Category: Notícias

  • Deficiências no metabolismo lipídico podem estar envolvidas na patogênese da enxaqueca

    Deficiências no metabolismo lipídico podem estar envolvidas na patogênese da enxaqueca

    Uma nova pesquisa sugere que a enxaqueca pode estar associada a irregularidades no metabolismo de certos lipídeos, abrindo novos caminhos para a investigação de possíveis tratamentos e biomarcadores para a doença [1].
     
    A pesquisa foi publicada online no início de setembro no periódico Neurology e teve foco em um grupo de lipídios bioativos conhecidos como esfingolipídeos, que são componentes críticos de membranas celulares e também desempenham um papel na regulação da homeostase energética, apoptose e inflamação.
     
    Os pesquisadores do Johns School of Medicine destacam que distúrbios neurológicos como resultado de deficiências graves em enzimas que regulam o metabolismo de esfingolipídeos são descritos há muito tempo (por exemplo, a doença de Gaucher), entretanto estudos recentes têm sugerido que mesmo alterações sutis no equilíbrio de esfingolípidos podem estar envolvidas em demência, esclerose múltipla, obesidade, e dor.
     
    De maneira inovadora, em seu estudo, eles mostraram mudanças nos níveis esfingolipídios em pacientes com enxaqueca, implicando particularmente em dois subtipos de esfingolipídios: ceramida e esfingomielina.
     
    Segundo os autores os resultados sugerem que é possível que a enxaqueca seja um distúrbio neurológico “menor” do metabolismo de esfingolipídeos. Entretanto reiteram a necessidade de mais pesquisas, validando as associações de ceramida e esfingomielina com enxaqueca, bem como mecanismos que levam a essas associações… “Isso pode melhorar a compreensão da fisiopatologia da enxaqueca e possibilitar a identificação de novos biomarcadores da enxaqueca e drogas terapêuticas direcionadas contra vias esfingolipídios.”
     
    O estudo…
     
    Para o estudo, 52 mulheres com enxaqueca episódica (com média de 5,6 dias de dor de cabeça por mês) e 36 mulheres sem qualquer dor de cabeça foram submetidas a exame neurológico, estimativa de índice de massa corporal medido, e  coleta de amostras de sangue para a dosagem de vários esfingolipídeos.
     
    Os resultados mostraram que os níveis totais de ceramidas foram diminuídos em mulheres com enxaqueca episódica em comparação com aquelas mulheres sem cefaleia. Mulheres com enxaqueca tinham níveis de aproximadamente 6000 ng/mL vs cerca de 10.500 ng/mL para mulheres sem dor de cabeça. Cada aumento do desvio padrão dos níveis totais de ceramida foi associada a uma redução do risco de enxaqueca superior a 90%.
     
    Além disso, foram encontrados dois tipos de esfingomielinas com níveis aumentados em mulheres com enxaqueca, com cada aumento desvio padrão associado a risco 2,5 vezes maior para a enxaqueca.
     
    Os pesquisadores também testaram o sangue de uma pequena amostra aleatória de 14 dos participantes para um painel desses lipídios e foram capazes de identificar corretamente aqueles que tinham enxaqueca ou que eram controles sem dor de cabeça, com base nesses níveis de lipídios no sangue.
     
    Comentário
     
    A enxaqueca é uma condição debilitante, extremamente prevalente, com patogênese pouco conhecida. O estudo comentado indica que a condição pode estar relacionada a alterações “menores” no metabolismo de esfingolipídeos, em especial ceramida e esfingomielina. Essa descoberta, apesar do reduzido número amostral, abre portas para novas pesquisas, com foco em diagnóstico e novas linhas de tratamento.
     
    Referências
     
    Peterlin BL, Mielke MM, Dickens AM, Chatterjee S, Dash P, Alexander G, et al. Interictal, circulating sphingolipids in women with episodic migraine: A case-control study. Neurology [Internet]. Lippincott Williams & Wilkins; 2015 [cited 2015 Sep 13];10.1212/WNL.0000000000002004. Available from: http://www.neurology.org/content/early/2015/09/09/WNL.0000000000002004.abstract
     
    Fonte: https://farmaceuticoclinico.com.br/groups/view/5/topic_id:1492/show:topics
  • 5.000% a mais por uma droga contra AIDS e câncer

    5.000% a mais por uma droga contra AIDS e câncer

    No complexo e cada vez mais importante debate sobre os custos da saúde, acaba de surgir um personagem que vai galvanizar a atenção dos políticos e do público, e colocar o custo dos medicamentos no meio da campanha presidencial norte-americana.
     
    Martin Shkreli, de 32 anos, se tornou uma espécie de jovem Mr. Burns do mundo real — o símbolo da ganância desenfreada — depois que o The New York Times publicou ontem a estória da Turing Pharmaceuticals, a empresa de medicamentos fundada e dirigida por Shkreli, ex-gestor de um fundo de investimentos. Em agosto, a Turing comprou os direitos de comercializar uma droga chamada Daraprim, um remédio que existe há 62 anos e é usado para tratar crianças com toxoplasmose e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, principalmente pacientes com AIDS e câncer.
     
    Cada comprimido de Daraprim custava 13,50 dólares, até que a Turing aumentou o preço, da noite para o dia, para 750 dólares — meros 5.455% a mais.
     
    O Times foi atrás e descobriu que aumentos abusivos no preço de medicamentos estão se tornando a cocaína da indústria farmacêutica americana.
     
