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  • Decisão que suspende liberação da

    Decisão que suspende liberação da

    Após o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a validade da lei que liberava a produção e o uso da fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, autoridades de saúde classificaram a decisão como positiva e defenderam a necessidade da realização de testes com a substância.
     
    A decisão do STF foi tomada nesta quinta-feira (19). Por 6 votos a 4, os ministros entenderam que a liberação da “pílula do câncer” deve ser interrompida por não ter estudos que comprovem sua segurança e eficácia.
     
    Parte dos ministros também argumentou que a norma editada pelo Congresso invade competência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
     
    Em nota, o Ministério da Saúde diz que a decisão “ratifica parecer técnico” da pasta, o qual define que é preciso aguardar a conclusão dos estudos clínicos antes de permitir seu uso.
     
    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também classificou a suspensão como “positiva”. Segundo a agência, ao abrir mão de testes clínicos, poderia haver riscos à saúde dos pacientes.
     
    “Ou seja: não teria bula, data de validade ou data de fabricação. Se ocorressem casos de falsificação da substância, teríamos dificuldades em localizá-los”, disse em nota o diretor-presidente da agência, Jarbas Barbosa.
     
    “A lei que autorizou o uso da fosfoetanolamina, sem que essa substância tenha que passar por todos os testes que assegurem que ela, efetivamente, tem segurança e eficácia, ia totalmente contra tudo o que é praticado no mundo moderno e nos países civilizados. Ia contra a própria legislação brasileira, que desde 1976, vem construindo e aperfeiçoando nosso sistema regulatório”, completa.
     
    PACIENTES
     
    Para Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, associação que representa pacientes com câncer, a decisão do STF foi a mais “responsável” a ser tomada no momento.
     
    “Sabemos que isso vai gerar uma grande angústia nos pacientes que estão esperando pela 'fosfo'. Mas estamos com os estudos no Icesp começando, e caminhando bem. Talvez seja muito importante e responsável esperar que esses estudos aconteçam, antes de sair distribuindo totalmente de forma indiscriminada, sem saber direito como funciona”, afirma.
     
    “Precisamos ter mais certezas, e as certezas precisam vir da ciência. Os estudos precisam acontecer para termos mais segurança de que realmente a fosfoetanolamina vai fazer a diferença na vida de muita gente.” 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • Estudo aponta que não tomar sol e tão prejudicial quanto fumar

    Estudo aponta que não tomar sol e tão prejudicial quanto fumar

    Publicação da revista científica Journal of Internal Medicine realizada com 30 mil mulheres por cerca de 20 anos aponta que pessoas que não fumam, mas também não tomam sol têm a mesma expectativa de vida de pessoas que fumam.
     
    Este estudo indica que evitar o sol é um fator de risco de morte da mesma magnitude que fumar. Quando comparado a alguém que se expõe mais ao sol, a expectativa de vida de quem não toma muito sol pode diminuir até 2 anos e 1 mês. 
     
    Os pesquisadores do Hospital Universitário de Karolinska, na Suécia, responsáveis pelo estudo, notaram que mulheres que mulheres que tomam mais sol tem menos riscos de problemas cardiovasculares e doenças crônicas como diabetes e esclerose múltipla do que quem evita o sol. 
     
    Um ponto interessante do estudo é que os benefícios aumentam conforme a pessoa toma mais sol. 
    Infelizmente, nem tudo são flores, os pesquisadores afirmam que também houve um aumento na incidência de câncer de pele entre quem se expunha mais ao sol. “Contudo, o câncer de pele em pessoas que se expunham mais ao sol tinha um prognóstico melhor do que aquelas que tomavam menos sol”, diz o Dr. Pelle Lindqvist, autor do estudo. 
     
    Diante de tudo isso, Lindqvist defende que a mulher não deve se expor nem demais e nem de menos ao sol. “Há tempos sabemos que existem três hábitos que são perigosos para a nossa saúde, são eles: fumar, sedentarismo e estar acima do peso. Agora, com esta pesquisa vimos que existe um quarto: evitar exposição ao sol”, conta Lindqvist.
     
    Fonte: Portal do Coração
     
  • Gripe H1N1 já matou 470 pessoas no Brasil em 2016

    Gripe H1N1 já matou 470 pessoas no Brasil em 2016

    Saiu nesta segunda-feira (16) um novo balanço do Ministério da Saúde com os números da gripe H1N1 em todo o Brasil.
     
