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  • Governo quer finalizar primeiros testes de `pílula do câncer` em 7 meses

    Governo quer finalizar primeiros testes de `pílula do câncer` em 7 meses

    O ministro de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, disse nesta segunda-feira (16) que o governo espera obter, em até sete meses, os primeiros resultados de testes com a fosfoetanolamina. A substância tem despertado polêmica no país após a Justiça liberar o produto para pacientes com câncer, sem que haja comprovação de eficácia ou informações sobre riscos.
     
    Segundo Pansera, um grupo formado por laboratórios de três universidades federais, financiado pelo governo, deve conduzir a primeira etapa de testes, a chamada pesquisa pré-clínica, que envolve testes in vitro e em animais.
     
    A etapa é necessária para que sejam obtidos dados prévios sobre a toxicidade do produto, o que permite que a substância possa vir a ser alvo de pesquisas clínicas, realizadas em humanos.
     
    Para iniciar os testes, o governo irá solicitar à USP cerca de 500 gramas da substância. A universidade, onde a substância foi inicialmente sintetizada, vinha distribuindo a fosfoetanolamina por determinação judicial a alguns pacientes.
     
    A partir daí, o grupo planeja utilizar informações enviadas ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para sintetizar o produto e compará-lo com o já disponível. “Queremos fazer o mesmo caminho dos pesquisadores”, explica Pansera.
     
    A previsão é que os testes in vitro e em animais cobaias sejam finalizados em até sete meses após o material ser entregue pela universidade.
     
    Devem participar dessa etapa laboratórios e núcleos de pesquisa de medicamentos da UFRJ (federal do Rio de Janeiro), UFCE (Ceará) e UFSC (Santa Catarina). Em seguida, os dados serão avaliados pela Anvisa, agência que regula o setor.
     
    “Isso é importante até para chegar à conclusão de que a substância foi sintetizada da maneira adequada”, diz Renato Porto, diretor da agência.
     
    Caso a primeira etapa seja aprovada, institutos ligados ao Ministério da Saúde devem realizar, em seguida, os testes em humanos. Não há prazo para que toda a pesquisa seja finalizada.
     
    O governo, porém, não descarta a possibilidade de que a pesquisa seja acelerada caso haja resultados positivos.
     
    “Estamos mudando o processo em função da comoção social criada. Temos que dar uma resposta à situação social colocada”, diz Pansera.
     
    Ainda segundo o ministro, o trabalho deve ser coordenado pelos ministérios de Ciência e Tecnologia e da Saúde, em conjunto com centros onde pesquisadores já realizam pesquisas preliminares sobre a substância, caso da USP, Unesp e Butantan. Representantes da Defensoria Pública, Ministério Público e Câmara dos Deputados também devem acompanhar o processo.
     
    O valor a ser investido é de R$ 10 milhões. Deste total, R$ 2 milhões devem ser liberados para a primeira etapa de testes já neste ano.
     
    Para Pansera, apesar da comoção pública, o caso exige cautela. “O Ministério da Saúde está fazendo buscas no mundo inteiro. Ainda não há nenhum caso usado como remédio”, afirma.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
     
  • Remédio contra alcoolismo poderia eliminar vírus da aids, aponta estudo

    Remédio contra alcoolismo poderia eliminar vírus da aids, aponta estudo

    Um medicamento usado para tratar o alcoolismo em combinação com outras substâncias poderão contribuir para a erradicação do vírus da aids nas pessoas soropositivas em tratamento, aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (17).
     
    O medicamento, chamado disulfiram, acorda o vírus adormecido no organismo infectado, permitindo assim destruir tanto o vírus quanto as células que o abrigam, e isso sem efeitos colaterais, notam os autores da pesquisa, publicada na revista especializada “The Lancet HIV”.
     
    Atualmente um tratamento antirretroviral (ART), um coquetel de medicamentos padrão chamado terapia tripla, permite manter o vírus (HIV) em controle nos pacientes soropositivos, mas sem deixá-los completamente livres.
     
    O vírus permanece à espreita no organismo das pessoas tratadas, de forma latente (inativo). Este reservatório, difícil de alcançar, é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento de um tratamento para proporcionar alguma cura. “Acordar” o vírus latente é uma estratégia promissora para livrar o paciente do HIV.
     
