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  • Mortalidade materna caiu para quase metade em 25 anos

    Mortalidade materna caiu para quase metade em 25 anos

    O número de mortes de mulheres relacionadas com a gravidez caiu para quase metade no mundo em 25 anos, mas apenas nove países, incluindo Cabo Verde e Timor Leste, alcançaram os objetivos fixados pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostram dados divulgados hoje (12).
     
    “O relatório mostra que no fim de 2015 a mortalidade materna terá caído 44% relativamente aos níveis de 1990”, afirmou Lale Say, coordenadora do Departamento de Saúde Reprodutiva e Investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
     
    “Trata-se de enorme progresso, mas o avanço é desigual entre os países, em diferentes regiões do mundo”, com 99% das mortes a envolver países em desenvolvimento, disse a especialista, em entrevista em Genebra.
     
    O relatório, publicado simultaneamente na revista médica britânica The Lancet, elaborado por agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial, informa que, em 2015, cerca de 303 mil mulheres morreram em consequência de complicações da gravidez ou até seis semanas depois do parto, contra 532 mil em 1990.
     
    “Isso equivale a um número global estimado de 216 mortes maternas por 100 mil nascidos-vivos, menos 385 em relação a 1990”, acrescenta o documento.
     
    Como parte dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – adotados em 2000 – os Estados-Membros da ONU comprometeram-se a reduzir a taxa de mortalidade materna em 75% em 2015, relativamente a 1990.
     
    Contudo, apenas nove países em todo o mundo cumpriram essa meta (Butão, Cabo Verde, Camboja, Irã, Laos, Maldivas, Mongólia, Ruanda e Timor Leste). Mais 39 países registraram “progressos significativos”, afirmou Lale Say.
     
    A melhoria mais relevante no plano mundial foi observada no Leste da Ásia, onde a taxa de mortalidade materna caiu de aproximadamente 95 para 27 por cada 100 mil nascidos-vivos.
     
    A África Subsaariana é responsável por duas em cada três mortes em todo o mundo. “No entanto, isso representa uma grande melhoria: a África Subsariana viu as mortes maternas caírem quase 45%” durante os últimos 25 anos, diz o relatório, citado pela agência France Press.
     
    “Garantir o acesso a serviços de saúde de elevada qualidade durante a gravidez e no nascimento da criança está ajudando a salvar vidas”, destaca.
     
    A ONU definiu agora o objetivo de reduzir o número de mortes maternas para menos de 70 em cada 100 mil nascidos-vivos até 2030. Mas atingir essa meta requer muito mais esforço, afirmou o diretor executivo do Fundo das Nações Unidas para a População (Fnuap), Babatunde Osotimehin.
     
    “Se falharmos em dar um grande impulso agora, em 2030 vamos nos deparar novamente com uma meta falha em relação às mortes maternas”, acrescentou.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Supremo julgará fornecimento de medicamentos pelo Estado

    Supremo julgará fornecimento de medicamentos pelo Estado

    O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá analisar nesta quinta-feira uma questão que afeta fortemente os cofres públicos: o fornecimento de medicamentos e tratamentos médicos não listados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estão na pauta três recursos e uma proposta de súmula vinculante. Só para a União o impacto de uma derrota em todos os processos em andamento no Judiciário seria de R$ 2,08 bilhões, de acordo com o anexo “Riscos Fiscais” da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano.
     
    A proposta de súmula vinculante foi apresentada pela Defensoria Pública da União. O órgão defende a edição de texto sobre a responsabilidade solidária dos três níveis de governo (União, Estados e municípios) e a possibilidade de bloqueio de valores para o cumprimento de decisões – questão que foi definida apenas em repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
     
    Antes, porém, os ministros terão que finalizar julgamento de embargos de declaração da União contra a decisão sobre a responsabilidade solidária, proferida em março. No recurso, questiona, além do mérito, o fato de o Supremo ter definido a questão por meio do Plenário Virtual e por maioria de votos.
     
