Category: Notícias

  • OMS recomenda o uso de preservativos por 6 semanas após Rio-2016

    OMS recomenda o uso de preservativos por 6 semanas após Rio-2016

    GENEBRA – Para evitar a proliferação do vírus zika, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aos estrangeiros que viajarão ao Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos em agosto que pratiquem “sexo seguro” ao retornar aos seus países por até seis semanas. A recomendação foi feita depois que ficou claro para a entidade que o risco de um contágio por relações sexuais é maior do que se imaginava.
     
    A OMS indica que tem “confiança” nas autoridades brasileiras de que, em agosto e durante os Jogos no Rio, o controle do vetor seja eficiente. Mas, ainda assim, recomenda que tanto agora quanto no evento esportivo no Brasil, cada turista, atleta ou jornalista tome medidas de proteção, até mesmo no retorno a seus locais de origem.
     
    “Para os viajantes retornando do Brasil, recomendamos a prática de sexo seguro de quatro a seis semanas”, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.
     
    Em um informe publicado na semana passada, a OMS ainda destacava que “o fato de que a transmissão sexual do zika é mais comum do que se pensava e complica ainda mais a recomendação a casais planejando suas famílias”. Em um ano, nove países registraram a transmissão da doença por meio do sexo.
    No Brasil, a recomendação é para que cada estrangeiro “se proteja da melhor forma possível”. Isso inclui o uso de inseticidas, dormir em locais fechados e uso de redes nas janelas ou ar-condicionado. 
     
    Para mulheres grávidas, a recomendação é de que consultem seus médicos e autoridades, além de avaliar se a viagem é de fato necessária.
     
    Lindmeier, porém, apontou que acredita que as autoridades brasileiras façam um controle concentrado nas áreas dos Jogos para reduzir a população do mosquito que serve como vetor da doença. “O Brasil fará o que for necessário para ter Jogos seguros em termos de saúde pública”, insistiu a OMS.
     
    Durante a estadia no Brasil, o turista deve, ainda assim, monitorar sintomas. “Se sentir alguma suspeita, recomendamos ir ao médico e pedir um teste”, indicou Lindmeier.
     
    Normalidade
     
    Para a OMS, tudo indica que, em alguns meses, o zika passará a ser a nova realidade de uma doença que não será simplesmente eliminada. “Vamos ter de conviver com ela, assim como é o caso da malária e outras doenças”, disse o porta-voz. “O cenário mais provável é que o turista tenha de consultar quais vacinas serão necessárias para ir a determinados países e, a partir de agora, terão de incluir o zika nessa conta”, afirmou.
     
    Uma vacina contra o vírus ainda não existe. Mas a OMS aposta que essa realidade possa mudar em dois anos. 
     
    A entidade também deixou claro que deixou de tentar contar quantas pessoas no mundo estão contaminadas pelo zika. “Isso seria simplesmente impossível”, disse Lindmeier. A conta de casos de microcefalia, porém, continua, com 1,2 mil no Brasil.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Estudo mostra que zika leva células do cérebro à autodestruição

    Estudo mostra que zika leva células do cérebro à autodestruição

    A infecção pelo vírus da zika desencadeia nas células do cérebro humano em formação uma resposta imune que as leva à autodestruição. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade da Califórnia (UC) em San Diego (Estados Unidos) e publicada nesta sexta-feira, 6, na revista científica Cell.
     
    De acordo com os autores do artigo, a morte das células-tronco cerebrais após a infecção é associada aos casos de microcefalia causados pelo vírus. Bloquear a resposta imune inata das células-tronco cerebrais pode ser uma alternativa para que elas sobrevivam à infecção, reduzindo a possibilidade de ocorrência da má-formação.
     
    Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram organoides cerebrais, popularmente conhecidos como “minicérebros”. Os organoides são estruturas de tecido cerebral cultivadas em laboratório para mimetizar o órgão em formação e estudar como ele reage às infecções.
     
    Segundo os cientistas, o vírus da zika contribui para a autodestruição das células ao ativar o receptor TLR3, que desencadeia a resposta imune inata nas células cerebrais infectadas. Já se sabia que esse receptor leva as células a produzir proteínas antivirais, como uma primeira linha de defesa contra a invasão de microrganismos.
     
    O estudante de doutorado Jason Dang, que pesquisava como o TLR3 respondia à infecção por diversos vírus, percebeu a conexão quando decidiu testar os níveis de TLR3 em minicérebros infectados por zika.
     