    Mas “despertar o vírus é apenas o primeiro passo para eliminá-lo”, disse Julian Elliot, diretor de pesquisa clínica no departamento de doenças infecciosas no Hospital Alfred de Melbourne (Austrália), primeiro autor do estudo.
    “Agora, temos que trabalhar a maneira como nos livrarmos das células infectadas”, acrescentou.
     
    Outras drogas foram também testadas para atacar o reservatório de hiv, mas sem muito sucesso, ou que se mostraram tóxicas. No ensaio clínico liderado por Sharon Lewin, diretora do Instituto Doherty em Melbourne, 30 pessoas em tratamento antirretroviral receberam doses crescentes de disulfiram durante um período de três dias.
     
    Na dose mais elevada, a estimulação do hiv adormecido sem reações adversas nos pacientes, foi obtida, de acordo com os autores. “Este teste mostra claramente que o dissulfiram não é tóxico e é seguro de usar, e que poderia muito provavelmente ser o único a mudar a história”, disse Lewin em comunicado divulgado por seu instituto.
     
    O próximo passo, segundo os pesquisadores, é testar esta droga em combinação com outras, tendo como alvo o próprio vírus. “O resultado obtido continua insuficiente”, disse à AFP Brigitte Autran, especialista em imunologia e em aids da Universidade Pierre et Marie Curie/Inserm, em Paris, e co-autora de um comentário acompanhando o artigo.
     
    “Ainda estamos muito longe de encontrarmos a solução para obtermos uma verdadeira cura dos pacientes soropositivos e até mesmo uma remissão que permitiria suspender o tratamento”, afirmou a especialista. Com mais de 34 milhões de mortes até hoje, o hiv continua sendo um grande problema de saúde pública, segundo a OMS. No final de 2014, registrava-se cerca de 36,9 milhões de pessoas vivendo com o HIV.
     
    Fonte: G1 – Bem Estar
  • Distrofia de Duchenne afeta células-tronco

    Distrofia de Duchenne afeta células-tronco

    Pesquisadores da Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriram que a distrofia muscular de Duchenne (DMD) prejudica o funcionamento de células-tronco que geram estruturas importantes para a manutenção muscular. A DMD afeta aproximadamente um em cada 3,6 mil meninos e é causada por mutações genéticas que resultam na perda da proteína distrofina, levando à fraqueza progressiva do paciente e à morte dele na segunda ou terceira década de vida. Detalhes da descoberta foram publicados na edição de hoje da revista Nature Medicine.
     
    Durante muitos anos, acreditou-se que a distrofina era encontrada apenas em fibras musculares. Mas a equipe liderada por Michael Rudnicki, autor-sênior do novo estudo, detectou que as células-tronco musculares também expressam a proteína. Na falta dela, essas células-tronco produzem 10 vezes menos moléculas precursoras de fibras musculares funcionais, que respondem pelo reparo muscular após lesões normais e exercícios. A equipe de pesquisadores também descobriu que a distrofina orienta as células-tronco musculares no tecido.
     
    “Sem distrofina, elas não sabem dizer qual o caminho é para cima e para que lado é para baixo”, conta Rudnicki, em comunicado à imprensa. “Isso é crucial porque as células-tronco do músculo precisam sentir seu ambiente para decidir se produzem mais células-tronco ou formam novas fibras musculares. Sem essa informação, elas não conseguem se dividir corretamente nem reparar o músculo danificado”, detalha. A pesquisa foi feita com camundongos, mas acredita-se que os resultados se apliquem também em humanos porque que a distrofina é quase idêntica em todos os animais.
     
    Os tratamentos atuais para a DMD estão limitados a intervenções que impedem a progressão da doença. Abordagens experimentais, como terapia genéticas, são investigadas. Agora, a pesquisa da Universidade de Ottawa sugere que as abordagens se dirijam a células estaminais musculares e às fibras. “Eu não tenho certeza se curaremos a DMD, mas estou muito esperançoso de que, algum dia, tenhamos novas terapias que corrijam a capacidade das células-tronco musculares de reparar os músculos dos pacientes, transformando a doença devastadora e letal em uma condição crônica e controlável”, aposta o pesquisador.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
  • 6 novas armas contra a dor

