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  • Após câncer, homem recebe primeiro transplante de pênis dos EUA

    Após câncer, homem recebe primeiro transplante de pênis dos EUA

    Um americano de 64 anos recebeu o primeiro transplante de pênis dos Estados Unidos. Thomas Manning, de Massachusetts, teve o órgão removido após um câncer.
     
    Segundo o cirurgião plástico Curtis L. Cetrulo, líder da equipe que realizou a operação, se tudo acontecer como o esperado, Manning deve conseguir ter micção normal dentro de algumas semanas e as funções sexuais podem ser reestabelecidas em alguns meses.
     
    A cirurgia experimental durou cerca de 15 horas e custou entre US$ 50 mil e US$ 75 mil (aproximadamente R$ 175 e R$ 263 mil). O órgão foi transplantado de um doador falecido. O paciente afirmou que se sente bem, com pouca dor, e que espera poder voltar a “ser quem era”.
     
    O primeiro transplante de pênis do mundo foi realizado na Universidade de Stellenbosch na África do Sul em dezembro de 2014.
     
    Nos EUA este procedimento é experimental e faz parte de um programa de pesquisa para ajudar veteranos de guerra feridos durante o combate, além de pacientes com câncer e vítimas de acidentes. (*Com a Associated Press)
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • OMS pede para grávidas evitarem o Rio de Janeiro, palco da Olimpíada

    OMS pede para grávidas evitarem o Rio de Janeiro, palco da Olimpíada

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) advertiu, em um comunicado sobre o vírus Zika, sobre os riscos para mulheres grávidas no Rio de Janeiro, palco da Olimpíada : “Mulheres grávidas continuam a ser aconselhadas a não viajar a áreas de contínua transmissão de zika. E isso inclui o Rio de Janeiro”, afirmou a organização em um comunicado nesta quinta-feira.
     
    À BBC Brasil, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, explicou que é a primeira vez que um alerta a respeito da zika é direcionado à cidade-sede dos Jogos, mas enfatizou que as recomendações são as mesmas feitas para todas as regiões onde casos da doença foram observados e, portanto, não se trataria de uma discriminação.
     
    “Esse é o primeiro comunicado específico a respeito da zika e dos Jogos Olímpicos. Anteriormente não havíamos abordado nenhuma cidade diretamente, mas isso é um esclarecimento dentro do contexto das recomendações que já vinham sendo feitas a viajantes”, disse Lindmeier.
     
    O informe diz ainda que parceiros sexuais de mulheres grávidas que retornem do Rio só devem ter relações sexuais com camisinha, ou se abster, durante todo o período da gestação.
     
    RECOMENDAÇÕES
     
    De maneira geral, a OMS aconselha aos viajantes que consultem um médico antes de ir aos Jogos.
     
    “Evite visitar áreas empobrecidas e superpopulosas em cidades e vilarejos sem água encanada e com saneamento precário (criadouros ideais de mosquitos), onde o risco de ser picado é maior.”
     
    A organização recomendou também que os turistas procurem acomodação com ar-condicionado, para evitar que mosquitos entrem pelas janelas, e ressaltou que é preciso praticar sexo seguro.
     
    “Use preservativos correta e consistentemente, ou abstenha-se do sexo durante sua estadia e pelo menos quatro semanas após seu retorno, particularmente se teve ou experimentou sintomas do vírus Zika.”
     
    O aviso sugere o uso de repelentes e de roupas claras com mangas longas, para reduzir o risco de ser picado.
     
    INVERNO
     
    Feitas as recomendações, a OMS faz a ressalva de que os Jogos Olímpicos ocorrerão durante o inverno e nessa época “há menos mosquitos ativos” e “o risco de ser picado é menor”.
     
    A OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde aconselham o Brasil em questões de políticas de saúde pública. A organização também tem um memorando de entendimento com o Comitê Organizador dos Jogos para ajudar a mitigar os riscos de atletas e visitantes contraírem zika.
     
    De acordo com o último boletim epidemiológico, também publicado nesta quinta, 58 países e territórios já registram a presença da doença, sendo que 45 experimentam pela primeira vez um surto de zika em 2015.
     
    No Brasil, o primeiro caso de zika foi confirmado em 7 de maio de 2015, dando início a uma epidemia associada à má-formação de bebês, com casos de microcefalia, e à ocorrência da síndrome neurológica de Guillain-Barré.
     