    “No início não sabíamos o quanto a evidência era forte. Ficamos animados quando constatamos que, ao inibir a produção de TLR3 nos organoides cerebrais infectados com zika, a redução de suas dimensões se tornava bem menos dramática. Eu ainda não estava convencido, então usamos um produto químico para aumentar a ativação de TLR3 e observamos que o tecido cerebral começava a encolher rapidamente”, disse o autor principal do estudo, Tariq Rana, da UC.
     
    Método inovador
     
    Estudos anteriores com minicérebros infectados por zika ajudaram a estabelecer a conexão entre a infecção viral e a morte das células-tronco neurais. O grupo liderado pelo brasileiro Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), utilizou os organoides em um estudo publicado em abril, na revista Science, para concluir que o vírus zika de fato tem capacidade para infectar e matar células cerebrais humanas.
     
    Também em abril, um grupo da universidade americana Johns Hopkins utilizou a técnica para provar que o vírus zika tem preferência por células-tronco neurais. Agora, a equipe de Rana juntou mais uma peça ao quebra-cabeças: o papel do sistema imunológico.
     
    A inibição do TLR3 pode ajudar os neurônios infectados com zika a sobreviver e manter suas funções, preservando também as células não infectadas. Segundo os autores, a descoberta poderá levar a alvos para o desenvolvimento de terapias.
     
    “Há vários outros vírus que causam danos no sistema nervoso central. Agora queremos estudar todos eles para observar como se comporta a resposta imune”, afirmou Rana.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas norte-americanos desenvolvem novo teste diagnóstico para zika

    Cientistas norte-americanos desenvolvem novo teste diagnóstico para zika

    Cientistas norte-americanos desenvolveram um novo teste, mais barato e rápido, para diagnosticar a infecção pelo vírus da zika a partir de amostra de sangue ou saliva. O teste custa menos de US$ 1 por paciente e apresenta o resultado a partir da mudança de cor de uma superfície de papel – de forma análoga aos populares testes de gravidez. O novo método foi adaptado a partir de um teste diagnóstico desenvolvido para o vírus Ebola.
     
    O estudo que descreve o novo teste foi publicado nesta sexta-feira, 6, na revista cientifica Cell, por uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Segundo os autores, o novo método diagnóstico foi testado em macacos e é uma prova de conceito para o desenvolvimento futuro de um teste desse tipo em humanos.
     
    De acordo com o coordenador do estudo, James Collins, do Departamento de Engenharia Biológica do MIT, o novo método detecta o vírus nas concentrações mais baixas já registradas até hoje e é capaz de distinguir o vírus da zika de outros muito semelhantes, como o da dengue. Outra vantagem é que o teste pode ser armazenado em temperatura ambiente.
     
    “Temos um sistema que poderia ser amplamente distribuído e usado em campo, com baixo custo e necessidade de muito poucos recursos”, afirmou Collins.
     
    Atualmente, o diagnóstico é feito a partir de testes sorológicos – que verificam se o paciente apresenta anticorpos contra o zika em sua corrente sanguínea – ou com o exame molecular conhecido como reação de cadeia de polimerase (PCR, na sigla em inglês), que detecta pedaços do genoma do vírus no sangue do paciente. Esses testes, no entanto, podem ser caros, levar semanas para apresentar o resultado, ou não serem capazes de distinguir com precisão entre os vírus da dengue e da zika.
    “Um dos principais problemas nesse campo é ser capaz de distinguir o que têm os pacientes que vivem em áreas onde ambos os vírus estão circulando”, afirmou outro dos autores do estudo, Lee Gehrke, do Instituto de Ciência e Engenharia Médica do MIT.
     
    Ebola
     
    O novo método se baseia em uma tecnologia desenvolvida pela equipe de Collins para detectar o vírus Ebola. Em outubro de 2014, os cientistas demonstraram que poderiam criar redes sintéticas de genes e instalá-las em pequenos discos de papel. Essas redes de genes podem ser programadas para detectar uma sequência genética específica, fazendo o papel mudar de cor.
     
    Depois do início da epidemia de zika no Brasil, espalhando-se para outras partes do continente, os cientistas resolveram adaptar o método ao diagnóstico da doença. “Em poucas semanas, desenvolvemos e validamos com relativa rapidez uma plataforma barata para o diagnóstico da zika”, disse Collins.
     
