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  • Zika já faz mulheres adiarem a gravidez

    Zika já faz mulheres adiarem a gravidez

    Preocupadas com a relação entre o zika vírus e os casos de microcefalia, mulheres que moram em São Paulo e as que vêm à capital paulista para fazer reprodução assistida estão adiando os planos de gravidez. Já as gestantes começam a redobrar os cuidados com o Aedes aegypti.
     
    Uma mulher de 40 anos, que não quis ser identificada, estava tentando engravidar naturalmente havia um ano e, desde a metade de novembro, iniciou um tratamento em uma clínica de reprodução. Com os informes sobre a microcefalia, resolveu adiar os planos. “Tenho acompanhado desde as primeiras notícias e continuei o tratamento até o momento em que o embrião ficou pronto. Mas decidi aguardar para fazer a transferência do embrião, porque a situação está muito incerta. Vou acompanhar as pesquisas para decidir.”
     
    Moradora de João Pessoa (PB), a dentista Pricila Pereira, de 38 anos, tentou engravidar em uma clínica em novembro deste ano, mas o resultado deu negativo. Com a situação dos casos de microcefalia mais crítica, resolveu não avançar nas tentativas. A Paraíba é o segundo Estado com mais casos da má-formação, totalizando 248 registros, conforme o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde. “Como moro no Nordeste, vou esperar para ver como vão ficar as próximas pesquisas e vou deixar para o ano que vem. Vou adiar sem data marcada, sem planejar.”
     
    Apesar de ter tomado a decisão, Pricila afirma que está desapontada com o fato de a doença ter interferido em seu sonho de ser mãe. “É um transtorno. Muitas mulheres já têm dificuldade para engravidar com o tratamento e é mais um problema para pensar. É prejudicial.”
     
    Eduardo Motta, ginecologista e sócio-diretor da Huntington Medicina Reprodutiva, diz que o número de mulheres de São Paulo que adiaram o plano de engravidar ainda é inexpressivo, mas há mais casos entre as futuras gestantes que vêm do Nordeste. “Ainda não tem o pânico em São Paulo, mas todas querem informações. Acredito que 20% das mulheres do Nordeste pensam em desistir”, diz, levando em consideração as pacientes da clínica.
     
    Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Arboviroses e infectologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, recomenda que as mulheres repensem os planos de engravidar neste momento. “Devemos aconselhar todas as mulheres que querem engravidar que esperem que essa situação seja elucidada de forma adequada.”
     
    Cuidados
     
    Grávida de 4 meses, a gerente de pesquisa de mercado Simone Queiroz, de 33 anos, aplica repelente a cada seis horas e não usa mais vestidos. “Eu e outras grávidas estamos até querendo que esvaziem a piscina do prédio.”
     
    A publicitária Paula Thomaz, de 38 anos, redobrou os cuidados em casa. “Como tenho dois cachorros, estou trocando a água e procuro não acumular o lixo. Sei que não tem nada na minha casa, mas tenho medo dos vizinhos.”
     
    Paula também está apostando nos repelentes. “Não coloquei tela nas janelas. Se piorar, penso em colocar.” (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Em 2 anos, vírus atinge 9 países das Américas

    Em 2 anos, vírus atinge 9 países das Américas

    São Paulo – O zika vírus chegou à América há menos de dois anos e já atinge nove países do continente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O rápido avanço está registrado no alerta mundial para as infecções divulgado na terça-feira, 1. Ao todo, 22 países no mundo já relataram casos desse “primo” da dengue. Segundo o relatório, até fevereiro de 2014 não havia nenhum caso confirmado de infecção pelo vírus nas Américas. 
     
    O primeiro registro no continente aconteceu naquele mês, na Ilha de Páscoa, província do Chile que fica no Pacífico, a 3.700 quilômetros da costa do país. Depois de 15 meses, em maio de 2015, o primeiro caso foi notificado no Brasil. Em outubro houve o primeiro registro na Colômbia. No mês seguinte, foram confirmados os primeiros casos em outros seis países: Paraguai, Venezuela, Suriname, El Salvador, Guatemala e México.
     
