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Indústria nacional desenvolve genérico para prevenção do HIV
O Brasil pode ter o primeiro genérico do medicamento norte-americano Truvada, que previne contaminação pelo vírus HIV, causador da Aids, e que atualmente é importado pelos brasileiros a um custo elevado. O Ministério da Saúde também importa componentes do Truvada para distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.O genérico foi desenvolvido pela empresa brasileira Blanver, integrante do grupo de indústrias farmacêuticas que firmaram Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) com o Ministério da Saúde. Segundo as PDPs, a indústria desenvolve a tecnologia de medicamentos e tem prazo de cinco anos para transferir essa tecnologia para a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz). No fim desses cinco anos, a Fiocruz domina o processo e passa a fornecer diretamente para o ministério.A Blanver entrará com o pedido de registro do genérico do Truvada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos próximos dias, informou hoje (5) o presidente-executivo (CEO) da empresa, Sérgio Frangioni. No momento, o dossiê sobre o genérico está sendo finalizado.O remédio é composto por dois princípios ativos (Entricitabina e Tenofovir). Quando tomado diariamente, ele reduz o risco de a pessoa contrair o vírus. Frangioni disse que já foram cumpridas todas as etapas do processo de desenvolvimento da droga, incluindo a formulação, iniciada em 2012, a estabilidade do produto e a fase de bioequivalência, quando o genérico é comparado com o produto de referência e tem sua eficácia comprovada.ReferênciaSérgio Frangioni afirmou que o medicamento referência (Truvada) foi desenvolvido por um laboratório norte-americano e usado inicialmente para compor esquemas antirretrovirais para tratamento de pessoas já infectadas. A partir de 2012, a FoodDrug Administration (FDA), órgão do governo dos Estados Unidos para controle de medicamentos, entre outros produtos, liberou a fórmula para uso na prevenção da infecção.A estratégia é indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e passou a ser estudada pelo Ministério da Saúde brasileiro como uma alternativa a mais para diminuir o número de novos casos.Frangioni adiantou que o Truvada não tem disponibilidade no mercado nacional e, por isso, é importado atualmente. Esclareceu que a prevenção “é para indivíduo que não foi exposto”. Já o Ministério da Saúde fornece o antirretroviral Tenofovir para pessoas com o vírus. “Hoje, o ministério fornece os medicamentos para tratamento, não para prevenção pré-exposição. Ele só fornece para prevenção pós-exposição”.Na Europa e Estados Unidos o Truvada custa 400 euros, podendo chegar a US$ 1 mil. A fabricação do genérico no Brasil, com o registro da Anvisa, pode reduzir esse valor para um custo mensal de US$ 100 ou cerca de R$ 350 mensais.Grupo de riscoConforme o Ministério da Saúde, o Brasil registra em média 40 mil novos casos da doença por ano. As principais incidências estão entre homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis. “Esse grupo de risco está muito mais exposto à atuação do vírus”, comentou Frangioni. Com o genérico do Truvada, a ideia da Blanver é focar nessas pessoas que compõem o grupo de risco, além de profissionais do sexo, para evitar o crescimento do número de indivíduos que precisarão de tratamento pelo resto da vida.“É melhor você prevenir pontualmente do que contrair o vírus e ter de tomar remédio pelo resto da vida. Isso se demonstrou bastante eficaz porque, infelizmente, hoje tem muita gente que não faz sexo seguro e imagina que o tratamento resolverá. A pessoa prefere o risco de pegar a doença, sabendo que tem um tratamento, mas não sabe as consequências no longo prazo. A ideia é dar essa ferramenta a mais para os desavisados se conscientizarem”, acrescentou Frangioni.Parte do medicamento genérico deverá ser distribuída pelo SUS e parte será destinada a pacientes fora do SUS. “Se você conseguir reduzir o número de casos novos, o governo contribuir