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  • Fabricante de remédio omitiu dados de agências reguladoras

    Fabricante de remédio omitiu dados de agências reguladoras

    Uma investigação conduzida pela revista científica “BMJ” revelou que os fabricantes do Pradaxa, um dos remédios anticoagulantes mais vendidos do mundo, esconderam das autoridades reguladoras informações sobre a importância do monitoramento dos níveis de sangue.
     
    Esse controle poderia reduzir o risco de grandes sangramentos em pacientes que utilizam o medicamento.
     
    Documentos da Boehringer Ingelheim, fabricante do Pradaxa, mostram que grandes sangramentos poderiam ser reduzidos entre 30% e 40% em comparação com a droga Varfarina (o anticoagulante mais tradicional) com o controle da concentração do nível do remédio no sangue.
     
    O Pradaxa foi aprovado em 2008 no Brasil e 2010 nos EUA e integra uma nova geração de anticoagulantes orais que previnem derrames em pacientes com ritmo irregular do coração. Essa condição aumenta o risco de derrames.
     
    A droga previne a coagulação do sangue e é considerada uma alternativa melhor à Varfarina justamente porque os pacientes não precisariam fazer testes regulares para saber se estão com a quantidade certa do remédio no sangue. Para essas pessoas, o sangue precisa estar fino o suficiente para impedir um derrame, mas não tão fino a ponto de causar um sangramento.
     
    A Boehringer, entretanto, afirma que a atividade anticoagulante ou as concentrações do remédio no plasma sanguíneo não precisam ser monitoradas. Em reposta ao “BMJ”, um porta-voz da empresa disse que “nossos cientistas determinaram, e a FDA [agência que regula drogas e alimentos nos EUA] concordou, que pesquisas não apoiam uma tomada de decisões sobre dosagem baseada na concentração de plasma”.
     
    A companhia acrescenta que as informações não foram compartilhadas porque os estudos feitos não forneceram uma previsão confiável de resultados para os pacientes.
     
    Uma análise que acompanha o artigo pede que as agências reguladoras indiquem testes de sangue para todos os novos pacientes e que retirem a recomendação de que o Pradaxa “não requer monitorização de rotina da anticoagulação”. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
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    Pacientes receberam medicamento que fez vírus aumentar e ser localizado.
    Próximo passo é descobrir como matar célula que abriga vírus.
     
    Um grupo de cientistas conseguiu desalojar o vírus da Aids das células onde se refugia quando os pacientes são tratados com antirretrovirais, em um novo avanço no combate à doença, apresentado nesta terça-feira (22) na Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Melbourne, na Austrália.
     
    A experiência, feita com seis voluntários, tem como objetivo desalojar e eliminar (uma abordagem conhecida como “kick-and-kill”) o vírus, uma das estratégias testadas pelos cientistas para encontrar um medicamento.
     
    Tomar medicação antirretroviral reduz a quantidade de vírus no sangue a níveis indetectáveis e permite aos pacientes levar uma vida quase normal. No entanto, estes medicamentos devem ser tomados todos os dias, são caros e têm efeitos colaterais.
     
    Se o paciente parar de tomar os remédios, o vírus ressurge em questão de semanas e volta a infectar as células imunológicas, deixando o indivíduo vulnerável a muitos microorganismos, alguns deles fatais.
     
    Por isso, os cientistas tentam há três anos desalojar o vírus de seu refúgio e matar as células onde se esconde quando o paciente está tomando antirretrovirais.
     
    Na Conferência Mundial sobre Aids, realizada em Melbourne, um grupo de cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, apresentou suas conclusões. Seis pacientes tratados com antirretrovirais, também tomaram romidepsina, um anticancerígeno que faz a quantidade do vírus aumentar entre 2,1 e 3,9 vezes no sangue.
     
    Em cinco dos seis pacientes, o vírus se tornou localizável. Os cientistas terão agora que determinar se todos os vírus escondidos foram “revelados” e encontrar uma forma de matar as células de refúgio, onde o vírus se multiplica assim que se interrompe o tratamento com antirretrovirais.
     
