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  • ” picada de mosquito

    ” picada de mosquito

    A empresa americana Sanaria ressuscitou a ideia de um casal brasileiro publicada há 44 anos e imunizou 12 pessoas contra malária com uma vacina experimental. Num dos subgrupos do teste, a eficiência alcançou 100%.

    O trabalho foi publicado ontem na versão eletrônica da revista “Science”. Os líderes do estudo são Stephen Hoffman, da Sanaria, e Robert Seder, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid) dos EUA.

    Trata-se do maior sucesso alcançado, até aqui, na longa e decepcionante luta para prevenir a doença, que em 2010 causou estimadas 660 mil mortes no mundo.

    Outra vacina, da empresa GSK, está em fase mais adiantada de teste, mas só conseguiu entre 47% e 55% de proteção. Para crianças, as principais vítimas, teve resultado ainda pior (33% a 37%).

    No Brasil, a doença está presente sobretudo na Amazônia, mas o número anual de mortes fica na casa das centenas. Isso porque predomina aqui o parasita Plasmodium vivax, menos perigoso que o P. falciparum, que causa a maior parte das mortes na África.

    O produto da Sanaria, apelidado de PfSPZ, emprega o microrganismo inteiro –no seu estágio de vida batizado de esporozoíto– para desafiar o sistema imune humano. A fim de impedir que essa versão do plasmódio desencadeie a doença, os esporozoítos são “nocauteados” (atenuados) com raios X.

    A vacina da GSK (conhecida como RST,S) usa só um pedaço do esporozoíto. Não pode, por isso, causar a doença, e terá vantagens práticas sobre a PfSPZ –se der certo.

    Os brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig desenvolveram a técnica de atenuação do esporozoíto com raios X a partir de 1965, quando se mudaram para a Universidade de Nova York. Irradiaram milhares de mosquitos e os puseram para picar recrutas americanos voluntários.

    Conseguiram imunizar os rapazes contra a malária, mas era só uma “prova de princípio”. Não há como vacinar milhões de pessoas assim.

    Hoffman partiu daí e criou um procedimento para obter os esporozoítos e injetá-los, dispensando as picadas. É um processo laborioso, que exige abrir as glândulas salivares dos insetos para coletar os microrganismos.

    Dois anos atrás, Hoffman e Seder testaram a vacina artesanal em humanos e descobriram que injeções subcutâneas não davam resultado satisfatório. Tentaram então, em julho e outubro de 2012, a imunização com injeção na corrente sanguínea (intravenosa), método impraticável em vacinações de massa.

    São esses os resultados relatados agora na “Science”. Um grupo de 40 voluntários recebeu injeções em doses e intervalos variados. Dos seis que receberam cinco injeções e dose máxima, todos acabaram imunizados, assim como seis dos nove inoculados quatro vezes com doses altas.

    Foi só mais uma prova de princípio. Não faltam obstáculos para a PfSPZ se tornar uma alternativa real para combater a malária.

    Primeiro, a Sanaria precisará encontrar uma maneira mais prática de obter os esporozoítos. Depois, provar que o produto funciona com um número maior de pessoas e por mais de um ano.

    Em seguida, terá de demonstrar que a PfSPZ é eficaz contra várias cepas do plasmódio. E, por fim, que pode dispensar o nitrogênio líquido para resfriar a vacina e as injeções intravenosas.

    A luta por uma vacina contra a malária tem vários anos pela frente.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Para médico espanhol que viveu em MT, período de preparação é curto.

    Cubano que trabalhou em RR vê benefício para populações pobres.

     

    As grandes distâncias e o contato com doenças que não estão habituados a tratar serão problemas que os profissionais estrangeiros que vierem trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo programa Mais Médicos terão de enfrentar, alerta o médico espanholJosé María Hernandez, que já atuou no país. Mas, na visão do cubano Josué Jesús Matos, que também já trabalhou no SUS, dificuldades como essas podem ser superadas com estudo, preparação e boa vontade.

    G1 ouviu a opinião dos dois médicos estrangeiros sobre o programa do governo federal que visa ampliar o número de profissionais em municípios no interior e na periferia das grandes cidades e, em alguns pontos, suas avaliações divergem. Formados na Espanha e em Cuba, eles trabalharam vários anos em postos de saúde e hospitais de Mato Grosso e Roraima, respectivamente, e são especializados em medicina da família.

    O espanhol José María Hernandez, que morou oito anos no Brasil, se mostra preocupado com o que os médicos de fora encontrarão no país. “Há patologias que nunca foram vistas na Espanha e são habituais no Brasil. E não falo de coisas estranhas. São problemas de parasitologia, doenças infecciosas”, aponta.

    O cubano Josué Jesús Matos, que trabalhou mais de dez anos no SUS, por sua vez, acha que é possível estudar, relembrar conteúdo da faculdade e se adaptar. “Ele [estrangeiro] vai chegar aqui e vai ter que aprender”, afirma. “Vai estudar a prática para resolver picada de cobra, para tratamento de malária”, exemplifica.

    Seleção

    O Mais Médicos teve demanda de 15.460 médicos para 3.511 cidades. Só 938 profissionais brasileiros (6% do total) foram selecionados na primeira rodada, número que deve aumentar com as próximas etapas de seleção.

    Está previsto para este sábado (10) o anúncio dos selecionados estrangeiros. Eles passarão por um período de três semanas de preparação no Brasil antes de começar a trabalhar, o que deve acontecer ainda em setembro.

    Durante a preparação, eles terão aulas de português, vão estudar o SUS, os procedimentos e medicamentos usados na saúde pública brasileira, e estarão sob avaliação.

    Cumprida essa etapa, os estrangeiros irão trabalhar. Cada médico terá um supervisor vindo de uma universidade federal que fará visitas periódicas – ainda não há definição sobre a frequência desses encontros. O supervisor também ficará à disposição para tirar dúvidas por telefone ou internet, segundo o ministério.