    Exemplo 1: A cicloserina é um medicamento usado para tratar um tipo de tuberculose resistente a vários tipos de drogas. Depois que foi adquirida pela Rodelis Therapeutics, o preço pulou de 500 dólares (a embalagem com 30 pílulas) para impagáveis 10.800 dólares. (A empresa ‘justificou’ ao NYT que precisava do aumento para investir mais e assim poder garantir o fornecimento.)
     
    Exemplo 2: Recentemente, a Valeant (uma das maiores farmacêuticas dos EUA) comprou duas drogas para doenças coronarianas: a Isuprel e a Nitropress. Imediatamente, os preços subiram 525% e 212%, respectivamente. Detalhe: a empresa que anteriormente detinha os direitos já havia quintuplicado os preços das drogas desde 2013, quando as comprou de seu proprietário anterior.Exemplo 3: Um antibiótico chamado doxiciclina foi de 20 dólares em outubro de 2013 para 1.849 dólares em abril de 2014.
     
    Hoje de manhã, a matéria do NYT explodiu na cena política americana. Hillary Clinton, a pré-candidata do Partido Democrata, tuitou que esse tipo de aumento abusivo é inadmissível e prometeu apresentar amanhã um plano para combater esta prática. O tweet de Hillary derrubou os preços de várias empresas farmacêuticas, e fez o índice Nasdaq despencar momentaneamente.
     
    No sistema de saúde americano, o programa federal Medicaid (que tenta garantir acesso à saúde para os mais pobres) e alguns hospitais conseguem comprar medicamentos com desconto, mas as seguradoras privadas, o programa Medicare e pacientes hospitalizados costumam pagar o preço de tabela.
     
    Shkreli, o Mr. Burns da estória, conseguiu piorar a situação com frases de sensibilidade ímpar. Explicando a explosão no preço da Daraprim à Bloomberg, ele disse: “Esta droga salva sua vida por 50 mil dólares. Isso ainda é uma barganha para as seguradoras. Neste preço, não é nem pra pensar.”
     
    Para o próprio NYT, posou de empreendedor fazendo a coisa certa: “Isso aqui não é uma companhia gananciosa tentando lesar pacientes. É a gente tentando continuar no azul.” (ele argumenta que, como os pacientes tendem a usar a droga ‘apenas’ por algumas semanas, o aumento não é um ‘big deal’.) Por essas e outras, já foi chamado no Twitter de ‘bloodsucker’ e ‘pharma-Hitler’.
     
    O problema é que Shkreli não tem credibilidade. De acordo com o Times, depois de lançar seu fundo de investimentos com vinte e poucos anos, Shkreli chamou atenção ao empregar uma tática que confirma seus limites éticos (ou a falta deles): ele fazia lobby junto à FoodDrug Administration (a agência do governo americano que aprova medicamentos) para que a agência não aprovasse drogas fabricadas por algumas empresas. Quais empresas? Aquelas contra as quais seu hedge fund apostava na Bolsa.
     
    Uma pessoa que conhece Shkreli disse à coluna que a comparação com Mr. Burns é um insulto… a Mr. Burns. Mas, como a Daraprim é uma droga de uso limitado — houve apenas 8.800 receitas nos EUA ano passado — Shkreli provavelmente vai se safar.
     
    O debate sobre custos médicos em geral (e de medicamentos em particular) está pegando fogo em todas as partes do mundo. Os fabricantes de medicamentos precisam de políticas públicas que não tolham a pesquisa e o investimento, já que as drogas não nascem do intelecto e boa vontade dos cientistas apenas, mas também do incentivo que os acionistas das empresas têm ao financiar as pesquisas.
     
    Mas casos como o de Shkreli e os outros listados pelo NYT jogarão a opinião pública (com razão) contra a indústria, e os justos provavelmente acabarão pagando pelos pecadores.
     
    Fonte: Veja Online
     
  • Prevenção no DNA

    Prevenção no DNA

    O mapeamento do genoma humano representou um avanço sem precedentes para a medicina. Hoje, sabe-se que fatores genéticos estão presentes em patologias das mais variadas especialidades médicas, seja determinando, seja contribuindo, em conjunto com outros fatores ambientais e não genéticos, para a eclosão de doenças. Esse conhecimento pode ajudar a evitar enfermidades antes mesmo da concepção, no caso de uma reprodução assistida. Há ainda importantes testes durante a gestação que preparam familiares e especialistas para uma atenção especial no parto.
     
    Segundo Marcos Aguiar, professor de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Serviço de Genética do Hospital das Clínicas, quando se pensa na genética em função da prevenção, a primeira coisa a se fazer é uma história familiar. “Por meio dela, sabemos se há risco aumentado para algumas doenças. Temos exames para identificar isso, embora ainda exista uma série de limitações”, diz
     
    Aguiar explica que, para a maioria das patologias, principalmente as mais comuns, ainda não se sabe exatamente como é a interação entre os fatores genéticos e os ambientais. “Já foram identificados, por exemplo, muitos genes relacionados ao diabetes, mas poucos daqueles que definem se a pessoa terá ou não a doença”, ressalta.
     
    Esses são os chamados genes de predisposição. “Quando a pessoa tem uma mutação, pode ter uma chance maior de desenvolver a doença. É preciso que fique claro que não significa que ela vai ter o problema. Trata-se de uma indicação de uma probabilidade maior”, ressalta Aguiar. Segundo o especialista, a grande questão é que a maioria das doenças, as mais comuns, não depende apenas de fatores genéticos, mas também dos externos.
     