    Segundo outro relatório publicado em outubro pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos Estados Unidos, além dos países latino-americanos, casos de transmissão do zika vírus foram registrados também em países da África, da Ásia e da Oceania, além de ilhas do Oceano Pacífico.
     
    Na África, houve casos de pacientes infectados em Camarões, Burkina Faso, República Centro Africana, Costa do Marfim, Nigéria, Senegal e Uganda. Na Ásia, houve registros de transmissão do vírus no Camboja, na Indonésia, na Malásia, nas Filipinas, na Tailândia e no Vietnã. Na Oceania e no Pacífico, o vírus foi registrado nas Ilhas Cook, na Micronésia, na Polinésia Francesa, na Nova Caledônia, nas Ilhas Salomão e em Vanuatu.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • De dengue a zika: Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

    De dengue a zika: Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

    No mundo, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue – e, mais recentemente, também da zika e da chikungunya. Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa “odioso do Egito” – é combatido no país desde o início do século passado.
     
    A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.
     
    Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano.
     
    Foi confirmado pelo governo federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que já teve neste ano ao menos 1.248 casos registrados em 311 municípios em 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.
     
    O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou com a ajuda do mosquito.
     
    E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.
     
    “O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus”, afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein. “Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças.”
     
    Eficiência na transmissão de vírus
     
    Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.
     
    Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.
     
    “Ele se especializou em dividir o espaço com o homem”, afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.
     
    “O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem.”
    Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador
     
    Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.
     
    Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.
     
    “Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente”, afirma Pizza, do Albert Einstein. “Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio.”
     
    Flexibilidade na proliferação
     
    Um aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas não fazer isso em um único local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos. “Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido”, diz Carvalho.
     
    Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação. O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.
     
    “Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai estar quando o sol começa a se pôr”, afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
     
    Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica a agência europeia, mesmo na presença de outros animais ele “se alimenta preferencialmente de pessoas”.
     
    Simbiose
     
    Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.
     
    “Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos”, afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Eles (vírus) conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa.”
     
    Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto. Valle, do IOC/FioCruz, explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.
     
    “São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive”, diz Valle.
     
    “O aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção”
    Denise Valle, bióloga
     
    A bióloga destaca ainda que se trata de um mosquito especialmente arisco: “Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas”.
     
    Exterminá-lo também é difícil. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é “muito resistente”, o que faz com que “sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas”.
     
    No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado. Na década de 1950, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Aedes aegypti.
     
    Mas, como o mesmo não havia ocorrido em países vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 – e retornou mais uma vez três anos mais tarde. “Hoje não falamos mais em erradicação. Sabemos que isso não é possível”, diz Valle, do IOC/Fiocruz.
     
    “O país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito. Também há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes.”
     
    Uma forma comum de combater o mosquito, a de dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como “fumacê” –, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.
     
    “Na maior parte das vezes, isso é jogar dinheiro fora e gera mosquitos mais resistentes. Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo”, afirma Valle. “E os químicos usados no controle de larvas não estão disponíveis para a população.”
     
    Carvalho, da Fiocruz Minas, ressalta ainda que 80% dos criadouros são encontrados em residências, e que realizar a prevenção e exterminar focos do Aedes aegypti não é fácil.
     
    “Quando temos uma epidemia, é mais simples conseguir o apoio da população, mas, fora deste período, é mais complexo sensibilizar as pessoas para a questão”, afirma o entomologista. “Por tudo isso, acho muito complicado falar em erradicação. Talvez a melhor palavra seja controle.”
     
    Mosquitos transgênicos
     
    Uma abordagem nova vem sendo testada na Bahia e em São Paulo. Machos transgênicos do Aedes aegypti são liberados na natureza e, no cruzamento com fêmeas comuns, geram larvas que morrem antes de atingir a fase adulta, o que, com o tempo, reduz a população do mosquito numa determinada área.
     