    O foco do Mais Médicos é na atenção básica, ou seja, consultas, tratamento de doenças e prevenção. Procedimentos mais complexos como cesarianas e cirurgias ficarão a cargo de outros médicos, que fazem o chamado atendimento secundário.

    Da Espanha para MT

    José María Hernandez morou no Brasil de 2002 a 2010. Passou a maior parte do tempo em Mato Grosso. Trabalhou no interior do estado, em São Félix do Araguaia, e na capital, Cuiabá.

    Atendeu como médico no Programa de Saúde da Família (PSF), em postos de saúde, em hospitais e deu plantão em pronto-socorros. Deu aulas em Mato Grosso e em Cacoal (RO). Atualmente, está na Espanha, mas pretende voltar ao Brasil.

    Hernandez diz que a imersão de três semanas é muito pouco tempo para que um médico estrangeiro se familiarize com doenças encontradas com frequência no interior do país, como malária e infecções por vermes.

    “Mato Grosso, por exemplo, é o estado com mais hanseníase no Brasil. Na Espanha temos um caso por ano. Aqui não existem parasitoses, e o vírus da dengue não circula.”

    Cubano foi para Roraima

    Já para o médico cubano Josué Jesús Matos, que atendeu pelo SUS por mais de 10 anos em Roraima, o Mais Médicos será positivo para as populações mais pobres no interior. Ele avalia que os estrangeiros terão dificuldades com o idioma no início, mas que, com o tempo, devem se adaptar.

    Matos afirma que o currículo dos cursos de medicina em geral inclui conhecimentos básicos de doenças tropicais, como malária e leishmaniose. “Em seis anos você estuda todas as doenças, noções básicas nós temos. Malária em Cuba, por exemplo, está erradicada”, aponta ele.

    O médico veio ao Brasil pela primeira vez em 1997, por meio de um convênio entre o Brasil e seu país, quando era estudante universitário, e ficou até 2001. Casou-se com uma brasileira e voltou a Havana, onde permaneceu por um ano – em 2002, decidiu instalar-se em Mucajaí, município de 15 mil habitantes a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, capital roraimense, onde está até hoje.

    Tanto o espanhol quanto o cubano fizeram a revalidação do diploma. Matos foi eleito prefeito de Mucajaí em 2012 e, desde então, não atende pelo SUS. Já Hernandez está na Espanha desde 2010.

    Diferenças na formação

    Hernandez mostra-se preocupado com a falta de experiência dos médicos espanhóis em tratar doenças recorrentes no interior do Brasil, como dengue e malária. Segundo ele, a formação em medicina de saúde da família na Espanha é focada no risco de problemas cardíacos, na prevenção do diabetes e na pneumologia. Os outros casos são encaminhados a especialistas.

    “Ninguém aqui [na Espanha] trabalha com hanseníase [na atenção primária]. A tuberculose é tratada por um infectologista. Os pediatras cuidam das crianças até os 14 anos. Aqui, um médico da família não trabalha com crianças de dois meses. No Brasil, o médico vai encontrar crianças recém-nascidas, gravidez de meninas de 15 anos, o que seria atribuição de um ginecologista.”

    Uma das saídas, na opinião do cubano Matos, está em se preparar e estudar a fundo as doenças que vão ser encontradas no Brasil e que foram vistas pelo médico em sua formação. “Uma vez que chegue e veja quais as doenças fundamentais do país, o médico vai estudar e relembrar o que já sabia”, avalia.

    O médico cubano lembra que encontrou um surto de malária quando veio ao Brasil. “Quando cheguei aqui [em Mucajaí], nunca tinha tratado um paciente com malária. Em 1997, havia um surto e a média era de mil pacientes com a doença por mês. Estudei malária, me dediquei, fiz capacitação do governo e pronto, tudo começou a caminhar”, diz.

    Críticas

    As críticas de Hernandez aproximam-se às de boa parte dos órgãos da categoria no Brasil, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), que se opõe a que médicos estrangeiros trabalhem no Brasil sem passarem pelo processo de revalidação de diploma. O Mais Médicos exige apenas que os profissionais estejam habilitados a trabalhar em seus países de origem.

    Até a questão geográfica pode ser um complicador, na opinião do espanhol. Pelo tamanho continental do Brasil, os conceitos de “longe” e “perto” de um estrangeiro dificilmente se aplicarão aqui.

    “As distâncias são muito grandes, e você não pode simplesmente encaminhar numa ambulância uma pessoa que vai demorar 24 horas para chegar num hospital onde há recursos para resolver [o problema do paciente]. Essa situação não existe na Espanha: você sempre tem um hospital a meia hora de distância.”

    Brasileiros primeiro

    Para Matos, o projeto do governo é positivo e acerta ao priorizar os brasileiros, para então convocar estrangeiros. A proposta pode “humanizar” mais a profissão e ajudar na medicina preventiva, acredita. “Há que se priorizar o médico brasileiro. Ele tem que conhecer o ser humano, conhecer o Brasil, para que o país tenha uma cobertura de 100% para a saúde e não só profissionais concentrados nas grandes cidades”, diz.

    A ideia de que os profissionais vão atender em locais isolados e longe de centros urbanos não corresponde totalmente à realidade, na avaliação do médico. Ele conta que, quando chegou a Roraima, em 1997, vindo com seus colegas de universidade, imaginava um local sem condições. “Estávamos preparados para o pior, mas não foi isso que encontramos. Encontramos tudo normal. Acho que os médicos estrangeiros vão enfrentar uma situação parecida, terão que conhecer [a região em que vão atender]”, diz.

