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  • Infarto em mulheres pode ser confundido com ansiedade, diz estudo

    Infarto em mulheres pode ser confundido com ansiedade, diz estudo

    Diagnóstico errado causaria maior número de óbitos entre mulheres.
    Dados foram obtidos por pesquisadores do Canadá.
     
    As mulheres são mais propensas do que os homens a morrer de ataque cardíaco devido a um diagnóstico mal feito que atribui seu mal-estar a um ataque de ansiedade, de acordo com estudo divulgado esta semana no Canadá.
     
    Cientistas da Universidade de McGill, em Montreal, pesquisaram a diferença de mortalidade entre homens e mulheres que sofrem ataques do coração.
     
    Para isto, interrogaram 1.123 pacientes de 18 a 55 anos hospitalizados em 24 instituições do Canadá, mas também em um hospital dos Estados Unidos e outro da Suíça. Os pacientes, todos com síndrome coronariana aguda, responderam aos cientistas nas 24 horas posteriores à sua entrada no centro médico.
     
    As mulheres entrevistadas tinham origem socioeconômica mais modesta do que os homens que participaram do estudo. Por fim, elas demonstraram correr mais riscos de sofrer de diabetes e hipertensão, havia mais casos de doenças cardíacas em suas famílias e tinham mais possibilidades de sofrer de depressão e ansiedade do que os homens.
     
    Origem da dor
     
    Os cientistas, cujos estudos são publicados na revista da Associação Médica do Canadá, constataram que, em média, os homens eram mais submetidos a eletrocardiogramas rápidos e desfibrilação do que as mulheres.
     
    Os pesquisadores explicam esta diferença de tratamento pelo fato de que as mulheres costumam recorrer com mais frequência do que os homens ao serviço de emergência com dor torácica de origem não cardíaca.
     
    Além disso, “a prevalência da síndrome coronariana aguda é menor entre as mulheres jovens do que entre os homens jovens”, disse a principal pesquisadora do estudo, Louise Pilote. Estes resultados, explicou, sugerem que o pessoal médico têm mais probabilidades de confundir um evento cardíaco nas mulheres com sintomas de ansiedade.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Médicos, governo e fabricante garantem que vacina do HPV é segura e eficaz

    Médicos, governo e fabricante garantem que vacina do HPV é segura e eficaz

    Não é de hoje que vacinas causam polêmica. Mesmo aquelas cujo benefício tornou-se inquestionável, como as da varíola e da poliomielite, já foram recebidas com resistência pela população. Em relação ao HPV, ainda há o agravante de se tratar de uma doença sexualmente transmissível. Já existe até uma página no Facebook chamada “Sou contra a vacina do HPV”, em que pais e profissionais de saúde postam reportagens, estudos e avaliações contrárias à imunização. 
     
    O médico Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde e um dos principais porta-vozes do Ministério da Saúde, admite que já era esperada uma certa reação negativa por parte de alguns pais: “É uma vacina nova, sempre causa estranhamento. Na época da vacina da gripe,  espalharam pela web que queríamos 'matar velhinhos' e diminuir o pagamento das aposentadorias”, observa. Acreditamos que isso vá passar logo e que as recusas serão muito poucas.”
     
    Barbosa conta que muitas informações encontradas nas redes sociais não são baseadas em evidências científicas. Ele lembra que a vacina pode ser nova aqui, mas que milhões de pessoas já foram imunizadas em outras partes do mundo. “Podem procurar na web sobre efeitos adversos referentes a vacinas e encontrarão uns 12 mil casos, mas a maioria é leve como dor local, vermelhidão, náusea a até desmaios, mas estes por causa da injeção, mesmo”, diz. É por isso que as meninas, ao serem imunizadas, são orientadas a aguardar 15 minutos e a não praticarem exercícios físicos logo após receberem a dose.
     
    Sobre o Japão, que suspendeu a promoção da vacina após casos de síndromes dolorosas em meninas, Barbosa argumenta que houve um mau gerenciamento de informações. “Eles deixaram de recomendar a vacina, mas quem quiser tomá-la, gratuitamente, consegue. Acredito que algo tenha acontecido naquela região em específico, porque não foi no país todo. Pode ter sido um vírus local que estava circulando no mesmo período em que houve a vacinação.”
     
    O secretário ainda frisa que o Comité Global de Consulta para a Segurança das Vacinas da OMS (Organização Mundial da Saúde) fez até uma revisão desta vacina recentemente, atestando sua eficácia e segurança.
     
