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  • Alteração gênica reduz índices de tumor em células-tronco, mostra estudo

    Alteração gênica reduz índices de tumor em células-tronco, mostra estudo

    Pesquisadores do Instituto de Biociências da USP (Universidade de São Paulo) conseguiram reduzir de forma significativa o desenvolvimento de tumores em células-tronco embrionárias a partir do silenciamento (redução da expressão) de um gene específico. Trata-se do gene E2F2, que se manifestava de forma aberrante em diversos tipos de cânceres.
     
    O coordenador da pesquisa, Oswaldo Keith Okamoto, é professor do IB e pesquisador do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-tronco (CEGH-CEL). Desde 2003, seu grupo estuda tumores e, em 2008, passou também a estudar células-tronco embrionárias.
     
    Os resultados do projeto “Fator de transcrição E2F2 e expressão de proto-oncogenes em células-tronco embrionárias humanas” foram divulgados em janeiro deste ano na revista Stem Cells and Development. Ele teve verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e os estudos foram desenvolvidos no Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB.
     
    As células-tronco embrionárias têm como característica a pluripotência, isto é, a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo de célula dos tecidos biológicos. Porém, o professor Okamoto ressalta: “as células pluripotentes também têm capacidade de gerar tumores”.
     
    Do total de genes presentes nas células humanas, normalmente, apenas um conjunto deles encontra-se ativo. “O comportamento aberrante de um gene é dado, por exemplo, pelo fato de ele estar ativo quando não deveriam estar, ou estar inativo quando deveria ter atividade”, diz ele. Essa alteração de expressão gênica forma um padrão completamente anormal e acaba afetando o comportamento celular, podendo desencadear a geração de um tumor.
     
    Durante os estudos sobre câncer, observou-se que células com maior grau de malignidade em tumores cerebrais agressivos, do tipo glioblastoma, apresentavam alta expressão do gene E2F2. A partir disso, o grupo desconfiou que o gene poderia também estar relacionado à capacidade tumorigênica das células-tronco embrionárias. Estas costumam desenvolver teratomas, que são tumores em geral benignos, mas que podem, sim, apresentar malignidade.
     
    Metodologia
     
    Após obter um resultado positivo in vitro, os pesquisadores testaram o efeito em camundongos imunossuprimidos, pois assim não haveria rejeição, por parte do sistema imunológico, às células humanas. Metade deles recebeu células-tronco embrionárias comuns e a outra metade, células modificadas (com o gene E2F2 silenciado).
     
    Em todos os momentos observados, os camundongos que foram inoculados com células modificadas tiveram incidência menor de tumores.
     
    Após esse primeiro êxito, o grupo passou a analisar se as células modificadas ainda teriam a capacidade de se diferenciar em qualquer tipo de tecido. “Na literatura, todos os trabalhos que estudam pluripotência a correlacionam com potencial tumorigênico”, afirma Okamoto. Porém, após serem estimuladas in vitro a se diferenciarem em células dos três tipos de folhetos germinativos (endoderma, mesoderma e ectoderma), observou-se que tal capacidade não foi afetada. Foi possível notar, ainda,  a preservação da expressão de fatores de pluripotência.
     
    Para o futuro, Okamoto espera combinar suas pesquisas com os estudos sobre células pluripotentes induzidas, cuja sigla em inglês é IPS. Estas são obtidas a partir do próprio paciente e podem ser reprogramadas para gerarem outros tecidos.
     
    “Qualquer célula deste tipo seria geneticamente compatível com o paciente, o que diminui a chance de destruição pelo sistema imune”, diz ele. Interligar esses estudos seria um grande avanço no sentido de tratar doenças que hoje são de difícil tratamento, como lesões medulares, degeneração macular, diabetes, parkinson, alzheimer e distrofia muscular.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Uso de analgésico na gravidez teria elo com risco de THDA em crianças

    Uso de analgésico na gravidez teria elo com risco de THDA em crianças

    Dados foram publicados em estudo científico feito nos Estados Unidos.
    Déficit de atenção e hiperatividade afeta 5% das crianças americanas.
     
    O acetaminofeno (paracetamol), analgésico de uso comum considerado seguro para mulheres grávidas, foi vinculado pela primeira vez ao risco de desenvolvimento do transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (THDA) em crianças, segundo estudo publicado nesta segunda-feira (25) nos Estados Unidos.
     