para isso e a população privada ter acesso ao medicamento, seria uma ação positiva conjunta”, afirmou o executivo da indústria farmacêutica. Sua expectativa é que a Anvisa defina o registro ao genérico em menos de um ano.O novo medicamento não pretende substituir os métodos de prevenção já estabelecidos, mas se somar aos métodos existentes, como a camisinha masculina e feminina e os testes de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).Por meio da assessoria, o Ministério da Saúde informou que ainda não há pedido de incorporação do medicamento genérico do Truvada no órgão. A Anvisa disse que aguarda a entrada do pedido de autorização da indústria farmacêutica para avaliação.Fonte: Terra -

Os remédios pela hora da morte
Como diria Mino Carta, nosso querido diretor de redação, até o mundo mineral já percebeu que o custo da saúde da população está se tornando praticamente insustentável. No Brasil e fora dele. Os medicamentos novos, cada vez mais eficazes e complexos, custam, literalmente, os olhos da cara.Acabamos de ver publicados no maior congresso médico de oncologia do mundo, ASCO, em Chicago, resultados de estudos altamente promissores no tratamento de câncer. Drogas novas com mecanismos de ação pioneiros, atividade contra os tumores espantosamente mais eficaz, e com índices de complicações e de efeitos colaterais baixos, toleráveis e até desprezíveis em alguns casos.O problema reside agora em pagar a conta. A maioria desses medicamentos de quimioterapia lançados nos últimos anos custa entre 10 mil e 50 mil reais por mês. Obviamente, muito além do que seres humanos normais poderiam arcar de seu próprio bolso.O Ministério da Saúde, convênios médicos e pacientes com seus familiares estão alarmados com a fatura dessa modernidade. Acaba de ser publicado um editorial muito interessante na prestigiosa revista científica New England Journal of Medicine, abordando exatamente esse problema, nos Estados Unidos, onde a disponibilidade de dinheiro no orçamento é muitas vezes maior do que no Brasil. A preocupação dos cientistas americanos é semelhante à nossa e as dificuldades de fechar a conta são parecidas.A primeira parte do artigo descreve a tragédia anunciada da sobrecarga dos gastos com medicamentos no Orçamento dos EUA. A discussão mais interessante do artigo foi dirigida para as ações possíveis que o governo americano e as agências reguladoras poderiam tomar para controlar essa escalada estratosférica dos custos da medicina.Recentemente, foram instaladas táticas novas para limitar o acesso dos pacientes às drogas de elevado custo. Por exemplo, o sistema de saúde chamado Medicare só libera o uso de um novo remédio (sofosbuvir) contra hepatite C a pacientes com significativo e documentado dano do fígado. Mas vários processos estão sendo movidos contra as restrições do Medicare por discriminação.Alguns estados criaram órgãos semelhantes ao NICE inglês, comissão que analisa as evidências para o melhor tratamento dos pacientes, incluindo avaliação de custo-benefício*. Porém, de acordo como o doutor Ameet Sarpatwari, da Universidade Harvard, em Boston, autor do editorial do New England Journal of Medicine, muito mais terá de ser feito para evitar um colapso. Sarpatwari recomenda avaliar se a total transparência por parte da indústria farmacêutica poderia ajudar a reduzir a curva ascendente do gasto com saúde.A justificativa dos fabricantes é que eles incluem nos preços dos medicamentos não somente o custo da pesquisa, do desenvolvimento e da produção de uma determinada droga, mas também os custos de todas as pesquisas prévias que não foram bem-sucedidas até encontrarem o remédio eficaz.O estado da Califórnia está tentando atualmente exigir da indústria farmacêutica dados e detalhes sobre esses custos “colaterais”, para avaliar quanto deveria realmente ser embutido no preço final do medicamento.Os legisladores argumentam que, hoje, somente 15% do orçamento das indústrias é destinado à pesquisa, uma fração do que gastam com propaganda e marketing.O doutor Sarpatwari ainda sugere que se criem mecanismos para se avaliar, de forma justa, quanto deveria ser o preço de venda de um produto, levando em consideração o incremento do benefício, quando comparado com outro medicamento corriqueiro igualmente eficaz.Recomenda, enfaticamente, que esse tema seja debatido intensamente em todas as esferas da saúde pública, e o quanto antes. O descontrole e o descaso podem ter um preço insuportável para a sociedade.Fonte: Carta Capital Online -