    6 novas armas contra a dor

    “Eu rezava a Deus para me ajudar, e sonhava que um dia, no paraíso, eu não sentiria mais dor e não teria mais cicatrizes. E aqui, agora, meu sonho se tornou realidade. É o paraíso na Terra”. A frase é de Kim Phuc, a mulher hoje crescida cujo sofrimento, quando criança, se eternizou na histórica foto em que aparece correndo, nua e gritando, após um ataque de napalm em seu vilarejo, durante a guerra do Vietnã. Kim tinha apenas nove anos. Seu corpo sofreu queimaduras graves, especialmente nas costas. O alívio das dores decorrentes das lesões veio 43 anos depois, por meio de um recurso até recentemente usado com fim estético, para rejuvenescimento.
     
    Trata-se de um laser utilizado contra rugas que vem se mostrando eficaz para amenizar marcas de queimaduras e atenuar a dor por elas provocadas. O tratamento está sendo aplicado pela dermatologista Jill Waibel, de Miami, nos Estados Unidos. “Nós literalmente vaporizamos os tecidos das cicatrizes”, explicou a médica à ISTOÉ. “A pele se regenera. A maioria dos pacientes relata melhora substancial no alívio da dor e na mobilidade de braços e pernas dias ou semanas após cada sessão.”
     
    A nova opção é resultado do esforço para encontrar saídas contra a dor crônica, condição que, segundo o Instituto Americano de Medicina, é o maior problema de saúde pública do mundo. “Estima-se que 30% da população mundial tenha dor crônica”, afirma a neurologista Vanessa Muller, do Rio de Janeiro, especialista no tratamento.
     
    Como no caso do laser, outra alternativa pode surgir da área da beleza. O cirurgião plástico Paolo Rocha, de São Paulo, pretende fazer no Brasil uma operação para evitar as crises da enxaqueca. Ele aprendeu a técnica com o americano Bahman Guyuron, que a aplica há quinze anos nos EUA. “Em geral, até 40% dos pacientes têm remissão completa da dor”, diz. O procedimento, porém, não é consenso. “Mais estudos devem ser feitos para verificar se o método realmente funciona”, afirma o neurologista Renato Anghinah, coordenador do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano, de São Paulo.
     
    As dores de cabeça, incluindo a enxaqueca, estão entre as mais prevalentes. A outra é a dor nas costas. Entre suas causas, estão as hérnias de disco. Um dos recursos mais recentes é o laser. “Sua energia pulveriza a hérnia”, diz José Moreno, coordenador do Centro de Tratamento Intensivo da Dor, no Rio de Janeiro. Outra são as ondas acústicas, que estimulam a liberação de compostos analgésicos. O taxista Paulo Pereira Filho experimentou a terapia após dois anos tentando outros métodos para atenuar o que sentia por causa de três hérnias. “A dor diminuiu muito.” Na opinião do médico Paulo Renato Fonseca, da Sociedade Brasileira para Estudos da Dor, a opção é adequada a alguns pacientes. “É para os que não respondem aos tratamentos mais simples.”
     
    Na área de remédios, uma das novidades é a chegada do Sumaxpro, que combina naproxeno (anti-inflamatório) e a sumatriptana (analgésico de alta potência). Outra são os adesivos, um jeito de ministrar a medicação de maneira uniforme. “Isso aumenta a aderência do paciente às medicações. Não é necessário lembrar horários”, diz o médico João Valverde, do Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Um desses adesivos acaba de chegar ao Brasil e é indicado para a dor da crise de herpes. Outro, cujo princípio ativo é a buprenorfina, trata vários tipos de dor.
     
    O físico Marcelo de Sousa, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, está desenvolvendo o Ligth-Aid, um curativo flexível que usa luz de LED para reduzir e bloquear a dor crônica. “A luz inibe a condução dos sinais da dor enviados para o cérebro”, explica. O início da venda do aparelho está previsto para os próximos meses.
     
    Para o alívio ser maior, é preciso uma reeducação do paciente. “A maioria das dores que sentimos são causadas por vários fatores”, diz Anghinah. “O paciente deve entender porque toma os remédios e precisa mudar coisas como a maneira com que se relaciona com seu corpo”, completa o anestesiologista Francisco Cordon, do Hospital São Luiz, em São Paulo.
     