    “Esta não é uma vacina de vírus vivo. Trata-se de uma nova tecnologia, com fragmentos do vírus. Até os órgãos de saúde americanos não ligam efeitos graves e doenças à vacina, não há nenhuma comprovação”, enfatiza Barbosa. Ele lembra que um estudo publicado em 1998 pela revista “Lancet”, associando a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo, mesmo desmentido nos anos seguintes, ecoa até hoje.
     
    Pediatras
     
    Médicos ouvidos pelo UOL também reafirmam a segurança da vacina contra HPV, lembrando que ela foi atestada por diversas autoridades de saúde e sociedades médicas no mundo todo. “Quando, num teste clínico, a ocorrência de um efeito grave se mostra superior ao placebo o estudo é interrompido”, ressalta o imunologista Eduardo Finger, professor da Santa Casa de São Paulo e coordenador de pesquisa e desenvolvimento do SalomãoZoppi Diagnósticos.
     
    Finger aposta que, dentro de alguns anos, novos estudos mostrarão que a incidência de certas doenças graves não foi diferente da registrada em populações que não foram vacinadas. Para ele, uma vacina – assim como uma infecção por vírus ou bactéria – pode no máximo antecipar um pouco algo que já iria acontecer.
     
    “Sendo o HPV um vírus extremamente disseminado, o benefício é grande para um risco pequeno”, defende. Ele ainda enfatiza que há alguns cânceres provocados pelo HPV, como os de boca, garganta e ânus, que só são diagnosticados quando já são uma ameaça para o paciente. “Se eu tenho a chance de prevenir, por que não vacinar?”, questiona. 
     
    Maria Ignês Borges Saito, presidente do departamento de adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, também é categórica ao dizer que os benefícios da vacina superam os riscos. “Nada é 100% seguro, nem sair na rua”, diz, criticando o desserviço prestado pela imprensa ao dar destaque a fatos como o do Japão. “Tem que vacinar. São organizações sérias que aprovaram a vacina”, enfatiza. Para ela, ainda que sejam poucos os casos de HPV que resultem em câncer, “são poucos de uma quantidade muito grande de infecções”, argumenta. “Não dá para saber em quem vai acontecer.”
     
    A pediatra também aconselha que, quem puder, deve vacinar também os meninos. Apesar de o câncer ser a justificativa para a vacinação, a médica pondera que as verrugas genitais também são um problema de saúde pública. “Elas não causam câncer, mas são um flagelo; são estigmatizantes, altamente contagiosas e difíceis de tratar”, alerta. 
     
    Farmacêutica
     
    Procurada pela reportagem do UOL, a MSD (Merck Sharp & Dohme) enviou um documento com respostas para diversos casos divulgados na imprensa de supostos efeitos graves da vacina quadrivalente, inclusive o caso do Japão.  Segundo a empresa, não há comprovação científica de que os sintomas tenham relação com o produto. 
     
    A MSD também afirma que “possui uma área de farmacovigilância cuja responsabilidade é monitorar globalmente todo e qualquer evento adverso que ocorra durante o uso de seus medicamentos, de modo a detectar eventuais aumentos do número de eventos adversos, bem como de eventos adversos não observados anteriormente para assegurar o perfil de segurança de seus medicamentos, mesmo após sua aprovação em estudos clínicos e registro pelas agências sanitárias.”
     
    A farmacêutica também cita a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) que, em seu relatório de julho de 2013, reafirma o perfil de segurança das vacinas contra HPV, declarando que existem informações suficientes para suportar esta conclusão a partir dos dados obtidos de grandes estudos clínicos e informações contínuas de vigilância ativa e passiva pós-comercialização.
     
    Sobre a morte de uma adolescente de 14 anos no Reino Unido, em 2009, duas horas após tomar a vacina contra HPV no colégio onde estudava, em Coventry, a MSD afirma que o Serviço Nacional de Saúde local investigou o caso, comprovou e divulgou para a imprensa, dias depois, que ela havia morrido em decorrência de um tumor maligno do mediastino (coração e partes adjacentes).
     