Presidente do CRF/AL participa de audiência pública e de marcha para defesa da saúde
O presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), Alexandre Correia, esteve em Brasília para participar da audiência pública que discutiu o financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde) frente aos anúncios do governo interino.Ele que é membro da comissão parlamentar do Conselho Federal de Farmácia revelou que discussões como esta são importantes porque grande parte da população brasileira dependente exclusivamente do SUS. “Precisamos traçar estratégias para manutenção do programa e combater as ameaças feitas à saúde, seguridade e previdência social. Hoje, temos reunidos aqui na capital federal membros de diversas entidades e organizações sociais que querem o cumprimento das garantias constitucionais”, afirmou o presidente.A Seguridade Social foi um dos temas discutidos na audiência e segundo ele, os participantes cobraram do governo federal a permanência dos benefícios conquistados pelos trabalhadores uma vez que o governo interino de Michel Temer anunciou medidas que irão afetar a aposentadoria, licença maternidade, auxílios de desemprego, doença e salário-família.Já com relação à saúde, Alexandre Correia explicou que foram discutidas as Propostas de Emendas à Constituição (PEC) que tem como objetivo macular o direito universal da saúde e convertê-la em mercadoria. Um dos pontos tratados foi o gasto com a saúde pública que tem sido baixo em relação às necessidades da população e ‘uma prova disso tem sido as epidemias de dengue, zika vírus e chikungunya. Esperamos que o governo federal destine os recursos federais necessários aos municípios e Estados para que a saúde seja um serviço de qualidade para a população, o que não acontece hoje”, lamentou.Uma preocupação levantada pelos participantes foi com relação ao ajuste fiscal anunciando pelo governo Temer que vai limitar os gastos com a saúde e educação. “Isso representa um retrocesso e coloca em jogo o cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável acordados em 2015 e que o Brasil é signatário. Não podemos aceitar o subfinanciamento da saúde e dos direitos sociais”, argumentou.MARCHA EM DEFESA A SAÚDETambém foi realizado nesta quarta-feira, 06, uma marcha em defesa da saúde, seguridade social e da democracia. O evento reuniu cerca de 10 mil pessoas na capital federal que protestou contra as medidas do governo interino de Michel Temer. Alexandre Correia, presidente do CRF/AL, pontuou que o objetivo da marcha foi reafirmar os princípios do SUS, em defesa de uma saúde publica universal e de qualidade. “Essa é segunda marcha em defesa do SUS e da democracia e é somente com mobilização e organização conseguiremos enfrentar e barrar a extinção de nossos direitos”, comentou.Ascom CRF/AL -

Atenção ao idoso: CRF/AL promove modelo de palestra inédito no Brasil
Numa iniciativa pioneira no Brasil, o Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) em parceria com o Conselho Federal de Farmácia e o Sindicato dos Farmacêuticos de Alagoas realizou no último sábado, 02 de julho, um grande debate com o tema: Atenção Farmacêutica no cuidado ao paciente idoso reunindo as professoras Ana Cristina Lo Prete, Priscila Nogueira Camacho e Margarete Kishi.
O vice-presidente do CRF/AL, Robert Nicácio, explicou que essa é mais uma ação promovida pelo núcleo de educação continuada que tem promovido cursos de atualização tanto na capital quanto no interior. “Trouxemos os enfoques da fitoterapia e homeopatia, alopatia e parte de suplementação num único dia e com isso enriquecemos o nosso debate”, destacou.