    Este ano, até o dia 9 de maio, foram registrados 2.375 casos da gripe H1N1. E 470 pessoas morreram, por causa do vírus da gripe H1N1.
     
    O estado com o maior número de mortes é São Paulo. Foram 223.
     
    Depois, aparecem Rio Grande do Sul, com 39 mortes; Goiás, com 26; e Paraná, com 24.
     
    E o Bom Dia Brasil vem mostrando que muita gente teve dificuldade para se vacinar contra a gripe. E não foi só na rede pública, não. Em pelo menos sete estados, está faltando vacina nas clínicas particulares. Assista à reportagem completa no vídeo ao lado.
     
    O Ministério da Saúde informou que mais de 35 milhões de brasileiros já foram vacinados. Isso representa 71% do público alvo da campanha, que vai até sexta-feira (20).
     
    Fonte: G1 – Bom dia Brasil
  • Casos prováveis de chikungunya crescem 562%; zika avança

    Casos prováveis de chikungunya crescem 562%; zika avança

    Em meio a uma tríplice epidemia, o Brasil tem vivido um avanço nos atendimentos por chikungunya e zika, ao mesmo tempo em que o ritmo de novos casos de dengue começa, pouco a pouco, a diminuir. As três doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
     
    Dados do Ministério da Saúde, contabilizados até o dia 23 de abril, mostram que o País já registra ao menos 64.349 casos prováveis de febre chikungunya, cujo quadro é marcado por fortes dores nas articulações, distribuídos em 1.358 municípios. O número de casos é 562% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando havia 9.710 registros. Já em todo o ano de 2015, foram 38.332, o que indica que a doença pode estar se espalhando com maior rapidez nos últimos meses.
     
    O novo boletim epidemiológico foi divulgado na tarde de ontem. Além do avanço da chikungunya, o balanço também mostra que é alto o número de casos prováveis de infecção por zika: já são 120.161 registros neste ano. Para comparação, relatório anterior da pasta, com dados até o dia 2 de abril, apontava 91.387 casos prováveis. Em três semanas, o aumento foi de 31,5%.
     
    Dengue desacelera
     
    Enquanto os casos de zika e chikungunya continuam a crescer no País, os registros de dengue têm dado os primeiros sinais de desaceleração nas últimas semanas, de acordo com o Ministério da Saúde. Ainda assim, é alto o número de casos prováveis da doença, que já supera 1 milhão de registros. São 1.054.127 atendimentos contabilizados até 23 de abril deste ano, segundo os dados mais recentes disponíveis. No mesmo período de 2015, eram 994.205 casos.
     
    Fonte: www.comerciodojahu.com.br
  • Velha conhecida, vacina contra rinite diminui sintomas em até 80%

    Um estudo da Faculdade de Medicina de Jundiaí confirmou que as vacinas contra a rinite alérgica podem reduzir em até 80% os sintomas da doença, que é uma inflamação crônica na mucosa que reveste o nariz. O tratamento, que existe ao menos desde a década de 1990, geralmente é feito ao longo de mais de um ano e não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).
     
    Para medir a eficácia, o pesquisador Edmir Américo Lourenço, professor de otorrinolaringologia da faculdade, analisou dados de 281 pacientes tratados com 30 doses da vacina, tomadas ao longo de 14 meses. Verificou-se depois a evolução dos sintomas num período de dez anos. “Constatou-se um índice de melhora total em torno de 79%, analisando quatro sintomas: coceira, espirros, secreção e entupimento do nariz.”
     
    A pesquisa foi publicada na revista brasileira editada em língua inglesa “International Archives of Otorhinolaryngology”. 
     
    Segundo Milton Orel, otorrinolaringologista especialista em rinite, a pesquisa não é uma novidade. A qualidade da vacina para esse tipo de doença já foi testada por estudos anteriores. “Recentemente conseguimos montar uma vacina superespecífica para cada paciente. Quanto melhor a vacina, menores serão os efeitos colaterais”, afirma.
     
    A OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu em 1997 orientações para a imunoterapia com alérgenos. Segundo a entidade, a duração do tratamento para manter a melhoria dos sintomas é desconhecida. Muitos estudos recomendam de 3 a 5 anos, mas a decisão de quando interromper o uso da vacina deve ser individualizada.
     