    Para o prefeito de Mucajaí, é importante que o governo deixe claro aos estrangeiros onde e em quais condições eles irão atender, e que sejam dadas orientações quanto ao trabalho a ser realizado. Boa parte das vagas do Mais Médicos estão abertas em regiões próximas a grandes cidades, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.

    Sem cirurgias?

    O programa seleciona profissionais para atuar na atenção básica – por isso, Matos aponta que o trabalho não deve envolver cesarianas, cirurgias e procedimentos do atendimento secundário. O médico afirma que o trabalho no Mais Médicos vai ser essencialmente de prevenção e de controle de doenças diversas, desde hanseníase e malária até diabetes, hipertensão e hepatite.

    “Esse programa precisa da boa vontade dos profissionais, equipamentos básicos para medir a pressão, estetoscópio, um sonar para auscultar o bebê, uma balança para acompanhar o peso da grávida. Precisa de recursos mínimos, não precisa de [aparelho de] raio-X” , diz.

    Já o médico espanhol diz que a realidade pode ser bem diferente do que o programa propõe. Segundo ele, em cidades do interior, o médico que seria responsável pelos procedimentos mais complexos muitas vezes não fica à disposição e se dedica a outras atividades.

    “Existe o médico que vai para o posto de saúde por duas horas e depois vai para sua clínica privada. (…) Às vezes você se encontra num povoado de 5 mil habitantes e há cesarianas para serem feitas. Precisam de um cirurgião, e você está sozinho. Isso é uma realidade constante. Trabalhei no Pronto-Socorro de Cuiabá e, em mais de um plantão, eu cheguei e era o único clínico que havia porque os outros dois companheiros simplesmente não apareciam”, critica.

    Comunicação

    O agente comunitário de saúde será fundamental na comunicação com o paciente, diz o médico espanhol. Quando trabalhava no Brasil, ele contava com esses profissionais para entender queixas, sintomas e explicar o tratamento.

    “Em atenção básica, o paciente precisa receber educação sanitária. O pessoal humilde, carente, sempre olha para o médico com medo e desconfiança. Se é um médico com uma fala enrolada, a informação se perde, e o paciente não retém nada do que foi explicado”, argumenta.

    Com relação ao idioma, o médico cubano diz que os estrangeiros irão sofrer no início, mas que isso não deve ser impeditivo – em alguns meses eles já devem estar adaptados. “Passei por essa situação”, diz ele. “O meu idioma é o espanhol, eu cheguei em 1997 sem nenhum tipo de conhecimento do português.”

    “Nos primeiros meses foi difícil, mas foi rápido. Em três meses estávamos entendendo bem, consultando no interior”, recorda-se Matos. “Se o médico que vai vir [pelo programa] tiver uma preparação básica em português, de três a seis meses antes, é muito melhor.”

    Adaptação

    Apesar de ver dificuldades na adaptação dos profissionais estrangeiros no Brasil, o médico espanhol acredita que o resultado poderá ser positivo. “A formação em medicina de família na Espanha é de muito falar com o paciente, de muito tocar o paciente. Os pacientes percebem rapidamente que não é um médico que simplesmente olha a cara, prescreve e manda embora em dois minutos. E isso a população agradece.”

    Pedido de médicos

    Dez profissionais foram solicitados pelo município de Roraima através do programa Mais Médicos, afirma Matos. Eles devem complementar o trabalho de seis equipes de saúde da família que já têm médico, enfermeiro e demais profissionais e estão completas na cidade.

    Fonte: G1 Saúde

  • Mulheres que amamentam têm menor risco de Alzheimer, indica estudo

    Mulheres que amamentam têm menor risco de Alzheimer, indica estudo

    Pesquisas anteriores já mostravam que amamentar diminuía a chance de a mulher desenvolver outras doenças.

     

    Mães que amamentam seus filhos têm um risco menor de desenvolver Alzheimer, segundo um estudo recém-publicado pela Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.

    A pesquisa também indicou a possibilidade de haver uma ligação mais ampla entre os dois fatores, já que amamentar pode pode atrasar o declínio da condição cognitiva da mulher.

    Estudos anteriores já mostravam que a amamentação reduzia o risco de a mãe desenvolver outras doenças, mas esse é o mais indicativo no que diz respeito a transtornos cognitivos.

    O estudo mostra que alguns efeitos biológicos da amamentação podem ser os responsáveis pela redução do risco de se desenvolver a doença.

    Os pesquisadores estabeleceram três comparações hipotéticas, entre mulheres que amamentaram e outras que não amamentaram ou amamentaram menos, e verificaram reduções potenciais de até 64% no risco de as primeiras desenvolverem Alzheimer em relação às segundas.

    Eles advertem, porém, que não é possível quantificar com exatidão a redução potencial do risco de Alzheimer, por conta do grande número de variáveis envolvidas – como tempo de amamentação, histórico de saúde da mulher, número de gravidezes e casos de Alzheimer na família, entre outras.

    Progesterona e insulina

    Segundo uma das teorias levantadas pelos pesquisadores de Cambridge, amamentar priva o corpo do hormônio progesterona, para compensar os altos níveis de protesgerona produzido durante a gravidez.

    A progesterona é conhecida por dessensibilizar os receptores de estrogênios no cérebro – e o estrogênio tem um papel importante na proteção do cérebro contra o Alzheimer.

    Outra teoria se baseia no fato de que amamentar amplia a tolerância da mulher à glicose, restaurando sua tolerância à insulina após a gravidez, um período em que há uma redução natural da resistência à insulina.

    E o Mal de Alzheimer é caracterizado justamente pela resistência à insulina no cerébro (e consequentemente à intolerância à glicose), tanto que o mal de Alzheimer algumas vezes é chamado de diabetes tipo 3.

    Histórico de demência

    Publicada no “Journal of Alzheimer's Disease”, a pesquisa analisou 81 mulheres britânicas entre 70 e 100 anos, incluindo mulheres que sofriam ou não desse tipo de demência.

