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  • Infecções por HIV caem no mundo, mas crescem no Brasil, diz ONU

    Infecções por HIV caem no mundo, mas crescem no Brasil, diz ONU

    Novos casos de contaminação no país subiram 11% entre 2005 e 2013
    Informações foram divulgadas nesta quarta-feira pela Unaids.
     
    Dados divulgados nesta quarta-feira (16) pela Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, aponta que o índice de novos infectados pelo vírus no Brasil subiu 11% entre 2005 e 2013, tendência contrária aos números globais, que apresentaram queda.
     
    No mesmo período, a quantidade de casos no mundo caiu 27,5%, de 2,9 milhões, em 2005, para 2,1 milhões, em 2013. Desde 2001, a queda foi de 38%. As informações estão em um novo relatório que analisa o impacto da Aids no planeta.
     
    As mortes relacionadas com o vírus registraram queda de mais de um terço na última década. Em 2013, 1,5 milhão de pessoas morreram vítimas da doença, uma queda de 11,8% em comparação com 1,7 milhão de mortes em 2012, segundo os números da ONU. Além disso, o número representa uma queda de 35% na comparação com as 2,4 milhões de mortes registradas em 2004 e 2005.
     
    “Terminar com a epidemia da Aids é possível', afirmou Michel Sidibe, diretor Unaids. “Restam cinco anos para estabelecer os objetivos, que foram cumpridos até agora. Os próximos cinco anos serão decisivos para os próximos 15”, completou.
     
    O relatório destaca que 35 milhões de pessoas viviam com o HIV em 2013, um número um pouco superior aos 34,6 milhões de 2012. “Dos 35 milhões de pessoas que vivem com o HIV no mundo, 19 milhões não sabem que são soropositivos”, disse o diretor da Unaids.
     
    Dados do Brasil
     
    Segundo o relatório da ONU, o Brasil tinha 730 mil pessoas com Aids vivendo no país em 2013, número que representa 2% do total mundial. Estima-se que 44 mil pessoas tenham contraído o HIV apenas no ano passado, montante que também representa 2% do total global.
     
    O documento não apresenta a quantidade de casos existentes em 2005, apenas o percentual comparativo.
     
    Os dados das Nações Unidas afirmam que 16 mil pessoas com HIV morreram no ano passado e que 327.562 pessoas utilizavam antirretrovirais.
     
    Em relação à América Latina, 47% dos novos casos registrados no ano passado surgiram no Brasil, sendo o México o segundo país com mais contaminações novas.
     
    De acordo com a ONU, os grupos particularmente vulneráveis a novas infecções são transsexuais, homens que fazem sexo com outros homens, profissionais do sexo e seus clientes, além de usuários de drogas injetáveis.
     
    No fim do ano passado, o Ministério da Saúde havia divulgado que o país tinha cerca de 700 mil pessoas infectadas pelo vírus, sendo que 39 mil descobriram estar contaminadas em 2013. Além disso, o governo informou que 300 mil pessoas estavam em tratamento em 2013.
     
    África, o continente mais afetado
     
    A África continua sendo o continente mais afetado pela doença, com 1,1 milhão de mortos em 2013, 1,5 milhão de novas infecções e 24,7 milhões de africanos que vivem com o HIV.
     
    África do Sul e Nigéria encabeçam a lista de países mais afetados e a Unaids recorda que na África subsaariana ainda é muito difícil o acesso às camisinhas: cada indivíduo sexualmente ativo tem acesso a apenas oito preservativos por ano em média.
     
    A América Latina tinha 1,6 milhão de soropositivos em 2013 (60% deles homens) e o número de novos infectados permaneceu estagnado, com um recuo de apenas 3% entre 2005 e 2013. Na Ásia, os países que mais preocupam são Índia e Indonésia, onde as infecções aumentaram 48% desde 2005.
     
