia diferente da de produtos concorrentes, que parecem longos tubos prateados ou canetas finas e reluzentes.

    “Estamos tentando fazer algo muito desafiador: mudar um hábito que não apenas está arraigado, mas que as pessoas se dispõem a levar para o túmulo”, disse Weiss. “Para realizar isso, temos de estreitar o máximo possível a ponte para a familiaridade. Temos de facilitar para que os fumantes a cruzem.”

    Para alguns na saúde pública, uma preocupação é que tornar novamente aceito um comportamento semelhante a fumar, em vez de levar ao abandono, acabe reanimando o hábito e provoque novos casos de enfisema, doença cardíaca e câncer de pulmão.

    “A característica que poderia torná-los eficazes também é seu maior risco”, disse o doutor Tim McAfee, diretor do Departamento de Fumo e Saúde nos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

    O NJOY King, que custa US$ 7,99, é descartável e tenta entregar tanta nicotina quanto um maço de 20 cigarros. Outros tipos de cigarros eletrônicos são recarregáveis, e seus refis de nicotina fluida custam cerca de US$ 3 ou US$ 4.

    No interior do tubo de policarbonato do NJOY, há um circuito integrado, um pequeno chip de computador. Depois há uma bateria de íons de lítio e um pavio enrolado em algodão embebido em nicotina, glicerina e propilenoglicol. A bateria é ligada quando o usuário dá uma tragada no tubo, aquecendo o interior do dispositivo a cerca de 65 graus centígrados e transformando a nicotina em vapor.

    O eCigs da Blu, maior concorrente da NJOY, são tubos pretos finos com pontas que brilham em azul, não vermelho-brasa.

    Murray S. Kessler, presidente da Lorillard, descreveu seu visual como “moderno” e “bacana” e disse que a aparência lhe dá uma maior probabilidade de ser um “substituto completo” do cigarro.

    Os acionistas “não se importam se vendemos cigarros ou cigarros eletrônicos”, disse ele, desde que a companhia dê lucros.

    A Lorillard disse que vai gastar US$ 40 milhões neste ano em marketing, orçamento que representa 35% dos US$ 114 milhões em vendas da Blu no primeiro semestre deste ano.

    Duas outras empresas de cigarros estão explorando o mercado. O MarkTen, da Altria, pode ser recarregado e está sendo vendido em Indiana como teste. O Vuse, da R. J. Reynolds Tobacco Company, é um modelo prateado longo, que está sob testes no Colorado.

    Nos EUA, o departamento federal que administra remédios e alimentos (DEA), que tem o poder de regulamentar, mas não de proibir, os produtos de tabaco, disse que pretende emitir em breve regras preliminares para comentário público sobre a regulamentação do cigarro eletrônico. No mês passado, o Parlamento Europeu endossou limites para o patrocínio e a publicidade de cigarros eletrônicos e sua venda para menores, mas evitou regulamentos mais duros que os teriam classificado rigidamente como equipamentos médicos.

    A maioria das autoridades de saúde parece concordar que os níveis de toxinas dos e-cigarettes são muito mais baixos que os dos cigarros tradicionais. Mas elas também dizem que se sabe muito pouco sobre os aspectos potencialmente malignos de determinadas marcas e se há danos para os “fumantes passivos”. Um estudo publicado em setembro na revista médica britânica “The Lancet” descobriu que, após seis meses fumando cigarros eletrônicos, 7,3% dos usuários tinham parado de fumar tabaco. (O índice de eficácia dos adesivos de nicotina foi 5,8%.)

    Nos EUA, 40 secretários de Justiça pediram a regulamentação federal de “um produto viciante cada vez mais disseminado”. Eles destacaram um comercial de televisão do NJOY em que o produto é exatamente igual a um cigarro.

    Weiss não vê o problema: “Queremos que ele pareça ao máximo com um cigarro porque é assim que vamos fazer os fumantes mudarem de comportamento”.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • País tem 682 cidades em situação de risco ou alerta para epidemia de dengue

    País tem 682 cidades em situação de risco ou alerta para epidemia de dengue

    O Ministério da Saúde informou na manhã desta terça-feira (19), em Brasília, que 157 municípios brasileiros estão em situação de risco de sofrer uma epidemia de dengue neste verão, enquanto outros 525 se encontram em situação de alerta. Os dados são do Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (Liraa), que mediu o índice de infestação pelo mosquito em 1.315 cidades entre 1º outubro e 8 de novembro.

