Categoria: Notícias

  • Anvisa publica novas regras para medicamentos em teste

    Anvisa publica novas regras para medicamentos em teste

    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou ontem (13) novas regras para o uso de remédios ainda em desenvolvimento pela indústria farmacêutica.

    O objetivo da norma, publicada no “Diário Oficial da União”, é oficializar práticas já desenvolvidas pelas farmacêuticas. Uma das regras, por exemplo, deixa estabelecida a obrigação de continuar a entregar remédios experimentais aos pacientes após o fim da pesquisa de que participaram.

    Também há a garantia de entrega de medicamentos após o fim da pesquisa ao grupo de “acesso expandido” –pessoas que têm perfil semelhante ao das que foram escolhidas para participar do estudo, mas que acabaram sendo excluídas.

    Segundo a norma, “deverá ser garantido o fornecimento do medicamento autorizado nos programas de acesso expandido, uso compassivo e fornecimento de medicamento pós-estudo nos casos de doenças crônicas enquanto houver benefício ao paciente, a critério do médico”.

    Fonte: Anvisa

  • Primeiro mês do Mais Médicos tem 1.096 profissionais brasileiros e 522 do exterior

    Primeiro mês do Mais Médicos tem 1.096 profissionais brasileiros e 522 do exterior

    O primeiro mês do Programa Mais Médicos teve  um total de 1618 profissionais –1.096 brasileiros e 522 formados fora do país – inscritos. O número representa 10% da demanda dos munícipios por médicos. Os dados foram apresentados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (14) em Brasília.

     

    Segundo o secretário do Ministério da Saúde Mozart Sales, do total de inscritos, 761 médicos vão para regiões consideradas de alta vulnerabilidade. Sales também informou que 68% dos participantes possuem registro profissional no Brasil, 58% são homens, e 71% se formaram nos últimos 10 anos.

    Dos 522 médicos inscritos com registro fora do país, 164 deles são brasileiros formados em outros locais, como Espanha, Cuba, Argentina e Portugal. Destes, 56% irão para a periferia e 44% para regiões de alta vulnerabilidade. Estes médicos vieram de 32 países; 63% deles são homens e a maioria está no primeiro terço da carreira. Muitos dos médicos de fora do Brasil vieram de regiões de fronteira com outros países, segundo o secretário.

    O programa irá atender 579 municípios e 18 distritos sanitários indígenas, o que representa apenas 16% dos que fizeram inscrição para receber médicos. Desses, mais da metade está em situação de extrema pobreza. Dos 3.511 municípios inscritos, 703 não foram selecionados por nenhum médico. 

    O Nordeste foi a região com maior contingente de vagas preenchidas, com um total de 547 médicos. No Centro-Oeste, 158 homologaram as inscrições. No Sudeste, houve 371 homologações e, no Sul, 103.

    Os profissionais inscritos vão receber uma bolsa de R$ 10 mil reais. Segundo o edital, quem desistir nos primeiros meses do programa terá que reembolsar os valores recebidos a título de ajuda de custo e passagens. O mesmo vale para médicos que exercerem a profissão fora do SUS. No caso de estrangeiros, o profissional ainda terá seu visto cancelado.

    O ministro da Saúde Alexandre Padilha frisou que o resultado desse primeiro mês de inscrições mostra que faltam médicos para atuar em regiões carentes do país. 

    Padilha lembra que em 19 de agosto o sistema será reaberto novamente para inscrição de municípios e, depois, haverá uma nova seleção no final do ano. “Queremos evitar troca de médicos e impedir que profissionais troquem os vínculos com a prefeitura onde atuam para entrar no programa. É o Mais Médicos e não o 'troca de médicos'”.

    O ministro disse que ainda há médicos de dentro e fora do país interessados no programa. “Vários que concluíram a formação agora em julho expressaram interesse. E há também profissionais de outros países, que estavam de férias, também interessados”.

    Para ele, o mais importante é que “6 milhões de pessoas passarão a ser atendidos a partir de setembro e 95% do municípios que solicitaram médicos executaram ou estão executando melhorias na infraestrutura”

    Estrangeiros

    Entre 15 a 18 de agosto, há um contigente de profissionais que terá de fazer a validação final de sua documentação para que seja emitida a passagem, o que acontecerá após verificação de todos os dados. Já entre 23 e 25 agosto, os médicos estrangeiros receberão um curso de acolhimento para iniciar sua atuação no território brasileiro.

    Em setembro, esses médicos com registro do exterior, inclusive brasileiros, irão se concentrar em oito capitais para avaliação e acolhimento. Serão três semanas iniciais para avaliação da língua portuguesa e instruções sobre doenças tropicais. Além disso, os profissionais vão passar por avaliações e receberão conteúdos das instituições vinculadas ao programa. Aqueles que forem aprovados chegarão em 1º de outubro aos municípios escolhidos.

    “Eles não farão a revalidação do diploma. Quem irá avaliar a qualidade desses profissionais são as universidades federais vinculadas ao programa. Eles serão acompanhados durante três semanas e queremos um profissional com dedicação total ao SUS, à periferia ou ao interior, não que venha para abrir sua clínica”, explicou Padilha.

    Fonte: UOL Sáude

     

  • Filho de mãe obesa tem risco 35% maior de morrer mais jovem

    Filho de mãe obesa tem risco 35% maior de morrer mais jovem

    Quem tem mãe com sobrepeso também é prejudicado: risco aumenta 11%.

