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Termômetros com mercúrio podem ser proibidos
A Anvisa abriu a Consulta Pública 207/2016 para proibir a fabricação, importação e a comercialização, assim como o uso em serviços de saúde, dos termômetros e esfigmomanômetros com coluna de mercúrio. A consulta foi publicada nesta segunda-feira (20/6), no Diário Oficial da União (DOU).O prazo para envio de comentários e sugestões ao texto da proposta de regulamentação será de 60 (sessenta) dias, a contar de 7 (sete) dias após a data de publicação.Os termômetros e esfigmomanômetros com coluna de mercúrio são os produtos que possuem uma coluna transparente, contendo mercúrio no seu interior, com a finalidade de aferir valores de temperatura corporal (no caso do termômetro) e pressão arterial (no caso do esfigmomanômetro).Como contribuir?A participação na Consulta Pública pode ser feita por formulário eletrônico.Acesse agora o conteúdo da Consulta Pública 207/2016.Esses equipamentos já possuem outras alternativas de mercado que não utilizam a coluna de mercúrio. Os termômetros e esfigmomanômetros digitais são produtos para a saúde de uso difundido no Brasil e possuem as mesmas indicações clínicas que os que contém mercúrio. Esses dispositivos também possuem a sua precisão avaliada compulsoriamente pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade e são ambientalmente mais sustentáveis.Os aparelhos retirados de uso deverão seguir a regulamentação vigente para descarte de resíduos sólidos: a política nacional de resíduos sólidos, estabelecida pela Lei 12.305/2010 e a RDC 306/2004, que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.Convenção de MinatataA ação na retirada de comercialização do mercúrio dos termômetros e esfigmomanômetros faz parte do compromisso do Governo Brasileiro firmado na Convenção de Minatata. A Anvisa, assim como outros órgãos da administração pública, está comprometida com a Convenção de Minamata, onde 140 países, incluído o Brasil, firmaram compromisso para o controle do uso e redução de emissões e liberações do mercúrio para a natureza. Um dos compromissos é o banimento de produtos que contém mercúrio até 2020. A proibição da substância é uma tendência mundial.Contribuição em papelEm caso de limitação de acesso do cidadão a recursos informatizados será permitido o envio e recebimento de sugestões por escrito, em meio físico, durante o prazo de consulta, para o seguinte endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Gerência-Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde, SIA trecho 5, Área Especial 57, Brasília-DF, CEP 71.205-050. As contribuições internacionais deverão ser direcionadas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária/Assessoria de Assuntos Internacionais (Aint), no mesmo endereço.Fonte: Anvisa -

Como nasce um MIP
Todo medicamento inovador nasce com venda sob prescrição médica. Após cinco anos no mercado nacional, no momento da renovação de seu registro, o laboratório detentor do produto poderá solicitar a alteração para Medicamento Isento de Prescrição (MIP). O pedido passará por avaliação da área técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que poderá ou não ser deferido. Segundo a Anvisa, o processo de troca de categoria de registro para MIP leva um ano para ser finalizado, podendo acontecer antes ou depois, dependendo do caso.No Brasil, não existe uma lista de MIPs, mas, sim, a lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (Gi-te), que determina quais categorias de fármacos podem ser isentas de prescrição. Todos os medicamentos cujos grupos e indicações terapêuticas não estejam descritos no Gite são de venda sob prescrição médica. A lista faz parte da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 138, de 2003, da Anvisa, que determina as regras para que o medicamento se torne um MIP. Na resolução, estão previstas, também, que as associações medicamentosas ou duas ou mais apresentações em uma mesma embalagem para uso concomitante ou sequencial, cujo grupo terapêutico e indicação terapêutica de pelo menos um de seus princípios ativos não estejam especificados no Gite, são de venda sob prescrição médica.Existe uma alternativa para o medicamento inovador ser registrado e comercializado no Brasil como MIP sem esperar o prazo de cinco anos de renovação do registro. Esse caso prevê que o produto já seja comercializado como MIP há mais de cinco anos nos Estados Unidos ou na Europa, com a respectiva aprovação das entidades reguladoras de medicamentos locais FoodDrug Administration (FDA), nos Estados Unidos, ou European Medicines Agency (EMA), na Europa, Sendo assim, o laboratório solicitante deverá juntar ao processo de registro na Anvisa dados de farmacovigilância e comprovantes de enquadramento na categoria de venda sem prescrição médica no país onde o produto é comercializado.PROCESSO CLAROAlém desses procedimentos de registro, para que um medicamento seja aprovado pelas autoridades sanitárias como MIP deve ter um alto perfil de eficácia e, principalmente, segurança, que envolve características, como ba -xo potencial de toxicidade e risco (mau uso/abuso/intoxcação), reações adversas com causalidades conhecidas e reversíveis após a sua suspensão, baixo potencial de interações (medicamentosa e alimentar). “Para que seu uso seja seguro e consciente, sempre que o consumidor optar por usar MIPs, deve seguir as orientações da bula e rotulagem e ter em mente que, se os sintomas persistirem, a suspensão do medicamento ceve ser imediata e um médico deve ser procurado”, afirma a vice-presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Marli Martins Sileci.REGRAS INCERTASApesar da existência de normas específicas para