    Responsável por testes realizados desde maio em Piracicaba, no interior paulista, a empresa Oxitec informou que os resultados estão sendo analisados por sua equipe técnica e que ainda não há uma previsão de quando serão divulgados.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • Ministério prevê alta de casos de microcefalia na Bahia e no Ceará

    Ministério prevê alta de casos de microcefalia na Bahia e no Ceará

    O baixo número de notificações registradas de microcefalia em dois dos três Estados mais populosos do Nordeste –Ceará e Bahia– chama a atenção do Ministério da Saúde. Como houve epidemia de zika vírus nos dois locais, a pasta espera por um aumento de casos informados nas próximas semanas.
     
    Até o dia 30 de novembro, foram 62 casos notificados nos dois Estados –menos, por exemplo, que o menor Estado nordestino, Sergipe, que tem 78 casos suspeitos.
     
    Hoje, Pernambuco tem 646 das notificações do país. Segundo o Ministério da Saúde, apesar do alto número, a percepção rápida e uma maior eficiência no sistema de notificação são apontadas como possíveis causas da liderança pernambucana. Prova disso é que, nas últimas duas semanas, por exemplo, Estados como Paraíba e Alagoas –que tinham pouco casos– passaram a acompanhar suas redes de maternidades e viram os números de microcefalia crescerem rapidamente.
     
    “Como esse vírus está espalhado pelo Nordeste, chama a atenção Ceará e Bahia, que têm um número muito pequeno de notificações em face a sua população”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro. “Se ele é transmitido por um vetor que existe no país inteiro, a tendência é que essa anomalia possa ser transmitida em outros Estados e outros países.”
     
    Questionado se acreditava em subnotificações na Bahia e Ceará, Castro afirmou que prefere esperar. “Vamos torcer que não exista, que seria uma gravidade muito maior do que já é essa gravidade.”
     
    Estados explicam
     
    Questionada, a Secretaria de Saúde do Ceará admitiu que mais casos devem ser notificados em breve, já que, no Estado, o pico da epidemia de zika ocorreu em maio. “O nosso corte de bebês com possibilidade de ter microcefalia está começando a nascer (em caso de prematuros) e ou ainda está por nascer”, explicou.
     
    Já a secretaria da Bahia informou apenas que o número de casos está dentro da normalidade. “Este ano são 13 casos confirmados. Há 37 casos suspeitos”, disse.
     
    A pasta baiana afirmou ainda que, por meio da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde, “está atenta à situação e realiza verificações regulares junto às maternidades e, neste ano, em virtude da incidência de zika virus, está em apuração se os casos estão relacionados com a respectiva doença.”
     
    Dados de casos suspeitos por Estado
     
    – PE: 646 
    – PB: 248
    – RN: 79
    – SE: 78
    – AL: 59
    – BA: 37
    – PI: 36
    – CE: 25
    – RJ: 13
    – TO: 12
    – MA: 12
    – GO: 2
    – MS: 1
    – DF: 1
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Pílula da USP: Conheça a polêmica sobre o uso de remédios não testados

    Pílula da USP: Conheça a polêmica sobre o uso de remédios não testados

    A recente polêmica envolvendo o uso de uma nova substância contra o câncer – aparentemente bastante promissora, porém não testada – reacendeu o debate sobre os riscos enfrentados por pacientes, sobretudo aqueles mais vulneráveis, os doentes terminais.
     
    Na última semana, a prestigiosa revista científica Nature entrou na polêmica. Em editorial, a publicação criticou a liberação da fosfoetanolamina no Brasil, depois que o Supremo Tribunal Federal, em resposta a uma liminar, obrigou a USP a fabricar e distribuir o medicamento antes dos testes clínicos em seres humanos.
     
    Segundo a revista, “a controvérsia no Brasil sobre o acesso a uma suposta cura do câncer pode criar um precedente perigoso”. A molécula desenvolvida na USP vinha sendo distribuída em forma de comprimidos experimentais para pacientes com câncer terminal, sem nunca ter passado por todas as fases exigidas de teste. Na verdade, ela foi testada com sucesso apenas em camundongos.
     
    Talidomida
     
    A exigência de maior controle sobre a toxicidade de novas drogas em todo o mundo surgiu no início dos anos 60, depois de uma tragédia que marcou toda uma geração e levantou um intenso debate mundial sobre a segurança dos medicamentos.
     
