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  • Relatório da OMS mostra que é possível eliminar a malária até 2030

    Relatório da OMS mostra que é possível eliminar a malária até 2030

    Apesar de ser uma meta ambiciosa, a Organização Mundial da Saúde, OMS, afirma que é possível eliminar a malária até 2030. A agência da ONU divulgou números neste 25 de abril, Dia Mundial de Luta contra a Malária.
     
    Segundo a OMS, é possível alcançar o objetivo em pelo menos 35 países. A Europa, por exemplo, reportou na semana passada estar livre da doença. De 91 mil casos em 1995, nenhum foi registrado no ano passado.
     
    Estratégia
     
    Fora da região, oito países não tiveram nenhum caso de malária em 2014: Argentina, Costa Rica, Iraque, Marrocos, Omã, Paraguai, Sri Lanka e Emirados Árabes Unidos.
     
    A OMS destaca que outros 12 países relataram entre 100 e 1 mil casos da doença no mesmo ano. Uma estratégia aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde em 2015 pede a eliminação da malária em pelo menos 10 países até 2020.
     
    Taxa de Mortalidade
     
    A OMS calcula que 21 nações estão em posição de atingir a meta, inclusive seis países da África, região que tem os níveis mais altos de malária. O relatório apresenta também avanços conquistados desde 2000: a taxa de mortalidade pela doença caiu 60% no mundo.
     
    Só na África, esse índice diminuiu 66% e se forem consideradas as mortes por malária somente entre crianças menores de cinco anos de idade, a queda foi ainda maior, de 71%.
     
    Investimentos
     
    Os avanços foram possíveis graças à promoção de medidas de controle: mosquiteiros com inseticida, sprays contra o mosquito, testes de diagnóstico rápido e terapias de tratamento com base na substância artemisinina.
     
    A OMS lembra que eliminar a malária não será fácil. Quase metade da população mundial, ou 3,2 bilhões de pessoas, continua em risco. No ano passado, 214 milhões de novos casos foram registrados em 95 países e mais de 400 mil pessoas morreram pela doença.
     
    Alcançar essa meta requer investimentos de US$ 8,7 bilhões por ano até 2030, sendo que atualmente, são investidos US$ 2,5 bilhões anualmente.
     
    Font: Uol Saúde
  • Contágio sexual por zika leva a nova orientação a grávidas

    Contágio sexual por zika leva a nova orientação a grávidas

    Em um mês, o número de países com registros de transmissão sexual do vírus da zika mais do que dobrou, o que levou autoridades de saúde a lançar mais uma orientação às grávidas: o uso de camisinha nas relações sexuais. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), até o dia 14 de abril, sete países (EUA, França, Itália, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Peru) tinham registros da transmissão sexual do zika. Em março, eram três.
     
    Embora recomendado pela OMS e pelo CDC (Centros de Controle de Doenças, dos EUA), o uso de preservativos pelas grávidas e seus parceiros é controverso no Brasil. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, endossa essa orientação e semana passada publicou nota, recomendando, inclusive, o uso do preservativo feminino.
     
    “A hipótese de transmissão sexual ganhou força, com vários países relatando casos, e não podemos descuidar, principalmente, das gestantes. A camisinha deve ser usada durante a gravidez”, diz o médico epidemiologista Fabio Mesquita, diretor do departamento de DST/Aids.
     
    Ele afirma que durante a gestação as mulheres têm vida sexual normal até pelo menos o sétimo mês de gravidez. “Não é comum usar preservativo com seus parceiros fixos. Mas agora é importante, assim como outras medidas de proteção repelente, calças e blusas de comprida”.
     
    Para o ginecologista Cesar Fernandes, presidente da Febrasgo (federação das sociedades de ginecologia), a transmissão sexual do zika preocupa, mas ainda não está bem dimensionada, o que dificulta estender a orientação para todas as gestantes.
     
    “Se o marido tiver zika, aí não tem dúvida de que precisa usar preservativo para evitar o risco da transmissão. Mas a recomendação indistintamente me parece um um pouco exagerada”, diz.
     
    A Febrasgo prepara uma cartilha para orientar os obstetras do país sobre como devem conduzir a questão do vírus da zika durante a gravidez, mas ainda não decidiu como vai tratar da questão do uso preservativo na gravidez. “O casal que já tem vida sexual estabelecida, não sei se vai aderir a isso camisinha”, afirma Fernandes.
     