    “No caso de um diabético, mais importante do que identificar os genes é fazer uma dieta adequada. O mesmo se aplica àqueles com histórico familiar de cardiopatias isquêmicas, como o infarto. Nessa condição, mais importante do que fazer um estudo genético é praticar exercício físico e ter uma dieta saudável”, exemplifica.
     
    Aguiar explica que a genética ajuda muito na identificação de grupos de risco. Como entre pessoas com um histórico familiar de câncer, já que existem alguns tumores malignos com natureza genética. “Se for encontrada uma mutação de gene, não significa que a pessoa necessariamente terá câncer. Uma mutação nos BRCA1 e BRCA2, por exemplo, indica uma maior probabilidade de a mulher ter câncer de mama e de ovário e de o homem ter câncer de mama e de próstata”, pondera.
     
    Mais indicados
     
    Quando procurar um geneticista? Para Aguiar, as situações mais comuns são quando existe uma doença genética bem estabelecida na família, como fibrose cística, anemia falciforme, síndrome de Down e outras máformações, além do câncer. Outra situação são casais que planejam engravidar e têm um filho, parente próximo ou são consanguíneos de alguém com má-formação.
     
    Mulheres com histórico de abortamento de repetição, que tiveram um filho natimorto e aquelas com mais de 35 anos também podem se beneficiar de uma investigação desse tipo. “O geneticista pode ajudar na prevenção para que os problemas não ocorram de novo ou informar sobre os riscos para que as pessoas tomem suas decisões reprodutivas”, explica.
     
    O Projeto Genoma Humano representou uma revolução em relação às gestações de risco, ao tratamento fetal e ao aconselhamento familiar. Segundo Anisse Chami, médica geneticista do Grupo Hermes Pardini e da Rede Mater Dei de Saúde, ao se pensar em genética e prevenção, é preciso considerar os cuidados maternos para evitar má-formações congênitas e doenças genéticas antes mesmo da gravidez.
     
    “O uso do ácido fólico evita defeitos do tubo neural, estrutura que forma o sistema nervoso central. O consumo de álcool durante a gestação pode causar graves e diversos problemas para o feto, culminando, inclusive, em um quadro chamado síndrome alcoólica fetal. Doenças maternas como lúpus eritematoso sistêmico, obesidade e diabetes melitus devem ser controladas, pois estão associadas a má-formações congênitas. Determinados medicamentos de uso controlado, muitas vezes, também requerem substituições por outros que não causariam problemas fetais”, lista Chami.
     
    Gravidez assistida
     
    Segundo Rívia Mara Lamaita, ginecologista especialista em infertilidade, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Centro de Reprodução Humana da Rede Mater Dei de Saúde, ainda entre os cuidados pré-gestacionais, existe a possibilidade de fazer um diagnóstico genético pré-implantacional (PGD). Nesse tipo de rastreamento, depois de identificada alguma doença genética na família do pai ou da mãe, pesquisa-se se alguns dos embriões candidatos à implantação têm a mesma mutação para que seja evitada a implantação de um embrião não saudável.
     
    A outra opção é o screening cromossômico pré-gestacional (PGS), que avalia casais com risco reprodutivo aumentado de ter anomalias cromossômicas por causa da idade, por exemplo. O acesso a esses exames, entretanto, ainda é pequeno — o PGS custa entre R$ 6 mil e R$ 8 mil, por exemplo. Por outro lado, eles podem garantir, se identificada alguma dessas situações, a possibilidade de fazer uma seleção de embriões com o objetivo de evitar uma doença gênica. “É possível ainda eleger o melhor embrião para uma gravidez saudável, o que também pode diminuir a incidência de gestação múltipla”, explica Rívia.
     
    Fonte: Correio Braziliense
     
     
     
  • Britânicos pedem permissão para alterar genes de embriões humanos

    Britânicos pedem permissão para alterar genes de embriões humanos

    Cientistas britânicos pediram permissão para alterar os genes de embriões humanos em experimentos destinados a descobrir mais informações sobre os primeiros estágios do desenvolvimento. O pedido aparece apenas alguns meses depois de pesquisadores chineses causarem furor internacional ao realizarem, pela primeira vez na História, um experimento em que modificaram genes de embriões humanos, abrindo calorosos debates sobre as questões éticas que envolvem o assunto.Desta vez, pesquisadores do Instituto Francis Crick, de Londres, pediram ao órgão regulador de fertilidade do governo britânico licença para realizar experimentos semelhantes. O departamento, por sua vez, confirmou o recebimento do pedido, que ainda será analisado.
     
    A pesquisadora, uma cientista de células-tronco chamada Kathy Niakan, salientou que a intenção é aplicar o experimento em reprodução humana e que seu objetivo é aprofundar a compreensão científica de como um embrião saudável se desenvolve.
     
    “Esse conhecimento pode melhorar o desenvolvimento do embrião após a fertilização in vitro e proporcionar melhores tratamentos clínicos para a infertilidade”, disse ela em um comunicado, acrescentando: “Quaisquer embriões doados seriam utilizados apenas para fins de pesquisa”.
     
    Cientistas de todo o mundo estão atualmente debatendo o potencial uso futuro da nova tecnologia genética conhecida como CRISPR- Cas9, que permite aos pesquisadores alterarem praticamente qualquer gene, inclusive em embriões humanos.
     
    Embora a tecnologia permita aos cientistas encontrar e alterar ou substituir defeitos genéticos, os críticos dizem que ela também tem o potencial de criar “bebês projetados” — um conceito amplamente desaprovado.
     