    São necessárias estratégias de controle de peso antes de gravidez.

     

    Os filhos de mães obesas têm 35% mais risco de morrer prematuramente na idade adulta, revela um estudo publicado nesta quarta-feira pelo “British Medical Journal” (BMJ), que alerta sobre a crescente epidemia de obesidade.

    Os pesquisadores analisaram, na Escócia, 37.709 filhos de 28.540 mulheres nascidos entre 1950 e 1976. Durante o estudo, estas pessoas tinham entre 34 e 61 anos, e 6.551 já haviam morrido, por diferentes causas.

    No momento de dar à luz, 21% das mães tinham sobrepeso (índice de massa corporal – IMC – entre 25 e 29,9) e 4% eram obesas (IMC igual ou superior a 30).

    Segundo os pesquisadores, o risco de morte prematura aumenta em 35% entre os adultos nascidos de mães obesas e em 11% no caso de mães com sobrepeso em relação ao grupo nascido de mães com peso normal.

    Os adultos nascidos de mães obesas têm 42% mais probabilidade de ser hospitalizados por problemas cardiovasculares que os demais, destaca o estudo. “É necessário se criar urgentemente estratégias de intervenção para controlar o peso antes da gravidez”, advertem os autores, lembrando que uma a cada cinco mulheres grávidas na Grã-Bretanha é obesa.

    Nos Estados Unidos, cerca de 64% das mulheres em idade fértil têm sobrepeso, incluindo 35% de obesas, e a tendência é similar na Europa.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1,4 bilhão de pessoas com mais de 20 anos tinham sobrepeso em 2008, incluindo 300 milhões de mulheres e 200 milhões de homens obesos.

    Os casos de obesidade têm se multiplicado em escala mundial desde 1980, quando o percentual de mulheres obesas na hora do parto era de 4%, lembra a professora Rebecca Reynolds, autora do estudo.

    Fonte: Bem Estar

     

  • Consumo em excesso de certos alimentos aumenta o risco de câncer

    Consumo em excesso de certos alimentos aumenta o risco de câncer

    A ligação entre alimentação e o surgimento ou agravamento de doenças está cada dia mais evidente. E o oposto também: cada vez mais estudos provam que alguns alimentos podem melhorar a saúde.

     

    No caso do câncer, não só o consumo em excesso e por longos períodos de alguns alimentos, como até mesmo o modo de prepará-los, pode colaborar para que a doença surja. Neste grupo entrariam gorduras e frituras, por exemplo.



    Os apreciadores da carne bem passada e escura do churrasco correm riscos, pois este tipo de carne tem a presença de nitrosaminas, compostos químicos cancerígenos. Comer alimentos com excesso de sódio também pode provocar o aparecimento de câncer de estômago.



    “Já sabemos que a alimentação tem forte relação com câncer de intestino, estômago, próstata e da mama”, conta o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Junior, diretor do Núcleo de Câncer Colorretal do A. C. Camargo, . Porém, ele admite que ao tentar modificar o fator dieta dos pacientes, não viu grandes impactos.

    “A alimentação não age sozinha. Quando falamos em prevenção de doenças, é preciso pensar no comportamento geral, sendo que o sedentarismo é um fator importante. A doença surge quando não há um equilíbrio no metabolismo, o que causa obesidade, sobrepeso e diabetes, por exemplo”, diz o oncologista.

    O oncologista clínico Hezio Jadir Fernandes Jr., diretor do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), conta que entre 50% e 60% dos casos de câncer surgem por alteração ambiental: “Dentro dessas alterações estão os hábitos alimentares. Eles podem ser nefastos e há aqueles que podem ser chamados de protetores”.

    Ele inclui na classe de nefastos os alimentos gordurosos, aqueles com excesso de proteína, pobres em fibras vegetais e vitaminas. Os protetores seriam os ricos em vitaminas, fibras e antioxidantes. Mas o médico avisa: “Semear o pânico é pior que a doença em si. A pessoa não pode pensar 'vou comer isso e terei câncer'. Graças aos avanços tecnológicos, estamos conseguindo detectar subpopulações com risco de desenvolver a doença”.

    Carne vermelha

    A nutricionista Renata Souza Alvim, do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), conta que não é correto dizer que determinados alimentos fazem mal, pois todos são importantes para o funcionamento adequado do organismo e devem ser consumidos moderadamente.

    Ela enfatiza que as carnes podem ser fontes valiosas de nutrientes, em particular proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Porém, também alerta que o consumo em excesso das vermelhas ou processadas é causa comprovada ou provável de alguns tipos de câncer: “Padrões alimentares com elevados níveis de gordura animal são fontes ricas de energia, aumentando o risco de ganho de peso e, em consequência, doenças. Pessoas que comem carne vermelha regularmente devem consumir menos de 500g por semana, incluindo pouca ou nenhuma quantidade da versão processada”.

    A nutricionista Thais Manfrinato, do Hospital A. C. Camargo, concorda: “O excesso de peso e a obesidade também são considerados fatores de risco para cânceres de mama, intestino, próstata e endométrio. Por isso, alimentos gordurosos, como frituras, leite e derivados na forma integral e molhos prontos devem ser evitados, pois facilitam o aumento do peso. Assim como doces, que levam à obesidade mais facilmente”.