    Para o governo federal, como não houve unanimidade para reafirmação da jurisprudência, o processo deveria ser analisado novamente pelos ministros e de forma presencial. O julgamento dos embargos foi iniciado em agosto, com o voto do relator, ministro Luiz Fux, contrário à União.
     
    No caso, os ministros terão que definir inicialmente se cabem embargos de declaração contra decisão do Plenário Virtual e se, em caso de aceitação, o recurso deve ser analisado por meio físico ou eletrônico.
     
    Ainda estão na pauta dois recursos de relatoria do ministro Marco Aurélio. No primeiro, que tramita desde 2007, vão discutir se o Estado é obrigado a fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para comprá-lo.
     
    De acordo com o relator, no caso a questão é saber se a liberação desses remédios pode, por seu custo, “colocar em risco” o atendimento de toda a população, que depende de algum medicamento, de uso costumeiro.
     
    O processo a ser analisado pelos ministros foi ajuizado por um paciente com hipertensão pulmonar contra o Rio Grande do Norte. Ao todo, 20 Estados e o Distrito Federal, além da União e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estão listados como interessados.
     
    No outro recurso, os ministros debaterão o fornecimento de medicamentos não registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O caso foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Os desembargadores entenderam que, apesar de o direito à saúde encontrar previsão nos artigos 6 e 196 da Constituição, não se pode obrigar o Estado a fornecer remédio sem registro na Anvisa.
     
    As questões, segundo afirmou ao Valor o ministro Marco Aurélio, devem ser analisadas com cautela “para não priorizar o interesse individual em relação ao coletivo”. “Às vezes, o juiz é pressionado pela sua consciência e autoriza o fornecimento de um dado medicamento. Porém, poderia ter indicado outro mais barato e com o mesmo efeito. Cabe ao STF ser o fiel da balança e dar a última palavra para orientar essa situação”, disse.
     
    É um movimento que não para de crescer, de acordo com o coordenador judicial de saúde pública da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) de São Paulo, Luiz Duarte de Oliveira. “O número de ações vem aumentando de 10% a 12% ao ano”, afirmou.
     
    A expectativa é de se fechar o ano com 20 mil novas ações e com desembolsos pelo Estado que somam cerca de R$ 1 bilhão. “É um movimento que preocupa. Há processos sem prescrição médica”, disse Oliveira, referindo-se a pedidos de fornecimento da “fosfoetanolamina sintética”, substância desenvolvida no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) para combate ao câncer.
     
    A Advocacia-Geral da União (AGU) entende, de acordo com nota enviada ao Valor, que “a melhor forma de concretizar o direito à saúde da população é com políticas públicas bem planejadas e executadas, e a judicialização do SUS traz riscos de desorganização e prejuízo à coletividade”.
     
    Apesar de a jurisprudência ser favorável aos pacientes, continua a demora para o cumprimento das decisões. Com o problema, o STJ discute a possibilidade de se fixar multa por descumprimento (veja STJ discute aplicação de multa por descumprimento de ordem judicial).
     
    Fonte: Valor Econômico
     
  • Pessoas sem sintomas de dengue podem infectar os mosquitos

    Pessoas sem sintomas de dengue podem infectar os mosquitos

    Pessoas sem sintomas podem passar vírus aos mosquitos. Um estudo liderado por unidades internacionais do Instituto Pasteur mostra que pessoas com dengue e que não apresentam qualquer sintoma da doença podem transmitir o vírus para mosquitos, caso venham a ser picadas. Assim, o inseto pode levar a dengue a outros seres humanos, renovando o ciclo de transmissão. Até hoje, de acordo com o estudo, consideravase que os assintomáticos tinham carga viral baixa demais para conseguir infectar mosquitos. Mas a pesquisa publicada ontem, na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), revela que esses pacientes são até mais infecciosos do que aqueles em que os sintomas se manifestam.
     
    — Uma hipótese para a eficiência dos assintomáticos em transmitir o vírus seria que a carga viral, embora menor, aumente dentro do mosquito — diz o infectologista Celso Granato, do Fleury Medicina e Saúde.
     
