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  • Além de combater infecções, alho pode ajudar a proteger o coração

    Além de combater infecções, alho pode ajudar a proteger o coração

    A lista dos benefícios para quem consome ao menos um dente de alho cru por dia é extensa. Pesquisas comprovam o potencial contra doenças e o ingrediente tem ganhado cada vez mais espaço. Além de antibiótico natural, que atua no combate a várias infecções, também auxilia no controle da pressão, da glicemia, reduz o colesterol, previne problemas cardiovasculares, aumenta a imunidade e tem ação anticancerosa.
     
    Seu poder terapêutico é conhecido há milênios e acredita-se que o uso venha desde a época dos faraós no Egito, inclusive, como moeda de troca. Alho e cebola eram acrescentados à dieta dos escravos que participavam da construção das pirâmides, justamente porque os alimentos aumentavam a força e o vigor dos trabalhadores.
     
    A verdade é que a lista de benefícios está diretamente ligada à quantidade de bons “ingredientes” que compõem o famoso tempero. Até agora, foram identificados cerca de 30 componentes com efeitos positivos para a saúde. A maioria deles está concentrado no bulbo, aquela parte branca que popularmente é conhecido como a “cabeça”, composta pelos “dentes” do alho.
     
    Entre os principais, estão os compostos sulfurados, como a aliina, a alicina e o ajoeno, responsáveis pelo odor e sabor forte e característico do alimento. A presença dos sulfurados é cerca de três vezes maior do que em outros vegetais também ricos nestes compostos, como a cebola e o brócolis.
    É por causa deles que o alho tem propriedades anti-inflamatórias, anticoagulantes e antifúngicas. No entanto, a maioria dos componentes sulfurados não está presente nas células intactas. São liberadas apenas quando ele cortado ou mastigado. É por isso que é preciso partir antes de ser consumido.
     
    Um estudo realizado pela Universidade de Brasília (UnB), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), revelou que a alicina, por exemplo, auxilia no controle das taxas do colesterol e diminui o risco de infarto agudo no miocárdio. O selênio, outro componente presente, é um poderoso antioxidante que fortalece o sistema imunológico e ajuda a afastar o risco de tumores. O alho também é rico em vitamina C, que combate infecções, e vitaminas do complexo B, que combatem o desânimo.
     
    Quanto consumir por dia?
     
    Embora as propriedades terapêuticas sejam reconhecidas pelo Ministério da Saúde e pelo FDA (órgão governamental dos EUA ligado ao controle de alimentos), não há um consenso sobre a quantidade diária ideal para sentir os efeitos benéficos. “Um dente de alho cru por dia já é o suficiente. No entanto, se ele for refogado, devemos garantir o consumo de dois”, sugere a nutricionista Vanderli Marchioli, vice-presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia. Alguns órgãos internacionais, como o Ministério da Saúde do Canadá e a Agência Federal de Saúde Alemã, sugerem a ingestão de quatro gramas de alho cru por dia ou 8 mg de óleos derivados.
     
    Por que o cheiro é tão forte?
     
    O odor forte e característico desse alimento só é liberado quando ele é picado, amassado ou cortado. Ao picar um dente de alho, por exemplo, uma enzima chamada alinase entra em contato com uma substância chamada de aliina. Essa reação produzirá a alicina, responsável pelo cheiro e pelo sabor do alho.
     
    Cru, assado ou frito?
     
    Embora o gosto seja mais acentuado, consumir o ingrediente cru é a melhor forma de garantir a absorção de todos os nutrientes. Para disfarçar o sabor, é possível misturá-lo a pastas ou maionese, por exemplo. Se a opção for comê-lo cozido, o ideal é que o tempo no fogo não ultrapasse 20 minutos e a temperatura não passe de 100 ºC. “Após 40 minutos de cocção já se observa uma redução na capacidade antioxidante. O mesmo acontece quando ele é frito”, explica a pesquisadora da USP e especialista no tema, Jocelem Salgado.
     
    Vale substituir o consumo in natura por cápsulas?
     
    De acordo com Vanderli, é possível fazer a substituição, desde que as cápsulas sejam adquiridas em locais seguros. A pesquisadora Jocelem alerta que antes de começar a ingestão das cápsulas, é preciso buscar orientação de um profissional da saúde. “O uso crônico e em excesso pode causar mau hálito, suor e perturbações gastrintestinais, como ardência, diarreia, flatulência e mudanças da flora intestinal”.
     