    PEDIDOS DE CAUTELA
     
    Em março deste ano, a revista “Nature” publicou um alerta de alguns dos pesquisadores mais respeitados na área, pedindo uma moratória em estudos que envolvam a manipulação genética de espermatozoides, óvulos e embriões humanos. O artigo foi assinado pelo presidente da Aliança para a Medicina Regenerativa, o cientista Edward Lanphier, e por outros quatro especialistas.
     
    Fonte: O Globo
  • A praga do diabetes

    A praga do diabetes

    O diagnóstico do diabetes na vida adulta geralmente está relacionado a uma dieta rica em açúcar e gorduras. Combinada a uma rotina sedentária, a má alimentação é uma condição propícia para o desenvolvimento da resistência à insulina, a substância responsável por equilibrar o nível de glicose no sangue. No entanto, mesmo alimentos saudáveis, como peixes e vegetais, podem ocultar um vilão pouco conhecido: pesticidas e outros compostos químicos que persistem por anos no solo e no organismo de animais e podem aumentar as chances de desenvolvimento de todos os tipos da síndrome metabólica em 61%.
     
    O número foi divulgado no encontro da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes, semana passada, em Estocolmo. Um grupo de cientistas analisou 21 pesquisas que estudaram a relação entre os pesticidas e o diabetes em mais de 66 mil indivíduos de diversos países. “Nós ficamos surpresos com a consistência dos resultados em diferentes subgrupos e com a análise de sensitividade, onde o risco relativo permanece alto”, afirmou ao Correio Evangelos Evangelou, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Imperial College, de Londres, e um dos autores do trabalho comparativo.
     
    Evangelou ressalta que os artigos analisados não explicam o mecanismo que pode ligar os pesticidas à doença. No entanto, ele também lembra que existem outros trabalhos experimentais — feitos com animais e em testes in vitro — mostrando que os pesticidas podem estimular a resistência à insulina, o que levaria ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. Quando investigaram especificamente a influência desses contaminantes sobre a variação desse tipo de diabetes, os artigos apontaram para um aumento de incidência de até 64%. “Mas seria importante a realização de uma revisão sistemática dos mecanismos do desenvolvimento desse diabetes por meio dos pesticidas e contaminantes orgânicos em geral”, pondera o pesquisador.
     
    As análises não indicaram se a predisposição genética ou outros agentes ambientais agravam o efeito dos pesticidas sobre o metabolismo, mas alguns fatores indicam que os pacientes com maior índice de gordura corporal podem estar mais sujeitos ao diabetes causado pela exposição aos compostos tóxicos. Isso ocorre porque a insolubilidade dos pesticidas e de outros poluentes permite que eles fiquem armazenados por um longo tempo no tecido adiposo de humanos e animais.
     
    “No entanto, também encontramos uma alta concentração de poluentes no tecido adiposo de pessoas magras que tiveram uma grande exposição (a essas substâncias)”, explica Juan Pedro Arrebola, especialista e pesquisador da Universidade de Granada. Arrebola realizou em 2013 um estudo com 386 pacientes de um hospital de Granada, na Espanha, e notou que a presença de algumas substâncias tóxicas, como o DDT, pode aumentar as chances de desenvolver diabetes em até quatro vezes.
     
    Reação imunológica
     
    Os cientistas acreditam que esses compostos causem uma resposta imunológica que levaria ao problema metabólico. “Certos químicos podem exercer um efeito imunotóxico ao se ligarem aos receptores de estrogênio, o que induz uma inflamação crônica, reduz a função mitocondrial, leva à oxidação dos ácidos graxos e ao aumento da lipólise, todos fatores relacionados à síndrome de resistência à insulina”, explica Arrebola. Estudos também mostram que os pesticidas podem alterar a função das células beta que produzem a insulina. Isso significa que a intoxicação ao longo prazo poderia levar também ao diabetes tipo 1.
     
    Outro artigo do grupo de Juan Pedro Arrebola, publicado no fim do ano passado, demonstrou a relação de poluentes orgânicos com o diabetes gestacional. O estudo analisou 107 mulheres que tinham histórico da doença e demonstrou uma relação entre as concentrações de poluentes e a resistência à insulina desenvolvida pelo organismo da maioria das pacientes. Os pesquisadores acreditam que a condição subclínica talvez seja compensada pelo aumento da produção de insulina, o que explicaria a dificuldade em relacionar os níveis de glicose em jejum com os poluentes.
     
    Persistentes
     
    Entre as substâncias encontradas no organismo dos pacientes que desenvolveram diabetes, estão compostos como o DDT e o clordano, dois inseticidas que tiveram o uso banido na maioria dos países, mas que permanecem presentes em animais e seres humanos. Estão na lista dos chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs), que ganham esse nome justamente pelo longo prazo que levam para desaparecer. O DDT, por exemplo, leva até 30 anos para sumir de solos e águas contaminados. Já o clordano, que antigamente era usado para o extermínio de cupins, pode ser encontrado décadas depois de ser aplicado nas residências.
     
    Os peixes são considerados as maiores vítimas desses compostos, que acabam se concentrando em mares próximos a áreas industriais e nas regiões polares. Enquanto nos humanos os efeitos dos pesticidas ainda estão sendo compreendidos pelos cientistas, nos animais aquáticos, o fenômeno é bastante claro: as toxinas afetam a saúde reprodutiva desses bichos e prejudicam toda a cadeia alimentar em que estão envolvidos. Essas substâncias também são encontradas no tecido adiposo de vacas, em vegetais e em todo tipo de espécie que teve contato com um solo ou alimento contaminados.
     