    Os sensores instalados nos discos de papel podem detectar 24 sequências diferentes do RNA (código genético) do genoma do vírus zika. Quando a sequência alvo de RNA está presente, uma série de interações é desencadeada, fazendo o papel amarelo se tornar roxo.
     
    A mudança de cor pode ser vista a olho nu, mas os cientistas também desenvolveram um leitor eletrônico que pode tornar mais fácil quantificar a alteração, especialmente em casos nos quais o sensor detecta mais de uma sequência de RNA.
     
    Baixa concentração
     
    A equipe de cientistas testou o novo método utilizando sequências sintetizadas de RNA correspondentes ao genoma do zika, que foram então adicionadas ao plasma de sangue humano. Os cientistas mostraram que o método pode detectar concentrações muito baixas do RNA viral, distinguindo o vírus da zika do vírus da dengue.
     
    Os testes foram feitos em macacos infectados com o vírus zika, já que amostras de pacientes humanos afetados pela atual epidemia da doença são difíceis de obter. Eles concluíram que nessas amostras o teste era capaz de detectar o RNA viral em concentrações de duas a três partes por quatrilhão.
     
    Os cientistas acreditam que a mesma abordagem poderá ser adaptada no futuro para novos vírus que ainda possam surgir. Collins espera formar equipes maiores com outros cientistas para desenvolver a tecnologia para um diagnóstico comercial de zika.
     
    “Fizemos uma bela demonstração de prova de princípio, mas ainda é preciso trabalhar mais e realizar mais testes para garantir a segurança e a eficácia do método, antes que ele seja de fato utilizados. Mas não estamos muito longe disso”, afirmou Collins.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Transfusão de sangue pode transmitir vírus da dengue e da zika

    Transfusão de sangue pode transmitir vírus da dengue e da zika

    Os vírus da dengue e da zika podem ser transmitidos por meio de transfusões sanguíneas-além da via mais comum, que é a picada do mosquito Aedes aegypti.
     
    A constatação vem de estudos recentes e abriu discussão sobre a necessidade ou não do uso de novos testes no sangue doado e de tecnologias de inativação dos vírus.
     
    Em março, uma pesquisa publicada no “The Journal of Infectious Diseases” mostrou que a taxa de transmissão de dengue por transfusão sanguínea é de 37,5%.
     
    O trabalho foi feito nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Recife (PE) durante a epidemia de dengue de 2012. É o maior levantamento sobre transmissão transfusional de dengue já feito no mundo (veja infográfico ao lado).
     
    Segundo Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo da USP e uma das autoras do trabalho, os infectados foram comparados com um grupo que não recebeu sangue contaminado (grupo controle) e não houve diferença em relação à mortalidade ou à gravidade de sintomas —como diminuição no número de plaquetas no sangue.
     
    Sintomas mais leves, como febre ou mal-estar, são comuns tanto em pacientes com dengue como em pacientes internados. Ou seja, não dá para saber se eram relativos ao vírus ou à própria condição clínica do doente.
     
    Em relação ao vírus da zika, dois casos de transmissão da infecção por meio de transfusões sanguíneas foram relatados no fim de 2015 na região de Campinas (SP) e ainda estão sendo investigados para, posterior, publicação.
     
    Estudos feitos na Polinésia Francesa encontraram resultados positivos para o vírus da zika em quase 3% dos doadores de sangue. Não houve, porém, caso de transmissão sanguínea documentado.
     
    TESTES
     
    No momento, a USP desenvolve um novo estudo que avaliará o impacto das três arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em pacientes que receberam transfusões em três institutos ligados ao Hospital das Clínicas.
     
    Para Ester Sabino, é preciso buscar evidências que apontem o impacto dessas infecções nos receptores para, então, avaliar se é preciso introduzir novos testes no sangue dos doadores.
     
    “Há várias infecções que podem ser transmitidas nas transfusões, mas que hoje não são testadas porque o impacto no paciente não é tão significativo e os custos são altos”, explica a médica.
     
    Segundo ela, testes moleculares para detectar zika no sangue doado poderiam se justificar para grupos específicos, como gestantes que vão receber transfusões —já que a infecção pode causar microcefalia nos bebês.
     
    Porém, na opinião de Dante Langhi, coordenador da Hemorrede do Estado de São Paulo, priorizar somente as grávidas pode gerar um debate ético. “A segurança na transfusão tem que ser para todo mundo”, afirma.
     
    Não há, hoje, testes de diagnóstico da infecção pelo vírus zika que sejam registrados ou adequados para a triagem laboratorial de doadores de sangue, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular).
     