    A empresa também frisa que, como ocorre com todas as vacinas, as reações mais comuns são relacionadas ao local da injeção como, por exemplo, dor, vermelhidão e inchaço (edema). Os menos comuns são cefaleia e febre. Em geral, esses sintomas são de leve intensidade e desaparecem no período de 24 a 48 horas. De acordo com a Academia Americana de Pediatria, “a ocorrência de um evento adverso após imunização não prova que a vacina provocou os sinais ou sintomas. A verdadeira associação causal requer que o evento ocorra numa taxa significativamente maior nos indivíduos vacinados do que em grupos não vacinados com idade e local de residência semelhante.”  
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Material de hemodiálise deverá ser descartável para quem tem hepatite

    Material de hemodiálise deverá ser descartável para quem tem hepatite

    Antes, troca de filtro que só ocorria em pacientes com HIV.
    Saúde também lança portaria para tratar doenças renais mais cedo.
     
    Uma resolução da Anvisa publicada nesta sexta-feira (14) proíbe o reuso de um material que faz parte do procedimento de hemodiálise em pacientes com hepatite B e C. Antes da nova regra, isso só era feito no caso de pacientes com HIV. A medida tem o objetivo de tornar o procedimento mais seguro.
     
    A hemodiálise é o tratamento indicado para pessoas que perderam a função dos rins que permite a filtragem do sangue, como em um rim artificial. O material que passará a ser descartado depois de cada uso entre os pacientes com hepatite é o dialisador, filtro que livra o sangue das impurezas. As clínicas terão um ano para se adequar às novas normas.
     
    O médico Daniel Rinaldi dos Santos, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) explica que, durante a hemodiálise, o sangue sai do paciente e, por meio de um tubo – chamado de linha de sangue – chega ao dialisador. Lá, o sangue recebe uma solução líquida para tirar suas impurezas e é filtrado. Em seguida, o sangue já purificado retorna para o paciente por meio de outra linha de sangue.
     
    Outra mudança determinada pela Anvisa é que as linhas de sangue passarão a ser descartáveis para todos os pacientes. A adequação a essa norma poderá ser feita em até três anos.
     
    Hoje em dia, o material utilizado na hemodiálise de um paciente é, depois do procedimento, lavado, processado, esterilizado e guardado para uso posterior do próprio paciente. “É muito pouco provável que haja contaminação, pois esse material é processado de forma separada nas clínicas. Mas as mudanças são um grande avanço porque realmente vai tornar o procedimento muito mais seguro não só para o paciente, mas também para o funcionário”, diz Santos.
     
    Ampliação de atendimento
     
    Também nesta sexta-feira (14), o Ministério da Saúde anunciou, por meio de uma nova portaria, a criação de uma linha de cuidado para pessoas com doença renal crônica.
     
    Segundo Santos, a portaria determina que o médico da atenção básica receba uma orientação sobre como diagnosticar precocemente problemas renais em diabéticos, hipertensos e idosos. “Esse paciente vai ser diagnosticado na unidade básica de saúde, acompanhado, tratado e, se tiver piora significativa na função dos rins, vai ser referendado para uma rede de especialistas como nefrologista, psicólogo e enfermeira.” Só em fases mais avançadas o paciente será encaminhado para clínicas de hemodiálise.
     
    Santos observa que, hoje, não existe uma rede organizada de atendimento a esse paciente e a consequência é que o diagnóstico só acontece quando o paciente já perdeu grande parte da função dos rins. É comum que ele tenha que partir direto para um tratamento de hemodiálise. Um tratamento precoce abre a possibilidade de preservar a função dos rins e evitar a necessidade da hemodiálise ou do transplante.
     
    Atualmente, cerca de 100 mil brasileiros fazem hemodiálise, de acordo com a SBN. Segundo Santos, 70% perdem a função dos rins por pressão alta e por diabetes.
     
    Fonte: Bem Estar
     
  • Veneno de caracol marinho pode se tornar analgésico potente, diz estudo

    Veneno de caracol marinho pode se tornar analgésico potente, diz estudo

    Composto pode aliviar a dor melhor que morfina e sem causar dependência.
    Pesquisadores criaram cinco substâncias experimentais a partir de proteína.
     
    Uma pequena proteína extraída do veneno de um caracol marinho parece promissora para produzir analgésicos mais potentes que a morfina, com menos efeitos colaterais e menor risco de dependência, segundo trabalhos de pesquisadores australianos apresentados neste domingo (16) nos Estados Unidos.
     
    Os Conus (caracóis marinhos de águas tropicais) utilizam seu veneno para paralisar suas presas. Este veneno contém centenas de peptídeos, que são pequenas proteínas conhecidas como conotoxinas. Nos humanos, algumas destas conotoxinas parecem ter efeitos analgésicos, explicaram os pesquisadores.
     