A professora Margarete Kishi que trouxe o tema Terapias fitoterápicas no idoso destacou que 50% dos idosos utilizam o tratamento fitoterápico, seja por conhecimento médico, por nutricionista, por uso popular ou por automedicação. “O farmacêutico pode melhorar a vida do idoso, e é isso que nós viemos mostrar na nossa palestra. A fitoterapia ainda continua sendo um assunto muito requisitado pelos farmacêuticos”, comentou.
De acordo com ela, o profissional farmacêutico não está preparado para lidar com a fitoterapia e homeopatia porque poucos cursos de graduação ofertam essa disciplina. “O que CRF/AL está fazendo é importantíssimo porque traz para os profissionais e para os alunos esse curso de atualização apresentando a importância de se trabalhar com as plantas e descobrindo os maus usos dos chazinhos que a princípio não fazem mal a saúde”, pontuou.
Priscila Nogueira que apresentou o tema Suplementos alimentares no idoso trouxe como foco principal a prevenção a doença. De acordo com ela, normalmente o farmacêutico trata a doença e o tema foi para despertar esse olhar no profissional. “Esse é um assunto novo, hoje temos muitas lojas com suplementos alimentares e os farmacêuticos podem dar suporte aos outros profissionais da saúde”, alertou.
Segunda a farmacêutica, hoje existe uma estimativa de vida maior e o farmacêutico precisa estar atento a isso. “Apesar do tempo ser pequeno, a ideia era despertar no farmacêutico que ele pode também atuar nesta área que vem crescendo em todo o Brasil. Queria parabenizar o CRF/AL pela iniciativa de promover esse curso que trouxe uma visão multidisciplinar para os profissionais de Alagoas”, comentou.
Ana Cristina Lo Prete tratou sobre a alteração fisiológica do idoso e suas consequência na farmacocinética e farmacodinâmica apresentou como essas mudanças comprometem tanto a questão alimentar quanto de medicamentos. “O que nós fizemos foi uma avaliação como um todo, de como o farmacêutico pode avaliar o idoso não só com relação a medicamentos”, informou.
Ela destacou que Alagoas tem uma grade curricular bastante voltada para analises clínicas, o que torna mais fácil fazer uma implantação da atenção farmacêutica. “Viemos mostrar que isso é possível, que a atenção farmacêutica é importante em qualquer Estado”, argumentou.
A farmacêutica Larissa Ramos que trabalha em drogaria revelou que o curso foi muito importante porque trouxe uma visão esclarecedora sobre o paciente idoso. “Vai ser muito importante para o meu dia a dia de trabalho. Esse curso de atualização promovido pelo CRF/AL tirou muitas dúvidas que nós tínhamos com relação ao paciente idoso”, revelou.
Quem também elogiou a iniciativa do Conselho foi a farmacêutica Arisangela Amorim. Para ela, que também trabalha no atendimento ao público, a experiência foi enriquecedora. “Além da parte teórica, nós tivemos atividade prática e isso foi fundamental porque o nosso dia a dia de trabalho, muitas dúvidas aparecem e no curso a gente pode esclarecer todas elas”, argumentou.
Luciana Martins-Ascom/Semarhp
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CRF/AL promove ciclo de palestra sobre atenção farmacêutica aos idosos
No próximo sábado, dia 02 de julho, o Conselho Regional de Farmácia de Alagoas promove palestras com a temática de Atenção Farmacêutica no cuidado ao paciente idoso.
O evento começa às 8hs com a palestra da farmacêutica Ana Cristina Lo Prete que vai falar sobre as alterações fisiológicas no idoso e suas conseqüências na farmacocinética e farmacodinâmica até o laboratório de atenção farmacêutica no cuidado ao paciente idoso e encerra, às 16hs, com a mesa redonda: laboratório de atenção farmacêutica no cuidado ao paciente idoso.
O encontro acontece na sede do CRF/AL, no bairro do Farol, em Maceió e as inscrições podem ser feitas na sede do conselho em Maceió e Arapiraca. A inscrição é uma lata de leite.