    Fonte: IstoÉ
     
  • Mercosul fará compra comum de remédio contra a Aids

    Mercosul fará compra comum de remédio contra a Aids

    Os ministros da Saúde dos países do Mercosul e países aliados concluíram em Assunção, Paraguai, acordo para aquisição conjunta de medicamentos para a Aids com descontos de até 83%. Na primeira rodada, foi acertada a compra do remédio darunavir.
     
    O valor negociado (US$ 1,26 por unidade), é cerca de cinco vezes menor que o praticado na Venezuela, Chile e Uruguai. Para o Brasil, que pagava US$ 2,98 a unidade, a economia será de US$ 14,2 milhões. A compra conjunta de medicamentos é resultado de acordo assinado em julho, durante reunião de ministros do Mercosul no Brasil. O objetivo é assegurar os melhores preços de compra e insumos para os sistemas de saúde dos 12 países da América do Sul.
     
    O grupo também avançou na compra de três medicamentos para hepatite C – sofosbuvir, daclastavir e simeprevir. “Na Europa, EUA, Canadá e Austrália, o custo do tratamento varia entre US$ 50 mil e US$ 90 mil por pessoa”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro. A meta é atingir o preço contratado pelo Brasil este ano – US$ 9,4 mil por pessoa para tratamento de 12 semanas.
     
    No caso do sofosbuvir, uma nova empresa instalada na Argentina estará em condições de oferecer o produto a partir do fim deste mês. O laboratório americano, que hoje fornece para Brasil, trabalha em um medicamento novo, com outras drogas associadas, e o ofereceu com preço mais competitivo.
     
    As quantidades adquiridas serão definidas pelos governos de acordo com a demanda. Os países deverão realizar a compra por meio da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) ou em conjunto com os sistemas nacionais. Uma segunda rodada está prevista para 2016 com foco em quatro medicamentos para câncer e Aids.
     
    Fonte: Valor Econômico
  • Burocracia e alto investimento dificultam estudo de pílula da USP no Brasil

    Burocracia e alto investimento dificultam estudo de pílula da USP no Brasil

    A polêmica sobre a fabricação e liberação da “pílula contra o câncer” da USP de São Carlos se resume a uma questão principal: Por que ela ainda não foi testada em humanos, como preconiza a Ciência, antes de ser distribuída para a população?
     
    Segundos os pesquisadores, o composto foi testado em humanos, mas sem os métodos obrigatórios por falta de apoio e verba da USP e de entidades de pesquisa. Estas, por sua vez, disseram não ter sido procuradas pelos cientistas. Agora, o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que vai investir R$ 10 milhões na pesquisa nos próximos 3 anos só a autorização pode levar até 1,5 ano para sair.
     
    Além da necessidade de altas verbas, a burocracia que envolve a liberação dos testes em humanos no Brasil faz o país perder a chance de virar polo de pesquisa de medicamentos e, por consequência, a chance de permitir que pacientes testem novas drogas que aumentem sua qualidade de vida. Enquanto nos Estados Unidos um teste clínico é liberado em 90 dias, no Brasil geralmente demorar mais de um ano, segundo especialistas.
     
    As cápsulas não podem ser consideradas remédio até terem registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e sua distribuição é considerada ilegal pela lei 6.360/76.
     
    Dispor de mais verbas públicas para estudos e diminuir a burocracia para testes em humanos seriam soluções para que pesquisas como essa de São Carlos fossem resolvidas como mais rapidez.
     
    Falta apoio
     
    Em audiência no Senado, Gilberto Chierice, criador da fosfoetanolamina sintética distribuída no interior paulista, disse que a substância foi testada em humanos pelo hospital Amaral Carvalho de Jaú, seguindo regras do Ministério da Saúde. Ele diz não ter documentos da pesquisa, que estariam com o hospital. Procurados pelo UOL, tanto o hospital quanto o ministério afirmaram desconhecer qualquer teste clínico com a substância.
     
    Já o pesquisador Marcos Vinicius de Almeida, da equipe de Chierice, disse que o grupo nunca conseguiu fazer os testes em humanos por falta de apoio da própria universidade e de entidades que poderia patrocinar o alto custo da empreitada.
     