    “Alguns desses compostos podem persistir por 15 a 20 anos no solo e partes deles são arrastadas pelas chuvas para o interior dos cursos d’água, que também os recebe por efluentes industriais, esgotos, sedimentos, atmosfera e contaminação direta”, explica a professora Sandra Rissato, do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Rissato ressalta que é difícil ter uma noção clara dos níveis de POPs e de outros agrotóxicos nos produtos agrícolas consumidos no Brasil. “A dificuldade está no fato de que se trata de uma contaminação invisível. É praticamente impossível para o consumidor reconhecer um produto contaminado”, lamenta. Uma possível saída para os consumidores, sugere a especialista, é optar por produtos certificados de origem orgânica e procurar conhecer o histórico dos locais de cultivo.
     
    Mais suscetíveis
     
    De acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (NIH), os profissionais que trabalham diretamente com a aplicação de pesticidas podem ter um risco 200% maior de adquirir a doença. O maior perigo à saúde identificado no estudo é do tricloforn, ainda usado para exterminar baratas e carrapatos. Esse inseticida pode aumentar as chances de desenvolver o diabetes em quase 250% para aqueles que tiveram ao menos 10 exposições à substância.
     
    PARA SABER MAIS
     
    Combate internacional
     
    Em 2004, entrou em vigor a Convenção de Estocolmo, que determina uma série de medidas a serem tomadas pelos países para a eliminação dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). O documento lista 12 substâncias que hoje têm a produção, a comercialização e o uso controlados em 160 países, incluindo o Brasil. A convenção determina que os governos promovam as melhores tecnologias e práticas para a gestão e a eliminação dos POPs, além de prevenirem sua proliferação. Por meio do acordo, são oferecidas opções tecnológicas inovadoras, além de apoio financeiro para a busca de alternativas de substituição dessas substâncias e o desenvolvimento sustentável.
     
    Fonte: Correio Braziliense
  • Mercosul fará compra conjunta de remédios

    Mercosul fará compra conjunta de remédios

    O Brasil vai passar a fazer compra conjunta de medicamentos com países do Mercosul. A estratégia, formalizada em um acordo assinado na sexta-feira, 11, em Montevidéu, no Uruguai, tem como objetivo reduzir o preço de remédios de alto custo que são usados em países do bloco. A primeira negociação começa no próximo mês, com quatro medicamentos: três indicados no tratamento de hepatite C e um para pacientes com HIV. A expectativa é de que a aquisição seja feita já em dezembro.
     
    “A centralização de compras no território brasileiro trouxe economia de até 70% em alguns produtos. Esperamos que, com a ampliação dessa estratégia, os benefícios sejam alcançados também pelos demais países do bloco”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. Desde 2010, a compra de medicamentos classificados como estratégicos passou a ser feita pelo governo federal. Até então, muitos produtos eram adquiridos por governos estaduais ou municipais, separadamente. A mudança trouxe uma redução do preço final. “Quando compramos uma quantidade maior, o poder de negociação é reforçado. E os preços caem.”
     
    A ideia é estender para medicamentos de alto custo, como os usados para pacientes com câncer, aids e doenças raras, um mecanismo de compra já usado com sucesso para a aquisição de vacinas. Atualmente, parte dos imunizantes é adquirida por meio do Fundo Rotatório, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). No caso dos medicamentos, a Opas também ficaria encarregada da compra, mas por meio de outro braço da organização, o Fundo Estratégico. “Países integrantes repassam os recursos para a Opas, que se encarrega da compra”, contou o secretário. 
     
    Massuda acredita que o novo formato não deva provocar resistência de indústrias farmacêuticas. “Há uma perspectiva para elas de ampliação de mercado”, avaliou. “E, para países envolvidos, uma redução de preços, algo que acaba ampliando o acesso da população aos produtos”, completou. Os quantitativos serão definidos governo a governo.
     
    A estratégia deverá ser estendida em 2016 para outros medicamentos. O acordo assinado nesta sexta por Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Equador e Suriname, prevê também a adoção de um banco de preços, com detalhes sobre as compras de medicamentos feitas pelos Ministérios da Saúde da América do Sul.
     
    Fonte: O Estado de S.Paulo
  • Proteína é usada para regenerar tecido cardíaco após infarto

    Proteína é usada para regenerar tecido cardíaco após infarto

    Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos EUA, conseguiram regenerar tecidos cardíacos danificados em ratos e porcos que haviam sofrido infarto. O feito foi alcançado por meio da introdução de uma espécie de curativo de colágeno “colado” no órgão, a partir de técnicas de bioengenharia. A experiência chama atenção porque, até hoje, nenhum procedimento médico foi capaz de restaurar cicatrizes em tecidos cardíacos de mamíferos adultos.
     
    — Esta descoberta abre as portas para um tratamento completamente revolucionário — assinalou Pilar Ruiz-Lozano, professora da Universidade de Stanford e autora principal da pesquisa, publicada ontem no site da revista “Nature”.
     
    Em um ataque de coração, as células do músculo cardíaco, chamadas de cardiomiócitos, morrem devido à falta de fluxo sanguíneo. Substituir essas células é vital para que o órgão se recupere totalmente. E é isso o que faz a proteína Fstl1, recém-descoberta pelos estudiosos americanos. Secretada pelo próprio epicárdio — a camada externa do coração —, a substância ajuda no crescimento dos cardiomiócitos.
     