    Covas afirma que, até o momento, não existem evidências na literatura científica que justifiquem a adoção de novos testes laboratoriais nos bancos de sangue para o diagnóstico das arbovirores.
     
    “A transmissão [dos vírus da dengue, zika e chikungunya] pode estar ocorrendo, mas é um evento raro. A prioridade agora são estudos que elucidem o real risco do desenvolvimento de doenças, o que ainda não sabemos.”
     
    KIT DE IRRADIAÇÃO
     
    Além do aumento no rigor da triagem de doadores de sangue, está em discussão no país a implantação de um sistema que inativa o vírus da zika ou de qualquer outro patógeno presente no sangue.
     
    Uma tecnologia, aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), consiste num kit de irradiação de raios UV-A, capaz de anular diversos vírus e bactérias.
     
    Segundo o HemoRio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro), ela começa a ser implantada no país no segundo semestre deste ano. O sistema já é usado em países como França, Holanda, Suiça, Bélgica, Espanha, México e Chile.
     
    Mas a tecnologia tem limitações, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da ABHH. Além de cara, ela só pode ser usada nas plaquetas e no plasma, deixando de fora as hemácias, que são as mais usadas nos bancos de sangue. Para ele, a adoção dessa tecnologia não se justifica.
     
    “Pode dar uma sensação de segurança para a população, mas essa segurança é parcial, já que a inativação só se aplica a uma parte do sangue doado”, diz Dante Langhi, da Hemorrede do Estado de São Paulo.
    As hemácias (glóbulos vermelhos) são usadas em casos de anemia, cirurgias ou pessoas que perdem muito sangue em acidente.
     
    Para que a irradiação UV-A seja eficaz, é preciso uma baixa densidade do sangue. A plaqueta e o plasma são amarelos e transparentes, então os raios penetram bem. Já no concentrado de hemácias a cor é densa, e o UV não penetra. 
     
    Fonte: Folha de São Paulo
     
  • Aedes aegypti infectados com bactéria não transmitem zika, aponta estudo

    Aedes aegypti infectados com bactéria não transmitem zika, aponta estudo

    Mosquitos Aedes aegypti quando infectados com a bactéria Wolbachia não conseguem transmitir o vírus da zika. É o que aponta cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em estudo publicado na revista científica “Cell Host & Microbe”, nesta quarta-feira (4). Segundo a pesquisa, a bactéria ainda é capaz de reduzir a replicação do vírus no organismo do mosquito.
     
    O estudo faz parte do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, que investiga o papel da bactéria Wolbachia como uma alternativa natural, segura e autossustentável para diminuição da incidência da dengue, chikungunya e zika no país.
     
    Cientistas usaram quatro grupos de mosquitos Aedes aegypti. Em duas gaiolas colocaram Aedes aegypti com Wolbachia, criados em laboratório, e em outras duas, mosquitos sem a bactéria, coletados no Rio de Janeiro. Os insetos foram alimentados com sangue humano de pessoas que contraíram o vírus da zika em São Paulo e em Pernambuco.
     
    Depois de 14 dias que os mosquitos tiveram contato com o vírus, foram coletadas amostras de saliva de dez Aedes aegypti com a bactéria e de dez insetos sem a Wolbachia. Os pesquisadores pretendiam infectar 160 insetos e ainda analisar se eles seriam infectados pelo vírus presente nas salivas dos outros mosquitos. Porém, nenhum dos mosquitos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus da zika. Por outro lado, 85% dos Aedes aegypti que receberam saliva do mosquito sem Wolbachia ficaram altamente infectados.
     
    “Por mais que a saliva dos Aedes aegypti com Wolbachia apresentasse partículas virais de zika, em nenhum caso a saliva foi capaz de infectar outros mosquitos. Esses dados são similares ao efeito anteriormente observado sobre o potencial de transmissão do vírus dengue por Aedes aegypti com Wolbachia. Isso nos mostra que o uso de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia também tem potencial para ser utilizado para controle da transmissão do vírus da zika”, afirma o pesquisador Luciano Moreira, coordenador do estudo e líder do projeto.
     
    Outros experimentos
     
    Amostras de abdômen e cabeça/tórax dos mosquitos foram analisadas para saber se os tecidos dos insetos estudados restavam contaminados pelo vírus. Foram divididos quatro grupos de 20 insetos com e sem Wolbachia, em dois momentos. Sete dias após a ingestão do sangue infectado com a cepa de Pernambuco, houve uma redução de 35% na replicação do vírus da zika no abdômen e de 100% na cabeça/tórax no grupo de insetos com a Wolbachia quando comparados ao grupo sem a bactéria.
     