    “Dentro da USP, a Anvisa, todos os mecanismos que tínhamos para tentar lançar os testes clínicos foram procurados. Mas nunca conseguimos pelos custos que isso envolve, uns R$ 25 milhões. Imagina um órgão como a Fapesp financiar todo esse processo” (Pesquisador Marcos Vinicius de Almeida)
     
    Depois que o caso tomou grandes proporções, com pacientes conseguindo liminares na Justiça para ter acesso à droga, o Ministério da Saúde anunciou que criará um grupo de trabalho para apoiar os estudos clínicos e a produção da fosfoetanolamina sintética.
     
    O Lafergs (Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul), do Rio Grande do Sul, também se prontificou a oferecer sua estrutura para os pesquisadores fazerem os testes em humanos, mas não possui dinheiro para financiar a pesquisa. Paulo Mayorga, diretor do Lafergs, espera poder contar com financiamento público e privado.
     
    Burocracia impede chegada de verbas
     
    Para especialistas consultados pelo UOL, o grande problema de se fazer pesquisas clínicas no Brasil, mais do que os custos que podem ser arcados pela indústria farmacêutica em parcerias com universidades ou por agências de fomento, está na burocracia envolvida.
     
    No Brasil, pode demorar até um ano a liberação de testes em humanos que deve ser feita pelo governo, enquanto nos Estados Unidos e em países europeus isso acontece em até 90 dias.
     
    De acordo com a Aliança Pesquisa Clínica Brasil, associação de pesquisadores e pacientes que trabalham para diminuir esse prazo, a morosidade no processo leva promissoras pesquisas brasileiras serem feitas fora do país, porque os patrocinadores geralmente farmacêuticas não querem perder dinheiro com a espera.
     
    O resultado disso é a fuga de investimentos e empregos na saúde e na capacidade de aprimorar tecnologias. Sem pesquisas de medicamentos por aqui, diminuem também as chances de pacientes com doenças como o câncer se voluntariarem em testes que podem ajudar no tratamento da doença, segundo o endocrinologista Luis Russo, membro do comitê gestor da Aliança Pesquisa Clínica Brasil.
     
    “É necessário que se diminua a burocracia dos tempos regulatórios, que se traga transparência e se amplie o direito da população brasileira, principalmente de voluntários de pesquisa. Mas, para isso, precisamos ter estudos clínicos aqui” (Luis Russo, membro do comitê gestor da Aliança Pesquisa Clínica Brasil)
     
    O prazo longo afugenta a indústria farmacêutica que é geralmente quem tem dinheiro para bancar os projetos. Segundo levantamento da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), no primeiro quadrimestre do ano, 16 estudos sobre câncer e outras doenças foram perdidos por sete empresas farmacêuticas que não quiseram esperar tanto tempo para a aprovação.
     
    “A diminuição dos prazos regulatórios ajuda a baratear a pesquisa já que com a burocracia faz você demorar mais e gastar mais. Enquanto isso, o Brasil perde pesquisa até para a Argentina, onde demora quatro meses para se aprovar”, diz Russo.
     
    O levantamento da Interfarma mostra, ainda, que a morosidade impacta a eficiência dos centros de pesquisa nacionais. Apesar de estar entre as dez cidades com mais instituições aptas a receber testes clínicos, a cidade de São Paulo usa menos de 50% dessa capacidade. São realizados uma média de 12 estudos em cada um dos 215 centros de pesquisa da capital paulista.
     
    Por que demora tanto?
     
    Para que um projeto de pesquisa clínica seja aprovado mundialmente, ele é submetido a duas etapas de avaliação: uma que passa por um comitê de ética e um de análise técnica. Em cada um são avaliados conceitos éticos e de segurança à saúde dos voluntários.
     
    No Brasil, no entanto, há três etapas somente para aprovação: duas comissões de ética e uma técnica feita pela Anvisa, o que aumenta o prazo da autorização. Quando os testes em humanos são aprovados, os pesquisadores podem, enfim, recrutar voluntários que passarão por outras quatro fases de testes.
     
    Na primeira etapa, os pesquisadores brasileiros enviam o projeto a um CEP (Comitê de Ética em Pesquisa) que o recebe e o analisa; essa etapa dura pelo menos 30 dias. Depois o projeto é passado para o Conep (Comitê Nacional de Ética em Pesquisa), que tem 60 dias para rever toda a papelada e pedir revisão. Caso haja necessidade de refazer algo, serão mais 60 dias para o Conep analisar. Por último, os pareceres das comissões chegam à Anvisa que tem pelo menos seis meses para avaliar.
     