    As anormalidades levaram a OMS a decretar emergência de saúde pública mundial, para melhor acompanhar a epidemia.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Corrida contra a zika

    Corrida contra a zika

    O surto de casos de microcefalia associados com o vírus da zika, no Brasil e noutros países, impulsionou um vagalhão de publicações científicas. A associação é nova e extraordinária, e a emergência por ela criada também imprime feições extraordinárias à onda de pesquisas sobre o assunto.
     
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a microcefalia como emergência internacional em 1º de fevereiro. Em seu plano de ação, propôs acelerar a publicação de estudos e o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e terapias. Desde então, já editou 15 artigos em seu boletim especial, “Open Zika”.
     
    A celeridade se justifica pelo imperativo de fazer circular mais rapidamente informações que possam ser úteis a outros pesquisadores e a profissionais de saúde no front de tratamento dos afetados.
     
    Para tanto, abre-se mão, temporariamente, da principal salvaguarda da qualidade científica, a revisão por pares (“peer review”).
     
    Em situação normal, o que decerto não se aplica à zika, pesquisas podem demorar vários meses para sair em periódicos. Isso em geral só ocorre depois de respondidas todas as questões suscitadas por revisores especializados.
     
    O vírus zika, embora isolado há sete décadas, é um grande desconhecido. Toda revelação sobre seu modo de atuação no organismo, com consequências tão devastadoras sobre o sistema nervoso humano, torna-se potencialmente valiosa e não pode dormir nas gavetas.
     
    Pesquisadores do mundo todo, e notadamente no Brasil, atenderam ao chamado da OMS e vêm publicando seus artigos de modo imediato, sem esperar pela chancela dos pares. Utilizam para isso repositórios eletrônicos de estudos preliminares, não auditados, como “bioRxiv” e “PeerJ Preprints”.
     
    Assim procedem, entre outros os grupos de Paolo Zanotto, da USP, e de Stevens Rehen, da UFRJ. Eles têm veiculado por esse atalho estudos de grande repercussão, dos efeitos do vírus zika em minicérebros cultivados em laboratório à presença do vírus em saguis e macacos-prego do Ceará.
     
    A pressa, no entanto, não torna obsoleto o controle de qualidade, ainda que a posteriori. A zika engendrou uma situação excepcional, impondo a agilidade na divulgação de resultados. Leigos e especialistas, contudo, não podem perder de vista seu caráter preliminar e a necessidade de tomá-los pelo valor de face apenas depois de submetidos ao teste do tempo.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Vício em analgésicos explode nos EUA

    Vício em analgésicos explode nos EUA

    A morte do músico Prince chocou os fãs e expôs uma epidemia silenciosa que assola os Estados Unidos: a explosão nos casos de dependência e overdose por analgésicos com opiáceos nos últimos 20 anos. O problema é tão grave que já afeta a expectativa de vida de parte da população, principalmente entre pessoas de meia idade.
     
    Embora as investigações continuem, as evidências indicam que Prince, aos 57 anos, foi mais uma vítima dessa epidemia, que mata 78 pessoas por dia nos EUA.
     
    Amigos do músico confirmaram que ele começou a tomar os analgésicos anos atrás, para aliviar dores causadas por uma longa carreira de shows usando salto alto.
     
    Depois de uma cirurgia nos quadris em 2000,ouso teria aumentado, tornando Prince dependente dos analgésicos opiáceos, conhecidos nos EUA como “painkillers”.
     
    É um caminho semelhante ao traçado pela maioria dos dependentes, que começam a tomar os analgésicos após cirurgias e em pouco tempo se tornam viciados. A corretora imobiliária Betty Tully, 67, passou por isso. Em 2001 ela começou a tomar 10 mg diárias do analgésico oxicodona, depois de sofrer duas cirurgias na coluna. Em seis meses a dose era de 280 mg e ela estava viciada.
     
    “Virei um zumbi”, contou à Folha. “Na prática, meu médico me receitou uma versão de heroína, mesmo depois de eu ter dito que não queria nada que pudesse levar à dependência,porque tenho um histórico familiar de alcoolismo e drogas. Mas ele disse para eu não me preocupar, porque essa era uma droga nova e maravilhosa.” Hoje ela é militante de campanhas para tornar mais rigoroso o controle dos analgésicos opiáceos. Para ela, vários fatores explicam a explosão de casos de overdose nos EUA por opiáceos: a promoção agressiva que os laboratórios fazem dos analgésicos somada à prescrição exagerada dos médicos e ao excesso de leniência do governo.
     