    Porém, Manfrinato afirma que ao falarmos de alimentação e câncer, devemos tomar muito cuidado com as informações que são passadas, pois nem sempre o que se propaga por aí é algo que já foi comprovado cientificamente.  

    Agentes cancerígenos

    Manfrinato conta que já está bem comprovado que o consumo excessivo de carne vermelha cozida por semana aumenta em 35% o risco de câncer de intestino grosso e o consumo excessivo de embutidos (presunto, linguiça, salsicha) aumenta o risco em cerca de 50% de desenvolver este mesmo tipo de câncer.

     “Os embutidos ainda aumentam risco de câncer de esôfago e estômago, por conterem nitrito como conservante. Também é bem elucidado que o consumo de fibras auxilia na prevenção de vários tipos de câncer e é bem relacionado com a prevenção do câncer de intestino e mama”, afirma ela. Nitritos e nitratos, muitos utilizados como conservantes, são conhecidos como agentes cancerígenos.

    Samuel Aguiar Júnior diz que as nitrosaminas são usadas como conservantes, especialmente da carne processada, e que mesmo sendo perigosas, não há como tirá-las da indústria alimentícia: “O certo é evitar o consumo em excesso”.

    As nutricionistas concordam que se deve manter não somente hábitos alimentares saudáveis, mas também um estilo de vida saudável, incluindo a prática de atividade física, a baixa ingestão de bebidas alcoólicas e a exclusão do fumo. “Quando falamos em prevenção do câncer, temos que lembrar que é uma somatória de diminuição da exposição aos fatores de risco, como os citados acima”, diz Manfrinato.

    Frutas & verduras

    Ela também afirma que uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e pobre em açúcares, doces,  gorduras e carne vermelha previne vários tipos de câncer. Sobre os vegetais, Aguiar Júnior acrescenta: “Pode usar e abusar, apesar dos agrotóxicos”.

    Alvim dá algumas dicas práticas: “Lave as mãos e utensílios com água e sabão antes de iniciar o preparo dos alimentos, lave bem todas as frutas e verduras que for ingerir cruas, deixe-as de molho em solução clorada por 20 minutos (um litro de água com uma colher de sopa de água sanitária) ou utilize produtos industrializados para desinfecção (hipoclorito) sempre seguindo as instruções do rótulo. Por fim, aumente a ingestão de água, tomando pelo menos dois litros por dia, sempre filtrada”.

    Suplementos

    Samuel Aguiar Júnior frisa que consumir fibras para contrabalançar o excesso de ingestão de carne vermelha não funciona. O mesmo vale para suplementos, e faz um alerta: “As pessoas não devem se apegar aos suplementos, pois estes não irão compensar uma má alimentação. Isso não acontece e sabemos bem”.  

    Ele cita um estudo com pacientes da cidade de São Paulo com câncer de intestino feito pelo Hospital A. C. Camargo, onde atua, sobre o consumo de folato.  “Uma aluna minha de pós-graduação fez este trabalho. Estávamos procurando deficiências de ácido fólico e não encontramos. Pelo contrário. Muitos pacientes usavam ácido fólico sem indicação médica”.

    O oncologista diz que isso não pode ser considerado a causa da doença, mas que não é algo positivo para a saúde. “Podemos dizer que não há deficiência de ácido fólico na população da cidade de São Paulo. Porém, o correto é consumi-lo apenas com indicação médica”.

    Vinho e genética

    Hezio Jadir Fernandes Jr. conta que estudos já demostraram que o vinho, por ser rico em flavonoides, protege contra algumas doenças coronárias. E agora, parece que seus efeitos benéficos também poderiam prevenir o câncer. “Isso graças a ação dos antioxidantes no organismo”, explica o médico.

    Já Samuel Aguiar Júnior lembra que o vinho tem dois lados. O bom, as uvas e o ácido tânico, e o ruim, que seria o álcool. “Seu maior consumo é citado nos países ao redor do Mediterrâneo e sempre associado à famosa dieta mediterrânea, que inclui uma ótima alimentação, sem esquecer das atividades físicas”.  Assim, ele recomenda que a bebida seja apreciada com moderação.

    Muito importante, na opinião de Fernandes Jr., é que pessoas com histórico familiar da doença, além dos cuidados alimentares, fiquem atentas aos possíveis sinais e façam os exames preventivos, sempre com acompanhamento médico.

    Fonte: Uol Saúde

  • Revisitar lugares que trazem boas memórias ajuda a relaxar, segundo pesquisas

    Revisitar lugares que trazem boas memórias ajuda a relaxar, segundo pesquisas

    Com coisas que vão de um parquinho de diversões antigo até uma corrida de zumbis apocalípticos, adultos acrescentam saudades da infância à diversão do verão.

    Pesquisadores dizem que isso é saudável. Constantine Sedikides, professor de psicologia social e de personalidade na Universidade de Southampton, na Inglaterra, falou que pensar nos velhos tempos, nos velhos amigos e nas partidas de basquete da universidade o ajuda a relaxar. “Eu não conseguia deixar de pensar no passado”, contou ao “NYT”. “A nostalgia me fazia sentir que minha vida tinha raízes e continuidade.”

    Sedikides disse que as pesquisas constataram que essas recordações são importantes para nós. “A nostalgia nos faz um pouco mais humanos.”