    O estudo mostrou ainda que após 14 dias da infecção inicial, as reduções foram de 65% e 90%, respectivamente. No grupo que recebeu sangue infectado com a cepa de São Paulo, após sete dias, as reduções atingiram os índices de 67% e 95%, no abdômen e na cabeça/tórax, e 68% e 74%, nos mesmos tecidos, após 14 dias.
     
    “Ainda não se sabe o que acontece no organismo do mosquito com Wolbachia quando ele é infectado com o vírus da zika, por exemplo. No entanto, percebemos que nesta competição a bactéria leva a melhor. Ela consegue reduzir a replicação do vírus”, diz o pesquisador.
     
    Sem zika
     
    Cientistas também estudaram amostras de saliva de 20 mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia e de 20 Aedes aegypti sem a bactéria, que receberam sangue infectado com a cepa isolada de Pernambuco. O material foi coletado 14 dias após o recebimento do vírus no mosquito. Neste período, o patógeno já teria se espalhado pelo organismo do mosquito e chegado à glândula salivar. Pesquisadores queriam descobrir o percentual de vírus que chegaria até este estágio, que é quando o mosquito fica capaz de transmitir o zika. O resultado apontou que 55% dos mosquitos com Wolbachia não apresentava o vírus.
     
    “Na natureza, ao picar um indivíduo infectado, o mosquito também se infecta. O vírus, então, irá percorrer um longo caminho por todo o corpo do inseto até chegar à glândula salivar. Alcançar um resultado que demonstra que mais da metade dos Aedes com Wolbachia sequer apresentarão zika na saliva, caso sejam infectados, reforça ainda mais o potencial de utilização em larga escala que esta estratégia apresenta”, diz Moreira.
     
    O projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” começou em 2012 e faz estudos de campo no Rio de Janeiro, nos bairros de Tubiacanga e Ilha do Governador, e em Niterói, no bairro de Jurujuba. Um dos resultados do estudo científico mostrou que 80% dos mosquitos Aedes aegypti das áreas pesquisadas possuíam a bactéria Wolbachia. A pesquisa ocorreu entre agosto de 2015 e janeiro de 2016.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • CRF/AL promove palestra para estudantes de farmácia da faculdade Maurício de Nassau

    CRF/AL promove palestra para estudantes de farmácia da faculdade Maurício de Nassau

    O Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL) participou, na sexta-feira, 29, das Oficinas profissionalizantes realizada pela faculdade Maurício de Nassau. O CRF/AL foi convidado para ministrar o tema Fiscalização como instrumento de valorização profissional, apresentado pela fiscal do CRF/AL, Daiana Santa Ritta aos alunos do curso de farmácia daquela instituição.
    Alexandre Correia, presidente do CRF/AL, pontuou que essa é uma das funções do Conselho, orientar aos farmacêuticos que estrarão ingressando no mercado de trabalho como é a atuação do Conselho no Estado. “Fomos convidados pela faculdade e prontamente aceitamos o convite. Para nós é muito importante essa relação com as instituições de ensino superior e claro, que com os futuros profissionais”, destacou.
     
    O vice-presidente do CRF/AL, Robert Nicácio, que também esteve no evento, comentou que o Conselho tem um importante papel que é auxiliar e orientar todos os farmacêuticos do Estado. “A gente precisa estar presente nesses encontros, essa relação não pode ser apenas com os nossos associados, o CRF tem fortalecido esse contato com a comunidade acadêmica que serão futuros profissionais do nosso segmento”, afirmou.
     
    Diana Santa Ritta, fiscal do CRF/AL, explicou que o encontro com os estudantes foi para orientar e esclarecer o papel do Conselho. “A ideia era apresentar o papel do Conselho que muitas vezes, os profissionais confundem com as atividades do sindicato, assim como da vigilância sanitária”, esclareceu.
     
    Além disso, ela também explanou a atuação da fiscalização mostrando que os estabelecimentos que exploram atividades farmacêuticas para contratar os farmacêuticos são autuados, fazendo com que empregos sejam gerados com a promoção à saúde por profissionais capacitados. “Se não houver fiscalização, os proprietários não querem manter o farmacêutico dentro do estabelecimento”, lamentou.
     