    Andrew Kolodny, diretor executivo do grupo Médicos pela Prescrição Responsável de Opiáceos, diz que a epidemia começou em 1996, quando o laboratório americano Purdue colocou no mercado o analgésico Oxycodon.
    “Investiram milhões de dólares para convencer a comunidade médica que nós havíamos permitido por tempo demais que os pacientes sofressem sem necessidade, e que o risco de dependência havia sido exagerado”, diz.
    O resultado foi devastador.
     
    O número de mortes por overdose quadruplicou, totalizando 250 mil entre 1999 e 2014, a maioria por medicamentos sob prescrição médica. Hoje, é a principal causa de mortes “evitáveis” no país, superando os acidentes de trânsito.
     
    Segundo Kolodny, há hoje quase 10 milhões de dependentes nos EUA. Também levou a um aumento explosivo no consumo de heroína,usado pelos dependentes que não conseguem obter as receitas para os analgésicos.
    Segundo ele,muitos médicos receberam dinheiro para promover os opiáceos, mas uma grande parcela simplesmente “caiu na história” de que estava submetendo os pacientes a dor sem necessidade.
    “Em grande medida, essa epidemia foi causada pela comunidade médica”, diz.
     
    A epidemia é principalmente americana.Embora tenham 5% da população mundial,os EUA são responsáveis por 80% do consumo mundial de analgésicos opiáceos.
    À Folha, Anne Pritchett, vice-presidente de pesquisa da PhRMA, maior lobby das empresas farmacêuticas americanas,disse que a indústria está engajada com as autoridades americanas no esforço de conscientizar os médicos do perigo de receitar esses analgésicos em excesso.
     
    “Nossa indústria leva muito a sério a prescrição apropriada”, disse Pritchett, que foi evasiva sobre a alegação de que a promoção agressiva dos opiáceos pelas empresas deflagrou a epidemia. Para ela,é importante também informar sobre o potencial de dependência e cuidar para que os pacientes não cheguem a outras pessoas. Segundo estatísticas oficiais, 60% dos dependentes obtêm os analgésicos com familiares e conhecidos.
    Veterano da guerra do Iraque, Timothy Wynn, ficou viciado ao voltar do front. Preso várias vezes, recorria a qualquer fonte disponível.
     
    “Bastava ver alguém de muletas para perguntar se tinha analgésicos”, diz. “Virou um comércio, porque as pessoas sabem o valor que tem”.
     
    No Brasil, o uso desse tipo de analgésico é baixo. Segundo Paulo Renato Fonseca,diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor,o Brasil está entre os países com as menores taxas de prescrição de opioides.
     
    Fonte: Folha de S. Paulo
  • Pela 1ª vez, estudo mostra como vírus brasileiro da zika atua no cérebro

    Pela 1ª vez, estudo mostra como vírus brasileiro da zika atua no cérebro

    O vírus da zika em circulação no Brasil é capaz de alterar o desenvolvimento de células do cérebro, matá-las e gerar malformações, apontou pesquisa publicada em versão preliminar nesta segunda-feira (9). Estudos anteriores já tinham demonstrado o poder de outros variantes do vírus de atacar o órgão.
     
    “É a primeira vez que avalia-se o efeito do variante brasileiro [do vírus da zika] em células neurais humanas. Confirmamos que infecta e mata, mas antes disso faz com que as células-tronco neurais parem de se dividir”, explica Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino), um dos autores do estudo. A pesquisa foi feita por um consórcio brasileiro entre IDOR, UFRJ, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fiocruz, Instituto Evandro Chagas de Belém e Universidade Federal do Pará.
     
    O pre-print, como é chamado, é uma versão preliminar de um estudo que é publicada para conhecimento e análise dos demais cientistas antes de ser aceita e revisada para sair em alguma revista científica. Em casos como o do vírus da zika, em que cientistas do mundo inteiro estão pesquisando o mesmo tema e é uma urgência mundial, a iniciativa é importante para obtermos resultados mais rapidamente.
     