    Serão necessários mais pesquisas para confirmar as descobertas.
     
    No entanto, especialistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Aharus (Dinamarca) descobriram que as mulheres grávidas que tomaram acetaminofeno tiveram um risco 37% maior de ter filhos que poderiam ter transtorno hiperquinético, uma forma particularmente severa de transtorno de hiperatividade com déficit de atenção (THDA).
     
    A origem desta condição, que afeta 5% das crianças americanas, ainda é desconhecida.
     
    Segundo a investigação, publicado na revista da Associação Médica Americana, em comparação com as mulheres grávidas que não tomaram o analgésico, as que o fizeram tinham 29% mais probabilidades de ter filhos aos quais foram prescritos remédios para o THDA e 13% mais chances de ter filhos com condutas parecidas às do THDA por volta dos sete anos.
     
    Pesquisas anteriores tinham sugerido que o acetaminofeno pode interferir no funcionamento normal dos hormônios e poderia afetar o desenvolvimento cerebral do feto. A pesquisa se baseou em dados de mais de 64 mil mulheres dinamarquesas entre 1996 e 2002. Mais da metade delas disse ter tomado acetaminofeno pelo menos uma vez durante a gravidez.
     
    Especialistas advertiram que os resultados da pesquisa não provam que o medicamento seja a causa do TDAH nas crianças, mas apenas um vínculo preliminar entre os dois fatores. “Os resultados deste estudo deveriam ser interpretados com cautela e não deveriam mudar as práticas habituais”, afirmou, em um editorial da revista, um grupo de especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff.
     
    Fonte: Bem Estar
  • ” da aids chega ao SUS em março

    ” da aids chega ao SUS em março

    O medicamento que associa tenofovir e lamivudina, combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês. Este é o tempo estimado para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceda o registro de produção para Farmanguinhos, laboratório público que, ao lado da empresa Blanver, vai fabricar o remédio no País. 
     
    Combinações de medicamentos para aids são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para melhorar a adesão ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida para pacientes. Terapias para soropositivos são feitas a partir da indicação de várias drogas, prática que no passado ganhou o apelido de “coquetel”. Pacientes podem ingerir até mais de dez comprimidos diferentes por vez. “Daí a importância das associações. Elas trazem menos incômodos, tornam a vida do paciente mais prática”, afirma a infectologista Lígia Raquel Brito.
     
    A chegada do medicamento combinado no SUS é aguardada há tempos. “Sou questionada com frequência pelos pacientes. O anúncio do projeto gerou muita expectativa entre eles”, completa. Atualmente, dos 310 mil soropositivos em tratamento do SUS, 73 mil usam em seu esquema terapêutico tenofovir e lamivudina.
     
    Parceria.
     
    Divulgada em 2012, a parceria para desenvolvimento da droga previa, de acordo o presidente da Blanver, Sergio Frangioni, a oferta do produto no segundo semestre do ano passado. Ele conta que a empresa depositou o pedido de registro da droga na Anvisa em outubro de 2012. A autorização foi concedida em dezembro.
     
    “Já há condições para produção, entrega da droga para o Ministério da Saúde. Mas não recebemos por enquanto nenhuma sinalização”, conta Frangioni. Para que isso seja feito, é preciso que Farmanguinhos também seja liberada pela Anvisa para a execução do projeto. “Entendemos a expectativa. Mas o desejo empresarial não pode se sobrepor à segurança e à certeza de eficácia do medicamento”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. 
     
    O laboratório Blanver foi responsável por desenvolver a combinação. No acordo de transferência de tecnologia, a empresa fica encarregada de, progressivamente, repassar a técnica de produção para Farmanguinhos. Em troca, a Blanver tem a garantia que, ao longo de cinco anos, será o único a vender ao governo. A associação dos medicamentos foi anunciada como uma promessa de economia. A estimativa era de que o preço fosse 20% inferior ao que é pago pelo governo na aquisição de tenofovir e lamivudina, separadamente.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Campanha contra Aids quer atingir 100 mil pessoas que não sabem ter o vírus

    Campanha contra Aids quer atingir 100 mil pessoas que não sabem ter o vírus

    Foi lançada nesta terça-feira (25) a Campanha de Carnaval deste ano do Ministério da Saúde com o slogan “Se tem festa, festaço ou festinha, tem que ter camisinha” que entra no ar na quarta-feira (26). Segundo Jarbas Barbosa, Secretário de Vigilância em Saúde, a intenção é associar os momentos de alegria e a conscientização para que as pessoas não se esqueçam dos cuidados básicos. Para isso, serão distribuídos 104 milhões de preservativos até o final de março.
     
