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  • Estudo aponta impacto do transplante de células-tronco nas imunodeficiências

    Estudo aponta impacto do transplante de células-tronco nas imunodeficiências

    Transplantes de células-tronco hematopoiéticas têm sido decisivos no tratamento de imunodeficiências congênitas no Brasil. É o que comprovou um estudo do Grupo de Trabalho de Transplante Pediátrico, da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), apresentado no início do mês, em San Diego, nos Estados Unidos, durante encontro internacional.
     
    O estudo avaliou 166 pacientes com imunodeficiência primária, submetidos ao transplante entre 1992 e abril de 2014, em dez diferentes centros transplantadores do país, entre instituições públicas e privadas. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com menos de 3 anos de idade, visto que a doença se manifesta quase sempre de maneira precoce e apresenta alto índice de mortalidade, se não diagnosticadas na fase inicial.
     
    De acordo com a coordenadora do levantamento na Universidade Federal do Paraná, Carmem Bonfim, o transplante de células-tronco hematopoiéticas é curativo na maioria dos casos de imunodeficiências primárias. “Esses resultados nos possibilitam obter referenciais de condutas terapêuticas e, com isso, aperfeiçoar e ampliar a capacidade de realização desses procedimentos em países como o Brasil”, ressaltou.
     
    No caso da imunodeficiência combinada grave e da síndrome de Wiskott-Aldrich, a sobrevivência global em três anos chegou a 60% e 79%, respectivamente. “Sem o transplante, a grande maioria dos bebês com imunodeficiência combinada grave morre antes de completar 1 ano de vida”, esclareceu Carmem.
     
    Ela lamentou que no Brasil o maior problema ainda seja o diagnóstico precoce para o tratamento adequado, a tempo, dessas crianças. “Faltam leitos e estrutura adequados para o transplante, mas estima-se que dezenas de crianças morram anualmente por não terem sido diagnosticadas a tempo de começarem o tratamento, ou mesmo o transplante.”
     
    As imunodeficiências primárias somam ao todo mais de 200 tipos de doenças hereditárias e são quase todas raras. Elas alteram os mecanismos normais de defesa do organismo e aumentam as chances de infecções e outras doenças.
     
    Apenas alguns centros são capacitados a realizar o procedimento no país. O primeiro transplante desse tipo, no Brasil, foi feito em 1992, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.
     
    Fonte: CFF
  • USP desenvolve teste para detecção precoce de doenças autoimunes

    USP desenvolve teste para detecção precoce de doenças autoimunes

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolveram teste que permite identificar precocemente pacientes portadores de doenças autoimunes e que deverão reagir bem ao tratamento padrão aplicado nesses casos. A droga utilizada é o metotrexato.
     
    Atualmente, a substância é o “padrão ouro” de tratamento para doenças autoimunes – que ocorrem devido a uma agressão do organismo por seu próprio sistema imunitário –, como artrite reumatóide, psoríase, doença de Crohn e esclerose múltipla. No entanto, de 30% a 40% desses pacientes não respondem ao metotrexato.
     
    “Só depois de seis meses se descobre o dado clínico. Aí é que se entra com um segundo tratamento alternativo. Isso é um problema muito sério”, destaca professor do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Fernando de Queiroz Cunha, um dos orientadores da pesquisa, realizada pelo biomédico Raphael Sanches Peres.
     
    Segundo ele, a demora em se conhecer a eficiência do tratamento com o metotrexato reduz as chances de o paciente conseguir diminuir os efeitos da doença. No entanto, o novo teste desenvolvido é capaz de identificar, antes do início do tratamento, se o paciente responderá ou não à droga. “Quando o paciente reage bem ao medicamento, fica vários anos tomando apenas metotrexato e mais um analgésico, uma droga para tirar a dor”, ressalta.
     
    Os pesquisadores agora estão discutindo com o setor produtivo a fabricação de um kit para execução do teste, que é feito a partir de exame de sangue. “Imaginamos que, se tudo der certo, em um ano, começaremos a iniciar os ensaios clínicos para confirmar se o teste funciona ou não. A gente não tem dúvida que vai funcionar, mas obviamente que precisamos de um ensaio clínico”, acrescenta Cunha.
     
    A pesquisa sobre o novo teste, que também foi orientada pelo professor Paulo Louzada, do Departamento de Clínica Médica do Setor de Reumatologia, foi publicada em artigo, no dia 9 de fevereiro, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
     
    Fonte: CFF
  • Bactéria letal é detectada na parte externa de laboratório de segurança

    Bactéria letal é detectada na parte externa de laboratório de segurança

    Segundo jornal, bactéria foi encontrada em laboratório na Louisiana.
    Local trabalha em uma vacina contra o 'Burkholderia pseudomallei'.
     