    Como funciona
     
    Orel explica que grande parte das rinites é causada por algum fator alérgico. Os mais comuns são os respiratórios, como ácaros da poeira, pelos de animais, fungos do ar e pólen. Também existem causas irritativas, como cigarro, perfume e produtos de limpeza. É possível ainda ter rinite por causas hormonais, emocionais e por reação a medicamentos.
     
    Para a produção da vacina é feita uma pesquisa para detectar, na pele ou no sangue, quais fatores causam a alergia. “Você injeta pedacinhos daquilo que dá alergia na pessoa em doses que vão aumentando ao longo do tempo”, afirma.
     
    O custo do tratamento pode variar de acordo com o consultório, mas gira em torno de R$ 2 mil por ano.
     
    Lourenço ressalta que a vacina só é recomendada em casos graves de rinite alérgica, quando a qualidade de vida do paciente está comprometida. Em geral, o uso de soro nasal e sprays com corticoides são suficientes para reduzir os sintomas da rinite. 
     
    “Recomendamos quando a qualidade do sono do paciente está muito ruim, afetando seu desempenho profissional e social. Quando ele tem alterações no humor porque acaba dormindo mal, quando tem ressecamento de garganta, pigarro e faringite frequentes.”
     
    Rinite não tem cura
     
    “A rinite é uma doença crônica, assim como hipertensão e diabetes. Não tem nenhum tratamento que cure para sempre. É uma questão de controle dos sintomas”, afirma Francisco Mazon, clínico geral e pneumatologista da USP (Universidade de São Paulo).
     
    Para evitar as crises, Mazon recomenda que as pessoas retirem tapetes, carpetes e cortinas de casa, troquem cobertores por edredons e evitem bichos de pelúcia. “É importante também manter a casa arejada, sem pontos de mofo e umidade em excesso.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • CFF cria projeto para apoiar gestão dos conselhos regionais

    CFF cria projeto para apoiar gestão dos conselhos regionais

    O Conselho Federal de Farmácia (CFF) iniciou esta semana, pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado da Paraíba (CRF-PB), a execução de um novo projeto para promover a excelência na gestão dos conselhos de Farmácia.
     
    Batizado de Proad-CFF/CRFs, o Projeto de Cooperação Administrativa do Conselho Federal de Farmácia (CFF) para os Conselhos Regionais (CRFs) tem o objetivo de diagnosticar dificuldades, planejar estratégias de ação, estabelecer metas e apoiar o desenvolvimento das gestões regionais.
     
    O secretário-geral do CFF, José Gildo da Silva, conselheiro federal pelo estado de Alagoas, que é coordenador do projeto, explica que o Proad-CFF/CRFs prioriza as áreas administrativa, contábil, jurídica e fiscal. O trabalho começa com uma reunião do Grupo Técnico responsável pelo projeto com os diretores de cada CRF. Depois, in loco, é feito um levantamento completo da situação do regional, a partir da avaliação de suas rotinas e procedimentos e da análise das atividades realizadas. Com base nas informações coletadas é elaborado o relatório, com sugestões técnicas e ações a serem desenvolvidas pelos gestores locais em um período de seis meses.
     
    “Durante esse prazo, a equipe técnica segue supervisionando e apoiando os gestores do CRF. Ao final do período, a proposta é realizar segunda visita ao conselho regional”, comenta José Gildo da Silva. A presidente do primeiro regional a ser contemplado, o CRF-PB, Cila Estrela Gadelha de Queiroga, diz que se sentiu “apoiada” pelo CFF. “De fato, esse projeto é um grande avanço, porque dá suporte à gestão dos regionais, nos auxiliando a superar nossos entraves administrativos, contábeis, jurídicos e fiscais.”
     
    De acordo com o presidente do CFF, Walter Jorge João, o Proad-CFF/CRFs abrangerá 12 Regionais em sua primeira etapa. “Mais do que fiscalizar e auditar, estamos levando apoio e cooperação técnica, buscando o aperfeiçoamento da gestão, que é o que realmente importa para a categoria farmacêutica e para os conselhos, enquanto instituições”.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
     
  • Fim do SUS? A ameaça de corte no gasto obrigatório com saúde

    Fim do SUS? A ameaça de corte no gasto obrigatório com saúde

    Os gastos com saúde e educação devem ter um mínimo obrigatório? Para Michel Temer e seu partido, o PMDB, não.
     
