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  • Artrite reumatoide exige tratamento rápido

    Artrite reumatoide exige tratamento rápido

    Dor, inchaço e rigidez nas articulações. Atenção aos sintomas clássicos da artrite reumatoide (AR), porque o diagnóstico precoce pode evitar as deformidades provocadas por essa doença crônica e inflamatória, que compromete articulações e costuma causar desgaste ósseo, incapacitando os pacientes de executarem mesmo tarefas simples.
     
    Para que a identificação aconteça mais cedo, é importante saber que não se trata de uma doença de idosos, um dos mitos relacionados à enfermidade. A idade média em que os brasileiros recebem o diagnóstico é 39 anos, auge da vida produtiva. Segundo Rina Giorgi, diretora do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, epidemiologicamente, antes dos 50 anos, a doença atinge três mulheres para cada homem.
     
    Nos últimos anos, a abordagem sobre o mal passou por uma revolução. Essa se deve não só à chegada de medicamentos, mas também a uma mudança de estratégia. A nova estratégia é a chamado treat to target, em que o alvo é a remissão da doença, já que ainda não existe cura. “E, para isso, o grande problema não é o remédio, que está na rede pública. O problema é o acesso ao especialista para o diagnóstico. O paciente custa a chegar ao reumatologista e, até lá, fica passando por vários médicos”, lamenta Giorgi. Ainda é muito comum que a população, em caso de dor, procure o ortopedista, sendo que as dores músculo-esqueléticas (relacionadas aos músculos e às articulações) podem ser da área de atuação da reumatologia.
     
    Pesquisa realizada pela empresa Pfizer com 3.649 pacientes de 13 países, incluindo o Brasil, revela que, mesmo para as pessoas já diagnosticadas, é um desafio obter informações corretas sobre a doença. O levantamento — que faz parte da iniciativa internacional RA NarRAtive (Rheumatoid Arthritis), parceria de um painel global de médicos e organizações de pacientes — alerta sobre as consequências do diagnóstico e da adesão ao tratamento tardios. “Quanto mais cedo for diagnosticado, mais rapidamente o paciente poderá ser tratado, diminuindo a atividade da doença, prevenindo danos irreversíveis, aliviando a dor e melhorando a qualidade de vida”, explica Rina Giorgi.
     
    O público feminino representou 67% dos entrevistados, dos quais 37% tinham entre 18 e 44 anos; 32% tinham entre 45 e 54 anos; 21%, entre 55 e 64 anos; e 11%, 65 anos ou mais. Vinte por cento dos pacientes brasileiros relataram ter AR grave. Tendo em vista a complexidade da doença, 95% afirmaram ter alguma preocupação ligada à patologia, principalmente quanto ao impacto sobre a qualidade de vida e à extensão dos danos provocados nas articulações. A maioria dos pacientes (55%) reclamou do estigma decorrente da doença, que também acaba interferindo na vida profissional. Isso porque, segundo a pesquisa, o medo de sofrer discriminação desestimulou 19% a procurar emprego. Outros 22% não buscam apoio emocional na família, e 17% evitam se socializar com parentes e amigos.
     
    Remédios
     
    Um dos aspectos avaliados na pesquisa foi a adesão ao tratamento. Quase 60% dos pacientes o definem como bem-sucedido quando o inchaço e a inflamação nas articulações diminuem. Setenta e nove por cento gostariam de tomar menos remédios, e 67% desejam dispor de mais opções. Além disso, sete em cada 10 desejam mudar algo nos remédios existentes. As principais alterações se referem à eficácia no alívio dos sintomas (29%), ao número de eventos adversos (24%) e à frequência para tomar o medicamento (25%).
     
    Segundo Rina Giorgi, há hoje quatro classes de medicamentos para artrite reumatoide, as chamadas drogas modificadoras do curso da doença reumática, também conhecidas como DMARD, que controlam o processo inflamatório. Essas podem ser sintéticas, sintéticas alvo-específicas, biológicas e biossimilares.
     
    As drogas alvo-específicas orais são uma classe nova. O citrato de tofacitinibe está disponível no Brasil há poucos meses. Administrado por via oral, o medicamento tem um mecanismo inovador, inibindo uma proteína importante nos processos inflamatórios característicos da enfermidade. Além disso, é o primeiro tratamento oral, não biológico, do tipo DMARD. A droga é indicada para pacientes adultos com AR moderada a grave que tiveram intolerância ou não responderam de forma adequada às terapias realizadas com outros DMARDs, sintéticos ou biológicos. Hoje, estima-se que pelo menos 30% dos pacientes com a doença estejam nessa condição.
     