    As autoridades do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, analisam como uma perigosa e potencialmente letal bactéria foi encontrada na parte externa do laboratório de um centro de pesquisas de alta segurança, informa o jornal “USA Today”.
     
    As autoridades afirmaram que a população não corre nenhum risco, mas ainda ignoram as dimensões da contaminação.
     
    O incidente aconteceu no National Primate Research Center de Tulane, que fica a 80 km de Nova Orleans e trabalha em uma vacina contra esta bactéria, em novembro de 2014 ou antes.
     
    A bactéria em questão é chamada “Burkholderia pseudomallei” ou bacilo de Whitmore. É encontrada principalmente no sudeste asiático e norte da Austrália. Pode ser transmitida a humanos ou animais por contato com o solo ou com água contaminada.
     
    A bactéria está incluída na categoria de agentes que podem ser utilizados no bioterrorismo.
     
    As autoridades informaram que a bactéria não foi detectada nos terrenos que pertencem ao centro, mas quatro macacos que estavam em uma área externa ficaram enfermos e dois deles foram sacrificados, segundo o “USA Today”.
     
    Uma inspetora federal que visitou o centro também ficou doente, mas é possível que tenha sido exposta à bactéria antes, já que fez várias viagens ao exterior.
     
    Segundo o centro de pesquisas, os macacos teriam sido infectados durante um tratamento no hospital veterinário do complexo.
     
    O diretor do local, Andrew Lackner, afirmou que 39 mostras do solo e 13 mostras de água provenientes dos terrenos do estabelecimento foram analisadas, sem que nenhum vestígio da bactéria tenha sido detectado.
     
    Mas de acordo com o “USA Today” as mostras foram insuficientes para descartar completamente a presença da bactéria, que é muito difícil de ser detectada. As investigações devem prosseguir, segundo os cientistas.
     
    “O fato de que as autoridades não conseguem estabelecer como aconteceu a difusão da bactéria é muito preocupante”, disse ao jornal Richard Ebright, especialista em segurança biológica da Rutgers University, em Nova Jersey.]
     
    Fonte: CFF
  • A possibilidade da invenção de doenças mentais

    A possibilidade da invenção de doenças mentais

    “Infelizmente propaga-se por aí uma falácia”, foi o início de um e-mail recebido de uma leitora indignada com o post Mitos sobre o Suicídio, criticando o artigo por “simplesmente reproduzir dados transmitidos por uma indústria farmacêutica apenas interessada em vender mais remédios”, como ela colocou.
     
    Essa linha de raciocínio parte do pressuposto de que doenças podem ser “inventadas” e que os manuais de categorização de doenças mentais, como o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e o CID (Classificação Internacional de Doenças, uma publicação da própria OMS – Organização Mundial da Saúde) são definidos por psicólogos e psiquiatras ligados financeiramente a empresas farmacêuticas (que financiam suas pesquisas, por exemplo).
     
    Para o psicanalista Eduardo Rozenthal*, isso é possível sim, porque vivemos numa sociedade contemporânea monista, baseada em apenas um valor, que é o valor capitalista de mercado. Ela substitui a sociedade moderna, que era dualista, oscilando entre o bem e o mal. “Todas as práticas humanas se mobilizam em direção ao maior valor da cultura, que é o valor de mercado. Isso é automático. Não se trata de nenhuma ?teoria da conspiração’. Somos seres moldados pela cultura em que vivemos”, Rozenthal diz.
     
    Para o psicólogo Thiago Sarkis, psicanalista de Belo Horizonte, “doenças inventadas” podem ocorrer como fruto de erros e não de más intenções. Ele também diz ser perigoso falarmos de maneira tão categórica sobre uma relação entre estudos psiquiátricos de transtornos mentais e o objetivo de se ofertar algo para aquecer o mercado farmacêutico. Haveria equívocos em estudos e classificações, assim como a hipermedicalização da vida, mas isso diria muito mais respeito sobre quem recebe os resultados dos estudos e medicam seus pacientes a partir deles, do que sobre quem os produziram.
     
    Sarkis diz estar certo de que boa parte dos estudiosos sobre os transtornos mentais estão efetivamente acreditando – talvez mais piamente do que devessem – naquilo que estão fazendo, dedicando-se, e confiando em suas descobertas. “O que guia a ciência, hoje e sempre, é a dúvida, o questionamento. Quando a ciência vira, ou é investida pelas pessoas como uma indústria de produção de verdades, um guia absoluto, temos um problema.”
     