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Aspirina pode ajudar no tratamento de tumores no cérebro, aponta estudo
Um dos medicamentos mais comuns das farmácias pode ser a chave para tratar tumores cerebrais, de acordo com estudo realizado pelo Brain Tumor Research, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. Pesquisadores da instituição descobriram que a aspirina em uma versão líquida pode ser até 10 vezes mais eficiente do que as drogas usadas atualmente.Em laboratório, os especialistas desenvolveram uma fórmula a base de aspirina acrescida de dois ingredientes não revelados em uma versão líquida. Chamado de “IP1867B”, o fármaco ajudaria a romper uma barreira de proteção do cérebro que impede os medicamentos de atacarem o tumor. Nos testes realizados, tanto o composto quanto os ingredientes separados se mostraram 10 vezes mais eficientes no combate às células cancerosas de adultos e crianças.Apesar de não revelar o nome dos outros dois componentes da formulação, os pesquisadores garantem que todos já são aprovados para uso clínico e que eles não afetam as células normais do órgão.— Este é um potencial divisor de águas para a investigação sobre tumores cerebrais e mostra claramente o que a pesquisa sustentável é capaz de alcançar. É a ciência como esta que nos permitirá, eventualmente, encontrar uma cura para esta doença devastadora que mata mais crianças e adultos com menos de 40 anos de idade do que qualquer outro câncer — disse a diretor do Brain Tumor Research, Sue Farrington Smith.Novos testes devem indicar se a fórmula poderá ser testada em pacientes que sofrem com a doença.Fonte: Zero Hora Online -

IBGE: 11 milhões usam remédios para dormir
Mais de 11 milhões de brasileiros — o equivalente a 7,6% da população — usam medicamentos para dormir. O índice é um dos destaques do último volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgado ontem pelo IBGE, e revela o mesmo percentual de pessoas em depressão. Especialistas entrevistados pelo GLOBO acreditam que existe uma relação entre estes dados.Diretora da Associação Brasileira de Sono, Andrea Bacelar ressalta que o brasileiro dorme cada vez menos. Um adulto deveria repousar por até oito horas, segundo ela, mas descansa menos de seis. — A privação de sono gera cansaço, compromete a produtividade, aumenta a chance de acidentes e a irritabilidade — enumera. — A longo prazo, torna os indivíduos mais sujeitos a doenças como depressão, hipertensão, diabetes e obesidade.O levantamento, realizado entre pessoas com 18 anos ou mais, separou os entrevistados em três categorias: ocupados, desocupados e fora da força de trabalho, grupo formado majoritariamente por idosos, mas também por estudantes e pessoas que não estão procurando emprego.Uma em cada dez pessoas fora da força de trabalho tem diagnóstico de depressão. O mesmo registro foi realizado em 7,5% das desocupadas e em 6,2% das ocupadas. Já os medicamentos para dormir são consumidos por 12,6% dos indivíduos que não procuram emprego, 5% dos empregados e 4,3% dos desempregados.VULNERABILIDADE A OUTRAS DOENÇASOs dados sobre depressão foram coletados a pedido do Ministério da Saúde. Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis da pasta, sublinha os efeitos do transtorno mental sobre outras enfermidades:— A depressão é uma das maiores motivadoras da perda de saúde, seu efeito sobre o sistema imunológico nos deixa vulneráveis a outras doenças — explica. — Nos últimos anos, tornou-se a principal causa de aposentadoria no Brasil, as pessoas estão deixando o mercado ainda em idade produtiva, e suas consequências também atingem o sono: os deprimidos dormem mais rápido, mas acordam no meio da noite.Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva destaca que 10,1% das mulheres entrevistadas revelaram ter depressão — o contingente é ainda maior a partir da meia idade —, enquanto apenas 3% dos homens admitiram ter a doença.