    Tem contraindicação?
     
    Algumas pesquisas apontam que o consumo não é indicado para indivíduos medicados com anticoagulantes (como a varfarina) por conta do risco de hemorragias. Quem é alérgico ao enxofre —que está presente nos compostos sulfurados do alho— pode apresentar dermatites, asma, rinite, conjuntivite e urticária. Além destes efeitos colaterais, o consumo excessivo do alho pode interferir na eficácia terapêutica de alguns medicamentos.
     
    10 benefícios do alho
     
    Antibiótico natural
    Baixa o colesterol
    Protege o coração
    Favorece a circulação
    Contém uma dose elevada de vitamina C
    Auxilia no controle da pressão
    Auxilia no controle da glicemia
    Melhora a imunidade
    Tem ação anticancerosa
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Conselho Regional autua USP por fazer cápsula contra câncer

    Conselho Regional autua USP por fazer cápsula contra câncer

    Sorocaba – O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) autuou o laboratório que produz a substância fosfoetanolamina sintética, instalado no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP).
     
    De acordo com nota do conselho publicada na última quinta-feira, 29, no local está sendo sintetizada essa substância, utilizada com a indicação terapêutica para tratamento de câncer, estudada pelo professor Gilberto Chierice há 20 anos. “Porém, a indústria desse insumo farmacêutico não conta com farmacêutico responsável perante o CRF-SP”, informa a nota.
     
    Ainda segundo o CRF-SP, o local foi autuado por não ter farmacêutico em nenhuma das fases de produção e síntese de insumo farmacêutico, bem como na manipulação e na dispensação das cápsulas que contêm fosfoetanolamina.
     
    “Para ser considerada medicamento possível de utilização de forma segura no País, a fosfoetanolamina teria de ser registrada segundo as normas sanitárias do governo federal”, informa. O Instituto de Química ainda não se manifestou sobre a autuação.
     
    A produção das cápsulas atende exclusivamente a portadores de câncer que obtiveram liminares na Justiça para o fornecimento da fosfoetanolamina.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Tuberculose rivaliza com Aids em número de mortes, alerta OMS

    Tuberculose rivaliza com Aids em número de mortes, alerta OMS

    Segundo órgão, 1,1 milhão de pessoas morreram de tuberculose em 2014.
    Documento reflete disparidades no financiamento do combate às doenças.
     
    Pela primeira vez, as infecções de tuberculose rivalizam com as de HIV/Aids como a principal causa de mortes por doenças infecciosas, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um relatório divulgado nesta quarta-feira.
     
    A organização apontou que 1,1 milhão de pessoas morreram de tuberculose em 2014, enquanto que no mesmo período, o HIV/Aids matou 1,2 milhão em todo mundo, incluindo 400 mil pessoas que foram infectadas com as duas doenças.
     
    O diretor do programa de tuberculose da OMS, Mario Raviglione, afirmou que o relatório reflete os grandes ganhos em acesso ao tratamento contra o HIV na década passada, o que ajudou muitas pessoas infectadas a sobreviver. No entanto, o documento também reflete disparidades no financiamento relacionado às duas doenças globais.
     
    “A boa notícia é que a intervenção contra a tuberculose salvou cerca de 43 milhões de vidas desde 2000”, mas uma vez que a maioria dos casos pode ser tratado com êxito, o índice de mortes continua “inaceitavelmente alto”, disse Raviglione em entrevista por telefone.
     
    O relatório traz informações de 205 países e territórios sobre todos os aspectos da tuberculose, incluindo formas resistentes a medicamentos, pesquisa e financiamento.
     
    Entre os estimados 480 mil casos de tuberculose resistente a medicamentos em 2014 –uma superbactéria da doença que resiste às duas mais potentes drogas contra a tuberculose– somente um em quatro foi diagnosticado.
     
    A diretora interina do Médicos sem Fronteiras, Grania Brigden, declarou que o relatório “deve servir como um chamado de alerta de que muito trabalho ainda é necessário ser feito para reduzir os danos dessa doença antiga, mas curável”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • ”

    O Ministério da Saúde vai criar um grupo de trabalho para estudar a fosfoetanolamina, a chamada “pílula do câncer”, substância com suposta ação contra o câncer produzida no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos. “Temos de colocar um fim nessa celeuma. Precisamos dar uma resposta para sociedade. Nas redes sociais, não se fala em outra coisa”, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Castro.
     