    “Demonstramos que, com a romidepsina, podemos ativar um vírus que hiberna”, declarou Ole Schmeltz Sogaard, chefe da equipe de cientistas. “É um passo na direção certa, mas o caminho ainda é longo e os obstáculos são muitos antes de que possamos falar de uma cura da Aids”, acrescentou.
     
    Destruir as células refúgio
     
    Quando vai para o sangue, o vírus “reativado” deixa uma marca na parte externa das células imunológicas infectadas CD4, que pode ser vista em microscópio.
     
    Os cientistas esperam que esta marca, similar às impressões digitais, possa ser rastreada pelas células T, que combatem as infecções. A equipe de cientistas quer combinar a romidepsina, que “desperta” o vírus da imunodeficiência humana (HIV), com uma vacina chamada vacc-4x, para incitar as células T a identificar e em seguida destruir as células onde o vírus se refugia.
     
    Os seis voluntários do experimento não sofreram efeitos colaterais importantes ao tomar romidepsina e este medicamento anticancerígeno não interferiu no efeito do tratamento com antirretrovirais.
     
    Decepção
     
    A Conferência Internacional sobre Aids, que reúne a cada dois anos especialistas do mundo todo, foi marcada dias antes de sua abertura pela decepção do caso da “menina do Mississippi”.
     
    Trata-se de uma menina americana, nascida com HIV de mãe soropositiva e que não tinha sido tratada. A menina recebeu ao nascer fortes doses de medicamentos durante 18 meses, antes de os médicos perderem o rastro do vírus.
     
    Cinco meses depois, os médicos não conseguiram encontrar traços do vírus, uma descoberta assombrosa, já que o HIV invariavelmente aumenta menos de um mês depois de suspenso o tratamento.
     
    No entanto, há alguns dias descobriu-se que, após viver 27 meses sem HIV nem remédios, o vírus tinha voltado a aparecer.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Polêmico autoteste de HIV tem boa aceitação, anuncia OMS

    Polêmico autoteste de HIV tem boa aceitação, anuncia OMS

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou, na 20ª Conferência Internacional de Aids, que acontece na Austrália, uma sessão só para mostrar os resultados de mais de 20 pesquisas que estão sendo realizadas em diversos países com o autoteste para o HIV — aquele que a pessoa faz em casa. Os resultados preliminares apresentados na sessão Percebendo o Potencial de auto-HIV Testing (HIVST), nesta terça (22) revelam que ele tem alta aceitabilidade, confiabilidade, é de fácil administração, indolor e com alta privacidade entre a população geral.
     
    Atualmente, há dois modelos de testes caseiros disponíveis: o que usa o fluido oral, em que uma quantidade de saliva é retirada, e o que usa sangue, por meio de um pequeno furo na ponta do dedo. Segundo Rachel Baggaley, do Departamento de HIV da OMS, a necessidade de aumentar globalmente o acesso à testagem é a principal razão para se adotar o uso dessa técnica.
     
    A adoção do autoteste tem gerado polêmica entre pesquisadores e organizações de base comunitárias do mundo todo. Os que são contra alegam que um diagnóstico positivo pode gerar consequências imprevisíveis como, até mesmo, o suicídio e essa chance aumenta se quem o recebe não tem, na hora, uma atenção especial.
     
    Também há o temor de que essa ferramenta aumente o estigma de quem vive com o vírus ou, ainda, encoraje o comportamento de práticas sexuais desprotegidas, uma vez que o resultado negativo pode ser interpretado como carta de alforria para continuar a transar sem camisinha. Há ainda aqueles que acham que comunidades mais carentes não vão conseguir realizar o procedimento nem interpretar corretamente os resultados.
     
    Os estudos-piloto e outros apresentados na sessão especial começaram a mudar o pensamento e o debate em torno da autoteste anti-HIV, segundo a OMS. No entanto, a estratégia permanece uma preocupação para muitos gestores, ativistas e cientístas, devido às questões éticas, legais e sociais associadas.
     
    Segundo Rachel Baggaley, as pesquisas demonstram que, se implementados com cuidado e com a participação significativa das comunidades, o teste feito em casa pode vir a ser uma oportunidade para aumentar o conhecimento da situação sorológica, mantendo os cinco paradigmas para testagem estabelecidos pela OMS: consentimento, confidencialidade, aconselhamento, resultados corretos e vinculação com o serviços de saúde.
     