    Apesar de os cientistas terem estudado o caso de um grupo pequeno de mulheres, eles garantiram que isso não interfere no resultado da pesquisa, dados os fortes indícios da correlação entre amamentar e os riscos de se desenvolver Alzheimer.

    Eles disseram, no entanto, que a conexão entre os dois fatores foi bem menos presente em mulheres que já tinham um histórico de demência na família.

    Com base nos dados coletados com as mulheres estudadas, os pesquisadores formularam três casos hipotéticos para indicar o potencial de redução do risco de Alzheimer pela amamentação:

    No primeiro caso, na comparação de duas mulheres idênticas, uma que tivesse amamentado por 12 meses teria um risco 22% menor da doença em relação à outra que amamentou por 4,4 meses.

    No segundo, uma mulher que tenha amamentado por oito meses após uma gravidez teria um risco 23% menor do que uma mulher em condições idênticas, mas que tenha amamentado por seis meses após três gestações.

    No terceiro caso, a redução verificada foi de 64% para uma mulher que tenha amamentado em relação a outra idêntica que não tenha amamentado.

    'Doença devastadora'

    A pesquisadora Molly Fox, que conduziu o estudo juntamente com os os professores Carlo Berzuini e Leslie Knapp, disse esperar que a pesquisa sirva para estimular outras sobre a relação entre o risco de doenças e o histórico reprodutivo de mulheres.

    Fox espera ainda que as conclusões da pesquisa indiquem novos caminhos para lutar contra epidemia global de Alzheimer, especialmente em países em desenvolvimento.

    'Alzheimer é o transtorno cognitivo mais comum do mundo e já afeta 35,6 milhões de pessoas. No futuro, a doença deve atingir ainda mais países onde a renda é mais baixa', disse. 'Então é vital que sejam criadas estratégais de baixo custo e em grande escala para proteger as pessoas contra essa doença tão devastadora.'

    Além disso, o estudo abre novos possibilidades de se entender o que faz alguém suscetível a esse tipo de demência. Também pode servir como incentivo para mais mulheres amamentarem – algo que muitas pesquisas já comprovam que traz benefícios tanto para mãe quando para o bebê.

    Fonte: G1 Saúde

     

  • Crise econômica cria superavit de tapas e gritos em casa

    Crise econômica cria superavit de tapas e gritos em casa

    Criança sofre, todo mundo sabe. Também é óbvio que elas sofrem mais em época de crise, como na recessão americana de 2008 e 2009, nas mãos de mães estressadas. Mas será que todas sofrem da mesma maneira?

    Não, responde um estudo publicado na revista “PNAS”, da Academia de Ciências dos EUA. Sofrem mais não os filhos de mães desempregadas, mas de mães portadoras de uma variante de gene associada com impulsividade.

    Mais contraintuitivo ainda é outro achado do trabalho realizado em quatro universidades americanas (NYU, Princeton, Columbia e Penn State): quando a situação econômica melhora, essas mães impulsivas protagonizam menos episódios de agressão verbal e física contra filhos do que as portadoras da outra versão do gene.

    “Nosso estudo demonstra que os impactos dos genes e do ambiente não atuam independentemente, mas são deflagrados um pelo outro, pelo menos no que se refere ao comportamento materno abusivo”, diz Dohoon Lee, primeiro autor do artigo.

    Para chegar a essas conclusões, o grupo usou dados do Estudo sobre Famílias Frágeis e Bem-Estar Infantil (FFS), de Princeton e Columbia, que acompanha 5.000 crianças nascidas entre 1998 e 2000 em 20 cidades americanas.

    As mães foram entrevistadas sobre como tratavam os filhos quando eles tinham 3, 5 e 9 anos. O comportamento materno agressivo foi classificado com uma escala padronizada que abrange abusos verbais (como gritos) e físicos (como tapas e surras).

    Amostras do DNA das mães foram colhidas e testadas para verificar qual versão do gene DRD2 elas tinham. A proteína correspondente a esse trecho de DNA participa do controle dos níveis de dopamina no sistema nervoso, um neurotransmissor que ajuda a regular reações emocionais.

    A variante T do gene está associada com temperamentos impulsivos. A CC, com pessoas mais controladas.

    ANSIEDADE E ESTRESSE

    Esse conjunto de informações sobre variação do comportamento e predisposição genética foi então cotejado com dados sobre a situação econômica em cada uma das 20 cidades, como taxa de desemprego e índice de confiança do consumidor.

    Constatou-se o esperado, que sobram mais gritos e tapas para as crianças quando a economia piora, mas com algumas peculiaridades. A correlação mais forte não se dá com o nível de desemprego, e sim com seu aumento.

    “As pessoas podem ajustar-se a circunstâncias difíceis quando sabem o que esperar, enquanto o medo ou a incerteza sobre o futuro são mais difíceis de lidar”, afirma Sara McLanahan, de Princeton, coautora do artigo.

    O economista e escritor Eduardo Giannetti opina que o estudo na “PNAS” acrescenta uma dimensão ao custo de uma grande recessão que não está sendo computada –“e ela é considerável”.

    QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

    Giannetti ressalva que a variável de maior impacto, nas pesquisas de bem-estar subjetivo, é o nível de desemprego, como fator de depressão, ou até de suicídios. “Mas a economia comportamental leva muito a sério a percepção, que pode dominar o modo como a pessoa reage.”

    “O senso comum liga o estresse à sobrecarga, por exemplo de trabalho. Na verdade, do ponto de vista da resposta, tem mais a ver com a percepção de falta de controle da pessoa sobre o que lhe acontece”, afirma Marina Rezende Bazon, do Departamento de Psicologia da USP de Ribeirão Preto.