— A mulher, por questões hormonais, tem maior vulnerabilidade à depressão, e também costuma procurar tratamento. O homem tem preconceito — compara. — Ainda assim, a subnotificação é expressiva em ambos os gêneros, porque as pessoas acreditam que combatem seus problemas tomando medicamento para sintomas como insônia e ansiedade.O IBGE também contabilizou a ocorrência de outras doenças. De acordo com a pesquisa, 15,7% das pessoas com emprego têm hipertensão arterial, quase o dobro do número registrado entre os desempregados (8,2%). E um em cada dez ocupados afirmaram ter taxa alta de colesterol, mesmo problema declarado por 7,1% dos indivíduos desocupados. Já as dores crônicas nas costas, uma das principais causas para ausências no trabalho, afligem 16,3% dos brasileiros ocupados e 12,2% dos desocupados, segundo a pesquisa.Diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, Paulo Renato Fonseca diz que os problemas lombares têm relação com vários males. — Existe relação com sedentarismo, obesidade, trabalhos que exigem a força bruta por mais de dois terços do tempo — conta. — Entre os idosos, está vinculada à artrose e à perda da massa muscular.Segundo Fátima Marinho, a maior incidência de enfermidades em indivíduos ocupados, comparada à vista em desocupados, é fruto do acesso facilitado das pessoas inseridas no mercado de trabalho a exames médicos: — Nossa meta não deve ser apenas que a população viva mais. A longevidade deve ser acompanhada de qualidade de vida.Fonte: O Globo -

Bactéria da hanseníase se
A bactéria da hanseníase se“disfarça”de vírus para enganar o sistema imunológico e se espalhar com maior facilidade pelo corpo humano, aponta um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Rio.A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e de novas terapias para a doença. Hoje, o tratamento com antibióticos é longo,mas consegue curar.Conhecida no passado como lepra,a hanseníase é um doença de pele contagiosa — principalmente por saliva e secreções das vias aéreas — que pode também atacar o sistema nervoso periférico, os olhos e até outros órgãos.O estudo é desenvolvido desde 2010 pela bióloga Anna Beatriz Robottom. Em sua tese de doutorado, ela mostrou que a Mycobacterium leprae, bactéria responsável pela hanseníase, libera partes de seu DNA ao infectar a célula de alguém.Normalmente, ao identificar o material genético estranho, o sistema imunológico ativa os sistemas de defesa do corpo. Mas é aí que se encontra o segredo da hanseníase.A liberação de DNA dentro da célula é um comportamento comum de infecções virais. Quando a hanseníase “finge” que se trata de uma infecção viral, o combate à doença é feito de maneira errada. “A bactéria prepara aquele ambiente como se tivesse a capacidade de reprogramar o meio intracelular, tornando-o um nicho favorável à sua proliferação”,diz Milton Moraes, orientador do estudo e chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz.Em geral, quando um tipo de resposta imunológica é ativado, outras modalidades são inibidas.Por isso, ao tentar se defender de um vírus, o corpo fragiliza as barreiras contra bactérias. A resposta do sistema imunológico é enviar enzimas para tentar quebrar o DNA viral que se encontra nas células. “Mas, como a bactéria tem uma parede espessa,a presença dessas enzimas não faz cócegas nela”, disse Moraes.Um dos pontos centrais no comportamento de defesa do corpo contra vírus, bactérias e até mesmo o câncer é a produção da molécula interferon do tipo 1. Os pesquisadores demonstraram que, no caso de infecção pela M. leprae, o interferon aumenta a atividade do gene OASL (central no controle da proliferação das bactérias nas células) e a eliminação do invasor é prejudicada.Isso significa aumento da viabilidade da bactéria dentro da célula.Além ajudar a trazer novas formas de prevenção e tratamento da hanseníase, a pesquisa pode facilitar a compreensão de outras doenças que afetam o sistema nervoso. “As estratégias que levam ao dano neural muitas vezes passam por vias comuns. Se entendo o mecanismo da hanseníase,isso pode me ajudar a entender melhor o diabetes e as doenças de Parkinson e Alzheimer”, diz Moraes.Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica “Journal of Infectious Diseases”.Fonte: Folha de S.Paulo -