    Autoteste no Brasil
     
    No Brasil o teste vem sendo realizado por organizações não governamentais junto às consideradas populações-chave. Até o fim do ano, o Departameto de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde espera ter capacitado mais de 20 ONGs para realizarem o procedimento. A expectativa é de que até o início de 2015 uma portaria com as regras para padronizar o teste seja publicada autorizando a venda do mesmo em farmácias.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Excesso de soja pode inibir absorção de nutrientes e antecipar puberdade

    Excesso de soja pode inibir absorção de nutrientes e antecipar puberdade

    A soja virou umas das “queridinhas” de praticamente todas as dietas da moda. Por seu alto valor proteico, as pessoas que praticam atividades físicas e buscam uma alimentação mais saudável tentam colocá-la em praticamente todas as refeições, consumindo-a na forma de salada, queijo, suco e leite. Mas o consumo em excesso do vegetal pode trazer riscos à saúde, já que ele possui compostos que inibem a absorção de nutrientes no organismo, além de fitoestrógeno, similar ao hormônio feminino que pode antecipar a puberdade em meninas.
     
    Segundo a nutricionista da Associação Brasileira de Nutrição Alessandra Paula Nunes, “a forma de preparo, cozida ou fermentada, é que traz benefícios à saúde. Quando consumida crua, apresenta fitato, que inibe a absorção de alguns minerais como cálcio, magnésio, ferro, cromo e zinco”.
     
    Mas a soja pode ser sim uma grande aliada da vida saudável, já que “pode reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, além de controlar a glicemia, reduzir os níveis de colesterol total no sangue, da fração ruim do colesterol (LDL) e de triglicérides”, ressalta Nunes.
     
    Hormônio
     
    A soja possui fitoestrógeno, ou seja, ela tem uma composição molecular que lembra muito o hormônio feminino, o estrógeno. Por conta disso, muitos médicos receitam para mulheres que estão na menopausa uma dieta com o consumo do vegetal, pois ele poderia ajudar a controlar e reduzir os sintomas, como por exemplo os fortes calores seguidos de mal-estar.
     
    Entretanto, o alimento não é suficiente para tratar casos de queda expressiva do hormônio no organismo e não previne qualquer mal-estar da menopausa se consumido anteriormente ao problema. Além disso, a soja atua na absorção do cálcio e, em longo prazo, pode ajudar a provocar osteoporose, anemia e desnutrição.
     
    Segundo o endocrinologista do hospital São Luiz Morumbi Luis Eduardo Calliari, o uso em excesso do vegetal é preocupante, pois ele pode atuar como um desregular endócrino.
     
    “A soja é um alimento a mais dentro da oferta que temos disponível, mas o que temos de estudos não permite que a gente a utilize em grandes quantidades, por conta de riscos que ainda são pouco conhecidos e dos benefícios questionáveis”, pondera Calliari.
     
    De acordo com a médica doutorada em endocrinologia pela Universidade de São Paulo Claudia Chang, também deve-se ficar atento com o uso em excesso de derivados de soja por crianças e adolescentes em período de pré-puberdade.
     
    “As crianças que têm alergia a lactose e fazem o uso muito grande de derivados de soja podem ter algum comprometimento hormonal. (…) As meninas podem entrar em processo de puberdade mais cedo, como o desenvolvimento da mama antes da idade. (…) Nos meninos é mais raro, e [a soja] teria de ser consumida em uma quantidade muito grande”, alerta a médica.
     
    Soja fermentada é melhor
     
    A cultura oriental consome soja diariamente em forma de molhos como shoyu, a 'sopa' missô e o queijo tofu. Mas o vegetal passa por um processo de fermentação, que destrói as toxinas naturais presentes.
     
    Sem ter o costume, o brasileiro inseriu a soja de uma hora para outra em sua rotina alimentar e de maneira exacerbada. Isso ajudou a ocorrer outro problema: a prevalência de alergia alimentar.
     
    De acordo com a nutricionista clínica e funcional do hospital Albert Einstein Fabiana Carvalho de Sousa, o consumo em excesso de um determinado alimento, mesmo que de maneiras diferentes, em grãos ou leite, por exemplo, pode levar a uma rejeição do organismo.
     