    O caso do TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade
     
    O psiquiatra norte-americano Leon Eisenberg (1922-2009) é considerado o pai do TDAH. Segundo reportagem do “The New York Times”, “nos seus últimos anos de vida, ele teria ficado alarmado com as tendências no campo que ajudou a criar, criticando o que ele viu como uma “confortável” relação entre o mercado de remédios e os médicos e a crescente popularidade do diagnóstico do déficit de atenção”. O semanário alemão “Der Spiegel” trouxe uma reportagem de capa, em 2012, com uma declaração bombástica de que Eisenberg teria dito que o TDAH é uma doença inventada.
     
    A frase atribuída a ele nas matérias que encontrei é: “O TDAH é um excelente exemplo de uma doença fictícia”. O tradutor que consultei disse que colocaria a frase como: “O TDAH é um exemplo de sucesso de uma doença fabricada”. Ele me passou outras informações importantes da matéria, como Eisernberg mencionar que o componente genético da doença foi superestimado e afirmar que “psiquiatras infantis deveriam investigar as motivações psicossociais que possam causar os sintomas da doença, como verificar se existem problemas de relacionamento na família, se os pais vivem juntos ou se estão brigando muito, por exemplo. São questões importantes, mas demandam muito tempo para serem respondidas. Sendo assim, é mais fácil simplesmente medicar”. A matéria diz que o diagnóstico do TDAH aumentou 40 vezes nos últimos dez anos e muitos dos pacientes mal têm de dois a três anos de idade. Também aponta que não se sabe qual o tipo de consequência dos medicamentos para o cérebro e que essa é uma experiência fora do controle.
     
    Rozenthal diz receber muitos pais em consultório imaginando que seu filho tem a doença e muitas vezes já fazendo uso de medicação como a Ritalina. Ele não se coloca contra remédios, mas sim contra a medicalização hegemônica da sociedade, ou seja, o excesso de medicação que hoje se prescreve, “você dá a medicação e não trabalha com a subjetividade. É mais rápido e mais fácil, mas a longo prazo não serve. Se tirar a medicação volta tudo”.
     
    Depressão
     
    Eduardo Rozenthal diz que a depressão é a doença psíquica por excelência da contemporaneidade. “É alarmante o número de pacientes que chegam falando que têm depressão”. Ele considera haver uma confusão entre o “ficar triste”, por exemplo, diante de uma perda, e o “estar deprimido”. As pessoas teriam o direito de ficarem tristes e a felicidade não deveria ser colocada como uma obrigação. O diagnóstico de depressão é feito às pressas e logo se parte para a medicação. Segundo Rozenthal, há um componente orgânico na depressão que deve ser levado em conta, mas que não deve servir para generalizar o sofrimento.
     
    Ele diz que os remédios mais usados hoje para tratar o excesso de ansiedade, como os ansiolíticos Rivotril, Olcadil e Frontal podem trazer benefícios se utilizados, quando for o caso, como complemento da análise. Podem diminuir a dor e às vezes até facilitar o trabalho psicanalítico. Mas nesse caso, devem ser vistos como circunstanciais e não como tratamento propriamente dito.
     
    Há uma corrente que critica as drogas psicotrópicas por não existir pesquisas científicas comprovando a existência de componentes orgânicos nos distúrbios mentais. Alguns psiquiatras americanos divulgam opiniões contrárias ao status quo em sites pessoais e acabam servindo de fonte àqueles que são contra o uso de certos remédios, como o Dr. David Healy, e o Dr. Peter Breggin, que relaciona violência e suicídio causados por anti-depressivos. O filme “O Marketing da Loucura” traz a história desses medicamentos e depoimentos sobre seus efeitos secundários.
     
    Classificar, categorizar, rotular
     
    O DSM é um livro que indica a classificação de doenças mentais usado por profissionais de saúde mental dos Estados Unidos. Há uma linha de pensamento que defende que os psiquiatras dessas instituições são ligados a laboratórios e por isso trabalhariam no interesse deles e não da sociedade.
     