    No texto que é considerado por muitos seu plano para o país, o Ponte Para o Futuro, a legenda afirma que, para que a economia volte a crescer, é necessário reformar nossa “sistemática orçamentária” — ou seja, reorganizar os gastos do governo brasileiro.
     
    E sugere medidas. “Em primeiro lugar, acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como nos casos dos gastos com saúde e com educação”, diz o documento de 18 páginas sobre a obrigatoriedade do investimento nessas áreas de um percentual fixo da arrecadação com impostos.
     
    O próprio recém-nomeado ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), expôs, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a preocupação de que o país não venha a ter como sustentar o acesso universal a saúde. “Vamos ter que repactuar, como aconteceu na Grécia, onde cortaram as aposentadorias.”
     
    Atualmente, a União é obrigada a aplicar na saúde ao menos o mesmo valor do ano anterior mais o percentual de variação do PIB (Produto Interno Bruto). Estados e municípios precisam investir 12% e 15%, respectivamente. Na educação, o governo federal deve gastar 18% do arrecadado e as outras esferas, 25%.
     
    Em seus tempos de vice, o presidente interino defendeu publicamente o fim dessa regra. “Essa fórmula (acabar com a exigência) reforça a Federação, que se ancora na ideia de autonomias locais”, afirmou na convenção do PMDB, em novembro.
     
    Mas, enquanto ainda não é possível saber se o governo interino levará a ideia adiante e se conseguirá o apoio do Congresso para tal, há um projeto que atende a parte desse ideal de orçamento. E com grandes chances de aprovação.
     
    Trata-se da proposta de emenda à Constituição de número 143/2015, já aprovada em primeira votação no Senado. A PEC pretende estender aos Estados e municípios um direito que o governo federal já exerce com a DRU (Desvinculação de Receitas da União): o que permite que as gestões usem livremente 25% dos valores que teriam de aplicar compulsoriamente em saúde — a educação acabou poupada.
     
    O tema desperta controvérsias. De um lado, há quem condene a retirada, até mesmo de fatias, dessa obrigatoriedade – e vê sob ameaça a própria existência do Sistema Único de Saúde (SUS); de outro, alguns veem na regra atual um “engessamento” dos gastos que, além de colaborar com a piora nas contas públicas, não garante uma boa aplicação do dinheiro.
     
    Alívio?
     
    Embora não atenda diretamente ao governo federal, a eventual aprovação da PEC, de autoria do senador Dalirio Beber (PSDB-SC) e relatada pelo hoje ministro do Planejamento de Temer, Romero Jucá (PMDB-RR), chegaria em um momento favorável para o governo.
     
    Como muitas administrações locais sofrem com a crise econômica, um alívio como esse seria bem-vindo – vale lembrar aqui que o PMDB é o partido líder em número de Estados e municípios no país.
     
    Em seu primeiro discurso, Temer disse querer corrigir o que vê como distorções que sobrecarregam cidades e governos estaduais e defendeu uma reforma do “pacto federativo” (de modo geral, dos direitos e responsabilidades de cada ente da federação).
     
    Gustavo Fernandes, professor do Departamento de Gestão Pública da EAESP-FGV, diz que países mais desenvolvidos não costumam vincular o orçamento a gastos fixos, mas não vê a retirada da obrigatoriedade, seja em partes ou definitivamente, como uma boa saída para o Brasil.
     
    “Estamos flexibilizando o processo, o que faz sentido, mas não estamos garantindo que a educação seja privilegiada”, afirma ele, que defende a vinculação de verbas a resultados.
     
    O professor cita como exemplo o programa educacional No Child Left Behind (Nenhuma criança deixada para trás, em tradução livre), do governo dos Estados Unidos.
     
    Como no país a educação é financiada pelo imposto de propriedade, que é local, regiões mais pobres costumam ter menos recursos para investir. Para harmonizar esse descompasso, o programa monitora os resultados e acompanha os distritos que apresentam dificuldades. O que significa, se necessário, investir mais dinheiro do governo federal naquela região.
     
    A falta desse tipo de fiscalização, avalia o especialista da FGV, potencializa no Brasil os riscos de uma redução dos recursos investidos em caso de desvinculação, principalmente nos municípios.
     