    A pesquisa destaca que os estudos anteriores sobre a transmissão de homem para inseto limitaram-se a pessoas com a doença aparente. No entanto, estima-se que 300 milhões do total de 390 milhões de infecções de dengue por ano, o que equivale a cerca de 75%, sejam clinicamente despercebidas ou semissintomáticas. Como essas pessoas não são internadas ou observadas por um médico, têm mais possibilidade de entrar em contato com o Aedes aegypti.
     
    O estudo reuniu um total de 181 participantes com o vírus detectável no sangue. Destes, 126 apresentavam sintomas da doença; 42 passaram a apresentar sintomas ao longo do estudo; e 13 não tinham qualquer manifestação e assim se mantiveram por pelo menos dez dias depois da pesquisa. Para realizar o experimento, os cientistas fizeram alguns Aedes aegypti se alimentarem do sangue dos participantes, tanto de forma direta — picando as pessoas — quanto indireta — com alimentador artificial.
     
    “Não só mais mosquitos foram infectados quando alimentados com o sangue dos participantes assintomáticos, mas também esses mosquitos apresentaram significativamente mais cópias de genoma viral em seus corpos do que aqueles infectados pelo sangue de participantes com sintomas”, diz o estudo.
     
    José Cerbino Neto, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), no entanto, pondera que não é possível tirar, a partir do estudo, conclusões que mudem a forma de controle da doença.
     
    — O experimento contou só com 13 assintomáticos, muito pouco. O resultado talvez ajude a alterar os modelos matemáticos que usamos para calcular os riscos de transmissão, mas, na prática, pouca coisa muda — diz.
    A pesquisa destaca que há 3,97 bilhões, em 128 países, sob risco de infecção por dengue, doença que mata mais do que qualquer outra que se origine de arbovírus — em que insetos participam do ciclo de transmissão.
     
    Fonte: O Globo
     
     
  • Tribunal libera importação de componente da maconha

    Tribunal libera importação de componente da maconha

    O Tribunal Regional Federal do Distrito Federal (TRF-DF) determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exclua por dez dias o Tetrahidrocanabinol (THC), um componente da maconha, da lista de substâncias proibidas no País. A decisão também autoriza a importação com fins medicinais e pesquisa de produtos à base de THC e de canabidiol (CBD) – que já foi liberado para uso controlado no Brasil.
     
    O juiz federal Marcelo Rebello também determinou que a Anvisa e o Ministério da Saúde “autorizem e fiscalizem pesquisas científicas da cannabis sativa”, nome científico da planta da maconha mais comum, “e de quaisquer outras espécies e variedades de cannabis, bem como dos produtos obtidos a partir dessas plantas”.
     
    O magistrado acatou, em caráter liminar, parte do pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF), ajuizado no ano passado. Os derivados da maconha têm sido pesquisados para o tratamento de doenças graves como a epilepsia refratária, o mal de Parkinson e a esclerose múltipla em vários locais. A Anvisa informou que ainda não foi notificada oficialmente do despacho do magistrado.
     
    Legalização
     
    A decisão representa uma mudança no Brasil na forma como é regulamentado o uso de derivados da maconha. Mas o juiz destacou que sua decisão se restringe apenas às aplicações com fins medicinais da maconha. Ele ressalta que a discussão da liberação da droga deve ser analisada pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Mesmo assim, Rebello pondera que a maneira “proibitiva” como o assunto vem sendo tratado no País atrapalha a vida de quem depende de medicamentos.“Nãoépossível permitir que a política do proibicionismo seja empecilho àconsecuçãodobem-estarindividual”, afirmou.
     
    Outra solicitação do MPF – ainda não apreciada – trata da importação provisória de sementes da cannabis com o propósito medicinal.Nos argumentos apresentados na ação, os procuradores enfatizam que o uso medicinal da maconha não é algo recente na história humana e não existe no mercado legal substâncias ou medicamentos totalmente seguros.
     