    A psicóloga norte-americana Lisa Cosgrove, e outros três colegas, lançaram um estudo intitulado (em tradução livre) “Ligações financeiras entre os membros dos painéis do congresso DSM-IV e a indústria farmacêutica”. O artigo aponta que dos 170 membros do painel, 95 membros (56%) tinham uma ou mais associações financeiras com empresas da indústria farmacêutica. E 100% dos membros dos painéis ‘Transtornos de Humor’ e ‘Esquizofrenia e outros Transtornos Psicóticos’ tinham ligações financeiras com as companhias de drogas. O estudo conclui que há fortes ligações financeiras entre a indústria e aqueles responsáveis por desenvolver e modificar os critérios para diagnósticos de transtornos mentais, “as conexões são especialmente fortes nos diagnósticos de áreas em que as drogas são a primeira linha de tratamento.”
     
    A leitora que estimulou esse post enviou o link de um filme criticando o DSM e o CID, filmado pela CCHR – Comissão dos Cidadãos para os Direitos Humanos, de Portugal. Uma das críticas está em não precisar ter conhecimento sobre a causa e efeito da condição para poder classificá-la como uma doença e com isso dar margem à invenção de doenças mentais para alimentar a indústria farmacêutica. O documentário aponta que a inclusão de uma doença no DSM é votado numa reunião entre psicólogos e psiquiatras. O fato de a decisão ser votável indicaria não haver uma definição com base em pesquisas cientificas mas sim em motivos políticos. Também se vota na exclusão de uma doença, como ocorreu com a homossexualidade, anteriormente inclusa no DSM como distúrbio mental e depois retirada. O documentário disse que essa decisão nada tem de base científica, ele foi inserido e removido por razões políticas e não médicas.
     
    A instituição lançou outros documentários como “O Inimigo Oculto” e “A Era do Medo”, disponíveis no seu site.
     
    Para Rozenthal, as doenças precisam ser classificadas para que possamos estudá-las, ensiná-las e finalmente tratá-las e para facilitar a cobertura de planos de saúde também. “O problema surge quando se idealiza a doença – ou a saúde – para fazer com que o mercado lucre”, ele diz. O psicanalista ressalta que somos seres da singularidade e por isso é perigoso trabalharmos com rótulos para alimentar um modelo médico quantitativo, voltado para estatísticas e não para a qualidade.
     
    A indústria farmacêutica
     
    Para Nelson Mussolini, vice-presidente da Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estados de São Paulo), de fato houve uma medicalização da vida em razão do aumento da expectativa e a busca por maior qualidade. “Estamos vivendo cada vez mais e a indústria farmacêutica corre atrás para investir em desenvolvimento de produtos para dar mais qualidade de vida para as pessoas”, ele diz.
     
    Mussolini afirma que podem haver abusos e modismos que são prejudicais para a indústria e que qualquer atividade humana está passível de cometer erros, mas se tem procurado, principalmente nos últimos vinte anos, minimizá-los ao máximo. Como por exemplo, retirar remédios do mercado que apresentem efeitos colaterais graves e criar códigos de conduta para os médicos – como deixar claro suas conexões financeiras, como quem patrocinou seu estudo e para qual empresa trabalham, na hora de apresentar suas teses em congressos, “nenhuma empresa quer ver seu nome envolvido com falta de transparência, porque um dos principais pilares dessa indústria é a credibilidade”.
     
    Sobre o TDAH, Mussolini afirma que ele vem sendo estudado desde 1947 e a Ritalina é um medicamento de 1955. “Me parece estranho falar em uma doença fabricada por um período tão longo quanto esse. De fato, se existisse essa questão, ela já teria sido desmitificada, porque nenhuma `mentira’ dura tanto tempo”. Ele diz ser possível encontrar alguns abusos, como ser usado para pais sossegarem seus filhos, mas essa seria uma questão presente em todos os produtos. Por exemplo, o abuso de antibióticos resultou em bactérias mais resistentes levando a indústria a investir em pesquisas para descobrir antibióticos mais potentes.
     
    Acredito que abrir margem para a existência de doenças inventadas possa contribuir ainda mais para o preconceito em torno dos distúrbios mentais e prejudicar a importante pesquisa dos medicamentos psiquiátricos, hoje em curso. Erros e abusos devem ser minimizados e a transparência das ligações financeiras tida como uma prioridade. Mas o debate é bem vindo e pode indicar quão manipuláveis somos, tanto para defender a indústria farmacêutica quanto para criticá-la.
     
    *Eduardo Rozenthal é Doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS) da Uerj e autor do livro “O ser no gerúndio: corpo e sensibilidade na psicanálise”, editado pela Cia de Freud.
     