    A próxima etapa do estudo é iniciar os testes para verificar a segurança do procedimento em seres humanos.
     
    RETORNO DA QUALIDADE DE VIDA
     
    A expectativa de devolver a quem sofreu um ataque cardíaco a qualidade de vida que tinha antes, sem o risco aumentado de insuficiência cardíaca — quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue normalmente — e arritmia, anima pesquisadores brasileiros. Professor de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dirceu Rodrigues Almeida ressalta que, no Brasil, cerca de 200 mil pessoas morrem todo ano de arritmia, uma das principais consequências de ataques cardíacos.
     
    Ele explica que o uso de proteínas para regeneração de órgãos não é novo, mas a grande dificuldade sempre foi fazer a proteína chegar até o órgão e permanecer lá. — O mérito dessa nova pesquisa é ter conseguido criar um meio, por bioengenharia, de desenvolver um “curativo” que pode envolver a parte do coração que tem a cicatriz — avalia ele. — Como esse “curativo” é feito com um colágeno que não contém células, não há necessidade de medicamentos imunossupressores para evitar rejeição. Com o tempo, o material é naturalmente absorvido pelo órgão. O que se busca, a partir disso, é tornar mínimos os danos de um infarto.
     
    Na realização do estudo, bastaram de duas a quatro semanas após a introdução da proteína para que as células musculares começassem a se proliferar e os animais progressivamente recuperassem a função cardíaca. — Muitos dos animais usados estavam tão doentes antes de começar o tratamento que teriam sido candidatos a transplante de coração — destacou a autora do estudo.
     
    Ataques cardíacos causam milhões de mortes por ano em todo o mundo. Apenas no Brasil, ocorrem em torno de 150 mil infartos a cada ano, dos quais entre 5% e 15% resultam em morte. Já nos EUA, são 735 mil casos por ano, e a expectativa é de que este número triplique até 2030.
     
    Fonte: O Globo
  • Coqueluche é transmitida a recém-nascidos por seus irmãos

    Coqueluche é transmitida a recém-nascidos por seus irmãos

    Um novo estudo descobriu que, atualmente, a forma mais comum de transmissão de coqueluche a recém-nascidos é através dos irmãos e não da mãe. Os pesquisadores determinaram a causa da transmissão de 569 bebês ocorrida de 2006 a 2013. 
     
    O pai foi o responsável por 10% das infecções, a mãe por 20,6% e os irmãos por 35,5%. A mãe foi a principal transmissora até 2008. 
     
    O estudo foi publicado há duas semanas no periódico Pediatrics.
     
    Os bebês podem receber a vacina DTPa (que também protege contra o tétano e a difteria) aos dois meses de idade, com mais quatro doses extras entre os quatro e os seis anos.
     
    A descoberta provavelmente é o resultado de uma diminuição da imunidade entre crianças e adolescentes que receberam a vacina.
     
    Como a doença pode ser transmitida por algum irmão vacinado da criança, é improvável que a estratégia de vacinar todas as pessoas que têm contato com o recém-nascido funcione para reduzir a transmissão entre os bebês muito jovens para serem vacinados.
     
    Tami H. Skoff, principal autora do estudo e epidemiologista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDB), afirmou que a vacinação de gestantes continua sendo a melhor estratégia de prevenção da coqueluche.
     
    “A gestante deve receber uma dose da DTPa em cada gestação para fornecer proteção ao bebê. Além disso, todos que têm contato com o bebê devem tomar a vacina, inclusive as doses de reforço”, afirmou.
     
    Fonte: The New York Times
     
  • Em 2014, diabetes matou mais que HIV, malária e tuberculose somados

    Em 2014, diabetes matou mais que HIV, malária e tuberculose somados

    Os números são alarmantes. A cada 7 segundos uma pessoa morre vítima de complicações causadas pela diabetes no mundo. Em 2014, foram 4,9 milhões de mortes causadas pela doença. No mesmo período, 1,2 milhão de pessoas morreram vítimas de HIV, 584 mil perderam as vidas para a Malária e 1,5 milhão para a tuberculose, segundo os números mais recentes da OMS. Ou seja, a diabetes mata mais do que todas essas outras três doenças somadas.
     
    São esses dados que fazem o presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o escocês Michael Hirst, afirmar que a diabetes é o maior desafio que temos para enfrentar no sistema de saúde em todo o mundo. “Índices de doenças cardíacas estão caindo, câncer está sendo combatido, a tuberculose e a malária, também. Mas, quando falamos de diabetes, os números continuam crescendo cada vez mais. É uma doença que está em 'desenvolvimento' e deve ser combatida enquanto há tempo”, afirmou Hirst em entrevista ao BOL.
     
    Mais de 387 milhões de pessoas em todo o planeta são diabéticas. No entanto, 46,3% delas não sabem que têm a doença. No Brasil, mais de 12 milhões são diabéticos e 24% não recebeu o diagnóstico.
     
    Em 2035, estimasse que o número de diabéticos e pessoas em estágio pré-diabetes somados ultrapassem 1,1 bilhão de pessoas. No Brasil, no mesmo período, o número de doentes deve subir para 20 milhões.
     
    “Infelizmente, não há o que fazer para impedir o país de chegar a esse número. Para mudar este cenário, reverter os índices de crescimento, seria preciso uma quebra total de paradigmas, um trabalho muito forte de políticas públicas e uma mudança total no comportamento. É muito difícil”, afirma o endocrinologista Walter Minicucci, presidente da Sociedade Brasileira de
     
    Essa dificuldade existe porque o tipo mais comum de diabetes, que atinge 90% dos doentes, é o 2, causado principalmente por maus hábitos, podendo atingir qualquer pessoa, independentemente de haver histórico familiar ou não.
     