    O coordenador do curso de Farmácia da Faculdade Maurício de Nassau, o professor Daniel Fortes, disse que o evento acontece semestralmente na faculdade e tem como objetivo apresentar os estudantes, o mercado de trabalho em que eles irão atuar. “É importante que os alunos entendam que quando o farmacêutico está atuando, o CRF estará ali para auxiliar o farmacêutico a executar as suas funções e garantir que suas atribuições sejam respeitadas pela empresa que está contratando o serviço dele. É muito esclarecedor para o nosso aluno saber que ao ser inserido no mercado de trabalho, ele vai ter quem faça a defesa dele junto aos casos em que ele precisar de apoio”, apontou.
     
    Ascom/CRF
  • Mapa do câncer de mama

    Mapa do câncer de mama

    Análise do DNA de 560 pessoas com câncer de mama revela 93 genes que, se modificados, podem causar tumores — 60% dessas mutações envolvem apenas dez genes. Dois estudos publicados ontem traçam o mapa mais completo já feito sobre o câncer de mama, identificando quais mutações no genoma humano são capazes de causar o tumor e os genes envolvidos nessas alterações. A descoberta é considerada um marco, porque permite que pessoas com a mesma doença possam receber tratamentos diferentes e personalizados, de acordo com o gene e o tipo de mutação que fez surgir o câncer de mama em cada uma delas. A partir de agora, os médicos conseguirão saber, ao identificar um tumor na mama, quais genes contêm erro e em que ponto do genoma ocorreu a mutação.
     
    A equipe de pesquisadores analisou o DNA de 560 pacientes de câncer de mama (sendo 556 mulheres e quatro, homens) e chegaram a 93 genes — ou conjuntos de instruções — que, se modificados, podem causar tumores. A maioria deles já era conhecida, mas, desta vez, os pesquisadores acreditam ter alcançado o quadro mais definitivo de possíveis mutações. O trabalho foi realizado pelo Instituto Wellcome Trust Sanger — um dos maiores centros de estudo de genoma do mundo, no Reino Unido —, e as descobertas foram publicadas nas revistas “Nature” e “Nature Communications”.
     
    Diretor do instituto onde as análises foram realizadas, Mike Stratton considera que os resultados são um divisor de águas para a compreensão do câncer de mama. — Existem cerca de 20 mil genes no genoma humano. E, agora, com uma visão completa sobre o câncer da mama, sabemos que 93 desses genes, se alterados, irão converter uma célula normal da mama em uma célula cancerosa. Esta é uma informação de extrema importância — ressaltou ele, em entrevista à “BBC”.
     
    60% DAS MUTAÇÕES EM DEZ SEGMENTOS DO DNA
     
    Os dados das pesquisas mostram, ainda, que 60% das mutações que levam ao câncer de mama envolvem apenas dez genes. No outro extremo, porém, existem certas mutações tão raras que causam somente uma pequena fração dos cânceres, o que significa que é pouco provável que elas recebam investimentos para a criação de terapias.
     
    Todas as mutações identificadas pelos estudos não são de origem genética, e sim somática: são adquiridas ao longo da vida, por interferências do ambiente ou de comportamento, como obesidade, tabagismo ou poluição. Por isso, elas não podem ser rastreadas antes do surgimento de um tumor, como foi o caso da atriz Angelina Jolie, que detectou em seu DNA a mesma alteração no gene BRCA1 que fez sua mãe morrer de câncer de mama antes dos 60 anos — assim como a avó e uma de suas tias.
     
    As pesquisas evidenciam, inclusive, que os genes BRCA1 e BRCA2 podem sofrer mutações por interferência de fatores externos, e não apenas dos herdados em família, como se acreditava anteriormente. Erros nesses genes aumentam muito o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário porque são eles os genes responsáveis por proteger as células dessas duas partes do corpo. Quando eles não funcionam corretamente, não conseguem impedir o surgimento e a replicação de células cancerosas.
     
    E são justamente os cânceres que não têm a ver com herança genética os maiores responsáveis pela alta na incidência de novos casos da doença ano após ano. São esperados, por exemplo, 58 mil novos casos de câncer de mama no Brasil em 2016, pelo menos seis mil a mais do que se esperava cinco anos atrás, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). — Esse trabalho do Reino Unido mostra como é importante levarmos uma vida de qualidade — analisa o presidente da SBM, Ruffo de Freitas Júnior. — O estudo mostra que muitos de nós nascemos com o genoma perfeito e acabamos provocando erros por conta do nosso próprio estilo de vida.
     