    Barbosa lembra que foi divulgado no final de 2013 que 340 mil pessoas estão em tratamento de Aids, com acesso aos medicamentos mais modernos. Porém, mais de 150 mil portadores do vírus HIV não sabem disso ou relutam em saber. Ele fala que, graças ao novo protocolo, com testagem e oferta de tratamento mais rápidos, ao invés de 40 mil pessoas entrando em tratamento em 2014, o Ministério da Saúde quer alcançar 100 mil das 150 mil pessoas que ainda não tomaram conhecimento de serem portadoras do vírus. “Queremos produzir uma redução efetivamente positiva nos casos”.
     
    “A ideia é que onde houver festa, levemos uma mensagem para as pessoas se cuidarem. Especialmente para adolescentes e jovens. Não vamos trabalhar a campanha só no Carnaval, mas durante o ano todo, pois temos Copa do Mundo, o que vai gerar 'carnaval fora de época' e também há as festas juninas”, conta Barbosa, lembrando que o país é o maior comprador de preservativos do mundo: “Compramos de uma fábrica brasileira em Xapuri (AC), mas também de todos os produtores mundiais”.
     
    Slogan que pega
     
    O Ministro da Saúde Arthur Chioro elogiou o slogan: “Ele pega fácil,  se comunica direto com a juventude. Gostei muito das peças da publicidade, por mostrarem as diferentes formas de organizações sociais. Temos de trabalhar com o conjunto da sociedade. Sem perder a dimensão do diagnóstico precoce e do tratamento”.
     
    “É melhor saber se é portador do vírus. Qualquer pessoa de vida sexual ativa deveria fazer o teste. Com o novo protocolo, após o diagnóstico positivo, a pessoa começa a fazer o tratamento imediatamente. Do ponto de vista da saúde pública, quanto antes o paciente tomar medicamento antirretroviral, a chance de transmissão cai muito. É uma ferramenta de prevenção junto com o preservativo fará o número cair. Temos de facilitar o diagnóstico”, admite Barbosa.
     
    Em 2013, segundo o ministério, foram gastos R$ 600 mi e para este ano serão mais de R$ 1,2 bilhão voltados à Aids, seja em tratamentos como em publicidade. Só para esta campanha foram gastos R$ 15 milhões. Além dos 104 milhões de preservativos que serão distribuídos até março, estarão disponíveis 4,7 milhões de testes rápidos, mais os tradicionais, totalizando quase 9 milhões. “O teste de HIV deve ser pedido pelo médico sempre, fazendo parte da rotina”, conta Barbosa.
     
    Segundo o Ministério da Saúde,  este tipo de campanha não é algo comum em nenhum lugar do mundo. Chiro diz que o objetivo é que as redes de saúde ampliem a atenção básica ainda mais, graças ao Mais Médicos.
     
    Chioro frisa a importância do preservativo, pois a ideia da campanha é passar a mensagem 'use sempre camisinha”. Ele afirma que além disso, hoje há estrutura no país para se desenvolver o diagnóstico precoce da doença e um volume de recursos garantido para o tratamento. “Há um aspecto importante que nos reporta aos números mencionados, são 340 mil brasileiros em tratamento e 150 mil portadores do vírus que não têm noção de sua situação. A campanha vai chamar a população para o uso da camisinha, mas também para o diagnóstico precoce”.
     
    Ele lembra que os vídeos da campanha mostram o cidadão comum buscando um centro de saúde, não só nas grandes cidades. “As pessoas podem contar com uma rede pronta, qualificada, de forma segura, sigilosa e gratuita para o teste rápido, não só para o HIV, mas para sífilis, hepatites B e C. Em 30 minutos temos condições de dar o diagnóstico. Vamos chamar os brasileiros para que façam este teste. Há uma dimensão coletiva, sempre que tratarmos o usuário estamos interceptando a cadeia de transmissão das doenças. É um desafio ter uma rede que permita que os pontos do SUS (Sistema Único de Saúde) tenham capacidade de diagnóstico e orientação, para ganhar a segurança de jovens, adolescentes ou  idosos e se tornar uma ferramenta forte”, afirma o ministro.
     