troca de categoria de medicamentos para MIPs, persistem algumas dúvidas sobre o processo, como assinala Marli. “Atualmente, no Brasil, não há diretrizes claras que norteiam a mudança de um medicamento tarjado para MIP. Quando a empresa farmacêutica tem uma substância apta para a reclassificação ou switch ela deve submeter individualmente o pedido à Anvisa, que analisa e dá seu parecer. Não existe ainda um procedimento-padrão”, afirma a vice-presidente da Abimip. Segundo a executiva, 3 Anvisa está finalizando as discussões sobre a nova resolução dos MIPs e do processo de switch e deverá publicá-la no primeiro semestre deste ano. “A nova norma, alinhada com o cenário mundial, apresentará um modelo de regulação mais funcional que permitirá à agência uma avaliação sobre os pedidos de switch a partir de critérios estabeleci dos, baseados em uma documentação mais robusta no que se diz respeito ao perfil de segurança do uso do medicamento”, esclarece.De acordo com a Anvisa, conta muito também para que o medicamento se enquadre na categoria de MIP seu histórico no País. No momento da renovação de registro e com o pedido para reenquadramento como MIR são avaliadas as notificações médicas que o produto teve. Medicamento com notificações negativas, principalmente com efeitos adversos, dificilmente consegue a transferência. Efeitos adversos não previstos na bula pioram ainda mais a situação do produto. O Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa), da Anvisa, é o principal banco de dados utilizado para compilar esses casos. O sistema de informação é a ferramenta para a notificação e o monitoramento de eventos adversos relacionados ao uso de produtos sob vigilância sanitária. Nele, está o registro de problemas relacionados ao uso de medicamentos e produtos para a saúde, incidentes e eventos adversos, com o propósito de fortalecer a vigilância pós-uso das tecnologias em saúde. Profissionais de saúde e cidadãos podem relatar problemas diretamente no s/te do sistema. Segundo a Anvisa, há também uma rede de monitoramento em hospitais e centros médicos, que enviam à Agência possíveis efeitos adversos e outros problemas relacionados aos medicamentos. que são analisados pelos técnicos e são tomadas as providências necessárias.OBRIGATORIEDADE DA BULAUma dúvida comum é se todos os MIPs precisam de bula. Segundo a Abimip, alguns dos MIPs são comercializados em carteias, o que faz com que muitos consumidores achem que eles não possuem bulas, faltando, portanto, informar sobre finalidade, forma de administração, entre outras. “Mas o que muitos não sabem é que, para esses MIPs vendidos em carteias, podem exigir a bula, que deverá estar disponível na farmácia, segundo as regras da Anvisa”, diz a Abimip. Se, mesmo assim, o consumidor tiver dúvidas quanto à finalidade e ao modo de utilização de um MIP, ele também pode pedir auxílio ao farmacêutico, sugere a Abimip.Na avaliação dos especialistas, o uso consciente dos MIPs age sobre a qualidade de vida e o direito assegurado ao usuário de atuar sobre a própria saúde, mas eles precisam seguir preceitos básicos. “Um fator crucial é que os MIPs não podem apresentar possibilidade de dependência”, destaca o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ), Marcus , Athila. “Os MIPs são indicados para doenças ou sintomas de baixa gravidade e autolimitados e são considerados de elevada segurança de uso, eficácia comprovada cientificamente ou de uso tradicional reconhecido, de fácil utilização e baixo risco de abuso”, complementa o assessor da diretoria do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio Grande do Sul (CRF-RS), Gabriel Freitas. Os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) são claros para o uso correto dos MIPs, lembra o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini. “O uso responsável de MIPs consiste na prática dos indivíduos em tratar seus próprios sintomas e males menores com medicamentos aprovados e disponíveis sem a prescrição médica e que são seguros e efetivos quando usados segundo as instruções.”Qual o papel dos MIPs nas epidemias?Há pouco mais de cem anos, o Brasil, em particular a sua capital naquela época, Rio de Janeiro, passava por uma série de epidemias, a maioria delas provocada por problemas de falta de higiene e de saneamento básico – varíola, peste bubônica e febre amarela eram as mais graves.Na primeira década do século 20, foi necessária uma força tarefa para vencer os focos de transmissão. Encabeçada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, que dirigia o Departamento Nacional de Saúde Pública, a brigada vistoriava, em alguns casos à força, casas à procura de focos de mosquitos e de ratos. Em 1904, o governo federal obrigou os cidadãos se vacinarem, gerando imensa onda de protestos no que ficou conhecida como a Revolta da Vacina. Apesar dos reveses, Oswaldo Cruz conseguiu, em quatro anos, erradicar as principais epidemias, em particular a febre amarela.E um dos vilões daquela época era o mesmo Aedes aegypti, transmissor da febre amarela, que hoje atormenta o País, transmitindo zika e chikungunya, além da velha conhecida dengue. Em pleno século 21, o Brasil está novamente diante de graves epidemias, como a zika, causadora da microcefalia, anomalia que leva a redução da circunferência craniana de bebês, entre outras complicações, e à síndrome de Guillain-Barré, moléstia que atinge o sistema nervoso.Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, o País pode registrar mais de 1,5 milhão de casos ainda este ano, o que representa cerca de 50% dos casos de incidência do zika previstos para as Américas. Já a chikungunya é uma doença semelhante à dengue, com sintomas também parecidos: febre, mal-estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, apatia e cansaço. Porém, a grande diferença da chikungunya está no seu acometimento das articulações, pois o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.Já a dengue, que chegou a ser praticamente erradicada do País na década de 1950, com o controle do Aedes aegypri, devido a falhas na vigilância epidemiológica e a um modo desordenado de urbanização, retornou em 1976 e não parou mais de crescer. Segundo a Fiocruz, são mais de 15 milhões de casos registrados da doença desde seu retorno. Mas esse número pode ser bem maior, tendo em vista que muitos casos não foram notificados. De forma geral, toda região do Pais onde exista Aedes aegyptiestá sujeita a ter uma epidemia de zika, chikungunya ou dengue.As tentativas de controle das moléstias transmitidas pelo mosquito têm sido equivocadas, na visão de especialistas. “A falta de coordenação entre a vigilância epidemiológica, políticas de planejamento urbano e sanitário e estratégias de promoção da saúde estão na raiz do problema, assim como o uso de certos agentes químicos para controlar os mosquitos, tendo em vista seus efeitos sobre os seres humanos”, afirma a diretora de desenvolvimento profissional do Fórum Farmacêutico das Américas, organização que reúne associações farmacêuticas nacionais, a Organização Pan-Americana de Saúde e a Federação Internacional Farmacêutica, Josélia Frade.SURTO RECENTEOutro problema enfrentadoé a gripe H1NI, iniciado nos primeiros meses deste ano, sobretudo no estado de São Paulo, que registra mais de 80% dos casos do País. No total, foram apurados 1.365 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A/Hl N1 até meados de abril, segundo boletim do Ministério da Saúde. O mesmo documento informa que nesse período foram compiladas 230 mortes por H1N1. São Paulo teve o maior número de óbitos – 119, correspondendo a 51,7% das mortes do País.PAPEL DOS MIPSMedicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) podem ser a primeira linha de tratamento para determinadas condições de saúde, principalmente para doenças ou sintomas de baixa gravidade. No caso de enfermidades causadas pelos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti e a H1N1, eles podem ser utilizados oara atenuar sintomas, mas alguns cuidados precisam ser tomados, adverte o diretor técnico de clínica geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HGFMUSP), Dr. Arnaldo Lichtesntein.“Os sintomas iniciais da dengue são muito parecidos com os da gripe, sendo que ambas as infecções são muito comuns atualmente. Para a gripe, anti-inflamatórios a que a pessoa está acostumada podem ser o suficiente. Contudo, essa classe de medicamento é contraindicada para a dengue, pois pode piorar o problema de plaquetas, em especial no caso da dengue hemorrágica”, frisa.Para o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e médico infectologista do Hospital Albert Einstein, Dr. David Salomão Lewi, o mais importante é ter o diagnóstico correto. “Não se deve tomar qualquer tipo de medicamento sem ter um indicativo do problema, sobretudo nas moléstias transmitidas pelo Aedes aegypti. Em alguns casos, um analgésico pode ser administrado, mas sob orientação médica, para se evitar riscos, como o de hemorragia nos casos de dengue tratados com anti-inflamatórios.”O surto fora de época de H1N1 (a doença costuma acontecer no inverno) fez com que os estoques do oseltamivir acabassem das farmácias em abril último, principalmente no estado de São Paulo. Para evitar que isso também ocorra com MIPs utilizados nos casos de gripe, as farmácias devem reforçar o estoque de anti-inflama-tórios, analgésicos e soros, além de produtos, como álcool gel e vitaminas.“Para o paciente que está com sintomas de dengue, zika ou chikungunya, a indicação é o uso de soro para rei-dratação oral, além do paracetamol. Como preventivo, o farmacêutico deve recomendar ao paciente o uso de repelentes, mosquiteiros e monitorar possíveis focos de criação dos mosquitos”, diz o presidente da Farma & Farma, associada da Federação Brasileira das Redes Associativistas e ndependentes de Farmácias (Febrafar), Rinaldo Ferreira.Fonte: Guia da Farmácia -

NOTA DE REPÚDIO
Em defesa dos farmacêuticos, uma categoria de profissionais de saúde, de nível superior, com compromissos e condutas a serem cumpridas, o Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) repudia as declarações dadas pelo Ministro Interino da Saúde, Ricardo Barros, durante uma solenidade no estado do Paraná, no último dia 24 de junho em que considerou melhor ter médicos cubanos do que um farmacêutico ou a benzedeira para atender a população.
O CRF/AL afirma que o ministro desconhece as atividades profissionais dos farmacêuticos, que tem como uma de suas funções prestar atendimento de saúde à população, dentro das prerrogativas que regulamentam a profissão. No caso do farmacêutico, nosso foco de trabalho é o medicamento e a correta orientação para que o seu uso seja racional.
O posicionamento do ministro interino foi um desrespeito com a categoria que reúne mais de 200 mil profissionais no país e que durante décadas, lutou para garantir que a saúde seja, efetivamente, uma área de atuação multidisciplinar, que inclusive são preconizadas pelas diretrizes do SUS e que devem ter como foco o paciente e não a doença.
Sendo assim, o CRF/AL afirma que continuará desenvolvendo suas atividades em defesa dos profissionais farmacêuticos, garantido as prerrogativas de atuação e reforçando a conduta de que o profissional de farmácia está apto para prestar atendimento de saúde auxiliando os médicos. E não medirá esforços para que o Ministro interino faça uma retratação pública pedindo desculpas aos farmacêuticos.
CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DE ALAGOAS
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A automedicação piora a dor
A dor é um alarme emitido pelo organismo ao sofrer uma agressão, caso de queimadura, infecção, trauma ou tumor. Segundo o anestesista João Valverde Filho, coordenador do Centro de Dor do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, na dor aguda, o corpo libera substâncias que ativam os nervos periféricos. Eles conduzem um estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada; e, de lá, para o cérebro, a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema. Para que ocorra uma resposta de inibição natural ao desconforto, um estímulo também parte do cérebro, passa pela medula e chega ao local da lesão. A serotonina, as endorfinas e outras substâncias conhecidas como neuromoduladores podem excitar ou inibir a dor na medula espinhal pelo chamado sistema inibitório da dor, ou sistema supressor da dor.Nos casos em que o corpo não consegue naturalmente acionar esse mecanismo, é necessário recorrer às medicações analgésicas. “Quando as endorfinas (opioides produzidos pelo próprio organismo) não dão conta de resolver, usamos a morfina, um tipo de analgésico que amplifica o sistema inibitório da dor. Se no local, por outro lado, ocorre uma reação inflamatória ou um inchaço, é o caso de usar anti-inflamatórios para combater essa dor periférica. Remédios para dormir só acalmam e retiram a ansiedade e o sofrimento relacionados à dor, não agindo sobre ela. Para o alívio da dor, são necessários fármacos analgésicos e não ansiolíticos”, detalha Valverde.Mas quando não se consegue agir sobre a causa e tratar a dor aguda adequadamente, o sistema inibitório entra em estágio de fadiga. Isso ocorre porque o medicamento é insuficiente, ou a combinação de remédios, inadequada. O sistema inibitório da dor começa, então, a falhar, o que pode levar até mesmo à morte celular. “Os neurônios envolvidos nessas ligações ficam falhos e não permitem mais a passagem do sinal inibitório. Ou, pior, o sistema passa a funcionar de forma excitatória e, então, onde não haveria mais motivos para dor, pois não existe mais lesão, ela permanece cronicamente. Nesse caso, é como se a fibra nervosa sofresse uma subversão da ordem dos estímulos elétricos. Essas dores podem ser controladas por antidepressivos, anticonvulsivantes, morfina e outros, além de medidas físicas e procedimentos cirúrgicos”, explica o médico.Um exemplo de possível cronificação da dor é o herpes zóster. Oitenta e cinco por cento da população tem catapora. Como o vírus causador da doença fica armazenado na raiz do nervo, há a chance do desenvolvimento desse tipo de herpes, quando o sistema imunológico vai se enfraquecendo. Se tratado inadequadamente, na primeira semana, o herpes zóster evolui para uma dor crônica. “A passagem da dor aguda para a crônica ocorre em função de uma falha no sistema fisiológico inibitório da dor”, diz Valverde.Daí a importância do diagnóstico precoce e da abordagem correta. Mas, apesar de seu grande impacto na vida social e produtiva e na qualidade de vida, a dor costuma ser subvalorizada e mal tratada. Só o tratamento pode quebrar esse ciclo, mas ele preciso ser certo. Segundo Valverde, a maioria da população e dos profissionais de saúde ainda negligencia esse problema. “Há componentes biológicos, genéticos e culturais envolvidos nesse descaso. Muitas vezes, a pessoa se queixa e logo ouve que não é nada e que vai passar, ou ela vai à farmácia e compra um analgésico ou um anti-inflamatório por conta própria. Existe dor inflamatória, neuropática, visceral… Quando se toma remédio para uma dor que não se tem, o sistema inibitório entra em exaustão e se ganha uma nova dor. Não é qualquer analgésico, por exemplo, que consegue substituir a transmissão de estímulos de um neurônio para o outro. Se tratada inadequadamente, a dor vai se prolongando e se torna crônica”, alerta o especialista.Diagnóstico detalhadoA principal ferramenta para avaliar algo subjetivo como a dor é conseguir que o paciente descreva detalhadamente a característica, a intensidade, a localização, os fatores de melhora e piora, além dos tratamentos anteriores ao problema. Uma escala numérica, que varia de zero a 10, pode ser utilizada para analisar o nível de desconforto. Quanto melhor o paciente explicar o que sente, mais facilmente o médico poderá indicar o tratamento adequado.Mas o diagnóstico não é fácil. Segundo o anestesista Roberto Paolinelli de Castro, presidente da Sociedade Mineira para Estudo da Dor (Somed), o corpo é formado de nervos da cabeça à ponta dos pés. A compressão de qualquer um deles pode gerar uma dor localizada ou irradiada, dependendo do tipo de comprometimento. Essa última, por não se manifestar no local afetado, também pode influenciar o diagnóstico.“Quando se tem uma causa bem estabelecida, orgânica, caso de uma cefaleia provocada por um aneurisma comprimindo um nervo do sistema central, é possível estabelecer o diagnóstico da causa. Essa dor também é mais factível de ser tratada porque se pode abordar a causa”, explica. O problema são as dores de etiologia pouco conhecida. Caso das enxaquecas, que não têm causa bem estabelecida. “Às vezes, o paciente tem o diagnóstico depois de passar por vários especialistas e exames”, explica. O médico conta que as queixas mais comuns nos consultórios são de dores lombares e cervicais, mais fáceis de serem identificadas, assim como a oncológica e a decorrente de hérnia.Fonte: Correio Braziliense -

Por que só 50 das 1.200 farmácias uruguaias começarão a vender maconha?