    Essas modificações pelas quais o DNA pode passar ao longo da vida formam padrões, também chamados de assinaturas de mutação, que podem ser detectados quando um tumor se forma, além de dar pistas sobre as causas do câncer. — No futuro, seremos capazes de traçar o perfil individual de genomas de câncer, para identificarmos o tratamento com mais chances de ser bem-sucedido. Estamos um passo mais perto de uma medicina personalizada — disse a principal autora dos estudos, Serena Nik-Zainal, também pesquisadora da Universidade de Cambridge.
     
    De acordo com Cristiane Nimir, patologista mamária associada ao Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, um dos benefícios do tratamento personalizado para o câncer de mama é a redução dos efeitos colaterais. — Muitos dos quimioterápicos usados hoje não conseguem distinguir as células normais das cancerosas, é como se eles não soubessem exatamente que tipo de erro procuram — explica ela. — Menos efeitos colaterais melhoram não só o bem-estar do paciente, como geram menos custos de internação e remédios. As terapias-alvo beneficiarão todas as pessoas com esse câncer, sejam aquelas com tumor hereditário ou somático.
     
    Fonte: O Globo
  • Primeira vacina contra dengue deve custar até R$ 400

    Primeira vacina contra dengue deve custar até R$ 400

    A primeira vacina contra dengue já aprovada no Brasil poderá chegar às clínicas privadas com preço de até R$400 a dose. O produto prevê três doses para obter máxima efetividade.
     
    A estimativa inicial de preço máximo foi calculada pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) —órgão interministerial responsável pela determinação dos preços de remédios no país—após análise de dados enviados pela Sanofi Pasteur, empresa que produz a vacina. O valor final será divulgado em até 60 dias.
     
    O primeiro resultado das análises foi informado pelo presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Jarbas Barbosa, durante encontro com gestores de saúde. A Folha acompanhou o evento.
     
    “Todo primeiro produto é mais difícil,porque há dificuldade de estabelecer precificação. Exigimos metodologia de custo-efetividade.Esse trabalho está sendo concluído. Provavelmente o parâmetro é preço similar ao da vacina contra HPV, em torno de R$ 400 a dose”,afirmou no encontro. 
     
    Fabricante e varejo, no entanto, podem negociar preços menores, lembra. “De HPV, o preço-teto é de R$400 na rede privada,o valor cobrado por dose fica em torno de R$380, mas é vendida ao SUS por um preço muito menor. Normalmente o preço-teto é utilizado quando o produto vai para o setor privado e não tem concorrência”, diz Barbosa, que ressaltou que o custo inicial deve passar por nova análise.
     
    A vacina da Sanofi é a única já aprovada no país. Há outras três em estudo—duas em fase final de pesquisas. Sugerido inicialmente para a rede privada,o valor reduz as chances de a vacina ser incorporada no SUS. A avaliação entre membros do governo é que o preço não compensaria o resultado do produto, cujos índices de eficácia são considerados baixos —a média é de 66% entre os quatro tipos de vírus da dengue.
     
    “Fica praticamente impossível incorporá-la no Programa Nacional de Imunização”, diz o ministro interino da Saúde, Agenor Álvares. “Para o governo, o valor informado foi de 22 euros a dose (cerca de R$ 88). Mesmo nesse preço, o impacto é de R$ 10,5 bilhões ao ano, três vezes o orçamento do programa.” 
     
    IMPASSE 
     
    Outro impasse é que a vacina só é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos,oque exclui crianças e idosos, considerados mais vulneráveis a complicações e mortes. Neste ano,o Brasil já soma 996 mil casos de dengue, segundo dados do Ministério da Saúde obtidos pela Folha. Em 2015, o país registrou recorde da doença, com mais de 1,6 milhão de casos.
     
    Em nota, a Sanofi Pasteur informa que aguarda a definição do valor pela Cmed para comentar. Ainda segundo a empresa, estudos clínicos apontam que a vacina é capaz de evitar 8 em cada 10 internações por dengue.O produto também reduziu em 93% os casos graves em pessoas acima de nove anos, diz.
     
    Outros três institutos e empresas pesquisam vacinas antidengue: Butantan, Takeda e Bio-manguinhos/Fiocruz (em parceria com a GSK). O mais adiantado é o Butantan.
     