    A portaria deve ser publicada nesta sexta-feira, 30, no Diário Oficial. O texto, ao qual o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, estabelece o prazo de 60 dias para que a comissão apresente uma linha básica de atuação. Para que as pesquisas sejam feitas, no entanto, é preciso o aval do grupo que desenvolveu a substância, da USP.
     
    O formato proposto pelo governo prevê a análise da molécula, a realização de estudos não clínicos até um eventual realização de pesquisa clínica. “Nunca foi feito nada disso. Se criou uma tensão nacional. A grande preocupação é que pessoas deixem de fazer o tratamento adequado para usar um produto que não tem eficácia comprovada”, disse o ministro.
     
    A ideia é que Instituto do Câncer e Fiocruz participem dos trabalhos. Castro afirmou que o Ministério vai arcar com os custos do financiamento. “Não serão necessários muitos recursos”, disse. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai acompanhar os trabalhos. “Todas as etapas serão respeitadas, incluindo, por exemplo, o aval das comissões de ética em pesquisa.”
     
    O ministro fez um apelo para que pessoas não usem a substância. “É temerário. Não sabemos os efeitos que ela pode causar. Não quero entrar no mérito porque testes não foram feitos até agora. O importante é esclarecer.”
     
    Castro observou que, ao longo dos últimos meses, criou-se no imaginário da população a falsa ideia de que a droga somente não é comercializada por pressões de grandes grupos econômicos. “Não é isso”, disse. Ele observa que o produto não passou por estudos que demonstrem sua eficácia, sua segurança. Não há prazo para que estudos sejam concluídos.
     
    “Vamos fazer de forma ágil. Se ela for boa, aí sim, médicos poderão prescrevê-la, liminares poderão ser concedidas. E se ela não tiver efeitos esperados, se não for segura, que se descarte e não fique essa celeuma.”
     
    Desenvolvida por um grupo de pesquisadores liderados pelo químico Gilberto Chierice, hoje professor aposentado, a substância foi durante anos fornecida gratuitamente para pessoas interessadas, mesmo sem ter passado por testes necessários.
     
    Em setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo vetou a distribuição. Dias depois, no entanto, o Supremo Tribunal Federal decidiu em favor de um pedido feito por pacientes. O descompasso acabou gerando uma onda de liminares solicitando a liberação do produto.
     
    Fonte: UOL Saúde
  • Novos remédios prometem efeitos mais duradouros contra a psoríase

    Novos remédios prometem efeitos mais duradouros contra a psoríase

    Quem sofre de psoríase –uma doença crônica autoimune que causa placas avermelhadas na pele – tem à disposição algumas opções de tratamento, como pomada, fototerapia e também drogas orais e injetáveis.
     
    O problema é que, não raro, tais opções acabam parando de funcionar. E não se sabe muito bem o porquê.
     
    Um dos desafios da indústria farmacêutica é, portanto, descobrir novas drogas que tenham ação mais prolongada. E, de preferência, com menos efeitos adversos.
     
    Os imunobiológicos têm cumprido bem esses requisitos, principalmente para casos moderados e graves. Batizados com o sufixo “mabe”, eles são usados para tratar câncer e doenças autoimunes e agem como os nossos anticorpos. Com ação mais específica, atacam o que importa e poupam as células sadias.
     
    A bola da vez contra a psoríase são novos remédios imunobiológicos que inibem a interleucina 17 –proteína que envia um sinal para células da pele e faz com que elas cresçam exageradamente, causando a pele grossa e as placas típicas da doença.
     
    Três farmacêuticas estão conduzindo estudos com drogas anti-IL 17.
     
    A droga da Novartis, o secuquinumabe, já foi aprovada na União Europeia, nos EUA, Austrália, Chile, Japão, Canadá, Argentina e México, mas não no Brasil. As outras, da Eli Lilly e da AstraZeneca, ainda estão em estudo.
     
    Um estudo com o secuquinumabe, apresentado no congresso anual da Academia Europeia de Dermatologia, em Copenhague, mostrou que, após três anos, 64% dos 320 pacientes mantiveram índice de 90% de melhora. Índice similar, de 85% de melhora, foi obtido por 83% dos pacientes no período.
     