Medida do governo uruguaio com maior repercussão internacional e marca do mandato do ex-presidente José Mujica, a compra e venda legal de maconha começa nesta terça-feira (21) sua caminhada com apenas 50 farmácias do país associadas ao plano para sua implementação.Os motivos expostos pelas três grandes organizações que representam as quase 1.200 farmácias que operam no Uruguai coincidem em vários pontos para justificar a não associação ao plano.Por um lado, argumentam que muitas farmácias do interior do país, ou seja, aquelas que não estão em Montevidéu, consideram que a venda de maconha em seus estabelecimentos pode afetar a imagem diante dos clientes com valores mais tradicionais, dado que estes não veem com bons olhos o consumo de cannabis de forma legal.Segundo disse à Agência Efe o presidente da Associação de Farmácias do Interior, Fermín Arguiñarena, há muitos estabelecimentos “que não querem ser os primeiros” a vender maconha.Além disso, no interior do Uruguai, onde, segundo ele, “as pessoas são mais conservadoras” e as populações são mais reduzidas, há “muitos clientes de toda a vida” que rejeitam a comercialização legal de cannabis.Nesse sentido, o presidente do Centro de Farmácias do Uruguai, Jorge Suárez, destacou que há pessoas que opinam que “uma farmácia serve para curar e não para adoecer”.Quanto às farmácias que não se inscreveram por este motivo, Arguiñarena estima que, uma vez que comece a venda, “com certeza mais estabelecimentos vão se inscrever”.Em segundo lugar, duas das três organizações dizem que, no momento que finalizou o período de inscrição para a venda de maconha, havia estabelecimentos que não cumpriam com as condições exigidas no âmbito sanitário ou de segurança, apesar de terem a intenção de participar do plano desde o início.Outro argumento que explicaria a baixa adesão ao projeto se encontra na insegurança, um assunto que nos últimos anos se transformou em uma preocupação para a sociedade uruguaia.Nesse sentido, o presidente da Câmara Uruguaia de Farmácias, Gonzalo Miranda, disse à Agência Efe que alguns estabelecimentos localizados em áreas de venda de droga declararam ter recebido ameaças de narcotraficantes, que consideram que a comercialização de maconha pode afetar seus negócios ilegais.Um dos argumentos do governo para aprovar a lei que permite a compra e venda legal de maconha é precisamente a luta contra o narcotráfico, embora a norma também tenha sido envolvido por uma perspectiva de saúde e de direitos.O Executivo, nas palavras do pró-secretário da presidência uruguaia e presidente da Junta Nacional de Drogas, Juan Andrés Roballo, considera que cerca de 50 farmácias inscritas é suficiente para iniciar uma etapa-piloto da implementação da lei.O governo também prevê que o número de estabelecimentos participantes irá aumentar com o tempo.Espera-se que dentro de dois meses a cannabis legal comece a ser comercializada no país. O governo licitou duas empresas (Iccorp e Simbiosys) para a produção de cannabis recreativa.Segundo disse Roballo, as colheitas estarão prontas nas próximas semanas e, segundo informam outras fontes, estariam sendo obtidas cerca de 300 gramas de maconha por cada planta.Por outro lado, ainda não houve o concurso de licença para a produção de cannabis terapêutica para abastecer o mercado interno, embora já haja empresas interessadas.De fato, segundo explicou à Agência Efe então o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Milton Romani, uma empresa israelense manifestou interesse em produzir maconha medicinal no Uruguai para sua exportação devido às facilidades legais.Para poder comprar maconha, os usuários deverão se registrar previamente no sistema e terão acesso a 10 gramas de cannabis por semana e um máximo de 40 por mês.Apesar do preço de venda ainda não ter sido estipulado, a estimativa é que o grama poderá ser adquirida pelo equivalente a cerca de R$ 4.Fonte: Uol Saúde -

” falha em mais um teste
A fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, teve mais um resultado negativo na série de testes encomendada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O trabalho, divulgado nesta sexta-feira (17), mostrou que a substância não é capaz de combater câncer de pâncreas e melanomas nem em alta concentração. O composto também mostrou desempenho desanimador em células de câncer de pulmão.Feito com fosfoetanolamina produzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trata-se do sétimo estudo com resultados pouco animadores sobre o potencial da substância no tratamento do câncer. A reportagem apurou que o resultado foi considerado tão desanimador que, em reunião realizada com o grupo de especialistas no MCTI, foi sugerida até a interrupção dos trabalhos.A proposta, no entanto, não foi aceita. Parte dos integrantes do grupo considera necessária a realização de outros estudos para indicar se a fosfoetanolamina tem de fato algum tipo de ação no organismo. “Pode haver até uma ação anti-inflamatória ou analgésica. Mas os trabalhos mostram que, para os tipos de câncer avaliados até agora, ela não é eficaz”, afirmou um integrante do comitê, sob condição de anonimato.Diretor-geral do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo, o oncologista Paulo Hoff afirma que o resultado, por si só, não é suficiente para interromper os estudos. “Temos de construir um prédio, estamos ainda nos alicerces”, avaliou.Sem milagresHoff reconheceu, no entanto, que os resultados até agora reunidos indicam que o produto não é milagroso como alguns pacientes avaliavam ser. “O debate sobre essa substância é ainda muito carregado de emoções. Precisamos dar um passo atrás. E observar que, estudos pré-clínicos, laboratoriais, em animais, apresentam limitações”, completou.Consultados, Ministério da Saúde e MCTI afirmaram que pesquisas com a “pílula do câncer” vão continuar e os resultados obtidos até o momento são iniciais. O governo federal não é o único a fazer pesquisas.Hoff, por exemplo, deverá conduzir uma avaliação, um misto de exames fase 1 e fase 2, para avaliar o impacto da substância em pacientes com câncer. O trabalho será com um número pequeno de voluntários. “O grupo já está formado”, contou. A pesquisa aguarda apenas a chegada da fosfoetanolamina, sintetizada pelo laboratório PDT Pharma. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)Fonte: Uol Saúde -