    “A alergia alimentar não existe só quando a pessoa come um alimento pela primeira vez e dá a reação alérgica. E sim, pelo consumo aumentado do alimento”, diz.
     
    Além disso, a soja possui uma proteína muito íntegra, isto é, de difícil digestão, que pode levar a pessoa a ter desconfortos físicos, como inchaço, e até algo mais sério no sistema digestivo, completa Sousa.
     
    A quantidade recomendada de soja são de 25 a 30 gramas por dia, o que equivale a 1/2 colher de sopa cheia  de grãos ou 1 fatia pequena de tofu. A literatura recomenda o consumo de soja apenas para crianças acima de 2 anos (abaixo dessa idade, só por orientação médica).
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Revisão de Farmacologia para o concurso do EBSERH/HUPAA-UFAL

    Revisão de Farmacologia para o concurso do EBSERH/HUPAA-UFAL

    MINISTRANTE: Profa. Dra. Eliane Aparecida Campesatto 
     
    CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
    * Todos os assuntos que estão no edital do concurso para Farmacêutico EBSERH/HUPAA-UFAL
     
     
    Local: Auditório do CRF-AL Maceió
    Inscrições: no CRF-AL em Maceió ou pelos telefones: 3338-5018/3338-5474
    Valor: 1 pacote de fralda geriátrica ou 1 lata de leite de 400 g. (por dia de aula) 
         
     
    Alexandre Correia                              
    Presidente do CRF-AL
     
    Prezados Farmacêuticos, a Prof. Eliane Campesatto está melhor de saúde e aceitou ministrar a revisão para o Concurso do EBSERH/HUPAA-UFAL na próxima semana (de segunda a sexta-feira). 
     
    Convidamos todos a participar!
     
     
  • Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Cientistas descobrem 80 genes ligados a esquizofrenia

    Maior estudo genético da doença sugere que mal pode ter causas biológicas e abre portas para novos tratamentos.
     
    O maior estudo sobre esquizofrenia já realizado no mundo descobriu 80 novos genes que podem colocar os seus portadores em risco de desenvolver esquizofrenia. A pesquisa, publicada na revista especializada “Nature”, sugere que a esquizofrenia pode ter causas biológicas e abre a possibilidade de novos tratamentos que possam surgir a partir das conclusões.
     
    Há anos cientistas debatem o papel dos genes no desenvolvimento da esquizofrenia, um problema que afeta mais de 24 milhões de pessoas no mundo inteiro.
     
    A iniciativa reuniu pesquisadores de 35 países e foi coordenada por cientistas da Universidade de Cardiff, na Grã-Bretanha. Os cientistas examinaram a formação genética de 37 mil pessoas que têm o problema, comparando-as com outras 110 mil pessoas que não sofrem de esquizofrenia.
     
    'Nova biologia'
     
    Os pesquisadores encontraram mais de cem genes que tornam as pessoas mais suscetíveis à esquizofrenia, sendo que 83 deles nunca tinham sido identificados antes. Muitos destes genes estão envolvidos na transmissão de mensagens no cérebros. Outros são conhecidos por desempenhar uma função no sistema imunológico.
     
    “Por muitos anos foi difícil desenvolver novas linhas de tratamento para a esquizofrenia. Fomos prejudicados pela pouca compreensão da biologia da doença”, disse o professor da Universidade de Cardiff Michael O'Donovan.
     
    “Descobrir um grupo totalmente novo de associações genéticas abre uma janela para experimentos mais bem informados com o objetivo de decifrar a biologia desta doença”, afirmou. “Esperamos (criar) novos tratamentos.”
     
    O professor David Curtis, do University College de Londres, e um dos autores da pesquisa, conta que no passado a comunidade acadêmica “lutou com a opinião de que os problemas psiquiátricos não eram doenças 'reais'”.
     
    Por isso, diz, “os estudos genéticos pioneiros não tiveram muito sucesso”.
     
    “Agora mostramos, com confiança, que há processos biológicos envolvidos”, afirmou. “Este estudo coloca a psiquiatria na mesma categoria de outras partes da medicina.”
     
    Para Gerome Breen, do King's College de Londres, que não participou da pesquisa, o estabelecimento de novas relações entre genética e esquizofrenia é “revolucionária”.
     