    Fonte: Folha de S.Paulo
  • Transplante de cabeça pode se tornar realidade em apenas 2 anos, diz médico

    Transplante de cabeça pode se tornar realidade em apenas 2 anos, diz médico

    Um cirurgião italiano tem planos de realizar o transplante de cabeça de uma pessoa viva para o corpo de um doador e afirma que a tecnologia que permitiria tal procedimento estará disponível em apenas dois anos.
     
    Segundo o médico Sergio Canavero, o projeto que reunirá uma equipe de cirurgiões terá início em junho em Maryland, nos Estados Unidos.
     
    Durante anos, Canavero vem afirmando que a ciência médica avançou ao ponto que um transplante de corpo inteiro é uma possibilidade real. Ele publicou recentemente um artigo no qual explica como seria a cirurgia. Em entrevista à revista “New Scientist”, o médico disse que os transplantes de corpo inteiro seriam usados para prolongar a vida de pessoas afetadas por doenças terminais.
     
    “Se a sociedade não quiser algo assim, não vou seguir em frente. Mas se as pessoas não querem essa possibilidade nos Estados Unidos ou na Europa, não significa que não possa ser feito em outro lugar”, disse.
     
    Pelo procedimento descrito pelo médico italiano, os cirurgiões iriam resfriar a cabeça do paciente e o corpo do doador, para que suas células não morressem durante a operação. O pescoço seria então cortado, as veias ligadas com tubos bem finos, e a medula espinhal cortada com bisturi bem afiado para minimizar danos aos nervos. A cabeça seria movida e transplantada para o corpo do doador. Para permitir que nervos e medula de um corpo se fundissem a outro, a equipe usaria uma substância chamada glycol polyethyleno. O paciente seria mantido em coma durante semanas, para evitar que se movesse, permitindo a correta ligação. Após sair do coma, Canavero afirma que o paciente seria capaz de falar e mover o rosto, mas considera que seria preciso um ano de fisioterapia para que o paciente voltasse a mover o corpo.
     
    Além da tecnologia, o maior entrave para a realização de uma cirurgia tão radical está na questão moral e ética. Para que pudesse ser realizada, o processo envolveria o uso de primatas em testes, o que poderia levantar a ira de grupos de proteção aos animais. E depois, testes em humanos.
     
    “O maior problema em relação a esse procedimento é mesmo a questão ética”, afirmou Canavero à revista “New Scientist”. “Será que esta cirurgia deveria ser feita? Muitas pessoas, com certeza, vão discordar”.
     
    A ideia de transplantes de corpo inteiro — ou transplantes de cabeça, dependendo da perspectiva — já foi tentada anteriormente. Em 1970, Robert White liderou uma equipe na Universide Case Western Reserve em Cleveland, nos Estados, que tentou transplantar a cabeça de um macaco no corpo de outro animal da mesma espécie. Os cirurgiões pararam antes de finalizar a ligação da medula espinhal, então o macaco acabou paralisado, sem conseguir mover o corpo.
     
    No ano passado, pesquisadores da Universidade Médica de Harbin, na China, avançaram nos procedimentos com ratos de laboratório. Eles esperam aperfeiçoar o procedimento do que consideram “um marco na história médica que poderá salvar milhões de pessoas”.
     
    Apesar do entustiasmo de Canavero, muitos cirurgiões e neurocientistas acreditam que há dificuldades enormes que não permitiriam que tal cirurgia fosse feita em futuro próximo. O maior entrave é que ninguém sabe como reconectar nervos espinhais e fazê-los funcionar novamente. Se isso fosse possível, pessoas paralisadas devido a acidentes poderiam voltar a andar novamente.
     
    “Não há evidência de que a conectividade de nervos, medula e cérebro poderiam levar ao pleno funcionamento das funções motoras após um transplante de cabeça”, afirmou Richard Borgens, diretor do Centro para Pesquisa de Paralisia na Universidade Purdue em Indiana, nos Estados Unidos, à revista “New Scientist”.
     
    “As chances deste projeto se realizar são pequenas, pois se trata de um projeto muito grande”, afirmou à revista Harry Goldsmith, professor de cirurgia neurológica na Universidade da Califórnia. “Eu não acredito que vá funcionar um dia, há muitos problemas envolvidos nesse procedimento”.
     