    O grupo estuda a ação do vírus em minicérebros criados em laboratórios. Em abril, os pesquisadores publicaram na revista Science outro estudo que mostrava que o vírus zika tinha capacidade de infectar e matar células cerebrais humanas. Desta vez usaram o vírus que está em circulação no Brasil, no estudo de abril usaram o variante africano.
    “Ninguém sabia como iria se comportar o variante brasileiro no modelo de neuroesferas humanas [estruturas celulares que reproduzem o cérebro em formação]. Usando uma combinação de técnicas sofisticadas de transcriptoma e proteômica, identificamos mais de 500 genes/proteínas alterados pela infecção da zika brasileira em células-tronco neurais humanas”, diz.
     
    Remédio para tratar está mais próximo
     
    O pesquisador destaca que esses genes e proteínas servirão na busca por medicamentos que reduzam os danos causados pela zika no sistema nervoso. Eles já estudam um remédio contra a malária que apresentou resultados favoráveis no combate à zika.
     
    Estudos mostraram que a droga protegeu neurosferas em até 95%. As estruturas foram expostas ao zika e depois tratadas, por cinco dias, com cloroquina em diferentes concentrações. Os testes mostraram que a droga inibiu a infecção e reduziu o número de neurônios infectados, protegendo-os contra a morte pelo vírus. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • OMS recomenda o uso de preservativos por 6 semanas após Rio-2016

    OMS recomenda o uso de preservativos por 6 semanas após Rio-2016

    GENEBRA – Para evitar a proliferação do vírus zika, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aos estrangeiros que viajarão ao Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos em agosto que pratiquem “sexo seguro” ao retornar aos seus países por até seis semanas. A recomendação foi feita depois que ficou claro para a entidade que o risco de um contágio por relações sexuais é maior do que se imaginava.
     
    A OMS indica que tem “confiança” nas autoridades brasileiras de que, em agosto e durante os Jogos no Rio, o controle do vetor seja eficiente. Mas, ainda assim, recomenda que tanto agora quanto no evento esportivo no Brasil, cada turista, atleta ou jornalista tome medidas de proteção, até mesmo no retorno a seus locais de origem.
     
    “Para os viajantes retornando do Brasil, recomendamos a prática de sexo seguro de quatro a seis semanas”, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.
     
    Em um informe publicado na semana passada, a OMS ainda destacava que “o fato de que a transmissão sexual do zika é mais comum do que se pensava e complica ainda mais a recomendação a casais planejando suas famílias”. Em um ano, nove países registraram a transmissão da doença por meio do sexo.
    No Brasil, a recomendação é para que cada estrangeiro “se proteja da melhor forma possível”. Isso inclui o uso de inseticidas, dormir em locais fechados e uso de redes nas janelas ou ar-condicionado. 
     
    Para mulheres grávidas, a recomendação é de que consultem seus médicos e autoridades, além de avaliar se a viagem é de fato necessária.
     
    Lindmeier, porém, apontou que acredita que as autoridades brasileiras façam um controle concentrado nas áreas dos Jogos para reduzir a população do mosquito que serve como vetor da doença. “O Brasil fará o que for necessário para ter Jogos seguros em termos de saúde pública”, insistiu a OMS.
     
    Durante a estadia no Brasil, o turista deve, ainda assim, monitorar sintomas. “Se sentir alguma suspeita, recomendamos ir ao médico e pedir um teste”, indicou Lindmeier.
     
    Normalidade
     
    Para a OMS, tudo indica que, em alguns meses, o zika passará a ser a nova realidade de uma doença que não será simplesmente eliminada. “Vamos ter de conviver com ela, assim como é o caso da malária e outras doenças”, disse o porta-voz. “O cenário mais provável é que o turista tenha de consultar quais vacinas serão necessárias para ir a determinados países e, a partir de agora, terão de incluir o zika nessa conta”, afirmou.
     
    Uma vacina contra o vírus ainda não existe. Mas a OMS aposta que essa realidade possa mudar em dois anos. 
     