    Em estudo de fase 3 (última antes da aprovação) com 679 pacientes de 24 países, 79% deles tiveram melhora de 90% na 16ª semana, em comparação com 57,6% dos pacientes que usaram o Stellara, biológico da Janssen que tem outra proteína como alvo e já foi aprovado no Brasil.
     
    “As novas drogas parecem mais efetivas e estamos esperançosos com resultados duradouros, mas ainda não são a cura”, diz Marcelo Arnone, médico da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia).UM DE CADA VEZ
     
    Arnone lembra que, pelo Consenso Brasileiro de Psoríase, o paciente deve iniciar o tratamento da doença moderada a grave pela fototerapia. Em caso de falha, passa para remédios sistêmicos (metotrexato, acitretina, ciclosporina), antes de usar drogas biológicas.
     
    “Tem pacientes que ficam anos com o mesmo remédio, mas muitos perdem a resposta, talvez porque o organismo produza anticorpos contra a medicação”, diz Ricardo Romiti, médico responsável pelo ambulatório de psoríase do HC da USP. “Se os outros remédios não funcionarem ou produzirem muitos efeitos colaterais, há a opção dos biológicos, que funcionam mais como um tiro ao alvo.”
     
    Romiti, porém, chama atenção para o fato de que os biológicos também têm efeitos colaterais, ainda que mais leves que as drogas tradicionais, como infecções respiratórias e candidíase.
     
    Cerca de 2% da população mundial tem psoríase, mas há variações regionais. No Brasil, a SBD começou uma pesquisa por telefone para estimar a prevalência no país.
     
    Há evidências de que o prejuízo físico e mental dos pacientes com psoríase é comparável ou maior do que o experimentado por pacientes com câncer, artrite, cardiopatias, diabetes e depressão.
     
    ATÉ R$ 40 MIL
     
    Os novos biológicos contra a psoríase podem ser promissores, mas, como outras drogas modernas lançadas para tratar câncer, colesterol e hepatite C, esbarram no custo.
     
    O preço de referência do secuquinumabe (nova droga contra psoríase) no exterior é de cerca R$ 4.820. Ele é usado a cada dois ou três meses.
     
    Há quatro biológicos já aprovados pela Anvisa, mas nenhum deles é oferecido pelo SUS. De acordo com o dermatologista Marcelo Arnone, o custo anual delas pode ser de R$ 40 mil ao ano.
     
    Segundo avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS de 2012, a duração média dos estudos clínicos que avaliaram a eficácia desses remédios para psoríase é curta e há incerteza quanto à melhor terapêutica de longo prazo.
     
    “A maioria dos pacientes brasileiros ainda vai receber o tratamento convencional, Biológicos são caros. Vamos encarar os fatos: tomamos decisões de acordo com a ciência, mas também com relação ao custo”, diz Kristian Reich, professor de dermatologia da Universidade Georg-August de Göttingen, na Alemanha.
     
    Segundo Marcos Bosi Ferraz, professor-adjunto de economia e gestão em saúde da Unifesp, grandes investimentos em inovação de drogas voltadas para grupos específicos explicam os preços. “O lançamento de novas tecnologias cresce mais rápido do que o enriquecimento da nação. Não há sistema de saúde que aguente.”
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Icesp ofereceu estrutura para testar droga contra câncer

    Icesp ofereceu estrutura para testar droga contra câncer

    O Instituto do Câncer de Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) ofereceu sua estrutura para testar clinicamente a fosfoetanolamina, distribuída na USP de São Carlos e supostamente capaz de curar o câncer. Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp, afirma que entrou em contato tanto com os pesquisadores da USP quanto como seu reitor, Marco Antonio Zago. Este se mostrou interessado, mas Hoff ainda não recebeu uma resposta dos cientistas de São Carlos.
     
    A cápsula é alardeada como cura para diversos tipos de câncer, mas ainda não passou por testes em humanos necessários para testar sua eficácia. Ela não tem registro na Anvisa e seus efeitos nos pacientes são desconhecidos. “O necessário agora é um estudo clínico, em vez de sair distribuindo o produto”, afirma Hoff. “Naturalmente não precisa ser feito conosco,mas acho que, se um produto apresenta evidências pré-clínicas interessantes, deve ser avaliado da maneira estabelecida internacionalmente.” Nesta terça-feira, o presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes, teve uma reunião com o ministro do STF Luiz Edson Fachin, que concedeu uma liminar que liberou a entrega das cápsulas a um paciente do Rio de Janeiro.
     