Uber da saúde quer revolucionar medicina com doutores que vão visitar você em casa
O Docway, um aplicativo lançado ano passado em Curitiba e que acaba de chegar a São Paulo, permite que se chame um médico com a mesma facilidade de pedir um táxi. Para usar, basta baixar o aplicativo (disponível para Android e IOS), cadastrar-se, encontrar um médico da especialidade (e do preço) desejada(o) e agendar a consulta. Em caso de emergência, o usuário não escolhe o médico, mas o aplicativo garante que um especialista vai bater na sua porta em no máximo três horas (nesse caso o preço é fixo: 200 reais). “Além de ser muito prático, a gente acredita que o sistema serve para resgatar o contato humano entre médicos e pacientes, renovando a tradição de visitas domiciliares”, diz Fábio Tiepolo, CEO da Docway.Por enquanto, há cerca de de mil médicos cadastrados. Cada um deles define o tamanho da área na qual atua na cidade, o preço da consulta e disponibiliza sua agenda. Marcar consulta é muito simples. O pagamento é feito pelo próprio aplicativo – por cartão de crédito – e, se o paciente tiver plano de saúde, pode pedir reembolso. O Docway é especialmente útil para encontrar médicos de família, pediatras, clínicos gerais e obstetras – especialidades que se beneficiam mais do atendimento domiciliar.Ao final de cada consulta, o paciente avalia o médico – mas, infelizmente, essas avaliações não ficam disponíveis para os próximos usuários. “O Conselho Federal de Medicina proíbe que se divulgue esses dados”, diz Tiepolo. “Mas nosso algoritmo favorece os médicos que fazem mais atendimentos e os mais bem avaliados – esses aparecem na frente quando alguém faz uma busca”. O CEO garante que médicos consistentemente mal-avaliados serão descadastrados.Tiepolo diz que o número de médicos está crescendo rápido. “Hoje o SUS paga 12 reais por uma consulta. Um plano de saúde privado paga 30. Vale muito mais a pena para um médico cobrar R$ 100 ou R$ 150 para atender alguém em casa”, diz. A Docway fica com uma fatia de 15%.Muitos dos especialistas cadastrados são médicos jovens, que ainda não têm consultório próprio ou ligação com algum hospital. Mas há exceções. “Outro dia conheci um médico mais velho que se cadastrou e fui conversar com ele. Ele disse que tinha nostalgia do início da carreira, logo que se formou, quando visitava pacientes em casa, era convidado para um cafezinho…”Além de Curitiba e São Paulo, o sistema já foi lançado em Belo Horizonte e Manaus – mas já há alguns médicos cadastrados em 40 cidades diferentes. Ainda este ano, ele irá se expandir para Goiânia, Florianópolis, Porto Alegre e Salvador. No próximo mês, algumas novidades estão previstas. “Vamos integrar o Docway ao Uber, para que um médico possa ir à consulta de Uber, e o preço da corrida já seja automaticamente acrescido ao da consulta.” Além disso, será possível marcar consultas de emergência, com apenas uma hora de antecedência. Hoje o Docway agenda 200 consultas por mês – Tiepolo projeta crescer 70 vezes ainda em 2016 e chegar ao final do ano com 14 mil consultas/mês.Fonte: Super Interessante Online -

Luz no combate a infecções decorrentes de diabetes
A Beone Technologies, startup fundada por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE), se prepara para lançar no mercado um tratamento que utiliza a radiação da luz para curar infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.O objetivo é dar alívio a pacientes que sofrem com feridas de difícil cicatrização, como as causadas por diabetes. Mais eficiente e barato que o tratamento convencional, o método é usado em conjunto com uma pomada cicatrizante desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. Assim, proporciona em 15 dias a cura de feridas expostas há até dois anos, e sem risco de efeitos colaterais, afirma o cofundador Caio Guimarães.A ideia surgiu em 2014, quando o cientista fazia estágio no Wellman Center, laboratório especializado nos efeitos da luz sobre a saúde humana, ligado