    O relatório da Unaids destaca os avanços no acesso aos tratamentos antirretrovirais, com 12,9 milhões de pessoas atendidas em 2013, contra apenas 5,2 milhões em 2009. Mas o importante avanço é inferior à meta da ONU, que espera 15 milhões atendidas em 2015.
     
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu recentemente mais esforços para tratar em particular os homens que têm relações sexuais com homens, as pessoas transgênero, detentos, profissionais do sexo e usuários de drogas.
     
    “Para garantir que ninguém ficará para trás nós temos que diminuir a brecha entre as pessoas que podem ser atendidas e as que não, entre as que estão protegidas e as que são castigadas”, disse o diretor da Unaids.
     
    O dinheiro destinado ao combate contra a Aids subiu de US$ 3,8 bilhões em 2002 para US$ 19,1 bilhões em 2013, mas está longe do objetivo da ONU de arrecadar entre 22 e 24 bilhões de dólares em 2015.
     
    fonte: G1 Saúde
     
  • Apesar de curável, hanseníase continua a ser estigmatizada

    Apesar de curável, hanseníase continua a ser estigmatizada

    Ao longo de sua adolescência, José Ramirez Jr., hoje assistente social em Houston, sofreu uma série de sintomas intrigantes. Às vezes ele tinha febre. Em outros momentos, náuseas. Suas mãos e pés inchavam, e surgiam feridas em sua pele que demoravam a cicatrizar. Ele sentia hipersensibilidade ao toque e era incapaz de aceitar a presença até mesmo de um lençol. Seus antebraços ficavam dormentes.
     
    Os dermatologistas não conseguiam compreender. Espíritas falavam em possessão demoníaca. Por fim, dois médicos de um hospital local enviaram uma amostra de sua pele para biópsia a pesquisadores federais em Atlanta. “Em 24 horas, o diretor do Departamento de Saúde do Texas veio me ver”, conta Ramirez. “E me contou que eu tinha hanseníase”.
     
    Isso aconteceu em 1968, quando Ramirez tinha 20 anos. Ele passou os sete anos seguintes no Leprosário Nacional norte-americano em Carville, Louisiana.
     
    Hoje, Ramirez, 66, está curado e não apresenta sinais visíveis da doença em termos de cicatrizes faciais, desfiguração, perda de dedos ou marcas profundas nas mãos e pés.
     
    Porém, as cicatrizes emocionais são outra coisa. O “estigma, culpa e vergonha” que acompanham a doença são mais fortes do que qualquer um poderia imaginar, diz Ramirez, e a ignorância quanto a ela continua profunda. É por isso que ele faz palestras no mundo inteiro, com a mensagem de que tudo que você pensa saber sobre a hanseníase provavelmente está errado.
     
    A mensagem ecoa também entre os pesquisadores, que dizem que a doença continua a confundi-los e a surpreendê-los. A hanseníase hoje pode ser curada por meio de um tratamento intensivo com antibióticos, mas a natureza da Mycobacterium leprae não está completamente definida.
     
    Um grupo de pesquisa sustenta que a hanseníase pode ser a mais antiga doença infecciosa a se propagar especificamente em seres humanos, com origens que remontam a milhões de anos.
     
    Mas os cientistas também constataram que o bacilo da hanseníase tem propriedades de migração baixas entre hospedeiros humanos. Morre rapidamente no interior do corpo, e cerca de 95% das pessoas parecem imunes a ele. “Eu o defino como um patógeno fracote”, diz Richard Truman, do Programa Nacional da Hanseníase norte-americano, na Louisiana.
     
    Estudos constataram que cerca de metade do DNA da M. leprae consiste em pseudogenes, sequências genéticas inertes. A proporção de código genético inativo pode explicar o motivo de o patógeno da hanseníase ter um dos tempos de geração mais lentos em sua categoria, dividindo-se apenas uma vez a cada 12 a 14 dias, ante os 20 minutos da onipresente E. coli.
     