    A talidomida chegou ao mercado em 1957 como um poderoso sedativo eficaz contra ansiedade, insônia e tensão. A droga havia sido testada em camundongos e se revelara totalmente inócua. Tão inócua que os médicos não tiveram nenhuma dúvida em indicá-la para grávidas. O novo remédio acabou se revelando especialmente eficiente contra enjoos matinais – típicos dos primeiros meses de gestação – e foi receitado em larga escala para gestantes.
     
    Na verdade, como logo ficou claro após o uso em massa, a talidomida é extremamente tóxica. Tão tóxica que se calcula que dez mil crianças tenham nascido em todo o mundo com deformidades físicas graves causadas pela droga – a substância faz com que os membros superiores e inferiores não se desenvolvam propriamente.
     
    A tragédia foi tão grande que a droga acabou sendo proibida em todo o mundo. “A talidomida tinha sido testada em fêmeas de camundongos grávidas e não se mostrou tóxica”, conta o coordenador do Programa de Pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília (UnB), Volnei Garrafa, que também é integrante do Comitê Internacional de Bioética da Unesco. “E fez o estrago que fez.” Ocorre que – e os cientistas descobriram isso da pior forma possível – muitas substâncias que não se revelam tóxicas em camundongos, por exemplo, podem se mostrar danosas para outros mamíferos. E mesmo aquelas que são inócuas para vários animais, podem se revelar extremamente tóxicas para os seres humanos.
     
    E foi a partir dessa constatação que se estabeleceu boa parte do protocolo de testagem de medicamentos em voga até hoje. Por isso, uma nova droga, para ser aprovada, precisa ser testada em pelo menos três diferentes animais e também nos seres humanos – em nada menos que quatro fases. É um processo caro e, muitas vezes, extremamente frustrante para os pesquisadores envolvidos, sobretudo em um país de recursos científicos escassos como o Brasil. Mas necessário para a segurança da população, na opinião de vários especialistas, e também para a viabilidade econômica do sistema público de saúde.
     
    Fosfoetanolamina
     
    A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida em 1990 por Gilberto Orivaldo Chierice, professor de Química da USP – São Carlos. As cápsulas eram produzidas e distribuídas gratuitamente por ele a pacientes na própria universidade.
     
    O uso da fosfoetanolamina se tornou uma polêmica com dimensão nacional no mês passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou o seu uso como medicamento experimental, depois de um pedido de um paciente. A liminar derrubou uma decisão anterior do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia suspendido o fornecimento do remédio a 1.400 pacientes de câncer na cidade de São Carlos.
     
    A situação chegou a tal ponto que o governo decidiu intervir e, agora, finalmente, começou a testar formalmente a molécula em laboratórios credenciados em cinco Estados no país. Na semana passada, o secretário de Saúde de São Paulo anunciou que o Estado vai testar a substância em mil pacientes.
     
    O drama de pacientes terminais impedidos de tomar um remédio que, supostamente, poderia ajudá-los, causou impacto na população e fez com que muita gente saísse publicamente em defesa da liberação da droga. Por que negar a um paciente que vai morrer de qualquer forma essa chance?
     
    A questão, porém, é um pouco mais complexa. Cientistas da área médica são contundentes em afirmar que é uma irresponsabilidade autorizar acesso público a drogas que não foram testadas em seres humanos. “Não há segurança para o paciente”, diz Volnei Garrafa. “Porque não sabemos como a droga se comporta no ser humano, quanto tempo leva para ser eliminada pelo organismo, os efeitos colaterais, as interações medicamentosas.”
     
    A dosagem dos remédios, lembram os especialistas, também é determinada pelos testes. Muitas vezes uma dosagem baixa pode ser totalmente ineficaz, enquanto uma dose alta é tóxica. A dose exata de cada remédio é crucial para o seu melhor aproveitamento. O período durante o qual a substância é consumida também é importante.
     