    Segundo Lícia Mota, presidente do Comitê de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), do Serviço de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), o tratamento deve começar meses ou mesmo semanas depois da manifestação da doença para que seja possível prevenir as sequelas, depois irreversíveis. “Se o paciente chegasse ao reumatologista precocemente, conseguiríamos fazer o diagnóstico e logo tratá-lo, mas, muitas vezes, ele se automedica com corticoides e anti-inflamatórios. Ele não muda o curso de evolução da doença, a dor nem passa e ele perde a janela de oportunidade, que é iniciar o tratamento em até 12 semanas”, lamenta. A maior parte das deformidades vem exatamente nos primeiros anos da doença.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Cientistas revelam como genoma forma ‘novelos’ no núcleo de células

    Cientistas revelam como genoma forma ‘novelos’ no núcleo de células

    Com suas mais de três bilhões de “letras” moleculares, o genoma humano, se pudesse ser esticado, cobriria uma distância de cerca de dois metros. Espremido no microscópico núcleo de nossas células, no entanto, ele é obrigado a formar milhares de laços e novelos para caber neste exíguo espaço. Esta estruturação ajuda a explicar, por exemplo, por que alguns genes, embora linearmente distantes, têm forte influência no funcionamento uns dos outros, já que ela promove sua aproximação, seja na “ponta” dos laços ou dentro dos novelos. Mas como nosso DNA sabe onde começar a formar e terminar estes laços e novelos permanecia um mistério para os cientistas, finalmente solucionado graças ao trabalho de uma equipe de pesquisadores de diversas instituições americanas.
     
    Responsável por mapear pela primeira vez, no ano passado, os cerca de dez mil laços e novelos que o genoma humano forma no núcleo celular, a equipe de cientistas liderada por Erez Lieberman Aiden, do Centro para Arquitetura do Genoma da Faculdade Baylor de Medicina, no Texas, já tinha identificado uma espécie de código inscrito em nosso DNA. Este estaria presente nos dois extremos de praticamente todas estas estruturas, geralmente nas posições do considerado “DNA lixo”, isto é, que não guarda instruções para a produção de proteínas. Agora, eles também demonstraram que é possível manipular e introduzir estas pequenas sequências de menos de 20 pares-base — as “letras” do genoma compostas de pares das moléculas citosina (C), adenina (A), guanina (G) e timina (T) — do código para controlar onde e como nosso genoma forma estes laços e novelos, destruindo, movendo ou criando novas estruturas do tipo.
     
    COMO AS ALÇAS DE UMA MOCHILA
     
    Segundo os cientistas, a descoberta representa um importante avanço nas técnicas de manipulação e engenharia genética ao permitir que agora eles trabalhem também em três dimensões e não apenas na estrutura linear do genoma, como é feito atualmente. Além disso, aumenta a compreensão sobre doenças provocadas por falhas neste processo, que atrapalham a comunicação entre genes, e abre caminho para o desenvolvimento de possíveis tratamentos para elas. Por fim, como o genoma de praticamente todas nossas células é igual, a posição e formato desses laços é parte fundamental para determinar sua função, indicando quais genes devem estar mais ou menos ativos de forma que elas atuem, por exemplo, como células do músculo cardíaco, da pele ou dos ossos, algo cujo entendimento será essencial na eventual criação de futuras terapias com células-tronco.
     
    — Durante meses, não tínhamos ideia do que os nossos dados (sobre o código) significavam na verdade — conta Aiden, autor- sênior de artigo em que os pesquisadores descrevem a descoberta, publicado na edição do ontem do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). — Então, um dia, percebemos que tínhamos a solução na mão. Fomos capazes de usar nossos conhecimentos de como os laços se formam na natureza para manipular o genoma artificialmente. Isso significa que, pelo menos em princípio, podemos corrigir erros na estruturação em 3D do genoma modificando apenas umas poucas letras do código genético, sem perturbar o DNA em volta delas.
     
    Ainda de acordo com os cientistas, o código que regula a formação dos laços e novelos do genoma funciona ao obrigar o DNA a se ligar com uma proteína batizada de CTCF. Esta atua como as pequenas peças de plástico usadas para ajustar o tamanho das alças de uma mochila, num processo físico conhecido como extrusão. Numa das pontas, o curto código de pares- base está inscrito no DNA num sentido, instruindo onde a cadeia genética deve começar a ser “puxada” para criar o laço, enquanto no outro extremo a sequência aparece ao contrário, determinando onde o processo deve ser interrompido.
     
    — A extrusão é o processo que usamos para manipular os ajustes plásticos de nossas mochilas: nós alimentamos as correias da alça de cada lado e elas formam um laço — explica Adrian Sanborn, aluno de graduação no laboratório de Aiden na instituição texana e um dos primeiros coautores do estudo. — Mas o genoma é muito mais longo que as alças de uma mochila, então o processo continua, e mais e mais da correia é adicionado, formando um laço cada vez maior. A chave de tudo é que este processo de extrusão para quando atinge um local com a CTCF. E é por isso que modificar o código é essencial para controlar todo o processo.
     
    Fonte: O Globo
     
  • Varejo reduz desconto e remédios sobem ainda este ano

    Varejo reduz desconto e remédios sobem ainda este ano

    Os reajustes no preço dos remédios chegarão antes do esperado para o consumidor. A pressão de custos, como energia e água, e a valorização do dólar encareceram a matéria-prima importada. Com isso, o desconto oferecido a distribuidores e varejistas do setor será cortado, segundo informou diretores de indústrias brasileiras à Folha de S. Paulo. “Nos próximos sessenta dias você vai ver que os descontos na porta da farmácia devem desaparecer. A conta vai para o bolso do contribuinte”, disse Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, sindicato que reúne as principais farmacêuticas do país.
     