    A diabetes tipo 2 é resultado de um processo lento, diretamente ligado ao estilo de vida urbano que está cada vez mais presente no mundo. Falta de exercícios físicos, altos níveis de estresse, excesso de comidas industrializadas e, principalmente, obesidade, são as principais causas. Contribuem também alguns fatores genéticos – indianos, por exemplo, são mais suscetíveis à doença – e o envelhecimento natural do corpo, que pode reduzir a quantidade de insulina produzida.
     
    Existem ainda outros dois tipos de diabetes. O tipo 1 pode ser desenvolvido desde o primeiro ano de vida e é basicamente a incapacidade “natural” do pâncreas de produzir a insulina, substância “chave” que abre as células e permite que a glicose seja absorvida por elas e transformada em energia para “impulsionar” o corpo. Quando há falta ou ausência da insulina, seja por fatores genéticos ou maus hábitos, os níveis de açúcar no sangue aumentam, e a pessoa desenvolve a doença. Já a diabetes gestacional, que atinge mulheres grávidas, pode afetar seriamente o bebê se não houver tratamento
     
    Doentes cada vez mais jovens
     
    O que preocupa é que cada vez menos a idade tem sido um fator determinante para o desenvolvimento da doença. A Federação Internacional de Diabetes aponta que aproximadamente 86% dos novos casos foram diagnosticados nos chamados jovens adultos, pessoas com “20 e tantos” anos, que deveriam estar gozando de saúde plena e produzindo economicamente e socialmente.
     
    Esse índice é um indicador claro de como a “urbanização” da população está afetando diretamente o comportamento e a saúde das pessoas.
     
    Para médicos e especialistas, há apenas uma forma combater o problema. É preciso conscientizar as pessoas sobre a prática de exercícios físicos, os malefícios dos alimentos industrializados e os benefícios de hábitos saudáveis dentro e fora de casa. Cerca de 80% dos casos de diabetes tipo 2 podem ser prevenidos com essa mudança de comportamento.
    “É preciso valorizar vegetais e frutas frescas, reduzir a gordura, comer menos açúcar e fazer alguma atividade física ao menos três vezes na semana por 40 minutos”, explica o médico Walter Minicucci.
     
    A diabetes não tratada pode causar danos aos olhos, rins, fígado, nervos e grandes vasos vasculares, que podem causar perda de visão, derrames, amputações, insuficiência renal e levar à morte.
     
    Sintomas, diagnóstico e tratamento
     
    Entre os sintomas mais comuns da diabetes tipo 2, estão: sede constante, vontade excessiva de urinar, cansaço, visão embaçada e perda de peso. É comum pessoas passarem até mais de 10 anos sofrendo com as consequências da doença sem saber que têm o problema.
     
    “O problema é que o quadro clínico é muito lento. A pessoa bebe mais água, mas não percebe. A visão piora e acha que precisa trocar as lentes dos óculos. Normalmente, o diagnóstico é feito em um exame de sangue ao acaso”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Por isso é de extrema importância fazer exames de sangue periódicos.
     
    A taxa glicêmica deve ser de no máximo 125 mg/dL (miligramas por decilitro) em jejum pela manhã. Exames que apresentem números maiores do que o normal indicam a necessidade de tratamento.
     
    Se identificado muito no início, o tipo 2 pode ser controlado com dieta e exercícios. Há remédios que podem ajudar a controlar a doença, mas, caso o tratamento básico não seja eficaz, é possível controlar com injeções de insulina. “Mesmo que seja com insulina, se o tratamento for feito corretamente, não há motivo algum para haver qualquer complicação”, garante o médico Walter Minicucci.
     
    O endocrinologista também alerta que o quadro de pacientes fumantes é ainda mais delicado. Apesar de não haver relação direta entre o cigarro e o desenvolvimento da doença, Minicucci acredita que a mistura de ambos é uma “tragédia” mais do que dobrada. “Fumar piora toda a parte cardiovascular, aumenta as chances de amputação e de ataques cardíacos”, avisa o especialista.
     
    Produção de insulina
     
    Para entender mais sobre a diabetes e conhecer os tratamentos disponíveis, o BOL visitou as instalações da Novo Nordisk, na Dinamarca, entre os dias 27 e 29 de agosto, a convite da indústria farmacêutica. Com fábricas em seis países, inclusive no Brasil, na cidade de Montes Claros (MG), a empresa é a maior fabricante de insulina do mundo. A companhia é responsável por suprir mais de 50% da demanda do mercado.
     
    Em 2015, a Novo Nordisk deve investir cerca de R$ 600 milhões em pesquisa, desenvolvimento e ampliação das estruturas. “Uma insulina de melhor qualidade diminui as chances de picos hipoglicêmicos, um sono de melhor qualidade, uma ação mais estável e muito menos complicações”, afirma Mike Doustdar, vice-presidente executivo de Operações Internacionais.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Descoberta tornará possível estudo de vírus que protege contra aids

    Descoberta tornará possível estudo de vírus que protege contra aids

    Há mais de uma década, cientistas descobriram que um vírus chamado GBVC tem a misteriosa capacidade de reduzir a progressão da aids em indivíduos com HIV. Agora, um grupo de cientistas, com participação brasileira, desenvolveu um modelo em macacos que permitirá estudar a infecção pelo GBVC e desvendar qual é a estratégia do vírus para impedir o desenvolvimento da aids. O estudo foi publicado na quarta-feira, 16, na revista Science Translational Medicine.
     