    A entidade também deixou claro que deixou de tentar contar quantas pessoas no mundo estão contaminadas pelo zika. “Isso seria simplesmente impossível”, disse Lindmeier. A conta de casos de microcefalia, porém, continua, com 1,2 mil no Brasil.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo mostra que zika leva células do cérebro à autodestruição

    Estudo mostra que zika leva células do cérebro à autodestruição

    A infecção pelo vírus da zika desencadeia nas células do cérebro humano em formação uma resposta imune que as leva à autodestruição. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade da Califórnia (UC) em San Diego (Estados Unidos) e publicada nesta sexta-feira, 6, na revista científica Cell.
     
    De acordo com os autores do artigo, a morte das células-tronco cerebrais após a infecção é associada aos casos de microcefalia causados pelo vírus. Bloquear a resposta imune inata das células-tronco cerebrais pode ser uma alternativa para que elas sobrevivam à infecção, reduzindo a possibilidade de ocorrência da má-formação.
     
    Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram organoides cerebrais, popularmente conhecidos como “minicérebros”. Os organoides são estruturas de tecido cerebral cultivadas em laboratório para mimetizar o órgão em formação e estudar como ele reage às infecções.
     
    Segundo os cientistas, o vírus da zika contribui para a autodestruição das células ao ativar o receptor TLR3, que desencadeia a resposta imune inata nas células cerebrais infectadas. Já se sabia que esse receptor leva as células a produzir proteínas antivirais, como uma primeira linha de defesa contra a invasão de microrganismos.
     
    O estudante de doutorado Jason Dang, que pesquisava como o TLR3 respondia à infecção por diversos vírus, percebeu a conexão quando decidiu testar os níveis de TLR3 em minicérebros infectados por zika.
     
    “No início não sabíamos o quanto a evidência era forte. Ficamos animados quando constatamos que, ao inibir a produção de TLR3 nos organoides cerebrais infectados com zika, a redução de suas dimensões se tornava bem menos dramática. Eu ainda não estava convencido, então usamos um produto químico para aumentar a ativação de TLR3 e observamos que o tecido cerebral começava a encolher rapidamente”, disse o autor principal do estudo, Tariq Rana, da UC.
     
    Método inovador
     
    Estudos anteriores com minicérebros infectados por zika ajudaram a estabelecer a conexão entre a infecção viral e a morte das células-tronco neurais. O grupo liderado pelo brasileiro Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), utilizou os organoides em um estudo publicado em abril, na revista Science, para concluir que o vírus zika de fato tem capacidade para infectar e matar células cerebrais humanas.
     
    Também em abril, um grupo da universidade americana Johns Hopkins utilizou a técnica para provar que o vírus zika tem preferência por células-tronco neurais. Agora, a equipe de Rana juntou mais uma peça ao quebra-cabeças: o papel do sistema imunológico.
     
    A inibição do TLR3 pode ajudar os neurônios infectados com zika a sobreviver e manter suas funções, preservando também as células não infectadas. Segundo os autores, a descoberta poderá levar a alvos para o desenvolvimento de terapias.
     
    “Há vários outros vírus que causam danos no sistema nervoso central. Agora queremos estudar todos eles para observar como se comporta a resposta imune”, afirmou Rana.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas norte-americanos desenvolvem novo teste diagnóstico para zika

    Cientistas norte-americanos desenvolvem novo teste diagnóstico para zika

    Cientistas norte-americanos desenvolveram um novo teste, mais barato e rápido, para diagnosticar a infecção pelo vírus da zika a partir de amostra de sangue ou saliva. O teste custa menos de US$ 1 por paciente e apresenta o resultado a partir da mudança de cor de uma superfície de papel – de forma análoga aos populares testes de gravidez. O novo método foi adaptado a partir de um teste diagnóstico desenvolvido para o vírus Ebola.
     
    O estudo que descreve o novo teste foi publicado nesta sexta-feira, 6, na revista cientifica Cell, por uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Segundo os autores, o novo método diagnóstico foi testado em macacos e é uma prova de conceito para o desenvolvimento futuro de um teste desse tipo em humanos.
     
    De acordo com o coordenador do estudo, James Collins, do Departamento de Engenharia Biológica do MIT, o novo método detecta o vírus nas concentrações mais baixas já registradas até hoje e é capaz de distinguir o vírus da zika de outros muito semelhantes, como o da dengue. Outra vantagem é que o teste pode ser armazenado em temperatura ambiente.
     
    “Temos um sistema que poderia ser amplamente distribuído e usado em campo, com baixo custo e necessidade de muito poucos recursos”, afirmou Collins.
     