    Depois da aprovação, não raro os pesquisadores brasileiros precisam importar os insumos para os testes, o que pode atrasar ainda mais o começo da pesquisa. Feito isso, aí sim começam as fases dos testes clínicos com voluntários (não pagos).
     
    Para Jorge Venâncio, médico e diretor do Conep, a diminuição do prazo já está nos planos do conselho, que nega que haja excesso de burocracia. Geralmente são necessários 30 dias para análise do CEP, que analisa 98% dos protocolos, e mais 48 dias para aprovação do Conep, em casos especiais, de acordo com o diretor.
     
    Segundo ele, nem todas as análises de projetos de pesquisa clínica chegam até o Conep justamente para evitar prazos muito longos. “Há uma certa razão quem está reclamando que a análise ética dupla é burocrática, mas não há excesso de burocracia. Em 2013 tínhamos análises de 65 protocolos por mês e uma fila de 830 protocolos. Atualmente analisamos 250 por mês, com fila de 260. Houve uma mudança qualitativa”, diz.
     
    Segundo o coordenador da Conep, o prazo estendido visa a segurança dos voluntários das pesquisas que são `cobaias` do processo. “A função do sistena CEP/Conep é defender o direito das pessoas que participam da pesquisa clínica, evitando danos ao voluntário e garantindo que ele continuará recebendo a droga quando confirmada a sua eficácia. Pesquisas que não garantem isso devem ser revisadas ou são vetadas”, afirma.
     
    Todos os voluntários devem assinar um termo de consentimento antes do começo dos testes. Voluntários de medicamentos geralmente são pessoas que já sofrem com a doença a qual o novo possível medicamento tenta tratar.
     
    Fases da pesquisa
     
    Na fase 1 do teste em humanos, até 80 pessoas são testadas para avaliar o quanto a substância é absorvida no organismo. Na fase 2, a substância é testada em até 300 pacientes com o objetivo de avaliar a eficácia e a tolerância do produto. Já na fase 3, acontece estudos em larga escala, na qual o efeito da nova droga é testado em comparação ao tratamento já reconhecido contra a doença.
     
    Se os testes mostrarem que a medicação tem poder de tratar ou curar uma doença, o resultado é submetido à Anvisa que tem mais 90 dias para analisar e conceder o registro necessário para ser comercializado. Depois desse momento, há uma quarta fase, após o lançamento do produto, quando se estuda o remédio em comparação a outros da mesma classe.
     
    Colocar um remédio no mercado envolve bilhões de dólares
    A falta de recursos públicos para as pesquisas clínicas também é um problema, especialmente na área de medicamentos, já que somente essa fase da pesquisa pode custar mais de US$ 100 milhões colocar um remédio no mercado envolve bilhões de dólares.
     
    Mais investimentos públicos ajudariam, inclusive, as instituições de fomento brasileiras a arcar com pesquisas clínicas, sem depender tanto da indústria farmacêutica. É neste ponto que o pesquisador Almeida bate ao dizer que o grupo não quer a interferência da indústria farmacêutica nos testes com a fosfoetanolamina.
     
    “A gente cede o produto para que sejam feitos testes, mas precisamos de algum laboratório cadastrado, que produzisse, e que os testes clínicos sejam feitos dentro de parâmetros sem a influência de laboratórios ou protocolos estrangeiros. Não gostaríamos em nenhum momento que esse produto tivesse que ser enviado para fora do país” 
    Pesquisador Marcos Vinicius de Almeida
     
    Órgãos de fomento não têm verba para estudo clínico
     
    A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) afirmou não ter uma verba específica para pesquisas clínicas, e disse que não foi procurada pelos pesquisadores. Por e-mail disse que “não financia ensaios clínicos em seres humanos, que têm como objetivo final avaliar a toxicidade, segurança e a eficácia de novos medicamentos em seres humanos, pois isso é feito em geral pelas empresas farmacêuticas”.
     
    Até outubro deste ano, o órgão recebeu mais de R$ 788 milhões do Tesouro Estadual para financiar pesquisadores do Estado.
     