Estudos de neurociência superaram a psicanálise
Com 60 anos de carreira, 22.794 citações em periódicos, 60 premiações e 710 artigos publicados, Ivan Izquierdo, 78, é o neurocientista mais citado e um dos mais respeitados da América Latina. Nascido na Argentina, ele mora no Brasil há 40 anos e foi naturalizado brasileiro em 1981. Hoje coordena o Centro de Memória do Instituto do Cérebro da PUC-RS.Suas pesquisas ajudaram a entender os diferentes tipos de memória e a desmistificar a ideia de que áreas específicas do cérebro se dedicariam de maneira exclusiva a um tipo de atividade.Ele falou à Folha durante o Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu esta semana, em Buenos Aires. Izquierdo foi o homenageado desta edição do congresso.Na entrevista, o cientista fala sobre a utilidade de memórias traumáticas, sua descrença em métodos que prometem apagar lembranças e diz que a psicanálise foi superada pelos estudos de neurociência e funciona hoje como mero exercício estético.É possível apagar memórias?É possível evitar que uma memória se expresse, isso sim. É normal, é humano, inclusive, evitar a expressão de certas lembranças. A falta de uso de uma determinada memória implica em desuso daquela sinapse, que aos poucos se atrofia.Fora disso, não dá. Não existe uma técnica para escolher lembranças e então apagá-las, até porque a mesma informação é salva várias vezes no cérebro, por um mecanismo que chamamos de plasticidade. Quando se fala em apagamento de memórias é pirotecnia, são coisas midiáticas e cinematográficas.O senhor trabalha bastante com memória do medo. Não apagá-las é uma pena ou algo a ser comemorado?A memória do medo é o que nos mantém vivos. É a que pode ser acessada mais rapidamente e é a mais útil. Toda vez que você passa por uma situação de ameaça,a informação fundamental que o cérebro precisa guardar é que aquilo é perigoso. As pessoas querem apagar memórias de medo porque muitas vezes são desconfortáveis, mas, se não estivessem ali, nos colocaríamos em situações ruins.Claro que esse processo causa enorme estresse. Para me locomover numa cidade, meu cérebro aciona inúmeras memórias de medo. Entre tê las e não tê-las, prefiro tê-las, foram elas quem e trouxeram até aqui, mas se pudermos reduzir nossa exposição a riscos, melhor. O problema muitas vezes é o estímulo, não a resposta do medo. Mas algumas memórias de medo são paralisantes, e podem ser mais arriscadas do que a situação que evitam.Como lidar com elas?Antes parado do que morto. O cérebro atua para nos preservar, essa é a prioridade. Claro que esse mecanismo é sujeito a falhas. Se entendemos que a resposta a uma memória de medo é exagerada,podemos tentar fazer com que o cérebro ressignifique um estímulo. É possível, por exemplo, expor o paciente repetidas vezes aos estímulos que criaram aquela memória, mas sem o trauma. Isso dissocia a experiência do medo.Isso não seria parecido com o que Freud tentava fazer com as fobias?Sim, Freud foi um dos primeiros a usar a extinção no tratamento de fobias, embora ele não acreditasse exatamente em extinção.Com a extinção,a memória continua, não é apagada, mas o trauma não está mais lá. Mas muitos neurocientistas consideram Freud datado. Toda teoria envelhece. Freud é uma grande referência, deu contribuições importantes.Mas a psicanálise foi superada pelos estudos em neurociência, é coisa de quando não tínhamos condições de fazer testes, ver o que acontecia no cérebro.Hoje a pessoa vai me falar em inconsciente? onde fica?Sou cientista, não posso acreditar em algo só porque é interessante. Para mim, a psicanálise hoje é um exercício estético, não um tratamento de saúde. Se a pessoa gosta, tudo bem, não faz mal, mas é uma pena quando alguém que tem um problema real que poderia ser tratado deixa de buscar um tratamento médico achando que psicanálise seria uma alternativa.E outros tipos de análise que não a freudiana?Terapia cognitiva, seguramente. Há formas de fazer o sujeito mudar sua resposta a um estímulo.O senhor veio para o Brasil com a ditadura na Argentina. Agora, vivemos um processo no Brasil que alguns chamam de golpe, é uma memória em disputa. O que o senhor acha disso enquanto cientista?Eu vim por conta de uma ameaça. Não considero um golpe, mas é um processo muito esperto. Mudar uma palavrares significa toda uma memória. Há de fato uma disputa de como essa memória coletiva vai ser construída. A esquerda usa o termo golpe para evocar memórias de medo de um país que já passou por um golpe. Conforme essa palavra é repetida, isso cria um efeito poderoso. Ainda não sabemos como essa memória será consolidada, mas a estratégia é muito esperta.Fonte: Folha de S.Paulo Online -

Em busca de um modelo sustentável