    Especialista em abuso parental, Bazon explica que o agressor típico é uma pessoa impulsiva, que impõe regras rígidas à criança e reage mal quando esta não as segue, o que toma por provocação. Seu nível de irritabilidade é maior, o que pode ser explicado por fatores biológicos.

    O curioso é que, nos períodos em que a economia melhora, ocorre uma inversão. Mães impulsivas se tornam menos propensas ao abuso do que as menos impulsivas.

    ORQUÍDEAS E DENTES-DE-LEÃO

    Mitchell Ginsberg, coautor do artigo, diz que ele reforça a hipótese “orquídeas e dentes-de-leão”.

    As mães portadores do alelo (variante) T, sensíveis como orquídeas, murcham em ambientes pobres. As demais, robustas como dentes-de-leão, florescem em qualquer lugar.

    Para Sara McLanahan, outra coautora, não se deve falar em genes “bons” ou “ruins”. Dohoon Lee recomenda “extrema cautela” na interpretação dos resultados. Ele não vê sentido em pesquisar quais variantes do gene DRD2 as mães carregam no DNA.

    Para Eduardo Giannetti, pesquisas sobre comportamento e biologia criam dilemas de política pública. Por exemplo: numa situação econômica hostil, e sabendo quem é vulnerável, caberia dar proteção extra às crianças?

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Chocolate pode prevenir declínio da memória

    Chocolate pode prevenir declínio da memória

    Um estudo com pessoas acima de 60 anos sem sintomas de demência mostrou que duas xícaras de chocolate quente melhoraram o fluxo sanguíneo no cérebro e melhorou a memória. O estudo foi publicado no periódico “Neurology”.

    Esta não é a primeira vez que o cacau é relacionado com a saúde vascular, e pesquisadores acreditam que isto é em parte devido a ele ser rico em flavonoides.

    No estudo, pesquisadores pediram a 60 pessoas com média de idade de 73 anos para beber duas xícaras de chocolate por dia – um grupo recebeu cacau com alto teor de flavonoides, enquanto que o outro, baixo teor. Eles não podiam consumir outro tipo de chocolate ao longo do dia.

    Testes com ultrassom no início do estudo mostraram que 17 deles tinham um fluxo insuficiente de sangue no cérebro. Não houve diferença entre aqueles que tomaram chocolate com alto ou baixo teor de cacau. Mas independente da bebida que foi dada, 88% dos que tinham problemas de fluxo sanguíneo começaram a mostrar melhora, inclusive nos testes cognitivos, comparados com 37% das pessoas que tinham fluxo sanguíneo normal no início do estudo.

    Exames de ressonância magnética em 24 participantes mostraram que pessoas com fluxo sanguíneo prejudicado tinham mais propensão a ter pequenas lesões cerebrais.

    – Estamos aprendendo mais sobre o fluxo sanguíneo cerebral e seu efeito nas habilidades de pensamento – afirmou à BCC o autor do estudo, Farzaneh Sorond, neurologista da Escola Médica de Harvard. – Como áreas diferentes do cérebro precisam de mais energia para completar suas tarefas, elas também precisam de maior fluxo de sangue. Esta relação, chamado acoplamento neurovascular, pode ter um papel importante em doenças como a de Alzheimer.

    Os pesquisadores afirmaram que a falta de diferença entre os pacientes que beberam alto ou baixo teor de cacau pode ter ocorrido porque talvez outro componente da bebida possa estar fazendo efeito ou porque apenas pequenas quantidades fossem necessárias.

    – Um tratamento com base no cacau poderia ser popular, mas ainda é muito cedo para formar conclusões sobre os seus efeitos – disse o diretor do centro de pesquisa de Alzheimer no Reino Unido, Simon Ridley.

    Fonte: O Globo

  • Nova gripe aviária tem episódio de transmissão entre humanos

    Nova gripe aviária tem episódio de transmissão entre humanos

    Uma mulher que cuidava do pai doente foi a primeira vítima a contrair diretamente de outra pessoa o vírus de gripe aviária H7N9, altamente letal. Segundo autoridades de saúde da China que relataram o caso, a notícia é preocupante, mas o parasita ainda não conseguiria sustentar uma pandemia em humanos.

    O pai, de 60 anos, e a filha, de 32, entraram na lista dos 43 mortos infectados com o vírus. Outros 91 pacientes contraíram o patógeno, mas sobreviveram ao contágio.

    O caso isolado de transmissão de uma pessoa para outra foi descoberto após uma investigação liderada pelo virologista Xian Qi, do centro epidemiológico de Nanquim.

    Para descartar a possibilidade de a mulher ter contraído o H7N9 de alguma ave, os pesquisadores entrevistaram pessoas próximas à família e vasculharam todo o bairro onde as vítimas moravam.

    Apenas o pai tivera contato confirmado com aves, pois ia regularmente a um mercado de animais vivos para comprar codornas que cozinhava para a família. Um vizinho criava dois cisnes perto da casa das vítimas, mas os animais não estavam infectados, mostrou um teste.

    Além de toda a investigação em campo, os cientistas sequenciaram a informação genética do vírus. A variedade que infectou o pai era tão similar à que infectou a filha que levou os pesquisadores a concluírem que, de fato, houve transmissão entre pessoas.

    O episódio de transmissão foi descrito pelos pesquisadores em estudo na revista “British Medical Journal”.

    Segundo os cientistas, apesar de a transmissão entre humanos ser a explicação mais provável para o caso, não há indício de que o vírus tenha criado capacidade de se disseminar de modo consistente de pessoa para pessoa.

    Os médicos entrevistaram 43 pessoas que entraram em contato com as duas vítimas citadas no estudo. Nenhuma delas foi contaminada –nem mesmo o genro do primeiro paciente, que também cuidara do homem adoecido.