    “O ministro acha que o Supremo não é o lugar para discutir e que a Justiça tem que participar, mas que é um assunto relacionado as entidades médicas e cientificas. Acho que ele tem razão.” O ministro tem ressaltado que sua decisão foi “excepcional” e não abre precedente para que outros pacientes em situações diferentes consigam acesso às cápsula.
     
    Debate 
     
    A TV Folha promoveu nesta terça-feira um debate sobre a fosfoetanolamina. Mediado pela repórter especial Cláudia Collucci, o encontro teve como convidados o médico Drauzio Varella, colunista da Folha, e o farmacêutico Adilson Kleber Ferreira, coautor de seis pesquisas com a substância publicadas em revistas científicas internacionais entre 2011 e 2013. “O que a gente chama de câncer não é uma doença só.
     
    É impossível que uma droga seja útil contra todos os tumores”, afirmou Drauzio. “Em 40 anos de profissão, nunca vi um tratamento alternativo curar o câncer.’” “Se funciona para camundongo então funciona para outras espécies? Não utilizamos essa lógica nem na medicina veterinária.” Ferreira concordou com a necessidade de cautela na distribuição de medicamentos.
     
    “Precisamos de um plano para conter esse caos de gente indo a São Carlos em busca da droga, com acompanhamento médico”, disse.
     
    Questionado se daria a substância a um parente terminal de câncer, Ferreira foi enfático: “Não”. Para Drauzio, os conselhos de medicina precisam se posicionar, já que muitos médicos estão orientando pacientes a buscarem a Justiça para obter a droga.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
     
  • Hackers chineses buscam segredos da saúde dos EUA

    Hackers chineses buscam segredos da saúde dos EUA

    Hackers na China penetraram na segunda maior seguradora de saúde nos EUA para compreender como é estruturado o sistema de atendimento médico nos EUA, em meio aos esforços de Pequim no sentido de proporcionar atendimento de saúde a uma população em envelhecimento. Essa é a conclusão a que chegaram investigadores americanos.
     
    A revelação apresenta uma nova possível faceta do ataque cibernético contra a Anthem, que em fevereiro divulgou que a violação de seu banco de dados havia comprometido as informações pessoais de quase 80 milhões de segurados.
     
    A Anthem e outras empresas do setor de saúde foram invadidas na mesma época, afirmaram pessoas a par dos casos. A seguradora Premera disse em março ter sido vítima de hackers, que se apropriaram de informações sobre cerca de 11 milhões de pessoas.
     
    À medida que a população chinesa torna-se mais rica e mais exigente, questões relacionadas com assistência médica estão passando a ser um dos temas mais politicamente delicados com que Pequim se defronta.
     
    A China comprometeu-se a fornecer acesso universal a atendimento de saúde de qualidade para todos os cidadãos a partir de 2020. Mas há intensa insatisfação com o custo e a qualidade dos cuidados de saúde, o que tem provocado muitos ataques contra pessoal médico e um fosso crescente e politicamente perigoso entre ricos e pobres no que diz respeito a acesso a atendimento de saúde.
     
    Os ataques cibernéticos que, acredita-se, têm origem na China são um assunto espinhoso para as relações do país com os EUA.
     
    Dados de saúde tornaram-se algumas das informações mais valiosas que podem ser vendidas no mercado negro da internet, fazendo do setor um alvo popular para os hackers. Oitenta e um por cento dos executivos do setor de saúde dizem que suas empresas foram alvo de tentativas de ataque cibernético nos últimos dois anos, segundo um relatório da KPMG.
     
    Pessoas familiarizadas com a investigação envolvendo a Anthem acreditam que o desejo de obter acesso a propriedade intelectual e segredos comerciais foi a justificativa para o ataque. O banco de dados da Anthem, que inclui muitos funcionários do governo americano, também poderia ser útil para as agências de inteligência chinesas.
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • USP pode sofrer sanção se distribuir `pílula do câncer`

    USP pode sofrer sanção se distribuir `pílula do câncer`

    A Universidade de São Paulo (USP) corre o risco de sofrer sanções severas caso passe a fabricar as pílulas de fosfoetanolamina sintética para distribuição. O alerta é feito pelo diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa. Segundo ele, a distribuição da substância pode ser considerada ilegal por não ter passado por testes clínicos, não ter aprovação da agência federal e não ser produzida em um laboratório de medicamentos. Atualmente, a universidade produz as pílulas apenas para os casos de solicitação jurídica. A USP informou que não vai se pronunciar sobre o caso.
     