    Ainda que a bactéria cresça lentamente, se não for tratada, ela se multiplicará em volume de trilhões, formando nódulos espessos e escamosos no rosto e nas extremidades do corpo -“leprae” é o termo grego para “escamoso”-, e destruirá as células de Schwann que protegem o sistema nervoso periférico.
    Hoje, a hanseníase é rara, mas ainda atinge 200 mil pessoas ao ano, a maioria delas no Brasil, na Índia e em países em desenvolvimento.
     
    Erwin Schurr, da Universidade McGill, em Montreal, e outros pesquisadores identificaram alguns genes de suscetibilidade à hanseníase, variações de genes humanos que por motivos ainda misteriosos parecem elevar a probabilidade de que a exposição ao patógeno resulte em doença.
     
    Os historiadores da medicina também estão questionando a suposição de que os portadores de hanseníase foram sempre rejeitados e excluídos. Os estudiosos apontam a frenética construção de leprosários, do século 11 ao 14 na Europa, como prova de que os leprosos eram considerados tão perigosos que era preciso isolá-los.
     
    Mas estudos recentes trazem o argumento de que essa mania relacionada à hanseníase era uma maneira que as aldeias encontravam de obter doações.
     
    Os leprosários surgidos no século 19 e no começo do século 20 funcionavam de fato como colônias de isolamento. O medo de contágio cresceu mesmo quando Gerhard Armauer Hansen, o médico norueguês que descobriu o M. leprae em 1874, não conseguiu oferecer provas de sua patogenia. Nenhum dos espécimes nos quais Hansen injetou amostras da bactéria, o que incluiu seu próprio corpo, foi contaminado.
     
    Os pesquisadores continuam intrigados pela recusa da bactéria a crescer em uma cultura de células ou praticamente qualquer animal não humano. A única e intrigante exceção é o tatu-verdadeiro. Pesquisadores afirmam acreditar que tatus selvagens, nativos do hemisfério ocidental, tenham contraído a infecção de colonos europeus dois séculos atrás.
     
    Nas terras alagadiças costeiras, nas quais a densidade populacional dos tatus pode ser alta, 20% ou mais deles, estima-se, estão infectados e podem transmitir a bactéria a seres humanos.
     
    Ramirez suspeita ter contraído hanseníase quando criança, trabalhando no campo com seu pai. Os tatus eram presença frequente nas áreas rurais.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos

    Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos

    Projeto utiliza engenharia genética para produção de insulina.
    Células pancreáticas ficarão em 'bolso' do lado de fora do abdômen.
     
    Um disco ultrafino de polímero, pouco maior do que um CD, implantado no abdômen poderia mudar a vida de milhões de diabéticos que dependem de insulina. O pâncreas bioartificial, desenvolvido por pesquisadores franceses, será testado pela primeira vez em humanos em 2016.
     
    Com o dispositivo, os pacientes não terão mais de receber injeções diárias de insulina: o hormônio será fabricado naturalmente pelas células do pâncreas (obtidas por engenharia genética a partir de células-tronco), dispostas dentro do bolso artificial.
     
    Este projeto, cuja aplicação em grande escala não deve ocorrer antes de 2020, “levanta muitas esperanças e expectativas” para 25 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1 em todo o mundo, diz Séverine Sigrist, pesquisadora da start-up francesa Defymed, responsável pelo protótipo.
     
    A ideia de um pâncreas bioartificial foi inspirada na técnica de transplante de células pancreáticas, destinadas a suprir a deficiência do pâncreas e fazer com que o organismo passe a fabricar a insulina por conta própria, regulando assim a quantidade de açúcar no sangue. O problema dessa técnica é que, com a escassez de células para transplante, ela só pode beneficiar uma pequena minoria de doentes. Ela também exige o tratamento com medicamentos imunossupressores, que trazem vários efeitos colaterais.
     
    “Daí a ideia de projetar um tipo de uma pequena caixa dentro da qual seriam colocadas as células pancreáticas, para que elas fiquem abrigadas contra o ataque do sistema imunológico”, diz Séverine.
     