    O obstetra Renato Kalil, do Hospital Albert Einstein, tem a mesma opinião. “É muita noia a recomendação para todas as gestantes. O foco ainda é prevenir a picada do mosquito, tem usar repelente, roupas compridas, usar roupas claras, as recomendações clássicas.”
     
    Quando o risco de transmissão do vírus é maior, ele recomenda o preservativo. “Todos os vizinhos de uma paciente grávida, que mora no Rio, pegaram zika. Por causa disso, ela se mudou temporariamente para Curitiba. O marido, por questões de trabalho, continuou no Rio. Então, já avisei que tem que usar o preservativo.”
     
    Para ele, é fundamental reforçar as informações sobre zika entre os obstetras. “Tenho muitos colegas que ainda duvidam que zika provoca microcefalia. O obstetra Thomaz Gollop, professor da USP, também diz que há resistência dos colegas no trato da questão. “Entre os infectologistas e imunologistas, a informação circula mais e eles já estão mais conscientes dos riscos.”
     
    Gollop afirma que recomenda que pacientes gestantes usem preservativo como forma de proteção contra o zika, mas a relutância tem sido grande. “Não aceitam, mesmo nas classes A e B. Se o marido propor o uso de preservativo, então, a coisa pega. As mulheres logo desconfiam de traição.”
     
    CASOS
     
    Ao todo, os sete países reúnem ao menos 20 casos suspeitos de transmissão sexual do vírus da zika. Todos têm histórico parecido: o parceiro viajou para uma região epidêmica e, quando retornou ao país de origem, acabou infectando a parceira ou o parceiro (há um caso envolvendo um casal gay).
     
    Outra característica em comum é o fato de o zika ter sido encontrado no sêmen dos viajantes. E nenhum outro vetor (mosquito aedes) foi localizado na região onde viviam os casais.
     
    Há também indicações iniciais da presença do vírus da zika em outros fluidos do corpo, como a saliva e a urina, mas não existe comprovação científica de transmissão por esses meios. Já em relação ao sangue, o país investiga pelo menos dois casos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Comissão deve concluir votação de projeto que torna mais ágil registro de medicamentos

    Comissão deve concluir votação de projeto que torna mais ágil registro de medicamentos

    A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) poderá votar na quarta-feira (20), em turno suplementar, o projeto que tem por objetivo aumentar a agilidade e a transparência nos processos de registro de medicamentos. Em caso de aprovação, o texto pode seguir direto para análise da Câmara dos Deputados.
     
    O autor do PLS 727/2015, senador José Serra (PSDB-SP), considera que a Lei 6.360/1976, que trata da questão, está “ultrapassada e desmoralizada em face dos atrasos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”. O projeto de Serra mantém os atuais 90 dias de prazo apenas para o registro dos chamados remédios urgentes, mas os medicamentos classificados como prioritários teriam 180 dias e os demais, os medicamentos “gerais”, 360 dias.
     
    O relator, senador Waldemir Moka (PMDB-MS), defendeu a aprovação do projeto. Para ele, as novas regras propostas têm potencial para combater os atrasos nesse processo e aumentar a transparência das decisões da Agência, beneficiando a saúde pública e todos os brasileiros.
     
    A proposta de José Serra também altera a Lei 9.782/1999, com o objetivo de melhorar o desempenho da Anvisa. Entre outras medidas, o texto estabelece que, em caso de descumprimento injustificado das metas e obrigações pactuadas pela agência, por dois anos consecutivos, os membros da diretoria colegiada serão exonerados, mediante solicitação do ministro da Saúde.
     
    Anabolizantes
     
    Outro projeto (PLS 120/2015) a ser votado em turno suplementar torna obrigação das academias de ginástica e de outros estabelecimentos esportivos afixar, em suas dependências, mensagens de advertência sobre os riscos do uso de anabolizantes sem indicação médica.
     
    De acordo com o projeto, o Poder Executivo deverá definir as competências de órgãos e entidades da administração federal que serão encarregados de aplicar as sanções previstas na lei. O texto é resultado de alterações feitas pela relatora, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), ao projeto do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).
     
    Conforme a Lei 9.965/2000, os anabolizantes só podem ser vendidos se houver prescrição médica e as farmácias são obrigadas a reter a receita por cinco anos. Os esteroides anabólicos androgênicos (EAAS) são substâncias sintéticas criadas para fins terapêuticos, mas devido aos seus efeitos de aumento da massa muscular, são utilizadas, muitas vezes indiscriminadamente, por praticantes de atividades físicas e esportivas.
     