    A pílula com suposta ação contra o câncer vinha sendo produzida no Instituto de Química da USP de São Carlos, onde foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores liderados pelo químico Gilberto Orivaldo Chierice, hoje professor aposentado. Mesmo sem ter passado pelos testes exigidos pela legislação, foi fornecida gratuitamente a interessados até o dia 29 de setembro, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vetou a distribuição.
     
    No dia 8 deste mês, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em favor de uma pessoa que solicitou judicialmente o acesso à droga, levando o TJ-SP a voltar atrás e desencadeando uma chuva de liminares pela liberação. A universidade recebia, na semana passada, de 40 a 50 pedidos diários com base em liminares. “Como por enquanto a USP parou a fabricação (para distribuição), tudo fica como está. Mas se a universidade voltar a fabricar a pílula, seguramente pode-se fazer uma inspeção sanitária e fechar o laboratório”, disse Barbosa ao Estado.
     
    O diretor da Anvisa, no entanto, admite que o caso é complicado, já que a própria agência não considera que a substância seja um medicamento, o que pode dificultar as sanções. “Do ponto de vista da legislação brasileira, a pílula não é um medicamento, porque só são consideradas dessa forma substâncias que passaram pelos testes clínicos e foram aprovadas pela Anvisa. E a agência só exerce sua função regulatória quando há testes clínicos, ou seja, quando há ensaios em humanos, o que não foi feito.” Dessa forma, segundo Barbosa, a pílula tem permanecido em uma espécie de zona cinzenta da legislação.
     
    “Mas, se for encarada como medicamento, é completamente ilegal: foi produzida em local não autorizado para fabricação de produtos para uso em humanos (em um laboratório de química) e foi distribuída para a população, como se fosse uma espécie de ensaio clínico informal, sem autorização da Anvisa nem das comissões de ética”, afirmou. “Um laboratório produtor de medicamentos que vende drogas sem registro sofre sanções gravíssimas, incluindo o fechamento. Mas é verdade que, nesse caso, não se trata de um medicamento nem de um laboratório de medicamentos.” 
     
    Crime
     
    Barbosa afirma que o artigo 273 do Código Penal caracteriza claramente como crime vender, distribuir ou entregar para consumo produto medicinal falsificado ou adulterado sem registro no órgão de vigilância sanitária competente. “A USP deveria interpelar esses pesquisadores e, se os resultados de seus estudos são promissores, ela deve estimular a realização dos testes clínicos. ”A decisão do Supremo, no entanto, complicou a situação da universidade, segundo Barbosa.
     
    “A USP decidiu acertadamente suspender a produção quando tomou conhecimento do caso. Mas a decisão do STF, sem base na ciência nem nas regras de pesquisa, causou uma confusão. É preciso proibir a distribuição da pílula. A ordem do STF mandando produzir algo fora das regras legais criou uma situação complexa”, disse.
     
    Depois de liberar a pílula para um paciente do Rio, obrigando a USP a fornecer a substância, o ministro do STF Luiz Edson Fachin alegou que a decisão foi excepcional, em razão de um “paciente cuja narrativa foi que estava em estado terminal”. Para Barbosa, porém, essa explicação pode ter sido fundamentada em um equívoco. “A confusão do STF é que ele considerou a pílula um medicamento em fase experimental, o que não é.” Segundo Barbosa, Fachin pode ter considerado a aplicação da pílula como um caso de “uso compassivo”, um princípio que permite liberar um medicamento sem o registro da Anvisa.
     
    “Esse princípio se aplica quando temos um medicamento novo e promissor, já na última fase de testes clínicos, destinado a pacientes com doenças graves que não tenham alternativas de terapia com medicamentos registrados. Mas isso não se aplica à pílula de fosfoetanolamina, que nem mesmo chegou à fase de testes clínicos.” 
     