    Atualmente, o diagnóstico é feito a partir de testes sorológicos – que verificam se o paciente apresenta anticorpos contra o zika em sua corrente sanguínea – ou com o exame molecular conhecido como reação de cadeia de polimerase (PCR, na sigla em inglês), que detecta pedaços do genoma do vírus no sangue do paciente. Esses testes, no entanto, podem ser caros, levar semanas para apresentar o resultado, ou não serem capazes de distinguir com precisão entre os vírus da dengue e da zika.
    “Um dos principais problemas nesse campo é ser capaz de distinguir o que têm os pacientes que vivem em áreas onde ambos os vírus estão circulando”, afirmou outro dos autores do estudo, Lee Gehrke, do Instituto de Ciência e Engenharia Médica do MIT.
     
    Ebola
     
    O novo método se baseia em uma tecnologia desenvolvida pela equipe de Collins para detectar o vírus Ebola. Em outubro de 2014, os cientistas demonstraram que poderiam criar redes sintéticas de genes e instalá-las em pequenos discos de papel. Essas redes de genes podem ser programadas para detectar uma sequência genética específica, fazendo o papel mudar de cor.
     
    Depois do início da epidemia de zika no Brasil, espalhando-se para outras partes do continente, os cientistas resolveram adaptar o método ao diagnóstico da doença. “Em poucas semanas, desenvolvemos e validamos com relativa rapidez uma plataforma barata para o diagnóstico da zika”, disse Collins.
     
    Os sensores instalados nos discos de papel podem detectar 24 sequências diferentes do RNA (código genético) do genoma do vírus zika. Quando a sequência alvo de RNA está presente, uma série de interações é desencadeada, fazendo o papel amarelo se tornar roxo.
     
    A mudança de cor pode ser vista a olho nu, mas os cientistas também desenvolveram um leitor eletrônico que pode tornar mais fácil quantificar a alteração, especialmente em casos nos quais o sensor detecta mais de uma sequência de RNA.
     
    Baixa concentração
     
    A equipe de cientistas testou o novo método utilizando sequências sintetizadas de RNA correspondentes ao genoma do zika, que foram então adicionadas ao plasma de sangue humano. Os cientistas mostraram que o método pode detectar concentrações muito baixas do RNA viral, distinguindo o vírus da zika do vírus da dengue.
     
    Os testes foram feitos em macacos infectados com o vírus zika, já que amostras de pacientes humanos afetados pela atual epidemia da doença são difíceis de obter. Eles concluíram que nessas amostras o teste era capaz de detectar o RNA viral em concentrações de duas a três partes por quatrilhão.
     
    Os cientistas acreditam que a mesma abordagem poderá ser adaptada no futuro para novos vírus que ainda possam surgir. Collins espera formar equipes maiores com outros cientistas para desenvolver a tecnologia para um diagnóstico comercial de zika.
     
    “Fizemos uma bela demonstração de prova de princípio, mas ainda é preciso trabalhar mais e realizar mais testes para garantir a segurança e a eficácia do método, antes que ele seja de fato utilizados. Mas não estamos muito longe disso”, afirmou Collins.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Transfusão de sangue pode transmitir vírus da dengue e da zika

    Transfusão de sangue pode transmitir vírus da dengue e da zika

    Os vírus da dengue e da zika podem ser transmitidos por meio de transfusões sanguíneas-além da via mais comum, que é a picada do mosquito Aedes aegypti.
     
    A constatação vem de estudos recentes e abriu discussão sobre a necessidade ou não do uso de novos testes no sangue doado e de tecnologias de inativação dos vírus.
     
    Em março, uma pesquisa publicada no “The Journal of Infectious Diseases” mostrou que a taxa de transmissão de dengue por transfusão sanguínea é de 37,5%.
     
    O trabalho foi feito nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Recife (PE) durante a epidemia de dengue de 2012. É o maior levantamento sobre transmissão transfusional de dengue já feito no mundo (veja infográfico ao lado).
     
    Segundo Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo da USP e uma das autoras do trabalho, os infectados foram comparados com um grupo que não recebeu sangue contaminado (grupo controle) e não houve diferença em relação à mortalidade ou à gravidade de sintomas —como diminuição no número de plaquetas no sangue.
     