    Neste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a julgar uma ação que pode levar à descriminalização do uso da droga. Três dos 11 ministros já votaram pela descriminalização do porte de maconha para consumo próprio e dois decidiram que o mesmo deve valer para o plantio de até seis pés da planta. O julgamento foi interrompido em setembro por um pedido de vista do ministro Teori Zavascki.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Aberto processo eleitoral para escolha de conselheiros e Diretoria

    Aberto processo eleitoral para escolha de conselheiros e Diretoria

    CRF-AL criou página que vai abrigar todos os atos oficiais do pleito 
     
    O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Alagoas (CRF-AL) publicado no DOU de 02/07/2015, o Edital de Convocação de eleições para preenchimento de vagas de Conselheiros Regionais, Conselheiro Federal e respectivo Suplente e renovação dos cargos de Diretoria da entidade.
     
    O período de inscrições dos candidatos vai de 03 a 07 de agosto de 2015, na Sede do CRF-AL. As eleições ocorrerão durante 48 (quarenta e oito) horas ininterruptas, a partir de 12:00 horas de 9 de novembro de 2015 às 12:00 horas do dia 11 de novembro de 2015.
     
    O voto será exercido exclusivamente pela internet, sendo observada a inviolabilidade e o sigilo. A votação poderá ser realizada em qualquer computador ou aparelho com acesso seguro a internet, no endereço ou sítio eletrônico a ser oportunamente divulgado.
     
    Sempre na observância dos preceitos da transparência e da democracia, O CRF-AL criou uma área específica aqui neste site (https://wordpress.crf-al.org.br/files/downloads/MTkxMDQz.pdf) para abrigar todos os atos oficiais do pleito.
     
  • ” sobre violência contra a mulher

    ” sobre violência contra a mulher

    Rio – Foi lançado nesta segunda-feira, 9, no Rio de Janeiro o Dicionário Feminino da Infâmia, obra que apresenta, por meio de 187 verbetes, um panorama sobre a violência contra a mulher. Nas 422 páginas figuram tópicos como aborto, estupro, impunidade, machismo, mito do amor romântico, mutilação genital feminina e repressão sexual. Os verbetes foram escritos por médicos, enfermeiros, juristas, psicólogos, sociólogos e profissionais de áreas variadas.
     
    Publicado pela Editora Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o livro é resultado de uma pesquisa de cinco anos e foi organizado por Elizabeth Fleury-Teixeira, coordenadora do Comitê Nacional Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, e pela médica e professora Stela Meneghel. 
     
    Cinco mil exemplares custeados pelo Ministério da Saúde serão distribuídos a profissionais de saúde que atendem mulheres vítimas de violência. A seleção dos verbetes foi concluída em julho de 2013, quando começou um processo de análise por profissionais das áreas envolvidas, que se estendeu por dois anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas criam impressão em 3D de tecidos do corpo humano