    Os especialistas criaram ao menos cinco novas substâncias experimentais a partir desta proteína, que podem conduzir algum dia ao desenvolvimento de analgésicos orais eficazes para tratar algumas dores crônicas.
     
    “Trata-se de um passo importante que pode servir de base ao desenvolvimento de uma nova classe de medicamentos capazes de aliviar as formas mais severas de dores crônicas atualmente muito difíceis de tratar”, explicou David Craik, da Universidade de Queensland, na Austrália, autor principal da pesquisa.
     
    O estudo foi apresentado na conferência anual da Sociedade Americana de Química (ACS, em inglês), reunida neste fim de semana em Dallas, Texas (sul).
     
    As dores combatidas por estes medicamentos são provocadas frequentemente por diabetes, esclerose múltipla e por outras doenças que afetam as terminações nervosas, que podem durar meses ou até mesmo anos.
     
    Os tratamentos atuais para estas dores crônicas neuropáticas podem causar efeitos colaterais significativos e são eficazes em apenas um de cada três doentes.
     
    Fonte: G1 Saúde
     
  • ” cabelos para doá-los a pacientes com câncer

    ” cabelos para doá-los a pacientes com câncer

    'Correntes do bem' se espalham pelo país e fazem sucesso até na web.
    Instituto do Câncer de SP não tem como transformar cabelos em perucas.
     
    Uma “corrente do bem” tem feito cada vez mais pessoas cortarem seus cabelos e doá-los para instituições que tratam pessoas com câncer, que podem perder os fios por conta dos efeitos da quimioterapia. Os chumaços de cabelos dos voluntários chegam até pelo correio, acompanhados de cartas emocionadas. As ações têm se proliferado também entre adolescentes e crianças no Brasil e até no exterior (um vídeo da  menina canadense Emily, que corta os cabelos dela e da boneca, já teve mais de 2 milhões de visualizações). O Hospital do Câncer em Uberlândia recebe, em média, 15 doações de cabelo por semana. Já o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) não sabe o que fazer com tanto cabelo.
     
    Neste ano, calouros aprovados no vestibular da Fuvest para os cursos oferecidos no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP) doaram os cabelos cortados no trote para a ONG Cabelegria. Criada há quatro meses, a ONG recebe, em média, 50 doações por dia, que se transformam em perucas doadas a crianças com câncer.
     
    A caloura do curso de estatística da USP Camila Fontoura, de 18 anos, cortou dez centímetros dos cabelos tingidos de vermelho no dia do trote na faculdade. “Eu não ia cortar, foi um impulso. Achei a causa bacana”, afirma. Em Sorocaba (SP), a caloura de pedagogia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Calíope Corcovia, de 20 anos, raspou todo o cabelo de mais de 40 centímetros para doá-lo a outra ONG, que atende vítimas de câncer, a Andanças. “Espero que quem receba esse cabelo ganhe também um sorriso no rosto e um incentivo”, diz Calíope.
     
    Em Uberlândia (MG), a estudante Marília Carvalho, de 19 anos, decidiu doar o cabelo mesmo não tendo conseguido passar no vestibular para medicina. Depois de conhecer o trabalho de doações de cabelo do hospital, ela fez uma promessa. “Prometi doar parte dos meus fios caso eu passasse em medicina. Infelizmente não consegui passar no curso, mas ao visitar o hospital decidi antecipar a minha promessa”, explica.
     
    Já o jovem Felipe Okazaki, de 20 anos, deixou o cabelo crescer durante um ano para então cortá-lo para doar ao Hospital do Câncer, em Uberlândia. Ele disse que decidiu doar porque não estava satisfeito com ele mesmo e queria fazer algo diferente. “A sensação de doar cabelo não é um momento único e não se limita ao tempo que você deixa o cabelo crescer. São várias sensações que sentimos, desde orgulho (pois é uma ação muito bonita) até a emoção, quando imaginamos como seria estar lutando contra o câncer”, destaca Felipe, que convenceu duas amigas e a irmã a doarem o cabelo também. “Uma coisa interessante é que você reflete sobre quando ajuda alguém e acaba descobrindo muito sobre si mesmo.”
     