A sustentabilidade dos sistemas de saúde é hoje um desafio mundial e, em especial, para o Brasil que vive várias transições (epidemiológica, nutricional, tecnológica e demográfica) e um subfinanciamento crônico.No campo epidemiológico, o país tem uma tríplice carga de doenças: infecciosas (como dengue e zika), crônicas (cardiovasculares e câncer) e de causa externa (acidentes e ferimentos a bala).A transição demográfica (em 2030 haverá mais brasileiros acima de 60 anos do que abaixo de 14 anos) e o aumento da obesidade,além dos custos crescentes, impõem a busca por novos modelos.Há uma unanimidade no setor de que é preciso uma mudança na atenção à saúde, hoje focada na doença e não na prevenção,ena forma de remunerar os prestadores de serviços. Os sistemas público e privado remuneram pela quantidade de procedimentos e não pela qualidade.Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em vários países há sistemas públicos de saúde eficazes. Em geral, eles investem até três vezes mais que o Brasil, cujo gasto público em saúde corresponde a 4,7% do PIB.PAÍSESO Canadá, por exemplo, possui um gasto público em saúde correspondente a 8% de seu PIB. Os médicos do “SUS” não são funcionários públicos, apesar de pagos pelo governo. A maioria dos atendimentos financiados pelo sistema é oferecida na iniciativa privada. Quase não existe competição entre o sistema público e o privado, já que os planos não podem oferecer os mesmos serviços ofertados na rede pública.O Reino Unido possui um gasto público em saúde correspondente a 8,2% de seu PIB. O sistema do país, criado na Segunda Guerra, é considerado um exemplo de atenção à saúde básica.Para ira um especialista, é preciso passar antes por um clínico geral, que é a referência do paciente dentro do sistema e que resolve até 90% dos casos. Esses médicos podem ganhar um dinheiro extra se os pacientes permanecerem saudáveis.Já a França possui um gasto público em saúde correspondente a 9,3% do PIB. A cadeia montada para gestantes, quedá incentivos financeiros para que pessoas de baixa renda busquem acompanhamento médico regular, é um exemplo internacional.O SUS francês mistura seguro público com contribuições na folha de salários. Em boa parte dos casos, o atendimento não é gratuito, mas o governo reembolsa a despesa.Fonte: Folha de S.Paulo -

Adultos podem desenvolver deficit de atenção, diz pesquisa brasileira
Não é só durante a infância que podem surgir sintomas do transtorno do defict de atenção e hiperatividade (TDAH), de acordo com um novo estudo brasileiro.A pesquisa aponta que, ao contrário do que estabelece o DSM, manual de psiquiatria americano usado como referência em diversos países, o TDAH poderia surgir em adultos que não apresentaram sintomas até a puberdade.O estudo, publicado em maio no “Journal of the American Medical Association – Psychiatry”, acompanhou mais de quatro mil pessoas dos 11 aos 18 anos de idade. No início da pesquisa, 8,9% dos participantes foram diagnosticados com TDAH. No fim, aos 18 anos, 12,2% tinham o transtorno.Excluindo indivíduos que apresentavam fatores que podiam influenciar no resultado, como por exemplo o abuso de drogas, os pesquisadores chegaram a um total de 6,3% de adultos com TDAH.O interessante é que somente 17,2% das crianças com o transtorno continuaram apresentando sintomas na idade adulta e apenas 12,6% dos adultos com o problema o tinham na infância. A preponderância de meninos com deficit de atenção também se inverteu na idade adulta, quando o problema acometeu mais mulheres.MÉRITO DOS PAISMuita coisa pode explicar essa disparidade. É possível, por exemplo, que pais cuidadosos e estímulos ambientais amenizem um defict de atenção na infância. Já na idade adulta, quando a cobrança aumenta, seria mais difícil mascarar os sintomas.“Mas também é possível que estejamos diante de dois problemas distintos. O TDAH adulto pode ser independente do infantil”, explica Luis Augusto Rohde, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos autores do estudo.Rohde foi o único brasileiro convidado pela Associação de Psiquiatria Americana para elaborar a última versão do DSM. Ele falou à Folha durante o World Congress on Brain, Behavior and Emotions, que aconteceu nesta semana, em Buenos Aires, na Argentina.Longe das obrigações escolares, o defict de atenção ganha contornos mais graves. “Pesquisas apontam que adultos com TDAH se envolvem em mais acidentes de trânsito, brigas, são mais propensos a serem presos, a contraírem doenças sexualmente transmissíveis, a largarem os estudos. São, em suma, pessoas mais impulsivas e com dificuldades em lidar com as exigências da vida adulta”, diz o psiquiatra Ernesto Martínez, da Universidad del Norte, na Colômbia.“Talvez o maior problema do adulto com esse tipo defict seja a dificuldade em prospectar consequências futuras e em sentir prazer com planos”, diz o neurologista André Palmini, da PUC do Rio Grande do Sul. “Pesquisas mostram que um adulto normal pode ter seu sistema de recompensa ativado diante da possibilidade de conquistar algo. Quem tem TDHA só sente prazer quando o prêmio de fato chega”.Isso tornaria os portadores da síndrome mais imediatistas. Vivendo mais “da mão para a boca”, por assim dizer. “É como se o cérebro dessa pessoa fosse eternamente adolescente”, conclui Palmini.O tratamento para adultos é semelhante ao das crianças. Envolve medicamentos (sendo a Ritalina o mais difundido) e práticas complementares como treinamento cognitivo e meditação, usados para diminuir a dispersão.DOPING INTELECTUALMas será que todo mundo que acha que tem defict de atenção de fato tem? Será que não estamos vivendo em um mundo propenso a distrações e com expectativas irreais de produtividade?Com certeza, diz Rohde. “Há dez anos, era raro eu atender um paciente que achasse que tinha a síndrome e não tinha de fato. Hoje, se me chegam dez pessoas, três ou quatro devem ter um problema real”.Para ele, o mito da produtividade plena e a expectativa de que sejamos multitarefa faz com que muitos busquem tratamento para doenças inexistentes.