    “Como médico, não posso prescrever drogas que não tenham passado por todos os testes. Não é porque um paciente está à morte que podemos deixar de lado todos esses critérios e indicar uma substância não testada, sobre a qual não conhecemos nada”, afirma o coordenador das Unidades de Terapia Intensiva do complexo hospitalar Américas, no Rio, Victor Cravo. “Até porque isso poderia abreviar o tempo de vida do paciente ou fazer com que ele tenha uma morte em agonia, não tem como saber o que pode acontecer.”
     
    O pesquisador Amílcar Tanuri, do Laboratório de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pesquisa diferentes compostos para o tratamento da Aids, concorda com o colega. “Existem protocolos para o tratamento do câncer, mesmo para pacientes terminais, para alívio da dor, por exemplo”, diz Tanuri. “Uma substância não testada pode ser tóxica e fazer com que esse paciente perca qualidade de vida.”
     
    Um outro problema sério, como apontou o editorial da Nature, é o risco de pacientes optarem pelo tratamento experimental e abandonarem as terapias consagradas cientificamente com medo de interferências. “A triste verdade é que a droga provavelmente não é um milagre”, sustentou a revista. Além do efeito nocivo para os pacientes, o uso de drogas não testadas poderia ter um impacto extremamente negativo no sistema de saúde, como alertam os especialistas.
     
    A fosfoetanolamina é apenas uma das moléculas promissoras no combate ao câncer e a outras doenças letais, como a Aids. Existem milhares de outras. “Eu mesmo estou trabalhando com um fitoterápico que está se revelando muito promissor contra o HIV”, diz Tanuri. “E provavelmente não terei como levar à frente a pesquisa.” Dos milhares de compostos promissores, poucos passam por todas as fases necessárias e chegam ao final do processo. Segundo a Nature, nos Estados Unidos, por exemplo, apenas uma em cada dez drogas que passam na primeira fase dos testes chega a ser aprovada na FDA – a agência de drogas e alimentos, responsável pela liberação de novas substâncias.
     
    O editorial lembra que a fosfoetanolamina sequer chegou à primeira fase dos testes. “O Estado só pode gastar dinheiro com o que é sabidamente eficaz”, diz Cravo. “Infelizmente, o país não tem estrutura para testar todas as potenciais drogas, ele quebraria.”
     
    Fonte: G1 – Bem Estar
     
  • Ainda longe de um Brasil sem Aids

    Ainda longe de um Brasil sem Aids

    O ministro da saúde recém-demitido, Arthur Chioro, previu o colapso do SUS (Sistema Único de Saúde) em 2016. O atual, Marcelo Castro, disse que o que hoje está ruim vai piorar.
     
    O SUS vive sua pior crise desde que Congresso Nacional e governo aprovaram, no começo deste ano, emenda constitucional que reduziu o financiamento federal da saúde.
     
    Depois vieram a diminuição de repasses a Estados e municípios e a recessão que minou as fontes de financiamento da saúde dependentes de tributos ligados à atividade econômica.
     
    A ruína do SUS é agravada pelas desonerações e pela regulação frouxa, que beneficiam planos de saúde e hospitais privados –vide a abertura irrestrita do setor ao capital estrangeiro.
     
    A essas medidas que inviabilizam o sistema universal constitucional soma-se a ameaça de uma agenda ultraconservadora, que coloca em risco até mesmo políticas outrora exemplares. É o caso do combate à Aids, que mudou para pior.
     
    Relegada a especialistas, fora da mídia e da visibilidade pública, a Aids não é mais a causa excepcional que fez emergir a ousadia do ativismo, a inovação na prevenção, a coragem dos programas governamentais, o engajamento de profissionais e de redes associativas solidárias.
     
    O distanciamento de setores como educação, direitos humanos e trabalho é outro sintoma do encolhimento da luta contra a Aids no Brasil. Os retrocessos são também expressão do conservadorismo e do pragmatismo medíocre que imperam na política.
     
    Abandonou-se a abordagem dos determinantes sociais da epidemia –entre eles a violência, o preconceito, a homofobia– e deixou-se de promover os direitos e a dignidade das pessoas e populações mais afetadas.
     