    Sintomas mais leves, como febre ou mal-estar, são comuns tanto em pacientes com dengue como em pacientes internados. Ou seja, não dá para saber se eram relativos ao vírus ou à própria condição clínica do doente.
     
    Em relação ao vírus da zika, dois casos de transmissão da infecção por meio de transfusões sanguíneas foram relatados no fim de 2015 na região de Campinas (SP) e ainda estão sendo investigados para, posterior, publicação.
     
    Estudos feitos na Polinésia Francesa encontraram resultados positivos para o vírus da zika em quase 3% dos doadores de sangue. Não houve, porém, caso de transmissão sanguínea documentado.
     
    TESTES
     
    No momento, a USP desenvolve um novo estudo que avaliará o impacto das três arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em pacientes que receberam transfusões em três institutos ligados ao Hospital das Clínicas.
     
    Para Ester Sabino, é preciso buscar evidências que apontem o impacto dessas infecções nos receptores para, então, avaliar se é preciso introduzir novos testes no sangue dos doadores.
     
    “Há várias infecções que podem ser transmitidas nas transfusões, mas que hoje não são testadas porque o impacto no paciente não é tão significativo e os custos são altos”, explica a médica.
     
    Segundo ela, testes moleculares para detectar zika no sangue doado poderiam se justificar para grupos específicos, como gestantes que vão receber transfusões —já que a infecção pode causar microcefalia nos bebês.
     
    Porém, na opinião de Dante Langhi, coordenador da Hemorrede do Estado de São Paulo, priorizar somente as grávidas pode gerar um debate ético. “A segurança na transfusão tem que ser para todo mundo”, afirma.
     
    Não há, hoje, testes de diagnóstico da infecção pelo vírus zika que sejam registrados ou adequados para a triagem laboratorial de doadores de sangue, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular).
     
    Covas afirma que, até o momento, não existem evidências na literatura científica que justifiquem a adoção de novos testes laboratoriais nos bancos de sangue para o diagnóstico das arbovirores.
     
    “A transmissão [dos vírus da dengue, zika e chikungunya] pode estar ocorrendo, mas é um evento raro. A prioridade agora são estudos que elucidem o real risco do desenvolvimento de doenças, o que ainda não sabemos.”
     
    KIT DE IRRADIAÇÃO
     
    Além do aumento no rigor da triagem de doadores de sangue, está em discussão no país a implantação de um sistema que inativa o vírus da zika ou de qualquer outro patógeno presente no sangue.
     
    Uma tecnologia, aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), consiste num kit de irradiação de raios UV-A, capaz de anular diversos vírus e bactérias.
     
    Segundo o HemoRio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro), ela começa a ser implantada no país no segundo semestre deste ano. O sistema já é usado em países como França, Holanda, Suiça, Bélgica, Espanha, México e Chile.
     
    Mas a tecnologia tem limitações, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da ABHH. Além de cara, ela só pode ser usada nas plaquetas e no plasma, deixando de fora as hemácias, que são as mais usadas nos bancos de sangue. Para ele, a adoção dessa tecnologia não se justifica.
     
    “Pode dar uma sensação de segurança para a população, mas essa segurança é parcial, já que a inativação só se aplica a uma parte do sangue doado”, diz Dante Langhi, da Hemorrede do Estado de São Paulo.
    As hemácias (glóbulos vermelhos) são usadas em casos de anemia, cirurgias ou pessoas que perdem muito sangue em acidente.
     
    Para que a irradiação UV-A seja eficaz, é preciso uma baixa densidade do sangue. A plaqueta e o plasma são amarelos e transparentes, então os raios penetram bem. Já no concentrado de hemácias a cor é densa, e o UV não penetra. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • Aedes aegypti infectados com bactéria não transmitem zika, aponta estudo

    Aedes aegypti infectados com bactéria não transmitem zika, aponta estudo

    Mosquitos Aedes aegypti quando infectados com a bactéria Wolbachia não conseguem transmitir o vírus da zika. É o que aponta cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em estudo publicado na revista científica “Cell Host & Microbe”, nesta quarta-feira (4). Segundo a pesquisa, a bactéria ainda é capaz de reduzir a replicação do vírus no organismo do mosquito.
     