    A mulher que contraiu o vírus, além disso, disse ter entrado em contato direto com secreções orais do homem infectado. “Ela teve exposição prolongada, direta e desprotegida a seu pai”, escreveram Qi e seus colegas no estudo.

    Para especialistas, o fato de o caso de transmissão ter sido isolado não é motivo para relaxar a vigilância sobre o H7N9. “Eventos ocasionais de transmissão são a regra, e não a exceção, para vírus de gripe que esporadicamente cruzam a barreira de espécies e chegam a humanos”, escrevem James Rudge e Richard Coker, sanitaristas britânicos que trabalham no Sudeste Asiático e assinam o editorial do “British Medical Journal”.

    Os dois alertam que os 134 casos da doença registrados até agora são a “ponta do iceberg”, pois infecções menos graves nem chegam ao conhecimento dos médicos.

    LETALIDADE

    “O lado bom disso é que a taxa de fatalidade real do vírus provavelmente é bem menor do que aquela observada entre casos confirmados”, dizem Rudge e Coker. O lado ruim, afirmam, é que “a oportunidade para que o H7N9 se adapte a humanos, ou se recombine por meio de infecções de gripes mistas, pode ser muito maior do que aquela para outros vírus de gripe aviária, como o H5N1”.

    Parte da preocupação dos cientistas saiu de um experimento feito com furões, mostrando que, entre esses mamíferos, o H7N9 já consegue se disseminar.
    Esse trabalho, liderado por Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Tóquio, também mostrou que o vírus sobrevive em macacos, mas não passa de um para o outro.

    Kawaoka sugere que o H7N9 passou a infectar humanos após um número relativamente pequeno de mutações, mas nenhum experimento de biologia molecular foi feito até agora para confirmar a suspeita.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Gordura saturada em excesso afeta o cérebro e pode diminuir a saciedade

    Gordura saturada em excesso afeta o cérebro e pode diminuir a saciedade

    A gordura saturada causa danos aos neurônios responsáveis pelo apetite.

    Para ficar satisfeito com menos comida, recomendação é ingerir mais fibras.

     

    Comer pouco e, mesmo assim, sentir-se satisfeito é uma receita importante para manter ou perder peso. No entanto, existem alguns alimentos que podem “sabotar” essa sensação de saciedade, como por exemplo, a gordura saturada de origem animal.

    Pesquisas mostram que essa gordura causa danos e até a morte dos neurônios responsáveis pelo controle do apetite, o que faz a pessoa se sentir menos saciada e com mais fome, como explicou o clínico geral Lício Velloso no Bem Estar desta quarta-feira (7).

    Esses neurônios ficam no hipotálamo e precisam ser preservados para que a pessoa se sinta saciada, coma menos e não engorde. Ou seja, além de gastar mais energia do que ingere, é importante evitar a ingestão de gordura saturada e manter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e fibras, que ajudam a aumentar a sensação de saciedade.

    Para comprovar a ação da gordura nos neurônios, um estudo da Universidade Estadual de Campinas acompanhou 13 obesos que passaram por cirurgia bariátrica e 9 magros – por meio de um exame, foi possível perceber que os obesos têm uma resposta cerebral da saciedade pior e, depois da cirurgia, essa resposta melhorou em alguns casos, mas nunca 100% porque provavelmente já houve perda de neurônios.

    Isso acontece porque o sistema imunológico interpreta a gordura saturada como um potencial risco já que certas bactérias prejudiciais ao corpo têm o mesmo tipo de gordura. Por isso, são produzidas citocinas para matar essa ameaça, o que causa uma inflamação e a perda dos neurônios. Com isso, a pessoa acaba comendo mais e tem o risco maior de desenvolver obesidade e todas as doenças associadas a ela, como diabetes, hipertensão, aterosclerose e até alguns tipos de câncer.

    Entre os alimentos que têm esse tipo de gordura e devem ser evitados, estão o bacon, bolos industrializados, biscoitos, chantilly e creme de leite. Por outro lado, existem os alimentos com fibras, que aumentam a sensação de saciedade já que demandam um tempo maior de digestão.

    A dica dos especialistas, portanto, é preferir cereais integrais, frutas com casca, verduras, legumes e também fontes de proteína, como iogurtes desnatados, queijos, carnes, ovos e castanhas. Além disso, opções como farelo de trigo, aveia e chia também são benéficas para serem associadas às refeições.

    Outra dica importante é fatiar os pedaços de alimento no prato – segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, isso dá a impressão de maior quantidade de comida e obriga a pessoa comer mais devagar. O fato de comer devagar, inclusive, é muito importante para ficar mais satisfeito no fim da refeição, como explicaram os especialistas.

    Ao contrário do que a maioria pensa, ingerir vegetais e queijo na hora do lanche aumentam muito mais a saciedade do que lanches calóricos.

    Antes das refeições principais, a recomendação é tomar um copo de água ou um líquido com baixa caloria, como chás, ou comer um prato de sopa de legumes, por exemplo, para sentar à mesa com menos fome e, assim, evitar excessos.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Equipamento promete melhorar diagnóstico do câncer de pele

    Equipamento promete melhorar diagnóstico do câncer de pele

    Uma nova tecnologia conhecida como tomografia de coerência óptica (OCT, na sigla em inglês) promete tornar o diagnóstico do câncer de pele mais preciso e menos invasivo. Em teste no A.C. Camargo Cancer Center, o método permite fazer uma espécie de biópsia virtual da lesão, confirmando a malignidade nos casos de dúvida e ajudando a definir as margens e as características do tumor – informações importantes para planejar o tratamento.

    O equipamento, adquirido com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), é semelhante ao ultrassom. Em vez de ondas sonoras, porém, emite um laser de baixa frequência – cerca de 1,3 mil nanômetros – capaz de produzir uma imagem tridimensional com alta resolução.