    “O tratamento com remédios para esquizofrenia não mudou muito desde a década de 1970. Agora temos uma grande quantidade de nova biologia para estudar, e uma série totalmente nova de ideias que podem abrir muitos caminhos para tratamentos.”
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Tratamento de HIV/Aids no Brasil salva mais que média global

    Tratamento de HIV/Aids no Brasil salva mais que média global

    Mortes em decorrrência do HIV no Brasil caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, mais do que a queda de 1,5% registrada globalmente.
     
    Desde a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2000, as mortes por HIV/Aids e tuberculose no Brasil caíram a taxas maiores do que a média global, indica um estudo divulgado nesta terça-feira (22).
     
    Além disso, o número de anos de vida salvos graças ao acesso a tratamento e prevenção ficou acima do registrado em países em desenvolvimento, segundo a pesquisa.
     
    De acordo com o relatório, publicado na revista científica “The Lancet” e divulgado na Conferência Internacional sobre Aids, que ocorre em Melbourne, na Austrália, as mortes em decorrrência do HIV no Brasil caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, maior do que os 1,5% registrados globalmente.
     
    Nos casos de mortes por tuberculose, a taxa anual de queda foi de 4,5% desde 2000, acima da média global de 3,7%.
     
    No cálculo dos anos de vida salvos graças ao acesso a terapia antirretroviral, programas para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho e a promoção do uso de camisinhas, o Brasil atinge um índice de 0,37, em uma escala que vai de 0,07, para países em pior situação, até 0,49, em países muito ricos.
     
    “O desempenho do Brasil está acima do registrado em outros países em desenvolvimento, que foi de 0,28 a 0,35”, disse à BBC Brasil um dos coautores do estudo, Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Universitário da USP.
     
    De acordo com o estudo, entre 1990 e 2003, mais de 230 mil anos de vida foram salvos no Brasil graças ao acesso à prevenção e tratamento. De 2004 a 2008, foram mais de 450 mil anos. E de 2009 a 2013, quase 682 mil anos.
     
    Em todo o mundo, foram 20 milhões de anos de vida salvos desde 1990, mas o autor principal do estudo, Christopher Murray, alerta que a qualidade dos programas de tratamento e prevenção do HIV/Aids ainda tem grandes variações de acordo com a região do planeta e diz que ainda há muito a ser feito para avançar no combate à doença.
     
    Objetivos do Milênio
     
    O estudo foi conduzido por um grupo internacional de cientistas e coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, nos EUA. Com a análise do Global Burden of Disease 2013 (Carga Global de Doenças) é possível verificar a incidência e mortalidade por HIV, tuberculose e malária em 188 países de 1990 a 2013.
     
    Segundo os pesquisadores, o ritmo do declínio global no número de mortes e infecções das três doenças passou a ser mais forte a partir de 2000, com a adoção dos Objetivos do Milênio por governos ao redor do mundo. O objetivo número 6 é combater a propagação dessas doenças e garantir acesso universal ao tratamento. O prazo para o cumprimento dos objetivos vai até 2015.
     
    “A única coisa que acho que o Brasil não irá cumprir é em relação a mortalidade materna”, diz Lotufo. “(Dos outros Objetivos do Milênio) O Brasil está alcançando tudo. O que significa que está cumprindo com a obrigação. Nada mais que isso.”
     
    No Brasil, as mortes em decorrência do HIV caíram de um pico de mais de 17 mil em 1996 para pouco mais de 10 mil em 2013, sendo 7.912 mortes de homens e 2.305 de mulheres.
     
    Globalmente, no pico da epidemia, em 2005, o HIV causou 1,7 milhão de mortes. A incidência global de HIV atingiu seu ponto mais alto em 1997, com 2,8 milhões de novas infecções. Desde então, vem declinando. Em 2013, foram 1,3 milhão de mortes e 1,8 milhão de novas infecções em todo o mundo.
     
    “O que chamou mais a atenção no Brasil, que já começou com os dados da Unaids divulgados na semana passada, foi que a incidência da doença está estável”, afirma Lotufo.
     
    “A mortalidade caiu bem, mas estamos temos uma situação de estabilidade em relação a novos casos.”
     