    O desafio foi projetar uma membrana semipermeável, que garanta tal proteção ao mesmo tempo em que permita a passagem da insulina e também dos açúcares, para que as células pancreáticas “saibam” o quanto de insulina devem produzir.
     
    O disco de polímero será implantado no abdômen durante uma pequena cirurgia, e deve ser substituído a cada 4 ou 6 anos. No interior, as células pancreáticas serão renovadas, por meio de uma injeção subcutânea, a cada 6 ou 12 meses. Os pesquisadores observam que essa quantidade de injeções não tem nem comparação com o tanto de picadas que um paciente que depende de insulina tem que levar ao longo da vida.
     
    20 anos de pesquisa
     
    O desenvolvimento dessa membrana levou mais de 20 anos de pesquisa e 6 milhões de euros. O valor corresponde ao imenso potencial econômico da inovação, estimado em 4 bilhões de dólares.
     
    Depois de testes em animais, um estudo com 16 voluntários deverá começar no fim de 2015 ou início de 2016, em Montpellier, no sul da França e em Oxford, no Reino Unido. Os primeiros resultados devem estar disponíveis no final de 2017.
     
    Se for bem-sucedido, o tratamento poderá libertar os diabéticos do “fardo” que representa o tratamento diário com insulina, diz o médico Michel Pinget, diretor do Centro Europeu para o Estudos da Diabetes (CEED), que lidera o projeto em Estrasburgo.
     
    “Quando você é diabético, gosta de toda novidade que possa melhorar o cotidiano”, diz Éric Dehling, presidente da associação Insulib, que reúne mais de uma centenda de pacientes do leste da França. Para ele, as novas tecnologias, como as canetas e as bombas de insulina, já melhoraram a vida dos diabéticos. Mas o pâncreas bioartificial permite que eles sonhem com uma “qualidade de vida ainda melhor”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Um em três casos de Alzheimer pode ser evitado, diz estudo

    Um em três casos de Alzheimer pode ser evitado, diz estudo

    Pesquisa britânica aponta a diminuição de fatores de risco ligados ao estilo de vida como forma de prevenção.
     
    Um em três casos de Alzheimer do mundo todo pode ser evitado segundo um novo estudo da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.
     
    Em um artigo publicado na revista especializada The Lancet Neurology, a equipe de cientistas britânicos relatou que analisou dados baseados em levantamentos de população para descobrir os sete principais fatores de risco para desenvolver a doença.
     
    E estes fatores são: diabetes, hipertensão na meia-idade, obesidade na meia-idade, sedentarismo, depressão, fumo e baixo nível de instrução.
     
    Segundo os cientistas, um terço dos casos de Alzheimer podem estar conectados o a fatores ligados ao estilo de vida dos pacientes, que podem ser modificados, como a falta de exercício e o tabagismo.
     
    Os pesquisadores então analisaram como a redução destes fatores poderia afetar o número dos casos da doença no futuro.
     
    Com esta análise eles descobriram que, ao reduzir cada fator de risco em 10%, quase nove milhões de casos da doença poderiam ser evitados até 2050.
     
    As atuais estimativas sugerem que mais de 106 milhões de pessoas no mundo todo viverão com Alzheimer em 2050, mais de três vezes o número de pessoas afetadas em 2010.
     
    Idosos mais saudáveis
     
    Uma pesquisa anterior, de 2011, colocou a estimativa de prevenção em um a cada dois casos da doença que poderiam ser evitados, mas o novo estudo britânico levou em conta a justaposição de fatores de risco.
     
    “Apesar de não haver uma única forma de tratar a demência, nós poderemos tomar medidas para reduzir o risco de desenvolvermos demência durante a velhice”, disse a professora Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.
     
    “Sabemos o que muitos destes fatores são e frequentemente eles estão ligados. Simplesmente enfrentar a inatividade física, por exemplo, vai reduzir os níveis de obesidade, hipertensão e diabetes e evitar que algumas pessoas desenvolvam demência”, acrescentou.
     