    Patricia Scripko, uma neurologista no Sistema de Saúde Valley Memorial na Califórnia, também não acredita no sucesso da empreitada, mas admitiu a possibilidade. “Se um transplante de cabeça fosse realizado algum dia, acho que seria um caso isolado. Não creio que vá acontecer porque ninguém acorda e diz 'Estou ficando velho, tenho artrite, talvez eu devesse pegar um corpo que funcione melhor e seja mais bonito'”.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Saúde altera fórmula de reajuste dos preços de medicamentos

    Saúde altera fórmula de reajuste dos preços de medicamentos

    O Ministério da Saúde anunciou na manhã desta sexta-feira (27) mudanças na forma de reajuste de medicamentos. A ideia é dar mais transparência no cálculo. Com as novas regras, as empresas terão de enviar ao governo informações sobre o faturamento e a quantidade vendida a cada seis meses. Atualmente, o prazo é anual.
     
    As regras que estavam em vigor até agora haviam sido estabelecidas em 2003. A base de cálculo é o IPCA, com três fatores de reajuste. O de produtividade (Fator X), o relativo a setores que interferem no mercado, como variação da energia elétrica e do câmbio (batizado de Fator Y), e o que reflete a competitividade no medicamento (Fator Z). Quanto maior a concorrência, maior era a autorização do reajuste.
     
    Esses fatores foram mantidos, o que foi alterado foi a fórmula de cálculo. A mudança, de acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Jarbas Barbosa, atende a uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), que solicitava maior clareza, principalmente relacionada ao Fator Z. Uma consulta pública para encontrar nova metodologia foi realizada ano passado. Foram encaminhadas 15 contribuições. O novo formato prevê a simplificação de todos os fatores.
     
    O governo acredita que, com a nova fórmula, haverá maior concorrência. “O mercado farmacêutico mudou, precisávamos alterar os critérios”, disse Barbosa. Com a nova metodologia, foi reduzido o rol de medicamentos sujeitos a maior ajuste de preço. Com isso, 51,73% dos medicamentos do mercado terão menor índice de reajuste.
     
    Pertencem a essa categoria os remédios mais caros. Do total do mercado, 21,57% dos remédios terão maior índice de reajuste. O aumento intermediário será concedido para 26,7% dos produtos existentes no mercado.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Baixar a pressão arterial pode reduzir os riscos do diabetes

    Baixar a pressão arterial pode reduzir os riscos do diabetes

    Baixar a pressão arterial pode reduzir de forma significativa o risco de complicações do diabetes tipo 2. Essa foi a descoberta de uma análise de dados de 40 experimentos que envolveram 100 mil pessoas com diabetes.
     
    Os diabéticos ficam mais vulneráveis aos efeitos da hipertensão do que quem não tem a doença. Orientações médicas recentes sugerem que seja bom manter a pressão sistólica (maior valor verificado durante a medição) de pessoas com diabetes abaixo de 140 milímetros de mercúrio. Todavia, um novo estudo descobriu que talvez seja melhor manter a pressão a 130 ou menos.
     
    Publicada no periódico JAMA, a análise descobriu que a diminuição de 140 para 130 foi associada a uma redução de 13 por cento no risco de morte. Foi mostrado que essa redução diminui o risco de doença arterial coronariana em 12 por cento e de derrame em 26 por cento.
     
    Ela também foi associada à diminuição do risco de retinopatia (doença causadora de cegueira em diabéticos) em 13 por cento e de albuminuria (condição que indica problemas renais) em 17 por cento.
     
    O Dr. Kazem Rahimi, um dos autores do estudo e professor adjunto de Medicina Cardiovascular da Universidade de Oxford, afirmou desconhecer que exista algum benefício em manter o valor abaixo de 130 milímetros de mercúrio. Todavia, “o diabético com leitura de 135 que não toma medicamentos para pressão alta provavelmente obterá benefícios se tomá-los”, afirmou.
     
    O custo da deficiência de vitamina D
     
    A deficiência de vitamina D na infância pode estar associada ao enrijecimento das artérias em pessoas de meia-idade, de acordo com as descobertas de um estudo finlandês.
     
    O estudo, publicado no periódico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, iniciou nos anos 80, quando as 2.148 crianças e jovens inscritos tinham de 3 a 18 anos. Todos realizaram exames físicos periódicos, incluindo medições dos níveis de vitamina D, pressão arterial, níveis de lipídios, dieta, tabagismo e atividade física, e foram acompanhados até a idade de 45 anos. Os médicos usaram ultrassom para examinar as artérias, inclusive a carótida do pescoço. O espessamento desses vasos é considerado um marcador do aumento de risco cardiovascular.
     