    Desespero
     
    A reitoria da USP não quis comentar o caso e declarou apenas que reitera anota oficial publicada no dia 14, na qual afirma que “a pílula não é remédio” e que estuda “a possibilidade de denunciar, ao Ministério Público, os profissionais que estão se beneficiando do desespero e da fragilidade das famílias e dos pacientes”.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Pílula inteligente avisa quando paciente ingere medicamento

    Pílula inteligente avisa quando paciente ingere medicamento

    A pílula inteligente contém um transmissor eletrônico, que tem o tamanho de um grão de areia. Depois de ser engolida, ela vai para o sistema digestivo e é dissolvida pelo suco gástrico. Quando isso acontece, os ácidos presentes no suco entram em contato com o transmissor eletrônico – que é feito de cobre e magnésio. 
     
    Isso gera uma reação de oxirredução, em que o magnésio doa elétrons para o cobre, criando uma corrente de energia, conduzida pelo meio ácido. O transmissor entra em ação e envia pulsos elétricos para um sensor – um pequeno adesivo, que a pessoa deve colar na barriga. O sinal é verificado e enviado para o smartphone do paciente e do seu médico, avisando se a pílula foi tomada.
     
    A nova tecnologia, que se chama Proteus e ainda aguarda aprovação da agência reguladora norte-americana, FDA, é um meio de garantir que os pacientes realmente estão ingerindo os medicamentos com a frequência recomendada, já que estudos apontam que aproximadamente metade das pessoas não toma os medicamentos de acordo com a orientação médica.
     
    Fonte: Guia da Farmácia Online
  • Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas?

    Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas?

    Antes de novos medicamentos serem colocados à venda, testes clínicos avaliam seu desempenho na comparação com o de remédios inertes conhecidos como placebos. Mas pesquisas mostram que, nos últimos 25 anos, a diferença de eficácia entre medicamentos reais e falsos diminuiu – mais nos Estados Unidos do que em outros países. Os americanos são mais suscetíveis ao efeito placebo, ou há outra explicação para isso?
     
    O fenômeno em que pacientes se sentem melhor simplesmente porque acreditam que um tratamento os ajudará é conhecido como efeito placebo. Para testar o efeito placebo, são realizados testes clínicos em que alguns participantes recebem a droga real e outros recebem placebo – normalmente, os participantes não sabem qual remédio estão tomando.
     
    A eficácia do medicamento é determinada pela diferença entre o efeito placebo – o quanto pacientes neste grupo se sentem melhor – do efeito do medicamento. Para que um remédio seja colocado à venda nos EUA, ele precisa superar a performance do placebo por uma margem significativa.
     
    Mas parece que isso está ocorrendo cada vez menos, porque o efeito placebo está aumentando gradualmente. Testes mostram que alguns conhecidos medicamentos para depressão e ansiedade teriam dificuldades em passar em seus testes clínicos se fossem testados novamente em 2015.
     
    Essa tendência virou uma grande dor de cabeça para a indústria farmacêutica. Muitas drogas fracassaram nos testes clínicos finais – medicamentos que, a essa altura, já tinham consumido mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento.
     
    Ninguém sabe por que o efeito placebo está aumentando, mas um novo estudo da revista científica Pain (“Dor”) pode ajudar a descobrir respostas.
     
    Ao analisar dados de 80 testes de medicamentos para dor neuropática, os pesquisadores, coordenados por Jeffrey Mogil, da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), descobriram que a tendência estava sendo puxada por estudos conduzidos nos EUA – onde se verificou que os participantes pareciam sentir melhoras pelo simples fato de estarem participando desses testes, independentemente de terem tomado o remédio ou o placebo.
     
    Mas o que faz com que americanos sejam mais suscetíveis ao efeito placebo?
     
    No topo da lista das possíveis explicações está o fato de que, ao contrário de alguns outros países, a propaganda de medicamentos dirigida diretamente ao consumidor é permitida nos EUA.
     
    O efeito placebo está ligado à expectativa dos pacientes, e os anúncios podem estar tendo efeitos nas mentes de pacientes tomando remédios, mesmo como parte de um teste clínico.
     
    A hipótese preferida de Mogil, entretanto, não tem relação com propaganda mas com o fato de os testes americanos terem se tornado maiores e durarem mais tempo que os feitos fora dos EUA.
     