    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também não tem uma verba específica para pesquisas clínicas, mas informou que a pasta repassa R$ 2 milhões via Finep (Financiadores de Estudos e Projetos) para a Unidade de Pesquisa Clínica em Neurologia e Neurociências do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense.
     
    A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ter sido procurada pelos pesquisadores da USP São Carlos apenas para consulta, mas não para requerer o pedido para começar a pesquisa clínica.
     
    Em nota, a agência afirmou que “até o momento, não há qualquer pedido ou solicitação de anuência em pesquisa clínica para fosfoetanolamina junto à Anvisa. Também não há requerimento para avaliação de projetos contendo essa substância em programas assistenciais como uso compassivo e acesso expandido, ou seja, para acesso a produtos em fase de pesquisa”.
     
    Fonte: UOL
     
  • Confira o resultado das eleições 2015

    Confira o resultado das eleições 2015

    Maceió, 17 de novembro de 2015
     
    Clique aqui e confira o resultado das eleições para os cargos de conselheiros regionais titulares e suplente; diretoria do conselho regional e conselheiro federal.
     
    Assessoria de Comunicação CRF-AL
  • Após mosquito modificado, Piracicaba (SP) testa app que identifica o Aedes

    Após mosquito modificado, Piracicaba (SP) testa app que identifica o Aedes

    Depois de soltar mosquitos Aedes aegypti geneticamente modificados, que ajudam a conter a propagação da dengue, Piracicaba (a 164 quilômetros de São Paulo) implantou recentemente um projeto-piloto que usa armadilhas de captura e um aplicativo de celular para identificar e monitorar os mosquitos.
     
    A armadilha é composta por um recipiente com pouca água e uma lâmina com um atraente sintético, onde o mosquito –principalmente a fêmea– entra para botar, mas fica presa e morre. Já o app permite que o agente de saúde identifique imediatamente se o inseto preso na armadilha é macho ou fêmea e transmita em tempo real os dados para o centro de controle.
     
    De acordo com Bruna Natalina de Souza Martins, analista de relacionamento da Ecovec, responsável pela ferramenta, o conteúdo da armadilha é semanalmente retirado pelos agentes do combate à dengue e enviado a Belo Horizonte, onde a empresa está instalada, para analisar se a fêmea infectada transmitiria o sorotipo 1, 2, 3 ou 4 da doença.
     
    O aplicativo também tabula os dados captados em uma determinada região e faz uma escala de cores que vai do verde ao vermelho.
     
    “Se dentro da armadilha não for encontrada nenhuma fêmea com o vírus, o sinal é verde. Agora, se foram achadas três ou mais fêmeas com o vírus, o aplicativo aponta sinal vermelho, que significa que a situação pode ficar crítica”, disse Martins.
     
    Desde o dia 27 de outubro, 28 armadilhas estão instaladas nos bairros de Vila Fátima e Vila Monteiro, que já somam 153 casos da doença este ano. Os primeiros resultados devem ser divulgados nos próximos dias.
     
    Para a Prefeitura, os novos recursos servem para prevenir possíveis infestações. Os agentes de saúde, responsáveis pela instalação, manutenção e monitoramento das armadilhas, foram treinados para interpretar os dados do aplicativo, segundo a empresa.
     
    O projeto-piloto terá duração de três meses, sem custos para a Prefeitura. Depois disso, a Secretaria de Saúde avaliará a viabilidade de implantação em outros bairros.
     
    A ferramenta já é usada para prevenir a dengue em outras cidades. No Estado de São Paulo, o município de Santos contratou o sistema. Santa Vitória (MG), Porto Alegre (RS), Paraty (RJ) e Três Lagoas (MS) também utilizam o aplicativo.
     
    Segundo o último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde de Piracicaba, até o dia 8 de novembro, foram confirmados 3.662 casos de dengue na cidade, com 8.789 registros suspeitos notificados. 
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Após 30 anos de suspeitas, pesquisadores confirmam novo tipo de doença cardíaca

    Após 30 anos de suspeitas, pesquisadores confirmam novo tipo de doença cardíaca

    Há mais de 30 anos que especialistas da existência de uma nova doença cardíaca: uma alteração quase imperceptível na atividade elétrica do coração capaz de levar à morte. Agora, uma equipe da Sociedade Espanhola de Cardiologia (SEC) concluiu que, na verdade, trata-se de um transtorno que afeta pessoas mais velhas, a síndrome de Bayés, que pode ser detectada por um simples cardiograma.
     