    “É preciso integrar e qualificar a situação, com clareza e divisão de responsabilidades, não só para podermos enfrentar a Aids, mas outras doenças como a hepatite. E que a pessoa aprenda a lidar com seu corpo da forma mais solidária possível. A prevenção não pode ser só feita pelo poder público e pela imprensa, mas por cada brasileiro, é preciso ter responsabilidade e solidariedade, pois estamos falando da vida”, encaerra Chioro.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Cientistas do Japão criam recipientes portáteis para células-tronco

    Cientistas do Japão criam recipientes portáteis para células-tronco

    Protótipo permite conservação de células-tronco por 24 horas. 
    Dispositivos pesam de três a quatro quilos, o que facilita o transporte.
     
    A universidade japonesa de Kioto apresentou nesta segunda-feira (24) um protótipo de recipiente portátil para as células-tronco usadas na medicina regenerativa, que permite sua conservação durante 24 horas e facilita assim seu transporte por grandes distâncias.
     
    O projeto foi desenvolvido por pesquisadores dessa universidade do oeste do Japão em cooperação com 14 companhias privadas, entre elas alguns fabricantes eletrônicos, segundo informou a agência 'Kyodo'.
     
    O transporte de células-tronco por grandes distâncias 'é uma prática cada vez mais importante', devido à extensão da medicina regenerativa, assinalou a professora associada da universidade de Kioto, Tomoki Aoyama, em declarações ouvidas pelo mesmo veículo.
     
    Os recipientes permitirão conservar e transportar durante 24 horas as células-tronco mesenquimais, usadas habitualmente na regeneração de ossos e cartilagens.
     
    Os dispositivos têm peso de entre 3 e 4 quilos, o que facilita que sejam transferidos por apenas uma pessoa, e estão construídos com materiais que conservam o interior a uma temperatura estável e em condições assépticas.
     
    Embora tenham sido desenhados de forma específica para as células-tronco mesenquimais, os pesquisadores disseram que estão trabalhando no desenvolvimento de outros recipientes para células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), capazes de gerar a maioria dos tecidos.
     
    Fonte: G1 Saúde
  • Movimento antivacina gera surto de doenças nos EUA

    Movimento antivacina gera surto de doenças nos EUA

    Surtos de doenças como sarampo, caxumba ou coqueluche costumam ser associados a países pobres da África ou da Ásia, onde grande parte da população não tem acesso a vacinação e cuidados médicos.
     
    No entanto, nos últimos anos essas doenças vêm ressurgindo com força nos EUA. Somente no ano passado, foram registrados mais de 24 mil casos de coqueluche no país, segundo dados preliminares do Centers for Disease Control and Prevention (Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, ou CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Saúde dos EUA.
     
    No ano anterior, o número chegou a 48,2 mil, o maior desde 1955. Em 2013, o país registrou ainda 438 casos de caxumba e 189 de sarampo, todas doenças que podem ser prevenidas por vacinas existentes há vários anos.
     
    O fenômeno vem chamando a atenção de especialistas, que relacionam muitos dos surtos ao movimento antivacina, encabeçado por pais que decidem não vacinar seus filhos por motivos que incluem o temor de efeitos colaterais que prejudiquem a saúde da criança.
     
    “No caso da coqueluche, parte dos surtos parece estar ligada ao problema de que a vacina mais amplamente usada não é tão eficaz quanto costumava ser. Mas os casos de caxumba e, especialmente, sarampo, acho que estão relacionados ao movimento antivacina”, disse à BBC Brasil a especialista em saúde global Laurie Garrett, do Council on Foreign Relations (CFR).
     
    Garrett é a principal autora de um lançado pelo CFR que mostra os surtos de doenças evitáveis por vacinas ao redor do mundo de 2008 a 2014.
     
    No mapa, chama a atenção não apenas a alta incidência dessas doenças nos EUA, mas também em países europeus, como a Grã-Bretanha.
     
    “Os níveis de vacinação na Grã-Bretanha para doenças como sarampo, caxumba e rubéola vêm despencando. Há comunidades inteiras em que a cobertura está abaixo de 50%. No caso de uma doença tão contagiosa como o sarampo, qualquer nível abaixo de 90% é perigoso”, diz Garrett.
     