    Hospital de Uberlândia aproveita até o último fio
     
    Lisos, crespos ou ondulados, todos os fios de cabelo são bem-vindos no Hospital do Câncer em Uberlândia, que tem cerca de seis mil pacientes em tratamento atualmente, do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. “Recebemos doações de todos os tipos, tamanhos e cores de cabelo que puder imaginar”, diz Heliana Machado de Assis, responsável pelo banco de perucas. “Não pedimos por um tipo específico. Outra informação importante é que não existe um tamanho mínimo, pois os fios mais curtos podem ser usados, por exemplo, na confecção das franjas ou de perucas de cortes curtos”, informa.
     
    Segundo Heliana, as doações são feitas por pessoas de todas as partes do país. A entrega dos fios pode ser feita pelos correios ou pessoalmente, na recepção do hospital. “O doador pode cortar com um cabeleireiro da preferência dele ou no salão que montamos no hospital. Depois enviamos os fios para uma voluntária que faz a confecção das perucas. Pedimos apenas que a pessoa deixe o cabelo amarrado em um ‘rabo de cavalo’ ou uma trança ao cortar”, orienta.
     
    Uma tendência observada pela responsável pelo banco de perucas foi o aumento de doações também por parte das crianças. “Muitas delas ficam sabendo sobre esse tipo de doação e pedem aos pais para também doarem. Uma vez uma criança disse que deixou o cabelo crescer para doar para um tio que tinha câncer. Infelizmente ele faleceu antes, mas a menina manteve a decisão de doar. Uma atitude que emocionou a todos no hospital.”
     
    Hospital de São Paulo não tem como fazer perucas
     
    Esta onda de solidariedade também chegou ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O problema, no entanto, é que as voluntárias da instituição não têm conseguido transformar as doações em perucas por falta de parceiros. Elas não encontraram profissionais que transformem os fios de cabelos naturais em perucas a um preço acessível, nem quem tope trocar os chumaços por perucas de fio sintético, o que seria uma possibilidade.
     
    Oli Minutti, coordenadora das voluntárias do Icesp, chegou a permutar com um cabeleireiro, por duas vezes, chumaços de cabelo de verdade por perucas de fio sintético. Mas, segundo ela, a troca era injusta porque o cabeleireiro exigia uma quantidade muito grande de cabelo e oferecia poucas perucas.
     
    Devido ao impasse, desde outubro do ano passado, todos os fios doados estão armazenados. Há pelo menos 50 tufos, de vários tipos, alguns bem compridos, frutos de doação, guardados.
     
    Segundo Oli, o custo para transformar as madeixas doadas em perucas é muito alto –pode chegar a R$ 300. Por isso, as voluntárias trabalham com perucas de fios sintéticos que custam, em média, R$ 30 cada. São doadas até 50 itens por mês a pacientes que não podem comprá-los. A renda para cobrir despesas como esta é proveniente de dois bazares realizados durante o ano, além de doações.
     
    “Estou cogitando até não aceitar mais os cabelos, infelizmente. Às vezes recebemos doações de familiares que fizeram promessa e têm expectativa de ver seu cabelo sendo dado a um paciente. A pessoa tem esperança, pede fotos [das perucas feitas com o próprio cabelo], e eu não consigo realizar esse sonho. Fico triste”, afirma Oli, que trabalha como voluntária desde 2008.
     
    Entre as doações armanezadas no Icesp há chumaço com uma carta de uma mulher identificada como Vania, de Itapecerica da Serra (SP). O texto diz: “Sei que esta doação é muito pouco comparada à batalha de vencer um câncer. Pois recentemente perdi uma pessoa muito querida vítima dessa doença. Espero pelo menos conseguir ajudar uma pessoa com essa doação, pois a faço com muito carinho.”
     
    Peruca sintética
     
    Enquanto não consegue aproveitar os fios, o grupo de voluntárias do hospital investe na compra das perucas sintéticas. Francisca Pereira Alves Rodrigues, de 65 anos, vítima de câncer de mama, é uma das pacientes beneficiadas.
     
    Ela passou por quatro sessões de quimioterapia e perdeu os longos cabelos. Agora tenta criar novos hábitos. “Estou bem, fazendo o impossível para não entrar em depressão. Comprei um lenço para cobrir a cabeça, mas não me adaptei porque transpira muito. Optei pela touca, mas agora quero substituir pela peruca.”
     