    Fonte: Portal Senado
     
  • Uso abusivo reduz estoque de Tamiflu

    Uso abusivo reduz estoque de Tamiflu

    O uso abusivo de oseltamivir (Tamiflu), indicado para evitar complicações da gripe H1N1, está reduzindo rapidamente os estoques da rede pública e já provoca faltas pontuais do remédio em algumas regiões do Estado. A utilização indiscriminada do medicamento preocupa a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, que enviou um informe aos médicos paulistas, reforçando os critérios para a prescrição do medicamento.
     
    Nas últimas semanas,o órgão estadual observou um crescimento expressivo no consumo do oseltamivir distribuído nas unidades públicas de saúde. “Começou esse pavor por causa do H1N1 e, assim como houve uma corrida enorme atrás da vacina, também notamos um uso abusivo do medicamento. Ou seja, os médicos começaram a prescrever sem necessidade e nosso estoque caiu drasticamente. Estamos chegando a níveis críticos”, diz Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças da Secretaria Estadual da Saúde, que já pediu lotes extras do medicamento ao Ministério da Saúde.
     
    Até agora, o governo do Estado recebeu do ministério 2,9 milhões de cápsulas do medicamento, volume suficiente para tratar 297,8 mil pessoas. O número é seis vezes maior do que o total de tratamentos dispensados em todo o ano passado: 48,5 mil. “O estoque que pensamos que seria tranquilo para enfrentar toda a epidemia já está acabando. Isso quer dizer que o remédio está sendo dado para pacientes de faixas etárias fora dos grupos de risco, está sendo receitado de forma anárquica.” 
     
    Segundo Boulos, por enquanto há apenas desabastecimento pontual na região de São José do Rio Preto, no interior paulista,onde começou o surto,e possibilidade de falta na área de Presidente Prudente, onde o estoque está baixo. “A expectativa é de que, com os lotes extras, tenhamos medicamento suficiente para enfrentar o surto, mas é preciso ficar atento ao uso abusivo também por causa da possibilidade de isso criar uma resistência do vírus ao remédio e deixá-lo mais forte”, explica.
     
    Como revelado pelo Estado no início do mês, o ministério dobrou o pedido de antiviral ao laboratório Farmanguinhos, responsável pela produção,e terá estoque para tratar 2,5 milhões de brasileiros neste ano.
     
    Surto
     
    São Paulo é o Estado mais afetado pelo surto precoce de H1N1. De 1.º de janeiro a 12 de abril, 91 pessoas morreram por complicações da doença em cidades paulistas, nove vezes mais do que o número de vítimas de todo o ano passado. Apesar do quadro preocupante, cerca de 90% das pessoas infectadas evoluem para cura espontânea, sem necessidade de medicamento.
     
    O Tamiflu só é indicado para pessoas com sintomas de gripe que integram os grupos de risco,como idosos,doentes crônicos, gestantes e crianças. Ele também deve ser administrado nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que requer internação.Para que possa evitar as complicações da doença, o oseltamivir deve ser usado preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos primeiros sintomas. Um informe com os critérios para a prescrição do remédio e o alerta sobre as consequências do uso indiscriminado do produto foi enviado aos médicos paulistas pela secretaria por meio do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) na semana passada.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
     
  • CRF realiza I Ciclo de Palestra Agreste Sertão

    CRF realiza I Ciclo de Palestra Agreste Sertão

    O Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) realiza neste sábado, 23, o I Ciclo de Palestra Agreste Sertão no município de Arapiraca.  O encontro discute temas relacionados as práticas farmacêuticas até a legislação farmacêutica. 
     
    De acordo com o vice-presidente do CRF/AL, Robert Nicácio, o objetivo do evento é apresentar as novidades da prática farmacêutica para os profissionais que atuam na região agreste e sertão e cidades circunvizinhas. “Nossa área é muita dinâmica e esses encontros permitem que a gente possa sempre capacitar os nossos associados e informa-los sobre todas as novidades da nossa área. Esse é um dos nossos papeis”, destacou.
     