    Os níveis que variam de 30 a 50 são geralmente considerados adequados. A probabilidade de espessamento da artéria carótida quase dobrou para as crianças com níveis de vitamina D posicionados no último quartil, aproximadamente 15 nanogramas por mililitros, em comparação com as crianças com níveis em outros quartis. A associação persistiu após o controle das variáveis idade e sexo, bem como outros fatores de risco cardiovascular.
     
    “Há muitos dados demonstrando que a insuficiência de vitamina D é ruim para a saúde. Descobrimos evidências de que ela também está associada à saúde das artérias”, afirmou o Dr. Markus Juonala, professor de Medicina Interna da Universidade de Turku, na Finlândia.
     
    Os autores reconhecem que as associações estão apenas relacionadas com a condição das artérias não com problemas cardíacos ou derrame. “As descobertas não dizem nada sobre doenças cardiovasculares. Ainda não temos informações a esse respeito”, afirmou Juonala.
     
    Parto prematuro associado a risco cardíaco para a mãe
     
    O parto prematuro está associado ao aumento do risco de problemas cardíacos para a mãe, de acordo com as descobertas de uma análise de estudos.
     
    As complicações da gravidez como a pré-eclampsia, hipertensão induzida pela gestação e o diabetes gestacional são fatores de risco de doenças cardiovasculares conhecidos para a mãe. Todavia, essa análise, publicada no periódico The European Journal of Preventive Cardiology, descobriu que o parto prematuro em si também aumenta o risco.
     
    Os pesquisadores analisaram 10 extensos estudos de gestação que envolveram de 3.706 a 923.686 mulheres com períodos de acompanhamento que variaram de 12 a 35 anos. Todos os estudos compararam gestantes de partos prematuros de origem espontânea – antes de 37 semanas de gestação e sem a indução do parto por razões médicas – com as que deram a luz no tempo certo. Todos os estudos excluíram os casos de pré-eclampsia e restrição de crescimento intrauterino ou adequaram as variáveis hipertensão e pré-eclampsia.
     
    Para as mulheres com histórico de parto prematuro o risco de desenvolver uma cardiopatia isquêmica é duas vezes maior em comparação com as que não o possuem e a associação não dependia de outros riscos. As razões para isso permanecem incertas.
     
    “Não quero assustar as gestantes que dão à luz bebes prematuros. Todavia, é importante que saibamos quem são essas mulheres. Não estamos afirmando que elas terão incidentes cardíacos”, afirmou Dr. Karst Y. Heida, principal autor do estudo e ginecologista residente do Centro Médico da Universidade de Utrecht.
     
    Fonte: The New York Times
  • Uma pílula antes e outra depois do sexo podem evitar a Aids, diz estudo

    Uma pílula antes e outra depois do sexo podem evitar a Aids, diz estudo

    Pesquisa avaliou nova forma de usar o antirretroviral Truvada.
    Uso diário do remédio já é aprovado nos EUA como profilaxia contra HIV.
     
    O antirretroviral Truvada, tomado antes e depois do sexo sem proteção, reduz o risco de transmissão do vírus HIV entre homens homossexuais em 86%, segundo os resultados de um ensaio clínico divulgado nesta terça-feira (24) nos Estados Unidos.
     
    Para o estudo, o Truvada – uma combinação de tenofovir e emtricitabina – foi tomado um dia antes e dois dias depois das relações sexuais com alto risco de contágio do vírus da Aids.
     
    O estudo, realizado pela Agência Nacional Francesa Especializada em Aids (ANRS), foi apresentado durante a Conferência sobre Retrovírus e Infeções Oportunistas (CROI), que acontece esta semana em Seattle, nos Estados Unidos.
     
    Um estudo internacional anterior já havia concluído que o uso diário contínuo do Truvada por homens saudáveis que fazem sexo com homens era capaz prevenir novas infecções pelo HIV.
     
    Os resultados levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a dar aval ao uso do medicamento, do laboratório Gilead Sciences, como forma de prevenir a infecção pelo HIV em alguns grupos de risco. A estratégia é conhecida como profilaxia pré-exposição, ou PrEP.
     
    A novidade agora foi a descoberta da eficácia dessa nova forma de usar a pílula: antes e depois do sexo. Os resultados ainda não são suficientes para mudar a forma da prescrição do medicamento, mas foram celebrada como um novo caminho para prevenir a Aids.
     
    O estudo “dá a primeira evidência de que um regime dirigido é efetivo entre homossexuais de alto risco com relações sexuais frequentes”, afirmou Jonathan Mermin, diretor do centro de controle e prevenção do HIV nos Estados Unidos.
     