    As voluntárias do Icesp aceitam doações de lenços e turbantes que são repassados às pacientes. Em uma sala do hospital Icesp elas ensinam várias formas de usar os lenços e como higienizar as perucas. Também oferecem aulas de artesanato para os familiares dos pacientes que passam horas no hospital como acompanhantes, durante as sessões de quimioterapia.
     
    Serviço
     
    Hospital do Câncer de Uberlândia (MG) – (34) 3291-6100
    Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – Voluntárias – (11) 3893-2059
    ONG Cabelegria – E-mail: [email protected]
    Hospital de Câncer de Barretos (SP) – (17) 3321-6600
    Banco de Perucas de Xanxerê (SC) – (49) 3433-7444
     
    Fonte: Bem estar
  • Mais de 80% dos homens com câncer de cabeça e pescoço são ou foram fumantes

    Mais de 80% dos homens com câncer de cabeça e pescoço são ou foram fumantes

    Levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, na zona oeste da capital paulista, mostra que 75% (7 em cada 10) dos casos de câncer de cabeça e pescoço atingem o público masculino. Desses pacientes, 83% são ou foram fumantes.
     
    Dentre as diversas neoplasias que podem ser desenvolvidas devido ao consumo de cigarros e produtos fumígenos estão as que se manifestam na região da cabeça e pescoço. Dos pacientes tratados nesse setor, 60% são vítimas de tumores localizados na boca e 40% na faringe ou laringe. O estudo aponta ainda que as ocorrências são mais frequentes em homens acima de 50 anos.
     
    Além do tabagismo, o etilismo (consumo excessivo de álcool) também está associado ao desenvolvimento desse tipo de câncer. “O álcool, assim como o tabaco, tem uma relação expressiva com a doença. Quase 60% dos nossos pacientes são etilistas”, alerta o médico Marco Aurélio Kulcsar, chefe da Clínica da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Icesp.
     
    Ainda segundo o especialista, o Instituto do Câncer realizou no ano de 2013 cerca de 3.500 consultas no setor. O número mostra que, embora os tumores sejam passíveis de detecção precoce, por estarem em regiões visíveis, muitas vezes os sintomas passam despercebidos.     
     
    Sintomas x prevenção
     
    O câncer de cabeça e pescoço compreende um grupo de neoplasias classificadas por localização, em áreas diretamente envolvidas com as funções de fala, deglutição, respiração, paladar, olfato e outros.
     
    Entre os sintomas manifestados estão: manchas brancas na boca, dor, lesão ulcerada ou com sangramento e cicatrização demorada, nódulos no pescoço presentes por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir.
     
    Apesar do grande número de casos, o potencial de prevenção da doença é alto, devido a sua relação inerente com o tabagismo e etilismo.
     
    Medidas simples como não fumar e nem consumir bebidas alcoólicas em excesso, além de dar preferência a alimentos pobres em gordura e ricos em fibras, ajudam a evitar o desenvolvimento dos tumores.
     
    Especialistas orientam também que as pessoas se habituem a examinar sua boca regularmente, já que, se detectadas na fase inicial, as neoplasias apresentam até 80% de chances de cura.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Caso raro de transmissão de HIV entre mulheres é divulgado nos EUA

    Caso raro de transmissão de HIV entre mulheres é divulgado nos EUA

    Mulher que tem parceira fixa foi infectada pelo vírus, diz governo americano.
    Caso é raro, pois, em geral, a fonte da transmissão é difícil de rastrear.
     
    Um caso raro de possível transmissão do vírus HIV entre mulheres foi anunciado nesta quinta-feira (13) por autoridades de saúde dos Estados Unidos. Uma mulher, de 46 anos “provavelmente adquiriu” o vírus da Imunodeficiência Humana em uma relação sexual com sua parceira, portadora do HIV, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).
     
    A paciente, que não teve o nome revelado, já teve relações heterossexuais anteriormente, mas não nos dez anos anteriores à infecção. Sua companheira, que tem 43 anos e foi diagnosticada em 2008, foi sua única parceira sexual nos seis meses antes do teste positivo do vírus causador da Aids.
     
    A mulher não apresentou nenhum dos outros fatores de risco, como drogas injetadas através de agulha, transplante de órgão, acupuntura, ou sexo desprotegido com mais de um parceiro. Além disso, o vírus tinha 98% de semelhança genética com o de sua parceira, divulgou o CDC em seu relatório semanal.
     