    As inscrições podem ser feitas no CRF/AL em Maceió e em Arapiraca. No ato da inscrição, os farmacêuticos deverão levar um pacote de fralda geriátrica que será doado para uma instituição de caridade. “Além de capacitar também estaremos fazendo uma ação social e ajudando uma instituição que cuida de idosos”, comentou Robert.
     
    Confira a programação:
     
    Antihipertensivos e suas principais interações com Eliane Campesatto
     
    Atenção e Prescrição farmacêutica ao paciente idoso com Ana Lo Prete
     
    Práticas Farmacêuticas no atendimento aos receituários da portaria 34/98 RDC 20/2011 e programa “Aqui tem farmácia popular” com Orlando José Palheta Campos.
  • Juristas questionam validade da lei que autoriza

    Juristas questionam validade da lei que autoriza

    Além de provocar a ira da comunidade científica, a decisão da presidente Dilma Rousseff de liberar a fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, está sendo contestada por juristas. A falta de consulta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é apontada como o principal ponto fraco da nova lei. Especialistas acreditam que, sem os testes clínicos exigidos para que a substância seja classificada como “medicamento”, a disponibilidade do produto com o consentimento do governo federal põe em risco a segurança do consumidor.
     
    Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio) e mestre em Direto da Regulação, Rafael Véras reconhece que o paciente deve ter autonomia para buscar qualquer tratamento que garanta a sua sobrevivência, incluindo métodos científicos, alternativos e religiosos. No entanto, a Anvisa, que exerce o papel de “polícia sanitária”, segundo ele, é imprescindível para definir se um medicamento é ou não seguro e eficaz. — Essa nova lei caracteriza um contorno institucional para que a vontade política prevaleça sobre a vontade reguladora, independente e isenta, já que o governo esvaziou a competência da Anvisa — condena Véras.
     
    O advogado Marcelo Calixto, professor de Direito do Consumidor da PUC-Rio, também considera que a aprovação da medida acarreta em danos à saúde do usuário da “pílula do câncer”. — É direito fundamental do consumidor ter segurança contra os riscos provocados por serviços perigosos e nocivos — ressalta. — É um problema, porque, como a substância não passou pelos testes necessários, não conhecemos seus riscos. Sem um estudo rigoroso, temos uma lei formada por uma antecipação inadequada e criticável.
     
    CAUSAS PERDIDAS
     
    Consumidores insatisfeitos com o tratamento à base de fosfoetanolamina sintética, no entanto, precisarão trilhar um caminho obscuro na Justiça. A ação civil pública começa na vara federal, mas o governo pode alegar que só aprovou a substância com base nos estudos conhecidos até a assinatura da lei.
     
    — Os fabricantes, por sua vez, responderiam a ações nas varas estaduais, mas eles podem afirmar que não sabiam os efeitos adversos da “pílula do câncer” — explica Calixto. — Mas, na verdade, eles têm muitos meios para obter informações sobre os produtos, já que aprofundam os estudos sobre as substâncias antes de vendê-las. E os fornecedores também poderiam ser acionados.
     
    Conselheira da OAB-RJ e professora de Pós-Graduação de Direito da Uerj, Vânia Aieta avalia que a abordagem dada pelo governo à fosfoetanolamina sintética pode determinar sua validade jurídica. — Muitos produtos, como vitaminas e pílulas anticoncepcionais, são comercializados em larga escala sem a aprovação da Anvisa. Se a pessoa aceita tomar, tem também uma parcela de responsabilidade — diz. — Outra situação, muito mais grave, seria se o governo tivesse apresentado a substância como a cura do câncer.
     
    Ainda assim, Vânia acredita que as ações judiciais contra a “pílula do câncer” são causas perdidas: os fabricantes da fosfoetanolamina sintética podem se proteger descrevendo uma série de possíveis efeitos colaterais na bula, por exemplo. — Quem lê bula não toma remédio. Há sempre uma lista de inúmeras recomendações — afirma. — Ainda estamos tateando possibilidades legais sobre a fosfoetanolamina sintética, porque não conhecemos uma situação semelhante.
     
    Fonte: O Globo
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    Recife – Para a pediatra Danielle Cruz, a microcefalia causada por zika é um alerta sanitário: chama a atenção do País para os riscos da falta de saneamento e para a proliferação desordenada do Aedes aegypti.
     
    Coordenadora do Laboratório de Microcefalia do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), ela cuida de 105 crianças com a má-formação e diz: “O Aedes continua aí. Quantas doenças mais ele pode trazer?” A seguir, trechos da entrevista. 
     