    Para algumas pessoas “nostalgizar”, como diz Sedikides, significa voltar aos lugares onde verões foram desfrutados na infância. Bruce Feiler levou suas filhas num fim de semana para conhecer acampamentos de férias no Maine, e a viagem incluiu um acampamento que ele frequentou quando era menino.

    “Assim que pisei sobre as agulhas de pinheiros, caminhei pela margem do lago e vi os jarros de refresco, uma onda de nostalgia tomou conta de mim”, escreveu no NYT. “Fui carregado de volta para um tempo de cantorias em volta da fogueira.”

    Gritos tomaram o lugar de cantorias em Nova Jersey quando Jen Gresh, 41, realizou com amigas uma de suas fantasias de adolescência: combater um apocalipse de zumbis.

    Ela e suas amigas do colégio se reencontraram anos depois da época em que faziam festas de pijama e assistiam a filmes de zumbis, nos anos 1980. Agora, tiveram que fugir de atores fortemente maquiados representando zumbis, todos participando de uma corrida de cinco quilômetros.

    “Sempre visualizávamos que, no apocalipse dos zumbis, as garotas da classe de 89 ficariam juntas”, contou uma das amigas de Jen, Tina Durborow, 42.

    De acordo com Sedikides, a experiência de fugir dos zumbis pode acrescentar um toque de nostalgia aos sonhos mortos-vivos das amigas.

    “Eu não perco uma oportunidade de construir memórias que um dia serão motivos de nostalgia”, falou o professor, que começou a pesquisar a “nostalgia antecipatória”. Ele disse que vai buscar e criar momentos dos quais, no futuro, possa se recordar sorrindo. Assim, está preparando sua nostalgia futura.

    Existem outras maneiras de curtir um pouco de diversão infantil neste verão (no hemisfério norte). Uma delas é um parquinho de diversões que proporciona aos visitantes um gostinho do século 19.

    Régis Masclet levou o Fête Paradiso de Rennes, na França, para Nova York. Há dois brinquedos com barcos balançantes (um para crianças e um para adultos), um carrossel de bicicletas de 1897 e um carrossel de cavalinhos de 1850.

    “Prefiro ter os brinquedos ao ar livre e não em um museu. Quero que estejam num lugar onde pessoas de todo tipo possam se reunir e se divertir com eles”, disse Masclet ao “NYT”, falando de seus cavalinhos de madeira esculpidos manualmente.

    Ele passou um fim de semana de verão na ilha Governors, em Nova York, com seus dois filhos e sete outros franceses, preparando brinquedos antigos para serem visitados. Hoje os brinquedos funcionam com eletricidade, mas, no passado, vapor era impelido por mastros ocos para mover muitos dos carrosséis. Mas, desde os cavalos até os dragões, quase todas as partes móveis dos carrosséis são “vintage”.

    Depois que o parquinho deixar Nova York, em setembro, organizadores esperam levá-lo para outras cidades americanas. Masclet não tem receios quanto ao sucesso de seu parque de diversões “vintage”. Quando ele promoveu algo semelhante em Rennes, em 2011, foi um sucesso.

    Fonte: New York Times

  • Pesquisa aponta relação entre gene que causa câncer e autismo

    Pesquisa aponta relação entre gene que causa câncer e autismo

    Pesquisadores que olhavam para duas condições aparentemente não relacionadas –autismo e câncer– descobriram que algumas pessoas com o transtorno de comportamento têm mutações em genes ligados ao câncer. Essas alterações podem causar o autismo.

    Cerca de 10% das crianças com mutações em um gene chamado PTEN –que causa câncer de mama, cólon e tireoide e em outros órgãos– têm autismo. Metade das crianças com alterações genéticas que causam alguns tipos de câncer de cérebro e rim também têm o transtorno.

    O achado, porém, poderá ser aplicado a uma pequena parcela de pessoas com autismo; na maioria dos casos, a causa permanece desconhecida. Além disso, nem todos com a mutação desenvolverão autismo ou câncer.

    Fonte: New York Times

  • Termina nesta segunda-feira o prazo de homologação no Mais Médicos

    Termina nesta segunda-feira o prazo de homologação no Mais Médicos

    Prazo vale para brasileiros que fizeram remanejamento e estrangeiros.

    Na terça-feira, lista se médicos e de municípios será publicada em DO.

     

    Termina nesta segunda-feira (12) o prazo de homologação no programa Mais Médicos para médicos brasileiros que participaram do remanejamento e para médicos com registro profissional no exterior.

    Na terça-feira, será publicada a lista de profissionais brasileiros e formados no exterior e seus respectivos municípios no Diário Oficial da União.

    Diante da baixa adesão na primeira rodada de contratações, o Ministério da Saúde decidiu permitir que os profissionais brasileiros que já haviam escolhido um município para trabalhar, mas não haviam homologado a presença ou não foram alocados, pudessem escolher novos locais para atuar. Conforme o ministério, 367 médicos brasileiros voltaram a indicar opções de municípios para trabalhar. Eles também terão até a próxima segunda para confirmar sua participação no programa.

    O foco do Mais Médicos é na atenção básica, ou seja, consultas, tratamento de doenças e prevenção. Procedimentos mais complexos como cesarianas e cirurgias ficarão a cargo de outros médicos, que fazem o chamado atendimento secundário.

    O Mais Médicos teve demanda de 15.460 médicos para 3.511 cidades. Só 938 profissionais brasileiros (6% do total) foram selecionados na primeira rodada, número que deve aumentar com as próximas etapas de seleção.