    O casal disse não ter recebido informações sobre práticas de sexo seguro e contou que mantém relações sem proteção rotineiramente. “Elas descreveram seu contato sexual como algumas vezes intenso, chegando a levar ao sangramento de uma delas”, explica o texto do CDC.
     
    “Elas também informaram terem sexo sem proteção durante seu período de menstruação”, completou a nota.
     
    A mulher infectada desde 2008 tinha recebido prescrição de medicamentos antirretrovirais em 2009, mas parou de tomá-los em novembro de 2010.
     
    Segundo o CDC, apesar de casos como esse serem raros, “transmissão entre mulheres são possíveis porque o HIV pode ser encontrado no líquido vaginal e no sangue da menstruação”.
     
    O instituto reforçou que pessoas com HIV precisam ficar sob atenção médica e fazer uso dos remédios prescritos, para reduzir o risco de infectar o parceiro.
     
    Poucas ocorrências desse tipo já foram documentadas, e a confirmação “tem sido difícil pelo fato de outros fatores de risco quase sempre estarem presentes, ou de ser impossível eliminá-los”, informou o CDC.
     
    Fonte: Bem Estar
  • FDA é questionada por aprovar analgésico opioide

    FDA é questionada por aprovar analgésico opioide

    A comercialização de um potente novo analgésico nos Estados Unidos tem gerado polêmica entre médicos e grupos de defesa do consumidor, que temem o agravamento da crescente dependência de opiáceos, responsável por 125.000 mortes por overdose no país nos últimos 10 anos.
     
    O remédio Zohydro, do laboratório Zogdnix, foi aprovado pela FDA (agência reguladora de medicamentos norte-americana) em outubro de 2013.
     
    Num fato pouco usual, o analgésico recebeu sinal verde da agência mesmo depois que um comitê de especialistas independentes recomendou sua não aprovação. A FDA geralmente segue o conselho dos comitês, ainda que não seja obrigada a fazê-lo.
     
    A decisão tem mobilizado muitos médicos e organizações que lutam contra o abuso desses analgésicos – reunidos no grupo “Fed up” (“De saco cheio”, em tradução livre) – “para acabar com a epidemia de opiáceos”. Em carta dirigida à diretora-geral da FDA, a médica Margaret Hamburg, o grupo pede a revisão desta autorização.
     
    A permissão para comercializar o Zohydro “tem potencial para piorar nossa epidemia nacional de abuso destes medicamentos – alguns dos quais ilegais – porque este analgésico será o único a conter hidrocodona pura, um narcótico opioide cinco a dez vezes mais forte do que os analgésicos à venda que contêm esta substância”, ressaltam médicos e ativistas.
     
    “Aprovar um medicamento que vai agravar o problema do vício é muito chocante”, disse o médico Andrew Kolodny, presidente da Associação de Médicos pela Prescrição de Opiáceos de Maneira Responsável, que assinou a petição.
     
    Círculo vicioso
     
    A FDA “determinou que o Zohydro ER respeita os requisitos reguladores e que seus benefícios superam os riscos quando usado da maneira correta”, garantiu um porta-voz da FDA em um comunicado enviado por e-mail.
     
    Analgésicos como o Zohydro são perfeitos para o tratamento da dor poucos dias depois de uma cirurgia ou em pacientes com doenças terminais, como câncer, que estão em sofrimento, explicou Kolodny à AFP.
     
    Mas estes opiáceos “são medicamentos muito ruins” para as pessoas com dores crônicas, como dores nos ombros ou enxaquecas, explicou o médico, que ressaltou que 100 milhões de norte-americanos se encaixam nesta categoria, principal alvo dos laboratórios farmacêuticos. Estima-se que este mercado movimente nove bilhões de dólares nos Estados Unidos.
     
    Por serem altamente aditivos, o uso destes analgésicos por períodos prolongados demanda o aumento da dose para que o efeito seja mantido, criando um vício perigoso, acrescentou Kolodny.
     
    Para o médico, a decisão da FDA de autorizar o Zohydro e os problemas causados pela dependência de opiáceos nos últimos 15 anos reflete a “influência, talvez grande demais, das empresas farmacêuticas nas decisões tomadas pela FDA, especialmente na divisão de analgésicos”.
     
    Em outubro, o jornal Washington Post publicou uma série de e-mails mostrando que as empresas farmacêuticas pagaram dezenas de milhares de dólares a alguns centros médicos universitários para assistir a reuniões internas da FDA durante as quais foram decididos os critérios de aprovação de novos analgésicos, lembrou Kolodny.
     