    A alta nos preços costuma acontecer em abril, logo depois de o governo liberar os aumentos. Com o aumento antecipado, o resultado será uma pressão adicional à inflação deste ano. Quase 90% dos princípios ativos usados nos remédios são importados. “Quando o câmbio era favorável, a indústria adotava uma política agressiva de descontos porque a competição era muito forte. Enquanto o câmbio estiver neste patamar alto, é legítimo que a indústria vá ao distribuidor negociar e reduzir esse desconto”, disse Paulo Bernardo, diretor da Interfarma, associação que reúne as multinacionais.
     
    Desde 2003, quando foi definida uma política de controle de preços, o teto dos valores de tabela determinados pelo governo não costuma chegar ao consumidor. Isso acontece porque a concorrência entre empresas sempre estimulou a prática de descontos. No entanto, a crise fez com que esse procedimento ficasse para trás. “Isso o aumento será repassado para o preço. A farmácia não tem muita margem de manobra”, diz Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, associação que reúne grandes redes.
     
    Fonte: Veja Online
     
  • Número de pintas no braço pode sinalizar propensão a câncer de pele, indica pesquisa

    Número de pintas no braço pode sinalizar propensão a câncer de pele, indica pesquisa

    Se uma pessoa tem mais de 11 pintas no braço, ela pode ter um risco maior que a média de desenvolver câncer de pele do tipo melanoma, de acordo com um estudo britânico recém-publicado por pesquisadores do King's College London.
     
    O estudo, publicado no British Journal of Dermatology, concluiu que as pintas do braço são uma boa amostra do total de pintas do corpo. Quem tem mais de 11 pintas no braço direito tem mais chance de ter mais de 100 pintas no corpo inteiro – e, consequentemente, possui risco maior de desenvolver um melanoma.
     
    Os pesquisadores orientam levar em conta as pintas do braço – circulares, uniformes, de coloração marrom escura -, e não as sardas, que são mais clarinhas e muitas vezes temporárias.
     
    A pesquisa usou dados de 3 mil gêmeos no Reino Unido.
     
    Para os pesquisadores, clínicos gerais poderiam usar essa técnica para identificar pacientes com um risco maior que a média de desenvolver melanoma – tipo de câncer de pele menos comum, porém mais letal que o não-melanoma.
     
    Segundo o Instituto Nacional do Câncer, houve estimados 5,8 mil novos casos de melanoma no Brasil em 2014, e 182 mil de não-melanoma.
     
    Mas a presença de pintas não significa que a pessoa necessariamente terá câncer, apenas que seu risco de desenvolver a doença é maior e que ela deve tomar mais precauções, como usar protetor solar com frequência.
     
    E é bom lembrar que a maioria das pintas é inofensiva. Devemos ficar atentos quando nossas pintas ganham coloração e formas assimétricas, quando elas aumentam de tamanho ou quando elas ficam inflamadas, sangram, formam casquinha ou causam coceira, informa o Sistema Público de Saúde britânico.
     
    Os melanomas geralmente são pontos na pele que começam a se tornar escuros e a crescer. Podem aparecer em um ponto novo da pele ou sobre uma pinta pré-existente, que começa a mudar de forma e cor. Por isso, o risco do melanoma está relacionado ao número de pintas que o paciente tem.
     
    Sardas e pintas
     
    Os pesquisadores do King's College London estudaram um grande grupo de gêmeas por um período de oito anos, coletando informações como tipo de pele, sardas e pintas.
     
    Após repetirem o teste em um grupo menor de 400 homens e mulheres com melanoma, eles chegaram a essa maneira rápida e fácil para medir as chances de um paciente ter câncer de pele.
     
    Mulheres com mais de sete pintas no braço direito tiveram uma probabilidade nove vezes maior de ter mais de 50 pintas no corpo todo.
     
    Já aquelas com mais de 11 pintas no braço direito tinham uma probabilidade maior de ter maior de 100 pintas no corpo, significando que elas têm um risco maior de ter melanoma.
     
    O principal responsável pelo estudo, o professor Simone Ribero, do departamento que pesquisa gêmeos e epidemiologia genética, disse que “as conclusões podem ter um grande impacto na assistência básica de saúde, permitindo que clínicos gerais estimem de maneira mais precisa o número de pintas de um jeito bastante rápido, em uma parte mais acessível do corpo”.
     
    Para a coautora do estudo, Veronique Bataille, contar as pintas do braço pode “acender um alerta” na cabeça do médico e fazer com que ele encaminhe os pacientes a especialistas.
     
    Claire Knight, diretora de informação da organização Cancer Research UK, disse que o estudo é útil, mas salientou que menos da metade dos melanomas se desenvolvem que pintas pré-existentes.
     