    Simon Ridley, chefe de pesquisas na organização de caridade britânica voltada para a pesquisa do Alzheimer, a Alzheimer Research UK, afirmou que ainda é preciso descobrir muito sobre a doença.
     
    “Enquanto que a idade é o maior fator de risco para a maioria dos casos de Alzheimer, há vários fatores de estilo de vida e saúde em geral que podem aumentar ou diminuir as chances de uma pessoa desenvolver a doença”, disse.
     
    “No entanto, nós ainda não entendemos completamente os mecanismos que relacionam estes fatores com o início do Alzheimer”, acrescentou.
     
    “E, como ainda não há uma maneira de evitar o Alzheimer, a pesquisa precisa continuar para conseguir as provas mais decisivas sobre os fatores de saúde e ambientais e ajudar as pessoas a reduzirem o risco.”
     
    Entre os sete fatores de risco, a maior proporção de casos de Alzheimer nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e no resto da Europa pode ser atribuída à inatividade física.
     
    Segundo o estudo, um terço da população adulta destes países não pratica atividades físicas.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Roche diz ter obtido prioridade em revisão de remédio para câncer de colo do útero

    Roche diz ter obtido prioridade em revisão de remédio para câncer de colo do útero

    A farmacêutica Roche disse que os reguladores de saúde dos Estados Unidos garantiram prioridade na revisão do remédio Avastin quando combinado com quimioterapia para tratamento de mulheres com câncer de colo de útero.
     
    Uma aprovação pela reguladora dos EUA, a FDA, para o tratamento desse tipo de câncer abriria um grande mercado para o uso do remédio por pacientes para os quais a quimioterapia não teve efeito.
     
    Cerca de 4 mil mulheres nos EUA e outras 250 mil no mundo todo morrem todos os anos por essa doença.
     
    “Essa aplicação regulatória para o Avastin é importante porque a quimioterapia é o único tratamento aprovado para mulheres com metástase, câncer de colo de útero persistente ou recorrente”, disse Sandra Horning, vice-presidente médica e chefe de Desenvolvimento Global de Produto da Roche, em um comunicado.
     
    A aprovação segue um estudo favorável que mostrou que o remédio ajudou a prolongar a vida de mulheres com esse tipo de câncer em estágio avançado, quando combinado com quimioterapia em um estudo clínico avançado.
     
    Fonte: Reuters Brasil
  • Vacina contra a dengue consegue 56% de proteção

    Vacina contra a dengue consegue 56% de proteção

    Um estudo publicado na revista científica “Lancet” apresentou os resultados da fase 3 (última etapa de testes, que avalia a eficiência de uma substância) de uma vacina contra a dengue. A proteção total alcançada foi de 56%.
     
    Não existe atualmente nenhuma vacina que previna a doença. “O grande problema de se produzir uma vacina contra a dengue é que você precisa de 4 vacinas em 1, uma para cada subtipo”, explica o infectologista Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP.
     
    Neste ano, pela primeira vez, os quatro subtipos da doença circularam no Estado de São Paulo.
     
    Kallás considera o resultado da proteção de “moderado para baixo”. “É muito difícil imaginar a aprovação de uma vacina contra a dengue que apresente uma proteção desse nível, diz.
     
    Lucia Bricks, diretora de saúde pública da Sanofi Brasil, empresa que produziu a vacina, diz que “o resultado é muito bom dentro do contexto da dengue no mundo, já que temos milhões de casos todos os anos”. Ela diz que a meta da Organização Mundial de Saúde é que até 2020 o número de casos de dengue diminua 25%. “Nossa vacina conseguiu mais do que o dobro disso.”
     
    O resultado da proteção por subtipo foi desigual: para o tipo 1, a proteção foi de 50%, para o tipo 2, 35%, para o tipo 3, 78%, e 75% para o tipo 4. “Traz preocupação essa proteção menor da dengue tipo 2”, diz Esper Kallás. Esse tipo circulou na epidemia em Campinas, neste ano.
     