    Entre os candidatos formados no exterior, 715 foram escolhidos, 194 brasileiros que estudaram fora do Brasil e 521 estrangeiros.

    Fonte: G1

  • IBGE começa nesta segunda coleta para Pesquisa Nacional de Saúde

    IBGE começa nesta segunda coleta para Pesquisa Nacional de Saúde

    Cerca de mil entrevistadores visitarão 80 mil domicílios em 1.600 municípios.

    Pela primeira vez, morador selecionado fará exames de laboratório e pressão.

     

    IBGE lançou, na manhã desta segunda-feira (12), na sede do Centro do Rio, a Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS). Para saber como está a saúde no Brasil e o estilo de vida da população, até novembro, cerca de mil entrevistadores visitarão 80 mil domicílios em 1.600 municípios em todo o país. A pesquisa também tem o objetivo de produzir dados sobre o acesso e uso de serviços de saúde.

    Pela primeira vez, por meio de perguntas e exames, uma pesquisa do IBGE busca conhecer as relações entre o estilo de vida e a saúde da população e produzir informações sobre o atendimento à saúde nas redes públicas e particular. A coleta da PNS começa nesta segunda pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rondônia, Roraima, Amapá e Rio Grande do Sul. Segundo o IBGE, nas próximas semanas, a análise alcançará todas as unidades da federação.

    “Nós ampliamos o questionário. Seguimos no que diz respeito a entrevistar os moradores de domicílio, nos temas de utilização dos serviços de saúde e acesso, mas ampliamos com sorteio de um morador específico, que responderá questionário específico com temas atuais, como acidentes e violências, fatores de risco, deficientes, idosos, uma série de fatores. Eles serão pesquisados”, explicou Debora Malta, diretora de departamento de pesquisa do IBGE.

    Exames de sangue e urina

    A escolha desse morador será feita aleatoriamente pelo computador de mão do agente de pesquisa, no momento da entrevista, informou o IBGE. Na segunda etapa da pesquisa, aplicada em 25% das áreas visitadas, esse mesmo morador cuja idade deve ser superior a 18 anos, selecionado para as medidas antropométricas e de pressão arterial, fará exames laboratoriais de urina e sangue.

    “Agente vai ter a própria medida. Vamos usar o aparelho de pressão arterial. Em âmbito nacional, isso nunca foi feito, essa medida objetiva. A vantagem agora é que antes a gente só tinha a referência da pessoa, ela quem dizia se tinha histórico ou não de determinadas doenças e muitas vezes ela não sabia. A gente não pode dar um diagnóstico, mas pode encaminhá-lo”, explicou.

    O peso e a altura também serão analisados pela primeira nesta pesquisa do IBGE, segundo Cimar Azevedo, da Coordenação de Trabalho e Rendimento do órgão. A realização dos exames laboratoriais, através de sangue e urina, analisará diabetes, colesterol, anemias, anemia falciforme, doenças renais, dosagem do sódio e se a pessoa já teve dengue e de que tipo.

    “Excluímos os triglicérides para facilitar. Vamos fazer somente exames que não necessitam do jejum. Ele pode agendar para diversos horários, não só fazer na manhã, no começo do dia. Não escolhemos a glicemia de jejum. É a primeira vez que a gente realiza o exame de diabetes em escala nacional”, completou Debora Malta, que afirmou ainda que no questionário há perguntas específicas para cada morador da residência.

    A pesquisa domiciliar tem abrangência nacional e será inserida no Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares do IBGE, que contém um núcleo básico comum a outras pesquisas, explicou Cimar Azevedo. No entanto, o órgão ressalta que os resultados dos exames laboratoriais têm sua confidencialidade garantida pela lei de sigilo e só podem ser usadas para fins estatísticos.

    “Uma vez que você fez o cadastramento desses setores, ele não precisa ser repetido. A gente tem com isso uma otimização de recursos e uma melhora de recurso”, afirmou Cimar, que acrescentou que a análise terá três meses de campo e que o questionário levou quatro anos para ser formulado. A previsão é que a pesquisa seja realizada a cada cinco anos.

    “A última pesquisa que foi feito esse tipo de medida foi na década de 80. Faremos pro conjunto da população a amostragem. Uma das metas é a redução da hipertensão arterial. Outra novidade componente de medidas bioquímicas. Vai ser realizado na sequência as medidas antropométricas. E depois, outro conjunto de pesquisadores farão as medidas bioquímicas. Medidas que nunca foram aferidas no contexto nacional, por exemplo, o monitoramento de diabetes. Podemos aferir por um exame de hemoglobina aplicada. Outra meta é a analisa do sal na urina e do sódio. São muitas novidades e a gente conta com a excelência do IBGE na coleta dos dados”, completou Debora Malta.

    Metas

    Ainda segundo ela, entre as metas, está o enfrentamento de doenças crônicas, a redução do tabaco, a redução do sedentarismo, a redução da pressão arterial, deter a diabetes, deter o sedentarismo, reduzir o consumo de sal e aumentar o consumo de frutas, legumes e hortaliças. “Elas serão monitoradas pela Pesquisa Nacional de Saúde. Como faremos a cada cinco anos, poderemos fazer esse monitoramento”, concluiu.