    “O prefeito é um profissional. Tem uma carreira política, quer ascender. Ele tende a adotar políticas de curto prazo, que sejam facilmente identificadas pelo eleitor. Com isso, essas políticas difusas, de longo prazo, mas que mudam as gerações – o caso típico de educação –, tendem a ser menos importantes para o prefeito”, afirma.
     
    A proposta peemedebista de acabar de vez com o percentual de gasto obrigatório aposta na adoção de um orçamento impositivo – ou seja, que obrigue o Executivo a investir tudo que está no plano aprovado no Legislativo –, o que, na sua visão, colocaria os parlamentares como “guardiões” da manutenção do investimento nessas áreas.
     
    Hoje, o orçamento é facultativo, ou seja, o governo não é penalizado se deixa de aplicar algo que estava previsto.
     
    Para Fernandes, isso é discutível: “Os fatores que vão influenciar um maior ou menor gasto em educação e saúde manterão seu efeito com ou sem o orçamento impositivo”.
     
    Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral da ONG Todos Pela Educação, diz que qualquer medida que permita reduzir os gastos da área representa um retrocesso.
     
    Principalmente porque, segundo ela, o Brasil ainda precisa vencer desafios que já foram ultrapassados na maioria dos outros países da América Latina, como a inclusão, explica ela: “Há 2,5 milhões de jovens em idade de frequentar o ensino médio que não estão frequentando. Mesmo no ensino fundamental, tem meio milhão fora da escola”.
     
    Velasco cita ainda os gargalos de infraestrutura escolar. “E não é nenhuma extravagância: estamos falando de água potável, esgoto sanitário, de condições quase mínimas de funcionamento.”
     
    Presente no texto inicial do Senado, a área acabou poupada na versão aprovada em primeiro turno: emendas determinaram o cumprimento do gasto mínimo obrigatório constitucional com manutenção e desenvolvimento de ensino. Mas a saúde foi mantida.
     
    Tramitação
     
    Uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos por ambas as Casas para que seja promulgada. Na primeira votação dos senadores, a proposta que estende aos governos locais a liberação de 25% dos recursos atrelados a saúde e a educação foi avalizada por 53 votos a 17 (eram necessários 49, ou três quintos do total).
     
    Em um Senado ocupado com o impeachment, o segundo turno acabou adiado diversas vezes nas últimas semanas. Com o afastamento de Dilma, a previsão é de que o texto finalmente seja votado nos próximos dias, e, caso os senadores mantenham seus votos, siga para a Câmara.
     
    Em conversa com a BBC Brasil antes de ser nomeado ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, o médico Osmar Terra (PMDB-RS), então líder da Frente Parlamentar da Saúde da Câmara, afirmou duvidar que os deputados acompanhem os senadores.
     
    “Não se aprova na Câmara nem com banda de música isso aí”, disse o então parlamentar. “A maioria dos deputados tem a minha opinião. Eles não vão ser coniventes com o fim do Sistema Único de Saúde.”
     
    Para Terra, uma medida como essa não mudaria muita coisa para municípios, que já seriam obrigados a aplicar mais recursos do que a lei manda.
     
    “Nos Estados é que pode permitir que os governadores invistam menos em saúde”, diz. “Aí você junta o governador investindo menos na saúde e o governo federal cortando R$ 20 bilhões como cortou neste ano. Isso é tampa do caixão do SUS”.
     
    Viabilidade em dúvida
     
    Uma carta aberta publicada por instituições ligadas ao setor estima em até R$ 80 bilhões o valor que o sistema público deve perder anualmente caso a proposta seja aprovada — e levada a cabo.
     
    Dalirio Beber, o senador autor da PEC, foi procurado pela BBC Brasil, mas não respondeu aos pedidos de entrevista até a publicação deste texto. Em texto publicado em seu site, classifica a cifra divulgada pelas entidades como “falsa informação” e garante que não haverá redução dos recursos aplicados em saúde.
     
    “Se os (…) 5.570 municípios do Brasil, resolvessem aplicar única e exclusivamente os 15% que a Constituição os obriga, nós teríamos um colapso gigantesco instalado”, diz.
     
    Embora a vitória do texto não tenha sido difícil no primeiro turno, uma análise do placar expõe uma divisão dentro do próprio PMDB de Temer — e do Ponte Para o Futuro: três senadores do partido, Hélio José (DF), Roberto Requião (PR) e Simone Tebet (MS) votaram contra a proposta tucana.
     