    Autismo
     
    O movimento antivacina ganhou força a partir de 1998, quando o pesquisador britânico Andrew Wakefield publicou um estudo que relacionava a vacina Tríplice Viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo.
     
    Diversas pesquisas posteriores nunca acharam qualquer ligação entre a vacina e o autismo, e em 2010 uma comissão de ética descobriu que Wakefield havia falsificado dados de seu estudo. Wakefield teve sua licença médica cassada e o estudo foi retirado das publicações.
     
    Mas apesar do descrédito do estudo e de seu autor, a teoria se espalhou, com a ajuda da internet, entre pais temerosos de que a vacina pudesse causar problemas a seus filhos.
     
    Nos EUA, a onda antivacina ganhou visibilidade com a militância de nomes como Jenny McCarthy, ex-coelhinha da Playboy que se tornou uma das porta-vozes do movimento a partir de 2007, depois que seu filho, Evan, foi diagnosticado com autismo.
     
    Hoje há no país diversas entidades destinadas a fornecer informações sobre os supostos riscos das vacinas. Uma das mais antigas e influentes é o National Vaccine Information Center (Centro Nacional de Informações sobre Vacinas, em tradução livre), presidido por Barbara Loe Fisher.
     
    Pioneira do movimento antivacina, Fisher foi uma das fundadoras do centro em 1982 e é autora de três livros sobre o tema.
     
    Ela diz que seu filho, Chris, sofreu uma reação severa à vacina tríplice DPT (contra difteria, coqueluche e tétano) quando tinha dois anos e meio de idade, em 1980, e ficou com sequelas e problemas de aprendizagem.
     
    Número de vacinas
     
    Fisher diz que seu objetivo não é convencer pais a não vacinarem seus filhos, mas lutar pelo direito à informação.
     
    “Queremos educar as pessoas para que entendam sobre os riscos de complicações das vacinas, para que possam tomar decisões bem informadas”, disse Fisher à BBC Brasil.
     
    Assim como outros adeptos do movimento, Fisher reclama do poder da indústria farmacêutica e do número de vacinas recomendadas pelo governo americano.
     
    “Esse número triplicou nos últimos 30 anos. Em 1982, eram 23 doses de sete diferentes vacinas até os seis anos de idade. Hoje, o governo recomenda 69 doses de 16 vacinas até os 18 anos”, afirma.
     
    As crianças americanas são obrigadas a apresentarem comprovante de vacinação para ingressar na escola. Mas todos os 50 Estados do país permitem isenções médicas, para crianças que, por motivos de saúde, não podem ser vacinadas.
     
    Em 48 Estados também há isenções por motivos religiosos e, em 18 deles, a chamada isenção por crenças pessoais.
     
    Segundo o CDC, no ano escolar de 2012-2013 a taxa de isenção média entre alunos do jardim de infância foi de 1,8%. Em alguns Estados, como Oregon, chegou a 6,5%.
     
    Perfil
     
    “Estudos mostram que muitas crianças não vacinadas têm pais com altos níveis de educação e renda”, disse à BBC Brasil a epidemiologista Allison Fisher, do CDC.
     
    Uma análise das áreas onde ocorrem os surtos também dá dicas sobre o perfil das famílias que optam por não vacinar seus filhos.
     
    “Se nosso mapa interativo englobasse os anos 1950, veríamos que, naquela época, os surtos estavam associados à falta de infraestrutura para levar as vacinas às crianças pobres”, diz Garrett.
     
    “Isso não ocorre mais. Atualmente o governo federal dos EUA e a maioria dos governos estaduais têm programas de vacinação muito fortes nas comunidades carentes e áreas rurais”, afirma.
     
    “Hoje, os surtos nos EUA ocorrem entre populações mais ricas. E isso tem relação com comunidades em que há maior pressão política para acabar com as exigências de vacinação para crianças na escola”, diz Garrett.
     
    Riscos
     
    Segundo Allison Fisher, do CDC, como certas doenças não eram vistas havia muito tempo nos EUA, alguns pais simplesmente pensam que elas não existem mais.
     
    “Tentamos chegar aos pais e profissionais de saúde e reforçar que a decisão de não vacinar traz riscos”, diz.
     