    Já identificaram algum padrão na microcefalia por zika?
     
    O espectro é variado. Há crianças que convulsionam tanto que precisam ficar internadas. Algumas quase não têm massa encefálica. Vão ter muitas dificuldades, até para se locomover e falar. A doença compromete de diferentes maneiras os movimentos voluntários. A fisioterapia poderá resolver parte deles, mas nem todos. Engolir, por exemplo, em parte, depende de movimentos voluntários. Mas há outras crianças que já interagem, riem, fazem alguns movimentos. 
     
    O número de casos caiu?
     
    Sim. Mas porque o vírus que circulou nos últimos meses não é zika. A zika volta agora, em março, abril, maio e junho. Ao menos foi assim no ano passado. Até onde sabemos, só tem um subtipo, uma variante. Assim, a maioria da população de Pernambuco já teve o vírus zika. A incidência deve diminuir, ao menos até que venha qualquer novo subtipo. A dengue já tem quatro. O vírus que circula agora é o chikungunya, que eu acho mais grave.
     
    Por quê?
     
    O zika tem essa ponta de iceberg que é a microcefalia na gestação. Não sabemos quais efeitos terão nas mulheres no futuro nem o que vai acontecer com os bebês quando crescerem, mas fora da gravidez o zika passa quase despercebido. O chikungunya pode deixar a pessoa com dores articulares por um, dois anos. A maioria das mães que tiveram zika agora está com chikungunya. 
     
    Por que a maioria dos doentes é de famílias carentes?
     
    Porque na periferia faltam saúde pública e saneamento, e há mais mosquitos. Se uma mulher que come caviar cruzar com o Aedes aegypti pode ser infectada. Há várias crianças com microcefalia sendo tratadas na rede particular. O mosquito não escolhe. 
     
    O transmissor é o problema?
     
    Sim. Dengue, zika, chikungunya eram doenças desconhecidas porque estão no terceiro mundo. Eu vou falar uma coisa dura: às vezes, é mais fácil lidar com a morte do que com sequelas. Eu cansei de ver crianças morrendo por dengue hemorrágica, mas o mundo não estava interessado. A microcefalia é visível, por isso chamou a atenção. No começo, até eu tinha dificuldade. Fechava os olhos e só via eles. Acordava de madrugada com o choro na minha cabeça. O mosquito Aedes continua aí. Quantas doenças mais ele pode trazer?
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Ministério da Saúde sugere receita controlada da

    Ministério da Saúde sugere receita controlada da

    Após a presidente Dilma Rousseff sancionar a lei que libera o uso da fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, o Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (14) que irá sugerir critérios específicos para a produção, distribuição e o uso dos produtos.
     
    Segundo a pasta, a ideia é que a prescrição médica ocorra em talonário numerado, o que tornaria possível o rastreamento dos pacientes, assim como ocorre para uso de medicamentos de uso controlado. Nas receitas, também deve constar justificativa para o uso.
     
    Pacientes também devem assinar um termo de responsabilidade, o qual deverá especificar que o uso da substância “não substitui as terapias convencionais”.
     
    No documento assinado, o paciente também se comprometerá a realizar exames periódicos e assume os riscos de eventuais efeitos colaterais. A medida ocorre porque a substância, embora tenha sido desenvolvida há 20 anos no Brasil, nunca passou por estudos que poderiam comprovar sua segurança e eficácia.
     
    Ainda segundo o Ministério da Saúde, outra iniciativa em discussão é que estabelecimentos fornecedores do produto mantenham balanços com a movimentação da substância. Pela lei, todos os locais deverão ser licenciados e submetidos à aprovação dos órgãos sanitários.
     
    As medidas ocorrem após a presidente, em meio à forte pressão do Congresso, sancionar a liberação da fosfoetanolamina, mesmo após receber recomendação contrária do Ministério da Saúde.
     
    Diante da medida, o governo planeja agora formar um novo comitê com especialistas e representantes de diversos órgãos para discutir a regulamentação do tema e acompanhar os resultados das pesquisas. Segundo a pasta, o plano poderá estimular, ainda, o desenvolvimento da monoetanolamina e outras substâncias encontradas na pílula, caso sejam eficazes no tratamento do câncer.
     
    O ministério lembra ainda que a pílula não está disponível no SUS –o que só poderia ocorrer caso houvesse comprovação de segurança e eficácia.
     