    Cientistas criam impressão em 3D de tecidos do corpo humano

    Impressão em 3D recria tecidos do corpo humano. Promessa para o futuro da medicina regenerativa por sua capacidade de se transformarem em qualquer tipo de tecido do corpo — o que teoricamente permitiria que sejam usadas, por exemplo, para produzir novos órgãos para uma pessoa que necessite de um transplante de rim ou coração —, as células-tronco ainda precisam superar muitos obstáculos rumo a efetivas aplicações clínicas neste sentido. Um deles é conseguir que formem grupos homogêneos, mas separados, que possam ser submetidos a um processo de diferenciação controlado, em que cada um destes “blocos”, tal qual peças de um brinquedo de montar, se torne um pedaço do músculo cardíaco, de um vaso sanguíneo, uma cartilagem ou qualquer outra estrutura biológica cujo conjunto forma um coração de fato.
    Esta possibilidade, no entanto, agora está mais próxima graças a trabalho de pesquisadores das universidades Tsinghua, na China, e Drexel, nos EUA. Eles desenvolveram um método de impressão em 3D destes blocos básicos de construção biológica em que as células-tronco embrionárias continuaram a proliferar de maneira uniforme, denominados por eles de “corpos embrioides”.
    — Foi realmente muito excitante ver que podíamos cultivar estes corpos embrioides de uma maneira tão controlada — conta Wei Sun, primeiro autor de artigo que relata o método, publicado na edição de hoje do periódico científico “Biofabrication”. — Os corpos embrioides produzidos são uniformes e homogêneos, servindo como um ponto de partida muito melhor para o posterior cultivo de tecidos.
    HOMOGENEIDADE
    Segundo os pesquisadores, seu método se diferencia de outras técnicas mais comuns nas tentativas de produzir estes blocos de construção biológicos — o cultivo bidimensional em placas de Petri ou por “suspensão”, em que as células se acumulam via gravidade, como as estalagmites em uma caverna — justamente por esta homogeneidade e proliferação. — Creio que produzimos um microambiente em 3D que é muito mais parecido com o encontrado o que explica o nível maior de proliferação celular — destaca Sun.
    Ainda de acordo com os cientistas, antes mesmo de chegar a ser fonte de matéria-prima para uma hipotética linha de produção de órgãos e tecidos, o método já é produtivo e confiável o suficiente para ser usado no fornecimento de material para outros pesquisadores realizarem experimentos com regeneração de tecidos ou testes de novos medicamentos.
    — O próximo passo é descobrir como podemos variar o tamanho dos corpos embrioides com alterações nos parâmetros estruturais e de impressão, e como esta variação pode levar à “manufatura” de diferentes tipos de células — acrescenta Rui Yao, coautor do artigo.
    Já no longo prazo os cientistas esperam desenvolver um método para produzir corpos embrioides que sejam heterogêneos de uma maneira controlada, ou seja, que cada uma de suas partes possa se diferenciar em variados tipos de células, replicando de forma ainda mais aproximada as condições de trabalho de uma eventual futura “fábrica de órgãos”. — Isso vai permitir que diferentes tipos de células se desenvolvam umas ao lado das outras, o que abrirá caminho para o início do cultivo de micro-órgãos em laboratório do zero — conclui Sun.
    Fonte: O Globo
  • Exame da próstata não faz o homem viver mais

    Exame da próstata não faz o homem viver mais

    Novembro mal começou e o bombardeio de informações sobre o câncer de próstata e a importância do PSA (antígeno prostático específico) está a todo vapor. De shoppings center a planos de saúde, todos estão mobilizados em torno da campanha Novembro Azul.
     
    Há uma sucessão de equívocos nessa iniciativa. Primeiro porque parece que a saúde do homem se resume a essa glândula localizada na parte baixa do abdômen. Perde-se aí uma ótima oportunidade para discutir outras coisas que realmente terão impacto na saúde masculina, como prática de atividade física, os maus hábitos (uso de álcool e outras drogas, tabaco etc), os acidentes de trânsito e a checagem dos níveis da pressão arterial e da glicemia.
     
    O outro equívoco é ainda mais sério. Cada vez mais as evidências científicas contraindicam a realização do PSA de rotina, em qualquer idade. Mas parece que, por desconhecimento ou interesses outros, as campanhas têm ignorado esse fato. Por aqui, há poucas vozes discordantes, uma delas é da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que distribuiu nota à imprensa sobre o assunto.
     
    Para começar, a SBMFC explica o conceito do rastreamento e porquê ele não se aplica ao exame da próstata. Rastreamento significa uma ação feita para identificar uma doença (ou fator de risco) antes que ela se manifeste ou piore, com o objetivo de diminuir o adoecimento e a mortalidade. Ou seja, fazer as pessoas viverem mais e melhor.
     
    É o que acontece, por exemplo, quando a pessoa faz uma sorologia de HIV ou uma coleta de papanicolau. Mas não é o que ocorre com o câncer da próstata e com o foco da campanha Novembro Azul.
     
    A campanha diz que “a única forma de garantir a cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce”, e recomenda que todos os homens com mais de 50 anos (ou 45, no caso de negros e parentes de primeiro grau de indivíduos que tiveram a doença) procurem anualmente um urologista para fazer o exame de toque retal e a dosagem de PSA no sangue.
     