    O que, de certa forma, ilustra as dificuldades que o governo peemedebista enfrentaria se resolver ir em frente com a ideia da desvinculação total dos gastos com saúde e educação.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Pílula do câncer só vai para o SUS se Anvisa comprovar efeito, diz ministro

    Pílula do câncer só vai para o SUS se Anvisa comprovar efeito, diz ministro

    O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou durante visita à Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), que, caso o resultado dos estudos sobre os efeitos da fosfoetanolamina, conhecida como pílula do câncer, não comprovarem sua eficácia, a droga não será distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mesmo estando liberada por lei.
     
    “A Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] está fazendo os estudos. Pedi agilidade à Anvisa não só nesse caso, mas em vários outros nos quais precisamos rapidamente aprovar medicamentos novos e princípios ativos. A Anvisa precisa nos garantir mais agilidade, com segurança e proteção ao consumidor”.
     
    O secretário estadual de Saúde, David Uip, informou que, assim que o laboratório responsável por produzir a fosfoetanolamina entregar o material, o governo paulista encapsulará rapidamente a droga e em prazo de seis meses já haverá resultados.
     
    “É a primeira pesquisa que há e daqui a pouquíssimo tempo teremos os resultados definitivos”. Uip declarou ainda que deve ter reuniões com o ministro quarta (18) e quinta-feira (19).
     
    Saúde não receberá mais recursos
     
    “Não contem com mais dinheiro. Se vier o que está previsto, já vai ser uma grande vitória”, disse na manhã desta segunda, indicando que a escassez de recursos pode comprometer a execução das ações da pasta..
     
    Barros não detalhou quais seriam os primeiros programas afetados pela falta de verba. “Os cortes já foram feitos pelo governo anterior. Temos R$ 5,5 bilhões de corte já efetuados na Saúde e eu pretendo trabalhar muito para ver se recupero aquilo que estava no orçamento”, disse o deputado federal licenciado.
     
    Apesar do problema de subfinanciamento do SUS (SUS), Barros voltou a defender medida que desvincula as receitas da União e que poderia diminuir o
     
    repasse para áreas como saúde e educação. Relator do Orçamento de 2016 na Câmara, ele preparou proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema, mas disse que, como ministro, não tratará do assunto.
     
    A desvinculação dos recursos da União e também a desindexação das despesas são uma necessidade para o equilíbrio fiscal, mas isso agora será discutido pela equipe econômica (do governo Temer). Eu, apenas como parlamentar, tenho uma noção de formas de solução para esse problema, mas não estou afeto a essa área. A área da saúde foi a que o presidente me dedicou.”
     
    Embora tenha classificado a situação do país como “grave”, o ministro disse que a estrutura de atendimento nos Jogos Olímpicos do Rio está garantida. “O presidente Michel Temer convocou uma reunião ministerial só para tratar do cumprimento das obrigações que assumimos com as Olimpíadas. Os turistas e os atletas podem vir com absoluta tranquilidade ao Rio de Janeiro, que não haverá nenhum problema de falta de atendimento, de atenção e dos cuidados necessários para o evento.”
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Cientistas americanos produzem clone da zika e avançam na busca por vacina

    Cientistas americanos produzem clone da zika e avançam na busca por vacina

    Em uma tentativa de acelerar a busca por uma vacina, cientistas americanos anunciaram que conseguiram clonar o vírus da zika.
     
    O clone produzido pelos pesquisadores é uma réplica do tipo do vírus que está se espalhando pelas Américas e que tem sido associado a um boom nos casos de microcefalia e demais malformações cerebrais em bebês.
     
    Em testes realizados na Universidade do Texas, o clone conseguiu infectar mosquitos Aedes aegypti , que carregam o vírus da zika, e provocou a doença em ratos de laboratório. O estudo foi publicado na revista científica “Cell Host & Microbe”.
     
    Especialistas afirmam que esse experimento pode ser usado para ajudar no desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a doença – a esperança é que uma possa estar pronta para testes já nos próximos meses.
     
    TESTES EM HUMANOS
     
    Apesar dos avanços, a criação de uma vacina eficaz e segura o suficiente para ser oferecida para o público geral pode levar anos.
     
    O vírus da zika pode causar sérios problemas aos fetos, embora normalmente a mãe não apresente nenhum sintoma visível.
     