    Teste piloto

    Para garantir a não resistência da população em participar da pesquisa e realizar os exames de sangue e urina, um teste piloto foi realizado em fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Acre, Mato grosso do sul e Sergipe para analisar a receptividade da população.

    “Os entrevistadores se depararam com uma receptividade muito grande em cima desses exames. A estimativa é que avaliação seja realidade em 40 a 90 minutos dependendo de quem está sendo atendido. Se a pessoa é mais idosa ou com problema de saúde, demora mais tempo. O teste não mostrou resistência. A expectativa é que terminando todo o setor, vamos encaminhar pro laboratório que fará as coletas”, garantiu Cimar.

    Feitos os exames, o morador selecionado escolherá como prefere receber os resultados: correio ou disponibilizado pela internet. Durante a coleta, quem apresentar pressão arterial elevada, exames laboratoriais alterados, crises de hipertensão ou dores no peito, receberá orientações para procurar o serviço de atendimento indicado pelo Ministério da Saúde.

    Fonte: G1 Saúde

  • ” picada de mosquito

    ” picada de mosquito

    A empresa americana Sanaria ressuscitou a ideia de um casal brasileiro publicada há 44 anos e imunizou 12 pessoas contra malária com uma vacina experimental. Num dos subgrupos do teste, a eficiência alcançou 100%.

    O trabalho foi publicado ontem na versão eletrônica da revista “Science”. Os líderes do estudo são Stephen Hoffman, da Sanaria, e Robert Seder, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid) dos EUA.

    Trata-se do maior sucesso alcançado, até aqui, na longa e decepcionante luta para prevenir a doença, que em 2010 causou estimadas 660 mil mortes no mundo.

    Outra vacina, da empresa GSK, está em fase mais adiantada de teste, mas só conseguiu entre 47% e 55% de proteção. Para crianças, as principais vítimas, teve resultado ainda pior (33% a 37%).

    No Brasil, a doença está presente sobretudo na Amazônia, mas o número anual de mortes fica na casa das centenas. Isso porque predomina aqui o parasita Plasmodium vivax, menos perigoso que o P. falciparum, que causa a maior parte das mortes na África.

    O produto da Sanaria, apelidado de PfSPZ, emprega o microrganismo inteiro –no seu estágio de vida batizado de esporozoíto– para desafiar o sistema imune humano. A fim de impedir que essa versão do plasmódio desencadeie a doença, os esporozoítos são “nocauteados” (atenuados) com raios X.

    A vacina da GSK (conhecida como RST,S) usa só um pedaço do esporozoíto. Não pode, por isso, causar a doença, e terá vantagens práticas sobre a PfSPZ –se der certo.

    Os brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig desenvolveram a técnica de atenuação do esporozoíto com raios X a partir de 1965, quando se mudaram para a Universidade de Nova York. Irradiaram milhares de mosquitos e os puseram para picar recrutas americanos voluntários.

    Conseguiram imunizar os rapazes contra a malária, mas era só uma “prova de princípio”. Não há como vacinar milhões de pessoas assim.

    Hoffman partiu daí e criou um procedimento para obter os esporozoítos e injetá-los, dispensando as picadas. É um processo laborioso, que exige abrir as glândulas salivares dos insetos para coletar os microrganismos.

    Dois anos atrás, Hoffman e Seder testaram a vacina artesanal em humanos e descobriram que injeções subcutâneas não davam resultado satisfatório. Tentaram então, em julho e outubro de 2012, a imunização com injeção na corrente sanguínea (intravenosa), método impraticável em vacinações de massa.

    São esses os resultados relatados agora na “Science”. Um grupo de 40 voluntários recebeu injeções em doses e intervalos variados. Dos seis que receberam cinco injeções e dose máxima, todos acabaram imunizados, assim como seis dos nove inoculados quatro vezes com doses altas.

    Foi só mais uma prova de princípio. Não faltam obstáculos para a PfSPZ se tornar uma alternativa real para combater a malária.

    Primeiro, a Sanaria precisará encontrar uma maneira mais prática de obter os esporozoítos. Depois, provar que o produto funciona com um número maior de pessoas e por mais de um ano.

    Em seguida, terá de demonstrar que a PfSPZ é eficaz contra várias cepas do plasmódio. E, por fim, que pode dispensar o nitrogênio líquido para resfriar a vacina e as injeções intravenosas.

    A luta por uma vacina contra a malária tem vários anos pela frente.

    Fonte: Folha de São Paulo

  • Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Estrangeiros que atenderam no SUS avaliam desafios do Mais Médicos

    Para médico espanhol que viveu em MT, período de preparação é curto.

    Cubano que trabalhou em RR vê benefício para populações pobres.

     

    As grandes distâncias e o contato com doenças que não estão habituados a tratar serão problemas que os profissionais estrangeiros que vierem trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo programa Mais Médicos terão de enfrentar, alerta o médico espanholJosé María Hernandez, que já atuou no país. Mas, na visão do cubano Josué Jesús Matos, que também já trabalhou no SUS, dificuldades como essas podem ser superadas com estudo, preparação e boa vontade.

    G1 ouviu a opinião dos dois médicos estrangeiros sobre o programa do governo federal que visa ampliar o número de profissionais em municípios no interior e na periferia das grandes cidades e, em alguns pontos, suas avaliações divergem. Formados na Espanha e em Cuba, eles trabalharam vários anos em postos de saúde e hospitais de Mato Grosso e Roraima, respectivamente, e são especializados em medicina da família.