    RISCOS À SAÚDE
     
    Diferentes entidades da área da saúde manifestaram preocupação nesta quinta-feira (14) com a liberação da fosfoetanolamina e alegam que a medida deve trazer sérios riscos à saúde da população.
     
    “Quem assegurará ao consumidor que a substância que está adquirindo não é uma inescrupulosa falsificação? Quem garantirá que a quantidade da substância informada na embalagem é efetivamente a que existe no interior de cada cápsula? Como ter certeza que no interior de cada cápsula existe apenas a fosfoetanolamina, e não outras substâncias que poderão ser ingeridas sem que o consumidor saiba de sua existência?”, questiona a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em nota.
     
    Segundo a agência, o projeto transforma em “medicamento” autorizado uma substância que não passou pelas etapas de estudo necessárias para isso.
     
    A Anvisa diz ainda que a autorização para o uso do produto antes da conclusão dos estudos clínicos “abre perigoso precedente” e “afronta o sistema regulatório em vigor, que foi estabelecido pelo próprio Congresso Nacional”.
     
    Posição semelhante tem representantes da indústria farmacêutica. Para Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindusfarma, a iniciativa por liberar o uso da substância foi uma medida “extremamente populista e sem base científica”.
     
    “Esse produto não tem prova de eficácia, muito menos de segurança. Se bem não faz, pode fazer muito mal”, afirma ele, que cita o risco de pacientes pararem o tratamento com a quimioterapia. Ele também crê que os relatos positivos da fosfoetanolamina sejam apenas placebo.
     
    De acordo com Mussolini, a alegação, por parte de defensores da substância, de supostos interesses da indústria farmacêutica em tentar ocultar a substância por seu baixo custo “não tem nenhuma lógica”.
     
    “A indústria que conseguisse descobrir uma pílula tão milagrosa como dizem que é essa seria referência mundial”, afirma, citando como exemplo as primeiras empresas a desenvolverem o coquetel contra a Aids ou tratamento de leucemia, hoje referências no setor.
     
    Diretor da Interfarma, Octávio Nunes classificou a medida como um “desrespeito ao paciente brasileiro, à ética e um desafio às autoridades brasileiras”.
     
    Para ele, o país vive um descompasso, com demora na aprovação e incorporação de medicamentos de eficácia comprovada e liberação “a toque de caixa” de uma substância sem estudos concluídos.
     
    “Supondo que daqui a três anos não se tenha essa comprovação, o que vão dizer ao paciente brasileiro? Desculpas, não é nada disso?”, questiona.
     
    `NÃO` À PRESCRIÇÃO
     
    Em nota, o CFM (Conselho Federal de Medicina) diz não recomendar aos médicos que prescrevam a substância até que as pesquisas clínicas, capazes de comprovar segurança e eficácia, sejam concluídas.
     
    A recomendação do conselho é endossada pela AMB (Associação Médica Brasileira), para quem a aprovação da lei foi “imprudente” e coloca em risco a saúde dos pacientes com câncer.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
  • Associações de pacientes não recomendam uso da

    Associações de pacientes não recomendam uso da

    A sanção presidencial da lei que, entre outras coisas, autoriza o uso da fosfoetanolamina, droga que ficou conhecida como “pílula do câncer”, gerou dúvidas e reações de associações de pacientes, profissionais da saúde e hospitais.
     
    O movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) divulgou uma nota direcionada aos pacientes interessados na substância. Nela, defendem que é preciso se informar antes de fazer uso da fosfoetanolamina, a “pílula do câncer”. O grupo é composto por mais de 50 entidades.
     
    Uma das questões abordadas –talvez a mais comum– é: “Devo tomar a fosfo?”. A resposta é que hoje há diversas opções para o tratamento do câncer, que já passaram por estudos clínicos e que recorrer à pílula do câncer pode não ser a melhor ideia neste momento, já que a droga ainda não foi bem estudada.
     
    O documento ainda recomenda que o paciente “converse com o seu médico e esgote as possibilidades de utilização de terapias disponíveis para o seu caso.”
     
    Outra reação, do Instituto Oncoguia, elenca uma série de perguntas ainda sem respostas. Uma delas é: para quem é entregue o termo de responsabilidade? Outra: Onde a droga será entregue ou vendida? Quem vai fabricar?
     