    O estudo contou com 10.275 crianças de 2 anos a 14 anos da Ásia. Destas, 6.851 receberam a vacina e 3.424, um placebo. Segundo Bricks, um estudo com a mesma vacina com cerca do dobro de participantes na América Latina, incluindo o Brasil, deve estar pronto em breve.
     
    A proteção é feita em três doses, com intervalos de seis meses. Para Kallás, esse esquema de vacinação torna a vacina pouca prática.
     
    “Esse é o esquema pelo qual conseguimos demonstrar a resposta imune mais equilibrada e que acreditamos que forneça a proteção mais longa”, explica Bricks.
     
    A eficácia da vacina contra a dengue hemorrágica (forma mais grave da doença) foi de 88,5%. No grupo de vacinados, houve três casos dessa forma da doença. No grupo-controle, porém, houve 13 casos. “É uma diferença significativa”, diz Kallás.
     
    O infectologista lembra que o estudo foi feito na Ásia com crianças. “Mas, no Brasil, o número de casos de dengue em crianças é muito menor do que em adultos.” Para ele, não é possível extrapolar os resultados dessa vacina para o contexto brasileiro.
     
    Segundo Bricks, nos últimos anos têm aumentado os casos de crianças com dengue no Brasil. Ela diz que estudos preliminares mostram que a resposta imune de adultos e adolescentes seria até maior do que a apresentada pelas crianças.
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • HIV volta a aparecer no sangue de criança considerada curada

    HIV volta a aparecer no sangue de criança considerada curada

    A menina que médicos acreditavam ter sido curada da infecção por HIV voltou a apresentar níveis detectáveis do vírus, anunciaram autoridades sanitárias dos EUA nesta quinta-feira (10).
     
    O histórico da criança, revelado pela primeira vez num encontro médico em março de 2013, tinha sido o primeiro relato de um bebê que se livrara da infeção após receber um tratamento agressivo de antirretrovirais em suas primeiras 30 horas de vida.
     
    O caso gerou a esperança de que 250 mil crianças nascidas soropositivas anualmente no mundo pudessem ter uma chance de cura. Mas, na semana passada, médicos descobriram que o HIV tinha voltado a se reproduzir.
     
    “É uma reviravolta frustrante para essa jovem criança, para a equipe médica envolvida em seu tratamento e para a comunidade de pesquisa em HIV/Aids”, afirmou Anthoni Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Alergênicas e Infecciosas dos EUA, em entrevista coletiva.
     
    A menina, hoje com quatro anos, havia nascido prematura num hospital do Mississipi. Sua mãe, que é soropositiva, não havia recebido nenhum cuidado pré-natal. Após o parto, a criança foi transferida às pressas para o Centro Médico da Universidade do Mississipi, onde Hannah Gay, pediatra especialista em HIV, iniciou um tratamento intenso, administrando um coquetel de três drogas antivirais poderosas.
     
    Normalmente, crianças com suspeita de infecção por HIV recebem terapias menos agressivas antes de testes confirmarem o problema.
     
    A criança permaneceu por 18 meses em tratamento, que depois foi interrompido. Ao retornar para o centro médico algumas semanas mais tarde, a menina não apresentava nenhum sinal do vírus.
     
    MUDANÇA DE PLANO
     
    A evolução da criança foi acompanhada de perto pelos médicos. Na semana passada, ela havia completado 27 meses sem necessidade de receber drogas. Ela agora está sendo tratada com antirretrovirais que provavelmente terá de tomar pelo resto de sua vida, a não ser que uma cura seja encontrada dentro das próximas décadas.
     