    “É importante saber o que é normal para sua pele e informar ao médico eventuais mudanças no tamanho da pinta, ou na cor ou ainda em seu formato”, disse. “E não se deve apenas olhar para o braço – melanomas podem surgir em qualquer parte do corpo. São mais comuns no dorso dos homens e nas pernas das mulheres.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga contra HIV em estudo poderia ser administrada a cada seis meses

    Droga contra HIV em estudo poderia ser administrada a cada seis meses

    Um composto que ainda está sendo testado em laboratório pode trazer uma nova perspectiva para o tratamento da Aids. Com o uso de nanotecnologia, uma equipe de cientistas da Universidade de Nebrasca e de Rochester, nos EUA, criou um antiviral que poderia ser administrado apenas uma ou duas vezes por ano.
     
    A droga é uma combinação de uma nova substância e um produto nanoformulado, que evita sua eliminação pelos rins e ajuda a conter o HIV. Eles seriam administrados no lugar dos inibidores de protease, que devem ser tomados todos os dias pelos pacientes infectados.
     
    Em células humanas do sistema imunológico e também em ratos, os resultados foram positivos. Os resultados aparecem na revista  Nanomedicine: Nanotechnology, Biology and Medicine.
     
    A grande vantagem de se administrar um remédio apenas a cada seis meses seria evitar esquecimentos e falta de aderência por parte dos pacientes, algo que prejudica o tratamento e pode até contribuir para a geração de vírus mais resistentes.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Ministério suspeita que febre zika tem ligação com casos de paralisia

    Ministério suspeita que febre zika tem ligação com casos de paralisia

    Preocupado com os casos de febre do vírus zika, o Ministério da Saúde vai discutir com autoridades sanitárias dos Estados e médicos especialistas uma estratégia para enfrentar e tratar a doença no país. Embora não haja registros de complicações graves ou mortes, há fortes suspeitas da associação entre a infecção, conhecida como prima da dengue, e a Síndrome Guillain-Barré, que provoca paralisia progressiva, iniciando pelos membros inferiores e podendo chegar ao pulmão.
     
    “Houve um aumento importante nos casos dessa síndrome em Estados do Nordeste”, afirmou o diretor da Divisão de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch. O fenômeno coincidiu com a elevação dos casos de zika. Equipes de vigilância tentam agora comprovar a correlação entre as duas doenças.
     
    Os pacientes no Nordeste com a síndrome começaram a apresentar os sintomas cerca de duas semanas depois de manifestar um quadro semelhante ao da zika: febre baixa, dores de cabeça, nos punhos e tornozelos, além de manchas pelo corpo. “No caso da síndrome, o tratamento é mais delicado: exige internação e pode durar períodos longos”, contou o diretor. A síndrome ocorre geralmente em pacientes que apresentaram infecções. “Pode acontecer até com um vírus da gripe”, disse.
     
    Depois de infecções agudas, aparentemente o organismo deixa de reconhecer as próprias células e passa a atacá-las. Os primeiros sintomas da síndrome são fraqueza e dormência. Se a paralisia chega aos pulmões, é necessário usar respiradores. Essas reações, no entanto, são muito raras. “Foi isso que despertou a atenção. O problema, que era esporádico, começou a se tornar um pouco mais frequente”, completou Maierovitch.
     
    A correlação entre o zika vírus e a síndrome de Guillain-Barré já foi identificada em outros países que apresentam também a circulação simultânea do vírus da dengue. Na Micronésia, na Oceania, por exemplo, o número de casos da síndrome saltou de 5 para 20 durante um surto de zika.
     
    Na Bahia, foram pelo menos 76 casos suspeitos de Guillain-Barré e, em Pernambuco, 64. Além de protocolo para tratamento da doença, o Ministério quer alertar Estados para a necessidade de hospitais estarem atentos para um eventual aumento de demanda no atendimento.
     
    Entre as preocupações estão a rápida identificação e o encaminhamento para o tratamento. Uma reunião com coordenadores de Estados e com especialistas deve ser realizada até o início de novembro.
     
    Diagnóstico
     
    Transmitida pelo Aedes aegypti, mosquito que é vetor também da dengue e da febre chikungunya, a febre zika teve os primeiros casos confirmados no Brasil em fevereiro deste ano. Não há um kit comercial para comprovar os casos da doença. Justamente por isso, o diagnóstico muitas vezes é feito com base nos sintomas clínicos. Somente parte dos pacientes apresenta manifestações da infecção: 72% são assintomáticos.
     
    Maierovitch afirmou que atenção especial será dada também para chikungunya. De janeiro a setembro deste ano foram identificados 12.170 casos da doença, nos Estados da Bahia, do Amapá, de Roraima e do Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. “Embora os números tenham sido expressivos, estão longe da explosão epidêmica vivida, por exemplo, em países da América Central nos anos de 2013 e 2014”, ponderou.
     
    Uma das justificativas para maior proteção seria o próprio comportamento do doente: como a doença é mais incapacitante, há maior probabilidade de que pacientes fiquem em casa, recolhidos, expondo-se menos a picadas de mosquito e, consequentemente, reduzindo os riscos de proliferação da doença”, contou o diretor. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Casos no inverno indicam surto de dengue em 2016

    Casos no inverno indicam surto de dengue em 2016

    O Ministério da Saúde não descarta o risco de o País viver em 2016 uma nova epidemia de dengue. Uma das maiores preocupações das autoridades sanitárias é o comportamento que a doença apresentou no inverno, quando tradicionalmente o número de casos chega a quase zero.
     
    “Não constatamos isso neste ano. Houve um número de casos importante em alguns Estados do Nordeste e em São Paulo”, comenta o diretor da Divisão de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch.
     
    Essa alteração no padrão da epidemia pode estar relacionada ao clima. “Este ano teve vários períodos de chuva, intercalados com calor, algo que favorece a proliferação do mosquito”, disse Maierovitch. Os casos registrados durante o inverno também podem ser atribuídos à dimensão da epidemia em 2015. “Como o número de casos era muito alto, leva-se um tempo até chegar a patamares de transmissão próximos de zero.”
     
    Além do comportamento atípico, outra preocupação é com o subtipo de vírus da doença atualmente de maior circulação. Em 2015, a epidemia estava associada sobretudo aos vírus 1 e 4. Se o padrão se repetir, há um risco menor de a epidemia ser nas mesmas proporções da que foi registrada este ano, pois o número de pessoas suscetíveis será menor.
     
    A doença é provocada por quatro subtipos de vírus. A infecção por cada subtipo ocorre somente uma vez. Nos próximos dias, deverá ser divulgado um levantamento de infestação pelo mosquito Aedes aegypti.
     
    Vacina
     
    O Instituto Butantã concluiu a fase 2 da pesquisa contra dengue e aguarda sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Comissão de Ética em Pesquisa para iniciar a vacinação de 17 mil voluntários para a fase 3 dos estudos. A expectativa do instituto é de que o aval seja dado nos próximos dois meses. A fase 3 avalia a resposta imunológica e eficácia do produto e deve ser iniciada ainda neste ano.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • USP diz que cápsulas contra o câncer serão enviadas a pacientes por correio

    USP diz que cápsulas contra o câncer serão enviadas a pacientes por correio

    Universidade distribuía até senhas por causa da procura em São Carlos (SP).
    Usada no tratamento do câncer, fosfoetanolamina teve entrega liberada.
     
    O Insituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, divulgou um comunidado informando que a fosfoetanolamina sintética não será mais entregue no prédio do instituto e vai ser enviada pelos Correios para os pacientes com liminares, após a notificação judicial. A substância, que ainda não foi testada clinicamente e não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foi desenvolvida por pesquisadores da instituição e vem sendo solicitada por pessoas com câncer. 
     
    Depois da liberação da entrega da substância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), na última sexta-feira (9), cerca de 1 mil pessoas procuram pelas cápsulas e, com filas, foi necessário até a distribuição de senhas.
     
    O aviso informa que “sob nenhuma hipótese será feita a entrega da fosfoetanolamina no IQSC”. Com isso, os pacientes com decisões judiciais terão que aguardar o recebimento em casa. “Uma vez expedida a liminar, o IQSC será notificado através do Oficial de Justiça e encaminhará a substância via sedex/AR no endereço constante na petição inicial. O serviço do correio será cobrado do destinatário”, explicou.
     
    Produção da substância
     
    A alta demanda já preocupa a universidade que divulgou um comunicado no site informando que não tem condições de produzir a substância em larga escala para atender às liminares, “que serão cumpridas dentro da capacidade da instituição”.
     
    As liminares de 742 pacientes que lutavam pelo tratamento foram suspensas desde o fim do mês passado quando o TJ-SP entendeu que, por não ter sido testada oficialmente em humanos, a substância não tinha efeito comprovado no combate ao câncer. Na quinta-feira (8), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a liberação do composto para uma paciente do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, TJ-SP reconsiderou a primeira decisão e as liminares voltaram a valer.
     
    A fosfoetanolamina não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não passou por todos os testes necessários. Com a decisão do TJ, a USP tem que alertar as pessoas que substância não é um medicamento.
     
    Outras esferas
     
    Na quarta-feira (14), os pesquisadores detentores da patente foram homenageados em Porto Alegre (RS) e também acertaram um programa de cooperação com dois laboratórios estaduais, que devem passar a produzir as cápsulas, hoje feitas apenas na Universidade de São Paulo (USP). O governo estadual gaúcho também deve apoiar o processo para aprovar a substância na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
     
    No dia 1º de outubro, pesquisadores detentores da patente da fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética se reuniram com o senador Ivo Cassol (PP-RO) e os deputados estaduais Roberto Massafera (PSDB-SP) e Rodrigo Moraes (PSC-SP) para discutir a apresentação da substância em uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).
     
    Na sessão extraordinária da CCT realizada na manhã desta terça (6), foi definido que serão convidados para a audiência os pesquisadores e também Jarbas Barbosa da Silva Júnior, diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e Meiruse Sousa Freitas, superintendente de medicamentos e produtos biológicos da agência.
     
    Em âmbito estadual, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que iria avaliar o caso e o gabinete do deputado Rodrigo Moraes (PSC-SP) informou que foi marcada uma reunião com Nalini para pedir a revisão das suspensões. O encontro foi agendado para 26 de outubro.
     
    Entenda o caso
     
    Estudada desde o início dos anos 90, a fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética era entregue gratuitamente no campus da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, mas, em 2014, uma portaria determinou que as substâncias experimentais deveriam ter todos os registros necessários antes que fossem disponibilizadas à população.
     
    Com isso, as cápsulas, que não têm a licença da Anvisa, começaram a ser distribuídas somente mediante decisão judicial. Pacientes com câncer obtiveram liminares estipulando a entrega, porém uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo passou a suspender as autorizações.
     
    O que dizem as instituições
     
    A universidade afirma que não tem capacidade para produzir a substância em larga escala e reforça que a regulamentação é necessária, mesma opinião da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
     
    A entidade diz que não é contra pesquisas, mas aponta que, antes de novas substâncias serem oferecidas como medicamentos, devem passar por estudos amplos que comprovem seus benefícios e a eficácia diante do tratamento que já é oferecido.
     
    A Anvisa, por sua vez, aponta que “não há nenhum processo de pesquisa clínica” para o produto e “não houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude prática no sentido de transformar este produto em um medicamento”.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Antioxidantes podem promover progressão do melanoma, diz estudo

    Antioxidantes podem promover progressão do melanoma, diz estudo

    Supostamente criados para melhorar a saúde das células e retardar o envelhecimento, os antioxidantes poderiam ter um efeito negativo sobre o melanoma, o tipo mais mortal de câncer de pele, facilitando a propagação das metástases – é o que diz um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista britânica Nature.
     
    As metástases são células cancerosas que permitem a um câncer inicial propagar-se para outras partes do corpo.
     
    Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa sobre as Crianças, com sede em Dallas (Estados Unidos), transplantou células humanas de melanoma sobre camundongos transgênicos e descobriu que o câncer se desenvolvia mais rápido entre aquelas que receberam injeções de antioxidantes do que entre aquelas que não haviam recebido.
     
    “Nossos resultados sugerem que os antioxidantes favorecem a progressão da doença, ao menos no caso no melanoma, estimulando as metástases”, concluem os autores no final do estudo.
     
    Esta não é a primeira vez que uma relação entre antioxidantes e desenvolvimento do câncer é colocada em evidência pela equipe. Em 2014, pesquisadores suecos mostraram que o consumo de suplementos alimentares antioxidantes, mais especificamente a vitamina E, acelerava o desenvolvimento de lesões pré-cancerosas ou cânceres precoces do pulmão nos camundongos e nas células humanas em laboratório.
     
    Estudos mais antigos constatavam um efeito similar de antioxidantes sobre os cânceres de mama e de próstata.
     
    Os antioxidantes, que podem ser encontrados na alimentação (vitaminas A, C e E) mas também sob forma de suplementos alimentares, permitindo neutralizar os radicais livres das moléculas (ou stress oxidativo) responsáveis pelo envelhecimento dos tecidos.
     
    Os pesquisadores pensaram durante muito tempo que as substâncias antioxidantes poderiam ajudar na prevenção do câncer, mas diversos testes clínicos “tiveram que ser interrompidos porque os pacientes que recebiam antioxidantes morriam mais rapidamente do que os outros”, explicou Sean Morrison, principal autor do estudo.
     
    A explicação seria, segundo ele, que as células cancerosas “aproveitariam mais os antioxidantes do que as células normais”.
     
    Até o momento, contudo, o risco de propagação das metástases não foi comprovado nos seres humanos, apenas nos camundongos que receberam injeções diárias de um precursor da glutationa (protetor celular do stress oxidativo).
     
    Este stress oxidativo, considerado nefasto em pessoas saudáveis, poderia – ao contrário – ser bastante benéfico numa pessoa afetada pelo melanoma, explicam os pesquisadores.
     
    Eles explicam ainda que os resultados poderiam abrir o caminho para tratamentos de pró-oxidantes que permitam evitar a propagação de metástases.
     
    “Uma das abordagens possíveis seria mirar o caminho que as células do melanoma usam para sobreviver ao stress oxidativo”, ressaltou Morrison.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Droga da USP não tem ação comprovada contra câncer; Anvisa diz que é ilegal

    Droga da USP não tem ação comprovada contra câncer; Anvisa diz que é ilegal

    A substância fosfoetanolamina, distribuída na USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos por supostamente ser capaz de curar o câncer, não tem comprovação de eficácia contra a doença. Além disso, a sua distribuição à população é ilegal, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
     
    O UOL tentou contatos com a USP na capital paulista e em São Carlos (232 km de São Paulo) na manhã e tarde de quarta-feira (14) e na manhã e tarde desta quinta-feira (15), para explicar como a droga era fornecida para a população e responder à declaração da Anvisa, mas a universidade não se pronunciou. O pesquisador Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, que fabricou e distribuiu o composto por anos, também não foi encontrado pela reportagem nos telefones celular e residencial.
     