    “Isso nos permite realizar análises semelhantes às do exame histopatológico, feito com tecido obtido por meio da biópsia e, atualmente, considerado padrão ouro no diagnóstico do câncer de pele”, contou a dermatologista Gisele Gargantini Rezze, que coordena os experimentos em parceria com a patologista Maria Dirlei Begnami.

    Segundo Rezze, há outros métodos de imagem auxiliares no diagnóstico do câncer de pele, como a dermatoscopia – uma espécie de lupa digital capaz de aumentar em média 20 vezes a lesão e muito usada na rotina dos consultórios dermatológicos.

    Há ainda a microscopia confocal, equipamento experimental também adquirido pelo A.C. Camargo Cancer Center com auxílio da Fapesp, que usa um laser de 850 nanômetros para aumentar em até 900 vezes a lesão.

    “A resolução da microscopia confocal é até maior que a da tomografia de coerência óptica, mas o equipamento tem uma grande limitação: não dá a noção da profundidade da lesão”, explicou Rezze.

    A OCT oferece ainda outras vantagens, contou a pesquisadora. O exame dura apenas dois minutos e produz imagens em tempo real e em cortes transversais, com até 2,5 milímetros (mm) de profundidade – o que equivale à parte mais profunda da derme. Já a avaliação com microscopia confocal é mais trabalhosa, leva cerca de 40 minutos para ser concluída e gera apenas imagens em cortes horizontais, alcançando no máximo 1,5 mm de profundidade.

    “Às vezes a epiderme – parte mais superficial da pele – está normal e o tumor está na derme. Nos casos de reicidiva, por exemplo, é comum o tumor reaparecer embaixo da cicatriz da primeira cirurgia. Nessas situações, a tomografia de coerência óptica pode avaliar melhor e ajudar o médico a programar a cirurgia, pois oferece informações sobre a localização exata do tumor e de suas margens”, disse Rezze.

    O exame, contudo, não é para todos os pacientes, alertou a pesquisadora. Por ser um equipamento caro – em torno de R$ 130 mil –, é indicado principalmente na avaliação das chamadas lesões duvidosas, casos em que os médicos não conseguem confirmar a malignidade por meio das demais técnicas de diagnóstico por imagem.

    “Acredito que a grande vantagem da tecnologia será a redução das cirurgias desnecessárias. E isso representa economia de tempo e de dinheiro para pacientes e centros de saúde”, avaliou Rezze.

    Novos parâmetros

    Antes de ser incorporado à rotina médica, no entanto, o equipamento precisa ser mais bem estudado e compreendido. Além disso, sua acurácia diagnóstica precisa ser validada. Um dos objetivos da pesquisa coordenada por Rezze é estabelecer parâmetros que ajudem os médicos a interpretar as imagens geradas pela OCT.

    “Precisamos aprender a ler os resultados e a diferenciar um melanoma de uma pinta normal, por exemplo. Por isso vamos descrever os achados de diferentes tipos de lesão em diferentes regiões anatômicas e compará-los com os achados de exames histopatológicos e da dermatoscopia”, contou Rezze.

    De acordo com a pesquisadora, cerca de 15 centros em todo o mundo estudam atualmente o diagnóstico do câncer de pele por meio da OCT. A tecnologia também já é usada na avaliação de distúrbios oftalmológicos.

    Fonte: Uol Saúde

  • Mobilização pede atualização da tabela do SUS para exames laboratoriais

    Mobilização pede atualização da tabela do SUS para exames laboratoriais

    Sob a coordenação do Grupo de Trabalho sobre Análises Clínicas do Conselho Federal de Farmácia (CFF), profissionais e entidades ligadas à área estiveram, ontem (05.08) reunidos, em Brasília, para uma mobilização em favor da atualização da tabela de preços de exames pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os manifestantes se juntaram ao Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, o Saúde+10, que entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, mais de 1,8 milhão de assinaturas de apoio ao projeto de Lei que destina 10% das receitas correntes brutas da União para o SUS.

    A revisão da tabela SUS para procedimentos de análises clínicas é considerada pelo setor uma necessidade urgente. “Se nada for feito para atualizar a tabela de procedimentos, a população, infelizmente, correrá o risco de perder em qualidade e quantidade dos serviços prestados”, comentou o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Análises Clínicas (CFF) e Conselheiro Federal pela Bahia, Mário Martinelli Júnior.

    Atualmente, o valor pago por um exame de glicose, por exemplo, é de R$1,85, que sequer cobre as despesas com a realização do procedimento. “A proposta é envolver todas as instâncias que possam fazer gestão junto ao Ministério da Saúde pela rediscussão dos valores pagos aos laboratórios, o que vai garantir a sustentabilidade e a qualidade desses serviços essenciais aos usuários do SUS”, reforça a também integrante do Grupo, Lenira da Silva Costa, Conselheira Federal pelo Rio Grande do Norte.

    O CFF vai continuar em sua luta, com vistas a sensibilizar as autoridades parlamentares e do Governo sobre a precária situação dos laboratórios. “Há quase 20 anos os procedimentos previstos na tabela não têm a sua remuneração atualizada. O adequado financiamento do Sistema é uma condição fundamental para os serviços oferecidos pelos laboratórios sejam de qualidade”, lembra, Walter Jorge João, Presidente do CFF.



    Movimento Saúde + 10 

    O Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, o Saúde+10, entregou ao presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, nesta segunda-feira (5), mais de 1,8 milhão de assinaturas de apoio ao projeto de Lei que destina 10% das receitas correntes brutas da União para o SUS, durante um ato político que lotou o auditório da Câmara dos Deputados. A receita corrente bruta é a soma da arrecadação de tributos, impostos, contribuições e outras receitas recebidas pelo Governo Federal.
    (ver vídeo)

    As assinaturas foram recolhidas pelo Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, o Saúde+10. O movimento é integrado por mais de 100 entidades, entre elas, o Conselho Nacional de Saúde, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O auditório Nereu Ramos, na Câmara, ficou lotado durante o ato de entrega do projeto.