    As cidades em situação de risco ou alerta representam 52% das que participaram do levantamento. A região Nordeste é a que concentra a maior parte dos municípios em situação de risco.

    Segundo Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em Saúde do ministério, foram encontradas larvas do mosquito em duas a cada 100 casas pesquisadas para o levantamento.  A maioria em depósitos domiciliares: água parada em pratos de plantas, caixas de água abertas, por exemplo.

    O levantamento também revelou que três capitais estão em situação de risco: Cuiabá, Rio Branco e Porto Velho. Outras 11 – Boa Vista, Manaus, Palmas, Salvador, Fortaleza, São Luís, Aracaju, Goiânia, Campo Grande; Rio de Janeiro e Vitória –  apresentaram situação de alerta e seis estão com índices satisfatórios (Macapá; João Pessoa; Teresina; Belo Horizonte; Curitiba e Porto Alegre). Sete capitais – Belém, Maceió, Recife, Natal, São Paulo e Florianópolis – ainda não apresentaram ao Ministério da Saúde os resultados do Lira.

    Casos triplicam

    Em 2013, foram notificados 1.476.917 casos suspeitos de dengue. O número é quase três vezes maior que o do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 537 mil casos. A Região Sudeste teve o maior número de casos de dengue, sendo responsável por 63,4% deles. Em seguida aparece o Centro-Oeste, com 18,4%.

    O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, creditou o aumento do número de casos a dois fatores: as transições nos governos municipais e a proliferação do vírus tipo 4 da dengue, que aumenta a quantidade de indivíduos suscetíveis. Esse sorotipo afetou bastante a Região Sudeste – em especial Minas Gerais e Rio de Janeiro – além de Goiás, segundo o ministro.

    Apesar do aumento, o governo reforçou o fato de que houve diminuição de mortes e casos graves pela doença. “O número de internações teve redução de 30% em relação a 2010”, afirmou Barbosa. “Com melhoria de assistência, país conseguiu evitar 394 mortes por dengue este ano”, informou. Algo que tem a ver muito mais com o preparo de médicos na identificação precoce da doença do que com o combate ao mosquito.

    Segundo o ministério, o Brasil apresenta um dos menores índices de mortalidade por dengue nas Américas: 0,03 mortes para cada 100 notificações, metade da taxa registrada na Colômbia, por exemplo.

    Mais Médicos

    Padilha afirmou que está confiante no papel que os profissionais inscritos no Mais Médicos devem exercer na identificação precoce e redução de casos graves e mortes pela doença no ano que vem. “Mais de 80% dos médicos que vieram de fora têm vasta experiência no combate à dengue”, disse, citando o exemplo de Cuba, que teria apresentado um dos menores índices de letalidade ao enfrentar epidemia.

    Na próxima quinta-feira (21), equipes do Ministério da Saúde farão uma videoconferência para os médicos do programa focada na identificação e tratamento da dengue.

    Campanha

    Além de divulgar os resultados do Liraa, o Ministério da Saúde lançou hoje a campanha de mobilização nacional contra a doença, que conta com o ex-capitão da Seleção Brasileira Cafu como garoto-propaganda. O mote é “Não dê tempo para a dengue”.

    “Como a campanha mesmo diz, bastam 15 minutinhos, um intervalo de jogo, para fazer nossa parte e combater a dengue”, declarou Cafu na coletiva de imprensa.

    A ideia é aproveitar o envolvimento do brasileiro com o futebol e a Copa do Mundo e usar esse espírito para conscientizar a população sobre a prevenção do Aedes aegypti. “Hoje estamos iniciando o campeonato contra a dengue”, comparou. Padilha elogiou a atuação de capitão de Cafu e fez uma analogia ao combate à doença:  “São lideranças que precisamos em cada município, em cada bairro”.

    O ministro ainda anunciou destinará mais de R$ 363 milhões para ações de vigilância, prevenção e controle da doença. No ano passado, foram transferidos R$ 173,3 milhões. Em contrapartida, os municípios precisam cumprir metas como assegurar a quantidade adequada de agentes de controle de endemias, garantir a cobertura das visitas domiciliares pelos agentes e realizar o Liraa.

    Os recursos vão incrementar os investimentos realizados nas ações de vigilância em saúde, que somam R$ 1,2 bilhão.

    Fonte: Uol Saúde