    Denominado Ipergay, este estudo que mesclava o uso de placebo com doses controladas do medicamento, começou em fevereiro de 2012 e parou em outubro 2014, quando uma revisão independente determinou que teria uma alta efetividade. Um total de 400 voluntários participaram do estudo.
     
    Fonte: Bem Estar
  • ” criado nos EUA pode chamar médico

    ” criado nos EUA pode chamar médico

    Protótipo envia mensagens e médico pode determinar se paciente precisa de mais remédios.
     
    Cientistas nos Estados Unidos criaram um protótipo de curativo que pode alertar os médicos sobre o melhor momento de liberar remédios para pacientes.
     
    A BBC visitou o laboratório americano que desenvolve o curativo – com verbas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e da Universidade de Harvard – como parte de projetos para baratear tratamentos médicos.
     
    O curativo inteligente tem censores que monitoram a ferida do paciente.
     
    “Colocamos sensores no curativo que monitoram temperatura, pH e oxigênio da ferida e interferem se algo estiver errado”, disse Mehmet Dokmeci, do Brigham and Women's Hospital, em Boston, hospital escola da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.
     
    A parte de trás do curativo contém as partículas que armazenam o remédio e uma espécie de aquecedor.
     
    Quando o curativo detecta a hora de liberar o remédio, ele se aquece, as partículas encolhem e o remédio é liberado diretamente na ferida.
     
    Monitoramento
     
    O protótipo de curativo também pode enviar um sinal para um dispositivo remoto, monitorado por um médico.
     
    Se houver um problema e, dependendo do tipo de problema (infecção por bactérias, por exemplo), o médico poderá apertar um botão no dispositivo para o curativo liberar mais remédios.
     
    Acredita-se que, com mais financiamento, uma versão comercial do curativo inteligente poderia ser lançada dentro de apenas dois anos.
     
    Se o curativo chegar ao mercado, terá a vantagem de evitar trocar constantes do mesmo, reduzindo as chances de expor a ferida a infecções.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • Novo fármaco que trata o ebola consegue bons resultados, diz estudo

    Novo fármaco que trata o ebola consegue bons resultados, diz estudo

    Novo fármaco que trata o ebola consegue bons resultados, diz estudo
     
    Favipiravir reduz mortalidade de 15% a 30% no estágio inicial da doença.
    Resultado não é efetivo em pacientes com alto grau de contaminação.
     
    Um tratamento contra o ebola cofinanciado pela União Europeia e desenvolvido por um instituto francês alcançou “resultados promissores” que levam a acreditar que o fármaco poderia ser eficaz para combater a doença em uma fase inicial, informou a Comissão Europeia (CE).
     
    “A luta contra o ebola avança mais um passo rumo a um tratamento efetivo” graças aos fundos europeus destinados a programas de pesquisa e inovação, de acordo com um comunicado divulgado na terça-feira (24).
     
    O Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm) anunciou esta semana uma evidência encorajadora que o fármaco antiviral favipiravir poderia ser um tratamento eficaz contra o ebola em um primeiro estágio.
     
    Segundo os resultados do experimento, o favipiravir reduz as possibilidades de mortalidade de 15% a 30% nos estágios iniciais da doença. No entanto, em crianças e pacientes com alto grau de contaminação pelo vírus, o resultado não é efetivo.
     
    Dinheiro aplicado
     
    O projeto da Inserm, conhecido como Reaction (Reação), receberá 2,5 bilhões de euros da União Europeia. As atividades de pesquisa já receberam 1,93 milhão de euros e começaram em 1 de novembro de 2014.
     
    “Estou entusiasmado com esses resultados de um de nossos projetos financiados pela UE para combater o ebola”, destacou o comissário europeu da Pesquisa, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.
     
    Segundo ele, assim que os resultados se confirmem através dos testes clínicos que estão sendo realizados, este se tornará o primeiro tratamento contra a doença durante o atual surto.
     
    Em setembro de 2014, a CE mobilizou 24,4 milhões de euros do programa Horizonte 2020 para apoiar a pesquisa urgente do ebola através de um procedimento rápido.
     
    Médicos Sem Fronteiras
     
    De acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), os testes clínicos iniciados em dezembro mostraram eficácia e podem reduzir o índice de mortes.
     
    A ONG afirma que experimentou o medicamento em tratamentos em Guekedu, na Guiné.
     
    No total, desde que começou a epidemia do ebola em dezembro do 2013, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou 23.539 casos confirmados, suspeitos e prováveis da doença, dos quais 9.541 pessoas morreram.
     
    Fonte: Bem Estar