    Hannah Gay descreveu sua decepção como “um soco no estômago”. Fauci, porém, afirma que a criança do Mississipi ainda é um caso importante, pois mostra que um tratamento rápido e intenso pode impedir o vírus de se reproduzir. Em maio, ele havia anunciado a intenção de testar a técnica em mais crianças, mas afirma que deve reavaliar o plano agora. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Cientistas europeus ameaçam boicotar estudo sobre o cérebro

    Cientistas europeus ameaçam boicotar estudo sobre o cérebro

    Mais de 130 cientistas europeus escreveram uma carta aberta à Comissão Europeia, ameaçando boicotar um projeto que tenta desvendar segredos do cérebro, o órgão mais complexo e misterioso para a ciência.
     
    Os pesquisadores reivindicam mais transparência na gestão dos recursos do Human Brain Project (HBP), lançado no ano passado, que conta com um orçamento de 1,2 bilhão de euros.
     
    Seu objetivo é criar, a partir de estudos de neurociência, uma simulação em supercomputador do cérebro humano. Mais de 110 instituições estão envolvidas nos estudos, que vão se estender por dez anos.
     
    O projeto, porém, levantou controvérsia desde o início. Muitos pesquisadores se recusaram a integrar a equipe do HBP por acreditarem que ainda é muito cedo para atingir sua meta. Agora, muitos protestam contra os rumos seguidos pelo programa.
     
    Os signatários da carta também acreditam que os gestores do programa desperdiçam verbas.
     
    Os cientistas pedem para que a Comissão Europeia seja mais rigorosa na avaliação do projeto, antes de renovar seu financiamento.
     
    Para eles, a revisão do HPB, que deve ser cumprida em meados do ano que vem, encontrará “falhas substanciais” na governança, flexibilidade e transparência do programa.
     
    Outras reivindicações são ligadas à suposta negligência com pesquisas de ciência cognitiva, que estuda funções cerebrais de alto níveis, como pensamento e comportamento.
     
    — O projeto é um desperdício de dinheiro. Vai acabar com fundos valiosos para a pesquisa neurocientífica e deixará o público chateado com toda razão — ataca Peter Dayan, diretor de Neurociência Computacional da University College London.
     
    O HBP estimulou cientistas americanos a criarem o seu próprio projeto para o estudo do cérebro. O Brain Iniciative, porém, terá um orçamento mais generoso. Nos próximos dez anos, será abastecido com US$ 3 bilhões.
     
    Um porta-voz da Comissão Europeia ressaltou, em comunicado, que o HBP “só está em funcionamento há nove meses e é muito cedo para tirar conclusões”.
     
    O texto também assinala que o projeto envolve instituições de 24 países e que, “em um esforço desta magnitude, não é estranho que haja divergências sobre os pontos de vista”.
     
    Fonte: O Globo
  • Remédio para tratar a tuberculose em falta

    Remédio para tratar a tuberculose em falta

    Problemas recentes de distribuição do remédio para tratar a tuberculose, um composto de quatro antibióticos que só é fornecido pela rede pública de saúde, tornam cada vez mais urgente que o Brasil tenha produção independente do medicamento. Segundo Carlos Basília, coordenador do Observatório Tuberculose Brasil, vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), houve registros de desabastecimento da droga em São Paulo. Isso ocorre três meses depois de os municípios do Rio de Janeiro e de Petrolina (PE) terem passado por situação semelhante. Basília afirma também que um dos testes usados para fazer o diagnóstico da doença está em falta. 
     
    O coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Dráurio Barreira, esclarece que, em março, um lote do medicamento distribuído pelo governo federal próximo do prazo da validade, com o aviso sobre a necessidade de ser distribuído rapidamente, enfrentou lentidão para chegar a algumas unidades de saúde do Rio e de Petrolina. Sobre São Paulo, ele diz que houve uma “ameaça de desabastecimento”, sem registro de falta de remédio. Barreira considera importante, entretanto, que o Brasil produza a droga. “A rifampicina é um antibiótico que precisa ser fabricado em condições especiais, em um local exclusivo. Nosso desafio é esse”, afirma.
     