    Garrett observa que, antes da introdução das vacinas, doenças como sarampo estavam entre as principais causas de morte de crianças nos EUA.
     
    “É imperdoável que hoje em dia, em um país como os EUA, uma criança pegue sarampo”, afirma.
     
    Acostumada a viajar pelo mundo em áreas onde o sarampo e outras doenças ainda matam milhares de crianças, por falta de acesso a vacinas, Garrett diz que costuma ouvir nesses países a mesma reclamação.
     
    “Me perguntam por que não têm acesso a vacinas como nós temos nos EUA, pedem por isso”, diz.
     
    “A ironia é que você volta aos EUA e ouve todas essas pessoas dizendo: 'Não queremos vacinas'.”
     
    Fonte: Uol Saúde
  • Planos de saúde terão de informar qualidade dos serviços

    Planos de saúde terão de informar qualidade dos serviços

    A partir do mês que vem, todas as operadoras de planos de saúde serão obrigadas a informar aos clientes indicativos de qualidade de sua rede de prestadores de serviço. Em entrevista ao Estado, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), André Longo, revelou que hospitais, laboratórios e médicos serão qualificados de acordo com uma série de critérios estabelecidos pela agência.
     
    O resultado dessa avaliação deverá ser publicado pelas operadoras em todo o material de divulgação de sua rede assistencial, nas versões online e impressa. A iniciativa faz parte do programa Qualiss, desenvolvido pela ANS para tentar melhorar o controle sobre a qualidade do serviço prestado. 
     
    “O programa vai pontuar, por um conjunto de atributos de qualificação, tanto os profissionais quanto a rede hospitalar, clínica e de laboratórios que têm convênio com operadoras. Queremos avaliar a qualidade desse serviço que está sendo prestado ao consumidor para dar mais segurança e, também, para dar uma divulgação desses indicadores e facilitar a escolha do consumidor quando for buscar algum tipo de serviço”, disse Longo.
     
    Entre os atributos que serão medidos estão, entre os hospitais, taxa de infecção hospitalar, taxa de mortalidade cirúrgica, acessibilidade à pessoa com deficiência, tempo de espera na urgência e emergência e satisfação do cliente. Os médicos que atendem em consultórios também serão avaliados. 
     
    “Vamos ver se ele tem residência médica, se tem alguma especialização, se atende aos registros necessários da Vigilância Sanitária, se participa de programas como o Notivisa, que é de notificação compulsória de eventos junto à Vigilância Sanitária”, explica o diretor-presidente da ANS. As operadoras que não publicarem as informações passadas pelo prestador de serviço receberão multa de R$ 35 mil.
     
    Reclamações.
     
    Longo contou ainda que, também em março, a ANS atuará com o mesmo rigor com todos as reclamações recebidas contra planos de saúde, incluindo as falhas não relacionadas à cobertura. Hoje, a agência só dá prazo máximo para as operadoras responderem esse tipo de problema. A partir do dia 17 do mês que vem, as reclamações sobre outros assuntos, como reajustes abusivos e quebras de contrato, receberão o mesmo tratamento.
     
    “Hoje, essas demandas são tratadas sem um fluxo de tempo para a resposta. Isso vai passar a existir e o consumidor vai poder, até mesmo, acompanhar as suas demandas no site da agência”, disse. Segundo Longo, somente no ano passado, a ANS recebeu mais de 100 mil reclamações. Cerca de 70 mil delas foram relacionadas à cobertura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
     
    Fonte: Uol Saúde
  • ” luz

    ” luz

    Remédio testado em camundongos restaurou habilidade da retina de perceber luz.
     
    Um medicamento ainda em fase de testes poderá dar a cegos a capacidade de perceber a luz.
     
    Estruturas da retina conhecidas como cones e bastonetes são responsáveis pela reação à luz, mas estas estruturas podem ser afetadas e destruídas por doenças.
     
    Um estudo dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que uma droga poderá dar a estas células no olho o poder de responder rapidamente à luz.
     
    O olho é formado por camadas que incluem os bastonetes e cones.
     
    Outras camadas mantêm os bastonetes e cones vivos, além de passar os sinais elétricos produzidos pelas células sensíveis à luz para o cérebro.
     
    Os cientistas se concentraram em um tipo de neurônio presente no olho, as células ganglionares da retina.
     