    Para ele, as farmacêuticas provavelmente esperavam que testes maiores e mais ambiciosos fossem mais eficientes para demonstrar os efeitos reais das drogas, mas pode ter acontecido o contrário.
     
    Um teste ambicioso que envolve altos gastos pode gerar toda uma série de pequenos fatores que, juntos, acabam dando espaço à crença dos pacientes de que estão participando de um processo benéfico. O mero fato de criar um logotipo para um teste, por exemplo, pode fazer a pessoa se sentir mais otimista.
     
    Mogil acredita que empresas americanas costumam contratar mais organizações de pesquisas para realizar o teste. Pode ser que os funcionários que trabalham para essas empresas sejam mais simpáticos que os ocupados pesquisadores que conduzem testes acadêmicos. Só isso já é outro fator que pode fazer as pessoas se sentirem melhor.
     
    “Houve uma pressão para reunir dados, para não ter dados faltando”, diz John Farrar, um neurologista e epidemiologista da Universidade da Pensilvânia.
     
    “Então presta-se muito mais atenção aos pacientes, há muito mais contato com pacientes para se certificar que preencham os formulários corretamente, e houve um aumento no que é dito sobre a atividade da droga – eles falam mais sobre a ciência por trás dela, como pode funcionar, etc. E tudo isso leva, potencialmente, a grandes expectativas em pacientes.”
     
    Tendência preocupa farmacêuticas
     
    Mas Farrar acrescenta que os fins lucrativos das empresas de pesquisa podem estar fazendo com que recrutem pessoas que não deveriam estar fazendo testes em princípio. Um médico procurando participantes pode encorajá-los a classificar seus sintomas como mais graves do que eles realmente são para que possam participar do teste.
     
    “Também houve um aumento do que chamamos de 'pacientes profissionais' – pacientes que se candidatam a testes clínicos porque descobrem que podem fazer dinheiro com isso”, diz Farrar.
     
    Em ambos os cenários, após serem aceitos para os testes, os pacientes podem começar a dar relatos mais precisos sobre seus sintomas, que podem ser considerados como respostas positivas a placebos.
     
    Farrar defende mudanças no formato dos testes para reduzir o efeito placebo, como mais controle ao recrutar pacientes, ser mais específico sobre critérios de seleção e acrescentar um terceiro grupo aos testes, que tomaria um medicamento já aprovado – se este grupo e o grupo que recebe o novo medicamento não superarem o placebo, os pesquisadores saberiam que o teste é falho.
     
    Também há uma tentativa de diminuir, por meio de conversas com pacientes, suas expectativas sobre fazer parte de um teste. Qual a melhor forma de fazer isso? “Diremos a verdade a eles”, diz Nathaniel Katz, presidente da Analgesic Solutions, uma consultoria que ajuda farmacêuticas a evitar fracassos em testes.
     
    Sua empresa também treina funcionários que participam de testes para evitar “linguagem corporal otimista inapropriada”, como colocar o braço ao redor do paciente, apertar sua mão ou olhá-los nos olhos. “Isso aumenta as expectativas”, diz Katz.
     
    Mas ele acrescenta que, se você diminuir muito as expectativas dos pacientes você certamente irá minimizar o efeito placebo, mas você também pode diminuir o efeito do medicamento sendo testado.
     
    Isso foi demonstrado em uma experiência no ano passado feita por Ted Kaptchuk na Escola de Medicina de Harvard. Ele deu a pacientes com enxaqueca o remédio Maxalt ou placebo. Mas eles foram divididos em três subgrupos. Os grupos receberam seu envelope com um dos três selos: “Maxalt”, “Placebo” ou “Maxalt ou placebo”.
     
    “Quando dávamos a eles placebo e o envelope dizia Maxalt, a resposta positiva foi muito boa”, disse Kaptchuk à BBC. “Quando demos Maxalt e dissemos que era placebo, a resposta foi a mesma, o que significa que, só por mudar as palavras no envelope, podemos fazer o placebo tão eficaz quanto o medicamento.”
     
    O desafio, na visão de Kaptchuk, é achar uma forma de traduzir o extraordinário poder do placebo na prática diária do dia a dia. Enquanto pesquisadores tentam diminuir as expectativas dos pacientes, médicos fora dos laboratórios deveriam poder tirar proveito dessa fabulosa força da imaginação para ajudar seus pacientes.
     
    Fonte: BBC Brasil