    Sobre a produção interna do medicamento, de acordo com Barreira, a tecnologia e os insumos não são o problema. O que falta é encontrar um local exclusivo para processar a rifampicina, um dos ingredientes da droga, crucial no tratamento de 80 mil pacientes. Segundo ele, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, vem tentando fazer uma parceria com o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército ou com outra instituição pública do setor para fabricar a rifampicina. Até dois anos atrás, o principal empecilho para produzir o composto usado contra a tuberculose no Brasil era uma resolução da Anvisa que proibia a junção de quatro drogas em uma mesma apresentação. Devido à necessidade de se fazer o remédio para a doença, essa regra caiu.
     
    Apesar das promessas, o coordenador do Observatório Tuberculose Brasil afirma que está acompanhando a situação desde o fim de abril e já havia recebido respostas do Ministério da Saúde de que o problema da distribuição seria pontual. “A gente imaginou que essa questão estivesse resolvida, fomos surpreendidos”, disse. Segundo ele, a previsão é de que o teste tuberculínico seja entregue até agosto. “No entanto, estamos em uma situação crônica. A produção em território nacional é fundamental para acabar com a dependência e dar automonia ao Brasil”, disse. 
     
    Na avaliação de Basília, embora o governo afirme que o Brasil está a poucos passos para produzir internamente, falta vontade política. “A questão é que queremos transparência. Queremos saber qual é o tamanho do problema, o que está sendo feito para solucionar e um cronograma de quando isso será resolvido”, afirma.
     
    A enfermidade em números
     
    O Brasil é o 17º dos 22 países no mundo que 
    concentram 80% dos casos de tuberculose. Saiba mais:
     
    » Taxa de incidência é 35,4 por 100 mil habitantes
    » O número de mortes por ano, em 2012, chegou a 4,6 mil
    » 70 mil novos casos foram notificados em 2013
    » Cerca de 9 mil pacientes precisam refazer o tratamento no período de um ano
    » 4ª causa de morte por doenças infecciosas
    » 1ª causa de morte entre doenças infecciosas definidas em pacientes com Aids.
     
    Fonte: Observatório Tuberculose Brasil 
     
  • Brasil supera meta de vacinação contra a gripe

    Brasil supera meta de vacinação contra a gripe

    São Paulo – O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira, 9, que mais de 41,7 milhões de pessoas já se vacinaram contra a gripe neste ano, o que representa uma cobertura de 84%. Com isso, a meta de 80% estabelecida pela pasta foi superada. Desde o último dia 22 de abril, a vacina contra a gripe está disponível nos postos do Sistema Único de Saúde (SUS) para os integrantes do grupo considerado prioritário (49,6 milhões de pessoas).
     
    O público-alvo – considerado mais suscetível à doença – é formado por crianças de seis meses a menores de cinco anos; pessoas com 60 anos ou mais; trabalhadores de saúde; povos indígenas; gestantes; puérperas (até 45 dias após o parto); população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional e pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis. 
     
    De acordo com o portal do Ministério da Saúde, a pasta recomendou, no dia 8 de maio, que os municípios que ainda não haviam alcançado a meta continuassem a vacinar a população até atingir a cobertura de 80% no grupo prioritário. Os Estados com as maiores coberturas até o momento são Goiás (92,6% do público-alvo vacinado), seguido por Santa Catarina (90,32%) e Paraná (90,28%).
     
    O grupo de mulheres pós-parto (puérperas) registrou a maior cobertura vacinal, com 381,7 mil doses de vacinas aplicadas – o que representa 106,6% deste público. Os grupos das gestantes (75,4%) e das crianças menores de cinco anos (80,6%) apresentam uma menor cobertura.
     
    O Ministério da Saúde distribuiu aos Estados 53,5 milhões de doses da vacina, que protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no inverno passado (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). A vacina é segura, sendo contraindicada para pessoas que têm alergia a ovo.
     
    Fonte: Uol Saúde