    Eles desenvolveram um composto químico, chamado Denaq, que muda de forma em resposta à luz. Esta mudança de forma altera a química da célula nervosa e o resultado são sinais elétricos enviados ao cérebro.
     
    O estudo foi publicado na revista especializada 'Neuron'.
     
    Até certo ponto
     
    Os testes mostraram que, ao injetar o Denaq nos olhos de camundongos cegos, os cientistas restauraram parcialmente a visão dos animais. Ocorreram mudanças no comportamento mas não foi possível determinar o quanto os camundongos estavam enxergando.
     
    O efeito da droga acabou rapidamente, mas os camundongos ainda conseguiam detectar a luz uma semana depois da aplicação.
     
    'São necessários mais testes em mamíferos maiores para avaliar a segurança do Denaq no curto e no longo prazo. Serão necessários vários anos, mas se a segurança puder ser estabelecida, estes compostos poderão finalmente ser úteis para restaurar a sensibilidade à luz em humanos cegos', disse Richard Kramer, um dos pesquisadores.
     
    'Ainda precisamos ver o quão perto vão chegar de restabelecer a visão normal', acrescentou.
     
    Os cientistas esperam que a droga possa, no futuro, ajudar no tratamento de doenças como a retinite pigmentosa e degeneração macular relacionada à idade.
     
    Para Astrid Limb, do Instituto de Oftalmologia do University College de Londres, o conceito do Denaq 'é muito interessante, poder estimular as células que restam' na retina.
     
    'Mas, ainda é preciso muito trabalho antes de esta pesquisa ser aplicada em humanos', afirmou.
     
    De acordo com ela, a duração do efeito da droga é outra questão que precisa ser resolvida.
     
    A pesquisa dos cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley é mais uma de uma série de estudos que visa restaurar a visão em casos de cegueira, junto com pesquisas com células-tronco e manipulação de DNA para corrigir problemas genéticos que levem à perda da visão.
     
    Fonte: BBC Brasil
  • “Biópsia líquida” identifica câncer no sangue

    “Biópsia líquida” identifica câncer no sangue

    Dois estudos publicados nesta quarta-feira (19), nos Estados Unidos comprovam a eficácia de uma técnica que, num futuro próximo, poderá permitir o monitoramento do câncer por meio de exames de sangue e, talvez, num futuro um pouco mais distante, a detecção superprecoce de tumores pequenos demais para serem percebidos pelos métodos de diagnóstico convencionais.
     
    Apelidada de “”biópsia líquida””, a estratégia é baseada na análise de pedaços de DNA que vazam dos tumores para a corrente sanguínea, chamados de DNA tumoral circulante (ou ctDNA, na sigla em inglês). Eles funcionam como impressões digitais da doença, que os cientistas podem “ler” para extrair informações genéticas essenciais para a caracterização do tumor e a seleção do melhor tratamento.
     
    A ideia não é nova; já vem sendo testada há alguns anos por vários laboratórios ao redor do mundo. O que os novos trabalhos trazem é uma “prova de conceito” contundente do seu potencial para aplicações práticas na medicina. A principal vantagem seria a possibilidade de monitorar continuamente a doença por meio de um método relativamente simples, rápido e não invasivo – muito mais prático do que a realização de biópsias “sólidas” de tumores (que muitas vezes estão em locais de difícil acesso no corpo) e muito mais informativo do que o monitoramento de outros marcadores moleculares – como o PSA, relacionado ao câncer de próstata.
     
    “”É uma estratégia que, provavelmente, vai ter uma utilidade clínica muito grande””, prevê a pesquisadora Suely Marie, do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela e a colega Sueli Shinjo são coautoras em um dos trabalhos, que testou o uso do ctDNA na detecção e caracterização de tumores de 640 pacientes com vários tipos de câncer. A eficácia da técnica variou entre 50% e 75%, dependendo do tipo de tumor e do estágio da doença. A eficiência mais alta foi na detecção de tumores avançados do pâncreas, ovários, intestino, bexiga, esôfago, mama e pele. A mais baixa foi para tumores primários nos rins, próstata, tireoide e no cérebro – órgão no qual o trabalho das pesquisadoras brasileiras está mais focado.
     
    “”Estamos na luta ainda para encontrar biomarcadores eficientes para tumores do sistema nervoso central””, afirma Suely. A dificuldade, neste caso, deve-se a uma barreira natural de membranas que isolam o cérebro e a medula espinhal do sistema circulatório em geral.
     