    Dois senadores norte-americanos iniciaram uma investigação e convidaram a FDA a dar maiores explicações sobre seus motivos numa carta conjunta enviada em 26 de fevereiro, em que descrevem a acusação como “muito preocupante”.
     
    Em comunicado, a FDA disse “levar essas preocupações muito a sério”, mas afirmou “não ter conhecimento de nenhuma irregularidade”.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Novo gene da obesidade é identificado

    Novo gene da obesidade é identificado

    São Paulo – Mais de sete anos de estudos e cerca de mil trabalhos publicados no mundo em torno de um gene conhecido por ser fortemente relacionado à obesidade podem não ter trazido ainda frutos para o combate ao problema por um motivo simples: eles estavam olhando para o gene errado. O desafio foi proposto por um novo trabalho liderado por um brasileiro radicado nos EUA. O estudo mostra que mutações no badalado “gene gorducho” (FTO), conhecido como o mais forte elo genético com a obesidade, têm impacto na produção de proteínas de outro gene, localizado a longa distância dele no genoma, o IRX3.
     
    As mutações no FTO funcionam como um interruptor da atividade do IRX3, apontam os autores na pesquisa, publicada ontem na revista científica Nature. Apesar de estarem longe um do outro, essa interferência é possível porque as fitas de DNA não são lineares, mas se enovelam dentro das células. “Distâncias enormes podem ser desprezíveis. Com as dobras, um gene acabou ficando do lado do outro, e a interferência ocorre pelo contato”, afirma o geneticista Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, principal autor do estudo.
     
    Ao nocautearem a expressão desse gene em camundongos, os pesquisadores observaram que, mesmo com uma dieta gordurosa e sem atividade física, eles ficaram 25% a 30% mais magros do que os que tiveram a mesma alimentação, mas sem alteração no IRX3. “Os camundongos com o nocaute tiveram metabolismo muito mais rápido. A explicação que encontramos é que o cérebro ativou o metabolismo”, diz Nóbrega.
     
    Segundo o pesquisador, mutações no IRX3, no FTO e em mais de 70 genes relacionados à obesidade em geral se expressam mais no cérebro de pessoas que têm obesidade. “No final das contas, é o cérebro que regula a base genética da obesidade, não o tecido adiposo”, diz. Ele lembra que em condições normais, pessoas com mutações no FTO têm efeitos modestos. “Duas em cada três têm uma cópia das mutações. Uma em cada seis tem as duas cópias. Mesmo assim, quem as tem é somente cerca de 3 quilos mais gordo do que quem não tem.”.
    Tratamento. A pesquisa, no entanto, sugere que o potencial de tratamento é maior. “Ao nocautearmos o gene que tem a expressão alterada por essas mutações, os camundongos perderam um terço do peso. O potencial do gene em regular o peso é muito maior”, afirma Nóbrega. O pesquisador admite que a descoberta ainda não tem aplicação direta no combate à obesidade. Para ele, o principal ganho é mostrar um novo caminho de estudos. “Centenas de laboratórios interessados em como FTO regula o metabolismo estavam provavelmente estudando o gene errado”, diz.
    Giovana Girardi
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • AMB lança site para receber denúncias sobre mau atendimento médico

    AMB lança site para receber denúncias sobre mau atendimento médico

    Brasília – A Associação Médica Brasileira (AMB) e sociedades de especialidades lançaram nesta quarta-feira, 12, uma plataforma para receber denúncias sobre falhas de atendimento em unidades do SUS ou em instituições particulares. No projeto, batizado de Caixa Preta da Saúde, interessados podem enviar fotos, vídeos ou informações sobre problemas encontrados. O site para envio das informações é http://www.caixapretadasaude.org.br/.
     
    Ao entrar no site, interessados indicam o Estado, a cidade e a unidade de saúde onde o problema foi encontrado. Não será necessário se identificar. O presidente da AMB, Florentino Cardoso, afirmou que as informações apresentadas serão checadas por uma equipe. Somente depois poderão ser consultadas no portal. “Todos terão acesso. Queremos dar transparência, mas com compromisso com a verdade.”
     
    A equipe ficará encarregada também de verificar reincidência dos problemas. “Vamos ter um contato direto com o Ministério Público”, completou. Gestores também poderão prestar informações, caso os problemas denunciados já tenham sido corrigidos.
     
    Fonte: Uol Saúde