    O médico Manuel Martínez-Selléz, da SEC, via com preocupação como pessoas portadoras dessa síndrome sofriam derrames cerebrais com mais frequência e tinham riscos maiores de demência e morte.
     
    Martínez-Selléz fez um estudo com 80 centenários e 269 septuagenários e demonstrou que trata-se de uma situação de pré-arritmia.
     
    “Agora sabemos que as pessoas que sofrem este bloqueio interauricular têm um batimento adiantado das aurículas. E sabemos que pode levar à arritmia”, disse Martínez-Selléz à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
     
    O bloqueio interauricular é um transtorno entre as aurículas do coração, duas cavidades na parte superior do órgão.
     
    “Trata-se de uma doença porque é uma alteração do circuito elétrico do coração, neste caso, do circuito elétrico das aurículas, que se associa a um risco demonstrado tanto de acidente cerebrovascular como de demência”.
     
    As pessoas com esta alteração têm facilidade para formar um coágulo na aurícula esquerda do coração.
     
    Diagnóstico melhor
     
    O fato de ser uma doença abre as portas para melhorar o diagnóstico de doenças cardíacas que surgem com a idade. A síndrome leva o nome do cardiologista Antonio Bayés de Luna.
     
    A Organização das Nações Unidas estima que haverá cerca de 400 milhões de pessoas acima de 80 anos no ano de 2050, o que será um desafio para a área da saúde.
     
    Para a equipe de pesquisadores, o principal aspecto positivo do estudo é melhorar o diagnóstico de idosos com este sintoma.
     
    “Estamos convencidos que os portadores desta alteração se beneficiarão de um tratamento antiarrítmico e anticoagulante que ajudará a prevenir o infarto cerebral e a demência”, disse Martínez-Selléz.
     
    Fonte: BBC Brasil
     
  • TJ determina suspensão de fornecimento de

    TJ determina suspensão de fornecimento de

    O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo determinou a suspensão do fornecimento da substância fosfoetalonamina, nesta quarta-feira (11). Assim, foram cassadas todas as liminares de primeira instância que obrigavam a Universidade de São Paulo (USP) a fornecer as polêmicas pílulas que supostamente teriam algum efeito contra o câncer. Também foi proibido que juízes do Estado tomem decisões futuras sobre o assunto.
     
    A decisão foi tomada após recurso interposto pelo Estado de São Paulo, que compreendeu que a substância tem efeitos desconhecidos em seres humanos, não é considerada um medicamento e não possui o registro necessário perante a autoridade sanitária competente, podendo causar graves consequências aos pacientes.
     
    O desembargador Sérgio Rui afirmou que a liberação da substância sintetizada em laboratório não é prudente.”É irresponsável a liberação de substância sintetizada em laboratório, que não é medicamento aprovado e que vem sendo utilizada sem um mínimo de rigor científico e sem critério por pacientes de câncer que relatam melhora genérica em seus quadros clínicos, porque não foram realizadas pesquisas exaurientes que permitam estabelecer uma correlação segura e indubitável entre seu uso e a hipotética evolução relatada.”
     
    Mais de duas mil liminares já tinham pedido a droga, que era distribuída pela USP São Carlos. A USP recorreu, afirmando que não tinha condições de produzir o remédio em larga escala e que, além disso, não há pesquisas que atestem a eficácia da droga.
     
    Entenda
     
    Após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no começo de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou a suspensão da distribuição das cápsulas do IQSC para quem conseguisse liminar na Justiça. A partir de então a USP estava obrigada a voltar a produzir e distribuir a fosfoetanolamina sintética. Com isso, o IQSC ficou sobrecarregado. 
     
    Oncologistas, a USP, o ICQS e os próprios pesquisadores alertam que a substância nunca foi testada em humanos, o que a inviabiliza como remédio. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável por registrar e permitir o comércio de qualquer medicamento no país, diz que a distribuição da droga é ilegal por nunca ter passado por testes clínicos.
     
    Fonte: Uol Saúde