    A aplicação mais imediata da técnica, segundo Suely, deverá ser no monitoramento de casos de câncer já diagnosticados. As informações genéticas contidas no ctDNA podem dar pistas importantes sobre a melhor maneira de combater a doença, tornando a terapia mais personalizada e, consequentemente, mais eficiente. Os estudos saíram na revista Science Translational Medicine.
     
    Fonte: Uol Saúde
     
  • Estudo aponta que imunoterapia cura leucemia em 88% dos casos

    Estudo aponta que imunoterapia cura leucemia em 88% dos casos

    Abordagem consiste em usar próprio sistema imunológico contra câncer.
    Pesquisa foi publicada esta semana na 'Science Translational Medicine'.
     
    Uma nova abordagem para tratar a leucemia, que consiste em usar o próprio sistema imunológico para matar as células cancerígenas, conseguiu resultados positivos contra a doença em 88% dos adultos afetados e submetidos ao procedimento, de acordo com pesquisa publicada nesta quarta-feira (19) na revista “Science Translational Medicine”.
     
    O relatório traz novas e boas notícias para o florescente campo da imunoterapia contra o câncer, que usa o que alguns descrevem como uma “droga vivente” e foi considerado pela revista “Science” como o maior avanço de 2013.
     
    O último teste foi feito com 16 pessoas com um tipo de câncer no sangue conhecido como leucemia linfoblástica aguda (LLA). Mil e quatrocentas pessoas morrem de LLA nos Estados Unidos todos os anos e, embora seja um dos tipos de câncer mais tratáveis, os pacientes frequentemente se tornam resistentes à quimioterapia e sofrem recaídas da doença.
     
    Neste estudo, entre 14 e 167 pacientes tiveram uma remissão completa, depois que suas células T foram modificadas para se concentrar na erradicação do câncer.
     
    A idade média dos pacientes foi de 50 anos e todos estavam à beira da morte quando ingressaram no teste, uma vez que a doença tinha voltado ou eles tinham percebido que a quimioterapia não funcionava mais.
     
    A maior remissão tem dois anos de duração, disse o autor Renier Brentjens, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center.
     
    Sem este tratamento, só 30% dos pacientes que sofreram recaída da doença responderiam à quimioterapia, segundo estimativas dos pesquisadores.
     
    Educar as células T 
     
    O processo supõe remover algumas das células T dos pacientes e alterá-las com um gel para que reconheçam uma proteína – conhecida como CD19 – nas células cancerígenas e atacá-las. As células T sozinhas conseguem atacar outros invasores nocivos ao corpo humano, mas permitiriam que o câncer cresça de forma ininterrupta.
     
    “Basicamente o que fazemos é reeducar as células T no laboratório, com terapia genética, para reconhecer e matar células com tumores”, disse Brentjens, acrescentando que após 15 anos de trabalhos, esta tecnologia “parece realmente funcionar em pacientes com este tipo de câncer”.
     
    No ano passado, sua equipe divulgou os primeiros resultados promissores em cinco pacientes adultos, curados após fazer o tratamento. O pesquisador avaliou que entre 60 e 80 pessoas nos Estados Unidos ingressaram desde então nos testes experimentais do novo tratamento, também estudado na Europa.
     
    Não é acaso 
     
    Em dezembro de 2013, especialistas de vários centros americanos onde se realizam testes apresentaram suas descobertas no encontro anual da Sociedade Americana de Hematologia, inclusive a Universidade da Pensilvânia.
     
    Brentjens explicou que outros centros de pesquisa conseguiram taxas de remissão similares em seus estudos até o momento, “demonstrando que isto não é um acaso”. “Este é um fenômeno real”, que pode se tornar uma “reviravolta paradigmática na forma como nos aproximamos do tratamento do câncer”, disse o especialista.
     
    Os cientistas tentam agora averiguar porque o tratamento funciona em todos os pacientes e identificar células receptivas de tipos de câncer específicos que poderiam fazer com que, no futuro, a técnica servisse para remover outros tipos de tumores.
     
    A terapia continua sendo cara (100 mil dólares por pessoa), embora os especialistas acreditem que o preço diminuirá uma vez que as empresas farmacêuticas se envolvam mais e a técnica se expanda.
     
    Fonte: Bem Estar