    O estudo faz parte do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, que investiga o papel da bactéria Wolbachia como uma alternativa natural, segura e autossustentável para diminuição da incidência da dengue, chikungunya e zika no país.
     
    Cientistas usaram quatro grupos de mosquitos Aedes aegypti. Em duas gaiolas colocaram Aedes aegypti com Wolbachia, criados em laboratório, e em outras duas, mosquitos sem a bactéria, coletados no Rio de Janeiro. Os insetos foram alimentados com sangue humano de pessoas que contraíram o vírus da zika em São Paulo e em Pernambuco.
     
    Depois de 14 dias que os mosquitos tiveram contato com o vírus, foram coletadas amostras de saliva de dez Aedes aegypti com a bactéria e de dez insetos sem a Wolbachia. Os pesquisadores pretendiam infectar 160 insetos e ainda analisar se eles seriam infectados pelo vírus presente nas salivas dos outros mosquitos. Porém, nenhum dos mosquitos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus da zika. Por outro lado, 85% dos Aedes aegypti que receberam saliva do mosquito sem Wolbachia ficaram altamente infectados.
     
    “Por mais que a saliva dos Aedes aegypti com Wolbachia apresentasse partículas virais de zika, em nenhum caso a saliva foi capaz de infectar outros mosquitos. Esses dados são similares ao efeito anteriormente observado sobre o potencial de transmissão do vírus dengue por Aedes aegypti com Wolbachia. Isso nos mostra que o uso de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia também tem potencial para ser utilizado para controle da transmissão do vírus da zika”, afirma o pesquisador Luciano Moreira, coordenador do estudo e líder do projeto.
     
    Outros experimentos
     
    Amostras de abdômen e cabeça/tórax dos mosquitos foram analisadas para saber se os tecidos dos insetos estudados restavam contaminados pelo vírus. Foram divididos quatro grupos de 20 insetos com e sem Wolbachia, em dois momentos. Sete dias após a ingestão do sangue infectado com a cepa de Pernambuco, houve uma redução de 35% na replicação do vírus da zika no abdômen e de 100% na cabeça/tórax no grupo de insetos com a Wolbachia quando comparados ao grupo sem a bactéria.
     
    O estudo mostrou ainda que após 14 dias da infecção inicial, as reduções foram de 65% e 90%, respectivamente. No grupo que recebeu sangue infectado com a cepa de São Paulo, após sete dias, as reduções atingiram os índices de 67% e 95%, no abdômen e na cabeça/tórax, e 68% e 74%, nos mesmos tecidos, após 14 dias.
     
    “Ainda não se sabe o que acontece no organismo do mosquito com Wolbachia quando ele é infectado com o vírus da zika, por exemplo. No entanto, percebemos que nesta competição a bactéria leva a melhor. Ela consegue reduzir a replicação do vírus”, diz o pesquisador.
     
    Sem zika
     
    Cientistas também estudaram amostras de saliva de 20 mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia e de 20 Aedes aegypti sem a bactéria, que receberam sangue infectado com a cepa isolada de Pernambuco. O material foi coletado 14 dias após o recebimento do vírus no mosquito. Neste período, o patógeno já teria se espalhado pelo organismo do mosquito e chegado à glândula salivar. Pesquisadores queriam descobrir o percentual de vírus que chegaria até este estágio, que é quando o mosquito fica capaz de transmitir o zika. O resultado apontou que 55% dos mosquitos com Wolbachia não apresentava o vírus.
     
    “Na natureza, ao picar um indivíduo infectado, o mosquito também se infecta. O vírus, então, irá percorrer um longo caminho por todo o corpo do inseto até chegar à glândula salivar. Alcançar um resultado que demonstra que mais da metade dos Aedes com Wolbachia sequer apresentarão zika na saliva, caso sejam infectados, reforça ainda mais o potencial de utilização em larga escala que esta estratégia apresenta”, diz Moreira.
     
    O projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” começou em 2012 e faz estudos de campo no Rio de Janeiro, nos bairros de Tubiacanga e Ilha do Governador, e em Niterói, no bairro de Jurujuba. Um dos resultados do estudo científico mostrou que 80% dos mosquitos Aedes aegypti das áreas pesquisadas possuíam a bactéria Wolbachia. A pesquisa ocorreu entre agosto de 2015 e janeiro de 2016.
     
    Fonte: Uol Saúde