    A autocensura do Ministério da Saúde, ao impedir campanha dirigida a jovens gays, precedida da suspensão de material que tratava de sexualidade nas escolas, selou a rendição à direita hidrófoba e aos religiosos fundamentalistas que, agora na Câmara dos Deputados, querem impedir o aborto de mulheres vítimas de violência sexual e definir como família apenas as relações entre homens e mulheres.
     
    A propaganda governamental alardeia a suposta estabilidade do número de casos e vende a ideia de que a doença será detida apenas com as novidades biomédicas.
     
    O início do tratamento passou a ser recomendado a todas as pessoas com HIV. O teste rápido está no SUS e o autoexame já pode ser adquirido em farmácias.
     
    Para pessoas que praticaram relações sexuais desprotegidas estão disponíveis antirretrovirais, que também já são recomendados para prevenção dirigida –por exemplo, homens que fazem sexo com homens e que têm dificuldades de usar a camisinha.
     
    Por causa de medicamentos eficazes, mais aceitos pelo organismo, uma pessoa infectada recentemente pode ter a mesma esperança de vida que uma pessoa sem HIV.
     
    Tudo isso –a chamada “prevenção combinada”– é um grande avanço, sem dúvida. Mas não é o que vai garantir um Brasil sem Aids no futuro.
     
    A volta da Aids com força total está evidente nas novas infecções, no aumento de mortes nas regiões Sul e Norte, na retomada dos comportamentos de risco e na baixa realização de teste de HIV entre populações mais vulneráveis.
     
    Pintar de cor-de-rosa a Aids, como fazem as autoridades, é uma farsa evidente. Hoje, quando se celebra o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, é preciso dizer que a epidemia não será vencida apenas com testes, pílulas e preservativos.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Ministro diz que não faltarão recursos para contenção de casos de microcefalia

    Ministro diz que não faltarão recursos para contenção de casos de microcefalia

    O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou nesta segunda-feira, 30, pouco antes de embarcar para Pernambuco, que “recursos não vão faltar” para a contenção dos casos de microcefalia no Brasil. Semana passada, o governador do Estado, Paulo Câmara (PSB), reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro para discutir medidas de controle da doença e saiu frustrado diante do silêncio em torno de uma eventual reforço de verbas.
     
    “Estamos mobilizados, tudo vai ser feito diante das necessidades”, disse Castro. Pernambuco registra até o momento 646 casos de microcefalia, má-formação que em 90% dos casos leva o bebê a ter deficiência mental. O avanço da doença, registrado em proporções nunca vistas em nenhuma parte do mundo, está associado à infecção da gestante pelo zika, um vírus transmitido pela picada do Aedes aegypti – transmissor também da dengue e da febre chikungunya.
     
    Pernambuco decretou emergência
     
    Em razão do aumento de casos, Pernambuco decretou emergência. Castro e uma equipe de especialistas do ministério desembarcam hoje em Recife para uma reunião. A ideia é começar por Pernambuco, detentor de quase metade dos casos de microcefalia no País, as ações do Grupo Estratégico Interministerial de Emergência (GEA), criado no período da H1N1 e reativado há uma semana. Formado por 17 ministérios, o grupo vai coordenar medidas de apoio às regiões afetadas pela epidemia e de prevenção da doença em todo o país. As ações do Exército para o controle do mosquito, por exemplo, devem começar pelo Estado.
     
    Na reunião de hoje estarão presentes também representantes do Ministério da Defesa e da Integração Nacional.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Pesquisa da UFPI estuda veneno do sapo para tratamento contra o câncer

    Pesquisa da UFPI estuda veneno do sapo para tratamento contra o câncer

    Professor diz que veneno tem potencial para combater células cancerígenas.
    Estudos apontaram resultados favoráveis para cura de outras doenças.
     
    Uma pesquisa desenvolvida por um professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí (UFPI) é mais uma esperança na busca pelo tratamento e a cura de alguns tipos de câncer. Os estudos são desenvolvidos com o veneno dos sapos e, segundo os pesquisadores, já foi possível encontrar grande potencial na substância produzida pelos anfíbios.
     