    Henrique Eduardo Alves afirmou que a proposta não vai ficar esquecida. “Tenham a certeza: esse projeto aqui não vai ficar engavetado nem ninguém vai sentar em cima dele nesta Casa.

    “Todos nós somos usuários do SUS e, por isso, temos o dever de defender que mais recursos sejam destinados ao Sistema. A grande diferença em relação a outros projetos destinados ao financiamento do SUS é que este tem o povo como protagonista”, comentou o coordenador do Saúde + 10, e Presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Ronald Ferreira. Na oportunidade, o Presidente da Fenafar agradeceu a participação ativa do CFF nas mobilizações em favor da saúde pública de qualidade e para todos.

    Nesta terça-feira (6), integrantes do Movimento Saúde+10 também vão se reunir com representantes do governo federal. Henrique Eduardo Alves prontificou-se a compor a mesa de negociações com a presidente Dilma Rousseff para sensibilizar o governo em relação à proposta. Segundo ele, a educação é fundamental para o País, mas, sem saúde, não se tem educação, uma vez que as crianças não conseguem ir à escola.

     

    Fonte: CFF 

  • UTI pode desencadear estresse pós-traumático, revela estudo

    UTI pode desencadear estresse pós-traumático, revela estudo

    Quando Lygia Dunsworth estava sedada, entubada e amarrada a um leito da unidade de terapia intensiva de um hospital em Fort Worth (no Texas), ela foi atormentada por alucinações. De sua janela, ela viu helicópteros salvando pacientes de um tornado iminente e a deixando para trás. Enfermeiras conspiravam para atirá-la nas águas de um lago revolto. Ela alucinou que fugia e se escondia em um frigorífico, cercada por partes de cadáveres.

    Anos depois de se recuperar fisicamente de infecções abdominais e cirurgias, Dunsworth continuava sendo atormentada por sua passagem pela UTI. Ela tinha perdido a memória de curto prazo e sentia dificuldades para dormir. Não conseguia entrar no mar ou em lagos e ficava aterrorizada com a ideia de voar de avião ou de viajar sozinha.

    Tampouco falava sobre isso. “As pessoas acham que você é louca”, disse Dunsworth, 54, enfermeira. Na verdade, ela estava tendo sintomas associados ao transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).

    Anualmente, cerca de 5 milhões de pacientes passam por UTIs nos EUA. Estudos mostram que até 35% deles podem sofrer de sintomas do TEPT por até dois anos depois dessa experiência, especialmente se a permanência tiver sido prolongada em decorrência de uma doença grave. Os sintomas persistentes incluem pensamentos intrusivos, tendência a evitar certas situações, oscilações de humor, insensibilidade emocional e comportamento imprudente.

    Segundo o médico O. Joseph Bienvenu, da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, “todos ficam atentos se um paciente, quando sai da UTI, consegue andar ou se ainda está fraco. Mas é raro que eles sejam examinados com relação a sintomas psiquiátricos”.

    Agora, médicos intensivistas estão tentando evitar ou abreviar a duração dos transtornos. Outros pacientes com TEPT geralmente têm seus sintomas associados a episódios que podem ser corroborados. O que é perturbador para os pacientes pós-UTI é que ninguém pode verificar seus horrores aparentemente reais.

    “Os pacientes de UTI têm lembranças vívidas de fatos que objetivamente não ocorreram”, disse Bienvenu. “Eles se lembram de serem estuprados e torturados, em vez do que realmente aconteceu”, como procedimentos dolorosos como a inserção de cateteres e acessos intravenosos.

    No Reino Unido, Alemanha e alguns países escandinavos, as enfermeiras de muitas UTIs mantêm um diário do atendimento prestado ao paciente, com acréscimos da família, que é entregue após a alta. Os diários servem como contraponto às alucinações ou à amnésia dos pacientes.

    O próprio ambiente da UTI pode parecer sinistro: luzes aterrorizantes e indiferentes ao sono; cacofonia de máquinas e alarmes.

    As mulheres podem estar mais propensas ao TEPT do que os homens, assim como pacientes com histórico de depressão.

    Mas os pesquisadores começaram a identificar o tratamento que leva às lembranças mais assustadoras: a sedação, que é crucial na UTI para administrar a dor e para obrigar os pacientes a ficarem parados. Acredita-se atualmente que uma classe de sedativos conhecida como benzodiazepinas, que inclui a droga Valium, possivelmente intensifique as alucinações que são tão assustadoras para pacientes de UTIs.

    Em janeiro, a Sociedade de Medicina Intensivista divulgou novas diretrizes de sedação, solicitando aos médicos de UTIs que tratem a dor em primeiro lugar, para só então cogitarem o uso de benzodiazepinas contra a ansiedade. Uma sedação mais leve parece estar associada a uma melhor recuperação física e cognitiva e também a alucinações menos frequentes e assustadoras.

    A médica britânica Sarah Wake era uma estagiária de 25 anos quando foi entubada e sedada, em 2011, após ter uma reação severa a uma medicação. Para ela, as lembranças delirantes e fragmentárias dificultam seu entendimento sobre o que aconteceu. “Isso impediu minha recuperação psicológica e levou ao desenvolvimento do TEPT.” Durante meses, ela foi incapaz de trabalhar em um hospital.

    Essa tendência a evitar situações, disse James Jackson, do departamento de medicina intensivista da Escola de Medicina da Universidade Vanderbilt, em Nashville (no Tennessee), está entre os sintomas mais debilitantes do TEPT. “Esse fenômeno não é incomum”, disse ele. “E dificulta que os indivíduos que precisam de ajuda deem os passos necessários para obtê-la.”

    Fonte: New York Times