    Segundo pesquisadores, uma vacina que proteja gestantes e outras pessoas com riscos maiores de infecção é uma das formas mais eficazes de combater a doença. Muitos grupos de pesquisa ao redor do mundo trabalham para tentar desenvolvê-la.
     
    O Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos espera dar início aos testes clínicos em humanos em setembro.
     
    Ainda é necessário encontrar uma versão mais “segura” do vírus da zika, ou seja, que seja capaz de reagir à infecção sem que a doença seja causada. A equipe da Universidade do Texas afirma que a clonagem do vírus pode ajudar os cientistas a atingir esse objetivo.
     
    AVANÇOS
     
    Os pesquisadores já conheciam a estrutura do vírus, mas ainda não a haviam replicado –ao menos não essa cepa da zika.
     
    Pesquisador da Universidade de Manchester, na Inglaterra, Tom Blanchard está usando uma variação da vacina contra a varíola para tentar desenvolver um antídoto para a doença transmitida pelo Aedes Aegypti.
     
    “O desafio para quem desenvolve vacinas, como nós, é separar os efeitos nocivos do vírus daqueles que são benéficos. Queremos criar algo que vai replicar a infecção, mas sem causar danos. E pesquisas como essa podem ajudar”, afirmou.
     
    A professora Polly Roy, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, também recebeu a notícia sobre o estudo de forma positiva. “Isso é muito bom. Os cientistas têm tudo o que precisam para testar o vírus agora.”
     
    Para ela, além de desenvolver a vacina, os pesquisadores tão poderão testar remédios antivirais que capazes de reduzir os efeitos do vírus da zika em quem já foi infectado.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Uip vai discutir

    Uip vai discutir

    O secretário estadual da Saúde de São Paulo, David Uip, quer discutir com o novo ministro da pasta, Ricardo Barros, a questão da fosfoetanolamina, substância que ficou popularmente conhecida como “pílula do câncer”, apesar de não haver provas científicas de sua eficácia.
     
    Em entrevista ao Estado, Uip chamou de “absurdo” que São Paulo venha sendo alvo de mandados de busca e apreensão da substância ainda em pó. “Nem encapsulamos ainda, é material produzido somente para pesquisa, e tem juiz expedindo mandado de busca e apreensão de 250 gramas do pó. Não sei o que uma pessoa vai fazer com 250 gramas de um produto que ainda nem foi testado”, disse.
     
    Barros, que tomou posse na quinta-feira na gestão em exercício de Michel Temer, estará em São Paulo hoje em visita à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e ao Hospital das Clínicas. Uip participa do encontro.
     
    O secretário disse que tem uma “porção bem grande de assuntos para tratar com o ministro”, entre eles a fosfoetanolamina. Na sexta-feira, em sua primeira entrevista coletiva à imprensa, Barros falou de “fé” ao ser questionado sobre a lei que liberou o uso da substância. “Pessoalmente, na pior das hipóteses, tem efeito placebo. A fé move montanhas”, disse.
     
    Polêmica. O composto, formulado em um laboratório do Instituto de Química da USP em São Carlos no final dos anos 1980, foi por mais de duas décadas distribuído gratuitamente à população. Em 2014, uma portaria suspendeu a entrega da substância, uma vez que ela não tinham registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Pacientes começaram a ir à Justiça e conseguiram liminares para manter o tratamento. Os boatos chegaram à internet e houve uma avalanche de pedidos no segundo semestre de 2015.
     
    Após meses de polêmica, uma lei foi aprovada rapidamente em março na Câmara e no Senado e recebeu, em abril, sanção da presidente Dilma Rousseff. Paralelamente, São Paulo iniciou os procedimentos para testar o produto. Um laboratório em Cravinhos está produzindo a substância para 70 mil cápsulas que vão ser usadas para pesquisa. Uip já tinha declarado que esse material seria exclusivamente para os estudos, mas está sendo alvo de novas ações judiciais para atender a população antes que sejam concluídos.
     
    Sobre a declaração de Barros, Uip disse: “Ele estava tomando posse. Vai depender da nossa ajuda de mostrar como vai a pesquisa básica e depois a clínica. Seguramente ele vai esperar ter todos os dados de São Paulo antes de ter uma posição mais definitiva sobre a questão. O ministro refletiu o que aconteceu no País. A Câmara aprovou, o Senado aprovou e a presidente Dilma aprovou. Cabe a nós provar se funciona.”
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo