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  • O BRASIL NA ROTA DOS REMÉDIOS FALSIFICADOS

    O BRASIL NA ROTA DOS REMÉDIOS FALSIFICADOS

    Um relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu mais um ruidoso sinal de alerta sobre a debilitada saúde do País. Segundo o documento, 19% dos remédios comercializados por aqui são ilegais. A estimativa é que se vendam vinte medicamentos falsos em cada lote de 100. Eles são vendidos em feiras, bancas de ambulantes, pela internet e, inclusive, nas farmácias. E chegam ao Brasil vindos do Paraguai, China e índia. Podem vir prontos para o consumo ou ainda na matéria-prima (o chamado princípio ativo) – que é manipulada em estabelecimentos clandestinos, sem a menor condição de higiene e geralmente elaborada na dose errada.
     
    As conseqüências das ações dessa máfia bilionária são nefastas. De acordo com os pesquisadores da OMS, a pirataria de substâncias matou cerca de 700 mil pessoas no mundo em 2014 – não há dados específicos para o Brasil. É um problema que aflige governos e fabricantes no mundo todo, principalmente em período de crise econômica. “Como é mais barato, as pessoas acham que estão fazendo um bom negócio ao comprar medicamentos falsos. Não estão. As mortes estão aí para comprovar”, diz Edson Vismona, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria. “É uma burrice consumir remédios ilegais”, afirma Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Esse é um problema mundial de saúde, incluindo Estados Unidos e Europa, onde a vigilância é muito maior do que aqui.”
     
    Existem três princípios determinantes para o sucesso da indústria de medicamentos falsos: mercado, preço e fiscalização falha. As estatísticas sobre o tamanho desse comércio clandestino mostram que, na última década, a falsificação e comercialização aumentaram 800%. Atualmente, o negócio, que rendeu US$ 200 bilhões em 2014, cresce 13% ao ano. “Às vezes ele é mais rentável do que o tráfico de entorpecentes”, afirma o delegado da polícia federal de São Paulo André Luiz Pre-viato Kodkaoglanian. “São quadrilhas ligadas diretamente às organizações criminosas internacionais.”
     
    Existem cerca de 500 versões de medicamentos piratas em circulação, segundo o documento da OMS. Entre os principais produtos falsificados vendidos no País, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estão os hormônios anabolizantes, os medicamentos para disfunção erétil e os remédios para emagrecer. Mas também circulam fármacos falsos para o coração, hipertensão, malária e antibióticos. A PF explica que a entrada aqui pode se dar de duas formas. A primeira é o contrabando de remédios prontos para o consumo, que chegam pelo Paraguai e são entregues pelos Correios. Um técnico da Anvisa ouvido por ISTOÉ admitiu que os Correios são a porta de entrada e saída do comércio de medicamentos ilegais no Brasil. Segundo o funcionário, o sistema de triagem, principalmente, nas agências terceirizadas, é inoperante. Procurados, os Correios não quiseram falar sobre o assunto.
     
    Outra estratégia é a venda direta da matéria-prima para a fabricação dos produtos nos laboratórios clandestinos. Esses materiais chegam da China e da índia e desembarcam no Aeroporto de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. “Muitos são fabricados em locais clandestinos, sem nenhum controle higiênico e, principalmente, sem o principio ativo na dose certa”, afirma o delegado da Polícia Federal André Kodkaoglanian. Anthony Wong explica que o medicamento falsificado pode ser tóxico, não conter a substância ativa ou não ser fabricado com as regras necessárias. “Alguns remédios contêm apenas a cota mínima do medicamento. Se for de quantidade inferior, não faz efeito. Se for de má qualidade, pode até matar”, afirma Wong. Essa indústria da fraude começa a ser atacada no Brasil. Com atraso de três anos, deve ser promulgada em dezembro a lei que obriga a rastreabilidade dos remédios. A primeira etapa da legislação (RDC 54/2013) prevê a implantação nos próximos três meses de um sistema de acompanhamento digital do caminho que os remédios fazem desde a fabricação até o consumidor final. “Hoje, o controle é completamente falho e sujeito a fraudes”, diz Alejandra Saavedra, do Conselho Federal de Farmácia (CFF). “Investimos mais de R$ 300 milhões em equipamentos para atender à lei. Faltam apenas pequenos detalhes normativos”, diz o representante da Interfarma, Marcelo Liebhardt, que representa as maiores empresas do setor de produção de remédios. De acordo com a legislação, o consumidor final de remédios saberá por meio de um código de barras impresso nas caixas dos produtos farmacêuticos a procedência de todos os medicamentos sujeitos ao registro na Anvisa, inclusive amostras grátis. 
     
    Fonte: IstoÉ
     
  • Planos de saúde no Brasil têm taxa de cesariana de até 99%

    Planos de saúde no Brasil têm taxa de cesariana de até 99%

    São Paulo – Algumas operadoras de saúde fazem até 99% dos partos de suas pacientes por meio de cesariana, revela levantamento do Estado com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que só 15% dos nascimentos ocorram por cirurgia. No Brasil, a taxa geral de cesáreas é de cerca de 50%, mas supera os 80% na rede privada.
     
    A taxa de parto cesáreo é um dos indicadores usados pela ANS para medir a qualidade dos planos de saúde. Levantamento mais recente, referente ao ano de 2014, mostra que das 387 operadoras que informaram seus dados, 222 tiveram taxa de cesárea superior a 90%. Cinco delas tiveram 99% dos bebês nascidos pela via cirúrgica. Só cinco tiveram proporção de cesarianas inferior a 50%.
     
    O cenário é parecido nas empresas de grande porte, com mais de 100 mil beneficiários. São 68 operadoras, das quais 33 fizeram mais de 90% dos partos por meio de cesariana. O índice máximo no grupo foi de 98%.
     
    Diretora de desenvolvimento setorial da ANS, Martha Oliveira afirma que as altas taxas de cesárea nos planos de saúde “são extremamente preocupantes” e vêm sendo discutidas pela agência desde 2004. “As explicações sobre possíveis causas para taxas tão elevadas são diversas. Há estudos que apontam como motivos o melhor controle da agenda do médico e do estabelecimento de saúde, a preferência da mulher, por considerar que será um parto sem dor e a certeza da existência de leito no dia e horário definidos, entre outros”, diz a diretora.
     
    “Independentemente dos motivos, entendemos que o parto é uma questão de saúde e que as cesáreas só devem ser feitas nos casos em que houver necessidade, de acordo com indicação médica”, completa.
     
    Neste ano, a ANS e o Ministério da Saúde iniciaram o projeto Parto Adequado, que tem como objetivo promover o parto normal e evitar cesarianas desnecessárias. Segundo a agência, os 40 hospitais que participam da fase piloto do projeto estão desenvolvendo estratégias para reorganizar o modelo do parto e melhorar a qualidade da assistência à gestante.
     
    A diretora diz que as operadoras de saúde estão participando da iniciativa. Em julho, 31 empresas assinaram um termo de cooperação com a ANS se comprometendo a participar do projeto Parto Adequado. Os primeiros resultados da ação serão divulgados neste mês.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Presidente do CFF fala, na Alemanha, sobre avanços da Farmácia no Brasil

    Presidente do CFF fala, na Alemanha, sobre avanços da Farmácia no Brasil

    A Federação Farmacêutica Internacional (FIP) realiza de 29 de setembro a 3 de outubro, em Düsseldorf, Alemanha, o seu 75º congresso. Nesse ano, o Brasil teve um espaço diferenciado no evento. Em razão dos avanços obtidos nos últimos anos, o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, foi convidado pela FIP a proferir palestra sobre as estratégias utilizadas pela Farmácia brasileira para o alcance das mudanças que têm sido observadas no país. Ele falou nesta manhã de 1° de outubro.
     
    O objetivo foi relatar quais as estratégias utilizadas pelo CFF que resultaram na regulamentação das atribuições clínicas do farmacêutico; na regulação da prescrição farmacêutica e na aprovação da Lei nº 13.021/14, além de abordar alguns desdobramentos desse processo.
     
    Walter Jorge João demonstrou que o processo de mudança, coordenado pelo CFF, iniciou-se em 2012. “Não foi fácil. Tivemos, inclusive, enfrentamentos judiciais decorrentes do questionamento da legalidade das normativas do Conselho. Mas vencemos em todas as instâncias até agora, e o que se vê é a consolidação cada vez maior da imagem do farmacêutico como profissional da saúde, envolvido no cuidado ao paciente. E, ainda, a ampliação da inserção deste nas equipes de saúde”, destacou o presidente do CFF.
     
    Estiveram presentes representantes da American Pharmacists Association (APhA); American Society of Health-System Pharmacists (ASHP); Federación Farmacéutica Sudamericana (Fefas) e Foro Farmacéutico de las Americas (FFA), além de farmacêuticos brasileiros, canadenses, mexicanos, argentinos, paraguaios, espanhóis, portugueses, entre outros.
     
    O representante da APhA, Thomas Menighan, ao final da apresentação do presidente do CFF, destacou que o Brasil está perfeitamente alinhado com os Estados Unidos, tendo interesses e perspectivas em comum, e que, portanto, há o que ensinar e aprender entre ambos os países. Salientou que, nos Estados Unidos, o processo de prestação de serviços pelo farmacêutico teve inicio com a imunização, o que favoreceu sua identificação pela população.
     
    “Para mim, foi gratificante poder compartilhar nossa experiência, principalmente com os líderes de países que nos inspiraram nesse processo de mudança. Além disso, essa ocasião possibilitou a aproximação com essas entidades para efetivar futuras parcerias”, destacou Walter Jorge João.
     
    O tema do congresso da FIP este ano é “Better practice – Science based, evidence driven”. Cerca de 3 mil profissionais participam do congresso, desde o desenvolvimento e modos de distribuição de novos medicamentos, modelos de prática de farmácia até políticas que afetam a saúde, a força de trabalho e o acesso à saúde.
     
    Reunião do Conselho da FIP – além da atividade de hoje, o presidente do CFF, enquanto representante do Brasil, participou de reunião do Conselho da FIP, nos dias 28 e 29 de setembro, onde foram tratados assuntos técnicos, políticos e administrativos da Federação Farmacêutica Internacional.
     
    Fonte: Comunicação do CFF
     
  • Teste da glicemia capilar é importante para o tratamento de pacientes diabéticos; saiba mais

    Teste da glicemia capilar é importante para o tratamento de pacientes diabéticos; saiba mais

    Pessoas com diabetes podem controlar sua glicemia em casa com a automonitorização glicêmica. Os exames de laboratório devem ser feitos regularmente, mas são os resultados colhidos em casa que permitem o ajuste do tratamento, verificando a variação do diabetes de um dia para o outro e em diferentes situações.
     
    O teste de glicemia capilar – o teste da “gotinha” ou “ponta de dedo”- permite acompanhar os níveis de glicemia no sangue durante o dia, avaliando a eficiência da dieta, da medicação oral e da administração da medicação. É também por meio desses resultados que o médico consegue avaliar a saúde do paciente e indicar a melhor conduta.
     
    Valores recomendados pela Associação Americana de Diabetes (ADA):
    • Glicemia em jejum: 70 a 99 mg/dL. 
    • Glicemia pós-prandial até 2 horas após alimentação: 70 a 140 mg/dL.
     
    Algumas recomendações importantes:
     
    A frequência do perfil glicêmico – o conjunto de glicemias capilares realizadas num dia – depende do objetivo desejado, do controle emocional para realizar vários testes, da condição socioeconômica e dos medicamentos utilizados. Em outras, palavras, cada paciente deve ter suas metas individuais.
     
    No caso de pacientes com diabetes tipo 1 e às vezes tipo 2, o teste deve ser feito em jejum, antes da alimentação, antes e após o exercício físico, quando há suspeita de hipoglicemia ou hiperglicemia, nas doenças intercorrentes (infecções, vômitos, diarreia) e para ajustes de doses medicamentosas.
     
    Alguns pacientes com diabetes tipo 2 devem fazer a glicemia de jejum antes do jantar. Ao menos um dia por semana, devem fazer glicemia após o almoço e o jantar para verificar a absorção dos nutrientes e a necessidade de controle alimentar mais rigoroso.
     
    A glicemia capilar deve ser realizada toda vez que houver suspeita de hipoglicemia e repetida sempre que os resultados estiverem fora dos objetivos determinados pelo médico. Anote os resultados de maneira organizada. Além dos resultados, anote também os acontecimentos importantes relacionados à glicemia obtida, tais como: sintomas de hipoglicemia, diminuição ou excessos alimentares, presença de infecção, quadros de vômitos e diarreia, atividade física não programada e uso de medicamentos. Essas informações são fundamentais para que o médico e outros profissionais possam monitorar o paciente e inserir alterações no tratamento para o bom controle glicêmico.
     
    Como evitar erros de leitura
     
    O glicosímetro é um aparelho preciso, os erros costumam acontecer devido a procedimentos incorretos, tais como:
     
    – Limpeza inadequada do aparelho.
    – Uso do glicosímetro ou da fita em temperaturas diferentes da temperatura ambiente.
    – Fitas fora do período de validade.
    – Glicosímetro não calibrado para a caixa de fitas em uso.
    – Gota de sangue muito pequena.
     
    Para não errar, peça ajuda ao seu médico ou educador em diabetes para manusear o aparelho corretamente.
     
    Fonte: StarBem.
  • Estudo europeu cria células produtoras de insulina capazes de curar diabetes

    Estudo europeu cria células produtoras de insulina capazes de curar diabetes

    Uma nova técnica para produzir células com capacidade de secreção de insulina foi apresentada ontem no encontro da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica. O desenvolvimento da tecnologia poderá ser usada em pacientes com diabetes, apenas do tipo 1.
     
    Com a doença, o sistema imunológico ataca e destrói erroneamente células beta do pâncreas, que são as responsáveis pela produção, armazenamento e secreção de glicose no sangue. Uma das terapias mais promissoras na luta contra a diabetes é a reposição destas células.
     
    — Até agora, os experimentos eram baseados em células de linhagem primitiva, como as célulastronco — destaca Isabela Bussade, professora de Pós- Graduação de Endocrinologia da PUC- Rio, que não participou do novo trabalho. — A novidade do estudo europeu é a reposição com uso exclusivo de células adultas, que proporcionam mais segurança, inclusive contra doenças como o câncer.
     
    REPROGRAMAÇÃO CELULAR
     
    Autor-chefe da pesquisa, Philippe Lusy também destaca a criação de um protocolo que atua diretamente sobre o DNA das células, mas sem causar mudanças estruturais nas áreas estudadas.
     
    — Nosso sistema de reprogramação celular abre portas para experimentos em outros campos científicos, empenhados em dar novos papéis às células prejudicadas após a apresentação de doenças — comemora.
     
    A tecnologia teria aplicação, por exemplo, em terapias para hipotireoidismo e doença de ovário. Estima- se que até um terço da população mundial seja diabética, embora somente 16% conheçam o seu diagnóstico. Um em cada dez casos é de diabetes tipo 1, cuja maior prevalência ocorre nos primeiros 20 anos de vida. Nas outras ocorrências de diabetes, o paciente é capaz de produzir insulina.
     
    — Antes da aplicação do experimento no ser humano, é preciso acompanhar ao longo de anos as células que são transformadas em nosso corpo — ressalta Isabela. — Por enquanto, o experimento está restrito a camundongos.
     
    Fonte: O Globo
     
  • RECADASTRAMENTO

    RECADASTRAMENTO

    É imprescindível que você mantenha seus dados sempre atualizados junto ao CRF-AL, para mantê-lo bem informado, com agilidade sobre os assuntos relacionados ao setor Farmacêutico como Cursos, Palestras, Seminários, Simpósios, Congressos, entre outras informações importantes. É uma ação que objetiva a melhoria da qualidade das informações, simplificando, agilizando e potencializando os instrumentos de gestão do Conselho Regional de Farmácia. 
     
    O recadastramento foi prorrogado, e deve ser feito na sede ou pelo site, até o dia 30/04/2015.

     
    Depois de encerrado o prazo, o farmacêutico que não se cadastrar fica impossibilitado de votar, gerando as situações decorrentes deste fato.
     
    Segue o link!
     
     
     
  • Pacientes com hepatite C reclamam da espera por novos medicamentos

    Pacientes com hepatite C reclamam da espera por novos medicamentos

    Imagine sofrer há 15 ou 20 anos com uma doença viral grave ou ser familiar de alguém que passe por esse sofrimento. Daí você descobre que novos medicamentos podem representar, na prática, a cura dessa moléstia, mas o custo desse tratamento pode chegar a R$ 546 mil.
     
    Se você é brasileiro pode contar, em tese, com o SUS (Sistema Único de Saúde) para financiar a compra desses medicamentos. Contudo, o que fazer se até mesmo essa ajuda parece demorar demais? Para um grupo de pacientes com hepatite C e seus familiares a ideia foi aderir a um grupo pela internet e exigir que o custeio desse tratamento aconteça o mais rápido possível.
     
    O “Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite” e o portal “Hepato”, que reúnem mais de 40 mil curtidores em todo o Brasil, questionam porque os medicamentos simeprevir, sofosbuvir e daclatasvir ainda não estão sendo distribuídos para os pacientes infectados com o vírus, mais de três meses após a aprovação de seu uso.
     
    Em junho, a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) aprovou a incorporação dos três remédios que, segundo o Ministério da Saúde, tem seis meses como prazo máximo legal para serem distribuídos na rede pública de saúde.
     
    Mas apesar de não poder se falar ainda em atraso, para quem vê a própria vida ou a de um parente ameaçada de ser interrompida a qualquer momento, esperar mais três meses é uma hipótese considerada “absurda”.
     
    “Você saber que tem um medicamento que pode curar uma pessoa da sua família e não ter acesso é uma coisa absurda”, protesta Valéria Corrêa Mello. A mãe dela, a dona Arlete Talarico Corrêa Mello, 79, sofre com a enfermidade há quase 13 anos.
     
    “Ela já passou ao estágio de início de cirrose e no relatório médico dela diz que o risco de aparecer um câncer, a qualquer momento, é muito alto. Aí, esses remédios não vão fazer efeito nenhum”, conta.
     
    “Como minha mãe já é reincidente no tratamento, os remédios que ela precisa custam R$ 546 mil. Quantas pessoas no Brasil podem pagar? A maior parte dos pacientes precisa por menos semanas, 12 em média. A minha mãe precisa por 24 semanas. Só o simeprevir custa R$ 210 mil”, relata.
     
    23 ANOS DE LUTA
     
    O senhor Osvaldo Jorge Simões Buschi está há ainda mais tempo lutando contra a hepatite C e deposita todas as suas esperanças de cura nos três novos medicamentos. São mais precisamente 23 anos enfrentando a doença.
     
    “Eu sou portador do genótipo 1a, de hepatite C. E a hepatite C tem vários genótipos de vírus”, explica com a autoridade de quem conhece bem o inimigo microscópico.
     
    “O primeiro tratamento que eu fiz foi convencional, com interferon e ribavarina. Eram três aplicações semanais. Depois do convencional, veio o outro tratamento, que eu fui submetido por dois anos. Porém, essas medicações em si são paliativas. Tratam a causa, não procedem a cura. Essa, é a grande diferença. Os novos medicamentos curam e deixam o vírus indetectável”, relata.
     
    Ele deseja que os medicamentos sejam distribuídos o mais rapidamente possível. “O ministro Arthur Chioro prometeu. Fez um contrato com os laboratórios internacionais para providenciar os remédios via oral”, cobra.
     
    DE PACIENTE A ATIVISTA
     
    A luta contra a hepatite C, para Carlos Varaldo, foi muito além da busca pelo que muitos julgavam uma improvável cura, após ele receber a previsão de que teria apenas seis meses de vida.
     
    Não aceitando o prognóstico negativo, ele buscou os tratamentos mais inovadores e eficazes disponíveis na década de 1990. Acabou chegando à combinação entre interferon e ribavarina, tratamento que é padrão hoje.
     
    “Eu me tratei durante 21 meses. Tomando três injeções por semana e quatro pílulas por dia. No vigésimo mês, ainda estava positivo, mas acabei o tratamento e seis meses depois estava negativado sem vírus detectáveis no organismo e continuo assim até hoje”, comemora.
     
    “Tempos depois, uma amiga minha descobriu que tinha hepatite C. Mas ela não tinha como se tratar. Não tinha tratamento gratuito. Não tinha consenso em protocolo de tratamento no mundo. Então, surgiu a ideia de formar um grupo para conseguir que o governo desse atenção à hepatite. Na primeira reunião tínhamos 3 mil pessoas. Hoje temos 32.500 associados”, relata Varaldo, que hoje é presidente do “Grupo Otimismo”.
     
    Sobre os novos medicamentos, Varaldo expressa ao mesmo tempo satisfação e preocupação. Embora elogie como sendo inovadora a forma como o Ministério da Saúde negociou a compra desses produtos, ele critica a demora para que o tratamento efetivamente chegue à rede pública de saúde.
     
    “Qual o problema neste momento? No final de julho, foram assinados os contratos. Um medicamento, o daclatasvir, foi pago e já foi entregue. Está em Brasília. Os outros dois medicamentos, o sofosbuvir e simeprevir foram assinados os contratos. Em agosto, eles foram publicados no Diário Oficial, mas entrou a crise, entrou o ministro Joaquim Levy e se suspendeu o pagamento”, critica.
     
    “O pagamento tem que sair. Esse dinheiro está empenhado. Mas até hoje está tudo parado e esse é o grande medo. Com a mudança do ministro não sabemos o que vem por aí”, questiona.
     
    O DAF (Departamento de Assistência Farmacêutica), ligado ao Ministério da Saúde, teria acenado com a possibilidade de colocar os três novos medicamentos à disposição, a partir da 2ª quinzena de outubro, segundo Varaldo.
     
    OUTRO LADO
     
    De acordo com o Ministério da Saúde não se pode falar em atraso no caso da distribuição dos medicamentos daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir, apesar de justificada a ansiedade dos pacientes e familiares.
     
    “O Ministério da Saúde reforça que os três novos medicamentos (daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir) para tratamento de hepatite C estarão disponíveis na rede pública de saúde até dezembro, conforme anunciado pela pasta em julho deste ano. Cabe informar ainda que, como esses produtos foram incorporados no SUS em julho deste ano, a oferta está dentro do prazo previsto”, explica nota do ministério.
     
    Ainda segundo a pasta, “inicialmente, os medicamentos devem atender a cerca de 30 mil pacientes com dificuldades de cura com o tratamento já disponível. Entre eles estão pacientes em retratamento, com HIV, cirrose descompensada e que passaram por transplante”.
     
    O comunicado exalta também o fato de que “o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a incorporar a nova terapia, que trará um avanço importante na assistência dos pacientes com hepatite C, aumentando as chances de cura em mais de 90% e diminuindo o tempo de tratamento”.
     
    A compra dos três novos medicamentos, segundo o ministério, envolve R$ 500 milhões em investimentos. Por fim, a nota do órgão federal cita os medicamentos já disponíveis no SUS para tratar a doença. São eles:
     
    Alfainterferona 2b 3.000MUI
    Alfainterferona 2b 5.000MUI
    Alfapeginterferona 1A de 180 mcg
    Alfapeginterferona 1B de 80, 100 e 120 mcg
    Ribavirina 250mg
    Boceprevir 200mg
    Telaprevir 375mg
    Filgrastim 300 mcg
     
    Fonte: Folha de S.Paulo / Site
     
  • OMS defende tratamento precoce com medicamentos para todos os portadores de HIV

    OMS defende tratamento precoce com medicamentos para todos os portadores de HIV

    Todas as pessoas com HIV deveriam receber medicamentos antirretrovirais o mais rapidamente possível após o diagnóstico, o que significa que 37 milhões de pessoas no mundo inteiro precisariam estar em tratamento, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira.
     
    Ensaios clínicos recentes confirmaram que o uso precoce de medicamentes prolonga a vida das pessoas com o vírus da Aids e reduz o risco de transmissão da doença para parceiros, disse a OMS em um comunicado que estabelece um novo objetivo para seus 194 Estados membros.
     
    Sob as diretrizes anteriores da OMS, que limitavam o tratamento às pessoas cuja contagem de células imunes tivesse caído abaixo de um determinado limiar, 28 milhões de pessoas eram consideradas elegíveis para a terapia antirretroviral.
     
    Todas as pessoas em situação de risco “substancial” de contrair o HIV também devem receber a terapia preventiva, e não apenas os homens que fazem sexo com homens, disse a OMS.
     
    “Todo mundo vivendo com HIV tem o direito a um tratamento para salvar vidas. As novas diretrizes são um passo muito importante no sentido de garantir que todas as pessoas que vivem com HIV tenham acesso imediato a tratamento antirretroviral”, disse Michel Sidibe, diretor executivo da Unaids.
     
    A medida levará a um aumento acentuado na demanda por medicamentos antirretrovirais que normalmente são dados como um coquetel de três drogas para evitar o risco de o vírus desenvolver resistência.
     
    Os principais fornecedores de medicamentos para o HIV incluem a Gilead Sciences, a ViiV Healthcare, que é maioritariamente propriedade da GlaxoSmithKline, e vários fabricantes indianos de medicamentos genéricos.
     
    Fonte: Reuters Brasil
  • Célula-tronco é usada em cirurgia contra cegueira

    Célula-tronco é usada em cirurgia contra cegueira

    Cirurgiões do Reino Unidos fizeram uma operação pioneira com células-tronco embrionárias para curar a perda de visão. A intervenção, que só foi divulgada ontem, aconteceu no mês passado e teve como paciente uma mulher de 60 anos, que sofre de uma doença ocular degenerativa e não quis ser identificada. Ela passa bem.
     
    O professor Lyndon Da Cruz, do Hospital Moorfields Eye, de Londres, esteve à frente da operação, que consistiu em criar um “remendo” de células com base em uma célula extraída diretamente do epitélio da retina.
     
    O centro médico e os especialistas envolvidos esperam que até dezembro possam divulgar os resultados finais do experimento, avaliando se a perda de visão foi controlada. “Espero que no futuro muitos pacientes se beneficiem desse transplante de células”, ressaltou Da Cruz.
     
    Segundo a equipe médica, uma célula-tronco de um embrião doado e criado a partir de um tratamento de fertilização in vitro foi preparada em laboratório para criar o epitélio pigmentário retinal, uma capa de células pigmentadas que aparece na retina e alimenta as células visuais. A degeneração macular (DMRI, em português), da qual sofria a paciente, é responsável por 50% de todos os casos de cegueira ou perda de visão no mundo desenvolvido.
     
    Geralmente afeta pessoas com mais de 50 anos e prejudica tanto a visão de longe como a de perto, podendo impedir atividades como a leitura. Até 2020, o número de casos de DMRI pode chegar a 8 milhões, considerando quem tem mais de 65 anos.
     
    O atual programa de estudos foi estabelecido há dez anos com diversos órgãos, incluindo o Instituto de Oftalmologia da University College London (UCL) e o Instituto Nacional de Investigação da Saúde. Desde 2009, o experimento conta ainda com o apoio da gigante farmacêutica Pfizer. Ao todo, dez pacientes, que apresentam a versão “úmida” ou mais grave da doença, tendo risco de cegueira futura, devem ser tratados com a nova técnica e monitorados durante um ano.
     
    Larga escala
     
    Chris Mason, professor de Medicina Regenerativa na UCL, considera que o estudo é importante tanto pela possibilidade de tratar uma das principais causas de cegueira como pelos avanços na compreensão do uso de célulastronco embrionárias em tratamentos. “Se os ensaios forem bem-sucedidos, essa terapiapoderá tornar-se acessível em larga escala.”
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Disputa entre setores impede efetivação de política de descarte de remédios

    Disputa entre setores impede efetivação de política de descarte de remédios

    Há quase cinco anos, os principais atores do setor farmacêutico tentam entrar em acordo para regulamentar o descarte de medicamentos vencidos. Esses produtos não podem ser jogados no lixo comum causando o risco de contaminação de pessoas e do meio ambiente.
     
    A obrigação de criar um sistema de recolhimento e destinação final de produtos que possam causar danos à saúde e ao meio ambiente está prevista na lei 12.305, de 2010, mas até hoje não é cumprida. A partir de um decreto, também de 2010, esperava-se que um acordo entre governo e representantes da cadeia de medicamentos pudesse ser firmado com o objetivo de facilitar o descarte pela população.
     
    A disputa entre fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de remédios atrasa a criação de uma cadeia de recolhimento de medicamentos chamada de “logística reversa”. Por ela, o remédio faria o caminho contrário: do consumidor, voltaria à farmácia, que enviaria à distribuidora, que encaminharia para o fabricante do remédio, para que o produto possa ser incinerado e enviado a um aterro sanitário. Hoje, o descarte pode ser feito em algumas farmácias ou UBSs, mas não segue padrão e não há responsabilidades firmadas.
     
    Jogo de empurra
     
    Hoje, cerca de 700 farmácias brasileiras recebem e arcam com os custos da incineração dos medicamentos. A Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) critica a responsabilidade atribuída às farmácias. “Nosso papel, que é o papel do varejo em qualquer lugar do mundo, é interagir com o cliente, educá-lo e receber o resíduo, deixando-o a disposição do fabricante para que seja retirado”, afirma o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto. “Apesar de algumas farmácias oferecerem o serviço de maneira voluntária, há locais em que simplesmente não há estrutura, e além disso, o custo de inicineração é bastante alto”, acrescenta.
     
    Mena Barreto culpa a indústria farmacêutica pelos entraves à criação da “logística reversa”. “Eles (a indústria farmacêutica) acham que assim que colocaram o remédio no mercado não é mais problema deles. Se o fabricante não estiver envolvido ou disposto a colaborar com o processo de destinar o medicamento de maneira correta fica inviável para o restante da cadeia”, disse.
     
    A diretora da associação que reúne os principais fabricantes de remédio do Brasil, a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), Maria José Delgado Fagundes, explica que as dificuldades de se firmar um acordo setorial se dão porque os medicamentos possuem características peculiares quando comparados aos outros produtos, o que dificulta o estabelecimento da logística reversa.
     
    “Há um problema complexo relacionado à logística, porque é um processo que necessita de um controle rígido do que é captado, desde o ponto de entrega até o final. Pode haver roubo da carga, fraude, e outros crimes”, afirma. Ela contou ainda que vários modelos já foram analisados pelo grupo de trabalho da comissão criada para analisar o caso, mas que não houve ainda consenso.
     
    Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os membros da cadeia produtiva de medicamentos atribuem uns aos outros as principais responsabilidades pelo gerenciamento dos medicamentos vencidos e “nesse contexto, as propostas tornaram-se divergentes”. “Nenhuma delas forneceu dados sobre a forma como deverá ser feito o recolhimento dos medicamentos, e se limitaram a conferir ao governo e aos outros proponentes as obrigações de efetuar a logística reversa dos medicamentos pós-consumo”, informou a pasta através de sua assessoria de imprensa.
     
    O Ministério do Meio Ambiente informou que continua dialogando com o setor farmacêutico para que um acordo setorial de âmbito nacional seja implementado.
     
    Fonte: UOL