    Em 2009, uma equipe liderada por Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), descobriu que há uma sinergia na interação entre os vírus GBVC e HIV. “É algo inusitado. O GBVC reduz a inflamação causada pela infecção do HIV. Ele funciona como uma espécie de vírus protetor”, disse Kallás à reportagem.
     
    No estudo atual, feito pelo grupo de Kallás em parceria com cientistas da Universidade de Wisconsin (EUA), os pesquisadores conseguiram desenvolver pela primeira vez um modelo que simula, em macacos, a infecção pelo GBVC.
     
    “Com o novo modelo, vamos poder estudar a infecção em experimentos e entender exatamente o processo de proteção usado pelo GBVC. Depois vamos investigar se esse processo pode resultar em novas terapias para a aids”.
     
    Além da proteção contra a aids, o GBVC tem outras características incomuns: ao contrário de outros vírus, ele não causa doenças, nem é eliminado do corpo do hospedeiro. Embora ele seja bastante comum – ocorre em até 8% da população mundial em geral e em até 25% das pessoas com HIV – pela falta de um modelo que permita estudar sua infecção em animais, ainda não se sabe como ele faz para impedir a progressão da aids. 
     
    Segundo Kallás, a descoberta do GBVC está associada a pesquisas sobre os vírus causadores da hepatite. Nas décadas de 80 e 90, muitos cientistas estudaram as causas das hepatites que não são provocadas pelos vírus A e B. 
     
    “No fim da década de 80 foi descrito o vírus da hepatite C. A partir daí, foram descobertos os vírus da hepatite Delta e hepatite E. Mais tarde, descobriram o que se pensava inicialmente ser o vírus da hepatite G. Mas este último vírus, muito frequente, não estava ligado à hepatite: era o GBVC”, explicou Kallas.
     
    Quando os cientistas ainda estavam estudando se o novo vírus tinha relação com a hepatite, examinaram registros sobre pacientes com aids para descobrir se ele interferia na progressão da doença. 
     
    Inesperado
     
    “Foi no início da década de 2000 que alguns estudos mostraram algo totalmente inesperado: a presença do GBVC não acelerava a progressão da aids – ao contrário, diminuía seu ritmo. Foi surpreendente descobrir um vírus que poderia ter um efeito benéfico de proteção do hospedeiro de outro vírus”, disse o pesquisador.
     
    A partir daí, tiveram início diversos estudos para descobrir como o GBVC protegia portadores de HIV. Diversas hipóteses foram levantadas, como uma competição entre os dois vírus, ou uma capacidade de bloqueio da infecção por HIV. Até que o grupo da USP conseguiu determinar pela primeira vez que o GBVC reduz a inflamação no organismo do hospedeiro. “É como se ele tivesse um efeito anti-inflamatório específico para as células mais inflamadas pela infecção do HIV. Publicamos um artigo em 2009 revelando esse mecanismo”, declarou. 
     
    Mais tarde, um grupo de cientistas da Califórnia, nos Estados Unidos, estudando dados de pessoas que tinham aids antes do desenvolvimento dos coquetéis, tiveram uma redução de 50% na infecção pelo HIV quando recebiam doações de sangue de pessoas infectadas com o GBVC.
     
    Depois dessas descobertas, Kallás começou a trabalhar com um colega da Universidade de Wisconsin, David O’Connor, que liderava um projeto de pesquisa em busca de vírus emergentes em Uganda, na África.
     
    Dispondo de técnicas de biologia molecular bastante sofisticadas, O'Connor coletou amostras de macacos selvagens em busca de novos vírus. 
     
    “Em seus ensaios de prospecção de novos vírus, ele descobriu que o vírus SIV – equivalente ao HIV em macacos – era relativamente frequente. E encontrou também com grande frequência os GBVC. Foi a partir daí que pensamos em estudar a concomitância desses dois vírus em macacos”, explicou Kallas.
     
    Quando O'Connor analisou os dados dos macacos que tinham GBVC, descobriu que todos estavam infectados por SIV. “Parecia que os dois vírus agiam juntos. Começamos então a trabalhar em um modelo de macacos para responder como o GBVC é capaz de proteger o hospedeiro.
     
    Os cientistas montaram então um modelo para infectar macacos em laboratório com o GBVC, algo que ainda não havia sido feito. “Além de descrever como a infecção aguda acontece, esse modelo sedimenta o que precisamos saber para fazer estudos experimentais para a infecção de SIV e GBVC nos macacos. Com isso esperamos entender com precisão os processos de proteção”, disse.
     
    Com um financiamento obtido junto ao governo dos Estados Unidos, os cientistas prosseguirão agora os estudos. O grupo de Wisconsin fará as observações em animais, enquanto o grupo de São Paulo reproduzirá os estudos nas amostras de sangue de pessoas que vivem com HIV, sabendo que uma em cada quatro delas estão infectadas também com o GBVC. 
     
    “Unindo os dados experimentais e clínicos, esperamos responder várias perguntas. Onde esses vírus se distribuem no organismo das pessoas? Se a infecção por GBVC vier antes ou depois da infecção por HIV o efeito é diferente? Será que esse efeito pode resultar em uma terapia que envolva injetar o GBVC em pacientes para reduzir a progressão da aids?.”
     
    Fonte: Uol Saúde