    Tuberculose e malária
     
    Os cientistas concluíram que o sucesso no combate ao HIV também teve impacto positivo sobre a luta contra a tuberculose. Depois de aumentar globalmente a uma taxa anual de 0,4% entre 1990 e 2000, a incidência global da doença começou a cair a uma taxa de 1,3% até 2013.
     
    A maior rapidez e eficácia no tratamento tem reduzido a duração de infecções por tuberculose globalmente. No entanto, os pesquisadores alertam que o envelhecimento da população levará a um número maior de casos e mortes.
     
    No Brasil, 4.184 homens e 1.604 mulheres morreram vítimas da doença no ano passado.
     
    No caso da malária, de 2000 a 2013 o Brasil reduziu a taxa de mortalidade em uma média de 9,2% ao ano, com 71 mortes em 2013.
     
    Em termos globais, a epidemia de malária teve seu pico no início dos anos 2000, com 232 milhões de casos em 2003 e 1,2 milhão de mortes em 2004. Em 2013, foram 164,9 milhões de casos e 854.566 mortes por malária no mundo.
     
    Segundo outro co-autor do relatório, Alan Lopez, da Universidade de Melbourne, além de documentar o impressionante progresso no combate às três doenças, o estudo representa um alerta de que ainda há muito o que fazer. “HIV, tuberculose e malária ainda causam cada uma cerca de 1 milhão de mortes por ano no mundo”, salienta.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Estudo aponta avanço em tratamento conjunto da hepatite C e do HIV

    Estudo aponta avanço em tratamento conjunto da hepatite C e do HIV

    Cientistas usaram duas drogas em testes realizados com 220 pessoas.
    Apesar dos bons resultados, custo dos medicamentos é muito alto.
     
    Um novo medicamento para a hepatite C mostrou os primeiros resultados positivos em pacientes infectados, tanto por esta doença quanto pelo HIV, que habitualmente são difíceis de tratar, segundo um estudo publicado no último fim de semana no “Journal of the American Medical Association”.
     
    Os pacientes tomaram um coquetel com sofosbuvir, droga aprovada para o mercado americano em 2013 e que causou controvérsia devido ao alto preço (cerca de US$ 1.000 a unidade), e ribavirina. Os testes foram feitos com 220 pessoas durante 12 a 24 semanas.
     
    A maioria dos pacientes (entre 67% e 94%, dependendo do tipo de hepatite C que tiveram e se foram assistidos antes) viu a doença desaparecer e não retornar nas 12 semanas seguintes ao fim do tratamento. Além deste período, as reações são desconhecidas.
     
    Tratar em conjunto a hepatite C e o HIV é difícil porque os pacientes precisam tomar o medicamento interferon no caso da primeira e este tem uma interação péssima com os antirretrovirais. Sete dos 223 pacientes deste estudo o abandonaram por sintomas adversos, como fadiga, insônia, dor de cabeça e náuseas.
     
    Em artigo vinculado ao estudo, Michael Saag, da Escola de Medicina da Universidade do Alabama (sudeste), disse que a combinação de medicamentos é um “grande salto à frente”, mas que seu custo é alto demais para um uso em larga escala: “Um tratamento médio de 12 semanas custa US$ 94.500 e um de 24, US$ 189 mil”.
     
    “Com sorte, a concorrência entre os novos produtos que chegarem ao mercado nos próximos 18 meses resultará em um preço mais baixo para os medicamentos”, acrescentou.
     
    Fonte: Bem Estar
  • Hospital no Rio testa implante para infarto

    Hospital no Rio testa implante para infarto

    O Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio, realizou, pela primeira vez no país, um tratamento experimental indicado para pacientes que tiveram infarto e sofrem com insuficiência cardíaca grave.
     
    A novidade é a colocação de um implante chamado Parachute, que tem mesmo o formato de um paraquedas, no coração. O dispositivo ainda não foi aprovado no país e só pode ser usado em protocolos de pesquisa.
    Colocado no ventrículo esquerdo (principal câmara do coração, que bombeia sangue para todo o corpo), o dispositivo “isola” a parte do órgão que sofreu o infarto.
     