    A pesquisa é encabeçada pelo professor doutor Gerardo Magela e foi iniciada há cerca de quatro anos, quando o piauiense ainda lecionava na Universidade Federal de Mato Grosso. Lá, as pesquisas foram realizadas com sapos das espécies Rhinella marina e Rhaebo guttatus, encontrados no bioma amazônico. Há cinco meses na UFPI, ele resolveu incluir nos estudos o sapo Rhinella jimi, conhecido como cururu, encontrado na caatinga.
     
    De acordo com Magela, desde o primeiro ano as pesquisas com as espécies da região amazônica já começaram a dar bons resultados. Ele afirma que já foram testadas diversas atividades com o veneno dos sapos e sustenta que as substâncias biológicas encontradas no veneno dos anfíbios possuem grande potencial para combater células cancerígenas.
     
    “Nós já testamos muitas atividades e dentre elas a mais promissora é a atividade citotóxica, que foi testada frente à linhagem de células de câncer. Obtivemos bons resultados em um tipo de câncer chamado de glioblastoma, que ataca o sistema nervoso central, no câncer do colo do útero, de ovário e leucemia”, explicou o professor.
     
    Além da constatação do poder das substâncias contra as células de câncer, testes realizados em camundongos revelaram também que o material extraído do veneno dos sapos possui potencial medicamentoso frente à insuficiência cardíaca, malária e até a alguns tipos de fungos encontrados em espécies agrícolas como soja, feijão, milho e algodão.
     
    Apesar de liderar as pesquisas, Magela destaca que uma equipe multidisciplinar é envolvida no trabalho. Dois alunos de graduação em química da UFPI também participam. Os sapos são capturados e têm o veneno coletado por biólogos autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Após a coleta, o material é repassado ao professor, que estuda a constituição química, separa as substâncias dos venenos e as leva para grupos de pesquisa da área de farmacologia.
     
    “Nos testes observou-se um ataque às células cancerígenas. Os camundongos estavam com tumor e observamos uma regressão. Só que detectamos ataque das substâncias às células normais, indicando que não é seletivo como a maioria dos quimioterápicos. Esse ataque ainda é um desafio a ser superado. Temos que encontrar uma substância que mate as células de câncer e seja menos agressiva às normais. É possível que se faça modificações na estrutura dessas substâncias tentando minimizar esses efeitos colaterais”, falou.
     
    O professor explica que o veneno é retirado de uma glândula chamada de paratóide, localizada atrás dos olhos dos sapos. “Nessa glândula é onde está o acúmulo do veneno produzido pelos sapos. Tem outras espécies que possuem micro-glândulas que são distribuídas por toda a pele, que também podem estar sendo extraídas”, disse.
     
    Após a coleta do veneno, os sapos são devolvidos à natureza.
     
    Gerardo enfatiza que o Brasil possui uma biodiversidade de anfíbios muito rica e destaca que sua pesquisa serve até mesmo para alertar sobre a preservação desses animais.
     
    “Serve de alerta porque as pessoas geralmente jogam sal quando veem um sapo e isso vai entupir as glândulas, atrapalhar a respiração e o sapo vai acabar morrendo. É algo que não deve ser feito porque o sapo, além de servir para o controle biológico de pragas, poderá trazer grandes benefícios futuramente para o homem”, alertou.
     
    Apesar dos resultados promissores obtidos pela pesquisa, o professor ressalta que ainda vai levar algum tempo para que suas conclusões possam levar à produção de medicamentos contra o câncer ou outras doenças. Segundo ele, uma pesquisa para se desenvolver medicamento leva atualmente um tempo médio de 15 anos de duração.
     
    “Nós ainda estamos no início, fazendo atividades in vitro e atividades em camundongos. Até chegar nas fases de análises clínicas, para que possam ser desenvolvidos os medicamentos, ainda vai demorar. É um estudo que demanda um tempo grande”, afirmou.
     
    Sapo do Piauí
     
    Por enquanto, os resultados que apontam para efeitos promissores se referem às pesquisas com os sapos do bioma amazônico, iniciadas ainda no Mato Grosso e cujo prosseguimento está sendo dado no Piauí. Os estudos com o sapo cururu encontrado na caatinga já estão sendo colocados no cronograma da pesquisa, mas ainda serão iniciados.
     