“Recebi um paciente que trabalhava no mercado financeiro e precisava acompanhar vários monitores ao mesmo tempo, com informações de diversos mercados. Às vezes ele perdia detalhes e isso acarretava em perdas milionárias. Mas ele nunca havia tido problemas de atenção anteriormente e não os tinha em outras atividades, era uma coisa localizada. Essa pessoa tem TDAH? Não, ela está se propondo a fazer uma coisa que poucos conseguiriam. Nossa capacidade de atenção é naturalmente limitada, e varia de pessoa para pessoa”, diz Rohde.Uma questão espinhosa é se seria ético tomar remédios para TDAH sem ter o problema, apenas para aumentar a produtividade. “Não há pesquisas conclusivas sobre o quanto essas drogas podem ajudar pessoas normais. É possível que muito do benefício seja placebo”, diz Rohde.“É claro que o trabalhador que toma Ritalina vai produzir mais, e isso pode não ser justo com aquele que não toma. Mas não é assim com outras coisas? Com cirurgia plástica, por exemplo?”, questiona Palmini. Para ele, se o médico explica os riscos, sobretudo ao coração, e o paciente decide tomar, não há problemas éticos em receitar.“Em medicina trabalhamos com uma equação de riscos contra benefícios. Em uma pessoa que tem o transtorno, os benefícios mais do que compensam os riscos. Em uma pessoa saudável, essa conta pode não fechar”, explica.“A questão é pensar até que ponto enquanto sociedade queremos ser máquinas de produtividade. O quanto isso não vai trazer mais sofrimento do que benefício”, conclui.Fonte: Folha de São Paulo -

Projeto brasileiro inicia mapa genético da zika e já detecta mutações
Pesquisadores brasileiros e ingleses concluíram nesta quinta-feira (16) a coleta de 1.200 amostras de sangue de pacientes de seis Estados para um estudo inédito do genoma do vírus da zika. O projeto-piloto vai realizar agora um mapeamento genético completo do vírus, que deve ter resultados até o final de julho.Com a análise do sangue coletado será possível saber a origem, entender as mutações ocorridas desde sua chegada e determinar, por exemplo, relações entre o vírus que circula no Brasil e os problemas neurológicos detectados, como a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré.Por quinze dias (entre os dias 2 e 16 de junho), o laboratório móvel de análise genômica visitou cinco Estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia. Além disso, também recebeu coletas de sangue do Mato Grosso.Segundo o pesquisador da Fiocruz e um dos coordenadores do projeto, Luiz Alcântara, o vírus foi detectado em 12% das 1.200 amostras coletadas, que vieram, na maioria dos casos, de laboratórios estaduais e foram colhidas de pacientes que tiveram exame clínico conclusivo de doença com exantemas (manchas vermelhas no corpo) e suspeita de zika.“Essas coletas foram feitas em pacientes apenas pelo perfil clínico, sem diagnóstico molecular. Os laboratórios centrais dos Estados ainda não têm como fazer esse diagnóstico molecular. Eles colhem o sangue e enviam para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, que não consegue atender a demanda”, disse.O projeto Zibra (Zika in Brasil Real Time Analysis, ou análises em tempo real do vírus da zika no Brasil, em tradução livre) é uma parceria entre Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Bahia, Instituto Evandro Chagas, Ministério da Saúde e duas universidades do Reino Unido. Pesquisadores australianos e dos Estados Unidos também colaboram.As primeiras conclusões serão apresentadas nesta sexta-feira (17) a especialistas durante simpósio internacional em Salvador, mas o pesquisador da Fiocruz já adiantou que o vírus que circula no Brasil agrupa-se com os identificados na Ásia, embora forme um grupo diferente.Agora estamos estudando a genética viral para entender a dispersão do vírus e saber se tem alguma alteração dessa sequência que explique a microcefalia e outras sequelas neurológicasVírus mutanteO professor de doenças infecciosas da Universidade de Oxford Nuno Faria, que também coordena a pesquisa, ressalta que o volume do material compilado também deve ajudar a conhecer melhor o vírus, conhecido por suas rápidas e constantes mudanças genéticas.“Se tivermos amostras de pacientes infectados no mesmo dia, num mesmo lugar, podemos ter um vírus igual. Mas se foram colhidas com um mês de diferença ou em outro local é mais garantido que vamos encontrar mutações em relação ao vírus”, explicou.Segundo Faria, as mudanças nem sempre significam um vírus mais perigoso, mas demonstram uma capacidade comum aos vírus de se adaptar a novos ambientes. “Muitas dessas mudanças são deletérias, ou seja, como não vão servir para o vírus e serão eliminadas. Em questão de tempo, só ficarão as vantajosas. Ainda não sabemos exatamente como são essas mutações”, disse.Difundir testes rápidosOs pesquisadores usam o minION, um aparelho criado por uma empresa da universidade inglesa de Oxford, que faz o diagnóstico e sequenciamento do vírus da zika. Um dos objetivos do projeto é difundir o aparelho em larga escala e treinar pessoas para usá-lo permitindo que os laboratórios estaduais façam testes rápidos de zika.“É um aparelho barato, que custa US$ 1.000. Vamos mostrar a importância dele aos laboratórios e ao Ministério para que seja comprado”, disse Alcântara.Fonte: Uol Saúde