    “O implante substitui a área 'inútil' e ajuda a bombear o sangue. Funciona como se fosse um joão-bobo; o sangue bate e volta”, explica Alexandre Abizaid, diretor do Centro de Cardiologia Invasiva do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que não esteve envolvido na cirurgia.
     
    O procedimento foi feito no mês passado, em parceria com a Case Western Reserve University, dos EUA.
     
    Segundo Jacqueline Miranda, coordenadora do setor de Insuficiência Cardíaca e Transplantes do Instituto Nacional de Cardiologia, o implante também pode impedir que o coração cresça, mude de formato e perca sua função, algo que pode ocorrer em casos de infarto.
     
    Um estudo com os cem primeiros pacientes que tiveram o Parachute implantado foi apresentado este ano no encontro do American College of Cardiology. Após seis meses, a taxa de sucesso foi de 95%; 80% dos pacientes melhoraram ou mantiveram a função cardíaca e 20% passaram por reinternações.
     
    Para Abizaid, o implante é promissor. “Não é curativo nem é a solução que vai diminuir a mortalidade dramaticamente. Mas dá qualidade de vida. Os sintomas da insuficiência cardíaca são muito limitantes. Pacientes em estado grave acabam entrando na fila de transplante.”
     
    Leopoldo Piegas, cardiologista do HCor (Hospital do Coração), afirma que ainda é cedo para apontar a segurança e a eficácia do dispositivo. “Apesar de o dispositivo ser interessante, são necessários mais casos e um tempo maior de acompanhamento.”
     
    CASO BRASILEIRO
     
    Foram, ao todo, três infartos: um há quatro meses, outro 12 anos atrás e o primeiro há 35 anos. Não à toa o aposentado Octacílio Gonçalves Correia, 66, de São João de Meriti (RJ), vive incomodado com a falta de ar e o cansaço constantes, sintomas da insuficiência cardíaca.
     
    No mês passado, ele recebeu o novo implante, no Instituto Nacional de Cardiologia. O aposentado, que é diabético, também já tinha feito uma cirurgia para colocar um marca-passo.
     
    “A melhora tem vindo aos poucos. Antes, minha rotina era de cervejada, costelinha de porco. Agora tudo isso acabou. Vou me cuidar e ficar mais quietinho em casa, aguardando a recuperação.” 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
  • Hipertensão mascarada afeta mais de 30% dos hipertensos controlados

    Hipertensão mascarada afeta mais de 30% dos hipertensos controlados

    A hipertensão mascarada é aquela em que as medidas da pressão arterial (PA) estão normais no consultório e elevadas fora dele. Hipertensos em tratamento com esse tipo de comportamento da PA apresentam um risco mais elevado de doenças cardiovasculares, quando comparados com hipertensos controlados dentro e fora do consultório médico.
     
    Um estudo realizado por pesquisadores espanhóis constatou que mais de 30% dos hipertensos considerados controlados após a avaliação da PA do consultório, eram na verdade hipertensos mascarados quando avaliados pela monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA.
     
    A MAPA é o método que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, ou mais, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais durante o dia, e também, durante o período do sono.
     
    O estudo avaliou 14.840 pacientes com hipertensão arterial (HA) controlada clinicamente (PA no consultório menor que 140×90 mmHg), dos quais 4.608 (31,1%) tinham hipertensão mascarada mal controlada (HMMC) segundo os critérios da monitorização ambulatorial da pressão arterial, conhecida como MAPA (média da PA em 24 horas maior que 130×80 mmHg).
     
    A prevalência de HMMC foi maior em homens, em pacientes com controle clinico limítrofe da PA do consultório (PA sistólica entre 130 e 139mmHg, e/ou PA diastólica entre 80 e 89 mmHg), e naqueles com fatores de risco cardiovasculares maiores (fumantes, diabéticos e obesos).
     
    A prevalência de hipertensão mascarada mal controlada é elevada (31,1%) e a medida casual da PA, ou seja, aquela realizada apenas no consultório, não é capaz de identificar esses pacientes. A utilização da MAPA para avaliar o controle da pressão arterial deve ser considerada em maior escala, principalmente nos pacientes de alto risco cardiovascular e naqueles com controle limítrofe da PA no consultório.
     
    Fonte: European Heart Journal.