    “A Anvisa vai ter que regular algo a que ela se opõe. A gente quer acreditar que pode ser uma esperança, mas precisamos de provas de que funciona, de segurança, de que estudos clínicos sejam feitos”, lamenta a presidente do instituto, Luciana Holtz.
     
    Recorrer à “fosfo” pode gerar grande prejuízo para pacientes em tratamento de câncer. “Do agendamento de uma mamografia até o início de um tratamento, pode demorar quase um ano. Se a paciente resolve usar a droga e depois piora e desiste, ela tem que voltar para o começo da fila.”
     
    “São coisas complicadas para o paciente com câncer. Ele está geralmente muito envolvido e cheio de dúvidas na cabeça. Não dá tempo de entender tudo. Esse inclusive é nosso papel, fazer com que o processo seja menos burocrático para que haja acesso ao melhor tratamento. No caso da `fosfo`, é trocar o certo pelo incerto.”
     
    INFORMAÇÃO
     
    Para Merula Steagall, presidente da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), que faz parte do TJCC, no entanto, a ideia não é se posicionar contra ou a favor ao uso da substância. A proposta é informar os pacientes.
     
    “A gente defende que há muitas formas de tratamento comprovadas, que é preciso sempre conversar com profissionais da saúde sobre o tratamento”, diz.
     
    “Para o paciente que já falhou em várias tentativas, que não tem mais respostas na ciência, então ele deve conversar com seu médico e pensar na opção da fosfo.” Para ela, a fosfoetalomina seria algo suplementar para pacientes terminais como ajuda espiritual, acupuntura ou até mesmo homeopatia.
     
    O documento esclarece ainda que “não se sabe ao certo qual a maneira correta de tomar a fosfo” porque os estudados sobre a substância ainda estão em andamento.
     
    A ideia inicial do movimento, de acordo com Steagall, era fazer uma carta à presidente Dilma Rousseff. A conclusão, no entanto, foi que a iniciativa seria inútil. “A gente já sabia que a Dilma iria acabar sancionando por causa da atual crise política”, diz. Daí a ideia de mudar o foco para os pacientes.
     
    “O que mais me preocupa nesta historia e que as instituições que deveriam cuidar da nossa segurança foram desacreditadas. Quando a solicitação de ritos de segurança pedidos por agencias de regulação, cientistas, médicos, acadêmicos, revistas científicas renomadas e ignorada, voltamos para as trevas. Quem vai nos defender de um charlatão? Quem vai decidir se um tratamento e seguro ou fútil? Grupos de pessoas desesperadas? “, diz Bernardo Garicochea, chefe de pesquisa clínica do Hospital Sírio-Libanês.
     
    O documento está disponível no site do movimento e de todas as 50 instituições que fazem parte dele também, o Hospital Sírio-Libanês, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Interfarma. O leitor pode ler aqui.
     
    Steagall disse ainda que o movimento pretende acompanhar os estudos clínicos de fosfoetanolamina com pacientes. Um deles será conduzido no hospital A.C.Camargo, referência na área de oncologia.
     
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    Perguntas e respostas
     
    Se um paciente quiser usar a fosfo, como ele deve proceder?
     
    Segundo a lei, somente agentes autorizados e licenciados por autoridades sanitárias podem fazer essa distribuição. Até o momento, não há informações sobre quais estabelecimentos devem fornecer o produto.
     
    A lei não diz que é necessário ter a prescrição de um médico. Bastam o laudo médico comprovando o câncer e o termo assinado pelo próprio paciente?
     
    Não. O Ministério da Saúde está formando um grupo para regular essa questão. A ideia é que a prescrição ocorra em receita em talonário numerado, usada para medicamentos controlados, que permitem o rastreamento do paciente, e que contenham justificativa para o uso.
     
    Pra quem ele entrega o termo de responsabilidade para obter a droga?
     
    Não há essa informação.
     
    Onde ele vai retirar a substância?
     
    Não há essa informação.
     
    Ela estará disponível no SUS? Vai estar à venda?
     
    Não. Segundo o Ministério da Saúde, os interessados em adquirir a fosfoetanolamina devem arcar com os custos da aquisição, já que a substância não está incorporada no SUS, o que só poderia ocorrer diante de uma comprovação de segurança e eficácia, critérios utilizado e analisado pela Conitec (comissão que avalia novas tecnologias no SUS) para tomar a decisão.
     