    O espanhol José María Hernandez, que morou oito anos no Brasil, se mostra preocupado com o que os médicos de fora encontrarão no país. “Há patologias que nunca foram vistas na Espanha e são habituais no Brasil. E não falo de coisas estranhas. São problemas de parasitologia, doenças infecciosas”, aponta.

    O cubano Josué Jesús Matos, que trabalhou mais de dez anos no SUS, por sua vez, acha que é possível estudar, relembrar conteúdo da faculdade e se adaptar. “Ele [estrangeiro] vai chegar aqui e vai ter que aprender”, afirma. “Vai estudar a prática para resolver picada de cobra, para tratamento de malária”, exemplifica.

    Seleção

    O Mais Médicos teve demanda de 15.460 médicos para 3.511 cidades. Só 938 profissionais brasileiros (6% do total) foram selecionados na primeira rodada, número que deve aumentar com as próximas etapas de seleção.

    Está previsto para este sábado (10) o anúncio dos selecionados estrangeiros. Eles passarão por um período de três semanas de preparação no Brasil antes de começar a trabalhar, o que deve acontecer ainda em setembro.

    Durante a preparação, eles terão aulas de português, vão estudar o SUS, os procedimentos e medicamentos usados na saúde pública brasileira, e estarão sob avaliação.

    Cumprida essa etapa, os estrangeiros irão trabalhar. Cada médico terá um supervisor vindo de uma universidade federal que fará visitas periódicas – ainda não há definição sobre a frequência desses encontros. O supervisor também ficará à disposição para tirar dúvidas por telefone ou internet, segundo o ministério.

    O foco do Mais Médicos é na atenção básica, ou seja, consultas, tratamento de doenças e prevenção. Procedimentos mais complexos como cesarianas e cirurgias ficarão a cargo de outros médicos, que fazem o chamado atendimento secundário.

    Da Espanha para MT

    José María Hernandez morou no Brasil de 2002 a 2010. Passou a maior parte do tempo em Mato Grosso. Trabalhou no interior do estado, em São Félix do Araguaia, e na capital, Cuiabá.

    Atendeu como médico no Programa de Saúde da Família (PSF), em postos de saúde, em hospitais e deu plantão em pronto-socorros. Deu aulas em Mato Grosso e em Cacoal (RO). Atualmente, está na Espanha, mas pretende voltar ao Brasil.

    Hernandez diz que a imersão de três semanas é muito pouco tempo para que um médico estrangeiro se familiarize com doenças encontradas com frequência no interior do país, como malária e infecções por vermes.

    “Mato Grosso, por exemplo, é o estado com mais hanseníase no Brasil. Na Espanha temos um caso por ano. Aqui não existem parasitoses, e o vírus da dengue não circula.”

    Cubano foi para Roraima

    Já para o médico cubano Josué Jesús Matos, que atendeu pelo SUS por mais de 10 anos em Roraima, o Mais Médicos será positivo para as populações mais pobres no interior. Ele avalia que os estrangeiros terão dificuldades com o idioma no início, mas que, com o tempo, devem se adaptar.

    Matos afirma que o currículo dos cursos de medicina em geral inclui conhecimentos básicos de doenças tropicais, como malária e leishmaniose. “Em seis anos você estuda todas as doenças, noções básicas nós temos. Malária em Cuba, por exemplo, está erradicada”, aponta ele.

    O médico veio ao Brasil pela primeira vez em 1997, por meio de um convênio entre o Brasil e seu país, quando era estudante universitário, e ficou até 2001. Casou-se com uma brasileira e voltou a Havana, onde permaneceu por um ano – em 2002, decidiu instalar-se em Mucajaí, município de 15 mil habitantes a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, capital roraimense, onde está até hoje.

    Tanto o espanhol quanto o cubano fizeram a revalidação do diploma. Matos foi eleito prefeito de Mucajaí em 2012 e, desde então, não atende pelo SUS. Já Hernandez está na Espanha desde 2010.

    Diferenças na formação

    Hernandez mostra-se preocupado com a falta de experiência dos médicos espanhóis em tratar doenças recorrentes no interior do Brasil, como dengue e malária. Segundo ele, a formação em medicina de saúde da família na Espanha é focada no risco de problemas cardíacos, na prevenção do diabetes e na pneumologia. Os outros casos são encaminhados a especialistas.

    “Ninguém aqui [na Espanha] trabalha com hanseníase [na atenção primária]. A tuberculose é tratada por um infectologista. Os pediatras cuidam das crianças até os 14 anos. Aqui, um médico da família não trabalha com crianças de dois meses. No Brasil, o médico vai encontrar crianças recém-nascidas, gravidez de meninas de 15 anos, o que seria atribuição de um ginecologista.”

    Uma das saídas, na opinião do cubano Matos, está em se preparar e estudar a fundo as doenças que vão ser encontradas no Brasil e que foram vistas pelo médico em sua formação. “Uma vez que chegue e veja quais as doenças fundamentais do país, o médico vai estudar e relembrar o que já sabia”, avalia.

    O médico cubano lembra que encontrou um surto de malária quando veio ao Brasil. “Quando cheguei aqui [em Mucajaí], nunca tinha tratado um paciente com malária. Em 1997, havia um surto e a média era de mil pacientes com a doença por mês. Estudei malária, me dediquei, fiz capacitação do governo e pronto, tudo começou a caminhar”, diz.