    Em dezembro, o instituto obteve aval para iniciar a terceira e última etapa de testes em humanos. O instituto prevê que a vacina, desenvolvida para ser aplicada em apenas uma dose, esteja disponível para uso até 2018.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Como a maconha afeta o cérebro adolescente

    Como a maconha afeta o cérebro adolescente

    O uso pesado de maconha na adolescência pode estar relacionado a maior risco de morte antes dos 60 anos, sugere um novo estudo. A pesquisa reforça a tese de que o impacto da droga na saúde e no comportamento depende diretamente da idade de contato inicial e do padrão de uso. O trabalho, realizado pelo Instituto Karolinska, da Suécia, avaliou 45 mil homens que fizeram o serviço militar obrigatório no país entre 1969 e 1970. Eles foram acompanhados até 2011. Os pesquisadores registraram 4 mil mortes em 42 anos. Aqueles que haviam feito uso pesado de maconha (definido como ter consumido a droga mais que 50 vezes na adolescência) apresentaram um risco 40% maior de morrer precocemente do que aqueles que nunca a fumaram.
     
    Os especialistas arriscam as razões para essa associação: usuários pesados de maconha tenderiam a fumar tabaco com maior frequência, ter um pior padrão alimentar, apresentar saúde mais precária e, ainda, maior incidência de câncer de pulmão e de problemas cardíacos. Os dados, publicados no periódico American Journal of Psychiatry, mostram também que o risco de morte por suicídio e acidentes é diretamente proporcional à quantidade de droga usada na adolescência.
     
    O cérebro do adolescente, ainda em franco desenvolvimento, pode ser mais sensível (tanto do ponto de vista biológico como emocional) aos efeitos de qualquer tipo de droga. Assim, há um risco maior de consequências do abuso de substâncias em um momento potencialmente mais crítico de formação de redes e circuitos neuronais.
     
    Estudos anteriores já davam uma dimensão desses riscos. Alguns dos mais frequentes são piora cognitiva (padrões mais pobres de Q.I., por exemplo), maior chance de quadros psicóticos, impulsividade, falta de motivação, dificuldades persistentes de memória e desenvolvimento inadequado do córtex pré-frontal (área do cérebro ligada a julgamento, pensamento complexo e tomada de decisões). Outros trabalhos também já elencam possíveis impactos econômicos e sociais, de longo prazo, com esse padrão de uso mais precoce e mais frequente de maconha, como dificuldades nos relacionamentos interpessoais, menor qualificação no trabalho, salários mais baixos e problemas financeiros.
     
    Esses achados reforçam a ideia de que a dose e o momento do contato com a maconha podem ter impacto de forma distinta na saúde e no comportamento das pessoas. Com leis mais flexíveis de consumo em boa parte do mundo, é importante que esses pontos sejam levados em consideração na formulação de políticas públicas.
     
    Fonte: Época
  • Zika causa danos mais sérios do que se esperava

    Zika causa danos mais sérios do que se esperava

    Numa pequena sala de exames em Salvador, Ana Gabriela do Prado Paschoal começou um ritual doloroso que já se tornou familiar. A cabeça de seu bebê é menor que o normal, disse a médica à mãe, que contraiu o vírus da zika durante a gravidez.
     
    A criança de três meses, Maria Luiza, também tem lesões no cérebro. Seus músculos são mais rígidos que o normal, um sinal de danos cerebrais. Maria Luiza vai levar mais tempo para começar a andar e a falar, disse a médica à mãe, uma trabalhadora rural de 24 anos. Provavelmente haverá complicações mais sérias, mas a médica não quis dar mais notícias ruins naquele dia.
     
    A escala e a gravidade dos danos pré-natais causados pelo vírus da zika são muito maiores que os defeitos de nascimento associados à microcefalia, uma doença caracterizada pelo tamanho reduzido da cabeça e anormalidades no cérebro. Ultrassonografias e autópsias mostram que o vírus da zika corrói o cérebro do feto. Ele encolhe e destrói os lóbulos que controlam o pensamento, a visão e outras funções básicas e impede que partes do cérebro se desenvolvam.
     
    A microcefalia, um raro defeito de nascimento que afeta cerca de seis em cada 10 mil bebês nos Estados Unidos, é frequentemente associada a atrasos no desenvolvimento e a deficiências mentais. Mas algumas crianças são afetadas só levemente. No Brasil, praticamente todos os casos relacionados à zika envolvem dano cerebral significativo.
     
    Fonte: Valor Econômico