    Quem produzirá a substância?
     
    Ainda não há informações sobre como seria neste momento. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia já afirma que, futuramente, na hipótese de comprovada a segurança e eficácia com o avanço dos estudos, o governo deve buscar parcerias com empresas públicas para isso.
     
    Haverá uma bula?
     
    Não há informação. Esse é um dos pontos de preocupação de entidades contrárias à nova lei.
     
    Qual deve ser a dose diária para cada paciente e tipo de tumor?
     
    Não há estudos sobre isso. O Ministério da Ciência e Tecnologia, no entanto, já divulgou, com base no resultado dos primeiros estudos, que a pílula seria tóxica em humanos na quantidade de 1 g por dia. Mesmo assim, a quantidade que geraria algum efeito biológico seria gigantesca, de acordo com os mesmos estudos
     
    Tem interação com algum outro medicamento?
     
    Como os estudos não chegaram sequer às primeiras etapas da fase de pesquisa clínica, feita em humanos, não há informação. Esse é um dos pontos de preocupação de entidades contrárias à nova lei.
     
    Quem fará o controle de qualidade?
     
    Ainda não há uma definição sobre isso. A ideia inicial, porém, é que a fiscalização ocorra em conjunto pela Anvisa e Ministério da Saúde, que já planeja pedir balanços mensais da movimentação do produto a eventuais fornecedores
     
    Se o paciente passar mal ou não tiver sucesso no tratamento, com quem reclamará?
     
    Segundo o Ministério da Saúde, o paciente deve assinar um termo de consentimento em que assume o risco de efeitos adversos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
  • Presidente Dilma sanciona lei que libera

    Presidente Dilma sanciona lei que libera

    Apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter visto com preocupação a liberação sem garantia de eficácia e segurança, a presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei que autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética, apelidada de “pílula do câncer”, por pacientes diagnosticados com tumores malignos.
     
    A sanção da lei número 13.269, de 13 de abril de 2016, foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (14). O artigo 1º destaca que “esta Lei autoriza o uso da substância fosfoetanolamina sintética por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna”.
     
    O artigo 2º ressalta, porém, que só “poderão fazer uso da fosfoetanolamina sintética, por livre escolha”, os pacientes que apresentarem “laudo médico que comprove o diagnóstico” e “assinatura de termo de consentimento e responsabilidade pelo paciente ou seu representante legal”.
     
    Aprovação no Congresso
     
    O Senado aprovou no dia 22 de março, em votação simbólica, o projeto de lei que permite a fabricação, distribuição e o uso da fosfoetanolamina sintética. Como não houve alterações ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, o projeto seguiu para a sanção presidencial.
     
    Desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) para o tratamento de tumor maligno, a substância é apontada como possível cura para diferentes tipos de câncer, mas não passou por esses testes em humanos e não tem eficácia comprovada.
     
    “Ficam permitidas a produção e manufatura, importação, distribuição e prescrição, dispensação, posse ou uso da fosfoetanolamina sintética, direcionadas aos usos de que trata esta lei, independentemente de registro sanitário, em caráter excepcional, enquanto estiverem em curso estudos clínicos acerca dessa substância”, diz o texto.
     
    O projeto ressalva, porém, que a produção da “pílula do câncer” só pode ser feita por “agentes regularmente autorizados e licenciados pela autoridade sanitária competente”.
     
    Surgimento da pílula
     
    A fosfoetanolamina sintética começou a ser estudada no Instituto de Química da USP em São Carlos, pelo pesquisador Gilberto Chierice, hoje aposentado. Apesar de não ter sido testada cientificamente em seres humanos, as cápsulas foram entregues de graça a pacientes com câncer por mais de 20 anos.
     
    Em junho do ano passado, a USP interrompeu a distribuição e os pacientes começaram a recorrer da decisão na Justiça. Em outubro deste ano, a briga foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a produção e distribuição do produto.
     
    Mas, desde novembro, por causa de uma nova decisão judicial, a distribuição da substância estava proibida. A polícia chegou a fechar um laboratório em Conchal (SP), que estava produzindo ilegalmente a substância.
     
    Fechamento laboratório
     
    A Universidade de São Paulo (USP) tinha fechado no dia 1º de abril o laboratório de São Carlos que produzia a fosfoetanolamina sintética.
     
    Fonte: G1 – Bem Estar