    A substância não pode ser considerada um remédio porque não foi testada oficialmente em humanos, passo essencial para que um composto em estudo comprove que funciona, é seguro e não tem efeitos colaterais. Pessoas recebiam as cápsulas com a fosfoetanolamina, mas, até onde se sabe, não eram acompanhadas para verificar esses parâmetros.
     
    As pesquisas documentadas foram feitas com animais e células humanas in vitro, primeiros passos de qualquer estudo científico. Mas ainda são necessárias várias etapas de estudo para comprovar que ele realmente tem alguma função no tratamento do câncer. A cura seria um passo além.
     
    Sem um estudo oficial, registrado pela Anvisa,  a entrega de cápsulas contendo fosfoetanolamina sintética para fins medicamentosos infringe a lei 6.360/76, segundo a agência. A lei impede a entrega, a venda e industrialização de medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos e correlatos para consumo sem o registro da agência.
     
    “A comercialização, bem como a exposição do produto fosfoetanolamina, estaria em desacordo ao que prevê a Lei nº. 6.360/76, que em seu artigo 12 dispõe:”…nenhum dos produtos de que trata esta Lei, inclusive os importados, poderá ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao consumo antes de registrado…”, citou em nota técnica enviada ao UOL.
     
    A Anvisa chama a entrega de “prática irregular segundo os princípios de segurança adotados pelas principais agências reguladoras de medicamentos do mundo”.
     
    Contra a lei
     
    “No caso da fosfoetanolamina, a Anvisa não recebeu qualquer pedido de avaliação para registro desta substância, tampouco pedido de pesquisa clínica, que é a avaliação com pacientes humanos. Isto significa que não há nenhuma avaliação de segurança e eficácia do produto realizada com o rigor necessário para a sua validação como medicamento”, citou na nota.
     
    No entanto, desde que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconsiderou a decisão que proibia a distribuição para alguns pacientes após liminar do STF (Supremo Tribunal Federal), pacientes e parentes formam filas na sede do campus atrás da substância entregue gratuitamente dada a apresentação das liminares (mais de 700 já foram concedidas em primeira instância). 
     
    A distribuição das cápsulas era feita livremente na universidade até uma portaria da USP de 2014, baseada na lei 6.360/76, proibi-la. No entanto, não se sabe por que a USP autorizou a distribuição por tanto tempo da droga, o que sempre foi ilegal pela lei.
     
    Depois da decisão judicial, a USP e o Instituto de Química de São Carlos emitiram notas afirmando que a droga não é um medicamento e que as cápsulas só seriam entregues para quem apresentasse a liminar. De acordo com a IQSC, o estudo capitaneado pelo professor aposentado Cherice foi feito de forma independente por ele. A USP afirmou em nota que os mandados judiciais serão cumpridos, dentro da capacidade da universidade.
     
    “Ao mesmo tempo, a USP está verificando o possível envolvimento de docentes ou funcionários na difusão desse tipo de informação incorreta. Estuda, ainda, a possibilidade de denunciar, ao Ministério Público, os profissionais que estão se beneficiando do desespero e da fragilidade das famílias e dos pacientes”, escreveu em nota.
     
    Segundo o advogado Tiago Matos, diretor jurídico do Instituto Oncoguia, se comprovado que a USP cometeu um ato ilegal, contrariando a legislação, ela pode ser responsabilizada por isso. “Pode ser punição administrativa, criminal, mas quem vai punir é outra história. É delicado”, diz.
     
    Droga sem ação comprovada
     
    A declaração da Anvisa vem ao encontro com a de oncologistas que também afirmaram não haver evidências científicas que comprovem que a droga cura o câncer. Isso porque a substância sequer foi testada em humanos. “É fundamental que sejam feitos estudos controlados em humanos para definir a eficiência, a dose ideal e a segurança de um remédio antes de ele ser usado pela população, o que não ocorreu na pesquisa com o composto de São Carlos”, aponta Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora de oncologia clínica do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo).
     
    “Qualquer fármaco que venha a ser usado em pessoas precisa passar por essas etapas. Essa é uma questão fundamental. É no estudo clínico que se tem uma posição mais clara de quais são os benefícios e quais são os riscos do medicamento”, explica a oncologista.
     
    Para Gustavo Fernandes, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, usar uma droga que foi testada somente em animais (diga-se aqui, camundongos) é “altamente perigoso” porque não se sabe sequer se pode melhorar ou piorar a saúde de quem já está doente.
     
    “É muito difícil partir de dados pequenos em animais para uso populacional. É altamente perigoso. Se a população usa essa droga e ela for deletéria, como a gente vai saber? E vai comparar com o que?”, questiona.
     
    Butantan testa em células humanas
     
    Outras pesquisas feitas com a fosfoetanolamina no Instituto Butantan, em São Paulo, testam a substância em tumores de células de mama, de fígado, do pâncreas e dos rins com resultados promissores, segundo o biomédico Durvanei Maria, do laboratório de Bioquímica e Biofísica do Instituto.
     
    “Não tenho dúvida que a fosfoetanolamina é eficaz. Ela impede a proliferação de células tumorais, mecanismo conhecido como morte celular programada já que não destrói as células normais, não altera o funcionamento de órgãos e do sistema imunológico”, diz o biomédico.
     
    A maioria dos testes ainda é feito em ratos e camundongos, mas células de humanos já estão sendo testadas e apresentam resultados semelhantes, diz Maria. O objetivo agora, segundo ele, é começar com os testes clínicos. Para isso, se juntou a um grupo de cientistas que se mobilizou para regularizar o uso da droga na Anvisa e nas comissões de ética médica. Diferentemente da USP, a equipe do biomédico não produz cápsulas.
     
    Trocar de tratamento é perigoso
     
    O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica diz entender o “desespero” de pessoas que não vêm mais resultados no tratamento contra o câncer, mas qualquer médico só pode receitar medicamentos cuja eficácia já tenha sido comprovada por determinação do Conselho Federal de Medicina.
     
    “Se houvesse qualquer dado científico que dissesse que essa droga traria benefícios aos humanos, eu poderia considerar o uso. Mas não há nada na literatura sobre isso, então não posso recomendar. Posso dizer que vi alguns pacientes usarem, e não tive percepção de benefício ou malefício, mas isso é uma percepção, não Ciência, então não valida nada”, diz.
     
    Segundo a oncologia clínica do Icesp, deixar o tratamento convencional para adotar o que parece milagroso não é indicado porque pode alterar o resultado do tratamento ou mesmo piorar a saúde já que faltam evidências de que a droga alternativa é realmente eficaz.
     
    “Tem que tomar cuidado já que todas as intervenções podem ter riscos e efeitos colaterais, inclusive as medicamentosas e até de produtos naturais que podem alterar o metabolismo ou os efeitos do tratamento. Os pacientes que estão em tratamento cuja indicação é clara, que temos a ideia do que pode ser esperado, seja de benefícios e de eventos adversos, devem manter esse tratamento”, afirma.
     
    Há interferência da indústria farmacêutica?
     
    Os dois especialistas não acreditam na hipótese levantada nos últimos dias de que a substância não é usada em larga escala por interferência da indústria farmacêutica. 
     
    “A indústria farmacêutica tem o objetivo de dar lucro e sempre que houver um produto promissor ninguém é mais interessado do que ela. Não existe uma pílula mágica, mas um conjunto de intervenções. Seria ótimo se tivéssemos um medicamento, mas o mecanismo da doença é muito complexo, não é um lobby, é uma dificuldade da Ciência em fazer isso, mas estamos progredindo muito nos últimos anos”, afirma Pilar.
     
    Já para Fernandes não há com crer que apenas uma medicação pode curar todos os tipos de câncer porque os genes ativados podem ser diferentes em cada órgão. Da mesma forma que não crê em teorias que acreditam que a cura é escondida porque a doença 'dá mais lucro'. “Não acredito que quem teria a cura de uma doença que mata mais do que guerra mundial esconderia isso por muito tempo. Se existisse, Hitler seria uma pessoa bacana perto dessa ai”, completa Fernandes.
     
    Os pesquisadores da USP São Carlos afirmaram que patentearam a substância para que ela não seja usada pela indústria, que buscaria lucrar com ela. Também foi levantada a hipótese de que as farmacêuticas estariam impedindo o teste em humanos, junto à Anvisa. Mas, segundo o órgão,  não há necessidade de intervenção da indústria farmacêutica para a realização de estudos clínicos. Se uma universidade tiver condições de fazê-lo, basta contatar a agência e mostrar a documentação adequada. “A USP de São Carlos nos procurou para dar detalhes sobre o processo, mas nunca fez o pedido para realizar os testes clínicos, o que é diferente”, informou a agência.
     
    Se é ilegal, porque a Justiça autoriza?
     
    A pergunta que fica é: por que a Justiça libera o uso se a lei comprova a ilegalidade? 
     
    A resposta está na interpretação do juiz que pode optar pelo direito à saúde e à vida garantidos na Constituição ou pela legalidade do ato, que em situações de vida ou morte tende a ficar em segundo plano, explica o advogado do Instituto Oncoguia.
     
    “Há duas correntes de pensamento entre os juízes. Alguns entendem que havendo uma prescrição, a expertise do médico dá crédito e o judiciário se posiciona a favor. Contudo, há alguns que se posicionam com mais cautela e, por não ter registro e prova de eficácia e segurança, não validam a decisão”, explica.
     
    No entanto, Matos crê que a liberação de drogas sem registro e sem estudos clínicos pode “abrir brechas perigosas para a sociedade”. 
     
    “Isso é temerário porque pode abrir brechas para situações além da fosfoetanolamina em casos que podem beirar o charlatanismo, como dizer que chá de cogumelo é bom. Isso pode ser muito perigoso para a sociedade”, afirma.
     
    Fonte: Uol Saúde