    Mesmo assim, o professor destaca que alguns estudos na literatura mostram que o sapo encontrado no Piauí apresenta atividade citotóxica e contra os parasitas vetores da leishmaniose e da doença de chagas. Devido a isso, ele resolveu incluir a espécie da caatinga nas pesquisas e espera obter resultados ainda mais positivos com ela.
     
    “Cada espécie tem uma constituição química diferente. Ela pode ter substâncias diferentes ou substâncias iguais, mas em quantidades diferentes. Por isso é muito interessante a gente estudar o sapo daqui, porque a constituição química dele vai ser totalmente diferente e, quem sabe, seja melhor que a do sapo do Mato Grosso”, concluiu.
     
    Números da doença
     
    Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas todo ano com câncer e cerca de 8 milhões morrem em decorrência da doença. No Brasil, a estimativa era de 580 mil casos novos da doença para 2015.
     
    No Piauí, a estimativa era de 5.560 novos casos em 2014 para cada grupo de 100 mil habitantes.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
     
  • Valor da anuidade em 2016 está definido

    Valor da anuidade em 2016 está definido

    Durante a 437ª Reunião Plenária do Conselho Federal de Farmácia (CFF), nesta quarta-feira, dia 25 de novembro, foi aprovado o valor das anuidades para 2016, conforme determina a Lei Federal nº 12.514/11.
     
    Não houve aumento, apenas a recomposição com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), previsto no referido dispositivo legal, para compensar a perda monetária verificada no período, que foi de 10,33%.
     
    As taxas e os emolumentos ficaram congelados, mantendo os mesmos valores praticados durante o ano de 2015.
     
    A decisão recebeu o apoio dos diretores de 24 conselhos regionais de Farmácia. Os valores das anuidades serão divulgados por meio de resolução a ser publicada nos próximos dias.
     
    É importante lembrar que, aos que optarem por efetuar o pagamento até o dia 31 de janeiro, a anuidade terá desconto de 10%. Para o pagamento até 28 de fevereiro, o desconto será de 5%.  Nos demais casos, estará garantido o parcelamento em, no mínimo, cinco vezes.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
  • Dilma envia ministro e Defesa Civil para combater microcefalia em PE

    Dilma envia ministro e Defesa Civil para combater microcefalia em PE

    O ministro da Saúde, Marcelo Castro, e representantes da Defesa Civil desembarcam em Recife na próxima semana para definir uma linha de ação entre o governo federal e estadual contra o surto de casos de microcefalia no Estado. Essa foi uma das medidas acertadas entre a presidente Dilma Rousseff e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), após audiência realizada na manhã desta quinta-feira no Palácio do Planalto, com a presença de Castro.
     
    Paulo Câmara chamou a atenção para o aumento “exponencial” das notificações de microcefalia, que a Secretaria Estadual de Saúde ainda tenta identificar se estão associadas ao vírus zika.
     
    Segundo Câmara, Pernambuco concentra o maior número de casos no Nordeste, com 175 confirmações e mais de 480 notificações.
     
    De acordo com o governador, Dilma se comprometeu em assegurar recursos humanos e financeiros para desenvolver ações de prevenção e socorro. O objetivo prioritário é evitar uma epidemia, como ocorre com a dengue, nos primeiros meses do ano. “Precisamos tomar providências imediatas, começando agora”, disse Câmara.
     
    O governador já convocou todos os prefeitos de municípios pernambucanos para uma reunião de emergência na próxima segunda-feira. O governo fará uma campanha de comunicação, para alertar a população sobre os riscos de deixar água represada, que permite a proliferação de insetos.
     
    “A doença está concentrada no Nordeste, mas pode atingir outros Estados com velocidade preocupante”, disse Câmara. Dilma também cogita visitar locais afetados pela doença no Nordeste, depois de regressar de viagem internacional: na próxima semana, a presidente vai a Paris, na CoP-21, ao Vietnã e ao Japão.
     
    Fonte: Valor Econômico