    A SBMFC lembra que essa não é a recomendação de respeitadas instituições nacionais e estrangeiras. Em 2012, o United States Preventive Services Task Force (USPSTF) passou a contraindicar o rastreamento de câncer de próstata baseado em PSA para homens americanos de qualquer idade.
     
    Em 2013, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) passou a recomendar que não se organizassem programas de rastreamento para o câncer da próstata, e que homens que demandassem espontaneamente a realização de exames de rastreamento fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a essa prática, “por existirem evidências científicas de boa qualidade de que o rastreamento do câncer de próstata produz mais dano do que benefício”.
     
    Outras entidades reconhecidas internacionalmente, como o Canadian Task Force on Preventive Health Care, o American Academy of Family Physicians e o United Kingdom National Screening Comittee, fazem recomendações semelhantes.
     
    Os estudos que levaram a essas recomendações acompanharam milhares de homens por mais de dez anos, e mostraram que fazer PSA com ou sem toque retal não diminui a mortalidade geral dos homens, e muda muito pouco a mortalidade específica por câncer de próstata. Em outras palavras, lembra a SBMFC, homens que fazem o exame não morrem mais velhos, e morrem muito pouco menos de câncer de próstata.
     
    Esse pequeno benefício não compensa os potenciais malefícios, quase sempre relacionados à realização desnecessária de biópsia prostática (um procedimento que pode provocar sangramentos, febre, infecção prostática e retenção urinária), o impacto psicológico causado por um resultado falso positivo, e as sequelas do tratamento (é muito comum que os homens tenham incontinência urinária ou impotência sexual após a retirada da próstata).
     
    Isso acontece porque o exame não consegue diferenciar cânceres graves e mortais de cânceres que cresceriam lentamente e não viriam a matar o homem, ou seja, muitos acabam tendo os malefícios desnecessariamente, explica a nota.
     
    “A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade considera que os homens, de fato, precisam dar e receber mais atenção à sua saúde, mas as evidências científicas mais recentes deixam claro que isso não deve ser feito através da dosagem do PSA ou realização de toque retal em pessoas que não apresentam qualquer sintoma. Médicos e médicas devem, por uma questão ética, fornecer todas as informações relevantes para que seus pacientes possam decidir de forma esclarecida sobre questões relacionadas à própria saúde.”
     
    A manifestação da SBMFC é uma ótima oportunidade para que as entidades melhorem o nível de campanhas que visem a educação em saúde. Omitir esses dados na campanha Novembro Azul é um desserviço aos homens, às suas famílias, e aos sistemas de saúde, que desperdiçam recursos que poderiam estar sendo mais bem usados em ações efetivas de prevenção e promoção à saúde.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
  • Governo do RS tem interesse em testar e produzir

    Governo do RS tem interesse em testar e produzir

    O governo do Rio Grande do Sul manifestou interesse formal em realizar os testes e produzir a fosfoetalonamina sintética, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e usada para tratamento alternativo do câncer. Uma reunião realizada na noite desta quarta-feira, 4, na Assembleia Legislativa do Estado, definiu os termos de um contrato entre a equipe detentora da patente da substância e o Laboratório Farmacêutico do Rio Grande do Sul (Lafergs).
     
    O deputado Marlon Santos (PDT), organizador do evento, disse que o governador José Ivo Sartori (PMDB) deu aval para os testes com a substância. Os ensaios clínicos serão realizados em um hospital estadual. Uma equipe médica ligada à Secretaria da Saúde do Estado deve trabalhar em conjunto com os pesquisadores paulistas. “Vamos conseguir o registro da Anvisa e fazer o medicamento em nosso Estado para atender o Brasil todo”, disse o parlamentar. Segundo ele, alguns detalhes do contrato ou convênio com os pesquisadores ainda serão definidos.
     
    Ainda segundo o deputado, o presidente do Lafergs, Paulo Mayorga, informou aos presentes que a instituição tem condições de produzir as cápsulas. Os insumos devem ser fornecidos pela Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), vinculada ao governo estadual. Representantes dos ministérios públicos estadual e federal e do Tribunal de Justiça do Estado participaram do encontro.
     