à Universidade de Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).Lá, participou de um grupo que estudava como matar bactérias resistentes em 62 minutos, usando apenas frequências de luz. O equipamento ocupava espaço e era caro: cerca de US$ 50 mil. Além disso, não se mostrou eficaz nos tecidos mais profundos de pele.Pensando em uma versão mais eficiente e acessível, Guimarães desenvolveu uma espécie de lanterna de LED com microagulhas de fibra ótica. O protótipo emite o mesmo feixe de luz do equipamento grande, mas é capaz de penetrar nas partes mais difíceis do tecido – e custou apenas US$ 30.De volta ao Brasil, o jovem pesquisador, eleito no ano passado pela revista Forbes como um dos 30 brasileiros abaixo de 30 anos mais influentes no País, resolveu dar andamento ao projeto com o reforço de um time de professores pesquisadores da UPE. Juntos, ajustaram o foco e começaram a trabalhar na adaptação da tecnologia para o tratamento de doenças e infecções.Como ponto de partida, decidiram tratar complicações de diabetes, como as feridas de difícil cicatrização – uma das principais causas de amputações nos pacientes.Cada tipo de infecção demanda uma exposição de luz diferente. Por isso, o grupo se concentrou inicialmente em um único problema de saúde para estruturar a startup. A ideia é, posteriormente, desenvolver versões aplicáveis no tratamento de outras doenças.Na práticaPesquisas comprovam a reação de determinadas bactérias quando expostas a diferentes intensidades de luz. Segundo Guimarães, a luz azul, por exemplo, produz um efeito mais bactericida, e a vermelha tem capacidade de modular a biologia das células e promover uma regeneração.Para o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, Fadlo Fraige Filho, embora o estudo sobre os efeitos da luz no combate a bactérias não seja algo novo, a proposta da Beone de adaptar o processo para que se torne comercial e acessível é válida. “O método é um excelente apoio para o tratamento de úlceras diabéticas e varicosas, além de ser muito mais barato se comparado com alternativas como tratamentos com hormônios”, diz o especialista, que é professor titular de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, São Paulo.Impacto socialA Beone foi concebida para ser um negócio social, ou seja, uma empresa autossustentável, que oferece produtos e serviços que visam solucionar problemas da população de baixa renda que o poder público não resolve sozinho. “Não queremos criar uma empresa apenas para vendê-la depois. Queremos melhorar e salvar vidas”, afirma Guimarães.No plano da startup está, primeiramente, disponibilizar máquinas em hospitais para tratamento em grande escala. O primeiro protótipo deverá ficar pronto em agosto de 2017 e os primeiros pacientes tratados serão do hospital Agamenon Magalhães, em Recife.Numa segunda etapa, a equipe pretende desenvolver um produto que possa ser usado em casa, pelo próprio paciente. Isso pode levar alguns anos, já que a aprovação de um equipamento desse tipo seria condicionada a testes e análises de diversos órgãos.Ambição globalA empresa foi lançada na edição deste ano da Campus Party e agora segue em aceleração pela Yunus Negócios Sociais Brasil. “Com o projeto rodando dentro de hospitais, usaremos o lucro do tratamento das feridas para investir em mais pesquisas e mais tecnologias para a cura de outras doenças”, diz Guimarães.O CEO da Yunus Negócios Sociais Brasil, Rogério Oliveira, diz que a startup tem potencial para se tornar o primeiro grande negócio social global com origem no Brasil. “Acreditamos que, em alguns anos, possa não só estar ocupando bastante o mercado brasileiro, mas se tornando também uma empresa global, com uma solução de impacto social para o mundo todo a partir do Brasil”, diz. A BeOne espera criar até versões que possam ser utilizadas em outras áreas, como a indústria de bebidas. Guimarães diz que a luz poderia substituir, por exemplo, antibióticos usados no controle da fermentação da cachaça, proporcionando ao produtor uma economia significativa de recursos.Fonte: DCI