    Críticas

    As críticas de Hernandez aproximam-se às de boa parte dos órgãos da categoria no Brasil, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), que se opõe a que médicos estrangeiros trabalhem no Brasil sem passarem pelo processo de revalidação de diploma. O Mais Médicos exige apenas que os profissionais estejam habilitados a trabalhar em seus países de origem.

    Até a questão geográfica pode ser um complicador, na opinião do espanhol. Pelo tamanho continental do Brasil, os conceitos de “longe” e “perto” de um estrangeiro dificilmente se aplicarão aqui.

    “As distâncias são muito grandes, e você não pode simplesmente encaminhar numa ambulância uma pessoa que vai demorar 24 horas para chegar num hospital onde há recursos para resolver [o problema do paciente]. Essa situação não existe na Espanha: você sempre tem um hospital a meia hora de distância.”

    Brasileiros primeiro

    Para Matos, o projeto do governo é positivo e acerta ao priorizar os brasileiros, para então convocar estrangeiros. A proposta pode “humanizar” mais a profissão e ajudar na medicina preventiva, acredita. “Há que se priorizar o médico brasileiro. Ele tem que conhecer o ser humano, conhecer o Brasil, para que o país tenha uma cobertura de 100% para a saúde e não só profissionais concentrados nas grandes cidades”, diz.

    A ideia de que os profissionais vão atender em locais isolados e longe de centros urbanos não corresponde totalmente à realidade, na avaliação do médico. Ele conta que, quando chegou a Roraima, em 1997, vindo com seus colegas de universidade, imaginava um local sem condições. “Estávamos preparados para o pior, mas não foi isso que encontramos. Encontramos tudo normal. Acho que os médicos estrangeiros vão enfrentar uma situação parecida, terão que conhecer [a região em que vão atender]”, diz.

    Para o prefeito de Mucajaí, é importante que o governo deixe claro aos estrangeiros onde e em quais condições eles irão atender, e que sejam dadas orientações quanto ao trabalho a ser realizado. Boa parte das vagas do Mais Médicos estão abertas em regiões próximas a grandes cidades, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.

    Sem cirurgias?

    O programa seleciona profissionais para atuar na atenção básica – por isso, Matos aponta que o trabalho não deve envolver cesarianas, cirurgias e procedimentos do atendimento secundário. O médico afirma que o trabalho no Mais Médicos vai ser essencialmente de prevenção e de controle de doenças diversas, desde hanseníase e malária até diabetes, hipertensão e hepatite.

    “Esse programa precisa da boa vontade dos profissionais, equipamentos básicos para medir a pressão, estetoscópio, um sonar para auscultar o bebê, uma balança para acompanhar o peso da grávida. Precisa de recursos mínimos, não precisa de [aparelho de] raio-X” , diz.

    Já o médico espanhol diz que a realidade pode ser bem diferente do que o programa propõe. Segundo ele, em cidades do interior, o médico que seria responsável pelos procedimentos mais complexos muitas vezes não fica à disposição e se dedica a outras atividades.

    “Existe o médico que vai para o posto de saúde por duas horas e depois vai para sua clínica privada. (…) Às vezes você se encontra num povoado de 5 mil habitantes e há cesarianas para serem feitas. Precisam de um cirurgião, e você está sozinho. Isso é uma realidade constante. Trabalhei no Pronto-Socorro de Cuiabá e, em mais de um plantão, eu cheguei e era o único clínico que havia porque os outros dois companheiros simplesmente não apareciam”, critica.

    Comunicação

    O agente comunitário de saúde será fundamental na comunicação com o paciente, diz o médico espanhol. Quando trabalhava no Brasil, ele contava com esses profissionais para entender queixas, sintomas e explicar o tratamento.

    “Em atenção básica, o paciente precisa receber educação sanitária. O pessoal humilde, carente, sempre olha para o médico com medo e desconfiança. Se é um médico com uma fala enrolada, a informação se perde, e o paciente não retém nada do que foi explicado”, argumenta.

    Com relação ao idioma, o médico cubano diz que os estrangeiros irão sofrer no início, mas que isso não deve ser impeditivo – em alguns meses eles já devem estar adaptados. “Passei por essa situação”, diz ele. “O meu idioma é o espanhol, eu cheguei em 1997 sem nenhum tipo de conhecimento do português.”

    “Nos primeiros meses foi difícil, mas foi rápido. Em três meses estávamos entendendo bem, consultando no interior”, recorda-se Matos. “Se o médico que vai vir [pelo programa] tiver uma preparação básica em português, de três a seis meses antes, é muito melhor.”

    Adaptação

    Apesar de ver dificuldades na adaptação dos profissionais estrangeiros no Brasil, o médico espanhol acredita que o resultado poderá ser positivo. “A formação em medicina de família na Espanha é de muito falar com o paciente, de muito tocar o paciente. Os pacientes percebem rapidamente que não é um médico que simplesmente olha a cara, prescreve e manda embora em dois minutos. E isso a população agradece.”

    Pedido de médicos

    Dez profissionais foram solicitados pelo município de Roraima através do programa Mais Médicos, afirma Matos. Eles devem complementar o trabalho de seis equipes de saúde da família que já têm médico, enfermeiro e demais profissionais e estão completas na cidade.

    Fonte: G1 Saúde