    Dois pesquisadores envolvidos no projeto estiveram presentes. O ex-professor da USP, Gilberto Orivaldo Chierice, primeiro a sintetizar a substância, e o cancerologista Renato Meneguelo, um dos detentores da patente, participaram da reunião em videoconferência.
     
    Conforme noticiou o jornal O Estado de S. Paulo, o grupo detentor da patente contratou uma empresa para assessorar na obtenção do registro na Anvisa. As cápsulas da substância, que não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento, estão sendo entregues a pacientes com base em liminares dada pela Justiça. A produção é feita no Instituto de Química da USP em São Carlos.
     
    Riscos
     
    O laboratório já foi autuado pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo por não ter farmacêutico responsável e falta de condições adequadas para produzir medicamento. Em documento divulgado na terça-feira, 3, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) alertou para os riscos do consumo da fosfoetalonamina sintética como um método para o tratamento do câncer e recomendou que o produto não seja usado em seres humanos.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Fosfoetanolamina: Jarbas Barbosa assegura que estudos clínicos sobre a substância terão prioridade na análise

    Fosfoetanolamina: Jarbas Barbosa assegura que estudos clínicos sobre a substância terão prioridade na análise

    O Diretor-Presidente da Anvisa, Dr. Jarbas Barbosa, participou na manhã desta quinta (29), no Senado  Federal, de uma Audiência Pública destinada a debater a substância fosfoetanolamina, que, segundo seus pesquisadores, seria eficaz na cura do câncer. Realizada conjuntamente por deputados e senadores, a sessão recebeu pesquisadores, cientistas e pessoas interessadas no tema. Questionado sobre o papel da Anvisa em torno de toda a polêmica envolvendo a substância, Jarbas Barbosa foi enfático: “a Anvisa está no lado de proteger a saúde da população. Essa é a nossa missão legal e a de qualquer agência regulatória do mundo. Se nos forem apresentados todos os estudos necessários, eles serão priorizados em nossa análise. Mas não podemos liberar medicamentos que não passaram por esse crivo. Isso seria colocar em risco a saúde da população”.
     
    O Diretor-Presidente explicou que, para a liberação de um medicamento, se faz necessária uma série de ensaios clínicos. Esses estudos são exigidos por agências regulatórias do mundo inteiro e essenciais para comprovar se uma substância é segura e eficaz.
     
    Os detentores da patente da fosfoetanolamina ainda não apresentaram qualquer tipo de estudo à Anvisa. Porém, Dr. Jarbas explicou a todos que, uma vez iniciados os ensaios clínicos, a agência poderá apoiar e esclarecer qualquer dúvida que os pesquisadores venham a ter em relação ao protocolo necessário para o registro da substância.
     
    “A Anvisa está de portas abertas para apoiá-los”, ressaltou o Diretor-Presidente. “Mas é impossível nós termos, não só no Brasil, mas em qualquer país civilizado do mundo, um medicamento utilizado na população sem que todos os ensaios clínicos comprovem que ele é absolutamente seguro e eficaz”.
     
    Dr. Jarbas destacou, ainda, que a análise da substância pela agência será prioritária. Ele esclareceu que, dentro dos critérios da Anvisa, os medicamentos desenvolvidos no Brasil ou destinados a uma doença que não disponha de outra alternativa terapêutica são encaminhados diretamente para o começo da fila de pedidos de registros.
     
    “Nós temos hoje, na fila de análise de pesquisas clínicas da Anvisa, apenas 26 estudos. O mais antigo ingressou em julho passado. Ou seja, a Anvisa faz essa análise com muita rapidez”, assegurou. No entanto, alertou: “Sem a comprovação de que uma substância é segura, não podemos liberá-la. Já houve, no mundo, medicamentos que foram retirados do mercado exatamente porque, ao serem usados em larga escala, foram verificados efeitos adversos graves e que podem, inclusive, levar à morte”.
     
    Fonte: Anvisa